Pergunta bíblica sobre o Êxodo


P: Em Êxodo, como sabemos que o Livro do Êxodo deve constar na Bíblia?

R: Entre outras razões, porque Jesus e tantos outros na Bíblia autentificaram o Antigo Testamento e se referiram a este livro da Torá como Escritura. Para um estudo mais aprofundado, consulte as perguntas no final desta secção sobre escritores judeus e cristãos primitivos que se referiram ao Êxodo. Consulte também as perguntas sobre Mateus 22:32 e Lucas 2:23.


P: Quais são alguns dos valores do Livro do Êxodo?

R: O Êxodo é um livro para ser lido e vivido, não apenas utilizado para aprender os seus factos. Embora tanto o Êxodo como o Deuteronómio apresentem os Dez Mandamentos, o Êxodo é único no que nos revela sobre as pragas e a libertação do Egito. Estas são mais do que meras histórias interessantes; revelam o caráter de Deus e a forma como Ele lida com o Seu povo. Deus não livra o Seu povo dos momentos difíceis, mas sim conduz-o através desses momentos difíceis. Deus utilizou meios naturais (as parteiras), meios naturais com uma intensidade sobrenatural (algumas das pragas), bem como meios sobrenaturais (a divisão do Mar Vermelho no momento certo) para libertar o Seu povo.

O Êxodo mostra como Deus se relaciona individualmente com Moisés e Arão, e até mesmo com o Faraó. Deus foi muito paciente com a incerteza de Moisés quanto à liderança, mas também se mostrou «severo» quando Moisés perdeu a paciência perante todos os israelitas.

As experiências do Êxodo foram fundamentais para definir a identidade de Israel como povo escolhido de Deus. Eles permaneceram unidos em tempos difíceis, viveram uma grande libertação e bênção, mas, acima de tudo, viram a obra de Deus nas suas vidas ao longo de tudo isso.

Sem o Êxodo, não teríamos qualquer noção sobre a Páscoa e perderíamos grande parte da tipologia da Última Ceia do Senhor. Assim como os israelitas foram poupados da destruição pelo sangue do cordeiro, também nós somos poupados da destruição pelo sangue do Cordeiro, que tira os pecados do mundo.


P: No Êxodo, quais são as várias formas de compreender o livro?

R: O Livro do Êxodo é profundo e pode ser compreendido e estudado a vários níveis diferentes.

1) Para além de reforçar a nossa fé de um modo geral, o livro do Êxodo esclarece alguns pequenos mistérios, tais como a razão pela qual havia tantos indícios semíticos no Egito e, posteriormente, estes desapareceram; por que razão Tutmés IV se tornou faraó, apesar de ter indicado que não era o primeiro na linha de sucessão; e quem eram os posteriores «Habiru em fúria» que destruíram algumas cidades cananeias mais tarde.

2) Trata-se de uma história precisa dos israelitas e de como se tornaram uma nação a partir de um clã.

3) É um livro sobre Deus, que revela o Seu caráter no que diz respeito à forma como Ele lida com a humanidade. Mostra como Ele combinou meios naturais e sobrenaturais para agir na história e lidar com o Seu povo e os seus opressores.

4) É um livro da lei, o que Deus ordenou que o Seu povo obedecesse.

5) Tal como o livro de Neemias, é um livro sobre liderança piedosa, sobre como um homem, com a ajuda de Deus, conseguiu derrotar um exército e liderar com sucesso tantas pessoas durante 47 anos.

6) É um livro para todo o povo de Deus, para que também nós possamos ser encorajados a acreditar que Deus nos libertará, que também nós possamos experimentar um encontro com Ele e que Deus possa estabelecer a Sua morada no tabernáculo dos nossos corações.

7) É um livro de modelos (Êxodo 25:40), de libertação, de encontro e de uma vida de adoração, e do que agrada e desagrada a Deus.


P: Em Êxodo, qual é o esboço do livro?

R: Uma vez que existem diferentes formas de abordar o livro de Êxodo, os diversos comentários apresentam esboços bastante distintos. Aqui fica um esboço geral.

I. Escravidão no Egito (Êxodo 1-14)

A. O caminho até ao Faraó (Êxodo 1-4)

1. A escravidão de Israel (Êxodo 1)

2. O perigo de Moisés (Êxodo 2)

3. O Chamado de Deus (Êx 3, 4)

B. A libertação – «Deixa o meu povo partir» (Êx 5-14)

1. Dois confrontos (Êx 5-7:13)

2. 1.ª praga – Sangue (Êxodo 7:14-25)

3. 2.ª praga – Rãs (Êxodo 8:1-15)

4. 3.ª praga – Piolhos (Êx 8,16-19)

5. 4.ª praga – Moscas (Êx 8:20-32)

6. 5.ª praga – Morte do gado (Êx 9:1-7)

7. 6.ª praga – Furúnculos (Êx 9:8-12)

8. Sétima praga – Granizo e fogo (Êx 9, 13-35)

9. 8.ª praga – Gafanhotos (Êxodo 10:1-20)

10. 9.ª praga – Trevas durante 3 dias (Êxodo 10:21-29)

11. 10.ª praga – Os primogénitos e a Páscoa (Êxodo 11:1-12:30)

12. A travessia do Mar Vermelho (Êx 12:31-14:31)

II. A vida no deserto (Êxodo 15-40)

A. Rumo ao Sinai: Uma viagem de confiança em Deus (Êxodo 15:1-18:27)

1. Cântico de Miriã — recordando a libertação de Deus (Êx 15:1-21)

2. Mara e Elim — será que Deus proverá nesta terra árida? (Êx 15:22-27)

3. O maná e as codornizes — será que Deus os alimentará neste lugar árido? (Êxodo 16)

4. Massá — falhar numa prova de fé (Êx 17, 1-7)

5. Os amalequitas — será que Deus protegerá? (Êx 17:8-15)

6. «Eu consigo fazer tudo sozinho» – mais atitudes a mudar (Êxodo 18)

B. Encontro com Deus no Sinai (Êx 19-24)

1. Experimentar Deus (Êx 19)

2. Os 10 Mandamentos, altares, proibição de ídolos (Êx 20)

3. Leis civis (Êx 21-23:10)

4. Sábados e festas (Êx 23:11-19)

5. A promessa de Deus pela obediência (Êx 23:20-33)

6. Ceia com Deus (Êxodo 24)

C. Adoração no Tabernáculo — Preparar-se para a presença de Deus entre vós

1. Aprofundar a nossa compreensão

a. Os materiais — oferendas a Deus (Êx 25:1-9)

b. A arca – o local onde se encontrar com Deus (Êx 25:10-22)

c. A presença de Deus à mesa (Êxodo 25:23-30)

d. O candelabro — a luz de Deus nas nossas vidas (Êx 25:31-40)

e. O Tabernáculo — intimidade pessoal com Deus (Êxodo 26)

f. O altar do holocausto — entregar coisas a Deus (Êx 27:1-8)

g. Pátio do Tabernáculo – reunir-se em conjunto para Deus (Êx 27:9-19)

h. Nunca deixe que a sua adoração fique sem óleo (Êx 27:20-21)

2. Aperfeiçoar-se

a. As vestes dos sacerdotes de Deus (Êx 28)

b. Consagração dos sacerdotes de Deus (Êx 29)

3. O que os sacerdotes fazem

a. O altar do incenso – as vossas orações são perfumadas? (Êx 30, 1-10)

b. Nunca se esqueçam de que fomos comprados por um preço (Êx 30:11-16)

c. Lavatórios – a nossa necessidade de nos lavarmos diariamente (Êx 30:17-21)

d. Óleo da unção (Êx 30:22-33)

e. Incenso (Êx 30, 34-38)

f. Artistas (Êx 31:1-11)

g. O sinal da observância do sábado (Êx 31:12-18)

D. Rebelião, arrependimento e restauração (Êx 32-33)

1. O bezerro de ouro – como é que eles puderam? E nós, poderíamos? (Êx 32)

2. Restauração – será que conseguimos? (Êx 33)

3. Obediência e novo encontro (Êxodo 34)

E. Retomando o culto no Tabernáculo após o arrependimento (Êx 35, 1-39, 43)

F. Deus entre vós – como está montado o vosso Tabernáculo? (Êx 40)

1. A preparação para a vinda de Deus (Êxodo 40:1-33)

2. Deus a entrar em glória (Êxodo 40:34-38)


P: Em Êxodo, quem foi o primeiro a responder a perguntas sobre o livro de Êxodo?

R: Tanto quanto sei, a primeira pessoa a escrever respostas às perguntas sobre o Êxodo foi Filão, um judeu helenístico de Alexandria, que viveu aproximadamente entre 20 a.C. e 50 d.C. Infelizmente, apenas alguns fragmentos da sua obra sobre o Êxodo sobreviveram até aos dias de hoje.


P: Em Êxodo 1, como é que pôde haver tantas pessoas em 430 anos?

R: Para a resposta, consulte a discussão sobre Números 1.


P: Em Êxodo 1, por que razão um Deus amoroso permitiria que os hebreus fossem escravos durante 400 anos?

R: A vida de uma pessoa, ou mesmo 400 anos, é apenas um breve instante quando comparada com a vida eterna no Céu. Deus permite que o Seu povo sofra na Terra, mesmo que se trate de sofrimento injusto, porque esta é apenas uma fase temporária, e Deus irá recompensar-nos no Céu.

No entanto, não só Deus permitiu isto, como, na verdade, isto pode ter sido uma grande bênção para os israelitas. Houve muitas batalhas em Canaã durante este período: eis algumas delas:

1500 a.C.

O Egito destrói Debir, Hazor, Jericó e outras cidades na Palestina

1485 a.C.

Tutmés III do Egito conquista Arvad, na Fenícia

1483-1437 a.C.

Tutmés III do Egito: 17 campanhas — Napoleão do Egito

1483/1468 a.C.

Em Megido, Tutmés III derrota os cananeus

c. 1454 a.C.

Qadesh revolta-se contra o Egito

Por serem escravos no Egito e pastores que os egípcios detestavam, os israelitas não seriam assimilados pelos egípcios. O livro «735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas», na página 49, expressa-o bem: «Muitas vezes, as coisas que parecem mais dolorosas nas nossas vidas são bênçãos de Deus disfarçadas, reconhecidas como tal apenas quando o passar do tempo revela o propósito que Deus tinha em mente.»


P: Em Êxodo 1:7-8, que idade tinha Miriam?

R: Não sabemos, mas aparentemente tinha idade suficiente para cuidar do bebé, mas era demasiado jovem para ter de trabalhar. Talvez fosse 8 a 12 anos mais velha do que Moisés.


P: Em Êxodo 1:8, do ponto de vista arqueológico, qual era o papel dos governantes hicsos?

R: Os hicsos eram um povo do Médio Oriente que conquistou o Egito graças às suas carruagens superiores, entre 1760 e 1640 a.C. Governaram o Egito durante algum tempo e foram gradualmente expulsos entre 1573/55 e 1540 a.C. Quando Jacó e a sua família emigraram para o Egito, os egípcios no poder eram anteriores aos hicsos, com base em Génesis 46:34 e 43:32.

Génesis 46:34 afirma que os egípcios não se associavam a pastores, e os hicsos eram chamados de «reis pastores».

Génesis 43:32 afirma que estes egípcios não comiam com os hebreus [asiáticos].

Assim, se os hicsos não podiam ser os governantes egípcios quando a família de Jacob chegou ao Egito, o «novo Faraó» suspeitaria daqueles que ocupavam cargos elevados sob o Faraó anterior. Além disso, quando os hicsos foram expulsos, os egípcios nativos poderiam ainda suspeitar de asiáticos não egípcios, tais como os hebreus.


P: Em Êxodo 1:8-10, resumidamente, é verdade que não há provas arqueológicas que sustentem que os israelitas tenham estado no Egito, tal como afirmou um ateu (Capella)?

R: Não, existem provas abundantes. Não só há referências aos «Habiru», como o Papiro Brooklyn 35.1446 apresenta muitos exemplos de asiáticos a quem foram atribuídos nomes egípcios. Alguns desses asiáticos pertencem às tribos de Issacar e de Aser. Consulte também a próxima pergunta para obter uma resposta mais pormenorizada, bem como a discussão sobre Êxodo 11:5-12:30 para mais informações.


P: Em Êxodo 1:8-10, algum escritor pagão pré-cristão mencionou Moisés?

