< Pergunta bíblica sobre 1 Coríntios
P: Em 1 Coríntios 1:1, como era a cidade de Corinto?
R: A antiga cidade de Corinto era mais antiga que Abraão (2.000 a.C.); os gregos só começaram a viver ali por volta de 1.350 a.C. Os romanos incendiaram Corinto e mataram ou escravizaram toda a sua população em 146 a.C., após a província se rebelar contra Roma. Um século depois, em 46 a.C., Júlio César refundou a cidade com ex-soldados romanos e libertos. Mas, em pouco mais de um século, na época de Paulo (50 d.C.), Corinto era uma cidade enorme, sendo o centro comercial de toda a região do Mediterrâneo oriental entre a Sicília e Antioquia. Tinha uma população de cerca de 650 mil pessoas, das quais dois terços eram escravos. Era sede dos Jogos Ístmicos, segundos em importância apenas aos Jogos Olímpicos.
Corinto tinha uma reputação perversa; os gregos tinham uma gíria para designar a adoção de uma vida completamente imoral; era, literalmente, “corintianizar-se” (termo cunhado pela primeira vez por Aristófanes no fragmento 354). Platão utilizou o termo “moça de Corinto” para designar uma prostituta em *A República*, 404d. Parte da riqueza de Corinto devia-se ao templo de Afrodite Pandemos, que todas as noites enviava mil prostitutas.
No entanto, em meio a toda essa escuridão e maldade, o evangelho resplandeceu para operar a salvação na igreja de Corinto. Mas nem tudo o que começa bem termina bem. A igreja local tolerava alguns problemas morais e doutrinários graves. Se alguém disser que queremos ser exatamente como os primeiros cristãos, a verdade é que não queremos ser exatamente como os coríntios. Mas, se algo não vai terminar bem, Deus pode usar uma pessoa como Paulo para consertar e corrigir a situação.
Entre os anos 96 e 98 d.C., Clemente de Roma escreveu uma carta à igreja de Corinto, basicamente repreendendo-os por não terem feito algumas das coisas que Paulo lhes havia ordenado há quase cinquenta anos.
P: 1 Coríntios 1:3 mostra que Jesus é Deus Pai, como afirmam alguns pentecostais unitaristas?
R: É verdade que a palavra grega aqui (kai) pode significar tanto “e” quanto “até mesmo”. Embora o versículo 3 possa ser interpretado de ambas as formas, 1 Coríntios 1:4 mostra uma distinção entre Deus [o Pai] e Jesus. Consulte a discussão sobre Romanos 1:7 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 1:8, como podemos ser “irrepreensíveis”?
R: A palavra grega aqui, anenkletous, significa literalmente “livre de acusação”. Não significa ser perfeito sem pecado, nem nunca ter nada a ser perdoado, mas sim que, neste momento, devemos estar vivendo “livres de acusação”.
P: Em 1 Coríntios 1:9, por que Deus não chamou todos para a comunhão com Jesus Cristo?
R: Deus oferece salvação a todos os homens (Tito 2:11), pois a todos é ordenado que a obedeçam em 2 Tessalonicenses 1:8, 1 Pedro 4:17 e Atos 2:38. Devemos proclamar a palavra da vida (Filipenses 2:16) a todos. No entanto, Deus escolheu criar pessoas com livre arbítrio para que elas mesmas rejeitassem o propósito de Deus (Lucas 7:30) e sofressem as consequências de suas próprias escolhas (Jeremias 17:4).
P: 1 Coríntios 1:10 mostra que os cristãos obedientes não devem se dividir por terem pensamento independente, como ensinam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Dois exemplos de como Paulo tolerava o pensamento independente são Filipenses 3:15 e Romanos 14:1-10. O livro “Testemunhas de Jeová: Respostas Versículo por Versículo”, pp. 92-94, destaca que as Testemunhas de Jeová recebem a ordem de “evitar o pensamento independente… questionar o conselho fornecido pela organização visível de Deus” e de “lutar contra o pensamento independente” (revista A Sentinela, 15/01/1983, pp. 22, 27).
Quanto aos mórmons, o profeta mórmon Ezra Taft Benson, quando era apóstolo mórmon, disse: “Quando o profeta fala, o pensamento está concluído”.
Mas, para os cristãos, devemos questionar. Mesmo quando um líder cristão está errado, devemos apontar isso, como Paulo fez em Gálatas 2:11-21.
P: Em 1 Coríntios 1:10-13 e 1 Coríntios 3:3-7, uma vez que dois cristãos genuínos têm, cada um, um relacionamento com Deus, como é possível que haja divisão entre eles?
R: Mesmo os cristãos genuínos, que têm um relacionamento com Deus e com o Espírito Santo habitando em seu interior, ainda pecam e ainda possuem uma natureza pecaminosa. Para um exemplo claro disso, leia Atos 15:36-41.
Uma razão para a divisão é sutilmente sugerida em 1 Coríntios 1:1-10. Paulo menciona Cristo dez vezes em dez versículos. Nosso foco está na igreja (que não é perfeita) ou em Cristo (que é)?
Uma segunda razão para a divisão é ignorar 1 Coríntios 1:2. Um pastor, anciãos, diáconos ou membros comuns podem ficar incomodados quando as coisas não correm como desejam na SUA igreja — só que essa igreja não é deles. É a igreja de Deus. Não podemos esquecer disso.
A divisão geralmente ocorre quando há dois grupos que desejam agir de maneiras diferentes. Um deles pode, eventualmente, separar-se do outro. Esse não foi o caso aqui. Havia vários grupos, e eles ainda estavam juntos, embora fossem grupos distintos. Uma igreja pode ter grupos diferentes, e nós, como cristãos, devemos reconhecer em qual grupo podemos estar e construir pontes para alcançar e “unir-nos” a todos os outros grupos.
No entanto, mesmo apesar de nossas falhas, Deus ainda assim usa os cristãos. Mas quando um crente está errado e pratica atos que causam divisão na igreja, o senhor voltaria a respeitá-lo? E se o nome dele fosse Pedro ou Tiago? Somos todos pecadores salvos pela graça e, como o senhor também não está isento de pecado e Cristo o perdoou, o senhor deve perdoar os outros.
Para entender como cristãos com diferenças ainda podem conviver, o senhor pode pesquisar sobre a cidade de Rostock, na Alemanha, e sobre os menonitas e puritanos que se estabeleceram lá.
P: Em 1 Coríntios 1:14-16, Paulo não se lembrava com certeza de quantos havia batizado; isso prova, então, que as palavras de Paulo aqui não são Escritura?
R: Não. Os católicos às vezes apontam esse versículo como refutação de uma visão protestante conservadora da Bíblia, mas, na verdade, esse versículo a corrobora.
Uma teoria da inspiração baseada no ditado mecânico afirmaria que a Bíblia é exclusivamente obra de Deus, sem qualquer componente humano. Portanto, podemos concordar que este versículo refuta explicitamente a teoria do ditado mecânico.
Uma visão conservadora da Bíblia é apresentada em 2 Pedro 1:21: “Pois nenhuma profecia jamais surgiu da vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” Portanto, as Escrituras são a Palavra de Deus por meio dos autores que Ele escolheu. As Escrituras também contêm o componente do autor humano, pois Deus supervisionou o que eles escreveram. Assim, embora as Escrituras sejam isentas de erro nos manuscritos originais, ainda é possível perceber o estilo de Pedro, o estilo de Paulo, o estilo de Lucas, etc.
Um ponto importante é que não devemos dizer: “Vou interpretar as Escrituras da maneira ‘…’, porque sou um ‘…’”. Em vez disso, todos devemos procurar interpretar as Escrituras da maneira como elas se apresentam, tal como devem ser interpretadas. Eis o que Pedro escreveu sobre Paulo em 2 Pedro 3:15b-16: “…assim como nosso amado irmão Paulo também lhes escreveu com a sabedoria que Deus lhe concedeu. Ele escreve dessa maneira em todas as suas cartas, falando nelas sobre tais assuntos. Algumas partes de suas cartas são difíceis de compreender, as quais pessoas ignorantes e instáveis distorcem, assim como fazem com o restante das Escrituras, para sua própria destruição.”
P: 1 Coríntios 1:16 e Atos 16:15 apoiam o batismo infantil ao batizar a família de Estéfanas?
R: Não. Toda a família de Estéfanas se converteu em 1 Coríntios 16:15, e bebês não podem se converter. Uma família nem sempre inclui bebês. No entanto, crianças a partir dos 6 anos podem tomar a decisão de se converter a Cristo, e já ouvi falar de um caso em que uma criança de quatro anos compreendia o que estava acontecendo e foi batizada como crente. Ouvi isso da própria criança de quatro anos, que hoje é professora adulta na Escola Bíblica de Férias.
Embora cristãos genuínos discordem sobre o batismo de crentes versus o batismo infantil, todos deveriam concordar que as “famílias” em 1 Coríntios 1:16 e Atos 16:15 não provam nem refutam que o batismo infantil fosse praticado. Veja também a discussão sobre Colossenses 2:11-12.
P: Em 1 Coríntios 1:17, Paulo era contra o batismo com água?
R: Não, Paulo apoiava o batismo, já que batizou Crispo, Gaio e a família de Estéfanas. Paulo quis dizer que, como alguns coríntios estavam errados ao afirmar que “eram de Paulo”, ele se alegrava por não ter sido ele quem batizou pessoalmente muitos deles. Na igreja primitiva, Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 3, p. 94, menciona explicitamente a água no batismo com água.
P: Em 1 Coríntios 1:17, não deveríamos praticar o batismo com água, porque ele já passou, como ensina o erro do ultradispensacionalismo?
R: Não. Consulte a resposta à pergunta anterior. Além disso, tanto 1) o conceito de que houve uma dispensação diferente entre a ressurreição de Cristo em 33 d.C. e 52 d.C., quanto 2) o conceito de que o batismo já não existe mais, estavam totalmente ausentes de todos os escritos da igreja até, no mínimo, meados do século XV. Em vez disso, Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 3, p. 94, menciona o batismo, explicitamente por imersão na água.
Imagine, por um momento, encontrar um cristão que amasse Jesus como Senhor, mas que praticasse todos os sacrifícios do Antigo Testamento e cumprisse todas as leis alimentares do Antigo Testamento. E se alguém lhe dissesse que isso não é nada de mais? Isso é comum, pois ele simplesmente ainda não recebeu a notícia sobre a nova dispensação. O que o senhor diria a isso?
Agora imagine que fôssemos para o Céu e um anjo nos dissesse: “Vocês não receberam a notícia sobre a nova dispensação que teve início por volta de 100 d.C. Por quase 1.900 anos, os cristãos pensaram que estavam vivendo em uma dispensação que, na verdade, durou apenas 100 anos. Isso não é nada de mais e é comum, pois Deus se esqueceu de revelar isso a um único crente, de uma forma que ele pudesse entender, por 1.900 anos.” O que o senhor diria a isso?
Consulte a próxima pergunta para saber mais sobre o ultradispensacionalismo.
P: Em 1 Coríntios 1:17, o que é “ultra-dispensacionalismo” e por que ele está errado?
R: Há uma distinção nítida na prática entre os ultradispensacionalistas, os dispensacionalistas e outros cristãos: os ultradispensacionalistas acreditam que o batismo com água não deve ser praticado hoje e, em geral, acreditam que vivemos em uma dispensação diferente daquela em que o Novo Testamento foi escrito. Com base em seu panfleto, “O batismo com água deve ser praticado hoje?”, eis (espero) o que eles considerariam um resumo justo.
1. Afirmam [corretamente] que a palavra grega “baptisein” é um termo geral para purificação
2. [Corretamente] afirmam que o batismo com água na igreja não pode ser comprovado com base no Antigo Testamento ou na obra de João Batista.
3. [Corretamente] acreditam que o Evangelho foi pregado primeiro aos judeus, e que a maioria deles o rejeitou.
4. [Incorreto] afirmam que o batismo com água só era válido em Atos, enquanto Jesus ainda estava sendo apresentado a Israel como seu Messias, conforme Atos 3,19-21. Veja também Atos 2:16-40, especialmente 22,36; Atos 3:12-36, especialmente 12,25,26; Atos 5:29-32, especialmente 31; Atos 2:37,38; Atos 3:19.
5. Afirmam [incorretamente] que o batismo não deve ser praticado hoje porque:
5a. As abluções (baptisein em grego) faziam parte da Lei mosaica. (Como observação adicional, os convertidos ao judaísmo eram batizados antes de Jesus.)
5b. O batismo era realizado antes de a forma como Deus lidava com Israel ter mudado.
5c. O batismo era [supostamente] realizado antes de Deus revelar o ensinamento sobre a igreja, por volta de 52 d.C. Paulo disse: “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho” (1 Coríntios 1:17).
5d. Hoje, existe “um único batismo” (Ef 4,5), e esse é o batismo no Espírito Santo.
Há três maneiras diferentes de refutar isso, sendo que qualquer uma delas é suficiente por si só.
1. Observação das Escrituras: Todos devem concordar que 1 Coríntios 1:13-16 foi escrito na mesma época que o versículo 17. Esses versículos mostram que os coríntios foram batizados com a mesma certeza com que Cristo morreu por eles e com que Paulo lhes pregou o Evangelho. Visto que Paulo batizou Crispo e Gaio, ou Paulo agiu incorretamente ao fazê-lo, ou ocorreu um “evento de transição” entre o batismo deles e o fato de Paulo não ter batizado nenhum outro coríntio, o que é improvável.
1 João 5:7-8, tanto no grego original quanto nas traduções modernas, menciona o testemunho do Espírito, da água e do sangue. Se o “Espírito” é o Espírito Santo que habita nos crentes, e o sangue é o sangue de Jesus, então o que mais seria a “água”, senão o nosso batismo com água?
1 Pedro 3:21, escrito após o ano 60 d.C., ensina sobre a água batismal para “vocês”.
Em Efésios 5:26, uma vez que Cristo purificou a Igreja com água, em que isso difere do batismo com água?
Igualmente importante, o silêncio das Escrituras é ensurdecedor quanto a uma nova dispensação ocorrendo bem no meio da redação do Novo Testamento.
Em resumo, o que Jesus ordenou — e o que os discípulos de Jesus e Paulo fizeram com a água mencionada por João — deve ser praticado hoje, uma vez que Deus não considerou bom falar em Sua Palavra sobre qualquer nova dispensação que fosse um segredo ocultado do cristianismo até os tempos modernos.
2. Interpretação das Escrituras: É surpreendente como tantas divergências do século XX sobre palavras do grego antigo deixam de fazer a pergunta mais básica: “como os falantes de grego, guiados pelo Espírito Santo, compreenderiam universalmente sua própria língua?” A Igreja primitiva não interpretou nenhum versículo de forma que o batismo com água não fosse praticado. Justino Mártir (martirizado em 165 d.C.), em sua Primeira Apologia, dedica um capítulo inteiro (61) ao batismo cristão. Ele também discute o batismo em seu diálogo com Trifão, o judeu.
A Didaché (c. 60-120 d.C.), cap. 7, p. 379, diz: “batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. Mas, se não tiver água viva, batize em outra água; e, se não puder em água fria, em água morna. Mas, se não tiver nenhuma das duas, derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
Outros cristãos primitivos que discutiram a importância do batismo com água são:
Carta de Inácio aos Esmirnenses, cap. 8, p. 90 (-107/116 d.C.)
Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.)
2 Clemente (120-140 d.C.), vol. 7, cap. 6, p. 519
O Pastor de Hermas (c. 115-155 d.C.), livro 3, similitude 9, p. 49 (implícito).
Irineu, Contra as Heresias (182-188 d.C.), livro 1, cap. 21.1, p. 345.
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.)
Tertuliano (198-220 d.C.) possui uma obra inteira intitulada “Sobre o Batismo”.
Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), Contra a heresia de um certo Noeto, cap. 14, p. 228. Ver também Discurso sobre a Santa Teofania, cap. 10, p. 237
Orígenes (c. 227-240 d.C.) “Comentário sobre João”, livro 1, cap. 25, p. 312. Também em muitos outros trechos.
Novaciano (250/4-256/7 d.C.), “Tratado sobre a Trindade”, cap. 10, p. 620
Anônimo, Tratado sobre o Rebatismo (254-257 d.C.), cap. 7, p. 671. Ver também cap. 5, p. 669-670
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) ensinou que uma pessoa deve ser batizada na igreja; o batismo realizado por hereges não é considerado “legítimo”. Epístolas de Cipriano, Carta 70, p. 377. Também
Carta 71, p. 378
Firmiliano (c. 246-258 d.C.), em sua carta a Cipriano, Carta 74, p. 390
Novatus de Thamaguda, no Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 566
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.), Carta 6.1 (a Sisto, bispo), p. 102
Concílio de Elvira (306/307 d.C.), nos 21 cânones incontestáveis, refere-se a homens e mulheres batizados sete vezes nos cânones 1, 2, 4, 9 e 10.
Concílio de Ancira (314 d.C.)
Concílio de Neocésarea (c. 315 d.C.)
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.)
Melito de Sardes
Pamphilo (309 d.C.) “Uma Exposição dos Capítulos dos Atos dos Apóstolos”, O, X, vol. 6, p. 167
A Paixão de Perpétua e Felicidade (c. 201/205 d.C.),
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) Comentário sobre o Apocalipse, a partir do primeiro capítulo (16), p. 346
Metódio (270-311/312 d.C.)
Lactâncio (c. 303 – c. 325 d.C.) As Instituições Divinas, livro 4, cap. 15, p. 115
De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 441, a seita judaica de Qumran também praticava o batismo por imersão.
Para uma visão muito detalhada de como um cristão piedoso de língua grega interpretava 1 Coríntios 1:10-17, consulte a homilia II de João Crisóstomo sobre 1 Coríntios, com 5 páginas e meia.
Em resumo, não se afirma que nenhum desses mestres cristãos pós-bíblicos fosse infalível. No entanto, se a igreja primitiva praticava universalmente o batismo com água, então, em tom de brincadeira, talvez os ultradispensacionalistas precisem postular outra dispensação em que Deus tenha restabelecido o batismo com água.
3. Aplicação das Escrituras: Visto que Jesus nos ordenou que fizéssemos discípulos, os batizássemos e lhes ensinássemos uma “terceira coisa” em Mateus 28:19-20, e nenhum versículo afirma explicitamente que o batismo tenha deixado de existir, a coerência implicaria que a formação de todos os discípulos e o ensino também deixariam de existir.
A “terceira coisa” mencionada em Mateus 28:20 é obedecer a tudo o que Jesus ordenou. Visto que Jesus lhes ordenou que batizassem, devemos ter muito cuidado ao deixar de lado uma ordem de Jesus quando nenhum versículo das Escrituras diz isso. Por fim, embora alguém possa tentar argumentar que Mateus 28:19-20 não se aplicava a ninguém, exceto aos onze discípulos, isso é falso, pois em Mateus 28:20 Jesus diz que “eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”.
Em resumo, se a sua teologia o impede de obedecer a Cristo, o senhor deve obedecer a Cristo e mudar a sua teologia.
P: Em 1 Coríntios 1:20-21, o que exatamente é a “sabedoria do mundo” sobre a qual Paulo advertiu?
R: Pode ser entendida como qualquer filosofia, psicologia ou cosmovisão que, tolamente, leve em conta apenas este mundo ou se erga como padrão. Paulo também falou do que é falsamente chamado de conhecimento em 1 Timóteo 6:20.
No entanto, embora Paulo critique a confiança na sabedoria deste mundo, ele não via problema em concordar com verdades que também foram afirmadas pelos filósofos gregos. Como Clemente de Alexandria expressou em *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, capítulo 14, ao discutir Tito 1:12-13: “Veja como, mesmo aos profetas dos gregos, ele [Paulo] atribui algo da verdade e não se envergonha, ao discorrer para a edificação de alguns e a humilhação de outros, de fazer uso de poemas gregos.”
P: Em 1 Coríntios 1:20-21, considerando o amplo espectro do campo do aconselhamento cristão, como o senhor distingue entre cristãos que utilizam o aconselhamento humanista e o que os conselheiros cristãos deveriam estar fazendo?
R: O fato de o conselheiro ser cristão, ou mesmo de tentar levar a pessoa a Cristo, não é suficiente para demonstrar que ele está realizando um aconselhamento cristão adequado. Pelo contrário, de acordo com o livro de Robert McGee, *The Search for Significance*, e com uma conversa pessoal que tive com ele em 13 de junho de 2000, o verdadeiro aconselhamento cristão consiste em perguntar o que Deus deseja realizar nessa situação e, então, ser usado para fazer isso. Deus é o melhor conselheiro. McGee, fundador dos Centros de Aconselhamento Cristão Rapha, afirma que um fator-chave é que, se a pessoa puder começar a interagir com o Deus vivo, ele observou que mudanças dramáticas podem ocorrer em um período muito curto. Além do aconselhamento, seu livro também reconhece que os medicamentos têm um papel no tratamento de condições médicas e desequilíbrios químicos.
P: Em 1 Coríntios 1:27-28, por que Deus escolheu as coisas loucas deste mundo?
R: 1 Coríntios 1:29-31 responde a isso. Ninguém poderá se vangloriar diante dos outros de que se tornou cristão por ser mais inteligente. Ninguém poderá se vangloriar diante de Deus de que compreendeu por causa de sua maior inteligência.
Ser “pedante” significa adquirir conhecimento com o único propósito de adquirir conhecimento. Precisamos nos aproximar de Cristo e servi-Lo e glorificá-Lo melhor; não apenas adquirir conhecimento pelo conhecimento em si. Como alguém disse: “Ele não era um judeu apaixonado por sinais nem um grego apaixonado por sabedoria, mas um cristão apaixonado pelo Salvador”. Embora nem todos os gregos fossem assim, a cultura grega tendia a enfatizar a busca pela sabedoria. Embora haja aspectos positivos nisso, ser um fim em si mesmo, paradoxalmente, poderia na verdade impedir alguém de experimentar a verdade no mistério de Deus. Algumas pessoas podem ter mais tendência a ser pedantes do que outras.
Maior inteligência não confere a uma pessoa uma oportunidade maior de ir para o Céu. Em alguns casos, o orgulho intelectual de uma pessoa pode impedi-la de reconhecer que sua sabedoria é muito pequena em comparação com a de Deus. O cristianismo é fascinante, pois é simples o suficiente para que uma criança compreenda todas as coisas importantes, mas tão profundo que nem mesmo a pessoa mais inteligente pode esperar conhecer tudo sobre um Deus infinito. Aceitar Jesus envolve entregar tudo o que você tem, independentemente do quanto você afirme ser sábio.
Da mesma forma, Jesus disse que é difícil para uma pessoa rica chegar a Deus em Mateus 19:24; Marcos 10:25; e Lucas 18:25. Mas 1 Coríntios 1:26 não diz que “nenhum” dos sábios, poderosos ou nobres; ao contrário, diz “não muitos”. Como brincou certa nobre inglesa abastada, ela foi salva pela letra “m”.
P: Em 1 Coríntios 2:1-7, ao compartilhar o evangelho, qual seria a diferença entre “liderar com a palavra”, “liderar com sabedoria” e “liderar apenas com Jesus”? E, no versículo 7, como o “mistério” se encaixaria nisso?
R: Talvez isso possa ser resumido perguntando a si mesmo por que a pessoa deveria acreditar. Ela deveria acreditar principalmente por causa da minha excelente oratória e porque eu a dominei com argumentos e retórica, ou deveria acreditar porque eu sei muito e lhe apresentei tantos fatos que seria impossível não acreditar, ou porque Deus está agindo em seu coração e em sua mente? Nos dois primeiros casos, essencialmente, ela deveria acreditar principalmente por causa de “mim”? Essa atitude não é bíblica: “se tiver que ser, depende de mim”. Somente no último caso “depende de Deus”, e eu sou apenas um instrumento, com todos os meus erros e tudo mais. A última abordagem é mais libertadora, porque você não pensa que a salvação dessa pessoa depende de você; ela depende de Deus. Mas desaparece a desculpa de que não podemos compartilhar porque não falamos bem ou porque não temos todas as respostas.
No versículo 6, Paulo ainda vê valor no uso da sabedoria, mas mesmo a melhor sabedoria não substitui Deus. No entanto, nenhum de nós sabe tudo; Deus nem mesmo revelou todas as coisas que saberemos quando estivermos no céu. Portanto, independentemente do quanto uma pessoa saiba, nossa fé ainda envolve mistério.
P: Em 1 Coríntios 2:3, isso indica que Paulo tinha crises epilépticas, como sugere o *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 1047-1048?
R: Não. Asimov baseia essa afirmação apenas no fato de Paulo ter dito que tinha “um mensageiro de Satanás para me atormentar” (2 Coríntios 12,7), e que a experiência na estrada para Damasco pode ter sido uma crise. O fato de Paulo ter admitido que estava nervoso em 1 Coríntios 2,3 não significa que ele tivesse crises epilépticas. Na estrada para Damasco, as outras pessoas também viram a luz e ouviram o som, embora não tenham compreendido a voz. Isso também não significa que todas elas tenham tido crises epilépticas. A sugestão de Asimov é, na verdade, “educativa” no sentido de que nos mostra até onde os céticos são capazes de ir, com base nas evidências mais frágeis, para desacreditar os escritores da Bíblia e a própria Bíblia como a Palavra de Deus.
P: Em 1 Coríntios 2:3, uma pessoa não deveria sempre demonstrar confiança e certeza ao compartilhar o Evangelho?
R: Não necessariamente, como 1 Coríntios 2:3,7 mostra claramente. Paulo pregava com temor e tremor nesse trecho e mencionou o mistério da nossa fé. Paulo demonstrava confiança em outros trechos. Mas o efeito duradouro do evangelho não depende da nossa confiança, eloquência ou inteligência, mas de Deus agindo na vida da outra pessoa.