R: Por um lado, Orígenes (225-254 d.C.) afirma que nenhum o fez na sua «Comentário sobre o Cântico dos Cânticos», primeira homilia, p. 273, e a nota de rodapé n.º 37 do tradutor reflete esta afirmação. («Escritores Cristãos Antigos», vol. 26.) No entanto, Júlio Africano (235-245 d.C.) afirma o contrário. Ele escreve: «Polemo, por exemplo, no primeiro livro da sua História Grega, diz: “No tempo de Ápio, filho de Foroneu, uma divisão do exército dos egípcios partiu do Egito e estabeleceu-se na Palestina chamada Síria, não muito longe da Arábia: estes são, evidentemente, aqueles que estavam com Moisés.” E Apion, filho de Poseidónio, o mais diligente dos gramáticos, no seu livro Contra os Judeus e no quarto livro da sua História, afirma que, no tempo de Inaco, rei de Argos, quando Amósis reinava sobre o Egito, os judeus se revoltaram sob a liderança de Moisés. E Heródoto também faz menção a esta revolta e a Amósis, no seu segundo livro, e, de certa forma, também aos próprios judeus, contando-os entre os circuncidados e chamando-lhes «assírios da Palestina», talvez por causa de Abraão. E Ptolomeu, o de Mendes, que narra a história dos egípcios desde os tempos mais remotos, apresenta o mesmo relato de todas estas coisas; de modo que, entre eles, em geral, não há diferença digna de nota na cronologia.» Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, Júlio Africano, fragmento 13, p. 124.


P: Em Êxodo 1:8-10, para além da Bíblia, existe alguma evidência de que os israelitas tenham sido escravizados no Egito ou de que tenham saído do Egito?

R: Alguns «estudiosos» críticos ainda acreditam na teoria ultrapassada de que não havia provas de que os israelitas tivessem estado no Egito ou de que tivessem saído de lá. Talvez devessem ler «a escrita na parede». Uma pintura na parede do túmulo de Khnumhotep (1892 a.C.) em Beni Hasan, no Egito, mostra 37 «asiáticos», ou seja, pessoas não egípcias provenientes do Médio Oriente. Tinham cabelo preto, barbas pontiagudas, longas capas multicoloridas, arcos e varas de arremesso.

Estudiosos cristãos que escreveram no *Wycliffe Dictionary of Biblical Archaeology*, no *The Expositor’s Bible Commentary* e noutros livros reuniram uma grande quantidade de provas de que os israelitas estiveram no Egito. Não só os estudiosos cristãos ensinam que os israelitas estiveram no Egito entre cerca de 1875 e 1445 a.C., como também um arqueólogo secular, David M. Rohl, no seu livro «Pharaohs and Kings: A Biblical Quest» (Crown Publishers, 1995), documenta evidências que são consistentes com a saída dos israelitas do Egito. Aqui está uma lista dos «dez principais» factos que apoiam a saída dos israelitas do Egito.

10. Esqueletos de ovelhas asiáticas de pêlo comprido revelaram que estas surgiram pela primeira vez na região do Delta do Egito por volta da época de José (1900-1800 a.C.). O nome egípcio de José, «Zaphenath-Paneah», era provavelmente «Zat-en-aph» (aquele que é chamado) e «Ipiankhu» (Ipu está vivo). O nome Ipiankhu e as suas variações eram comuns na época de José, mas não eram muito comuns antes nem depois. Muitos outros nomes hebraicos encontram-se num papiro egípcio no Museu de Brooklyn (35.1446). Sob o reinado do Faraó Sobekhotep III (aproximadamente 1540 a.C.), um grande número de escravos foi transferido para a região de Tebas. Dos 95 nomes, mais de 50% pertenciam a asiáticos, e os seus nomes egípcios foram indicados ao lado deles. Muitos dos nomes egípcios têm «aquele/aquela a quem se chama» como primeira parte do nome. Algumas destas pessoas foram registadas como sendo especificamente das tribos de Issacar e Aser.

Além disso, alguns nomes hebraicos são Menahem e Shiphrah. No entanto, isto ocorreu 100 anos antes da Shiphrah mencionada em Êxodo 1. Walter Kaiser, em *A History of Israel*, p. 84, e em *The Expositor’s Bible Commentary*, volume 2, p. 307, refere que, no que diz respeito a dois nomes semíticos, Shiphrah provavelmente deriva de *Sp-ra* (a bela), e o nome Puah provavelmente deriva da palavra ugarítica «Pgt», que significa «rapariga» ou «a esplêndida».

Além disso, o Papiro de Leiden 348 dá ordem para «distribuir rações de cereais aos soldados e aos “Apiru” que transportam pedras para o grande pilão de Ramsés». Os “Apiru” eram provavelmente os hebreus.

9. Um segundo no comando não egípcio fazia todo o sentido. Se José tivesse tentado rebelar-se, os egípcios não o teriam seguido. Está registado que cananeus, tais como Meri-Ra e Ben-Mat-Ana, ocupavam cargos elevados na corte egípcia. Um semita chamado Yanhamu era um adjunto de Amenhotep III, baseado em Gaza.

8. Foram utilizados tijolos para construir algumas cidades egípcias, como Pithom. Em Pithom, foram encontrados tijolos feitos com palha no nível mais baixo. No nível intermédio, os tijolos continham apenas restolho. No nível superior, os arqueólogos descobriram que os tijolos eram feitos sem qualquer aglutinante. O túmulo de um nobre egípcio chamado Rekhmere / Rek-mi-Re, em Tebas, no século XV a.C., apresenta uma pintura de escravos a fabricar tijolos.

7. Havia indícios de um grande desastre, com um grande número de corpos enterrados à pressa. No entanto, o elevado número de mortes não prova nem refuta que tal se tenha devido a um acontecimento repentino ocorrido da noite para o dia.

Além disso, Tácito, no livro 5 das «Histórias», enumera várias especulações sobre a origem dos judeus — se seriam de Creta, do Egito, da Etiópia ou se seriam assírios — e, em seguida, relata uma história interessante. «A maioria dos escritores, no entanto, concorda em afirmar que, quando uma doença que desfigurava horrivelmente o corpo surgiu no Egito, o rei Bocchoris, em busca de um remédio, consultou o oráculo de Hammon e recebeu a ordem de purificar o seu reino e de transportar para alguma terra estrangeira esta raça detestada pelos deuses. O povo, que tinha sido reunido após uma busca diligente, ao ver-se abandonado num deserto, permaneceu, na sua maioria, num estado de estupor causado pela dor, até que um dos exilados, chamado Moisés, os advertiu para que não procurassem qualquer alívio junto de Deus ou dos homens, uma vez que tinham sido abandonados por ambos, mas que confiasem em si próprios, tomando como seu líder enviado pelo céu aquele homem que primeiro os ajudasse a livrar-se da miséria presente… Moisés, desejando assegurar para o futuro a sua autoridade sobre a nação, deu-lhes uma forma inovadora de culto, oposta a tudo o que é praticado por outros homens. … Matam o carneiro, aparentemente em escárnio a Hamon, e sacrificam o boi, porque os egípcios o veneram como Ápis.» (citado de *Os Anais e As Histórias*, de P. Cornélio Tácito, Encyclopedia Britannica, Inc., 1952.)

6. Um texto egípcio datado por volta de 1350 a.C. descreveu um estranho acontecimento anterior: «O sol está coberto e não brilha aos olhos dos homens. A vida já não é possível quando o sol se esconde por trás das nuvens. Rá [o deus] desviou o seu rosto da humanidade. Se ao menos brilhasse, nem que fosse por uma hora! Ninguém sabe quando é meio-dia. A sombra de cada um não é discernível. O sol nos céus assemelha-se à lua….” Isto poderá referir-se à escuridão que se abateu sobre a terra. Provavelmente não se refere à erupção do vulcão na ilha de Thera, pois essa ocorreu cerca de 200 anos antes. (Esta informação provém do Papiro de Ipuwer).

5. O Faraó Tutmés IV aparentemente não era o filho primogénito. Na Estela do Sonho de Tutmés IV (1421-1410 a.C.), encontrada entre as patas dianteiras da Esfinge de Gizé, o deus Harmakhis prometeu a Tutmés ajuda especial para se tornar o próximo Faraó, em troca da remoção da areia que se tinha acumulado junto à Esfinge. Provavelmente não teria precisado de ajuda especial se fosse o primeiro na linha de sucessão do seu pai, Amenhotep II (1450/1447-1401/1385). Walter Kaiser, na obra *A History of Israel*, p. 90, afirma que o irmão mais velho de Tutmés IV se chamava Webensenu. Webensenu recebeu um enterro na tumba real e foi provavelmente ele quem morreu durante a décima praga. O segundo filho de Amenhotep II foi Khaemwaset, que se casou antes de morrer. Como afirma Kaiser: «Assim, embora a Estela da Esfinge não possa ser considerada uma prova direta da morte do primogénito, os egiptólogos revelaram evidências suficientes para sustentar a data precoce do Êxodo e o facto de que, de facto, Tutmés IV não esperava suceder ao seu pai no trono.»

4. Inscrições mistas em egípcio e hebraico em cavernas perto do Monte Sinai descrevem a divisão do mar, Moisés e a captura das codornizes. Mas o mais interessante é que a língua era uma mistura de egípcio e hebraico. O historiador Diodoro Sículo (10 a.C.) também tinha conhecimento disto. Além disso, na entrada das minas de cobre no Sinai encontram-se centenas de inscrições. A maioria delas está escrita em hieróglifos egípcios, mas cerca de 40 inscrições estão numa espécie de escrita alfabética proto-sinaítica do século XV a.C. No entanto, esta evidência é «discutível», porque não há forma de datar quando estas inscrições foram feitas.

3. As forças militares egípcias, que até então tinham controlado Canaã, estavam estranhamente ausentes. Não se volta a ouvir falar muito das forças militares egípcias até à época do Faraó Seti I, que destruiu Hazor em 1300 a.C.

2. Em Jericó, Bryant G. Wood encontrou muralhas robustas, grandes quantidades de cereais (o que sugere um cerco de curta duração) e nenhum sinal de pilhagem (uma vez que os cereais ainda se encontravam no local). John Garstang foi o primeiro a descobrir cereais carbonizados em abundância. O livro *Hard Sayings of the Bible*, pp. 182-183, menciona algumas evidências de um terramoto de magnitude 8 na escala de Richter, o que poderia ter deixado fissuras nas muralhas. As muralhas interiores de tijolos de barro ruíram sobre a muralha exterior de pedra, formando uma rampa conveniente. Quando é que esta conquista teve lugar? A cerâmica proveniente de Chipre indica uma data entre 1450 e 1400 a.C. Os amuletos egípcios apresentam inscrições com o nome do faraó da época, até ao tempo de Josué. No início do século XX, John Garstang tinha datado erroneamente as muralhas de Jericó como pertencentes à época de Josué, mas Kathleen Kenyon provou que Garstang estava errado, de acordo com o Wycliffe Bible Dictionary, p. 575. A datação por carbono 14 situa a destruição em 1410 a.C., com uma margem de erro de +/- 40 anos.

1. No que diz respeito à destruição das cidades em Canaã, Josué refere apenas que as seguintes cidades foram destruídas: Debir, Eglon, Hazor, Hebrom, Jericó, Laquis, Libna, Maqueda e Ai. Os arqueólogos descobriram que, naquela época, as seguintes cidades foram destruídas: Arad, Debir, Hazor, o sítio de el-Khalil (Hebrom?), Jericó e Laquis. O sítio de Beitin (Betel?), a cidade de Gibeão e o sítio de Khirbet Nisya foram abandonados. Talvez a pequena cidade de Ai tenha sido destruída de forma tão completa que o sítio nunca venha a ser encontrado. Quem destruiu estas cidades? As tabuinhas de Tell el-Amarna dizem-no claramente. As cartas de Tell el-Amarna foram escritas a partir de Canaã ao Faraó egípcio por volta de 1500-1370 a.C. Mencionam os temidos «Habiru a causar o caos». Curiosamente, mencionam também um rei Lab’ayu de Siquém [uma cidade gibeonita], que era um traidor por se ter aliado aos invasores habiru. Mais tarde, a estela do Faraó Merenpta/Merneptah (1229/1225 a.C.) menciona igualmente um povo chamado Israel no norte de Canaã.

Além disso, a revista «Biblical Archaeology Review», vol. 7 (setembro-outubro de 1981), afirma que existem vestígios sírio-palestinianos perto de Qantir, no Egito, datados de 1700-1500 a.C.

Para além disso, Júlio Africano (que escreveu entre 235 e 245 d.C.) menciona historiadores gregos antigos que escreveram sobre o Êxodo. «Polemo, por exemplo, no primeiro livro da sua História Grega, afirma: “Na época de Ápio, filho de Foroneu, uma divisão do exército dos egípcios partiu do Egito e estabeleceu-se na Palestina chamada síria, não muito longe da Arábia: estes são, evidentemente, aqueles que acompanharam Moisés.” E Apion, filho de Poseidónio, o mais diligente dos gramáticos, no seu livro Contra os Judeus e no quarto livro da sua História, afirma que, na época de Inaco, rei de Argos, quando Amosis reinava sobre o Egito, os judeus se revoltaram sob a liderança de Moisés. E Heródoto também faz menção a esta revolta e a Amósis, no seu segundo livro, e, de certa forma, também aos próprios judeus, contando-os entre os circuncidados e chamando-lhes «assírios da Palestina», talvez por causa de Abraão. E Ptolomeu, o de Mendes, que narra a história dos egípcios desde os tempos mais remotos, apresenta o mesmo relato de todas estas coisas; de modo que, entre eles, em geral, não há diferença digna de nota na cronologia.» Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, Júlio Africano, fragmento 13, p. 124.

Esta não é a primeira vez que «estudiosos» críticos ignoraram a arqueologia. Por exemplo, os arqueólogos descobriram os hititas em 1892. No entanto, alguns estudiosos ainda duvidavam da sua existência dez anos mais tarde (1902, E.A.W. Budge).

Conclusão: É difícil nadar contra a corrente, quando esta teoria cética se afoga num mar de factos. Assim, a arqueologia atual indica que o relato bíblico demonstra a fiabilidade da Bíblia. Uma vez que a Bíblia é precisa na representação de tantos pequenos detalhes, talvez devêssemos considerá-la precisa naquilo que ela própria afirma ser: a comunicação de Deus para connosco.

Outras fontes de informação arqueológica interessante sobre os israelitas no Egito são: *Can Archaeology Prove the Old Testament?*, de Ralph O. Muncaster, *Encyclopedia Britannica*, *Encyclopedia of Bible Difficulties*, de Gleason Archer (Zondervan), *Evidence for Faith*, de John Warwick Montgomery, *The New International Dictionary of the Bible*, de J.D. Douglas e Merrill C. Tenney, *735 Baffling Bible Questions Answered*, p. 53, *The New Evidence That Demands a Verdict*, de Josh McDowell, e *The Biblical Archaeology Review*.

Veja também um vídeo interessante sobre a datação do Êxodo: https://www.youtube.com/watch?v=2JusQxiTXnE.


P: Em Êxodo 1:8-10, é verdade que «está bem estabelecido que os egípcios construíram todas as suas próprias cidades e monumentos», como afirmou um ateu (Capella)?

R: De modo algum. Consulte a pergunta anterior para obter a resposta.


P: Em Êxodo 1:8-10, por que razão Deus permitiu que o Seu povo fosse oprimido?

R: Deus, por vezes, permite que o Seu povo seja oprimido por diversas razões: disciplina (Juízes), para separar aqueles que não queriam segui-Lo, como no caso do exílio, etc. Mas, neste caso, embora a Bíblia não o diga explicitamente, podemos especular.

Imagine que o povo era composto por pedreiros bem remunerados e bem tratados, quando Moisés surgiu a dizer que Deus os libertaria. Por que razão iriam querer seguir Moisés, se o Faraó tinha sido tão benevolente para com eles? Apesar de a liberdade na terra prometida ser melhor, muitos deles não iriam querer abandonar o conforto. Imagine alguns deles, enquanto faziam as malas para partir, a questionarem-se como poderiam sobreviver a uma vida difícil no deserto, quando só tinham conhecido uma vida de conforto. Imagine-os a ter de confiar em Deus até para a própria água e comida, quando não havia nada no deserto, quando tinham vivido tão confortavelmente que não precisavam de confiar em Deus para nada. Assim, podemos ver, pelo menos, algumas razões pelas quais Deus lhes permitiu passar por estas dificuldades.

Mesmo assim, algumas pessoas continuaram a queixar-se no deserto, outras queriam regressar ao Egito e outras ainda contestaram a autoridade de Moisés.

Podemos não gostar de ouvir isto, mas, por vezes, Deus tem de nos colocar numa situação de desconforto antes de nos levantarmos, agirmos e fazermos o que Deus quer que façamos.


P: Em Êxodo 1:11, o que sabemos, para além da Bíblia, sobre os senhores de escravos egípcios?

R: O termo egípcio «ser» aparece numa pintura mural no túmulo tebano de Rekhmire, que era o supervisor da fabricação de tijolos para Tutmés III. O mural mostra senhores de escravos com chicotes pesados. O hieróglifo egípcio é interessante: a cabeça e o pescoço de uma girafa.

Uma pintura mural em Abd-el-Gurnah mostra a construção do templo de Amon em Karnak com escravos de aparência semítica. Um capataz supervisiona-os com esta inscrição: «O capataz diz aos seus trabalhadores: a vara está na minha mão; não fiquem ociosos.» Curiosamente, em Êxodo 5:17, os israelitas são especificamente acusados de «ficarem ociosos».


P: Em Êxodo 1:11, onde se localizavam as duas cidades de Pitom e Ramsés?

R: Pithom (casa do [deus] Atum) situa-se no wadi Tumilat, a leste do Delta do Nilo. Trata-se quer das ruínas de Tell er-Rababeh, quer de Tell el-Maskhuta, 8-9 milhas a leste. Em Tell el-Maskhuta foram encontrados tijolos fabricados sem palha. A Septuaginta acrescenta que esta é a mesma cidade que «On» ou Heliópolis.

Antigamente, pensava-se que a cidade de Ramsés se situava em Tanis/Zoã. No entanto, atualmente acredita-se que se localize perto de Qantir, de acordo com Hans Goedicke na revista Biblical Archaeology Review, vol. 7 (setembro-outubro de 1981). Existem vestígios sírio-palestinianos datados de 1700-1500 a.C.


P: Em Êxodo 1:11, de onde provém o termo «Faraó»?

R: O significado das palavras muda, por vezes, com o passar do tempo. Entre 2500 e 2000 a.C., «Faraó» significava originalmente «grande casa» (palácio), mas passou gradualmente a designar o rei do Egito que ali residia.


P: Em Êxodo 1:15, como é que duas parteiras hebraicas conseguiam cuidar de tantos partos hebraicos?

R: É óbvio que não assistiram a todos os partos, mas supervisionavam outras pessoas. A sociedade egípcia era regulada por supervisores de diferentes ofícios.


P: Em Êxodo 1:15-19, existe alguma evidência, para além da Bíblia, dos nomes Shiphrah e Puah?

R: Não tenho conhecimento de qualquer evidência do nome Puá. No entanto, um papiro egípcio no Museu de Brooklyn (35.1446), datado aproximadamente de 1540 a.C., menciona uma Shiphrah. Esta Shiphrah viveu mais de um século antes da Shiphrah mencionada no Êxodo.


P: Em Êxodo 1:16-19, como é que Deus pôde abençoar as parteiras hebraicas Shiphrah e Puah por terem mentido ao Faraó?

R: Os cristãos divergem quanto à resposta.

1. Muitos afirmam que Deus abençoou a sua fé por terem defendido o que era certo e perdoou-lhes a mentira que cometeram para o fazer. Além disso, os Dez Mandamentos ainda não tinham sido dados.

2. Outros afirmam que os crentes não devem dizer a verdade em situações de vida ou morte a pessoas más que não a merecem.

3. Shiphrah e Puah não podiam, pessoalmente, ajudar no parto de todos aqueles bebés: é mais provável que supervisionassem um «exército» de parteiras que realizava o trabalho. As parteiras sob a sua supervisão podem ter mentido ou chegado deliberadamente atrasadas.


P: Em Êxodo 1:16, não era irracional que o Faraó quisesse matar os israelitas, uma vez que eram bons escravos?

R: Havia provavelmente cerca de 4,1 milhões de egípcios (+/- um milhão). Tendo em conta que a taxa de natalidade dos israelitas era superior à dos egípcios, a sua população poderia rondar os 2 milhões, pelo que o Faraó ficou alarmado.

Como nota à parte, embora o Faraó tenha ordenado que se matassem todos os meninos hebreus, Deus, ironicamente, fez com que um deles crescesse na sua própria casa.


P: Em Êxodo 1:16, por que razão o Faraó quis matar os meninos hebreus em vez das meninas na época em que Moisés nasceu? Seria de esperar que fosse o contrário, uma vez que os homens/meninos nascidos anteriormente poderiam engravidar várias mulheres durante o mesmo período, causando um aumento ainda maior da população. Ou por que razão não matou ambos os sexos?

R: As Escrituras não explicam por que razão o Faraó fez esta escolha. No entanto, podemos identificar várias razões possíveis.
1) Os egípcios poderiam recear que os rapazes, ao crescerem, se tornassem soldados e se rebelassem. Os egípcios não temiam tanto as mulheres.

2) As meninas continuariam a ser trabalhadoras bastante úteis, uma vez que o Egito era um grande exportador de tecidos, e elas poderiam ser tecelãs.

3) As meninas poderiam tornar-se esposas ou concubinas dos homens egípcios e ter filhos que fossem criados como egípcios.


P: Em Êxodo 1:16, por que razão Moisés corria o risco de ser morto pelo Faraó, uma vez que o seu irmão mais velho, Arão, aparentemente não corria tal risco?

R: De acordo com Walter Kaiser, em *A History of Israel*, p. 89, se Moisés tivesse nascido em 1526 (80 anos antes do Êxodo), teria nascido no primeiro ano do reinado de Tutmés I (1526-1512 a.C.), e este foi, aparentemente, o Faraó que promulgou aquele decreto.

Como nota à parte, o Faraó que quis matar Moisés após este ter matado o egípcio foi provavelmente Tutmés III (1504-1450 a.C.). Nenhum outro Faraó viveu o tempo suficiente, e ou o relato em Êxodo é preciso, ou ter-se-ia de dizer que foi uma «grande coincidência» que o único Faraó que viveu o tempo suficiente tenha reinado precisamente na altura certa para se encaixar.


P: Em Êxodo 1:17, os crentes devem temer a Deus?

R: Sim. Consulte a segunda parte da resposta relativa a Êxodo 9:30.


P: Em Êxodo 2:1, até que ponto a história de Moisés na cesta é semelhante à história de Sargão?

R: Segundo a lenda, Sargão de Akkad (c. 2355-2279 a.C.) foi colocado numa cesta de juncos revestida com piche e deixada a flutuar num rio. Akki, o jardineiro, resgatou-o e criou-o como se fosse seu filho. No entanto, a mãe de Moisés agiu assim devido a uma lei do rei, e não o abandonou, tendo enviado Miriam para cuidar dele.


P: Em Êxodo 2:2, 3, o que há de invulgar nas palavras hebraicas aqui utilizadas?

R: Em Êxodo 2:2, o adjetivo em «criança bonita/saudável» é a mesma palavra hebraica para «bom» que se encontra em Génesis 1. Em Êxodo 2:3, a palavra hebraica para «cesto» é a mesma utilizada para a arca de Noé. A palavra hebraica para «juncos» (sem vogais) é a mesma do Mar Vermelho/Mar dos Juncos que Moisés e os israelitas atravessaram.


P: Em Êxodo 2:3, se Deus amava Moisés, por que permitiu que ele corresse um perigo tão grande de se afogar, de ficar exposto às intempéries e de ser atacado por crocodilos?

R: Deus vê tudo, e é certo que Ele não vê algumas coisas da mesma forma que nós. Deus Todo-Poderoso era suficientemente poderoso para garantir que Moisés estivesse a salvo. Mesmo que estejamos no meio da mais terrível inundação, o lugar mais seguro onde se pode estar é no centro da vontade de Deus.

Estou certo de que essa experiência reforçou em Moisés a convicção de que ele fora salvo para uma missão especial. Outros puderam perceber que, assim como Deus conseguiu preservar Moisés, Deus também os poderia preservar.


P: Em Êxodo 2:5, por que razão a filha do Faraó desejaria banhar-se no Nilo, e o que dizer dos crocodilos?

R: Hoje em dia, não se encontram crocodilos a norte de Assuã, mas, na antiguidade, estes chegavam até Mênfis. A princesa desejaria banhar-se na região do Delta, a norte (onde viviam os hebreus), para se livrar dos crocodilos. É provável que a filha do Faraó se banhasse num pequeno afluente, e não necessariamente no curso principal do Nilo. Além disso, este banho destinava-se mais provavelmente à purificação ritual do que apenas à higiene pessoal.


P: Em Êxodo 2:7-10, sabemos alguma coisa fora da Bíblia sobre a filha do Faraó?

R: É possível, pois poderá ter-se tratado da rainha Hatshepsut. Moisés tinha 80 anos quando o Êxodo teve início, e este ocorreu por volta de 1447 a.C., com uma margem de erro de 4 a 5 anos. Isso faria do faraó Tutmés III (1504-1450 a.C.) aquele que oprimiu os israelitas. As andanças do Êxodo ocorreram principalmente sob o reinado do seu filho, Amenhotep II (c. 1445-1425 a.C.). A propósito, na Estela do Sonho de Tutmés IV, a Esfinge aparece-lhe num sonho, dizendo-lhe que ele seria o próximo Faraó, apesar de não ser o primogénito. De qualquer forma, 80 anos antes de 1447 a.C. corresponde a 1527 a.C. A rainha Hatshepsut, filha do faraó Tutmés I, governou como regente enquanto Tutmés III ainda era criança (1504-1482 a.C.). Portanto, não é certo que a filha do Faraó aqui referida fosse a rainha Hatshepsut, uma vez que o Faraó tinha, sem dúvida, outras filhas também, mas poderia ser ela. No entanto, se fosse ela, foi, por um breve período, a segunda pessoa mais poderosa do Egito.


P: Em Êxodo 2:10, o nome Moisés é egípcio ou hebraico?