P: Em 1 Coríntios 2:5, qual é a diferença entre uma fé baseada na sabedoria do homem e uma fé baseada no poder de Deus?
R: A fé em outra pessoa, que se pode ver, muitas vezes parece mais fácil do que a fé em Deus, que não pode ser visto. A fé só pode atingir a profundidade do objeto da fé. Ela não ultrapassará a fé em uma pessoa, se for apenas nessa pessoa. A fé pode ruir quando se baseia em outra pessoa.
Mas a sua fé no Deus infinito pode crescer cada vez mais. Sua fé não está à beira do fracasso por causa de uma suposta contradição ou de uma pergunta sem resposta. A fé em Deus não diminui nem desaparece quando um mero mortal falha.
P: Em 1 Coríntios 2:6, a doutrina da Criação de Deus é incompatível com o conceito de governantes desta era, como pensava Rudolf Bultmann?
R: Não. Isso só é incompatível com uma visão simplista da Criação de Deus. Deus é totalmente soberano sobre tudo, e Deus pode fazer tudo o que quiser. Nada impede Deus de escolher, por um tempo, delegar uma parte de Sua soberania.
P: Em 1 Coríntios 2:8, como é que todos os governantes desta era não compreenderam a Cristo, uma vez que Jesus compareceu perante Herodes e Pilatos?
R: Mesmo na época de Paulo, vários governantes romanos já haviam ouvido falar de Cristo e dos cristãos. No entanto, o que Paulo quer dizer é que nenhum deles reconheceu Jesus como Ele realmente era. Consulte *When Critics Ask*, p. 449, e *Alleged Discrepancies of the Bible*, de Haley, p. 358, para respostas complementares.
P: Em 1 Coríntios 2:9-10, os crentes conhecem as grandes coisas futuras do céu, ou não?
R: Fomos informados sobre algumas das grandes coisas do céu, mas não nos foi revelado tudo, e ainda não as experimentamos. Como diz 1 Coríntios 13:12: “Agora vemos apenas um reflexo obscuro, como num espelho; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, assim como sou plenamente conhecido.”
A título de observação, esse versículo era especialmente precioso para os cristãos pré-nicenos; trata-se de um dos versículos que eles mais citavam. Ele foi citado 21 vezes por 9 autores antes do ano 325 d.C.
P: Em 1 Coríntios 2:12-14, por que Paulo afirma aqui que o homem natural não pode aceitar as coisas do Espírito de Deus, quando ele diz em Romanos 1:19-20 que Deus tornou Sua verdade evidente em todas as pessoas?
R: Romanos 1:19-20 refere-se à revelação geral, e 1 Coríntios 2:14 refere-se ao conhecimento da salvação.
Revelação geral: Romanos 1:19-20 refere-se à verdade da existência do Criador, de seus atributos invisíveis, de seu poder eterno e de sua natureza divina. Esse conhecimento não é suficiente para a salvação, mas poder-se-ia pensar que seria suficiente para que todos buscassem conhecer esse Criador. No entanto, esse não é o caso. Romanos 1:18 e 3:23 mostram que as pessoas suprimem a verdade por meio de sua maldade, e Romanos 3:9-20 detalha como ninguém, por si só, busca a Deus. A revelação geral é um primeiro passo: a pessoa deve ir além disso para conhecer a Deus pessoalmente. No entanto, a pessoa é condenada se rejeitar a verdade da revelação geral de que dispõe. As pessoas podem agir assim por orgulho, por não estarem dispostas a admitir que estavam erradas ou por confiarem mais em outras coisas.
Romanos 1:19-20 faz parte de um argumento mais amplo que Paulo está apresentando, de que todas as pessoas são culpadas de pecado e que todos nós precisamos de um salvador, Jesus.
Conhecimento da salvação: 1 Coríntios 2:14 dá continuidade a essa discussão e afirma que o homem natural não pode aceitar as coisas de Deus; precisamos ter o Espírito de Deus. 1 Coríntios 2:14 faz parte de um argumento mais amplo em 1 Coríntios 2 sobre o papel essencial do Espírito em nossa salvação e crescimento cristão.
P: Em 1 Coríntios 2:12-16, de que maneira o fato de termos o Espírito muda o que somos capazes de aprender?
R: Isso pode mudar as coisas de pelo menos cinco maneiras diferentes.
Autodisciplina: para nos aprofundarmos nas Escrituras e “extrairmos” o ouro e os diamantes que nelas se encontram.
Discernimento: de todas as informações que recebemos, Deus nos ajuda a discernir o que é verdadeiro e o que não é.
Visão: ver coisas que não são vistas por nossos olhos físicos e compreender conceitos que não podemos perceber na Terra. Imagine um peixe que pudesse compreender, em parte, como é viver em terra firme.
Iluminação: assim como um crítico cego de pinturas ou um crítico surdo de música, uma pessoa sem o Espírito tem limites.
O Espírito concede aos crentes conhecimento e sabedoria (que não são a mesma coisa), além de discernimento, entre outros dons.
Às vezes, as pessoas não conseguem aprender algo não por falta de inteligência, mas por falta de informações básicas ou, ainda, por excesso de desinformação.
P: Em 1 Coríntios 3:1-2, qual é a diferença entre o ensino cristão do “leite” e o ensino cristão do “alimento sólido”?
R: O leite não apenas mantém os bebês vivos, mas permite que cresçam e se tornem bebês maiores e mais robustos. No entanto, eles precisam de alimentos mais concentrados e de mais proteínas para crescerem além disso. Carne bovina, frango, carne suína ou outras proteínas não devem ser oferecidas a bebês recém-nascidos; são difíceis demais para eles digerirem. Contudo, uma pequena quantidade de carne ou proteína deve ser introduzida na alimentação de bebês mais velhos, a fim de prepará-los para a digestão de alimentos mais concentrados.
Da mesma forma, os cristãos iniciantes devem estar firmados em sua salvação, em quem são em Cristo e em como passar tempo com Deus e Sua Palavra. Mas não pare por aí. Eles também precisam do alimento sólido que lhes ensina como sua vida deve mudar para se tornar mais semelhante à de Cristo, além de compreender temas mais complexos, como a Trindade, a encarnação e o fim dos tempos.
Ao estudar uma passagem, há quatro perguntas que você pode fazer para obter mais desse alimento sólido.
1) O que isso nos ensina sobre Deus?
2) O que isso nos ensina sobre o povo de Deus?
3) O que isso me ensina sobre mim mesmo?
4) De que maneira Deus gostaria que eu agisse de forma diferente agora?
(Essas perguntas foram extraídas de um sermão de Richard Kerry, de 17 de março de 2019)
P: Em 1 Coríntios 3:1-2, por que alguns novos cristãos crescem, enquanto outros não?
R: Talvez não estejam cientes de que devem crescer, ou talvez não vejam a necessidade de fazê-lo. Jesus contou a parábola dos quatro tipos de solo em Mateus 13:1-23; Marcos 4:1-20; Lucas 8:4-15. Nela, o propósito das sementes é crescer e produzir uma colheita. A colheita pode ser 100, 60 ou 30 vezes maior do que foi semeado. Uma das principais razões pelas quais ainda estamos na Terra é para produzir uma colheita. Em Jeremias 29:11, Deus fala dos planos que Ele tem para nós. Em vez de traçarmos nossos próprios planos, procuremos cumprir o plano de Deus para nós.
P: Em 1 Coríntios 3:3, qual é a expectativa de Paulo aqui?
R: Paulo não está simplesmente ordenando que não haja inveja e disputas entre os cristãos. Em vez disso, Paulo esperava que eles fossem cristãos maduros o suficiente para que não houvesse, de forma alguma, disputas e inveja entre eles.
A inveja é uma das causas fundamentais das disputas, mas ainda assim são duas coisas distintas. A inveja é um sentimento desagradável que surge quando se vê outra pessoa tendo sucesso ou se saindo bem. A inveja está relacionada ao pecado da cobiça, em que se deseja ter o sucesso em vez dela. As disputas podem surgir quando se tomam medidas para tentar obter o sucesso para si mesmo em vez dela.
Um antídoto para a inveja é perceber que todos fazemos parte do mesmo time; como irmãos e irmãs em Cristo, devemos ser “torcedores da nossa família”, incentivando-os ao longo do caminho. É difícil sentir inveja do sucesso de alguém quando se está orando pelo sucesso dessa pessoa. Um antídoto para as brigas é perceber que o relacionamento de amor com essa pessoa é mais importante do que pequenas questões. Reserve suas divergências apenas para o que é importante e ceda nas pequenas coisas.
Mas não podemos esperar que os cristãos sejam perfeitos, nem nos tempos antigos nem nos nossos. Paulo e Barnabé tiveram uma forte discordância sobre levar Marcos na viagem missionária, conforme relatado em Atos 15,37-39.
P: Em 1 Coríntios 3:5, Paulo ressalta que os servos de Cristo, incluindo ele próprio e Apolo, não devem ser idolatrados. De que maneiras os cristãos podem errar ao idolatrar outras pessoas hoje em dia?
R: Se a outra pessoa estiver errada sobre algo, e se a sua fé repousar nela, o senhor cometerá o mesmo erro, em vez de buscar as Escrituras por conta própria. Se o senhor depositar sua fé em outra pessoa, seja deliberadamente ou inconscientemente, quando ela cair, sua fé também poderá cair. Ao compartilhar com os outros, o senhor está compartilhando quão grande é Deus, ou quão grandiosas são essas pessoas? Mesmo o melhor cristão que o senhor conhece está muito aquém da semelhança com Cristo à qual somos chamados a aspirar nesta vida. Não coloque ninguém que peca ou não é perfeito em um pedestal, pois todos nós pecamos e somos imperfeitos.
P: Em 1 Coríntios 3:5, quais são algumas maneiras de evitar que outras pessoas, sejam cristãs ou não, coloquem você em um pedestal?
R: Seja aberto e transparente quanto ao fato de que você não é perfeito. Certifique-se de estar indicando o caminho para Cristo, para que eles o escutem, e não, acidentalmente, apontando para si mesmo. Quando as pessoas disserem coisas que o coloquem em um pedestal, conduza-as a olhar para mais alto do que você, e além de você, para Deus.
P: Em 1 Coríntios 3:11, Jesus é o fundamento, ou o fundamento são os apóstolos e profetas, conforme Efésios 2:20?
R: Embora a palavra grega para fundamento, themelion, seja a mesma em ambos os versículos, Efésios 2:20 deixa claros os dois sentidos da palavra “fundamento”. Os apóstolos e os profetas são a pedra angular, que, por sua vez, repousa sobre a única pedra angular que é Jesus.
Assim como uma casa construída com pilares e vigas repousa sobre toda a sua fundação de pilares e vigas, mas a casa e as vigas repousam sobre os pilares, a igreja repousa sobre o alicerce dos apóstolos e profetas, que, por sua vez, repousam sobre a pedra angular que é Jesus
P: Em 1 Coríntios 3:12-15, os cristãos serão julgados?
R: No “Juízo do Grande Trono Branco”: os cristãos genuínos não são julgados; eles são declarados justos porque estão cobertos pelo sangue de Cristo. Você pode ler sobre isso em Apocalipse 20:11-15 e na parábola das ovelhas e dos bodes em Mateus 25:31-46.
Alguns cristãos afirmam que esses dois versículos se referem ao mesmo julgamento, enquanto outros afirmam que se trata de julgamentos distintos. Julgamentos distintos implicariam que os crentes não estariam presentes no Julgamento do Grande Trono Branco, conforme consta em *The Complete Book of Bible Answers*, pp. 276-277. R.C. Sproul, em *Now That’s a Good Question*, pp. 501-502, afirma que tanto crentes quanto incrédulos comparecerão ao Juízo Final. De qualquer forma, os crentes não têm nada a temer do Julgamento do Grande Trono Branco.
No subsequente “Julgamento do Bema”: os cristãos recebem recompensas celestiais pelas obras realizadas com a motivação correta. É possível ler sobre isso em 1 Coríntios 3:11-15 e 2 Coríntios 5:10. Os cristãos costumam chamar isso de “julgamento do Bema”, pois, no direito grego, o “Bema” (ou, mais propriamente, banco) era o lugar onde o juiz se sentava.
P: 1 Coríntios 3:13-15 corrobora a teoria católica do purgatório?
R: Não. Só parece apoiá-la se alguém confundir
1) A provação das obras versus a purificação dolorosa dos crentes
2) A obra versus o crente passando pelo fogo
Um católico poderia (corretamente) rebater que a menção, neste versículo, de submeter a obra de um crente ao fogo para prová-la não exclui também uma provação ardente para o crente com o objetivo de purificá-lo. No entanto, como este é o único versículo em toda a Bíblia que os católicos utilizam para apoiar o Purgatório (exceto 2 Macabeus 12,46, nos Apócrifos católicos), não há outra base para essa invenção extra-bíblica.
Além disso, 2 Pedro 1,11 diz que receberemos uma “acolhida generosa” no reino eterno, não uma acolhida “calorosa”. Hebreus 10,2,16-19; 9,14 mostra que é Jesus quem nos purifica.
Talvez, caso o senhor acredite no purgatório, este argumento ad hominem dirigido aos católicos possa ser útil para convencê-lo do ponto de vista oposto.
1. Os católicos ensinam que o tempo que uma pessoa falecida passa no Purgatório pode ser reduzido por meio de orações feitas por pessoas vivas em seu favor ou de contribuições financeiras à Igreja. Assim, existem maneiras de encurtar o tempo que uma pessoa passa sendo purificada pelo fogo do Purgatório.
2. Os católicos ensinam que aqueles que usam uma peça de roupa específica, chamada escapulário, serão libertados do Purgatório em uma semana, pois Maria visita o Purgatório uma vez por semana e retira de lá todos os que o usavam. Se todos os seus pecados fossem purificados pelo fogo, não haveria necessidade da ajuda especial de Maria. A ajuda especial de Maria possui poder purificador. Assim, o fogo do Purgatório não é necessário para purificar todos os pecados, se alguém no Céu possui poder purificador em substituição ao fogo.
3. Maria não é a única a possuir capacidade purificadora. Jesus “purifica” a todos nós, de acordo com 1 João 1,7.9; Hebreus 9,14.22; 10,2.16-19. Visto que Jesus já prometeu isso, tudo o que precisamos fazer é confiar em Seu poder purificador. Assim, não é necessário confiar em Maria e no fogo do Purgatório, se Jesus já prometeu fazer tudo isso.
P: Em 1 Coríntios 3:16-17, de que forma os cristãos genuínos são o Templo de Deus?
R: Uma leitura superficial parece indicar que o corpo de um crente é um templo de Deus. Embora isso seja verdade, não é o que este versículo está dizendo. Todos os pronomes são “vocês” no plural (ye ou ya’ll) e “templo” está no singular. Assim, como enfatiza o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1756, o verdadeiro significado deste versículo é que todos nós, juntos, somos o único templo de Deus. Consulte “Hard Sayings of the Bible”, pp. 579-581, para uma discussão mais aprofundada.
P: Em 1 Coríntios 3:18 e Tiago 1:26, quais são, pelo menos, dez tipos de autoengano, mesmo entre os cristãos?
R: Cristãos e outras pessoas podem ter ideias erradas sobre algumas coisas, ou então, não tanto erradas, mas sim prioridades equivocadas.
Ideias erradas
Ideias erradas sobre a verdade: os cristãos não negam coisas essenciais, como o nascimento virginal, a morte de Jesus por nossos pecados, a ressurreição física de Jesus dentre os mortos, etc., pois, se o fizessem, não seriam verdadeiros cristãos. Mas os cristãos podem estar equivocados sobre questões secundárias importantes, tais como o batismo, a Ceia do Senhor, o fim dos tempos, futurismo/preterismo, os apócrifos, a doutrina de que “uma vez salvo, sempre salvo”, abordagens evangelísticas, dispensacionalismo/teologia da aliança, os judeus no plano de Deus, dons espirituais, a idade da Terra, criacionismo/evolução teísta, calvinismo/arminianismo, o conhecimento médio de Deus, inerrância/infalibilidade, chamados ao altar/avivamentos, o sábado/domingo, ser um soldado, diaconisas, etc.
Os cristãos podem buscar a verdade por motivos triviais ou pedantes, em vez de desejarem experimentar mais a presença de Deus e servi-Lo melhor. O senhor deve desejar saber tudo o que Deus quer que o senhor saiba e deve desejar não saber aquilo que Deus não quer que o senhor saiba.
Equívoco sobre a provisão de Deus: Alguns cristãos pensam que, uma vez que se convertem a Cristo, Deus os preservará de todo sofrimento. Ou que Deus os tornará ricos, ou que sempre terão boa saúde.
Mas não precisamos nos preocupar com a provisão de Deus para nós. Assim como Deus cuida até mesmo dos lírios do campo, Ele cuidará de nós, conforme Mateus 6:28-29 e Lucas 12:22-23.
Às vezes, os crentes esquecem que foram purificados de seus pecados, conforme 2 Pedro 1:9. Fomos purificados e, em vez de lutar contra o pecado por conta própria, precisamos nos lembrar de recorrer ao poder purificador de Deus que Ele nos concedeu por meio do Seu Espírito Santo.
Enganados pela decepção: Se estamos amando a Deus como devemos, obedecendo-Lhe e servindo-O, pensamos que podemos presumir que teremos sucesso e que não haverá decepções nem problemas. Mas por que deveríamos presumir isso, se nem mesmo para Paulo isso se confirmou? Paulo tinha uma porta aberta para pregar em Trôade, conforme 2 Coríntios 2:12-13, mas sentia inquietação em sua mente devido à preocupação com Tito.
Enganados a respeito do mundo: Podem ver o mundo como seu amigo. Por outro lado, podem vê-lo como algo de que devem se afastar e fugir. Não devemos abandonar nosso primeiro amor, como Apocalipse 2:4 adverte à igreja de Éfeso.
Enganados a respeito de si mesmos: Podem ter uma opinião mais elevada de si mesmos e de seu trabalho do que deveriam. Podem acreditar que Deus os considera mais especiais do que os outros, porque fazem mais. Por outro lado, podem pensar que o que fazem na terra não tem grande importância. Podem acreditar que Deus não se importa com eles. Ou podem acreditar que Deus não gosta muito deles porque não fazem muitas coisas visíveis. O senhor nunca é grande demais para ser um servo. E, desde que seja maior do que um lírio, o senhor nunca é pequeno demais para receber cuidados especiais de Deus.
Às vezes, um cristão que costumava fazer muito por Deus pode “descansar em suas obras passadas” e pensar que não precisa mais seguir a Deus tão de perto, nem servi-Lo tão bem agora, por causa do que fez no passado. Mas você não deveria querer expressar seu amor por Deus agora?
Enganos em relação aos outros: Da mesma forma que uma pessoa pode se enganar a respeito de si mesma, ela também pode se enganar a respeito dos outros. Ela pode ter uma opinião excessivamente elevada de outra pessoa, colocando-a em um pedestal. Por outro lado, pode ter uma opinião negativa de outro crente por achar que ele não faz muito. Não devemos nos preocupar em estar acima dos outros ou em ser melhores do que os outros; devemos nos preocupar em agradar ao nosso Senhor.
Enganos a respeito do pecado: As pessoas podem ter a ideia errada de que “o pecado vai melhorar as coisas”. A curto prazo, isso pode parecer verdade, mas, a longo prazo, o pecado nunca melhora as coisas. Tudo o que o senhor faz é visto por Deus; muitas coisas que o senhor faz também são vistas por anjos e demônios. Certifique-se de não fazer coisas que não gostaria que fossem vistas. As pessoas podem pensar: “O pecado afeta apenas a mim mesmo”. No entanto, o pecado pode afetar todos aqueles que tomam conhecimento do seu pecado e também outras pessoas.
Prioridades erradas
A obra de Deus: O que o senhor tem a fazer que seja mais importante do que servir a Deus? Se o senhor negligenciar ou dedicar apenas um pouco do tempo que sobra para servir a Deus, não espere receber mais bênçãos de Deus do que as que foram concedidas em Ageu 1. Deus poderia levá-lo para o céu neste exato momento. Então, por que o senhor ainda está aqui? Deus tem algumas coisas para o senhor fazer.
Sua família: A obra de Deus não se resume apenas a compartilhar o evangelho, ajudar os outros e realizar tarefas. É igualmente importante ser quem você é. É preciso um esforço intencional e deliberado para ser um bom marido, esposa, mãe, pai, filho ou filha, irmã ou irmão, avô ou avó, ou sogro ou sogra. Muitos cristãos, ativos no ministério, destruíram sua vida familiar por negligência em dedicar tempo a esses relacionamentos. Deseja servir bem a Deus? Não o está fazendo, se também não estiver fazendo isso bem.
Seus amigos: Nem todo o seu tempo deve ser consumido pelos amigos, mas você deve se destacar como amigo de duas maneiras. Você pode ajudar seus amigos a serem salvos ou a permanecerem firmes no Senhor. Em segundo lugar, você pode ouvir e aprender com amigos piedosos. Você pode ser mais forte contra as tentações, incluindo o desânimo, se tiver amigos piedosos com quem compartilhar sua vida. Mas escolha seus amigos com sabedoria. Os amigos podem puxá-lo para baixo, tentá-lo e distraí-lo também. É ainda melhor se seus amigos e você compartilharem do ministério da obra de Deus, e se eles também forem amigos de seu cônjuge e de outros membros da família.
Distrações do mundo: O senhor pode se distrair, não apenas com coisas más, mas simplesmente com todas as coisas fúteis do mundo. Um autor afirmou que nossa sociedade está “se divertindo até a morte”. Esportes, natureza, filmes, ir às compras, comer fora e atividades culturais não são ruins em si, mas, se ocuparem muito do seu tempo, impedindo-o de estabelecer as prioridades corretas, então se tornam prejudiciais para o senhor.
Distrações do pecado: Uma enorme quantidade do tempo das pessoas é gasta com TV e entretenimento, em busca de relacionamentos românticos, embriagando-se (bem como com a ressaca que se segue) e com a ganância. Se o(a) senhor(a) pudesse se afastar de sua família, deixar todos os seus amigos, ficar em uma situação em que só pudesse servir a Deus de forma limitada, a fim de dobrar seu salário por um ou dois anos, o(a) senhor(a) faria isso? Mais importante ainda, Deus gostaria que o(a) senhor(a) fizesse isso?
Provavelmente, há mais maneiras de se enganar do que essa. Na verdade, é assustador quantas maneiras existem. Ainda mais assustador é que as pessoas possam racionalizar cada uma delas como sendo boa ou, pelo menos, que “Deus compreende”. A única esperança que temos de evitar tudo isso é permanecer próximo a Deus em oração, permanecer na Sua Palavra e ouvir os conselhos de nossos amigos piedosos.
P: Em 1 Coríntios 3:19, por que Paulo citou como verdadeira Escritura as palavras de Elifaz em Jó 5:13, uma vez que Deus disse que Elifaz não falou corretamente a respeito de Deus em Jó 42:7?
R: Jó 42:7 não afirma que todas as palavras proferidas por Elifaz estavam erradas. Especificamente, Elifaz errou ao supor que Deus não permitiria que as provações se abatessem sobre aqueles que não as mereciam. No entanto, seria de conhecimento geral que Elifaz falou corretamente ao afirmar que Deus “apanha os sábios em sua astúcia”.
Não se sabe se esse ensinamento foi transmitido pela primeira vez por meio de Elifaz, ou se Elifaz aprendeu isso com uma pessoa piedosa que o instruiu, mas isso é irrelevante. Os pontos-chave são
1. Trata-se de uma verdade sobre Deus.
2. Isso foi escrito nas Escrituras do Antigo Testamento, reconhecidas por Jesus, pelos judeus e pela igreja primitiva.
3. Paulo estava simplesmente dizendo que esta é uma verdade escrita nas Escrituras. Paulo estava certo.
P: Em 1 Coríntios 3:21-22, de que forma isso constitui um “inventário dos bens de um filho de Deus”?
R: Inclui os mestres de que precisamos, tudo o que precisamos no que diz respeito à nossa vida e até mesmo tudo o que precisamos para “morrer bem” por Deus. Inclui o que precisamos neste momento e o que precisaremos no futuro. No entanto, não inclui necessariamente tudo o que desejamos.
P: Em 1 Coríntios 4:1, o que há de incomum na palavra grega para “servo” neste contexto?
R: Existem quatro palavras em grego para “servo”:
doulos (1401) — uma palavra geral para escravo ou servo. É a palavra mais comum usada para servo.
diakonos (1249) — da qual deriva a palavra “diácono”
huperetes / (plural) hyperetas (5257) – derivada da palavra “remar”, significa literalmente um escravo de galera remando em um navio. Também pode significar um mordomo, subordinado, ministro, oficial ou servo. Uma palavra relacionada, hypereteo, significa ser um subordinado.
pais (3816) – uma criança que é escrava ou serva.
Outra palavra, oikonomous (3623), na verdade não significa escravo, mas administrador. Em 1 Coríntios 4:1, Paulo utilizou huperetas para se referir a si mesmo e a outros colaboradores. Este é o único trecho em que Paulo utilizou essa palavra.
P: Em 1 Coríntios 4:1-3, ao contrário de um servo comum, confia-se ao administrador a tarefa de guardar e realizar certas coisas. Qual é a diferença, em nossa vida cristã, entre ser um servo de Cristo e ser um administrador de Cristo?
R: Em geral, os servos devem simplesmente fazer o que lhes é ordenado. Eles costumam ser supervisionados, às vezes porque não trabalham com dedicação a menos que sejam vigiados, mas outras vezes simplesmente porque sempre precisam ser vigiados. Os administradores são como José, ou como os três servos da parábola dos talentos. Eles não são muito supervisionados; na verdade, espera-se que demonstrem iniciativa. Mas, embora não sejam supervisionados quanto ao que fazem, seus resultados são examinados minuciosamente. Eles mantiveram a confiança que lhes foi depositada? Apropriaram-se de coisas que não lhes pertenciam? Cumpriram, ou tentaram cumprir, o que lhes foi exigido?
Não somos apenas servos de Cristo, mas também administradores de Cristo. Não se trata apenas de termos feito isto ou não termos feito aquilo. Não se trata apenas de termos amado a Deus muito ou pouco. Trata-se também de termos expressado o amor de Deus em nossas vidas pela maneira como cuidamos dos filhos, dos familiares idosos e dos subordinados. Que tipo de influência exercemos sobre nosso cônjuge e nossos colegas de trabalho?
Se o seu cônjuge crente tiver de receber uma grande recompensa no céu por ter tido de aturar o senhor e seguir a Cristo apesar de o senhor, há um problema sério aí!
P: Em 1 Coríntios 4:3-5, quais são algumas maneiras erradas pelas quais os cristãos poderiam julgar os outros ou julgar antes do tempo determinado?
R: Em 1 Coríntios 12:10, o discernimento de espíritos é um dom espiritual; julgar os outros, não. Podemos distinguir o que é certo e errado; o que é bíblico, o que é contrário à Bíblia, bem como o que é extra-bíblico (como mascar chiclete ou fazer álgebra). Os cristãos podem expulsar pecadores impenitentes da igreja. Mas não julgar os outros e não julgar as coisas antes do tempo determinado, na verdade, andam de mãos dadas. Será que a pessoa acabará por se converter a Cristo? Será que se arrependerá mais tarde? Deus sabe, não nós.
Uma razão pela qual não podemos julgar essas coisas é que não somos bons nisso. Não somos melhores do que se, em Atos 7, tentássemos julgar o que aconteceria a Saulo de Tarso, ou logo após a história de Davi e Golias, o que Davi faria mais tarde.
Uma segunda razão é que isso significa menosprezar a outra pessoa. Outro crente não é seu servo; ele pertence a Deus. Deus sabe como julgar as pessoas, e nós não, mas Deus também tem o direito de julgar os outros, e nós não. Será que um incrédulo é um dos eleitos que, eventualmente, será salvo, ou será que seu coração nunca será aberto e ele é um dos réprobos? Não temos a menor ideia. Portanto, se chamarmos os incrédulos de réprobos, estaremos afirmando com orgulho que sabemos com certeza qual é o destino eterno deles e se algum dia se arrependerão ou não.
P: Em 1 Coríntios 4:3, como é que Paulo não se julgou a si mesmo?
R: Paulo não se julgou em comparação com os outros, e não tentou adivinhar que tipo de recompensa teria no Céu. Paulo examinou sua própria vida para verificar se, de forma involuntária ou deliberada, não estivesse se desviando do alvo em sua busca por se tornar semelhante a Cristo.
P: Em 1 Coríntios 4:3, por que Paulo não se julgou, visto que ele disse que devemos examinar a nós mesmos em 2 Coríntios 13:5?
R: Trata-se de palavras gregas diferentes. 1 Coríntios 4:3-4 utiliza anakritho / anakrinun (julgar), enquanto 2 Coríntios 13:5 utiliza a palavra grega peirazete (Concordância de Strong 3985), que é mais bem traduzida como examinar.
P: 1 Coríntios 4:5 utiliza aqui uma expressão incomum: “o que está oculto (krypta) nas trevas”. Quais são os diferentes tipos de coisas ocultas nas trevas das quais precisamos nos arrepender? Qual deve ser o alcance da confissão pública?
R: Tudo o que o senhor não gostaria que Deus, os anjos ou outros crentes vissem, o senhor não deveria estar fazendo. Antes de pecar, pense em como o senhor vai explicar isso quando estiver no céu. O alcance da confissão pública deve ser o mesmo que o conhecimento do pecado. A confissão do pecado não precisa ser divulgada àqueles que não sabiam sobre ele; mas aqueles que estavam cientes dele devem saber da confissão e do arrependimento.
Se o senhor deseja ser um supercristão, não deve se deixar afetar pela “noite da krypta”.
P: Em 1 Coríntios 4:6; Provérbios 30:6 e Deuteronômio 4:2, o que significa “não ir além do que está escrito”?
R: Trata-se de uma repetição da resposta sobre Provérbios 30:6.
Não só é tolice, como também é pecaminosamente perigoso dizer: “Deus disse isso”, quando Deus não o disse. É aceitável expressar sua própria opinião ou interpretação, desde que fique claro que não se trata da palavra de Deus. Os judeus tinham o costume de ficar de pé quando liam a palavra de Deus e de se sentar quando a expunham. Dessa forma, as pessoas podiam perceber onde a palavra de Deus terminava e onde a interpretação humana começava.
Quando as pessoas acrescentam abertamente algo à Palavra de Deus, ou afirmam sutilmente que sua interpretação humana é a verdade de Deus, as pessoas podem pensar que a Palavra de Deus falhou caso as palavras humanas se revelem erradas. Isso não significa apenas “não acrescente falsidade ao que Deus escreveu”, mas simplesmente “não acrescente nada ao que Deus escreveu”. Embora os cristãos discordem sobre muitas teorias (e isso é aceitável), muitas divisões contrárias aos princípios cristãos decorrem do fato de as pessoas afirmarem que algo é a Palavra de Deus, quando sua dedução lógica não está, de fato, expressa nas Escrituras. Por exemplo,
1. Quando as pessoas devem ser batizadas?
2. Cristo virá antes, durante ou depois da tribulação?
3. Como o pão e o vinho são o corpo e o sangue de Cristo?
4. Qual é, exatamente, o grau de liberdade que os seres humanos possuem?
5. Deus é atemporal, está dentro do tempo ou ambos?
Como alguns cristãos acreditam em cada uma das visões possíveis, é certo que alguns cristãos tenham visões corretas sobre esses assuntos. No entanto, se um cristão acredita que a Bíblia afirma sua visão sobre o assunto, ele está equiparando uma visão humana à palavra de Deus. Isso não é correto, mesmo que a visão humana esteja, de fato, correta.
P: Em 1 Coríntios 4:8-21, Paulo parece estar exasperado com os coríntios, com seu comportamento, suas discussões mesquinhas e seu orgulho. O que devemos fazer quando nos sentimos irritados com outros cristãos?
R: Há cinco coisas.
1. Lembre-se de que, às vezes, Deus também pode estar muito descontente com o nosso comportamento.
2. Não devemos julgar o servo de outra pessoa (Romanos 14:4).
3. Orem por eles e peçam a Deus por paciência e mais amor para vocês mesmos.
4. Deus pode orientá-lo a falar com eles para repreendê-los, corrigi-los ou encorajá-los, mas sempre com amor.
5. O amor pode soar gentil, mas o verdadeiro amor também pode ser intransigentemente severo e rigoroso.
P: Em 1 Coríntios 4:9, qual é o significado de Paulo falar sobre uma procissão neste contexto?
R: As procissões eram um evento raro, mas digno de destaque, na vida da Roma Antiga. Quando um general romano vencia uma guerra importante, realizava-se uma procissão de vitória em sua honra, que ele mesmo conduzia em Roma. Na procissão, participavam muitos de seus prisioneiros, acorrentados. Para dizer de forma delicada, as experiências de Paulo como apóstolo o capacitaram a se identificar facilmente com prisioneiros como aqueles. Paulo estava contrastando sua experiência com a complacência dos coríntios.
P: Em 1 Coríntios 4:10, os cristãos admitem acreditar em Paulo, um autoproclamado tolo?
R: Não acreditamos em Paulo, mas acreditamos em Jesus, que sabia o que estava fazendo quando nomeou Paulo como Seu apóstolo. Paulo não quis dizer apenas que sua sabedoria era loucura em comparação com a sabedoria de Deus, mas percebeu que a sabedoria de todos era loucura em comparação com a sabedoria de Deus. No entanto, Paulo também afirmou, em 1 Coríntios 2:6-7, que sua palavra era a sabedoria de Deus, que não era deste mundo.
P: Em 1 Coríntios 4:15, por que os coríntios deveriam considerar Paulo seu pai, uma vez que Jesus disse, em Mateus 23:9, para não chamarem ninguém de pai?
R: Eles não deveriam, e de fato não chamavam, Paulo de pai. Paulo está simplesmente dando um exemplo de como se tornou como um pai para eles ao apresentá-los ao Evangelho. Da mesma forma, Paulo se refere aos filipenses como parte de sua coroa em Filipenses 4:1.
P: Em 1 Coríntios 5:1, por que Paulo estava excluindo o homem, mas não a mulher? Isso foi um duplo padrão?
R: Se ambos fossem membros da igreja, ambos deveriam ter sido expulsos. Embora as Escrituras não mencionem a mulher, Paulo pode não ter dito nada a respeito dela porque ela nunca afirmou ser cristã.
O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 514, traz uma nota de rodapé interessante. Um homem que mantivesse relações íntimas com sua mãe ou com a esposa de seu pai não apenas infringia a Lei do Antigo Testamento (Levítico 18:8 e Deuteronômio 22:30), mas também violava a Lei Romana (Cícero, Pro Cluentio 6:15, e as Instituições de Gaius 1:63).
O grego indica que não se tratava de uma ação contínua. Não temos certeza da reação da igreja de Corinto a esse pecado. Talvez fosse orgulho em tolerar o que eles erroneamente consideravam como “sua liberdade em Cristo”, conforme sugere o “Comentário Bíblico do Crente”, p. 1759. Ou talvez quisessem ignorar quaisquer problemas como esses que surgissem. Ou talvez não tolerassem isso em alguns casos, mas, para outros — pessoas que doavam ou serviam muito —, permitissem que fossem tratados como um caso especial. Não sabemos, mas qualquer uma das opções acima constituía um pecado por parte da igreja. A igreja deveria estar de luto e tomar medidas para expulsar o membro que não se arrependeu de ter cometido esse pecado. 1 Coríntios 5:9-12 diz que não devemos julgar aqueles que estão fora da igreja, mas expulsar aqueles que, dentro dela, cometem tais atos.
P: Em 1 Coríntios 5:5, o que significa “entregar esse homem a Satanás para a destruição da carne”?
R: Quando um cristão ou um não cristão sabe o que é certo e se recusa a seguir, essa oração é um “último recurso” para que Deus entregue essa pessoa às aflições físicas causadas por Satanás, com o propósito de discipliná-la.
Pode-se observar que, apesar da rebelião aberta de Satanás contra Deus, Deus ainda assim opta por usar Satanás como instrumento de Sua disciplina e punição. Como disse um cristão, Satanás é o servo relutante do Deus Altíssimo.
P: Em 1 Coríntios 5:7, qual era o objetivo de tratar o pecado como fermento?
R: Nos tempos do Antigo Testamento, uma vez por ano, era-lhes ordenado que removessem todo o fermento de suas casas. Deviam limpar os utensílios de panificação. Usavam uma lâmpada para procurar qualquer outro fermento. Por fim, oravam: “Ó Deus, expulsei todo o fermento da minha casa e, se houver algum fermento do qual eu não tenha conhecimento, com todo o meu coração também o expulso”. Isso ilustra o rigor e a seriedade com que devemos nos esforçar para livrar nossas vidas do pecado. Consulte o Comentário Bíblico do Crente, p. 1760, para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 5:9, isso é evidência de uma carta anterior aos coríntios?
R: Os estudiosos cristãos conservadores têm três pontos de vista.
1. Carta perdida: Refere-se a uma carta anterior que Deus não considerou necessário preservar como Escritura. Nem tudo o que Paulo escreveu precisava ser considerado Escritura.
2. Preservada em 2 Coríntios: Refere-se a uma carta anterior, preservada como um fragmento em 2 Coríntios, que poderia estar contida em 2 Coríntios 1-9.
3. Nenhuma carta anterior foi escrita. Paulo utilizou o tempo aoristo em grego, o que poderia se referir ao que Paulo está escrevendo no momento. Um exemplo do uso do aoristo por Paulo exatamente dessa maneira encontra-se em 1 Coríntios 9:15. A favor dessa visão está o silêncio total da igreja primitiva a respeito de qualquer carta anterior.
P: Em 1 Coríntios 5:9-13, como deve ser aplicada a disciplina eclesiástica?
R: A disciplina eclesiástica é, por vezes, necessária como uma forma de amor severo, praticada em benefício da igreja, do mundo e da pessoa que pecou. Conforme aponta o “Believer’s Bible Commentary”, pp. 1760-1761, a excomunhão não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta. Ela tem um propósito triplo. É para fazer com que o crente pecador perceba que tal conduta não é tolerada. É para proteger os demais membros da igreja de possivelmente imitarem seu mau exemplo. É para mostrar ao mundo que não é assim que nós somos. Mas aqueles que são submetidos à disciplina, após demonstrarem arrependimento, podem ser restaurados à igreja.
Se não houver arrependimento por certos pecados, o membro deve ser excomungado da igreja. Alguns exemplos são homicídio, imoralidade sexual, furto, idolatria e outras coisas. Mas a situação é ainda mais grave no caso de um ancião ou diácono. Espera-se que eles conheçam a verdade e sejam capazes de ensinar, mas também devem ser exemplos. Se não forem um bom exemplo, devem ser destituídos da liderança e substituídos por alguém que tenha sido um bom exemplo.
P: Em 1 Coríntios 6:1-8, os cristãos devem processar uns aos outros nos tribunais?
R: Não. Os cristãos podem e devem submeter-se à arbitragem vinculativa por parte de outros cristãos, mas os cristãos obedientes não processam uns aos outros em tribunais seculares. Se alguém se perguntar como a outra parte ainda pode ser um cristão genuíno e agir dessa maneira, isso não é desculpa para processá-la. Se a outra parte afirma ser cristã, mas discorda em doutrinas secundárias, tais como o tipo de batismo, a perda da salvação etc., isso também não é desculpa para processá-la. No entanto, se a outra parte afirmar ser cristã, mas se recusar a reconhecer princípios essenciais, tais como a obra expiatória de Cristo, a divindade de Cristo, a crucificação e a ressurreição física (conforme 1 Coríntios 15), então ela não é um cristão genuíno e é admissível processá-la, embora ainda seja preferível chegar a um acordo extrajudicial, se possível.
Todo o Salmo 133 fala de como é bom e agradável para os cristãos viverem juntos em unidade. Quando cristãos genuínos têm uma divergência, ambos devem se empenhar em resolver essa divergência para restaurar a alegria da comunhão entre si.
P: Em 1 Coríntios 6:2-3, como os santos (todos os crentes) julgarão todas as coisas, uma vez que Deus é o juiz?
R: Deus julgará todas as pessoas. No entanto, Deus delegará parte de Seu julgamento sobre as coisas e os anjos aos cristãos no Céu.
P: Em 1 Coríntios 6:9-10, uma vez que essas pessoas não irão para o céu, como alguém pode ir para o céu?
R: Primeiro, vamos tornar a pergunta mais complexa e, em seguida, responderemos a ela. Paulo nunca disse que essa lista fosse exaustiva; em outras palavras, embora essas coisas possam impedir alguém de ir para o céu, é possível obedecer a todas elas, mas desobedecer a outras, e ainda assim não ir para o céu.
A resposta a essa pergunta está em 1 Coríntios 6:11. Trata-se de uma admissão franca de que alguns deles costumavam praticar essas coisas antes de se converterem a Cristo, mas que Jesus os purificou, santificou e justificou. A obra de Jesus consiste em tornar possível o impossível: pegar as pessoas que jamais conseguiriam chegar ao céu por conta própria (ou seja, todas elas) e levá-las ao céu com Ele.
P: Em 1 Coríntios 6:9, a visão de Paulo sobre a homossexualidade era apenas sua opinião?
R: Não. Esse era o ensinamento do apóstolo Paulo, e as palavras de Paulo tinham autoridade proveniente de Deus, como mostram 1 Coríntios 14:37 e Gálatas 1:12.
P: 1 Coríntios 6:9 se opõe a toda a homossexualidade ou apenas aos “praticantes de atos homossexuais”?
R: Não há incerteza nem na definição nem na palavra grega que ele utilizou. O que algumas pessoas questionam é o alcance do versículo.
Definição: Para os gregos, especialmente os espartanos, a homossexualidade era uma prática comum. Alguns chegavam a criar filhos com o único propósito de transformá-los em prostitutas masculinas e femininas. Os gregos distinguiam entre 1) os homens que praticavam com meninos e 2) os meninos que eram usados pelos homens. A palavra grega arsenokoitai refere-se aos homens.
Alcance: Alguns afirmam que, como Paulo utilizou essa palavra grega específica, ele de alguma forma anulou o que Levítico 18:22; 20:13 e Romanos 1:26-27 diziam sobre a homossexualidade em geral. No entanto, a verdade é que Paulo está utilizando uma palavra específica para lembrar seus leitores da condenação de toda a prática.
Na igreja primitiva, não havia qualquer indício de que a proibição não se aplicasse a toda a homossexualidade. Consulte Clemente de Alexandria, *O Instrutor* 3:12, e também a discussão sobre Romanos 1:26-27 e Levítico 18:22; 20:13.
P: Em 1 Coríntios 6:13, como Deus pode ressuscitar nossos corpos, uma vez que Ele os destruirá?
R: “Destruído” não significa permanentemente incapaz de ser ressuscitado. Deus nos ressuscitará e nos dará corpos físicos, mesmo aos cristãos que foram mortos e devorados por feras.
P: Em 2 Coríntios 6:14, um pastor cristão deve realizar uma cerimônia de casamento entre um cristão e um não cristão?
R: O cristão que está se casando está desobedecendo à vontade de Deus; portanto, um pastor não deve fazê-lo. Suponho, porém, que casar dois não-cristãos seja aceitável.
R.C. Sproul diz sobre o casamento entre um cristão e um não cristão: “Como regra geral, eu não o faço. Não o faço porque estou convencido de que Deus não me permite fazê-lo”. Em geral, os pastores, assim como todos nós, devem ter cuidado para não darem seu selo de aprovação ao pecado.
P: Em 1 Coríntios 6:20, como devemos mudar, ao percebermos que fomos “comprados por um preço”?
R: Nossa vida não nos pertence mais. William Borden, de Yale, era o filho milionário da família Borden, que comercializava o leite Borden. Ele escreveu que, como crentes, “se tomarmos nossas vidas e fizermos o que quisermos com elas, estamos tomando algo que não nos pertence e, portanto, somos ladrões!”, citado do Comentário Bíblico do Crente, p. 1993.
P: Em 1 Coríntios 7:2, todos deveriam ser casados?
R: O casamento é o estado normal para a raça humana em geral. No entanto, Paulo, quando escreveu esse versículo, e outros não deviam se casar, como mostra 1 Coríntios 7:7-8, 25-29.
P: Em 1 Coríntios 7:3-5, é aceitável negar-se sexualmente ao cônjuge por um período de tempo?
R: Aqui, uma pessoa se casou esperando ter intimidade sexual, e o cônjuge decidiu unilateralmente alterar o que ambos haviam acordado. O significado em grego é que uma pessoa não deve abster-se sexualmente do cônjuge, a não ser com consentimento mútuo, para oração por um curto período. Isso independe de o cônjuge ser crente ou incrédulo. Assim, usar o sexo — ou a falta dele — como recompensa (ou punição) é contrário à Bíblia.
A “História Eclesiástica” de Sozomeno (370/380-425 d.C.), livro 3, cap. 14, p. 293, relata a existência de monges renegados que condenavam o casamento, pessoas que não consumiam alimentos de origem animal. Muitas mulheres foram enganadas por eles e abandonaram seus maridos, mas, incapazes de permanecer celibatárias, caíram em adultério. Algumas mulheres vestiam-se com roupas masculinas.
P: 1 Coríntios 7:10-16 contradiz Mateus 5:32 e 19:8-9 a respeito do divórcio?
R: Não. Mateus 5:32 e 19:8-9 tratam da iniciativa de divórcio, independentemente de a pessoa ser cristã ou não. 1 Coríntios 7:10-16 afirma que podemos permitir que um cônjuge não crente tome a iniciativa do divórcio, se for isso que ele realmente deseja.
P: 1 Coríntios 7:10-16 permite o divórcio por abandono do cônjuge?
R: É claro que o divórcio é uma separação bastante definitiva, mas as palavras gregas não se referem propriamente a “divórcio”, e sim a “separação” ou “afastamento”; portanto, o abandono estaria abrangido aqui, assim como o divórcio. No entanto, uma separação de curto prazo ou experimental não constituiria um afastamento definitivo e não está incluída neste contexto. Consulte a Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas, pp. 398-401, para uma discussão mais aprofundada sobre essas questões mais amplas.
P: Em 1 Coríntios 7:10-16 e 1 Coríntios 7:25-29, teria sido possível que Paulo escrevesse quaisquer opiniões pessoais que não fossem parte das Escrituras? Como a igreja primitiva (e nós) saberíamos que não devemos aceitá-las?
R: Certamente. Eles tiveram muitas conversas que não estão registradas nas Escrituras. Além disso, é provável que Paulo tenha escrito uma carta privada aos coríntios antes de 1 Coríntios, como mostra 1 Coríntios 5:9.
Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., também menciona que o ensinamento de Paulo aqui era parte das Escrituras, mas ele diferenciava entre o que era baseado em sua própria autoridade e o que era uma repetição do que Jesus havia dito. Em “Exortação à Castidade”, cap. 3, p. 52
Alguns tentam argumentar que se trata apenas da opinião pessoal de Paulo, enquanto cristãos conservadores afirmam que ainda se trata de um ensinamento autoritário. Todos deveriam ser capazes de concordar com cinco pontos:
1. Não há nenhum ensinamento nos versículos adjacentes de 1 Coríntios 7:8-13 e 7:17 que não possamos extrair de outras partes da Bíblia.
2. 1 Coríntios 7:14-16 é um novo ensinamento que não se encontra em nenhum outro lugar do Novo Testamento, e 1 Coríntios 7:12-13 é um prelúdio para isso.
3. Paulo está dizendo que o Senhor não afirmou isso diretamente.
4. Paulo afirmou que o que escreveu eram as palavras de Deus em 1 Coríntios 2:13; 14:37. Pedro afirmou que as palavras de Paulo eram Escritura em 2 Pedro 3:15-16.
5. Paulo nunca afirmou que isso não possuísse a autoridade apostólica de seus outros ensinamentos.
P: Em 1 Coríntios 7:12-13, os cristãos podem se divorciar de seus cônjuges não crentes?
R: Os cristãos não devem tomar a iniciativa do divórcio, exceto em caso de infidelidade (Mateus 5:32) ou em casos extremos de risco de vida do cônjuge ou dos filhos.
No entanto, se um cônjuge não crente iniciar o divórcio, os cristãos podem deixá-lo partir, conforme diz 1 Coríntios 7:15: “Deus os chamou para viverem em paz” nessa situação. Muitos consideram o abandono equivalente a iniciar o divórcio. O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, p. 247, também explica 1 Coríntios 7:14, 15 e 39.
P: Em 1 Coríntios 7:12-16, se um cônjuge não crente se divorciar de um cristão, o cristão pode casar-se novamente?
R: 1 Coríntios 7:15 diz que o cristão “não está vinculado” nesses casos. Isso indicaria que o cristão pode se casar novamente, caso não tenha sido ele quem iniciou o divórcio.
O “New International Bible Commentary”, p. 1362, e o “The Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 518, afirmam que o grego corrobora essa interpretação.
P: 1 Coríntios 7:14 prova, ou pelo menos apoia, o batismo infantil?
R: Não. Se o fato de as crianças serem “santas” justificasse o batismo delas, então o fato de o cônjuge ser santificado também justificaria o batismo de cônjuges não crentes.
Este versículo significa que Deus continuará abençoando os filhos dos crentes, mesmo quando um dos cônjuges não for crente. Se uma criança com um dos pais cristão não tivesse sido batizada na infância, devido ao desejo do pai ou da mãe não cristão(a), este versículo continuaria sendo verdadeiro e se aplicaria a essa criança.
Na Suécia, que foi oficialmente uma nação luterana até o ano 2000, não há cerimônias públicas de batismo infantil. O batismo infantil ignora completamente o sentido de uma pessoa escolher ser batizada.
Mas as crianças criadas por um pai ou mãe crente ouvirão (ou, pelo menos, deveriam ouvir) o evangelho, serão instruídas na Bíblia e aprenderão a orar a Deus e a ajudar os outros.
Consulte também a discussão sobre Colossenses 2:11-12 e 1 Coríntios 1:16 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:14, uma vez que os filhos de um pai ou mãe crente são santificados, eles ainda são pecadores?
R: Sim, porque “santificados” não significa “sem pecado”. Todos, exceto Adão, Eva e Jesus, nasceram com uma natureza pecaminosa. 1 Coríntios 7:14 simplesmente diz que os filhos de um crente são especialmente protegidos por Deus. Consulte “Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia”, pp. 244-255, para obter uma resposta complementar.
P: Em 1 Coríntios 7:18-19, uma vez que a circuncisão não tem importância alguma e Gálatas 5:2-3 afirma que não devemos nos circuncidar, por que Paulo circuncidou Timóteo em Atos 16:3?
R: Paulo circuncidou Timóteo porque os judeus daquela região sabiam que o pai de Timóteo era grego. Consulte a discussão sobre Atos 16:3 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:21-23, Paulo está contradizendo o que disse em Efésios 6:5-8 sobre a escravidão?
R: Não. Aqui está um resumo do ensinamento de Paulo.
a) Evite tornar-se escravo.
b) Se o senhor for escravo e puder conquistar (comprar) a sua liberdade, faça-o. (1 Coríntios 7:21, 23)
c) Até lá, aprenda a se contentar com sua situação atual.