R: O nome Moisés é invulgar porque é ambas as coisas. Em hebraico, o nome Mosheh deriva de masah, que significa «tirar para fora». Em egípcio, o verbo ms/mes significa «tirado para fora, nascido» ou «(tal e tal deus) nasceu». Gramaticalmente, trata-se da forma perfeita antiga egípcia. «ms» é uma terminação comum em Ptahmose, Thutmose, Ahmose e Ramose. O Dicionário Bíblico de Unger afirma que o nome egípcio «ms’» pode significar «uma criança ou um filho».


P: Em Êxodo 2:14,15, como é que Moisés saiu do Egito temendo a ira do rei, uma vez que, em Hebreus 11:27, Moisés saiu do Egito sem temer a ira do rei?

R: Em Êxodo 2:14,15, quando tinha 40 anos, Moisés saiu do Egito pela primeira vez temendo a ira do rei. Em Êxodo 13-14, quando tinha 80 anos, Moisés saiu do Egito pela segunda vez sem temer a ira do rei, e Hebreus 11:27 descreve essa segunda ocasião. Moisés regressou uma segunda vez para enfrentar o seu medo, mas, desta vez, sabia que tinha uma missão a cumprir e que Deus o protegeria.

Para nós, se fugirmos com medo de uma provação da nossa fé, por vezes Deus faz com que voltemos mais tarde e enfrentemos o mesmo tipo de provação.


P: Em Êxodo 2:18, como é que o sogro de Moisés se chamava Reuel, uma vez que era Jetro em Êxodo 3:1 e 4:18?

R: O meu próprio sogro tinha dois nomes sem relação entre si (em chinês e em inglês), pelo que não considero que isto seja invulgar. Provavelmente isto não era considerado invulgar por Abrão/Abraão, Sarai/Sara, Jacó/Israel, Ben-Oni/Benjamim, Zafenate-Paneá/José, Oséias/Josué, Gideão/Jerubaal, Amiel/Eliam, Bate-Seba/Bate-Shua, Azarias/Uzias, Abijão/Abias, Jeoacaz, filho de Josias/Salum, Eliakim/Jeoiaquim, Jeoiaquim/Jeconias/Conias, Zedequias/Matanias, Hananias/Sadraque, Misael/Mesac, Azarias/Abed-Nego, Daniel/Beltessazar, Simão/Pedro, José/Barnabé, Silas/Silvano e Saulo/Paulo.

Era frequente as pessoas terem nomes diferentes em línguas diferentes e, aparentemente, adquirir posteriormente outro nome na mesma língua também era bastante comum, como Gideão/Jerubaal e Oséias/Josué poderiam confirmar. Uma hipótese é que isto seja mais comum em culturas que não possuem apelidos. Neste caso, Walter Kaiser, na obra *A History of Israel*, p. 92, referindo-se ao *Ugaritic Textbook* de Cyrus H. Gordon (1965), afirma que o nome Jethro (assim como Hobab) se encontra na língua ugarítica. Re’u’el significa «amigo ou pastor de Deus».

Noutras culturas, era igualmente comum a existência de nomes múltiplos. No Egito, Osíris, Wennofer e Khent-amentiu eram todos nomes do mesmo ídolo. Sebek-khu e Djaa eram a mesma pessoa. Na Mesopotâmia, Ahiqar é a mesma pessoa que Aba’enlil-dari, e Tiglate-Pileser é Pul. As leis de Lipit-Ishtar referem-se ao mesmo deus como Enlil e Nunamnir, e as Leis de Hamurabi mencionam Inana/Ishtar/Telitum e Nintu/Mama. O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 313, afirma que os nomes duplos para a mesma pessoa são também bem conhecidos a partir de fontes do sul da Arábia. Para além de apresentar estes exemplos, Kenneth Kitchen, na obra «Ancient Orient and Old Testament» (IVP, 1966), pp. 121-124, refere que os nomes duplos eram comuns em Canaã, na Antiga Arábia do Sul, entre os hurritas e os hititas.

Josefo apresentou uma explicação alternativa. Ele especulou que «Reuel» era o seu nome e «Jethro» o seu título.


P: Em Êxodo 2:21-22, por que razão devemos admirar Moisés, que [supostamente] teve um filho ilegítimo?

R: As Escrituras nunca afirmaram que Moisés tivesse um filho ilegítimo. Quando Êxodo 2:21 diz que Reuel deu a Moisés a sua filha Zípora, ele deu-a a Moisés como sua esposa. Como prova disso, Êxodo 4:20 refere-se a Zípora como sua esposa e, em Êxodo 4:25, Zípora, a sua esposa, refere-se a Moisés como o seu «noivo de sangue».

No entanto, é um estudo interessante do ponto de vista da psicologia observar até que ponto algumas pessoas interpretam certas passagens das Escrituras (tais como Êxodo 2:21-22), ignorando passagens relacionadas (Êxodo 4:20, 25), com o objetivo de tentar encontrar alguma acusação contra Deus e a Sua Bíblia.


P: Em Êxodo 2:23-25, por que razão Deus esperou até Moisés ter 80 anos para libertar os israelitas?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos encontrar nelas indícios de algumas razões possíveis.

Moisés era, aparentemente, suficientemente forte fisicamente para matar um egípcio (Êxodo 2:12) e afugentar vários pastores (Êxodo 2:17). Talvez ele tenha agido de forma impulsiva ao tomar repentinamente o assunto nas próprias mãos e matar o egípcio em Êxodo 2:11-12. Talvez Moisés tivesse primeiro de aprender algumas lições sobre esperar pela orientação de Deus e fazer a vontade de Deus à maneira de Deus, em vez de à sua própria maneira.

Moisés tinha 80 anos quando Deus o chamou da sarça ardente. Talvez, após 40 anos a viver no deserto remoto, ele já fosse mais hábil a confiar no poder de Deus.

Êxodo 2:23 diz que o rei do Egito (ou seja, o Faraó) morreu. Uma vez que o Faraó que tentara matar Moisés em Êxodo 2:15 tinha morrido, Moisés pôde apresentar-se novamente perante a corte.

Ao longo de todo o seu cativeiro, a Bíblia nunca refere que os hebreus tenham clamado a Deus por ajuda, até Êxodo 2:23-24. Só então, e apenas nessa altura, é que Deus trouxe Moisés de volta à cena. Isto pode parecer elementar, mas se tem um problema, sabe que tem um problema e precisa da ajuda de Deus, por que razão hesitaria em clamar a Deus?


P: Em Êxodo 3:2, por que razão o anjo do SENHOR apareceu numa sarça ardente?

R: Embora as Escrituras não o digam, a sarça ardente dá-nos alguns motivos para reflexão.

O milagre de Deus de uma sarça em chamas que não se consumia teria atraído Moisés à distância. No futuro, a obra milagrosa de Deus no Êxodo seria como uma luz a brilhar através dos séculos, atraindo também as pessoas para Deus. Quando partilhamos a mensagem de Deus com os outros, certifiquem-se de que lhes permitimos ver a luz do caráter e das obras de Deus, e não apenas as nossas próprias chamas insignificantes e criadas pelo homem.

O fogo no deserto pode ser perigoso, se for necessário percorrer muitas milhas para obter água para o apagar. A areia também não funciona muito bem. No entanto, aquela sarça estava a salvo e não se consumiu. O povo de Israel encontrava-se em situações perigosas, com os egípcios a quererem matar os meninos recém-nascidos e, mais tarde, no deserto. No entanto, em obediência a Deus, conseguiram manter-se a salvo.

Por outro lado, nem todos estavam a salvo no deserto. Quando alguns desobedeceram, alguns foram atingidos por pragas, mortos pelo fogo ou engolidos pela terra. Não acreditem na mentira de que «Deus é seguro». Deus não é seguro, mas Deus é bom. Voltemo-nos para Deus com fé e obediência, para que, pela Sua graça, possamos ver o lado bondoso e misericordioso de Deus, e não o lado severo e irado.


P: Em Êxodo 3:2, quem era exatamente o anjo do SENHOR na sarça ardente?

R: A palavra «anjo» pode significar mensageiro. Existem três possibilidades, e vamos examiná-las todas.

Um ser angelical bom criado por Deus: Êxodo 3:2 refere-se ao «anjo do SENHOR». No entanto, se fosse simplesmente um anjo, por que razão teria Moisés de tirar as sandálias, uma vez que se tratava de solo sagrado, conforme Êxodo 3:5?

Deus (seja a Trindade ou o Pai): O Ser disse: «Eu sou o Deus do teu pai, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.» A propósito, uma aparição de Deus no Antigo Testamento é designada por teofania.

Jesus Cristo: A Igreja primitiva interpretou isto como uma aparição de Jesus, o Verbo de Deus, antes da Sua encarnação na Terra. Jesus poderia dizer: «Eu sou o Deus...» e Jesus poderia também ser o mensageiro, ou o Verbo de Deus Pai. A propósito, uma aparição especificamente de Deus Filho no Antigo Testamento é designada por cristofania.

Entre os escritores da Igreja primitiva que afirmaram que se tratava de Jesus, destacam-se a Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 63, p. 184 (c. 150 d.C.), Irineu (182-188 d.C.), em Contra as Heresias, livro 4, cap. 29.2, p. 502 (182-188 d.C.), Clemente de Alexandria, na «Exortação aos Pagãos», cap. 1, p. 173 (193-217/220 d.C.), e Tertuliano, na «Resposta aos Judeus», cap. 8, p. 163 (198-220 d.C.).


P: Em Êxodo 3:8 e Génesis 23, como é que os hititas podiam estar na Palestina na época de Moisés e de Josué?

R: Os hititas eram um povo de grande extensão territorial, e uma colónia estabeleceu-se nas montanhas da Palestina. Os hititas, de origem indo-europeia, saquearam a Babilónia em 1590 a.C. Outros acreditam que isto se refere aos hatti, um povo não indo-europeu que foi conquistado antes de 2000 a.C. Hatti e Hitti escrevem-se da mesma forma em hebraico.


P: Em Êxodo 3:8, 17 e Josué 5:6, por que razão Canaã é chamada de terra do leite e do mel?

R: Para os israelitas, que eram pastores, era uma terra de colinas e vales exuberantes, propícia à criação de gado bem alimentado e a flores para as abelhas.


P: Em Êxodo 3:10 e Êxodo 6:10-13, Moisés foi chamado por Deus em Midiã ou no Egito?

R: Moisés foi chamado pela primeira vez por Deus em Midiã. No entanto, Moisés começou a ter dúvidas depois de regressar ao Egito, e Deus reafirmou o seu chamado no Egito. Por vezes, também hoje em dia, as pessoas precisam de uma reafirmação daquilo que sabem ser verdade.


P: Em Êxodo 3:10-4:17, por que razão Moisés precisava de um chamamento, e por que razão nós também precisamos?

R: Antes de Moisés arriscar a sua vida, Deus confirmou-lhe que estaria a cumprir a Sua vontade. Quando outros israelitas questionaram quem era Moisés e se ele lhes diria o que era certo, os sinais de Moisés iriam convencê-los de que ele tinha sido genuinamente chamado. Quando Moisés sentiu o calor da ira do Faraó e os milagres demoníacos dos magos do Faraó, precisou de ter a certeza de que estava exatamente onde devia estar.

Por vezes, pergunta-se aos cristãos: «Por que razão pensam que detêm o monopólio da verdade?» ou «Quem vos chamou para dizer aos outros que iriam para o Inferno se rejeitassem Cristo, o Filho de Deus?» Se não tivéssemos um chamamento, nem uma mensagem de Deus, talvez tivessem razão. Mas todos os cristãos têm um chamamento geral, concedido pelo próprio Jesus em Mateus 28:18-20. Paulo faz eco desse chamamento em 2 Timóteo 4:1-2. Todos nós devemos brilhar como estrelas no universo, ao proclamarmos a palavra da vida, conforme Filipenses 2:15-16 e 2 Coríntios 5:18-20. Quando as pessoas questionam as vossas credenciais, não é que tenham um problema com a vossa autoridade, embora possam dar a entender que sim. Pelo contrário, a sua discordância prende-se com as palavras e as afirmações exclusivas de Cristo. Por vezes, a nossa tarefa não consiste apenas em persuadir as pessoas, mas em mostrar que existe uma diferença entre aquilo em que acreditam confortavelmente e aquilo que Jesus disse. Assim que perceberem essa diferença, terão de fazer uma escolha sobre quem irão seguir.

A alguns cristãos foi confiado um chamamento específico: ir para um determinado ministério, igreja ou grupo étnico. Nem todos os cristãos sentem um chamamento específico, e nem todos os cristãos têm o mesmo chamamento específico. É fácil imaginar que o seu chamamento se refira ao aspeto mais importante do ministério e que os diferentes chamamentos não sejam tão importantes, mas 1 Coríntios 12 mostra que isso está errado. Independentemente de acreditar ou não que tem um chamamento específico, todos nós somos responsáveis por obedecer aos chamamentos gerais dirigidos a todos os crentes na Bíblia: partilhar a Palavra, amar os outros e viver uma vida que glorifique a Deus.