Considerando que era difícil para um homem livre e pobre ganhar a vida honestamente nas grandes cidades, e que dois terços dos coríntios eram escravos, 1 Coríntios 7:21-23 é sábio e pragmático.
No Antigo Testamento, as pessoas não deviam ser sequestradas e vendidas como escravas (Êxodo 21:16); os escravos não deviam ser maltratados (Êxodo 21:26-27), e os escravos fugitivos não deviam ser devolvidos aos seus senhores (Deuteronômio 23:15-16).
Como observação adicional, o escritor judeu posterior Maimônides afirmou que nenhum escravo poderia ser profeta. Porém, na igreja, uma vez que não há distinção entre escravo e livre, qualquer pessoa poderia ser profeta. Consulte *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 2, p. 80, para mais informações sobre o assunto.
Consulte também a discussão sobre Tito 2:9, Filemom 10-15, o “Tony Evans Bible Commentary”, p. 1232, e “Hard Sayings of the Bible”, pp. 591-593 e 642-644, para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 7:25-26, isso se refere a virgens ou a homens?
R: Refere-se tanto a homens quanto a mulheres. O mesmo termo, “virgens”, é usado para se referir a homens em Apocalipse 14:4. Muitas vezes, na Bíblia, são dados exemplos de homens para assuntos que se aplicam a ambos os sexos.
P: Em 1 Coríntios 7:29, os cristãos deveriam ter evitado o casamento há 2.000 anos, porque o tempo é curto?
R: Em retrospecto, o conselho dado foi sábio, já que uma intensa perseguição teve início em menos de dez anos. Paulo não nos deu todos os detalhes sobre por que o tempo era curto, limitando-se a mencionar a “crise atual” e grandes mudanças em 1 Coríntios 7:26,31.
Assim como um pai ou uma mãe terrenos, às vezes Deus nos diz coisas sem nos dar todas as razões ou o contexto. Se formos sábios, obedeceremos a Deus independentemente disso.
Tertuliano, escrevendo entre 198 e 220 d.C. em *De Corona*, cap. 13, p. 101, menciona que “vocês têm o apóstolo [Paulo] exortando as pessoas a se casarem no Senhor”.
P: Em 1 Coríntios 7:29-31, a frase “este mundo, na sua forma atual, está passando” referia-se à perseguição daquela época ou à volta de Cristo?
R: Antes de responder à pergunta, façamos algumas observações sobre o que a passagem está dizendo. Paulo está dando tanto conselhos quanto mandamentos, e afirma que o faz por causa de uma previsão e de uma observação. Ele está aconselhando (não ordenando) as pessoas a não se casarem. Ele está dizendo aos crentes para não chorarem, não se alegrarem nem se preocuparem com seus bens (ou seja, para aceitarem estoicamente o que está prestes a acontecer). Ele apresenta duas razões (7:28b): uma previsão de que se trata de um curto período de tempo e que haveria aflições na carne; e a observação (7:31b): “Pois este mundo, em sua forma atual, está [atualmente] passando.” Quanto ao mundo em sua forma atual (schema, em grego) estar passando, o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1770, afirma que a última frase foi, na verdade, emprestada do teatro grego, significando a mudança de cena.
Quanto à resposta, os estudiosos cristãos divergem, pois ela se encaixa em ambas as possibilidades.
(resposta provável) Perseguição: Além das intensas perseguições locais, houve uma intensa perseguição geral nos dez anos seguintes à redação desta carta por Paulo. Assim, haveria tempos muito difíceis para os cristãos, e seria ainda mais difícil para os casados. Não se deixem levar pelo pranto, pois haverá muita perseguição. Não se deixem levar pela alegria nem se apeguem aos seus bens, pois as coisas serão muito passageiras. Paulo não disse nada aqui sobre quando o mundo, em sua forma atual, terá desaparecido completamente. Em vez disso, Paulo afirmou que o mundo, em sua forma atual, está em processo de desaparecimento. O cristianismo só se tornou uma religião legal e favorecida no Império Romano em 325 d.C., mas o processo foi árduo e doloroso para os seguidores de Cristo. O “New International Bible Commentary”, p. 1363, e o “The Expositor’s Bible Commentary”, vol. 10, p. 235, defendem a visão de que Paulo está se referindo à perseguição durante sua época.
(improvável) O Retorno do Senhor: Essa visão afirma que Paulo tem em mente o retorno de Cristo. Mais uma vez, Paulo não fez nenhuma previsão sobre quando o mundo, em sua forma atual, terá passado, apenas que ele está agora em processo de passar. Em outras palavras, Paulo não está dizendo quando o despertador tocará, mas sim que o tempo está passando. Como o tempo está passando, porém, Paulo os aconselha a se dedicarem de todo o coração ao Senhor e à Sua obra, e a não se envolverem em coisas mundanas, quer elas causem tristeza, felicidade ou ganho de bens. Ele desaconselha o casamento para que as pessoas possam se dedicar mais à obra do Senhor, pois nunca sabemos quando Cristo retornará. O “Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento”, p. 519, e o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1770, defendem a visão de que se trata da volta do Senhor. A “NIV Study Bible”, p. 1743, afirma que alguns defendem essa visão; mas não a endossa.
É muito provável que se trate da primeira interpretação, pois o conselho que Paulo dá neste versículo — incluindo o de agir como aqueles que não choram nem se alegram — se aplicaria tanto àquela época quanto a outros períodos de perseguição. A segunda interpretação consideraria o conselho de Paulo válido para aquela época e para todos os tempos a partir de então, até a volta de Cristo.
P: O que significa 1 Coríntios 7:30-31?
R: Esses versículos constituem um conselho muito bom tanto para a época de Paulo quanto para todas as ocasiões em que os cristãos estejam prestes a passar por perseguições severas. Mesmo quando os cristãos não estão sendo perseguidos, é sensato “apegar-se apenas superficialmente” a todas as coisas terrenas, sejam elas a alegria do casamento ou outras felicidades, bens materiais ou até mesmo o luto. Nunca se sabe quando elas podem ser tiradas de você, nem quanto tempo você ainda tem. O senhor sabe, porém, que, no curto tempo em que estamos aqui, Deus deseja que brilhemos para Ele e cumpramos a Sua vontade.
Não podemos viver como disse o menino Calvin na tira “Calvin e Hobbes”: “Deus me colocou aqui na Terra para realizar certas coisas e, do jeito que as coisas estão indo, vou viver para sempre!”
P: Em 1 Coríntios 7:31, de que forma “este mundo, na sua forma atual, está passando”?
R: A vinda de Jesus e a difusão do cristianismo foram os eventos históricos mais significativos dessa época. No entanto, antes de o cristianismo se tornar uma religião legalizada e favorecida no Império Romano, sob o imperador Constantino, em 324 d.C., os cristãos passariam pela grande aflição de dez perseguições.
P: Em 1 Coríntios 7:36, quem é o homem mencionado aqui: o pai ou o noivo e futuro marido?
R: Trata-se do noivo. Não é o pai quem a dá em casamento, mas o noivo, que está preocupado com o comportamento impróprio.
Outra interpretação é que a palavra “virgem” não se refere a uma pessoa, mas à virgindade da pessoa. Assim, um homem se preocupa com sua própria virgindade e com o fato de estar perdendo a flor da juventude. O Comentário Bíblico do Crente, p. 1771, defende essa interpretação.
P: Em 1 Coríntios 7:23 e 6:20, qual é o tema comum entre 1 Coríntios 6 e 7?
R: Ambos os versículos enfatizam que devemos viver como se tivéssemos sido “comprados por um preço”: o sangue de Jesus. 1 Coríntios 6:20 diz que, visto que fomos comprados por um preço, devemos glorificar a Deus com nosso corpo. 1 Coríntios 7:23 diz que, visto que fomos comprados por um preço, não nos tornemos escravos dos homens.
P: Em 1 Coríntios 8:4, visto que “um ídolo não é nada”, por que a idolatria é tão veementemente condenada em 1 Coríntios 10:20, Êxodo 20:4, Levítico 19:4, 26:1,30?
R: Uma analogia pode ajudar aqui. Um paraquedas imaginário não é nada, mas confiar em um paraquedas inexistente é algo mortal. Da mesma forma, um ídolo não é nada, mas depositar sua confiança em um ídolo é algo mortal. Deus enfatiza em muitas passagens que não se pode depositar sua confiança tanto n’Ele quanto em um ídolo.
P: Em 1 Coríntios 8:4, 7-13, é permitido comer carne oferecida aos ídolos, ou devemos nos abster, como diz Atos 15:28-29?
R: Romanos 14 mostra que isso pode ser errado ou aceitável, dependendo das circunstâncias.
a) É errado participar de um banquete em celebração ao ídolo. É errado comer carne proveniente desse banquete se o senhor considerar isso, de alguma forma, como adoração ao ídolo. Romanos 14:23 afirma que tudo o que não provém da fé é pecado.
b) É aceitável comer a carne (com uma exceção) se o senhor compreender que toda a comida provém de Deus, e não dos ídolos, e que o senhor não está adorando nenhum ídolo.
b2) Uma exceção ocorre se um cristão mais fraco ou um não cristão considerar que o fato de você comer compromete sua fé. Não devemos fazer com que os outros tropecem, conforme Romanos 14:10, 13, e devemos evitar dar a aparência do mal, conforme 1 Tessalonicenses 5:22 e 2 Coríntios 8:21.
P: 1 Coríntios 8:5 e João 10:35 ensinam que existem muitos deuses?
R: Não. 1 Coríntios 8:5 refere-se a todos os ídolos nos quais os não-cristãos acreditavam. Existem muitos deuses, mas há apenas Um que pode ser legitimamente chamado de Deus. Devemos adorar “o único Deus” (1 Timóteo 1:17). Veja também a discussão sobre João 10:35. Tertuliano (198-220 d.C.), em *Contra Hermógenes*, capítulo 4, *Padres Ante-Nicenos*, volume 3, p. 479, foi um dos primeiros a discutir 1 Coríntios 8:5. Ele afirmou que os muitos deuses são deuses apenas no nome, enquanto existe apenas um único Deus verdadeiro. Orígenes (225-253/254 d.C.) também respondeu a essa objeção em *Contra Celso*, livro 8, cap. 4, p. 641.
O senhor comeria no templo de um ídolo, contrariando o versículo 10 do mesmo capítulo? De fato, existem muitos deuses idólatras, mas o senhor ensinaria que esses deuses são reais, contrariando o versículo 4? Se não, então o senhor não pode usar o versículo 5 para falar sobre múltiplos deuses reais. O versículo 6 diz que somos diferentes, na medida em que acreditamos apenas em um único Deus.
Como observação adicional, a primeira pessoa a abordar essa questão e dar essencialmente a mesma resposta foi Irineu, bispo de Lyon, em *Contra as Heresias*, livro 3, capítulo 6.5, p. 420.
Certa vez, um mórmon disse ao meu colega de quarto cristão, Greg, que havia muitos deuses, mas que havia apenas um deus deste mundo, e que ele adorava o deus deste mundo. No entanto, o deus deste mundo é Satanás, de acordo com 2 Coríntios 4:4 e 1 João 5:19. Irineu de Lyon (que viveu entre 120 e 202 d.C. e escreveu entre 182 e 188 d.C.), no Fragmento 46, p. 575, também afirma que o deus deste mundo é Satanás.
P: 1 Coríntios 8:6 ensina que Jesus não é o Deus Todo-Poderoso, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Nesse versículo, a palavra “Deus” refere-se a Deus Pai, mas as Testemunhas de Jeová teriam de ignorar todos os outros versículos que afirmam que Jesus é Deus, tais como João 20:28-29 e João 8:58. Eles teriam que negar que há pelo menos dois sentidos da palavra “Deus”, o que contradiz Hebreus 1:8 e Hebreus 1:9. Teriam que se recusar a honrar o Filho da mesma forma que honram o Pai, o que contradiz João 5:23.
As Testemunhas de Jeová tentam fazer uma distinção entre “Deus Todo-Poderoso” (o Pai) e “Deus Poderoso”, que, segundo elas, é o Filho. Embora dentro da Trindade haja uma distinção entre os três, uma vez que Deus é Todo-Poderoso, ou existem deuses separados, como as Testemunhas de Jeová estão insinuando, ou existe apenas um Deus, e Deus é Todo-Poderoso.
P: Em 1 Coríntios 8:6-13, o que os cristãos devem fazer em relação às celebrações de fim do Ramadã para os muçulmanos, ao Diwali na Índia e a outros festivais?
R: Em geral, não participe de nenhum culto religioso. Mas se for convidado para comer, isso pode ou não ser aceitável. Se um novo crente puder tropeçar em sua fé, então não coma. Se alguém puder pensar que você está comprometendo seus princípios cristãos, então não coma. Caso contrário, é aceitável receber a hospitalidade deles e comer. É claro que você também pode convidá-los para nossas celebrações.
De acordo com uma fonte, o festival indiano de Diwali, o festival das luzes, é tão antigo que ninguém sabe a razão por trás dele, e não é realmente religioso. De acordo com outra fonte, a razão apresentada para o Diwali em um lugar é totalmente diferente daquela de outro lugar. De acordo com uma terceira fonte, trata-se de um evento religioso, que celebra o momento em que o deus Rama, encarnado na Terra, recebeu permissão para voltar para casa após ter sido exilado. Portanto, a questão torna-se bastante complicada, a menos que o senhor simplesmente não esteja presente nesse dia. Assim, se houver algum tipo de cerimônia, evite-a. O senhor pode comer a comida caso seja convidado. É claro que não deve comer nada se simplesmente aparecer para a refeição sem ter sido convidado.
P: Em 1 Coríntios 8:6-13, os cristãos devem comer carne halal, abatida por muçulmanos após invocarem a bênção de Alá sobre a carne?
R: Nos templos pagãos, também se rezava sobre o sacrifício. A oração a outro deus não tem efeito sobre a carne; portanto, não há problema em um cristão comê-la, a menos que isso possa ferir a consciência de outra pessoa.
P: Em 1 Coríntios 8:11, como nossas ações em relação à carne oferecida aos ídolos podem levar nosso irmão cristão a ser “destruído”, uma vez que João 10:28 diz que eles nunca perecerão?
R: Embora as palavras gregas sejam as mesmas (com apenas uma terminação diferente) — apoleitai/apoluntai —, o significado é diferente. Os cristãos genuínos discordam sobre se os crentes podem perder a salvação. Independentemente disso, os crentes, infelizmente, podem perder seu testemunho e sua consciência limpa ao comer alimentos quando acreditam que isso é errado.
P: Em 1 Coríntios 9:1-2, Paulo era apóstolo apenas para os coríntios ou para todos?
R: O próprio Paulo afirmou que era apóstolo não apenas para os coríntios, mas para todos em 1 Timóteo 1:1; 2:7; Romanos 1:1; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Colossenses 1:1; 2 Timóteo 1:1; e Tito 1:1.
P: Em 1 Coríntios 9:1-7, alguns questionaram a autoridade de Paulo como apóstolo. Quando cristãos desafiam indevidamente a autoridade de um pastor, ancião ou outro líder cristão hoje em dia, o que o senhor diria a eles?
R: A Bíblia contém muitos exemplos de pessoas que questionaram indevidamente seus líderes. Miriã se opôs ao casamento de Moisés com uma cusita, e Deus a feriu com lepra em Números 12. Os israelitas murmuraram contra Moisés, e Deus ameaçou deserdá-los em Números 14:11-12. Corá e seus seguidores se levantaram contra Moisés e foram engolidos pela terra em Números 16:1-36. O povo desafiou Moisés e Arão a respeito de Corá, e uma praga se abateu sobre eles em Números 16:41-50.
Se um líder fizer algo que deva ser levado ao conhecimento de outros anciãos, então levem o assunto a eles. Mas, fora isso, não devemos fazer fofocas sobre nossos líderes.
Se um líder tomar uma decisão errada ou cometer um erro, o senhor deve conversar com ele para que isso seja corrigido, lembrando-se de que todos nós já tomamos decisões erradas ou cometemos erros. Se um líder estiver envolvido em heresia que leva à perdição da alma, em roubo ou em pecado grave sem arrependimento, ele deve ser destituído do cargo de líder. Mas, fora isso, o senhor não deve seguir os exemplos da Bíblia e ter que comparecer perante o julgamento de Cristo no fim.
P: Em 1 Coríntios 9:5 e Mateus 12:46-47; 13:55-56; Atos 1:14; Gálatas 1:19, Jesus tinha irmãos?
R: Sim, Jesus tinha meio-irmãos.
A maioria dos não católicos geralmente interpreta o sentido literal desses versículos, ou seja, que Jesus realmente tinha irmãos. Os primeiros cristãos interpretavam da mesma forma. Os irmãos de Jesus eram Tiago (o autor da Epístola de Tiago), José, Simão e Judas [Judas] (o autor da Epístola de Judas), de acordo com Mateus 13,55-56.
A maioria dos católicos interpreta “irmãos” como primos, uma vez que a Igreja Católica ensina que Maria permaneceu virgem para sempre.
No entanto, a palavra grega para primo, suggenes, que foi usada em Lucas 1,36 e 1,58, estava à disposição de Paulo e Mateus para uso, e eles não a utilizaram. Como alguns católicos gostam de lembrar às pessoas a importância da tradição cristã, Hipólito (222-235/6 d.C.), em *A Refutação de Todas as Heresias*, capítulo 2, menciona Tiago como irmão de Nosso Senhor.
Outros versículos que mencionam os irmãos de Jesus são Mateus 13:55; Marcos 3:31-32, Lucas 8:19-20 e João 2:12; 7:3, 5, 10.
P: Em 1 Coríntios 9:5, Pedro (Cefas) tinha esposa?
R: Além de 1 Coríntios 9:5 afirmar isso, em Mateus 8:14 e Lucas 4:38-39, Jesus curou a sogra de Pedro da febre. Clemente de Alexandria (Stromata, 193-202 d.C.) e a *História Eclesiástica* de Eusébio (3:30) também ensinam que Pedro era casado e tinha filhos.
De acordo com a História Eclesiástica de Eusébio 3:30: “Dizem, portanto, que quando o abençoado Pedro viu sua própria esposa sendo levada para a morte, ele se alegrou por causa de sua convocação e de seu retorno ao lar, e a chamou de maneira muito encorajadora e consoladora, dirigindo-se a ela pelo nome e dizendo: ‘Ó tu, lembra-te do Senhor’. Tal era o casamento dos abençoados e sua disposição perfeita para com aqueles que lhes eram mais queridos” (Stromata, livro 7, cap. 2)
Jesus curou a sogra de Pedro no início de seu ministério (Mateus 8:14-17; Marcos 1:29-34; Lucas 4:38-39). Assim, é provável que Pedro já fosse casado antes de conhecer Jesus.
P: Em 1 Coríntios 9:12, de que forma o Evangelho de Cristo pode ser impedido?
R: “Evangelho” é simplesmente a “boa nova” sobre Jesus Cristo. A comunicação e a transmissão do Evangelho podem ser impedidas por incrédulos. Também podem ser restringidas por crentes que, por medo de perseguição ou por outras razões, não desejam pregá-lo na íntegra.
É possível comunicar o Evangelho por meio de quatro pontos simples.
1. Compreender um pouco de quem é Deus, que existe apenas um Deus Trino e que não devemos adorar nenhum outro dos chamados deuses.
2. Perceber quem somos: que nascemos com uma natureza pecaminosa e precisamos de purificação e perdão de nossos pecados. Não podemos chegar ao Céu por nossos próprios méritos.
3. Perceber que Jesus Cristo, por meio de Sua morte na cruz e ressurreição dentre os mortos, proporcionou o único caminho para que qualquer pessoa chegue ao Céu.
4. Perceber que precisamos invocar a Deus, confiar no Senhor e reconhecer que o sangue de Jesus pagou o preço pelos nossos pecados.
Depois de nascermos de novo como filhos de Deus, sabemos que o Espírito Santo habita em nós, operando em nós para que vivamos de maneira agradável a Deus. Embora ainda pequemos, Deus está nos santificando, para nos tornar mais semelhantes a Cristo. Devemos viver em obediência aos mandamentos de Deus, ser batizados com água e levar uma vida em que amemos a Deus acima de tudo e amemos o próximo.
P: Em 1 Coríntios 9:12, 18-19, 22, quando não devemos exercer os direitos que nos pertencem?
R: Ninguém seria sensato em exercer um direito menor sobre um detalhe trivial se isso significasse abrir mão de um direito maior sobre algo importante. Um dos nossos “direitos” mais importantes — ou, na verdade, privilégios — é participar com o Espírito Santo na transmissão da mensagem vivificante do evangelho aos outros. Devemos estar imediatamente dispostos a abrir mão da maioria dos nossos outros direitos, em vez de abrir mão do nosso privilégio de realizar a obra de Deus.
P: Em 1 Coríntios 9:14, todos os que pregam o Evangelho deveriam ganhar a vida com o Evangelho?
R: Como mostra 1 Coríntios 9:15, trata-se de um privilégio, não de uma ordem. É perfeitamente aceitável que um cristão piedoso ganhe a vida com o Evangelho, mas ele não é obrigado a fazê-lo.
P: Em 1 Coríntios 9:16-17, por que Paulo precisava pregar o Evangelho, independentemente de sua pregação ser “voluntária” ou “não voluntária”?
R: Não se deve pensar que deve servir a Deus tanto ou tão pouco quanto desejar. Paulo foi chamado para pregar o Evangelho. Ele desejava pregá-lo com entusiasmo e voluntariamente. No entanto, ele estava ressaltando que, mesmo que não tivesse desejado pregá-lo, ainda assim se sentiria compelido a fazê-lo por causa da confiança que Deus havia depositado nele. O livro “1001 Perguntas Bíblicas Respondidas”, pp. 125-126, destaca que, assim como Paulo, todos os cristãos genuínos têm a solene obrigação de pregar o Evangelho e terão de comparecer perante Deus para prestar contas do que lhes foi confiado. Nossas recompensas eternas no Céu dependem do que fazemos ou deixamos de fazer. Em Ezequiel 3:17-21, o Senhor disse a Ezequiel que ele seria responsabilizado pelo sangue de alguém caso falhasse em seu dever como sentinela.
P: Em 1 Coríntios 9:19-23, de que maneiras podemos abandonar nossos escrúpulos do passado por causa de Cristo?
R: No caso de Paulo, um judeu devoto não comia carne de porco, camarão ou outros alimentos proibidos no Antigo Testamento. Os fariseus achavam que não deveriam se associar com não judeus. Eles tinham inúmeras outras regras também.
Hoje, as pessoas têm “escrúpulos” como o de tomar banho todos os dias. E se o senhor fosse para o campo missionário em um local remoto onde não pudesse fazer isso? O senhor se recusaria a ir? Não se deve ver alguém do sexo oposto sem roupa, exceto seu cônjuge. Mas e se fosse algum acidente ou emergência médica, e isso fosse inevitável? O senhor simplesmente se afastaria quando fosse necessário ajudar? Existem boas regras que devemos seguir na vida cristã, mas, em última análise, não se trata de regras; trata-se, antes, de fazer o que Deus deseja que façamos e de não desobedecê-Lo.
P: Em 1 Coríntios 9:20-23, como é que Paulo se torna tudo para todos?
R: Paulo não comprometeu sua pregação nem a prática da verdade. No entanto, em Atos 17 e em outros trechos, ele utilizou diferentes abordagens para pregar o único e verdadeiro Evangelho, e ensinou que devemos adaptar nossas práticas, em questões não essenciais, por causa dos crentes mais fracos (Romanos 14), e, na medida do possível, viver em paz com todos (Romanos 12:18).
P: Em 1 Coríntios 9:20 e 1 Coríntios 10:33, Paulo está tentando agradar aos homens, ao contrário do que diz Gálatas 1:10?
R: Paulo está tentando ser tudo para todos a fim de ganhá-los para Cristo, mas isso não inclui comprometer a verdade.
P: Em 1 Coríntios 9:24, devemos correr para alcançar uma meta, ou não correr para alcançá-la, como diz Romanos 9:16 (“não depende da vontade nem do esforço do homem”)?
R: Devemos nos esforçar como se estivéssemos alcançando uma meta, e Romanos 9:16 não contradiz isso. Romanos 9:16 nos lembra que todo o nosso esforço não nos salva; é Deus quem nos salva.
Esforçamo-nos não para sermos salvos, mas para demonstrar nosso amor e gratidão a Deus, que nos salvou.
P: Em 1 Coríntios 9:24, apenas um cristão receberá o prêmio?
R: Não, de acordo com 2 Timóteo 4:8. No entanto, assim como um corredor dá o seu melhor para ser o vencedor em primeiro lugar, devemos nos esforçar com igual diligência para que nossas vidas sejam uma “vitória em primeiro lugar” para Cristo.
P: Em 1 Coríntios 9:24, por que Paulo está falando aos coríntios sobre corrida?
R: Talvez porque ele soubesse que era uma ilustração com a qual eles pudessem se identificar. Os Jogos Ístmicos, realizados perto de Corinto, eram superados em importância apenas pelos Jogos Olímpicos. Eles aconteciam a cada dois anos. Os atletas passavam por um rigoroso processo de treinamento de dez meses, e o objetivo era conquistar uma coroa de louros — coroa que logo murcha.
P: Em 1 Coríntios 9:26-27, de que maneiras nosso corpo pode nos dominar, se não tomarmos cuidado?
R: Sempre que sentir que simplesmente “precisa” fazer algo, e isso não for algo que Deus ordenou ou for contrário ao que Deus ordenou, o senhor deve se perguntar se porventura não estaria enfrentando um vício. O senhor “precisa” mesmo comer muito e fazer todas as refeições, se estiver acima do peso? O senhor “precisa” mesmo assistir a um programa ou filme? Às vezes, é bom “jejuar”, deixando de fazer o que seu corpo sente que “precisa” fazer.
A palavra para “pregar” aqui, keryxas, é interessante. Ela se refere literalmente a um arauto que convoca as pessoas a comparecerem a uma corrida.
P: Em 1 Coríntios 9:27, o que significa a palavra grega para “disciplina”?
R: A palavra grega hupopiazo significa levar socos até ficar todo machucado. Os coríntios eram atletas dedicados, e o boxe e a luta livre estavam entre seus principais esportes.
P: Em 1 Coríntios 9:27, havia a possibilidade de Paulo ser “desclassificado”? Se não, o que isso significa?
R: Quatro pontos a serem considerados na resposta.
1. Da perspectiva eterna de Deus, Ele sabia com certeza quem perseveraria e teria a vida eterna.
2. Os eleitos que vão para o céu podem perder suas recompensas.
3. Da nossa perspectiva terrena, alguns podem parecer salvos, mas, no fim, vão para o inferno.
4. Os cristãos divergem quanto à possibilidade de um cristão genuíno perder ou não a salvação.
Consulte a discussão sobre Efésios 1:14 e Hebreus 6:4-10 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 10:1-5, o que isso nos ensina sobre os dons de Deus?
R: Comparando esta seção com o final de 1 Coríntios 9, vemos que o que os atletas (espirituais e outros) conquistam por meio da disciplina, os israelitas perderam ao cederem aos seus apetites. 1 Coríntios 10:1-4 enfatiza que todos, ou seja, cada um dos israelitas, receberam essas bênçãos. No entanto, 1 Coríntios 10:5 afirma que a maioria deles pereceu no deserto de qualquer maneira. As pessoas hoje recebem as bênçãos dos alicerces estabelecidos por mulheres e homens piedosos, mães e pais. No entanto, muitos desperdiçam o que lhes foi dado e com o que cresceram.
P: Em 1 Coríntios 10:8, quem eram as 23.000 pessoas que morreram em um único dia?
R: Os cristãos genuínos apresentam quatro interpretações.
1. Êxodo 32:28 menciona um momento no início do Êxodo, quando Arão fez o bezerro de ouro, e 3.000 foram mortos pela espada em um único dia. Ao mesmo tempo, outros foram mortos por uma praga em Êxodo 32:35. Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, p. 141, 401; *Quando os Críticos Perguntam*, p. 458-459; e o *Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento*, p. 526, para mais informações sobre esta resposta.
2. Paulo cometeu um erro numérico ao escrever isso. O livro “Hard Sayings of the Bible”, pp. 597-598, apresenta essa interpretação. Isso significaria que a Bíblia não é inerrante (sem qualquer erro), mas seria infalível (sem erros teológicos significativos).
3. Números 25:9 menciona o episódio ocorrido no final do Êxodo, em Sitim, quando as mulheres midianitas seduziram os homens israelitas e 24.000 homens foram mortos. Duas maneiras possíveis de interpretar os números são:
3a) 23.000 refere-se apenas a um dia, e 24.000 é o total
3b) 23.000 refere-se apenas ao povo, e 24.000 ao povo e aos líderes.
Tertuliano afirmou que 24.000 morreram na praga de Midiã, mas não especificou em quantos dias, em *Sobre a Modéstia*, cap. 6, p. 79
4. Paulo está se referindo àqueles que morreram, e 24.000 é um número arredondado, possivelmente proveniente de uma tradição rabínica.
P: Em 1 Coríntios 10,9, uma vez que Deus não pode ser tentado, como os israelitas tentaram a Deus neste contexto?
R: A palavra grega usada aqui também pode significar “testar” o Senhor. Consulte a discussão sobre Êxodo 17:2.
P: Em 1 Coríntios 10:10, o que a Bíblia nos diz sobre as coisas ruins que as pessoas fizeram?
R: Uma pessoa sábia pode aprender com os erros alheios, antes de cometê-los também. A Bíblia deseja que sejamos sábios.
P: Em 1 Coríntios 10:13, será que alguma vez enfrentamos uma tentação insuportável?
R: Não. Independentemente do que possamos sentir naquele momento, 1 Coríntios 10:13 é verdade. Com nossas próprias forças, talvez possamos enfrentar tentações insuportáveis. Mas, quando confiamos em Deus, nunca enfrentaremos tentações insuportáveis. Em momentos de tentação, podemos orar a Deus, ler a Bíblia e ligar para outros crentes a fim de orar com eles. Se clamarmos a Deus, Ele sempre nos proporcionará uma saída para a tentação.
P: Visto que 1 Coríntios 10:14 diz para “fugir da idolatria”, os cristãos não deveriam usar cruzes, como afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Não. Consulte a discussão sobre Êxodo 20:4-5 para obter a resposta.
P: Em 1 Coríntios 10:20 e Deuteronômio 32:16-17, a religião não é sempre algo bom?
R: Não. Primeiro, o que diz a falsa religião do Rev. Moon, chamada Igreja da Unificação, e depois o que diz a Bíblia.
Princípio Divino, p. 9: “A religião surgiu como meio de realizar o propósito do bem ao seguir o caminho de Deus... de acordo com a intenção da mente original. A necessidade de diferentes tipos de compreensão levou ao surgimento de várias religiões.”
A Bíblia tem muito a dizer sobre a idolatria praticada com devoção.
1 Coríntios 10:20 “... os sacrifícios dos pagãos são oferecidos aos demônios, não a Deus...” (Talvez uma referência ao Salmo 106:37)
Jonas 2:8 “Aqueles que se apegam a ídolos sem valor abandonam Sua devoção amorosa.”
Jeremias 2:5 “... e seguiram ídolos sem valor, e tornaram-se eles próprios sem valor?”
Existem muitos outros versículos contra a idolatria. A questão é que, se o senhor deseja seguir o Deus verdadeiro, precisa destruir todos os seus ídolos.
Na Igreja primitiva, eis o entendimento de Orígenes, usando a religião dos citas como exemplo: “E embora os citas possam muito bem chamar Pappaeus de Deus supremo, não daremos nosso consentimento a isso; admitindo, de fato, que existe uma Divindade Suprema, embora não Lhe atribuamos o nome Pappaeus como Seu título próprio, mas o consideremos como um nome que agrada ao demônio a quem foi designado o deserto da Cítia, com seu povo e sua língua. Aquele, porém, que atribuir a Deus Seu título na língua cita, ou na egípcia, ou em qualquer língua na qual tenha sido criado, não será culpado de pecado.” Orígenes, Contra Celso, livro 5, cap. 46, p. 564.
P: Em 1 Coríntios 10:21, 27, não devemos comer o que é sacrificado aos ídolos, como mostram 1 Coríntios 10:21 e Atos 15:29, ou isso é permitido, como mostram 1 Coríntios 10:27 e 1 Coríntios 8:4, 8?
R: A própria 1 Coríntios responde a isso.
1. Não é permitido se o senhor estiver participando de um ato religioso. (1 Coríntios 10:20-21)
2. Como todos os alimentos provêm de Deus, é permitido comer, desde que isso não viole a sua consciência. (1 Coríntios 8:4,8; 10:23-27)
3. Não é aceitável se isso violar a sua consciência ou em situações em que isso faça com que outra pessoa tropece. (1 Coríntios 8:9-13; 10:28-30)
P: 1 Coríntios 11:2-16 indica uma proibição da homossexualidade?
R: Embora não o afirme explicitamente, o texto sugere que homens e mulheres não devem assumir papéis opostos. Enquanto Romanos 1:26-27; Levítico 18:22,24; 20:13 e 1 Coríntios 6:9-10 são mais diretos, 1 Coríntios 11:2-16 indica que o uso de roupas masculinas pelas mulheres e de roupas femininas pelos homens não é o que Deus deseja. Kirk R. MacGregor escreveu um artigo sobre o assunto, intitulado “1 Coríntios 11:2-16 é uma proibição da homossexualidade?”, publicado na Bibliotheca Sacra, vol. 166 (abril-junho de 2009), pp. 201-216.
P: Em 1 Coríntios 11:3, uma vez que a palavra “Deus” tem dois significados na Bíblia, é verdade que podemos chamar Jesus de “deus”, no sentido de uma pessoa grandiosa e poderosa (1 Coríntios 8:5; João 10:35-36), mas não chamá-lo de “Deus” como o único Deus verdadeiro (Dt 6:4; 1 Cor 8:6; 1 Cor 11:3), conforme afirmam as Testemunhas de Jeová?
R: Há pelo menos quatro significados para a palavra “Deus” na Bíblia. O sentido mais amplo é o de um ser percebido como poderoso, um suposto deus, como em 1 Coríntios 8:5 e João 10:35. Outro significado é Deus, o Pai (Colossenses 1:3 e Efésios 1:3). Um terceiro significado é Jesus (e o Espírito Santo), como em João 1:1; 20:28-29 e outros versículos. Outro significado é a Trindade. O próprio Jesus demonstra que é Deus em um sentido que vai além do mais amplo, em João 10:36 e João 5:22-23. Se Jesus quisesse dizer apenas que era Deus no sentido de João 10:35, por que Ele teria dito o que está em João 10:36?
O livro “Testemunhas de Jeová Respondidas Versículo por Versículo”, pp. 96-97, aponta de forma convincente que, se as Testemunhas de Jeová quisessem que “um só Deus”, em 1 Coríntios 8:6, provasse que apenas o Pai — e não Jesus — é Deus, então teriam de acreditar que “um só Senhor”, no mesmo versículo, significa que Jesus é nosso Senhor e que Deus Pai não o é.
P: Em 1 Coríntios 11:3, de que maneira o homem é a cabeça da mulher?
R: Na família, a esposa está sujeita ao marido, de acordo com 1 Pedro 3:1 e Efésios 5:22, 24. Quando não for possível chegar a um acordo, a esposa deve obedecer ao marido, desde que isso não contradiga o que a Bíblia diz.
P: Em 1 Coríntios 11:3, de que forma Deus é a “cabeça” de Cristo?
R: Um filho e um pai humanos são igualmente humanos e têm o mesmo valor aos olhos de Deus; no entanto, o pai e o filho têm papéis diferentes. O pai pode enviar o filho a algum lugar, e o filho deve obedecer ao pai. Da mesma forma, Jesus e o Pai são iguais em natureza e honra, mas também têm papéis diferentes. Jesus foi aquele que veio à Terra e obedeceu ao Pai (Hebreus 5:8; Filipenses 2:7-8).
Como observação adicional, ao discutir 1 Coríntios 11:1-3, Ambrósio de Milão (340-397 d.C.), em *Sobre a Fé Cristã* 4:3:31, interpretou “Deus” como Deus na Trindade, e não como Deus Pai. No entanto, a interpretação de quase todos os demais discorda de Ambrósio nesse ponto. A interpretação de Ambrósio seria difícil de conciliar com Efésios 1:3, 17 e Hebreus 1:9.
P: Em 1 Coríntios 11:3, Mateus 24:36 e Filipenses 2:7-8, Jesus é inferior ao Pai?
R: É claro que Jesus era inferior ao Pai em glória quando estava na Terra. No céu, Ele é igual a Deus Pai em natureza, glória, honra e outros aspectos. Ele é (hoje no céu) inferior ao Pai no que diz respeito à origem (Jesus foi gerado pelo Pai), função e posição. Em termos gerais, Jesus é igual ao Pai da mesma forma que um filho é igual ao seu pai. Jesus é inferior ao Pai, da mesma forma que um filho é inferior ao seu pai. A Bíblia mostra os dois lados, e os crentes honestos não podem fazer menos do que isso. Devemos honrar o Filho assim como honramos o Pai, conforme ordena João 5:22-23.
P: Em 1 Coríntios 11:3, afirmar que Jesus é inferior ao Pai contradiz, de alguma forma, a Trindade?
R: Não. Se o senhor interpretar erroneamente a Trindade, ou se encontrar outras pessoas que sejam ignorantes a esse respeito, isso não diminui em nada a verdade de Deus. Desde o bispo Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) até hoje, os cristãos têm ensinado continuamente a Trindade. Os cristãos têm ensinado que Jesus era igual em natureza, mas que o Pai é Sua cabeça.
P: Em 1 Coríntios 11:3-9, trata-se de uma passagem machista?
R: Talvez segundo os padrões do feminismo radical, mas segundo os padrões de Deus, não. Homens e mulheres têm igual valor (Gálatas 3:28), mas homens e mulheres têm papéis diferentes, como mostram 1 Coríntios 11:3-9; 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11-15. Consulte a discussão sobre esses versículos para obter mais informações.
A título de observação, na tradição judaica, as mulheres devem manter a cabeça coberta durante o culto, de acordo com 3 Macabeus 4:6; Mishná Ketubot 7:6; e o Talmude Babilônico, Ketubot 72a-b. Na cultura greco-romana, as mulheres devem manter a cabeça coberta, conforme se observa em Moralia, de Plutarco, 3.232c; 4:267b; Apuleio, em *O Asno de Ouro*, 11:10. Também em Ovídio, *A Arte do Amor*, 3:135-165. Na cultura grega, uma mulher com a cabeça raspada era considerada uma vergonha, de acordo com *Tesmoforiázuas*, de Aristófanes, 837. Consulte *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 529, para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 11:5, as mulheres devem usar véus hoje em dia quando oram?
R: Naquela cultura, elas deveriam, como sinal de respeito e submissão aos maridos. Naquela época, as mulheres usavam véus quando oravam. Os cristãos genuínos divergem quanto a isso hoje em dia.
1. Alguns afirmam que isso era verdade devido à cultura da época.
2. Outras mulheres cristãs usam coberturas para a cabeça quando estão na igreja
P: Em 1 Coríntios 11:10, por que as mulheres deveriam se cobrir “por causa dos anjos”?
R: Embora alguns apontem que a palavra grega angelos pode significar “mensageiro humano”, o contexto indica anjos celestiais e não apenas mensageiros humanos. Três outras interpretações são:
1. Anjos caídos: como os seres mencionados em Gênesis 6:2-5. (Tertuliano (200 d.C.), “Sobre o Véu das Virgens”, 9, e “Sobre a Oração”, 22). Esses seres poderiam ter sido apenas anjos caídos ou homens possuídos por demônios. Vestir-se de uma forma que a cultura considerasse indecente dá aos anjos caídos oportunidades de tentar os homens.
2. Todos os anjos: “Os anjos eram espectadores da igreja”. Bem no meio da adoração a Deus, que os anjos — bons e maus — estavam observando, desrespeitar seu papel é extremamente impróprio. Paulo expressa um pensamento semelhante, de que os anjos estão presentes na adoração, em 1 Timóteo 5:21.
3. Ambos: Visto que ambas as afirmações anteriores são verdadeiras, Paulo pode ter tido ambas em mente.
P: Em 1 Coríntios 11:11-12, como o fato de a mulher ter sido criada a partir do homem e o homem a partir da mulher se relaciona com o fato de todas as coisas terem sido criadas por Deus?
R: Não há propósito para os machos de uma espécie sem as fêmeas da mesma espécie e vice-versa. Em última análise, nada tem propósito sem Deus. Como perguntou metaforicamente um cristão russo: “Se uma estrada não leva a uma igreja, de que adianta?”
P: Em 1 Coríntios 11:13, que tipos de verdades espirituais devemos “julgar por nós mesmos” para decidir se as aceitamos ou não?
R: Devemos aceitar sem críticas todas as verdades que as Escrituras afirmam. Devemos examinar e julgar todas as outras supostas verdades, incluindo todas as interpretações das Escrituras. É importante não confundir nossa interpretação das Escrituras com o que elas ensinam. Provérbios 30,5-6 e 1 Coríntios 4,6 enfatizam que não devemos acrescentar nada à palavra de Deus. Mesmo na Queda de Eva, tanto Satanás quanto Eva apresentaram suas interpretações como se fossem a palavra de Deus.
Em 1 Coríntios 11:13, Paulo convida os leitores a observarem que o que ele está escrevendo ali está de acordo com suas percepções. Ele não está dizendo para julgarem a palavra de Deus, nem que, se essas verdades não estiverem de acordo com suas percepções, devam rejeitá-las.
P: 1 Coríntios 11:14 ensina que os homens não devem ter cabelos longos e que as mulheres devem ter cabelos longos?
R: Alguns cristãos afirmam que isso é tão verdadeiro hoje quanto era naquela época. Outros cristãos dizem que se tratava de uma questão cultural. Todos os cristãos podem concordar em três pontos.
1) Naquela época, como uma mulher com a cabeça raspada ganhava a vida de forma imoral, as mulheres cristãs não deveriam ter cabelos muito curtos. Isso daria a aparência do mal (2 Coríntios 8:21; 1 Tessalonicenses 5:22).
2) 1 Coríntios 11:14 e Deuteronômio 22:5 se opõem, ambos, a que os homens se pareçam com mulheres e as mulheres se pareçam com homens.
3) Se um cristão estiver equivocado nesse ponto, trata-se de um erro menor em comparação com a adoração de ídolos ou com seguir um falso Jesus.
Consulte “When Critics Ask”, pp. 460-461, para obter uma resposta diferente.
P: Em 1 Coríntios 11:14, se uma igreja acredita erroneamente quanto ao comprimento do cabelo de homens e mulheres, isso prova que essa igreja não é uma igreja de Deus?
R: Antes de responder a essa pergunta, vamos fazer algumas observações. Uma igreja ainda poderia ser uma verdadeira congregação local da única igreja de Deus se, pelo menos temporariamente:
a) Tolerasse a presença de um membro imoral (1 Coríntios 5:1)
b) Divisão entre seus membros (1 Coríntios 3:3)
c) Tivesse alguns membros legalistas (Gálatas 2:13)
Para responder à pergunta: se uma igreja ainda poderia ser uma verdadeira igreja de Deus com esses problemas, presumivelmente uma igreja ainda poderia ser uma igreja de Deus caso tivesse uma opinião equivocada sobre uma questão secundária como o cabelo.
No entanto, se alguém pregar um evangelho diferente (Gálatas 1:6-9) ou negar a expiação ou a ressurreição (1 Coríntios 15:1-7), sua fé é inútil. Quanto àqueles que têm a aparência da piedade, mas negam o seu poder, devemos nos afastar deles, conforme ordena 2 Timóteo 3:5.
P: Em 1 Coríntios 11:19, por que Paulo disse que deveria haver “diferenças” entre os coríntios?
R: Essa palavra pode significar heresias, mas, neste contexto, refere-se a facções ou divisões. Elas não eram desejáveis, mas eram inevitáveis entre pessoas que não estavam ouvindo a autoridade de Deus.
P: Em 1 Coríntios 11:20-22, quais são outros exemplos de quando a forma persiste após o propósito original ter sido perdido ou desviado?
R: Há muitos exemplos que podem ser verdadeiros para algumas pessoas, mas não para outras. Todas essas coisas podem ser boas, mas, ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado para que nenhuma delas se torne um fim em si mesma.
A história e o conhecimento teológicos podem nos ajudar a nos aproximarmos do Senhor, nos dar uma perspectiva e ensinar outras pessoas. Mas podem se tornar um fim em si mesmos e exigir que os outros aprendam muitas coisas que nada têm a ver com o caráter de Deus, nossa vida ou a piedade.
A música de louvor no culto tem como objetivo louvar a Deus. Mas, se não tomarmos cuidado, a música pode se tornar um fim em si mesma, com o objetivo de soar bem aos ouvidos dos outros.
O evangelismo é ordenado por nosso Senhor — de certa forma. Mateus 28:19 nos ordena que vamos e façamos discípulos de todas as nações. Não diz para apresentarmos mais números, nem para conseguirmos mais “convertidos” que não tenham intenção de fazer de Jesus o Senhor de suas vidas.
A comunhão é importante na vida cristã. No entanto, se a comunhão não for nada mais do que fazer amigos casuais e conversar, o senhor estará perdendo a oportunidade de ter relacionamentos profundos com outros crentes. Além disso, a comunhão não deve ser a razão principal para se reunir com outros crentes, excluindo a adoração e o estudo da Palavra de Deus. A comunhão deve ser uma razão, mas secundária.
A liturgia e a organização no culto da igreja podem ter significado. Mas existe o risco de que o significado se perca e isso se torne meramente um ritual.
Até mesmo a oração pode se tornar uma repetição vã, apenas cumprindo um ritual. A oração é vital para a vida cristã, mas as pessoas podem orar apenas porque sabem que devem fazê-lo, e não por amor ao Senhor.
P: Em 1 Coríntios 11:23-26, essas são as palavras exatas da Última Ceia, ou as palavras dos Evangelhos — em Mateus 26:21-29; Marcos 14:18-24 e Lucas 22:14-20 — são as palavras exatas?
R: Provavelmente nenhuma delas é uma transcrição completa da Última Ceia; uma paráfrase ainda pode ser verdadeira. O objetivo de Paulo e dos evangelistas ao parafrasearem parte da conversa da Última Ceia é que olhemos além da memorização mecânica de fórmulas, para enxergarmos o conteúdo comum.
Um ponto fundamental a não ser esquecido é que a Ceia do Senhor era uma “ceia” ou refeição. Em várias épocas na Igreja Católica Romana, aos leigos (não sacerdotes) era dada apenas a hóstia, e não o cálice. Por outro lado, 1 Coríntios 11:34 mostra que não se tratava de uma refeição comum, mas de uma refeição especial. Se o senhor deseja apenas uma refeição comum, sem esperar pelos outros, então não participe da Ceia do Senhor; fique em casa.
P: Em 1 Coríntios 11:24, deveria estar escrito “partido por vocês” ou deveria ser “para vocês”?
R: Existem manuscritos gregos com ambas as versões.
A palavra “partido” está ausente:
p46 (Chester Beatty II) 100-150 d.C.
Vaticanus 325-350 d.C.
Sinaiticus [Si] 340–350 d.C. (original)
Ephraemi Rescriptus [C], século V (original)
Alexandrinus, c. 450 d.C.
Atanásio de Alexandria, 326–373 d.C.
A palavra “quebrado” está presente
Sinaítico [Si] 340-350 d.C. (corrigido)
Ephraemi Rescriptus [C] Século V (3º corretor)
Gótico, 493-555 d.C.
João Crisóstomo, 370-407 d.C.
Lezionário Bizantino
P: Em 1 Coríntios 11,28-29, de que forma o fato de comer e beber a Última Ceia indignamente constitui um pecado contra o corpo e o sangue de nosso Senhor?
R: A maneira como abordamos a comemoração do sacrifício de Jesus demonstra o quanto o valorizamos. É um pecado extremamente grave menosprezar o que Jesus fez por nós.
P: Em 1 Coríntios 11,28 e 31, devemos julgar a nós mesmos ou não?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Devemos julgar a nós mesmos no sentido de nos avaliarmos e buscarmos como podemos viver uma vida mais semelhante à de Cristo. Paulo está falando sério quando diz para nos examinarmos em 2 Coríntios 13:5-6. Davi pede a Deus que lhe mostre tudo o que há nele que seja ofensivo, em Salmos 139:24.
Não devemos julgar a nós mesmos no sentido de nos compararmos com os outros ou de tentarmos determinar como seremos julgados diante de Deus.
P: Em 1 Coríntios 11:29-31, se as pessoas tomarem a Ceia do Senhor indignamente hoje, elas ficarão doentes e morrerão?
R: Deus pode disciplinar os crentes, tanto naquela época quanto hoje, da maneira que Ele desejar. Não é automático que eles adoeçam, mas nada impede Deus de disciplinar cada crente da maneira que Ele julgar adequada.
P: Em 1 Coríntios 12:3, se alguém afirmar seriamente três vezes que Jesus é o Senhor, será então salvo, como ensinavam alguns na igreja local de Witness Lee?
R: É necessário apenas dizer essas palavras ou outras semelhantes para aceitar Jesus uma única vez. No entanto, essas palavras não são uma fórmula mágica. Nenhuma fórmula mágica é suficiente, mesmo que seja proferida com sinceridade. Em última análise, não são as palavras ou ações que nos salvam, nem mesmo o Evangelho é que salva; é Deus quem salva.
P: Em 1 Coríntios 12:3, todos que dizem “Jesus é o Senhor” o fazem pelo Espírito Santo?
R: Não. Não é a pronúncia de sílabas em uma língua que importa, mas o significado dessas palavras. Uma pessoa pode dizer “Jesus é o Senhor” em qualquer idioma e realmente aceitar Jesus como seu único Senhor somente pelo Espírito Santo.
Esse versículo também diz algo sobre nossas capacidades sem Deus. Sem a ação do Espírito Santo, o homem caído não é capaz de reconhecer genuinamente Jesus como Senhor.
P: Em 1 Coríntios 12:7 e, possivelmente, em Romanos 8:9-11, todo cristão possui uma manifestação do Espírito? Em outras palavras, se você não possui uma manifestação, isso significa que você não é um verdadeiro cristão?
R: Todo cristão verdadeiro possui um dos dons listados em 1 Coríntios 12:8-31 ou então outros dons que não estão listados aqui. Nada em 1 Coríntios 12 indica que essa lista seja exaustiva. Nem todos esses dons são “espetaculares”, como milagres, cura e falar em línguas. Alguns são dons de sabedoria, conhecimento e ajuda. Romanos 12:6-8 menciona outros dons.
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, para quem exatamente são destinados os dons espirituais e por quê?
R: 1 Coríntios 12:7 afirma que um dom espiritual NÃO se destina, em primeiro lugar, à pessoa a quem foi concedido; destina-se, antes, ao bem comum. Precisamos dele para ajudar os outros, especialmente outros crentes. Se o senhor possui um dom espiritual e não o está utilizando em benefício do corpo de Cristo, então está desperdiçando seu dom espiritual.
Devemos compreender os dons espirituais, e 1 Coríntios 12 ensina três aspectos. O texto fala da origem dos dons (12:1-11), da diversidade dos dons (12:12-31a) e da importância do amor ao exercer os dons (12:31b-13:13).