P: Em Êxodo 3:18, Moisés agiu de forma enganosa quando pediu ao Faraó que lhes permitisse fazer uma viagem de três dias para oferecer sacrifícios?

R: Não. Seis pontos a considerar e, em seguida, uma razão provável para tal.

1. Deus disse que acabaria por tirar os israelitas de forma definitiva (Êxodo 3:17) e, no devido tempo, Deus fê-lo.

2. Foi por ordem de Deus, e não por iniciativa própria de Moisés, que, naquele momento, Moisés apenas pedisse ao Faraó a viagem de três dias, em vez de permissão para sair do Egito. (Êxodo 3:18)

3. Deus sabia com certeza, e disse a Moisés, que o Faraó nem sequer concederia este pedido menos exigente. (Êxodo 3:19)

4. Hipoteticamente falando, se o Faraó tivesse concedido este pedido, nada indica que Moisés o tivesse enganado e não tivesse regressado.

5. É claro que, se tivessem partido e regressado ao Egito, isso não os impediria de, mais tarde, pedirem para partir definitivamente.

6. Manter-se em silêncio sobre um assunto não é mentir. Especificamente, apresentar um pedido menor e manter-se em silêncio sobre um pedido maior que se irá apresentar mais tarde não é mentir.

Por que razão teria Deus feito com que Moisés, inicialmente, apenas apresentasse este pedido menor? Provavelmente não se tratou de engano, mas sim de benevolência. Deus deu ao Faraó e aos egípcios a oportunidade de, primeiro, concordarem com um pedido menor e, gradualmente, se habituarem à ideia de deixar os israelitas partirem. No entanto, ao mesmo tempo que Deus lhes concedia essa oportunidade, Ele já sabia, com certeza, o resultado do livre arbítrio do Faraó. Hoje, Deus oferece a maravilhosa oportunidade da salvação a todos, mas já conhece os resultados do livre arbítrio de cada um.


P: Em Êxodo 3:22 e Êxodo 12:33-36, como é que Deus pôde dizer aos israelitas para pedirem coisas aos egípcios?

R: A palavra hebraica sa’al significa «pedir», não «pedir emprestado». Três pontos a considerar na resposta.

1. Sem engano: Os egípcios sabiam que os israelitas estavam a partir e a ficar com os bens: Êxodo 12:31-36. A palavra hebraica para «saque», nissaltem, não sugere especificamente roubo, fraude ou engano. Diz-se também que «“emprestado” é frequentemente interpretado como tal devido à influência de más traduções numa época em que o hebraico era desconhecido ou, como acontece atualmente, devido a preconceitos racionalistas.»

2. Sem coação: Os egípcios estavam bem-dispostos para com eles e instavam-nos a partir, conforme se lê em Êxodo 12:33-36.

3. Ausência de injustiça: Os bens constituíam uma pequena compensação pelo infanticídio e pelos 400 anos de escravidão. Este terceiro conceito (assim como os dois primeiros, indiretamente) foi expresso por Tertuliano em «Cinco Livros Contra Marcião», livro 2, capítulo 21, pp. 313-314 (207/208 d.C.). Esta resposta encontra-se também em Irineu (182-188 d.C.), em «Contra as Heresias», livro 5, capítulo 30, versículo 2.

Resumo: Os israelitas fizeram um pedido explícito e os egípcios, que nessa altura já simpatizavam com eles, acederam ao seu pedido.


P: Em Êxodo 3:22 e Êxodo 12:33-36, como é que Deus [supostamente] ensinou os israelitas a serem desonestos e a roubarem? (esta pergunta foi feita por um ateu)

R: Alguma vez pediu algo? Se sim, isso faz de si um ladrão? Claro que não, isso é ridículo. Da mesma forma:

1. Os egípcios sabiam que os israelitas estavam de partida. Na verdade, os egípcios estavam a pedir aos israelitas que se apressassem e partissem, em Êxodo 12:33.

2. Os israelitas pediram essas coisas aos egípcios (Êxodo 12:35-36)

3. Os egípcios estavam bem-dispostos para com os israelitas e deram-lhes (não lhes emprestaram) essas coisas. (Êxodo 3:22; 12:36).

Conforme mencionado na resposta anterior, o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 324, afirma que a palavra hebraica para «saque», nissaltem, não sugere especificamente roubo, fraude ou engano.


P: Em Êxodo 4, o que podemos aprender com a resposta de Moisés ao chamamento de Deus?

R: Deus mostrou primeiro a Moisés o Seu poder maravilhoso (Êxodo 3:2), depois a Sua paciência ao lidar com as desculpas de falta de fé de Moisés (Êxodo 4:1-13) e, por fim, a Sua ira acendeu-se contra Moisés. Temos a responsabilidade de obedecer ao chamamento de Deus e de não desobedecer por medo, rebeldia ou por acreditarmos na nossa própria inadequação. Esperemos que não chegue ao ponto de provocar a ira de Deus antes de ouvir o Seu chamamento.

Quando Moisés afirmou que se sentia inadequado, podemos identificar duas verdades e uma mentira motivada pela falta de fé.

1. Moisés expôs as verdades factuais de que era improvável que as pessoas quisessem acreditar num forasteiro desconhecido e de que ele era lento a falar.

2. Moisés sabia, com toda a sinceridade, que, por si só, não estava à altura de cumprir com sucesso a tarefa.

3. Moisés acreditou numa mentira que denotava falta de fé: que Deus não era suficientemente grande para realizar a Sua vontade através da inadequação de Moisés. Rezo para que, se tiver esta mentira no seu coração, a descubra, confesse este pecado a Deus e decida acreditar que a grandeza de Deus é maior até do que as suas piores fraquezas.


P: Em Êxodo 4:3-5, como é que uma vara sem vida se pode transformar numa cobra?

R: Não se trata de uma mera ilusão de ótica, pois em Êxodo 7:12 a cobra era capaz de engolir. Deus é maior do que as leis físicas e biológicas naturais, e não o contrário.


P: Em Êxodo 4:11, Deus não só permite, como também torna as pessoas mudas, surdas e cegas?

R: Quer se goste ou não, Deus permite conscientemente todo o mal e todas as deficiências que ocorrem. Além disso, muitas vezes Deus tem um propósito especial ao criar as pessoas de determinada forma. Foram realizados tantos milagres poderosos por intermédio de Moisés, mas Deus escolheu tanto criá-lo com um problema de fala (Êxodo 4:10-13, 6:12, 30) como não o remover. Da mesma forma, foram realizados tantos milagres por intermédio de Paulo, mas, em 2 Coríntios 12:7-9, Deus escolheu não remover o espinho de Paulo.


P: Em Êxodo 4:18, por que razão o nome «Jetro» foi escrito de formas diferentes?

R: Muitas línguas, incluindo o árabe, têm uma terminação diferente para um substantivo, dependendo da forma como este é utilizado na frase. O nome Jetro foi transliterado para hebraico num local com uma terminação e, noutro local, com outra terminação. O mesmo aconteceu com Gesem/Gashmu, o árabe, em Neemias 2:19; 6:1-2, 6. O que é especialmente interessante em Êxodo 4:18 é que ambas as terminações estão presentes no mesmo versículo. Aparentemente, os autores não eram muito exigentes quanto à consistência ortográfica dos nomes, e nós também não devemos sê-lo.


P: Em Êxodo 4:18, por que razão Moisés disse que queria ir ao Egito «para ver se eles ainda lá estavam»?

R: Quer as suas razões fossem corretas ou erradas, Moisés optou por ser vago e ocultar a sua principal razão para regressar ao Egito. A Bíblia não defende o secretismo de Moisés; limita-se a registá-lo.


P: Em Êxodo 4:22, em que sentido era Israel o primogénito de Deus?

R: Um primogénito tinha direitos, privilégios e responsabilidades especiais. Israel era o povo escolhido de Deus; através dele, a palavra de Deus se espalharia por toda a terra. Israel tinha os seguintes privilégios:

Adotados como filhos (Romanos 9:4)

A quem foram confiadas as próprias palavras de Deus (Romanos 3:2), o recebimento da lei (Romanos 9:4)

Os patriarcas (Romanos 9:5)

A descendência humana de Cristo (Romanos 9:5).


P: Em Êxodo 4:24, por que razão Deus quase matou Moisés?

R: Quatro pontos a considerar na resposta:

Situação: Embora Deus soubesse que Moisés não morreria, a situação parecia desesperada para Moisés e Zípora.

Causa: Não é referido como é que Moisés esteve à beira da morte, talvez devido a uma doença, mas eles sabiam que Deus não só permitiu isso, como o provocou deliberadamente.

Disciplina: Zípora e Moisés não tinham cumprido a aliança da circuncisão com Abraão, e Deus disciplinou-os até que o fizessem ou até que Moisés fosse levado à beira da morte.

Advertência: Como Moisés descobriu, ninguém pode tornar-se tão importante ao ponto de já não ter de obedecer a Deus.


P: Em Êxodo 4:30, as pessoas devem acreditar por causa dos sinais?

R: As pessoas não devem acreditar em Deus apenas por causa dos sinais. Os sinais têm o seu lugar adequado na confirmação da fé nos mensageiros de Deus. Estes sinais não serviram para provar a existência de Deus a este povo; pelo contrário, serviram para confirmar que Moisés era enviado pelo Deus Vivo.


P: Em Êxodo 4:31 e Êxodo 6:9, o povo acreditou em Moisés ou não?

R: Inicialmente, acreditaram em Moisés em Êxodo 4:31, mas mais tarde tiveram dúvidas em Êxodo 6:9, depois de o Faraó ter aumentado a sua carga de trabalho.


P: Em Êxodo 5:2, quem era o Faraó do Egito e quando ocorreu o Êxodo?

R: O Faraó que aqui faleceu foi provavelmente Tutmés III. A sua rainha principal era Hatshepsut Meritre (diferente da sua mãe, a famosa Hatshepsut). O Êxodo ocorreu por volta de 1446/1445 a.C. A razão para esta data de 1446/1445 é 1 Reis 6:1, que afirma que Salomão começou a construir o Templo 480 anos após os israelitas terem saído do Egito, e os arqueólogos estão convictos de que isso teria ocorrido em 966 a.C.

A título de nota adicional, o historiador Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.) afirma que o nome da filha do Faraó que retirou Moisés da água era Merris, na obra *Praeparatio Evangelica* 9.27. Josefo refere «Thermuthis» em «Antiguidades dos Judeus» 2, 224 (9.5), e o Livro dos Jubileus 47:5 indica que o seu nome era Tharmuth.

Isto teria ocorrido durante o reinado de Tutmés III ou, mais provavelmente, durante o reinado do Faraó Amenhotep II (1450/20-1401/1385 a.C.). A sua rainha principal chamava-se Tia. Outros cristãos costumavam pensar que o Êxodo teve lugar muito mais tarde, durante o reinado de Ramsés II (1290-1224 a.C.). A data de 1446/1445 a.C. é adequada porque:

1. 1 Reis 6:1 refere 480 anos antes do Templo de Salomão.

2. Sob o reinado de Amenhotep II, os semitas foram obrigados a fabricar tijolos.

3. Estela do Sonho de Tutmés IV. Consulte a discussão sobre Êxodo 12:29.

4. Juízes 11:26 refere 300 anos antes de Jefté.

5. Hazor não foi habitada após o século XIII.

6. As tabuinhas de Tell el-Amarna, datadas de 1400-1370 a.C., mencionam os temidos «Habiru» ou «Abiru» a causar o caos. Referem que as cidades de Arad, Gezer, Asquelon e Laquis já tinham sido capturadas.

7. Clemente de Alexandria, na obra *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, capítulo 2, refere 450 anos entre a época de Josué e a de David.

8. O nome Ramsés já era utilizado antes do século XIII. Ver TABELAS CRONOLÓGICAS E DE CONTEXTO DO ANTIGO TESTAMENTO, pp. 29-30, e Quando os Críticos Perguntam, pp. 67-68. Ramose era o nome de um nobre na época de Amenhotep III.

A datação por carbono 14 situou a destruição de Jericó por volta de 1410 a.C. O faraó que reinava 40 anos antes disso seria Tutmés III.


P: Em Êxodo 5:2, tratava-se do mesmo Faraó que o de Êxodo 15?

R: Não era o mesmo faraó. O faraó de Êxodo 1, provavelmente Tutmés III, pretendia exterminar ou reduzir a população dos israelitas. O faraó do Êxodo, provavelmente Amenhotep II (1450/1420-1401/1385), concentrou-se em utilizá-los como escravos. Lembre-se de que houve um intervalo de 80 anos entre Êxodo 1 e Êxodo 5.


P: Em Êxodo 5:3, Êxodo 8:26-27 e Êxodo 10:26, estará Moisés apenas a inventar motivos para ter de partir?

R: As Escrituras não indicam se Deus disse a Moisés para apresentar estas razões ao Faraó para a partida, ou se Moisés as apresentou por iniciativa própria. Se for este último o caso, note-se que as Escrituras não se pronunciam sobre se Moisés disse tudo corretamente.