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, quais são cada um desses dons espirituais?
R: Aqui está uma breve descrição.
Sabedoria – Aplicar a Palavra de Deus às nossas vidas e às situações atuais
Conhecimento – Não se trata apenas de conhecer fatos, mas, sobretudo, de conhecer a Palavra de Deus e, consequentemente, Sua vontade e Seus desejos gerais.
Fé – Crença total e confiança em Deus para que algo, pelo qual oramos, se concretize.
Cura – Cura física e, às vezes, psicológica
Milagres – Outros milagres que glorificam a Deus
Profecia – Revelar a vontade específica de Deus para as situações atuais
Discernimento de espíritos – Conhecer a origem dos espíritos, que geralmente atuam por trás das pessoas para motivá-las e influenciá-las. Certa vez, eu estava do lado de fora esperando por alguém e um estranho se aproximou e começou a conversar comigo. Mas antes que ele dissesse qualquer coisa, uma voz suave e tranquila em minha mente disse: “Igreja da Unificação” (do falso Cristo, o Rev. Moon)
Falar em línguas – A capacidade sobrenatural de falar em uma língua desconhecida para quem fala.
Interpretação de línguas – Ser capaz de interpretar, em uma língua que as pessoas possam compreender, o que alguém que fala em línguas disse.
P: Em 1 Coríntios 12:7-11, esses são todos os dons espirituais?
R: Não, esses não são todos os dons, pois Efésios 4:11-12 apresenta uma lista de dons com algumas semelhanças e algumas diferenças. Não é como se pudéssemos ter uma lista de dons e afirmar categoricamente: “Deus não pode conceder nenhum outro”.
P: Em 1 Coríntios 12:12-26, como os cristãos com diferentes dons espirituais podem trabalhar melhor juntos como uma equipe?
R: Há pelo menos três aspectos a serem considerados: sinergias, obstáculos e desenvolvimento.
Sinergias: Não pense que você, ou outros crentes semelhantes a você, precisam fazer tudo sozinhos. Procure oportunidades para utilizar os dons que outros crentes possuem.
Obstáculos: Pare de se preocupar com qual ser humano mortal receberá o crédito; o crédito deve ser dado a Deus. Não veja outros crentes como concorrentes ou como uma ameaça, mas sim como companheiros de equipe. Não se orgulhe do seu dom espiritual e não se sinta menos importante por não possuir um dom específico. Nossas diferenças não devem nos dividir em facções, mas sim nos unir como colegas de trabalho.
Desenvolvimento: Muitas pessoas desejam conhecer seus próprios dons espirituais e saber como desenvolvê-los e utilizá-los. Isso é bom, mas por que não perguntar também quais são os dons espirituais ou os dons espirituais em potencial nos outros, e como você pode ser um catalisador para que eles os desenvolvam e utilizem para o bem da igreja?
P: 1 Coríntios 12:28 indica que devemos ter apóstolos hoje em dia?
R: No que diz respeito aos doze apóstolos, não. Mas há três significados para a palavra “apóstolo”.
1. A palavra grega para apóstolo pode significar “aquele que é enviado”. Barnabé foi um mensageiro e um apóstolo nesse sentido em Atos 4:36 e 14:14. Nos séculos anteriores, no grego, ela podia se referir a um almirante da marinha. Embora existam apóstolos hoje, assim como existem carteiros e oficiais da marinha, esse significado de apóstolo não é ao que nos referimos aqui.
2. Apocalipse 21:14 diz que a cidade da Nova Jerusalém terá exatamente doze fundações, e nelas estarão os nomes dos doze “apóstolos do Cordeiro”. Como os doze apóstolos já viveram, não há mais “apóstolos do Cordeiro”.
3. Há um terceiro sentido para o uso da palavra “apóstolo” no Novo Testamento. Assim como podem existir falsos profetas e falsos mestres, 2 Coríntios 11:13 e Apocalipse 2:2 mostram que podem existir pessoas que se fazem passar por apóstolos. Trata-se de falsos apóstolos, que não foram enviados por Deus.
P: Em 1 Coríntios 12:28-31, quais são algumas funções que utilizam esses dons espirituais?
R: Aqui está uma breve descrição dos dons listados neste trecho.
Apóstolos – Em grande parte, eram aqueles que constituíam o alicerce da igreja, de acordo com Efésios 2:20, muitos dos quais estiveram envolvidos na redação do Novo Testamento. Como as Escrituras estão concluídas, são completas e suficientes, e já possuímos toda a verdade essencial de que precisamos, não temos nem precisamos de apóstolos como esses hoje em dia. De forma mais restrita, porém, há pessoas que lideram grupos de igrejas.
Profetas – Em um sentido mais amplo, estes também constituíram o alicerce da igreja, conforme Efésios 2:20, e muitos deles estiveram envolvidos na redação do Antigo Testamento. Visto que as Escrituras estão concluídas, a partir da época de João Batista não precisamos mais de profetas que redigissem as Escrituras. No entanto, de forma mais limitada, mesmo após João Batista, a igreja precisou de profetas, como Ágabo em Atos 21:10-11, para que o povo de Deus pudesse compreender melhor a obra de Deus em seu tempo.
Mestres – Embora a igreja precise de mestres, Tiago 3:1-2a adverte que não muitos de nós nos tornemos mestres, pois Deus julgará os mestres com maior rigor. Uma coisa é acreditar em uma doutrina falsa, mas outra é ensinar e convencer os outros dessa doutrina falsa.
Milagres – Aqueles que realizam milagres possuem um dos dons de aparência mais “espetacular”. Havia uma igreja em Austin que acreditava que todos os dons espirituais haviam cessado. Então, o pastor, muito versado nas Escrituras, foi diagnosticado com câncer terminal. As pessoas oraram por ele, e ele foi milagrosamente curado. Então, a igreja mudou de opinião: afirmaram que todos os dons haviam cessado, exceto o da cura. Não poderiam eles considerar a possibilidade de que ainda pudessem existir outros dons espirituais também?
Curas – Alguns possuem o dom sobrenatural de serem instrumentos por meio dos quais Deus cura as pessoas de doenças físicas. Outros, como médicos e enfermeiros, estudaram muito e possuem dons naturais. Quer você tenha um dom sobrenatural ou natural para ajudar os outros, deve ajudá-los.
Ajuda – Alguns dispõem de recursos financeiros, tempo, uma casa ou propriedade, ou outros meios que podem ser utilizados para promover o reino de Deus. Mas, com os recursos que temos, devemos ter o cuidado de lembrar: “não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer as melhores coisas”.
Administração – Também chamada de governo, trata-se do dom de governar o povo de Deus. Por um lado, envolve identificar os desafios, problemas e ameaças ao povo de Deus e lidar com eles. Por outro lado, significa identificar as oportunidades, as pessoas e os locais onde o desenvolvimento pode ocorrer, e mobilizar-se para capacitar as pessoas a aproveitar essas oportunidades e abrir portas. Por fim, envolve também formular uma estratégia coerente para conduzir a igreja em direções nas quais ela seja mais capaz de servir e glorificar a Deus.
Línguas – Falar em línguas humanas desconhecidas com o objetivo principal de convencer os incrédulos, conforme 1 Coríntios 14:22. Falar em línguas desconhecidas de povos ou de anjos, com amor, também é glorificar a Deus, conforme 1 Coríntios 13:1. Deus não teria “confundido as coisas” ao fazer com que Paulo sequer mencionasse as línguas dos anjos em 1 Coríntios 13:1 se não houvesse línguas dos anjos.
A título de observação, nada em 1 Coríntios 12 indica que esta seja uma lista exaustiva, nem que não possa haver subcategorias dentro delas. Trata-se apenas de exemplos importantes de algumas funções diferentes dentro da igreja, sendo que o ponto principal é como todas essas funções devem atuar em conjunto. Ter uma igreja local em que quase todos os membros possuam apenas uma dessas funções não é, de forma alguma, o que Deus deseja.
P: Em 1 Coríntios 12:30, todos os verdadeiros cristãos deveriam falar em línguas, ou não?
R: Tanto os cristãos não-carismáticos quanto alguns cristãos carismáticos concordam que a maioria dos cristãos não possui o dom de falar em línguas mencionado em 1 Coríntios 12:30, assim como a maioria não é apóstolo nem profeta.
Os cristãos não carismáticos afirmam que, mesmo na época de Paulo, nem todos os cristãos deveriam falar em línguas, ponto final.
A maioria dos cristãos carismáticos faz distinção entre alguns que possuem o dom de falar em línguas publicamente na igreja e aqueles que falam em línguas em oração particular. Muitos, mas não todos, afirmam que todos os cristãos deveriam (mas, infelizmente, não o fazem) praticar o falar em línguas em oração particular. O único apoio bíblico de que todos deveriam falar em línguas (1 Coríntios 14:5) é, na melhor das hipóteses, indireto.
Muitos carismáticos associam o termo “batismo no Espírito Santo” ao falar em línguas e acreditam que essa seja uma segunda bênção que os não-carismáticos não possuem. No entanto, o “Believer’s Bible Commentary”, p. 1794, afirma categoricamente que é errado ensinar que todos possuem o dom de línguas, ou que as línguas são o [único] sinal do batismo no Espírito.
1 Coríntios 14:1,5 diz que Paulo deseja que todos falassem em línguas, mas que, em vez disso, profetizassem. Essa formulação é semelhante à ocasião em que Eldad e Medad estavam profetizando em Números 11:27-29, e Josué disse a Moisés para detê-los. Moisés respondeu: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta”. Isso não significa que todo israelita devesse ser profeta.
P: Em 1 Coríntios 12:30, será que pelo menos alguns cristãos falam genuinamente em línguas hoje em dia?
R: Os cristãos genuínos divergem quanto a isso.
Carismáticos: acreditam que o dom é praticado atualmente. Como explicou um amigo carismático, os carismáticos podem ser categorizados como “carismáticos com C maiúsculo” e “carismáticos com C minúsculo”. Os carismáticos com C maiúsculo enfatizam os dons espirituais tanto quanto enfatizam a Cristo. Frequentemente, não desejam trabalhar em unidade com os não-carismáticos. Os carismáticos com C minúsculo, embora acreditem que os não-carismáticos estejam errados nessa doutrina, reconhecem que os cristãos não-carismáticos são usados por Deus de muitas outras maneiras e desejam trabalhar com eles, pois o Cristo que nos une é maior do que as doutrinas não essenciais que nos dividem.
Pentecostais da Unidade Cultista: além de negarem a Trindade, ensinam que todos hoje que não falam em línguas irão para o inferno.
Anticarismáticos: ensinam que todo o dom de falar em línguas concedido por Deus cessou há muito tempo, e que o falar em línguas não deve ser permitido em nenhuma reunião cristã, e que 1 Coríntios 14:39 é um versículo do Novo Testamento que deve ser ignorado hoje.
Outros não carismáticos: divergem quanto à questão de saber se o falar em línguas, ou todos os dons espirituais, já cessaram. Ou acreditam que algumas manifestações de falar em línguas podem ser genuínas, ou acreditam que todo falar em línguas não é de inspiração divina, mas que ninguém é perfeito e que esse é um tipo de erro que pode ser tolerado, e que 1 Coríntios 14:39 não deve ser ignorado hoje.
Atenção: É errado afirmar que todo o falar em línguas hoje em dia é satânico. Os não carismáticos e muitos carismáticos concordam que, pelo menos algumas tentativas de falar em línguas, não provêm nem de Deus nem de Satanás, mas de alguém que, tolamente, tenta falar em línguas com suas próprias habilidades naturais.
P: Em 1 Coríntios 13:7-8, por que devemos sempre confiar nos outros, uma vez que Miquéias 7:5-6 e Jeremias 9:4-5; 17:5 dizem que não devemos?
R: Devemos confiar nos outros, mas não devemos depositar nossa confiança nos outros. Mesmo quando confiamos nos outros, há condições a serem observadas.
Jeremias 9:4-5 e Miquéias 7:5-6 instruem o profeta — e os crentes que viviam naqueles tempos sombrios — a não confiar em seus vizinhos, nem mesmo em sua própria família.
Jeremias 17:5 afirma que aquele que deposita sua confiança no homem (seja em si mesmo ou nos outros) em vez de em Deus é amaldiçoado.
1 Coríntios 13:7-8 nos apresenta o ideal do amor. As palavras gregas panta pisteuei significam literalmente “ter fé em tudo”. A palavra grega para fé aqui não significa mero assentimento intelectual, mas uma fé salvadora que inclui depositar nossa confiança ou dependência, além do assentimento intelectual.
Visto que ninguém acredita seriamente que Paulo esteja defendendo a crença em falsos profetas e mentiras — nas quais é preciso descrer da palavra de Deus para acreditar —, o que significa “acreditar em tudo”? Essa frase não está dizendo para acreditar em todas as pessoas, mas para acreditar em toda a verdade. O “Bible Knowledge Commentary: New Testament”, p. 535, destaca que as coisas nas quais devemos acreditar especialmente estão descritas apenas uma ou duas páginas adiante em nossa Bíblia, em 1 Coríntios 15:11.
P: 1 Coríntios 13:9-11 prova que os dons espirituais já passaram?
R: Os três dons mencionados em 1 Coríntios 12:8-10 (conhecimento, profecia e línguas) cessarão quando vier o “perfeito”. “Perfeito” pode se referir a uma coisa, um estado ou uma pessoa perfeita. Três possibilidades para essa condição são:
1) A conclusão do Novo Testamento
2) Quando a igreja tiver amadurecido o suficiente
3) Quando Cristo voltar
O *Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 536, é um comentário elaborado pelo corpo docente do Seminário Teológico de Dallas. Ele afirma que a interpretação 1) é improvável, pois não se coaduna com 1 Coríntios 13:12. Eles afirmam que há muitos argumentos a favor da terceira visão. Zacarias 13:3-6 também diz que, após a abertura de uma fonte para purificar Jerusalém do pecado e da impureza, o espírito de profecia passará. Da mesma forma, o “New International Bible Commentary”, p. 1377, também afirma: “Sugerir que a perfeição se refere à conclusão do Cânon das Escrituras não encontra qualquer apoio no uso bíblico do termo ‘perfeito’, nem em qualquer de suas formas cognatas. Tal interpretação existe apenas em virtude da necessidade de explicar a ausência de certos charismata em muitas igrejas hoje.” (itálico no original)
Alguns afirmam que, se 1 Coríntios 13:9-11 prova que o falar em línguas já passou, então o conhecimento também já passou, e a perfeição já chegou. No entanto, talvez não seja o conhecimento que passe, mas o dom sobrenatural do conhecimento.
P: Em 1 Coríntios 13:12, usavam-se espelhos de bronze ou de vidro naquela época?
R: Os espelhos de hoje são diferentes dos que existiam há 2.000 anos. (Naquela época, também não havia telescópios nem microscópios.) Os espelhos atuais possuem uma camada de prata por trás do vidro, e essa invenção só foi desenvolvida no século XIX. A palavra grega aqui significa “espelho”, que poderia ser feito de qualquer material. Muitas traduções dizem “espelho”, mas, na antiguidade, havia apenas espelhos de vidro ou de bronze altamente polido.
Naquela época, os espelhos eram comumente feitos de bronze polido, que pode ser muito plano, mas não proporciona uma imagem muito nítida. No entanto, na Ásia Menor, alguns espelhos de luxo eram feitos de vidro de obsidiana, mesmo antes da época de Abraão. Logo após a época de Paulo, o escritor romano Plínio, o Velho, em seu livro História Natural, menciona o uso de vidro em espelhos. No entanto, esse luxo não era normalmente utilizado pelas pessoas comuns, e mesmo os melhores espelhos de vidro ou de obsidiana daquela época não eram planos, mas apresentavam uma imagem distorcida.
P: Em 1 Coríntios 13:13, se alguém tem fé, esperança e amor, por que precisa continuar lendo a Bíblia ou conhecer a doutrina?
R: Fé, esperança e amor não significam fé na fé, esperança em qualquer coisa e amor próprio. Significam fé em Deus, esperança nas promessas de Deus e amor a Deus e ao próximo.
Precisamos conhecer melhor o Deus em quem temos fé, para perceber que nossa esperança é segura e para amá-Lo e amar as outras pessoas ainda mais. Em Efésios 1:17, Paulo escreve para que possam conhecer melhor a Deus, a fim de que possamos conhecer a esperança para a qual Deus nos chamou.
P: Em 1 Coríntios 14, em resumo, o que Paulo está dizendo?
R: Paulo disse aos coríntios o seguinte:
1. Ele falava em línguas, e era bom que cada um deles desejasse falar em línguas. (versículos 5a, 18)
2. Cada um deve desejar profetizar mais do que falar em línguas (versículos 1, 5b, 19).
3. O propósito legítimo de falar em línguas (versículos 2, 4a) e da profecia (versículos 3, 4b).
4. Eles davam ênfase excessiva ao falar em línguas; em vez disso, deveriam enfatizar os dons que edificam a igreja (versículos 4-5, 26, 28).
5. A maneira correta de praticar o falar em línguas na igreja é de forma ordenada, no máximo dois ou três, com um intérprete (versículos 6-13, 26-33).
6. Não proíbam o falar em línguas de maneira ordenada com um intérprete (versículo 39).
P: Em 1 Coríntios 14:1, 5, 12, devemos “desejar ardentemente” os dons espirituais?
R: Sim. Devemos buscar tudo o que há de bom que Deus deseja nos conceder. Além disso, se possuímos um dom espiritual, nenhuma passagem bíblica diz que devemos deixar de desejar outros dons. 1 Coríntios 12:31 afirma que devemos [sempre] “desejar ardentemente os dons maiores”, e 1 Coríntios 14:12 e 1 Pedro 4:10-11 mencionam que devemos nos empenhar em nos aperfeiçoar nos dons que possuímos. No entanto, não devemos buscar os dons mais do que buscamos a proximidade com Deus. Paulo, ao desejar que todos tivessem dons espirituais, está ecoando Moisés, que disse desejar que todo o povo de Deus profetizasse em Números 11:29.
Há três advertências a respeito dos dons espirituais. Primeiro, qualquer coisa além de Deus pode se tornar um ídolo, mesmo um dom espiritual. Não deseje um dom espiritual mais do que a Deus. Segundo, não se deixe definir pelos seus dons espirituais. Sua identidade é a de filho de Deus, não os dons espirituais que o Espírito Santo lhe concedeu. Em terceiro lugar, se o senhor sabe que o Espírito Santo lhe concedeu um dom espiritual, não deixe que isso o impeça de buscar dons espirituais; o Espírito Santo pode conceder-lhe mais desse dom, ou dons espirituais adicionais, posteriormente.
Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 12:30 para saber mais sobre se falar em línguas e a profecia são ou não para os dias de hoje.
P: Em 1 Coríntios 14:1,5, Paulo está dizendo aos coríntios que eles devem desejar os dons de falar em línguas e profecia, ou não?
R: Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 14 para obter a resposta.
P: Em 1 Coríntios 14:3-4, como exatamente devemos edificar os outros?
R: Quando alguém constrói algo, o que importa não é tanto o que faz, mas o que é realizado. Por exemplo, se alguém constrói um muro de tijolos, depois o derruba, constrói-o novamente e, em seguida, o derruba mais uma vez, no final das contas, essa pessoa construiu alguma coisa? Edificar os outros não se resume tanto aos gestos que realizamos ao ministrar a eles, mas ao que alcançamos (ou tentamos alcançar) em suas vidas.
P: Em 1 Coríntios 14:21, por que Paulo disse que essa citação provinha da Lei (Torá), se na verdade ela provinha de Isaías 28:11-12?
R: Os saduceus e outros aceitavam apenas os cinco primeiros livros da Bíblia como a Torá, mas os fariseus consideravam todo o Antigo Testamento como Torá.
P: Em 1 Coríntios 14:22-25, de que forma o falar em línguas é um sinal para os incrédulos e a profecia, um sinal para os crentes?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
Um mistério: Falar em línguas (sem intérprete) será um mistério para os incrédulos, levando-os a pensar que você está louco, e isso é impróprio. (1 Coríntios 14:23)
Evidência: Quando um incrédulo ouve uma profecia feita de maneira adequada e vê os segredos de seu coração revelados, ele verá nisso uma evidência de que Deus está entre nós. (1 Coríntios 14:25)
Ambos: A revelação (profecia) e as línguas tinham, cada uma, seu devido lugar na igreja de Corinto. (1 Coríntios 14:26)
P: Em 1 Coríntios 14:23, os cristãos deveriam, em alguma circunstância, fazer coisas que levem outras pessoas a pensar que os cristãos são loucos?
R: Sim e não, se bem compreendido.
1. Alguns não crentes consideram os cristãos loucos simplesmente por viverem como cristãos. Isso é inevitável, e os cristãos devem obedecer a Deus sem se preocupar muito com o que os outros pensam. Jesus e os profetas foram acusados de serem loucos e/ou de serem do diabo.
2. No entanto, não devemos fazer nada com o único propósito de levar as pessoas a pensar que somos loucos, pois isso não edifica. O único exemplo na Bíblia foi feito por Davi por medo, por desespero, em 1 Samuel 21:13-15.
P: Em 1 Coríntios 14:28, as pessoas devem falar em línguas na igreja sem um intérprete? E quanto a cantar no espírito?
R: 1 Coríntios 14:28 é claro: não se deve falar em línguas na igreja (seja em público ou em privado) sem um intérprete.
P: Em 1 Coríntios 14:32, uma vez que os espíritos dos profetas estão sob o controle dos profetas, isso prova que o Espírito Santo não é Deus, como alega um não-trinitário?
R: Não. Primeiro, uma explicação da lógica; depois, a resposta. Visto que A) os espíritos dos profetas estão sob o controle dos profetas e B) Deus não está sob nosso controle, portanto: o Espírito Santo não é Deus.
Embora A e B sejam verdadeiros, o argumento é inválido: os espíritos das pessoas não são o Espírito Santo.
Não se esqueça do “s”: a palavra “espíritos” está no plural, não no singular, no grego. A lista de variações de manuscritos de Aland et al. não mostra nenhum manuscrito que afirme o contrário.
Cada pessoa possui um espírito, uma alma e um corpo, de acordo com 1 Tessalonicenses 5:23. Os “espíritos” em 1 Coríntios 14:32 não são nem o Espírito Santo, nem espíritos demoníacos “familiares”, mas o dom ou espírito de profecia que é concedido pelo Espírito Santo à pessoa. Pode-se consultar a Homilia de João Crisóstomo sobre 1 Coríntios (p. 219) e o The Bible Knowledge Commentary: Novo Testamento, p. 540, para obter mais informações.
No entanto, os “espíritos dos profetas” ainda estão em comunicação com o Espírito Santo, e Novaciano utilizou erroneamente esse versículo ao se referir ao Espírito Santo, parafraseando-o como “espírito” no singular no Tratado sobre a Trindade, capítulo 29.
P: Em 1 Coríntios 14:33, como é que Deus não é “um Deus da desordem”, se Deus confundiu a língua da humanidade na torre de Babel, em Gênesis 11:7-8?
R: A palavra grega para “desordem” também pode significar “confusão” ou “tumulto”. Deus não é o autor da confusão nas igrejas, mas, ocasionalmente, Ele confunde os pensamentos, os planos e as línguas daqueles que se rebelam contra Ele.
P: Visto que 1 Coríntios 14:33 afirma que Deus não é um Deus de desordem ou confusão, será que esse versículo prova, portanto, que a Trindade é falsa, como afirmam as Testemunhas de Jeová em seu livreto *Deve Você Acreditar na Trindade?* (1989), p. 4?
R: Dificilmente. A vinda de Jesus à Terra não podia ser compreendida pelos fariseus, não porque eles não fossem inteligentes o suficiente, mas porque o Messias que vinha até eles não se encaixava em sua teologia nem em seus planos.
As Testemunhas de Jeová afirmam, quase que unanimemente, que a Trindade é falsa. Os mórmons geralmente afirmam o mesmo, embora eu tenha conhecido alguns que dizem que a Trindade é verdadeira. No entanto, tanto para as Testemunhas de Jeová quanto para os dois tipos de mórmons, a questão não tem sido tanto negar a Trindade, mas sim nem mesmo compreender o que a Trindade realmente é. Consulte a discussão sobre Mateus 28:19 para um resumo em sete pontos do que Deus revelou na Bíblia a respeito da Trindade.
Os aspectos misteriosos do Deus verdadeiro são imensos, como Paulo destaca em 1 Timóteo 3:16. De fato, no mesmo livro de onde as Testemunhas de Jeová extraem esse versículo, Paulo, em 1 Coríntios 2:6-16, afirma que as pessoas sem o espírito de Deus não compreenderão a sabedoria de Deus. Embora isso não seja confuso para os verdadeiros crentes que foram instruídos, pode-se perceber como as Testemunhas de Jeová poderiam atribuir sua falta de compreensão a essa confusão.
P: Em 1 Coríntios 14:33 e Romanos 15:33, visto que Deus é “um Deus de paz”, por que Deus se mostra belicoso em Êxodo 15:3 e Isaías 42:13?
R: A título de analogia humana, um país pode desejar nada além da paz, mas, ainda assim, travar uma guerra feroz quando ele próprio ou um aliado for atacado. O fato de Deus ser o autor da paz não O impede de também ser belicoso. Jesus é o Príncipe da Paz; no entanto, no Apocalipse, Jesus virá e, essencialmente, travará uma guerra, massacrando exércitos inteiros.
P: Em 1 Coríntios 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11,12, por que as mulheres permaneciam em silêncio nas igrejas, uma vez que profetizavam nos tempos do Novo Testamento, conforme Atos 2:18; 21:9 e 1 Coríntios 11:5?