P: Em Êxodo 5:6, por que razão utilizaram palha para fabricar tijolos?

R: A palha conferia aos tijolos maior resistência à tração, uma vez que a argila aderida à palha teria menos probabilidades de se desagregar.


P: Em Êxodo 5:6-7, como é que os israelitas lidaram com a necessidade de recolherem a sua própria palha?

R: Em primeiro lugar, é necessário compreender que a palha era importante para fabricar tijolos resistentes, pois atuava como aglutinante, impedindo que os tijolos se desintegrassem. Além disso, embora os tijolos fossem mais comuns na Mesopotâmia do que no Egito, algumas cidades egípcias, como Pithom, foram construídas com tijolos. O túmulo de um nobre egípcio chamado Rekhmere / Rek-mi-Re, em Tebas, no século XV a.C., apresenta uma pintura de escravos a fabricar tijolos. Pode encontrar uma imagem disso em *The New International Dictionary of the Bible*, p. 174.

As ruínas de Pithom revelam tijolos com palha no nível mais baixo, tijolos apenas com restolho no nível intermédio e tijolos sem qualquer material fibroso no nível superior. As dimensões dos tijolos variavam entre 13 por 13 por 3,5 polegadas (33 por 33 por 9 cm) e 16 por 8 por 6 polegadas (41 por 20 por 15 cm).


P: Em Êxodo 6:1, por que razão a mão poderosa de Deus foi especificamente mencionada neste contexto?

R: Nessa época, os faraós egípcios utilizavam habitualmente a expressão «possuidor do braço [poderoso]» como parte dos seus títulos. Êxodo 6:1 salientava que os seus braços orgulhosos não eram nada comparados com o braço de Deus.


P: Em Êxodo 6:3 e noutras passagens, quais são alguns dos problemas com a teoria JEPD?

R: A teoria JEPD foi concebida pela primeira vez no século XIX, antes de os estudiosos conseguirem provar que as pessoas comuns sabiam escrever na época de Moisés. Afirma que os primeiros cinco (ou, por vezes, seis) livros da Bíblia foram compilados a partir de quatro fontes anteriores, designadas por J (de Jeová), E (de Elohim), P (de Sacerdotal) e D (de Deuteronómio).

Existem muitos problemas com a teoria JEPD, mas eis três deles.

1. Os estudiosos liberais discordam sobre quais versículos pertencem a J, E, P e D.

2. Esta teoria assenta na utilização de nomes diferentes para Deus em Génesis 1 e Génesis 2. No entanto, outras obras fazem o mesmo. No livro de Hebreus, Jesus e Cristo não são mencionados no capítulo 1, apenas «Filho». Contudo, Cristo e Jesus são mencionados com frequência a partir daí. No entanto, nunca ouvi falar de ninguém que duvidasse da unidade do livro de Hebreus. O Livro de Jonas utiliza apenas o nome divino, exceto quando os marinheiros se manifestam em Jonas 3:4. A partir daí, a narrativa utiliza também «Elohim» para se referir ao Deus Verdadeiro.

3. Muitos versículos têm de ser divididos a meio. De acordo com *Evidence that Demands a Verdict*, volume II, p. 134, a versão da teoria JEPD do *Interpreter’s One-Volume Commentary on the Bible* divide os seguintes versículos em duas ou mais fontes.

Génesis 2:4; 7:16,17; 8:2,3,13; 10:1; 12:4; 13:11,12; 16:1; 19:30; 21:1,2,6; 25:11,26; 31:18; 32:13; 33:18; 35:22; 37:25,28; 41:46; 42:28; 45:1,5; 46:1; 47:5,6,27; 48:9,10; 49:1,28

Êxodo 1:20; 2:23; 3:4; 4:20; 7:15, 17, 20, 21; 8:15; 9:23, 24, 35; 10:1, 13, 15; 12:27; 13:3; 14:9,19,20,21,27; 15:21,22,25; 16:1,15; 17:1,2,7; 19:2,3,9,11,13; 24:12, 15, 18; 25:18; 31:18; 32:8, 34, 35; 33:5, 19; 34:1, 11, 14

Números 13:17, 26; 14:1; 16:1, 2, 26, 27; 20:22.

(O Deuteronómio não é mencionado porque é considerado inteiramente «D».)

Quantos versículos teriam de ser divididos ao meio por esta teoria, para que esta deixasse de ser sustentável? Noventa e um versículos são provavelmente demasiados.


P: Antes de Êxodo 6:3, por que razão 197 passagens utilizam o nome Yahweh, uma vez que Êxodo 6:3 afirma que Deus não Se revelou com esse nome a Abraão, Isaac e Jacob?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

a) Factos verdadeiros, que não fazem parte da resposta.

a1. Uma vez que Moisés escreveu o Génesis na sua época, e não na de Jacob, Moisés podia utilizar qualquer nome que desejasse. Por exemplo, as pessoas escrevem corretamente que Colombo chegou às Américas, apesar de Colombo não conhecer o nome «América». Isto, por si só, explica todos os casos, exceto 53, que são citações diretas ou semelhantes.

a2. A comparação entre a Septuaginta e o texto massorético mostra que os escribas tinham alguma liberdade para alterar os nomes de Deus. Julius Wellhausen afirmou que esta era a maior fraqueza da sua própria hipótese documental.

a3. O nome de Deus era conhecido por Abraão, Isaac e Jacob, mas Deus não era conhecido principalmente como Yahweh. Deus estava a revelar um significado a Moisés que não tinha revelado aos três homens que o precederam.

b) A resposta encontra-se no próprio Êxodo 6:3.

b1. Êxodo 6:3 não diz que foi revelado «antes do tempo de Moisés». Diz apenas: «a Abraão, Isaac e Jacó».

(Isto elimina 5 das 53 passagens.)

b2. O livro de Êxodo não diz que eles desconheciam o nome divino de Deus. Diz apenas: «Apareci-lhes… mas pelo meu nome Yahweh nunca me dei a conhecer a eles.» Embora Deus tenha falado ou aparecido a Abraão, Isaac e Jacó pelo menos (8, 1, 6) 15 vezes, Deus nunca apareceu a estes homens de uma forma especial associada ao Seu nome divino, tal como apareceu a Moisés. De facto, quando Jacó pediu um nome após a luta em Génesis 32:29, Jacó não recebeu, deliberadamente, qualquer resposta.


P: Em Êxodo 6:3, uma vez que Deus não Se revelou pessoalmente como Yahweh a Abraão, Isaac e Jacob, o que dizer das passagens em que Deus Se autodenomina Yahweh? Génesis 15:7 «Eu sou Yahweh, que te tirei de Ur»; Génesis 18:14 «Há alguma coisa que seja demasiado difícil para Yahweh?»; Génesis 28:13 «Eu sou Yahweh, o Deus do teu pai…»

R: Trata-se provavelmente de alterações posteriores feitas por escribas. Nos três casos, na Septuaginta grega, é utilizada a palavra «Deus» (theos), e não a palavra grega para «Eu Sou» em Êxodo 3:14 (o v), nem a palavra grega em Êxodo 6:3 (kurios). Consulte também a pergunta anterior.


P: Em Êxodo 6:16-20, como é que os israelitas puderam permanecer no Egito durante 430 anos, uma vez que apenas foram mencionadas três gerações entre Levi e Moisés?

R: Havia mais do que três gerações, uma vez que as genealogias apresentavam frequentemente lacunas, dado que «filho» também significa «descendente» e «pai» também significa «antepassado».


P: Em Êxodo 6:20, por que razão Amram casou com Jocabede, sua tia, uma vez que tal é proibido em Levítico 18:12?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

1. O Levítico ainda não tinha sido escrito, pelo que não podiam ser responsabilizados por uma lei futura.

2. Além disso, a Bíblia não está a tolerar isto, mas sim a relatar com honestidade o que aconteceu.


P: Em Êxodo 6:20, Jocabede e Amram, neto de Levi, eram os pais de Moisés?

R: Não necessariamente, uma vez que «filho» pode significar «descendente», e Jocabede não foi mencionada pelo nome em Êxodo 2:1-9. Uma vez que Coate tinha 8 600 descendentes do sexo masculino na época de Moisés (Números 3:28), é improvável que Amram, filho de Coate, fosse o mesmo Amram, pai de Moisés.


P: Em Êxodo 6:26-27, terá sido Moisés a escrever este livro, uma vez que este foi escrito sobre Moisés na terceira pessoa?

R: Não há motivos para duvidar que Moisés tenha escrito este texto. Escrever na terceira pessoa não era invulgar na literatura antiga. Outros exemplos incluem os seguintes:

1. Júlio César ao escrever «A Guerra da Gália».

2. Júlio César a escrever «As Guerras Civis».

3. Xenofonte a escrever «A Anábase».

4. Josefo a escrever «As Guerras dos Judeus».

5. O apóstolo João a escrever o Evangelho de João.


P: Em Êxodo 7-11, por que razão Deus enviou primeiro as pragas sobre os egípcios, em vez de simplesmente influenciá-los a libertá-los?

R: Êxodo 9:16 (e Romanos 9:17) afirmam que Deus fez isto para mostrar o Seu poder e para que o Seu nome fosse proclamado por toda a terra. Seis pontos a considerar.

a) Deus é soberano e tem o «direito» de escolher os meios que desejar.

b) Deus não foi injusto para com os egípcios, que tinham 400 anos de «norma cultural» de escravizar os hebreus.

c) Muitas vezes, as pessoas sob o comando de um líder sofrem as consequências das decisões dos seus líderes.

d) Deus deu-lhes a oportunidade de escolherem libertar os seus escravos. No entanto, preferiram as vantagens económicas de escravizar os outros a tratá-los como gostariam de ser tratados.

e) Este foi um julgamento não apenas sobre o Egito, mas também sobre os deuses egípcios. Demonstrou, por um lado, que esses deuses eram falsos e, por outro, que Ele era o único Deus Verdadeiro com poder.

f) O nome de Deus foi glorificado em toda a terra. De facto, os egípcios de hoje consideram Moisés um herói e profeta de Deus.


P: Em Êxodo 7:1, como é que Moisés podia ser como Deus para o Faraó?

R: Esta comparação não significa que Moisés fosse divino, mas sim que toda a comunicação e interação que o Faraó tivesse com o verdadeiro Deus se daria por intermédio de Moisés, assistido por Arão na qualidade de profeta. Veja também 2 Coríntios 3:2-3, onde somos epístolas (cartas) de Deus para os outros. Como disse uma senhora: «Podemos ser as únicas Bíblias que algumas pessoas alguma vez lerão.»


P: Em Êxodo 7:11, 22 e Êxodo 8:7, como é que os magos do Faraó puderam demonstrar poder mágico?

R: A título de nota à parte, um truque de magia praticado hoje em dia, que utiliza três copos a cobrir bolas, já era praticado no antigo Egito. Embora as pessoas possam enganar os outros com truques engenhosos e não sobrenaturais, Satanás possui poder milagroso, tal como demonstram 2 Tessalonicenses 2:9 e Apocalipse 13:13. É provável que estes magos estivessem a realizar esses feitos através do poder de Satanás.


P: Em Êxodo 7:17-22, como é que a água se transformou em sangue?

R: Embora os egípcios provavelmente estivessem familiarizados com o sedimento vermelho proveniente da Etiópia, a terra vermelha não afetaria a água contida em jarros e baldes de pedra. Existem duas perspetivas. Uma vez que nada é impossível para Deus, é inútil perguntar de que forma Deus «teve» de o fazer. Em vez disso, poderá perguntar-se qual das perspetivas tem as melhores provas que sustentem a forma como Deus escolheu fazê-lo.

1. O sangue é sangue literal.

2. A água ficou vermelha, tal como acontece com as algas tóxicas que causam a «maré vermelha» observada em vários oceanos e no Nilo. As algas produzem uma neurotoxina que mata os peixes e torna a água imprópria para consumo.


P: Em Êxodo 7:19 e Êxodo 8:16,24, as pragas atingiram «todo o» e «por todo o» Egito, ou contornaram Gósen em Êxodo 8:20,22?

R: Êxodo 9:6 responde a esta questão, mostrando que, quando se dizia «todo o Egito», estava implícito que Gosém estava excluída.


P: Em Êxodo 7:20, como é que os magos conseguiram transformar parte da água em sangue, uma vez que Moisés já tinha transformado a água do rio em sangue?

R: Êxodo 7:20 refere apenas que a água do rio, perante os olhos do Faraó, se transformou em sangue imediatamente. A restante água poderá ter-se transformado pouco tempo depois.

Por vezes, quando Satanás conhece o tempo de Deus, pode tentar atribuir-se o mérito pelo que Deus faz. Consulte a discussão sobre Êxodo 12:29 para ver outro exemplo possível. No entanto, há quem tenha uma perspetiva diferente, segundo a qual «toda» significava a maior parte da água.


P: Em Êxodo 7:22 e Êxodo 4:21, quem endureceu o coração do Faraó?

R: O Faraó foi o primeiro a fazê-lo, e Deus também o endureceu. Estes versículos indicam quem endureceu o seu coração:

O Senhor endurecerá: Êxodo 4:21

O Faraó endureceu o seu próprio coração: Êxodo 8:15, 32; Êxodo 9:34; 1 Samuel 6:6.

O coração endureceu (ou seja, o próprio coração do Faraó endureceu): Êxodo 7:13-14, 22; 8:19; 9:7; 9:35

O Senhor endureceu-o: Êxodo 9:12; 10:1, 20, 27; 11:10; 14:4-5, 17

Em resumo, cristãos como Clemente de Roma, ao escrever em 1 Clemente, cap. 51, p. 20 (96-98 d.C.), não viam isto como uma situação de «ou isto ou aquilo», mas sim como algo em que ambos os fatores estavam envolvidos.

Uma situação semelhante encontra-se em Romanos 1:21-32, onde Deus entregou as pessoas incrédulas e depravadas a uma depravação ainda maior. Deus chegou mesmo a endurecer o coração de Israel em Isaías 63:17.

Como nota à parte, Deus também endureceu o coração dos cananeus em Josué 11:20 e o de Siom, rei de Hesbom, em Deuteronómio 2:30.


P: Em Êxodo 8:10, por que razão o Faraó pediu a Moisés que removesse os sapos amanhã e não hoje?

R: Talvez porque já fosse tarde, mas, mesmo assim, elas poderiam ter sido removidas imediatamente. Isto pode demonstrar até que ponto o coração do Faraó estava endurecido. Ele queria ter a certeza de que os sapos ainda não se teriam ido embora na altura em que falasse com Moisés.


P: Em Êxodo 8:16-19, o que eram esses «mosquitos»?

R: Podem ter sido o que hoje chamamos de «mosquitos-pequenos», que são incómodos, mas não picam. Em alternativa, podem muito bem ter sido mosquitos. Não se tem a certeza do significado exato da palavra hebraica kinnim, pois este é o único local na Bíblia em que esta palavra é utilizada.


P: Em Êxodo 8:19, Êxodo 31:18, Deuteronómio 9:10, Salmos 8:3 e assim por diante, Deus tem um dedo?

R: Não. Trata-se de uma expressão antropomórfica para indicar o poder de Deus. A título de nota adicional, o termo linguístico para utilizar uma parte de algo para denotar o todo é uma figura de estilo denominada sinédoque. Para um exemplo semelhante noutra religião, o Islão, o Hadith de Bukhari, vol. 9, livro 93, cap. 26, n.º 543, p. 409, menciona o dedo de Alá.


P: Em Êxodo 8:19, Êxodo 31:18, Deuteronómio 9:10, Salmos 8:3 e assim por diante, uma vez que era errado fazer quaisquer imagens de Deus, por que razão a Bíblia utiliza antropomorfismos de Deus, tais como ter mãos, etc.? (Há muitos anos, John L. MacKenzie afirmou isto.)

R: A diferença entre as duas coisas é a diferença entre comunicação e adoração. Deus optou por comunicar-se de formas que as pessoas pudessem compreender, incluindo o uso de poesia e de expressões antropomórficas, tais como «a Sua mão direita».

No entanto, Deus é muito claro ao afirmar que não deseja que criemos imagens ou façamos desenhos com o objetivo de adorar ou venerar Deus.


P: Em Êxodo 8:20-32, que tipo de moscas eram estas?

R: Existem algumas teorias. Podem ter sido as chamadas «moscas-de-cão», cujas picadas são dolorosas. Estas podem ter representado o deus egípcio Rá. Em alternativa, podem ter sido moscas-ichneumonídeas, que representavam o deus Uatchit. As moscas podem ter sido atraídas pelos sapos em decomposição.


P: Em Êxodo 9:4, Êxodo 11:7 e Êxodo 12:13, como é que as pragas não afetaram os israelitas da mesma forma que afetaram os egípcios?

R: Deus tem poder para fazer o que Lhe apraz. Além disso, em Êxodo 15:26, Deus prometeu que, se os israelitas Lhe obedecessem, também não teriam essas doenças no futuro.


P: Em Êxodo 9:6, 19-20, uma vez que todo o gado e todos os cavalos morreram, como é que os cavalos sobreviveram em Êxodo 14:9?

R: Em Êxodo 9:6, «todo» refere-se quer ao gado em todo o Egito, quer a todo o gado nos campos do Egito, quer a ambos. No contexto, a proximidade de Êxodo 9:19-20 em relação a Êxodo 9:6 torna óbvio que o autor não pretendia que isto fosse entendido como cada animal, dentro ou fora, mas sim os animais que se encontravam nos campos.


P: Em Êxodo 9:6, 19-20, o que sabemos sobre a criação de gado no Egito?

R: O gado egípcio era normalmente mantido em estábulos de maio a dezembro, durante a cheia do Nilo, quando as pastagens ficavam alagadas. O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, p. 357, afirma que é provável que esta praga tenha ocorrido em janeiro, altura em que parte do gado era levado para pastar. Como as cheias abandonavam o Delta mais tarde do que o resto do Egito, o gado teria permanecido nos estábulos por mais tempo. Se o gado tivesse morrido de febre aftosa devido aos sapos em decomposição, isso teria afetado principalmente o gado que se encontrava no campo.


P: Em Êxodo 9:16 e Êxodo 11:9, será que Deus suscitou o Faraó apenas para o castigar?

R: Não, as Escrituras não dizem isso. Dizem que Deus suscitou o Faraó, com a sua teimosia e maldade, para demonstrar a Sua capacidade de libertar os israelitas da escravidão. Além de utilizar o mal para demonstrar aos outros o Seu poder e julgamento, Deus também permite que o mal avance, por algum tempo, e julga o fruto que daí resulta.


P: Em Êxodo 9:19 e Êxodo 9:27, como é que Moisés conseguiu sair para se encontrar com o Faraó durante a praga destrutiva do granizo?

R: Obviamente, o granizo não se encontrava em todo o lado nem em todos os momentos. Mesmo num furacão, há calma no olho da tempestade. Moisés poderá ter-se dirigido ao Faraó durante uma acalmia temporária em parte do Egito. Em alternativa, Deus poderá ter protegido Moisés enquanto este se dirigia ao Faraó.


P: Em Êxodo 9:20, Isaías 28:25 e Ezequiel 4:9, que tipo de alimentos cultivavam os agricultores naquela época?

R: A dieta das pessoas naquela época era muito diferente da das sociedades industrializadas de hoje, com maior variedade de alimentos naturais. Não existiam milho nem batatas no Velho Mundo, pois estes eram originários das Américas. Cultivavam trigo e centeio, tal como hoje, mas também cultivavam quantidades significativas de outros cereais antigos que hoje apenas cultivamos como especialidades. Por exemplo, o einkorn, o emmer e a espelta são por vezes designados por «trigos cobertos»; não se debulham tão bem como o trigo. O centeio, o sorgo e o milho-miúdo não são tão nutritivos como o trigo, embora o sorgo e o milho-miúdo ainda sejam utilizados em África. O grão kamut, que tem um sabor delicioso, também era cultivado. Outros cereais antigos são o amaranto e a quinoa. Não dispunham de outro cereal, o triticale — um cruzamento entre o trigo e o centeio —, porque este só foi cultivado pela primeira vez na Escócia, em 1875. Para mais informações, consulte http://www.hort.purdue.edu/newcrop/proceedings1996/V3-156.html#EINKORNOrigin.

No que diz respeito aos adoçantes, para além da beterraba sacarina na Europa e da cana-de-açúcar em países tropicais distantes, as pessoas dispunham basicamente apenas de mel. O mel contém um grande número de substâncias químicas diferentes, e cada lote de mel silvestre é ligeiramente diferente, pois depende das flores que as abelhas visitaram. Alguém disse uma vez, a respeito do mel, que se hoje em dia um novo alimento contivesse milhares de substâncias desconhecidas e apresentasse compostos químicos diferentes cada vez que fosse produzido, não haveria qualquer possibilidade de obter a aprovação da Food and Drug Administration dos EUA!


P: Em Êxodo 9:23, como é que pode haver fogo misturado com granizo?

R: Naturalmente, isto acontece constantemente em tempestades severas de granizo acompanhadas de relâmpagos e trovões. Com base em Êxodo 9:29, provavelmente era isso que o fogo representava. No entanto, Deus podia fazê-lo da forma que quisesse.


P: Em Êxodo 9:30, de que forma é que as pessoas devem temer a Deus?

R: Não tememos a Deus da mesma forma que se pode temer uma pessoa injusta e perversa. No entanto, devemos temer a Deus de duas maneiras.

1. Os incrédulos devem temer o julgamento e a ira de Deus.

2. Temor também significa respeito. Todos devem respeitar Deus, que nos criou, Aquele que é o propósito da nossa existência e Aquele que julgará a todos e concederá às pessoas a vida eterna ou as condenará à perdição eterna no Inferno, o depósito de lixo cósmico. Alguns não-cristãos podem sentir que Deus não corresponde à ideia que têm de como um deus deve ser. O verdadeiro Deus corresponde ao Seu próprio caráter, mas talvez nem sequer se importe em corresponder aos vossos padrões. Veja também a resposta para Êxodo 20:20.


P: Em Êxodo 10:21-23, como é que pôde haver trevas apenas sobre o Egito?

R: Deus criou a luz e pode controlá-la. Quer se tenha tratado de uma alteração temporária no sol, nas leis da natureza, ou de uma nuvem escura, cinzas vulcânicas, outro obstáculo ou nada disso, Deus pode agir como Lhe aprouver.


P: Em Êxodo 10:21-33, existe alguma evidência arqueológica da escuridão que se abateu sobre o Egito?

R: Talvez. A revista «Biblical Archaeology Review», de janeiro/fevereiro de 1991, p. 50, afirma:

«Um texto egípcio datado após o fim da XVIII.ª Dinastia (c. 1350 a.C.) descreve uma calamidade da seguinte forma:

‘O sol está coberto e não brilha aos olhos dos homens. A vida já não é possível quando o sol se esconde por trás das nuvens. Rá [o deus] desviou o seu rosto da humanidade. Se ao menos brilhasse, nem que fosse por uma hora! Ninguém sabe quando é meio-dia. A sombra de cada um não é discernível. O sol nos céus assemelha-se à lua…’”

Isto poderia referir-se à escuridão que se abateu sobre a terra, mas não se referiria à erupção do vulcão na ilha de Thera, uma vez que esta ocorreu cerca de 200 anos antes.


P: Em Êxodo 10:29, Moisés afirma que nunca mais se apresentará perante o Faraó. No entanto, o Faraó convoca Moisés e Arão à sua presença em Êxodo 12:31. Como é que isto é possível? Estaria Moisés errado em Êxodo 10:29 e, se assim for, foi Deus quem lhe disse para dizer isto, ou foi por sua própria iniciativa?

R: Em Êxodo 10:29, o Faraó estava obviamente a ficar farto de ver Moisés e, por isso, a intenção de Moisés era nunca mais se apresentar perante o Faraó. No entanto, quando o Faraó lhe ordenou que fosse, Moisés teve de o fazer. Analisemos isto de três formas:

a) Se isto fosse uma profecia, então não era verdade.

b) Se isto declarasse a intenção de Moisés, então isto era verdade; Moisés não veio por sua própria iniciativa; foi chamado.

c) Se isto fosse uma promessa, então esta promessa humana (não divina) foi anulada pelo facto de ter de obedecer à ordem do Faraó.

Em suma, Moisés não estava a mentir nem a ser enganador, mas esperava claramente que não voltasse a apresentar-se perante o Faraó, e, quanto a isso, Moisés estava errado.

Um ponto importante a ter em conta é que os profetas eram humanos e também podiam dizer e fazer coisas erradas. O exemplo clássico é Natã a dizer a David que este poderia construir o templo e, em seguida, Deus a corrigir Natã em 2 Samuel 7:3-17. Um profeta de Deus só está isento de erro quando fala na qualidade de profeta, ou seja, «assim diz o Senhor», ou equivalente. Quando Moisés perdeu a paciência, bateu na rocha várias vezes e chamou os israelitas de rebeldes, sem dúvida que mais tarde se arrependeu dessas palavras.


P: Em Êxodo 11:3 e Números 12:3, terá Moisés escrito sobre si próprio que era muito estimado e humilde?

R: Existem três pontos de vista diferentes:

a) Moisés estava simplesmente a fornecer informações contextuais sobre a sua reputação.

b) Como isto estava a ser escrito por um escriba em nome de Moisés, o escriba, sob inspiração divina, acrescentou esta informação.

c) Tratou-se de uma adição posterior do escriba ao texto, que Deus permitiu que fosse preservada ao longo dos tempos. Consulte também a discussão sobre Números 12:3.


P: Em Êxodo 11:5-12:30, para além da Bíblia, existe alguma evidência de que tenham ocorrido pragas no Egito durante este período?