R: Cristãos genuínos divergem quanto a essa resposta. Muitos cristãos apontam que a palavra pode significar “conversa fiada”. Outros cristãos afirmam que isso se referia àquela época e àquela cultura. Outros cristãos acreditam que isso ainda se aplica hoje.
1. Supondo que 1 Coríntios 14:34-35 proíba toda conversa na igreja, isso se refere apenas a “nas igrejas”. Nenhum versículo proíbe que mulheres crentes profetizem fora da igreja.
2. Alguns afirmam que a palavra grega em 1 Coríntios 14:34-35 pode se referir a “conversa fiada” e, embora profetizar, orar e cantar sejam aceitáveis para eles, conversar fiado não é. No entanto, o Comentário Bíblico do Crente, p. 1802, afirma que a palavra não significava “conversa fiada” no grego koiné. “A mesma palavra é usada em relação a Deus no versículo 21 deste capítulo e em Hebreus 1:1. Significa falar com autoridade.” As mulheres tanto profetizavam quanto oravam no culto da igreja em 1 Coríntios 11:5.
Independentemente disso, 1 Timóteo 2:11,12 afirma que as mulheres deviam aprender em silêncio e não ensinar aos homens.
P: Em 1 Coríntios 14:38, a palavra deveria ser “ignorante” ou “ignorado”?
R: No mínimo, este é um estudo interessante sobre como os manuscritos bíblicos diferem entre si. A diferença no grego consiste em duas letras (“ai” versus “w”). A terceira edição do Novo Testamento grego (ed. por Aland et al.) classifica essa variação manuscrita como “B” — “algum grau de dúvida”
“Ignorado” — aparece nos seguintes:
Sinaiticus original [Si] 340-350 d.C.
Alexandrinus [A] c. 450 d.C.
Copta bohairico [Boh] e sahídico [Sah], séculos III/IV
Grego de Orígenes, 225-253/254 d.C.
Sírio posterior, séculos VI-VII
Ignorante — consta no seguinte:
p. 46 (Chester Beatty II), 100–150 d.C.
Sírio antigo, séculos IV-V
Correção no Sinaiticus [Si], 340-350 d.C.
Armênico [Arm] a partir do século V
Correção do Alexandrinus, por volta de 450 d.C.
Vulgata Latina [Vg], séculos IV e V
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Tradição bizantina
Resumo: A variante “Ignored” parece a mais promissora para aqueles que defendem a tradição original dos manuscritos alexandrinos. A variante “Ignorant” parece a mais promissora para aqueles que defendem o manuscrito mais antigo e as famílias de manuscritos latinos e bizantinos. De qualquer forma, essa variação surgiu cedo, entre 200 e 254 d.C. Por fim, embora esta seja uma das duas ou três variações mais significativas em 1 Coríntios, será que isso realmente importa se a desconhecemos ou, então, a ignoramos?
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, o que dizer de alguns cristãos liberais que afirmam ser cristãos, mas negam que Cristo tenha morrido por nossos pecados e que Ele realmente tenha ressuscitado no terceiro dia?
R: Como diz 1 Coríntios 15:1-4, infelizmente, a fé deles é inútil. Lamentavelmente, a menos que mudem, irão para o inferno quando morrerem. Romanos 3:25, 5:6-10, 1 João 2:2, Hebreus 9:11–10:18 e João 1:29 são alguns dos muitos outros versículos que enfatizam a centralidade da expiação.
Uma observação interessante é que até mesmo o cético judeu Isaac Asimov, em *O Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 1023, afirma: “A conversão de Tiago à fé pode ter ocorrido por meio de uma visão de Jesus ressuscitado”. Pelo menos Paulo, em sua Primeira Epístola aos Coríntios, o inclui entre as testemunhas da ressurreição:” Se até mesmo um cético como Asimov pode considerar a possibilidade de que pessoas tenham visto Jesus ressuscitado, ele estava agindo melhor do que alguns cristãos liberais que nem sequer conseguiam considerar essa ideia.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, Jesus não ressuscitou corporalmente porque seu corpo foi invadido por Satanás, como afirma o Rev. Moon?
R: Primeiro, o que o “Princípio Divino” do Rev. Moon (5ª ed., 1977) realmente diz; em seguida, a resposta da Bíblia.
Princípio Divino, p. 170: “O homem tem, até agora, alimentado a ideia errônea de que o fim da vida física do homem é a morte provocada pela queda. Consequentemente, temos acreditado que a ressurreição dos santos falecidos se realizaria por meio da restauração de seus corpos físicos, outrora corrompidos e decompostos, ao seu estado original.”
Princípio Divino, p. 170: “Portanto, ‘ressurreição’ significa os fenômenos que ocorrem no processo de restauração do homem, de acordo com a providência da restauração, do estado de ter caído sob o domínio satânico de volta ao domínio direto de Deus.”
Princípio Divino, p. 289 “Devido à queda do homem, até mesmo o corpo morto do homem foi invadido por Satanás... [Jacó, Moisés] Após a morte de Jesus, também houve problemas relativos ao seu corpo (Mateus 28:12-13).”
Princípio Divino, p. 360 “Como bem sabemos pela Bíblia, Jesus, após a ressurreição, não era o mesmo Jesus que havia vivido com seus discípulos antes de sua crucificação. Ele não era mais um homem visível aos olhos físicos... Certa vez, ele apareceu repentinamente em uma sala fechada...”
Princípio Divino, p. 360-361 “Jesus, a fim de salvar a humanidade, havia estabelecido o fundamento espiritual da fé..., após entregar seu corpo físico à cruz como sacrifício.”
Princípio Divino, p. 147-148 “Como o povo judeu não acreditou em Jesus e o entregou para ser crucificado, seu corpo foi invadido por Satanás, e ele foi morto. Portanto, mesmo quando os cristãos acreditam em Jesus e se tornam um só corpo com ele, cujo corpo foi invadido por Satanás, seus corpos ainda permanecem sujeitos à invasão de Satanás.”
O que diz a Bíblia:
Em João 2:19-21, Jesus falou especificamente sobre ressuscitar Seu corpo. Ou Jesus estava errado, ou o Rev. Moon estava errado.
Filipenses 3:21 fala da grande promessa de que Jesus transformará nossos corpos para que sejam semelhantes ao Seu corpo glorioso. É difícil imaginar que os unificacionistas (aqueles que seguem o Rev. Moon) fiquem muito entusiasmados com o que Paulo escreveu com alegria.
Em João 20:24-28, ou Jesus enganou Tomé, levando-o a acreditar que Ele possuía um corpo físico, ou então Jesus realmente possuía um corpo físico.
Atos 2:31-32 afirma que o corpo de Jesus não sofreu decomposição. Isso sugere fortemente que o corpo de Jesus não foi invadido por Satanás.
Conclusão: Ou Jesus e os apóstolos estavam errados, ou o Rev. Moon deve estar errado.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, 12-16, todo o cristianismo entraria em colapso se, de alguma forma, pudesse ser provado que a ressurreição de Jesus não ocorreu?
R: Sim, ruiria. Mas mesmo segundo os padrões das regras de prova do sistema jurídico americano, seria possível demonstrar em um tribunal que ela ocorreu além de qualquer dúvida razoável. Embora não haja espaço para apresentar todos os argumentos a favor da ressurreição, esses argumentos geralmente se enquadram em cinco categorias.
1. A profecia de Deus no Antigo Testamento
2. Relatos de testemunhas oculares
3. Escritos de terceiros, tanto favoráveis quanto hostis
4. A impossibilidade de encontrar um motivo, meios e explicação adequados para o desaparecimento do corpo
5. O testemunho posterior dos apóstolos, onze dos doze que sofreram e morreram por Cristo. Se alguém saberia se se tratasse de uma fraude, seriam eles. Ninguém morreria por algo que acreditasse ser uma mentira. Como afirmou um pastor cristão: ou o túmulo está vazio, ou nossa fé está vazia.
P: Em 1 Coríntios 15:1-4, quais são as referências não bíblicas mais antigas ao ensinamento cristão de que o sangue de Cristo nos salvou?
R: A mais antiga é a Primeira Carta de Clemente, capítulos 21 e 49, escrita entre 96 e 98 d.C.
A segunda referência extra-bíblica é de Inácio (falecido em 107 ou 116 d.C.), que, em sua carta aos Esmirnenses, capítulo 6, afirma que, a menos que alguém creia no sangue de Cristo, será condenado.
A terceira referência é a Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), no capítulo 5, entre outros trechos.
Depois disso, a sequência torna-se um pouco obscura. Policarpo (110-155 d.C.) referiu-se à expiação em sua breve carta aos filipenses, no capítulo 1. Ele disse: “… Senhor Jesus Cristo, que por nossos pecados sofreu até a morte, [mas] a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, tendo desatado as amarras da morte.”
A Epístola a Diogneto (c. 130–200 d.C.) menciona que Deus enviou Seu próprio Filho como resgate por nós, em uma bela troca, no capítulo 9.
Em contraste com isso, grande parte do cristianismo liberal tem sido resumida como um “cristianismo sem sangue”.
P: Em 1 Coríntios 15:4, São Paulo diz que Jesus Cristo “foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. “Escrituras” significa o Antigo Testamento. Onde foi mencionado no Antigo Testamento que Jesus ressuscitaria da morte e, especificamente, ao terceiro dia?
R: O fato de que o Messias seria cortado (morto) está em Daniel 9,26 e Isaías 53,8-9,12. Sua ressurreição é profetizada em Isaías 53,11 e Salmo 16,9-10.
P: Em 1 Coríntios 15:5, como Jesus apareceu aos “Doze”, já que Judas já havia partido?
R: Havia mais de 70 discípulos, mas “os doze” era um sinônimo para o círculo íntimo, um sinônimo para os discípulos, mesmo que Judas não estivesse presente. Alternativamente, isso poderia se referir a uma aparição após Matias já ter sido escolhido para substituir Judas em Atos 1:21-26. Como as pessoas costumam usar figuras de linguagem e aproximações, a primeira explicação é provavelmente a correta.
P: Em 1 Coríntios 15:5-8, por que Jesus apareceu apenas aos crentes?
R: Ele não apareceu apenas àqueles que já acreditavam Nele. Tiago, seu irmão, não acreditava antes da ressurreição. Tomé estava cheio de dúvidas em João 20:24-29 antes de Jesus aparecer a ele. Paulo mal podia ser considerado um crente quando Jesus apareceu a ele na estrada para Damasco, em Atos 9:1-9.
É verdade que todos os que viram Jesus após sua ressurreição acreditaram nele, mas, afinal, o que mais se poderia esperar?
P: Em 1 Coríntios 15:5-8 e Atos 10:40, por que Jesus apareceu apenas a alguns?
R: 1 Coríntios 15:6 diz que Jesus apareceu a mais de quinhentas pessoas.
P: Em 1 Coríntios 15:6, Paulo está escrevendo que há mais de 500 pessoas que viram Jesus após sua ressurreição, de forma semelhante a todas aquelas que hoje afirmam ter visto Elvis após sua morte?
R: É verdade que a afirmação de Paulo de que 500 pessoas viram Jesus não tem o mesmo peso que 500 testemunhos escritos independentes. No entanto, a afirmação de Paulo de mais de 500 pessoas, combinada com os relatos de Mateus, Marcos, Lucas, João e Pedro (1 e 2 Pedro), deve aumentar a credibilidade, e não diminuí-la.
P: Em 1 Coríntios 15:10, por que Paulo se vangloriava, já que uma pessoa não deve se vangloriar?
R: Assim como Davi nos Salmos, o apóstolo Paulo tinha liberdade para nos dizer como se sentia. Quatro pontos:
1. O que Paulo disse era verdade: ele realmente trabalhou mais.
2. Paulo não se vangloriou de si mesmo, mas afirmou que não era ele, e sim a graça de Deus
3. Sim, Paulo pode ter se vangloriado aqui quando não deveria.
4. Não é inconsistente com a inspiração que Paulo, que não era isento de pecado, nos tenha dito isso. A inspiração das Escrituras não consiste em Deus tê-las inspirado mecanicamente, ditando-lhes cada consoante e vogal. Em vez disso, Deus escolheu esses homens e lhes concedeu as experiências, a sabedoria e a comunicação direta de Seu Espírito em conjunto, para que escrevessem as Escrituras.
P: Em 1 Coríntios 15:12-19, por que muitos tendem a negar a ressurreição de Cristo?
R: Há pelo menos quatro razões possíveis.
1) Na cultura grega e romana, embora existisse o conceito de uma alma imortal, não havia o conceito de pessoas ressuscitando dos mortos.
2) Eles nunca haviam observado isso acontecer na natureza. A única exceção é a crença em uma criatura mítica, a fênix, que a cada 1.000 anos se queimava até a morte e depois renascia. Hoje, as pessoas que confiam na ciência como sua fé (o chamado cientificismo) negam que as leis naturais possam ser quebradas. Mas, como disse um pastor, uma vez que se ultrapassa o milagre de Deus criando o universo, o resto é fácil.
3) Ressuscitar dos mortos seria impossível, a menos que se admitisse a existência de milagres de Deus.
4) Do ponto de vista ético, se Jesus ressuscitou dos mortos, isso demonstraria que Jesus estava correto ao afirmar que eles ressuscitariam dos mortos, e que seria melhor que tomassem cuidado com a maneira como vivem suas vidas agora.
P: Em 1 Coríntios 15:12-19, como alguém viveria de maneira diferente, acreditando que Cristo ressuscitou e que nós também ressuscitaremos dos mortos, em comparação com alguém que não acreditasse nisso?
R: Certa vez, havia uma mulher que estava em terapia com um psicólogo antes de passar por uma amputação. O psicólogo ficou surpreso com a calma com que ela estava encarando tudo. Por fim, ela perguntou ao psicólogo: “Vai crescer de novo, certo?”
Assim como a mulher, só que ao contrário, sabemos que nossos corpos, à medida que se ferem e envelhecem, ressurgirão, só que serão melhores do que jamais foram antes. Nossa atitude perante a vida, perante as adversidades e perante os relacionamentos deve ser totalmente diferente. Mesmo o primeiro milhão de anos que passaremos no céu, com nossos corpos ressuscitados, é muito mais longo do que o tempo que estamos atualmente “aqui embaixo”. Estamos apenas de passagem a caminho de nosso verdadeiro lar.
P: Em 1 Coríntios 15:18-19, por que Paulo e os demais merecem piedade se Cristo não ressuscitou?
R: Não foi nada agradável ser apedrejado e deixado para morrer, lutar contra feras e, mais tarde, sofrer um naufrágio. Paulo suportou muitas provações nesta vida com o objetivo de ver a Deus na próxima. Mas, se não houvesse ressurreição, tudo isso teria sido em vão.
P: Em 1 Coríntios 15:20,22, as primícias são Cristo ou alguns crentes?
R: As primícias são Cristo.
P: Em 1 Coríntios 15:20, visto que Jesus foi o primogênito dentre os que ressuscitarão, o que dizer de Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos anteriormente?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
Cronológico: Lázaro foi ressuscitado com seu corpo físico normal, que ainda morreria. Jesus foi, cronologicamente, a primeira pessoa a ser ressuscitada com um corpo físico glorificado que nunca morreria nem se deterioraria (Atos 13:35-39).
Posicional: Mesmo ignorando a cronologia, “primícias” também significa “o primeiro entre todos”, e Jesus ocupa a posição de primícias de todos os que serão ressuscitados.
Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado com um corpo físico glorificado, e Ele também é o principal entre aqueles que serão ressuscitados.
P: Em 1 Coríntios 15:22, como é que todos morreram em Adão e como é que todos são vivificados em Cristo?
R: Todos são ressuscitados em Cristo de três maneiras.
1. Todas as pessoas são ressuscitadas ao final do Milênio (Apocalipse 20:5), antes do Juízo do Grande Trono Branco, descrito em Apocalipse 20:12-14. É necessário estar vivo para sofrer a segunda morte.
2. A oferta de salvação e justificação é disponibilizada a todos (Romanos 11:32; Tito 2:11; 1 Timóteo 2:4-6; 4:10). Jesus é o sacrifício expiatório pelo mundo inteiro, conforme 1 João 2:2.
3. Todos os que crerem terão a justificação aplicada a si (1 Timóteo 4:10) e viverão para sempre no Céu com Deus.
P: 1 Coríntios 15:22 é falso porque todos os profetas eram sem pecado, como ensinam os bahá’ís em “Algumas Perguntas Respondidas”, pp. 118-121?
R: 1 Coríntios 15:22 afirma que todos os descendentes de Adão pecaram, e isso inclui todos os profetas, exceto Jesus. É um equívoco comum entre os muçulmanos — que os bahá’ís herdaram — a crença de que todos os profetas eram imaculados. No entanto, isso leva a estranhas contradições. Jonas (o piedoso profeta Yunus para os muçulmanos) fugiu para Társis e foi engolido por um grande peixe. Não houve pecado em fugir? Adão é considerado um profeta pelos muçulmanos; no entanto, se ele não pecou no Jardim do Éden, sua definição de pecado não se torna uma expressão sem sentido? Moisés foi proibido de entrar na Terra Prometida por ter perdido a paciência em Meribá. Visto que o Senhor estava irado com Moisés em Deuteronômio 3:26, o Senhor pode ficar irado com alguém que nunca pecou?
Há aqui uma lição para todos. Às vezes, os preconceitos distorcidos das pessoas quase as forçam a distorcer a Bíblia para que ela se adapte aos seus preconceitos.
P: 1 Coríntios 15,23 mostra que Maria foi levada corporalmente para o Céu, como ensinam alguns teólogos católicos?
R: Não. Seria difícil acreditar que algum católico invocasse 1 Coríntios 15:23 ao falar da suposta assunção de Maria, exceto que o livro *When Cultists Ask*, p. 234, afirma que Ludwig Ott mencionou “a possibilidade” de que isso se referisse a Maria em seu livro *Fundamentals of Catholic Dogma* (editado por James Canon Bastible; publicado pela Tan Books em 1960, p. 208).
Aparentemente, como 1 Coríntios 15,23 afirma que todos vão para o Céu em sua própria vez, e Cristo foi para o Céu primeiro, isso de alguma forma indicaria que Maria foi a segunda.
Como essa passagem não menciona Maria, é como se disséssemos que
1. Se Maria foi levada corporalmente para o Céu, ela deve ser os primeiros frutos mencionados aqui.
2. Se Maria fosse os primeiros frutos mencionados aqui, então Maria foi levada corporalmente para o Céu.
Talvez o raciocínio circular do argumento seja a razão pela qual Ott afirmou que isso era apenas uma possibilidade, e que não se encontrava prova bíblica da Assunção de Maria.
Além do raciocínio circular, um segundo problema com esse argumento é que 1 Coríntios 15,22-25 não trata da assunção, mas da ressurreição. Jesus foi o primeiro a ressuscitar com um corpo imortal. Católicos e protestantes concordam que, independentemente do que tenha acontecido com Maria no final de sua vida terrena, ela não ressuscitou. Por fim, mesmo que se tratasse da assunção corporal ao Céu e não da ressurreição dentre os mortos, Enoque e Elias foram levados ao Céu antes de Cristo.
A tentativa de utilizar este versículo é instrutiva para mostrar até onde alguns teólogos astutos precisam ir para defender a assunção corporal de Maria, embora deva-se reconhecer a honestidade de Ott por afirmar que não há prova bíblica.
P: Em 1 Coríntios 15:24, o reino de Cristo realmente chegará ao fim e Ele entregará tudo a Deus Pai, ou o reino de Cristo perdurará para sempre, como dizem Lucas 1:33 e Hebreus 1:8?
R: Ambas as afirmações são verdadeiras. O reino de Cristo possui dois aspectos. Jesus é um rei conquistador, que derrota Seus inimigos, e essa parte chegará ao fim. Jesus é o Príncipe da Paz eterno, e essa parte nunca terá fim. Consulte o livro de Haley, *Alleged Discrepancies of the Bible* (Supostas Discrepâncias da Bíblia), pp. 137-138, para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:25-28, uma vez que todos serão submetidos a Cristo, isso significa que todos irão para o Céu, como ensina a heresia do universalismo?
R: Não. Ser submetido a Cristo não significa que alguém irá para o céu. Pedras inanimadas e demônios serão submetidos a Cristo, e eles não irão para o céu. Consulte a discussão sobre Colossenses 1:20, Romanos 5:19; Romanos 8:29-30 e o livro *When Cultists Ask*, pp. 234-235, para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:29, o batismo pelos mortos significa que as pessoas não precisam acreditar individualmente?
R: Não. Conforme mostram as respostas às próximas quatro perguntas, cada pessoa é batizada por si mesma, e não batizamos em nome de pessoas falecidas. Consulte “Quando os Críticos Perguntam”, pp. 464-465, para obter uma resposta mais detalhada.
P: Em 1 Coríntios 15:29, os cristãos devem batizar em nome de pessoas falecidas?
R: Não. Paulo estava dizendo que, se até mesmo esses não-cristãos acreditavam na ressurreição, conforme comprovado por seu batismo pelos mortos, por que vocês não podem acreditar na ressurreição? Um argumento muito semelhante encontra-se em “Teófilo a Autólico” 1:13. (Teófilo foi bispo de Antioquia de 168 a 181/188 d.C.)
“Então, quanto à sua negação de que os mortos ressuscitam… vocês acreditam que Hércules, que se imolou, vive; e que Esculápio, que foi atingido por um raio, ressuscitou;…” (Padres Ante-Nicenos, volume 2, p. 92)
Se o batismo pelos mortos é uma das coisas mais importantes que podemos fazer, como ensina o mormonismo, então por que não nos é ordenado sequer uma vez nas Escrituras que façamos isso? Paulo disse “outros” (eles) em 1 Coríntios 15:29. Uma seita da época de Paulo na Grécia, chamada cerintiana, batizava pelos mortos, mas ninguém jamais disse que os cristãos deveriam fazer isso. (A propósito, os cerintianos também ensinavam que Cristo desceu sobre Jesus no Seu batismo e o abandonou na cruz; portanto, apenas o homem Jesus morreu, de acordo com a nota de rodapé da Bíblia de Estudo NIV em 1 João 4:2, p. 1911.)
Entre os Mistérios de Eleusis, havia a doutrina de abluções necessárias para a bem-aventurança na vida após a morte (Fragmento 212 de Píndaro, Fragmento 753 de Sófocles). O batismo em nome de outrem era conhecido, conforme o Fragmento 245 de Orfico. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 616-618, para mais informações.
É claro que não devemos imitar muitas das práticas dos coríntios, tais como a carnalidade, a imoralidade, o sectarismo, o abuso da Ceia do Senhor e a negação da ressurreição física de Jesus. Se praticar isso hoje, como fazem os mórmons, nos levar a pensar que Deus exigiu que fizéssemos um estudo genealógico intensivo, 1 Timóteo 1:3,4 e Tito 3:9 ordenam que o povo de Deus não se dedique a genealogias intermináveis.
P: Em 1 Coríntios 15:29-30, devemos praticar o batismo pelos mortos, como ensinam os mórmons?
R: Primeiro, alguns fatos verdadeiros que não estão diretamente relacionados à resposta; em seguida, a resposta.
1. A palavra grega huper significa “por causa de”, não necessariamente “em nome de”.
2. Muitas pessoas se tornaram cristãs em virtude do testemunho de cristãos que já haviam sido martirizados.
3. O batismo, para todos os cristãos, significa que, em certo sentido, todos nós somos mortos, ou seja, mortos para nós mesmos e vivos em Cristo (Colossenses 2:11-13)
A resposta: Os pronomes que Paulo utiliza (“eles”, “eles” e “nós”) deixam claro que Paulo nunca afirmou que ele nem seus leitores imediatos praticavam o batismo pelos mortos. Paulo não ordenou, recomendou, realizou, praticou nem afirmou que os coríntios praticavam o batismo pelos mortos. Em 1 Coríntios 10:18-22, Paulo menciona que outros faziam sacrifícios aos ídolos, mas que nós também não devemos fazer isso. Não há nenhum exemplo de cristãos realizando o batismo pelos mortos em toda a Bíblia, nem na igreja primitiva. No entanto, alguns hereges religiosos, chamados cerintianos, praticavam o batismo pelos mortos.
Como não há nenhuma ordem ou exemplo disso, e a única prática conhecida era dos cerintianos, que não eram cristãos, os mórmons encontram-se em terreno bastante instável ao tornarem isso uma parte tão importante de sua religião.
Ao falar com os gregos, Paulo utilizou escritos de poetas gregos pagãos para reiterar verdades, como em Atos 17:23-29. Judas utilizou afirmações verdadeiras contidas em livros apócrifos para reforçar um argumento junto aos seus ouvintes. Da mesma forma, Jesus utilizou o que se denomina um argumento “ad hominem” para provar que era enviado por Deus ao debater com os fariseus em João 5:31-34.
O argumento de Paulo em 1 Coríntios 15:29-30 é que, embora muitos gregos não acreditassem e zombassem da ressurreição física (1 Coríntios 15:12; Atos 17:32), ao mesmo tempo os cerintianos, proto-gnósticos, estavam batizando pelos mortos. Por que eles acham que precisam realizar esse ritual corporal do batismo, se os corpos já se foram para sempre?
P: Em 1 Coríntios 15:29-30, o que é o batismo pelos mortos?
R: Além desse versículo, conhecemos apenas dois casos, ambos práticas pagãs. Os mandéus na Mesopotâmia praticavam isso, e os cerintianos (que por acaso estavam em Corinto) também. Não temos evidência de que um único cristão tenha praticado o batismo pelos mortos.
P: Em 1 Coríntios 15:32-33, quem Paulo estava citando?
R: Há duas respostas complementares.
1. Em 15:33 (“As más companhias corrompem os bons costumes”), Paulo citou o poeta grego Menandro, de sua comédia *Thais*. Veja também a discussão sobre Atos 17:16-34.
2. Em 15:32, Paulo citou Isaías 22:13. Assim como Paulo, Isaías não estava sugerindo que seguíssemos esse ditado vazio, mas sim expressando a visão de pessoas ímpias.
A propósito, Menandro viveu aproximadamente entre 342 e 291 a.C. Isaías profetizou desde antes de 739 a.C. até depois de 682 a.C. É provável que Paulo estivesse familiarizado tanto com Menandro quanto com Isaías.
P: Em 1 Coríntios 15:36, quando alguém faz uma pergunta tola, como “como é possível que um Deus Todo-Poderoso...”, como o senhor responde à objeção dessa pessoa com respeito, mas também demonstra a tolice dela?
R: Se houver qualquer possibilidade de que se trate de uma objeção genuína, o senhor deve respondê-la. O senhor deve respeitar a pessoa que faz a pergunta. Mas quando a pergunta contém uma premissa falsa, como a de que Deus não é todo-poderoso, o senhor deve certificar-se de apontar a falha na suposição falsa por trás da pergunta.
P: Em 1 Coríntios 15:37, isso corrobora a heresia da reencarnação?
R: Não, pelas seguintes razões:
1. O corpo glorificado é permanente e não morre mais.
2. Essa transformação ocorre apenas uma vez.
3. Trata-se de uma mudança em nosso corpo, não de uma troca de corpo.
Consulte a discussão sobre João 3:3 para obter mais informações.
P: Em 1 Coríntios 15:38-41, isso de alguma forma corrobora o conceito mórmon de céus celestiais, terrestres e telestiais?
R: Não. Essa analogia simplesmente mostra que, assim como existem diferentes glórias no (único) céu físico, existem diferentes tipos de glória no (único) Céu. O fato de Paulo ter dado três exemplos (sol, lua e estrelas) não significa que existam três céus, da mesma forma que o fato de Paulo ter dado quatro exemplos em 1 Coríntios 15:39 (homens, animais, pássaros e peixes) não significa que existam quatro céus. O Céu não seria o Céu sem a presença de Jesus.
Existem pelo menos três Céus (não nomeados), segundo Paulo em 2 Coríntios 12:2. Paulo visitou o terceiro.
P: Em 1 Coríntios 15:44, nosso corpo ressuscitado é físico ou espiritual?
R: Paulo apresentou uma analogia entre os israelitas no deserto e a rocha, e essa analogia responde a essa pergunta. Os israelitas obtiveram água de uma rocha física, mas não de uma mera rocha física. Era Cristo quem constituía a força espiritual por trás daquela rocha. Nossos corpos ressuscitados serão físicos, mas não meros corpos físicos. Por meio de Cristo, teremos também uma dimensão espiritual adicional.
Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) foi um filósofo grego que se converteu ao cristianismo, ao qual chamava de “a verdadeira filosofia”. Ele estava bem ciente dos argumentos gregos que zombavam de uma ressurreição física “na carne” e foi um dos primeiros a responder a esses argumentos em *Sobre a Ressurreição*. Os fragmentos que possuímos dessa obra estão traduzidos no volume 1 dos Pais Ante-Nicenos, pp. 294–299
P: Em 1 Coríntios 15,45, por que Jesus é o último Adão?
R: Existem paralelos fundamentais entre Adão e Jesus. Herdamos de Adão consequências graves, incluindo uma natureza depravada e pecaminosa que leva à morte. Todos os que aceitam Jesus como seu Senhor e Salvador recebem uma nova natureza e a vida eterna de Jesus.
P: Em 1 Coríntios 15,45, visto que Cristo era um espírito vivificante, isso significa que Ele não possuía também um corpo físico?
R: Não. O corpo de Cristo é espiritual e físico, não apenas espiritual.
P: Em 1 Coríntios 15:50, uma vez que a carne e o sangue não podem entrar no Céu, como podemos ressuscitar com corpos físicos?
R: Quem diz que um corpo físico glorificado precisa ter características terrenas, como carne e sangue? A Bíblia não diz isso. Pelo contrário, 1 Coríntios 15:35-44 simplesmente afirma que eles serão diferentes.
P: Em 1 Coríntios 15:50, uma vez que a carne e o sangue não podem entrar no Céu, como é que Enoque foi levado de tal forma que “não viu a morte”, conforme Hebreus 11:5?
R: Obviamente, Deus Todo-Poderoso tem o poder de transformar Enoque para que ele tenha um corpo glorificado sem que ele experimente a morte. Além disso, quando pessoas vivas forem arrebatadas para o Céu, elas podem não experimentar a morte pela mesma razão.
Em resumo, Deus poderia transformar os corpos de Enoque e dos crentes arrebatados sem que eles experimentassem a morte, de maneira equivalente àquela dos crentes que morrem.
P: Em 1 Coríntios 15:51-52, os termos “vida” e “morte” aqui significam apenas “fé” e “incredulidade”, como ensinam os bahá’ís em *Bahá’u’lláh e a Nova Era*, p. 270?
R: Não, as Escrituras são consistentes ao afirmar que haverá uma ressurreição física.
Além de 1 Coríntios 15:51-52, veja:
Dn 12,2: “E muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eterno.”
Apocalipse 20:5 “Os demais mortos não voltaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.”
1 Samuel 2:6 “O Senhor dá a morte e dá a vida; Ele desce ao Sheol e ressuscita.”
Salmo 49:15 “Mas Deus resgatará a minha vida do Seol, pois certamente me levará para junto de Si.”
Salmo 22:29: “…todos os que descerem ao pó se ajoelharão diante Dele…”
Salmo 23:6 Depois de falar sobre a sombra da morte em Salmo 23:4, Davi diz: “Habitarei na casa do Senhor para sempre.”
Salmo 49:8-9 “Pois a redenção de sua alma é cara, e jamais o pagamento será suficiente para que ele viva para sempre e não veja a decomposição.”
Salmo 52:8-9 “Confio na devoção amorosa de Deus para todo o sempre. Eu O louvarei para sempre… na presença dos Seus santos.”
Isaías 25:7-8 “Nesta montanha, Ele [Deus] aniquilará o véu que envolve todos os povos, o manto que cobre todas as nações; Ele aniquilará a morte para sempre….”
Isaías 53:8-10 Depois de afirmar, nos versículos 8-9, que aquele que sofre por nós será morto e colocado no túmulo de um homem rico, no versículo 10 diz-se, porém, que ele verá sua descendência.
Todos esses versículos foram citados da BSB.
P: Em 1 Coríntios 15:52 e 1 Tessalonicenses 4:16-17, o que a “última trombeta” diz a respeito da tribulação?
R: Os pré-tribulacionistas afirmam que a última trombeta era uma trombeta especial para os crentes e não faz parte das sete trombetas do Apocalipse. Outros apontam esse versículo como uma das maiores falhas da visão pré-tribulacionista. Eles afirmam que se trata da sétima trombeta em Apocalipse 11:15.
P: Em 1 Coríntios 15:52-54, como Deus pode ressuscitar o corpo mortal de um crente que foi reduzido a cinzas ou devorado por leões?
R: Deus é Todo-Poderoso e pode fazer qualquer coisa. Cientificamente, embora a maioria de nossas células sobreviva (ou se multiplique e sobreviva) ao longo de nossas vidas mortais, a maioria dos átomos que compõem nossas células é diferente daquela que existia há sete anos. Portanto, para ressuscitar dos mortos, não precisamos ter os mesmos átomos. Da mesma forma, as células são “padrões” de átomos. Mas Deus pode — embora não seja obrigado — usar os mesmos materiais físicos (ou seja, átomos) que se encontram em um corpo enterrado. Portanto, o fato de o corpo de um cristão ser enterrado ou cremado (seja com ou contra a sua vontade) não tem efeito sobre o que Deus fará. No entanto, alguns veem o enterro cristão como um testemunho de nossa esperança segura na ressurreição.
P: Em 1 Coríntios 15:54, como e por que “o perecível… deve revestir-se do imperecível”?
R: Não nos foi revelado todo esse mistério. No entanto, há algumas ilustrações naturais que podem apontar para parte da resposta.
Quando um arbusto ou uma pequena árvore é infestada por mofo em todas as suas folhas, a única maneira de salvar a planta é cortá-la, deixando apenas um toco alto. A parte superior desaparece junto com o “pecado” do mofo que a infesta, mas as raízes ainda estão lá e saudáveis. A planta frequentemente volta a crescer e, no tempo que leva para brotar novas folhas, o mofo pode ter desaparecido, pois não tinha onde se alojar.
Se o senhor pensava que a quantidade de DNA em uma célula está relacionada ao tamanho ou à inteligência de um organismo, talvez fique muito surpreso ao saber que a célula de um sapo possui cerca de 20 vezes mais DNA do que a célula de um ser humano. O sapo não só precisa ter o DNA para funcionar como um girino que respira na água, mas também precisa ter o DNA para todas as transições e para o resultado final: viver como um sapo que respira ar. Anjos e demônios podem olhar para nós e pensar que criaturas humildes e frágeis somos. No entanto, sempre poderíamos dizer: “Mas vejam nosso DNA espiritual, que recebemos de nosso Pai!”
P: Em 1 Coríntios 15:58, o que o senhor pode dizer ou fazer quando começa a sentir que seu trabalho é em vão?
R: Gostaria que pudéssemos perguntar a Jeremias. Ele teve uma longa carreira, talvez mais de 55 anos, como profeta. Durante sua vida, enquanto ministrava fielmente e sofria prisão e conspirações contra sua vida, ele viu apenas um punhado de pessoas que acreditavam em suas palavras. No entanto, cerca de 2.600 anos depois, as pessoas são inspiradas pela palavra de Deus que veio por meio dele. Colocando de uma maneira um pouco diferente, Jeremias teria sido um péssimo avaliador do quanto sua vida e sua obra seriam influentes.
Gálatas 6:9 nos diz para não desistirmos, sabendo que nosso trabalho não é em vão, se continuarmos nele.
Nosso objetivo não é sermos considerados influentes, nem mesmo sermos influentes. Nosso objetivo é simplesmente agradar a Deus e fazer o que Ele especificamente deseja que façamos, quer pareça grande ou pequeno aos olhos das pessoas. No fim das contas, o prazer de ouvir Deus dizer “Muito bem, servo bom e fiel!” vale mais do que todas as riquezas deste mundo passageiro. Mantenha os olhos no prêmio final e permaneça próximo a Deus em oração.
P: Em 1 Coríntios 16:18, uma vez que não merecemos nada de bom, como esses homens piedosos merecem reconhecimento?
R: Em sentido absoluto, não merecemos nada de Deus, exceto justiça (e graças a Deus Ele nos concede misericórdia).
Em sentido relativo, porém, Deus está nos ordenando que demos reconhecimento e encorajamento aos líderes piedosos que servem bem a Deus e aos outros.
Brincando um pouco, seria difícil para um cristão trabalhar para um chefe cristão que não fizesse essa distinção. O chefe poderia dizer: “De todas as coisas boas que lhe foram concedidas nesta vida, quais você realmente merece?” O funcionário poderia responder: “Nenhuma. Tudo é pela graça e misericórdia de Deus.” O chefe poderia responder: “Bem, fico feliz que você entenda que eu ia lhe dar um aumento, só que você simplesmente não o merece!”
P: Em 1 Coríntios 16:22, por que Paulo está amaldiçoando as pessoas que não amam (fileo) o Senhor?
R: Se alguns interpretam isso como se Paulo quisesse que elas fossem para o inferno, essa não é a vontade de Deus, pois Ezequiel 18:23,32 e 2 Pedro 3:9 mostram que Deus não deseja que ninguém pereça. Há três pontos a serem considerados na resposta.
1. Independentemente de Paulo nos dizer isso, as pessoas que não amam Jesus estão sob uma maldição.
2. Paulo, e nós, devemos orar para que aqueles que estão sob a maldição de não conhecer Jesus percebam o vazio e que Deus envie quaisquer experiências, mesmo as dolorosas, para mostrar a necessidade que têm de Cristo.
3. Paulo, e nós, devemos orar para que aqueles que realizam a obra amaldiçoada de desviar os outros sejam amaldiçoados com o fracasso.
P: Em 1 Coríntios, como sabemos que isso foi realmente escrito por Paulo?
R: Não temos nenhuma evidência que sugira que Paulo não a tenha escrito. O próprio livro de 1 Coríntios assim o afirma, e a igreja primitiva nunca questionou isso. Dezessete escritores pré-nicenos afirmaram que 1 Coríntios foi escrito por Paulo. Clemente de Roma, Policarpo, a Epístola a Diogneto, Irineu de Lyon, o Cânon Muratoriano, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Cipriano de Cartago, Pierius de Alexandria, Adamantio, Victorino de Petau, Metódio, Atanásio de Alexandria, Alexandre de Alexandria e Eusébio de Cesareia.
Supondo que Paulo tenha falecido durante o reinado de Nero, sua morte teria ocorrido por volta de 67 d.C.
P: Em 1 Coríntios, como sabemos que as Escrituras de hoje são uma preservação confiável do que foi escrito originalmente?
R: Há pelo menos três boas razões.
1. Deus prometeu preservar Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.
2. Evidência da igreja primitiva. Os escritores da igreja primitiva até o Concílio de Nicéia I (325 d.C.) citaram 1 Coríntios cerca de 755 vezes, sem contar as alusões. Eles citaram 65% do livro de 1 Coríntios, contando versículos fracionários como frações. Isso representa 282,6 dos 437 versículos totais.
Aqui estão os escritores pré-nicenos que se referiram a versículos de 1 Coríntios.
1 Clemente (96-98 d.C.) é basicamente uma carta de Clemente, bispo de Roma, dizendo aos coríntios que eles precisam fazer o que Paulo lhes disse há 50 anos. No capítulo 47, Clemente menciona Apolo e Cefas
Clemente de Roma cita 1 Coríntios 2:9 – 1 Clemente, cap. 34, vol. 1, p. 14; vol. 9, p. 239
Inácio 1 Coríntios 1:20 ¼ Citação da Carta de Inácio aos Efésios, cap. 18, p. 56-57. A seguir, há uma paráfrase, mas trata-se de uma referência inequívoca.
Inácio 1 Coríntios 3:16; 6:19 Alusão à Carta de Inácio aos Filadelfianos, cap. 7, p. 84
1 Coríntios 6:19 Alusão: “somos templos de Deus” na Carta de Inácio aos Efésios, cap. 15, p. 56
Papias escreve: “Como dizem os presbíteros” e cita 1 Coríntios 15:25,26 conforme proferido pelo apóstolo. Em seguida, cita 1 Coríntios 15:27,28, Fragmento 5, vol. 1, p. 154.
1 Coríntios 6:9, 10b – 1½ citação da Epístola de Policarpo aos Filipenses (110-155 d.C.), cap. 5, p. 34
Epístola a Diogneto (c. 130–200 d.C.)
A Didaché (120-150 d.C.)
O Cânon Muratoriano (170-210 d.C.), ANF vol. 5, p. 603, menciona as duas cartas de Paulo aos Coríntios, bem como as outras 11 cartas de Paulo.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 11, p. 254, cita metade de 1 Coríntios 2:9: “o que nenhum ouvido ouviu, nem nenhum olho viu, nem subiu ao coração do homem”.
Melito de Sardes (170-180 d.C.) menciona Lucas e Marcos como o “Evangelho”. Menção a 1 Coríntios como sendo do apóstolo. Citação de Hebreus. “Oração sobre a Paixão do Senhor”, cap. 9, p. 760-761
Atenágoras, em 177 d.C., afirma: “na linguagem do apóstolo” e, em seguida, cita imediatamente 1 Coríntios 15,54. A Ressurreição dos Mortos, cap. 18, p. 159
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita 1 Coríntios 6:12 como sendo de Paulo em *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 37.4, p. 519
Clemente de Alexandria questionou qual era a sabedoria deste mundo contra a qual Paulo nos advertiu em 1 Coríntios 3:19-21. *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, cap. 11
Tertuliano (198-220 d.C.) cita 1 Coríntios 8:2 e Gálatas 1:7 e 5:7 como sendo do apóstolo em *Sobre a Prescrição contra os Hereges*, cap. 27, p. 256.
Tertuliano (198-220 d.C.) cita 1 Coríntios 15:29 em “Sobre a Ressurreição da Carne”, cap. 48, p. 582
Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), faz alusão a 1 Coríntios 15:49 no cap. 24, p. 46
Hipólito (225-235/6 d.C.) cita parte de 1 Coríntios 2:13 como Escritura em *A Refutação de Todas as Heresias*, livro 7, cap. 14, p. 107.
Júlio Africano (232-245 d.C.) cita 1 Coríntios 15:12 e afirma que se trata de uma passagem do apóstolo em *A Epístola a Aristides*, cap. 1, p. 125
Orígenes (225-253/254 d.C.) cita 1 Coríntios 1:24 como sendo de Paulo, em *De Principiis*, livro 1, cap. 2.1, p. 246. Ele também cita 1 Coríntios 14:15 como sendo de Paulo, em *De Principiis*, livro 2, cap. 2, p. 287
Cipriano foi bispo de Cartago de cerca de 246 até seu martírio em 258 d.C. Ele menciona a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios e, em seguida, cita 1 Coríntios 7:10,11 em *Tratados de Cipriano – Testemunhos*, cap. 90, p. 553. Ele também se refere a Paulo e à sua Primeira Epístola aos Coríntios no “Tratado 12”, segundo livro, cap. 1, p. 516
Gregório, o Taumaturgo (240-265 d.C.), cita 1 Coríntios 6:13 como sendo do apóstolo na “Epístola Canônica”, cap. 1, p. 18.
Pierius de Alexandria (275 d.C.) cita 6 das 22 palavras de 1 Coríntios 7:7 como sendo de Paulo, no Fragmento 1, p. 157
Adamantio (c. 300 d.C.) cita 1 Coríntios 15:29 em “Diálogo sobre a Verdadeira Fé”, quinta parte, cap. 23, p. 181
Arnóbio, em *Contra os Pagãos* (297-303 d.C.), livro 2, cap. 7, p. 435: “Nunca ressoaram em seus ouvidos as palavras bem conhecidas de que a sabedoria do homem é loucura diante de Deus?” (1 Coríntios 3:19)
Victorinus, bispo de Petau, na atual Eslovênia (martirizado em 304 d.C.) Menciona o Antigo e o Novo Testamento em seu “Comentário sobre o Apocalipse do Beato João”, p. 345. Ele enumerou as cartas de Paulo como Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Tessalonicenses, Filipenses, Colossenses e Timóteo, e cita 1 Timóteo 3:15 no cap. 16, p. 345. Em seguida, cita 1 Coríntios 15:53 na p. 346
Metódio (270-311/312 d.C.) cita 1 Coríntios 7:34 como sendo de Paulo. “Banquete das Dez Virgens”, discurso 1, cap. 1, p. 311.
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita 1 Coríntios 2:9 como sendo do apóstolo Paulo e Colossenses 1:16,17 como sendo de Paulo em “Epístolas sobre a Heresia Ariana”, Epístola 1, cap. 5, p. 293
Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) cita todo o trecho de 1 Coríntios 15:55-56. “Demonstração do Evangelho”, livro 4, cap. 11, p. 7
Após Nicéia
Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.) escreveu comentários completos sobre Lucas e 1 Coríntios. “Padres Nicenos e Pós-Nicenos”, Segunda Série, vol. 1, p. 41
Hegemônio (século IV) cita 1 Coríntios 13:8-10 como “Pois, naquela primeira Epístola aos Coríntios, Paulo diz…” (Arquelau está falando) “Disputa com Manes”, cap. 37, p. 211
Zenão (século IV)
Victorino de Roma (após 363 d.C.)
Atanásio de Alexandria (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na Carta Festiva 39, p. 552
Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) cita 1 Coríntios 3:8 como “aquelas palavras aos coríntios” na obra *Sobre a Trindade*, livro 8, cap. 5, p. 139
A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona as duas cartas de Paulo aos coríntios como parte do Novo Testamento. Ela cita 1 Coríntios 1:1-2a.
O cismático Lúcifer de Cagliari (370/371 d.C.)
Marcelo de Anquira (por volta de 374 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) cita 1 Coríntios 3:13 como sendo do Apóstolo. Em “Sobre o Espírito”, cap. 15.36, p. 22. Ele também afirma que 1 Coríntios 7:6 é de Paulo. Carta 8, cap. 3, p. 117
Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), o cânon 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânon 59, p. 158, afirma que somente os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.
Ambrosiaster (após 384 d.C.)
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.)
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)
Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.)
Gregório de Elvira (após 392 d.C.)
Anfilóquio (-397 d.C.) em *Iambi ad Seleucum*
Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) 1 Coríntios 15:51,52 “o divino Apóstolo… aos coríntios” Sobre a Criação do Homem, cap. 32.6, p. 412
Dídimo, o Cego (398 d.C.)
Macário/Simeão (século IV ou V)
Maximino (séculos IV/V)
Petiliano (séculos IV/V) refere-se a 1 Coríntios 7:5
Timóteo de Alexandria (séculos IV/V)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.)
Flaviano de Antioquia (404 d.C.)
Gaudêncio (após 406 d.C.)
João Crisóstomo (392-407 d.C.) deve ter realmente apreciado 1 Coríntios, pois escreveu 44 sermões sobre essa epístola, que ainda hoje conservamos. Ele afirma que 1 Coríntios foi escrito por Paulo e Sóstenes.
Cromácio (falecido em 407 d.C.)
Severiano (após 408 d.C.)
Niceta de Remesiana (366-c. 415 d.C.)
Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) cita parte de 1 Coríntios 15:10 como sendo de Paulo. Defesa contra os pelagianos, cap. 10, p. 127
Jerônimo (373–420 d.C.)
Sozomeno (370/380–425 d.C.) cita 1 Coríntios 11:12 como sendo do apóstolo Paulo. História Eclesiástica de Sozomeno, livro 4, cap. 29, p. 324
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) cita 1 Coríntios 10:17 como sendo do apóstolo Paulo em *A Cidade de Deus*, livro 17, cap. 5, p. 345
O semipelagiano João Cassiano (419-430 d.C.) cita um quarto de um versículo de 1 Coríntios 3:16; 4:16 como sendo de Paulo em “Instituições de João Cassiano”, livro 9.3, p. 264
Marco de Eremita (após 430 d.C.)
Cirilo de Alexandria (444 d.C.)
Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.)
*Speculum* (século V)
Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)
Varimadum (445/480 d.C.)
Evidências de hereges e livros espúrios
Marcião faz referência a 1 Coríntios, segundo Tertuliano.
O gnóstico Ptolomeu referiu-se a 1 Coríntios 2:15, segundo Irineu.
O herege Prisciliano (c. 385 d.C.)
O herege donatista Ticônio (após 390 d.C.)
O herege Pelágio (416-418 d.C.)
O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)
Ainda dispomos de todos eles hoje.
3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de 1 Coríntios mostram que há pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo.
p. 11 1 Cor 1,17-23; 2,9-12, 14; 3,1-3, 5-6; 4,3-5,5, 7-8; 6,5-7, 11-18; 7,3-6, 10-14. Século VII. Coincide com o Sinaítico
Século VII – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 14 – 1 Coríntios 1:25-27; 2:6-8; 3:8-10, século V. Texto alexandrino.
Século V? – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
p. 15 (= Papiro de Oxirrinco 1009) 1 Coríntios 7:18-8:4 (final do século III). A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma imagem da p. 15 na p. 84. Segue a datação:
século III - 1968 - O Texto do Novo Testamento.
Século III – 1975 – Terceira Edição de Aland
Século III – 1998 – Quarta Edição Revisada de Aland
Final do século III (Philip Comfort e David P. Barrett em *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*, 1999.)
p. 34 — 1 Coríntios 16:4-7; 10; 2 Coríntios 5:18-21; 10:13-14; 11:2, 4, 6-7 (século VII) — texto alexandrino.
Século VII – 1968 – *The Text of the New Testament*.
p. 46 Chester Beatty II, 100-150 d.C. 1 Cor 1:1-9:2; 9:4-14:14; 14:16-15:15; 15:17-16:22 (99% ou 431/437 versículos) e outras partes das cartas de Paulo e de Hebreus. A obra *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento* apresenta uma fotografia de parte do p46 na p. 192. Além disso, nas pp. 197-198, afirma-se que a qualidade e as marcas estiquométricas indicam que este manuscrito foi redigido por um escriba profissional.
Primeira metade do século III – 1936 – Frederic G. Kenyon, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.
Século II, 200 d.C. – 1935 – Ulrich Wilken, de acordo com *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*.
200 d.C. – 1968 – *The Text of the New Testament*.
81-96 d.C. – 1988 – Young Kyu Kim, de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*.
Por volta de 200 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição.
Por volta de 200 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revisada.
Início a meados do século II – 1999 – O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento. Isso se baseia, em parte, na caligrafia muito semelhante à do Papiro Oxirrinco 8 (final do século I ou início do século II) e do Papiro Oxirrinco 2337 (final do século I).
p. 61 Romanos 16:23, 25-27; 1 Coríntios 1:1-2, 2-6; 5:1-3, 5-6, 9-13; Filipenses 3:5-9, 12-16; Colossenses 1:3-7, 9-13; 1 Tessalonicenses 1:2-3; Tito 3:1-5, 8-11, 14-15; Filemom 4-7. c. 700 d.C.
c. 700 d.C. – 1968 – O Texto do Novo Testamento.
Por volta de 700 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição.
Por volta de 700 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revisada.
Vaticanus [B] 325-350 d.C.
Sinaítico [Si] 340-350 d.C.
Copta bohairico [Boh] Séculos III/IV
Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV
Gótico [Goth] 493-555 d.C.
Alexandrino [A] c. 450 d.C.
Efraemiano Rescrito [C] século V
Consulte www.BibleQuery.org/1 Corinthians Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de 1 Coríntios.