R: Talvez sim. David M. Rohl, na obra *Pharaohs and Kings: A Biblical Quest* (1995), pp. 278-279, menciona que havia evidências de um grande desastre com um grande número de corpos enterrados à pressa. No entanto, o elevado número de mortes não prova nem refuta que tal se tenha devido a um acontecimento repentino ocorrido durante a noite. Esta descoberta foi feita por Manfred Bietak em Tell ed-Daba. Encontra-se descrita em *Avaris and Piramesse: Archaeological Exploration of the Eastern Nile Delta* (Londres, 1979), p. 295.

Além disso, Josefo cita Manetão, que afirma que «um golpe de Deus nos atingiu». No entanto, isto insere-se no contexto de invasores vindos do leste que invadiram o Egito, pelo que poderá tratar-se de um acontecimento não relacionado, ou poderá ter havido invasores do Egito durante o período de Moisés, sobre os quais o Êxodo nada menciona.


P: Em Êxodo 12:19, «ser excluído de Israel» significa ser expulso da comunidade ou, possivelmente, a morte, ou ser executado?

R: Os estudiosos cristãos discordam, tal como refere o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, p. 375.

Expulsão: «The Bible Knowledge Commentary: Old Testament», p. 128. O «Believer’s Bible Commentary», p. 98, afirma: «ou seja, excluído do acampamento e dos seus privilégios. Em alguns contextos, a expressão “excluído” significa condenado à morte.» A maioria dos comentadores diria que significa morte.


P: Em Êxodo 12:29, como é que um Deus [supostamente] todo-amoroso, que é tão amoroso quanto possível, poderia matar os primogénitos egípcios?

R: Nenhum versículo da Bíblia afirma que Deus é totalmente amoroso, nem que Deus é o mais amoroso possível. O amor de Deus é equilibrado pelos Seus outros atributos. Quanto à forma como o Deus da Bíblia poderia ter matado os primogénitos egípcios, consulte a resposta à próxima pergunta.


P: Em Êxodo 12:29-30, por que razão Deus foi [supostamente] injusto ao matar todos os primogénitos egípcios em vez do próprio Faraó, uma vez que foi o Faraó quem pecou?

R: Deus não foi injusto. Há três pontos a considerar na resposta.

Todos os egípcios escravizaram os israelitas. O próprio Faraó não açoitava os escravos; eram os capatazes egípcios que o faziam. Durante 400 anos, a sociedade egípcia considerou normal beneficiar-se dos escravos hebreus.

As pessoas suportam frequentemente as consequências das ações de outrem. As mães viciadas em cocaína dão à luz bebés com cérebros mais pequenos, viciados em cocaína. Milhões morreram devido à loucura assassina de Hitler e de outros. Estas coisas acontecem num mundo caído e injusto. Veja, no entanto, o ponto seguinte.

A justiça plena é adiada até ao Dia do Juízo Final. Por exemplo, em Lucas 13:1-5, foi relatado a Jesus o caso de galileus cujo sangue Pilatos tinha misturado com os seus sacrifícios. Jesus disse que isso não aconteceu porque fossem piores do que outros galileus, mas que, se não se arrependerem, também perecerão. Alguns são punidos mais severamente do que outros pelas mesmas coisas nesta vida. No entanto, no Dia do Juízo Final, Deus julgará com justiça e colocará tudo em ordem.


P: Em Êxodo 12:29, que evidência arqueológica indica que o filho do Faraó morreu mesmo antes do Êxodo?

R: Na Estela do Sonho de Tutmés IV (1421-1410 a.C.), encontrada entre as patas dianteiras da Esfinge de Gizé, o deus Harmakhis prometeu a Tutmés uma ajuda especial para se tornar o próximo Faraó, em troca da remoção da areia que se tinha acumulado junto à Esfinge. Provavelmente, ele não teria precisado de ajuda especial se fosse o primeiro na linha de sucessão do seu pai, Amenhotep II (1450/1447-1401/1385)

Walter Kaiser, na obra *A History of Israel*, p. 90, afirma que o irmão mais velho de Tutmés IV se chamava Webensenu. Webensenu foi sepultado na tumba real e foi provavelmente ele quem morreu durante a décima praga. O segundo filho de Amenhotep II foi Khaemwaset, que se casou antes de morrer. Como afirma Kaiser: «Assim, embora a Estela da Esfinge não possa ser considerada uma prova direta da morte dos primogénitos, os egiptólogos revelaram evidências suficientes para sustentar a data precoce do Êxodo e o facto de que, de facto, Tutmés IV não esperava suceder ao seu pai no trono.»


P: Em Êxodo 12:29-30, como é que um Deus justo e amoroso poderia matar os primogénitos egípcios, se estes não tinham qualquer controlo sobre a decisão do Faraó?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. As mortes não provam que os egípcios ou os seus animais fossem culpados pela decisão do Faraó.

2. Contra o infanticídio e a opressão, o povo do Egito aparentemente não se levantou nem fez nada até Êxodo 12:33. Mesmo em Êxodo 14:5, o povo egípcio queria que os israelitas regressassem como escravos.

3. É importante levantar-se, porque as pessoas, incluindo as crianças, sofrem frequentemente consequências desproporcionadas devido às decisões dos líderes políticos.

4. Muita coisa é injusta nesta vida. Mas há um dia que se aproxima, o Dia do Juízo Final, em que tudo será feito com justiça. Deus é justo, e os ricos e os pobres, os opressores e os oprimidos, os nazis, os cambojanos, os sudaneses e todos os outros receberão justiça plena no fim dos tempos, embora quem possa afirmar que tudo o que desejam é justiça, sem misericórdia?


P: Em Êxodo 12:30, como é que poderia não haver uma casa sem alguém morto, uma vez que os israelitas foram poupados?

R: No contexto, isto refere-se às casas no Egito onde a Páscoa não foi celebrada.


P: Em Êxodo 13, o que representam as quatro taças da Páscoa?

R: Embora a Páscoa tenha sido instituída no Livro do Êxodo, os diferentes cálices oferecidos na Páscoa não constam do Antigo Testamento, mas faziam parte de uma tradição judaica que teve início na época romana. Estão documentados no Talmude (Pesachim 10:1).
Aparentemente, existiam diferentes interpretações do simbolismo, mas eis uma delas: as diferentes taças representavam diferentes tipos de redenção.

A primeira taça destinava-se à bênção do kidush, proferida no início da Páscoa. Esta taça serve para celebrar o facto de Deus os ter tirado do Egito.

A segunda era servida antes da refeição principal para celebrar a libertação da escravidão no Egito.

A terceira taça era bebida após a «Ação de Graças após as Refeições», para celebrar a manifestação do poder de Deus.

A quarta taça era servida no final do Hallel para celebrar o facto de se terem tornado uma nação.
Alguns tinham uma quinta taça, a «Taça de Elias», que não era bebida.

Algumas destas informações provêm de um site judaico: http://2-passover.tripod.com/thefourcupsofwineforpassover.html.


P: Em Êxodo 13:2,13, os israelitas tinham de consagrar os seus filhos primogénitos (filhos e filhas), ou apenas os filhos primogénitos, como diz Êxodo 22:29?

R: Tanto o hebraico como as traduções modernas referem-se a «filhos»:

Êxodo 13:2 «aquele que abre todo o ventre entre os filhos de Israel»

Êxodo 13:13 «todos os primogénitos entre os vossos filhos»


P: Em Êxodo 13:4, o primeiro mês era Abib, ou era Nisan, como em Neemias 2:1?

R: Naquela época (1445 a.C.), os israelitas chamavam-no de Abib. Séculos mais tarde (c. 500 a.C.), sob o domínio persa, passou a chamar-se Nisan. Os iranianos (persas) de hoje, de todas as religiões, celebram o Ano Novo, chamado Nowruz.


P: Em Êxodo 13:19, o facto de se terem preservado os ossos de José implica que os cristãos devam venerar relíquias sagradas, como afirmam alguns católicos?

R: Não. O facto de os ossos terem sido preservados para o enterro não significa que fossem venerados. Não há qualquer evidência na Bíblia de que os ossos de José, ou de qualquer outra pessoa, fossem considerados objetos sagrados de adoração.

O segundo mandamento proíbe ter quaisquer imagens perante Deus. Ao longo da Idade Média, vários católicos tentaram categorizar os pecados, sendo os «sete pecados capitais» os mais famosos. O que é interessante nestas várias listas é que os autores de todas elas se esqueceram do segundo mandamento.


P: Em Êxodo 13:21-22; Êxodo 14:19-20; Êxodo 40:38, como é que Deus pôde acompanhar Israel sob a forma de uma nuvem e de uma coluna de fogo?

R: Uma vez que Deus já se tinha manifestado como três visitantes a Abrão e como fogo numa sarça a Moisés, manifestar-Se como uma nuvem ou uma coluna de fogo não seria de todo difícil para Deus. Provavelmente é mais difícil para nós quebrarmos os nossos esquemas pré-concebidos sobre o que pensamos que Deus tem de fazer do que é para Deus manifestar-Se sob uma determinada forma.


P: Em Êxodo 14:6-7, por que razão o Faraó perseguiu todos os israelitas com apenas 600 carruagens?

R: Embora as carruagens fossem armas de guerra impressionantes nos tempos antigos e a maioria dos israelitas não possuísse armas, a resposta reside no facto de Êxodo 14:7 referir que o Faraó levou 600 das melhores carruagens, bem como todas as outras carruagens, e Êxodo 14:9 mencionar «e o exército». Êxodo 15:4 também faz referência às carruagens do Faraó e ao seu exército.


P: Em Êxodo 14:6-7, como eram as carruagens egípcias naquela época?

R: Os arqueólogos indicam-nos que as carruagens no norte da Mesopotâmia eram semelhantes a carroças, com três ou quatro pessoas a bordo e até quatro burros ou cavalos. Os egípcios possuíam algumas carruagens semelhantes a estas, até que os hicsos conquistaram a maior parte do Egito, após 1586 a.C., com as suas carruagens superiores. A partir dessa altura, as carruagens egípcias passaram a ser muito leves, com dois cavalos e dois homens. Um homem era o condutor da carruagem e o outro era o arqueiro. As rodas eram grandes, geralmente com seis raios. Não havia pontas nos eixos das carruagens até à época persa. As carruagens eram armas de guerra importantes em terreno seco e plano, mas não eram muito úteis nas montanhas ou em terreno molhado e encharcado.


P: Em Êxodo 14:9-28 e Josué 24:6, como é que o Faraó tinha «cavaleiros», uma vez que os exércitos daquela época não possuíam cavalaria?

R: Estas referências podem referir-se a «condutores de carruagens», e não à cavalaria. Quando esta palavra é utilizada, é sempre em contraste com o exército regular.


P: Em Êxodo 14:14, uma vez que Deus lutou pelos israelitas nessa altura, por que razão Deus não lutou sempre pelos israelitas mais tarde?

R: Deus não tinha a obrigação de lutar sempre pelos israelitas. Ele podia lutar por eles e abster-Se de o fazer sempre que assim o desejasse. Muitas vezes, parece que Deus os deixava travar as suas próprias batalhas.


P: Em Êxodo 14:17; 15:21, de que forma o afogamento dos egípcios exalta Deus e Lhe confere glória?

R: Isso demonstrou, aos olhos dos israelitas, que Deus tinha o poder de os salvar mesmo de um exército poderoso e que Deus velaria por eles.


P: Em Êxodo 14:17; 15:21, por que razão Deus foi tão injusto ao afogar o exército egípcio no Mar Vermelho, quando os soldados estavam apenas a obedecer a ordens?

R: Há aqui uma lição importante: os soldados não devem obedecer a ordens que sejam más. Naquela época, quando os soldados egípcios receberam ordens para matar os pacíficos adoradores de Deus, ficaram sujeitos ao julgamento pela sua «obediência maligna». Hoje, quando os «guerreiros sagrados» muçulmanos recebem ordens para matar adoradores pacíficos de Deus apenas por serem cristãos, também eles estão sujeitos ao julgamento de Deus no fogo do inferno.


P: Em Êxodo 14:18, os israelitas atravessaram o Mar «Vermelho» ou o Mar «dos Juncos», que é muito raso?

R: O termo hebraico é «Yam Suph», e pode referir-se a qualquer um dos dois; não sabemos exatamente onde atravessaram. O livro «When Critics Ask», pp. 75-76, sugere que poderá ter sido o Lago Ballah, que era um «mar» pouco profundo com 10 a 15 milhas (16 a 24 km) de largura. (O Lago Ballah foi destruído quando o Canal do Suez foi construído.)

Mesmo o Mar dos Juncos pode não ter sido raso naquela época. Êxodo 14:22 diz que as águas formaram uma «parede» de ambos os lados, pelo que deve ter havido uma quantidade considerável de água ali. Se o mar que atravessaram fosse raso e os israelitas o tivessem atravessado, então, como alguém observou com ironia, seria um milagre muito maior se tivessem atravessado o raso Mar dos Juncos, afogando todos aqueles cavalos e condutores de carruagens em apenas algumas polegadas de água.


P: Em Êxodo 14:21-29, como é que Deus conseguiu abrir o mar?

R: O Todo-Poderoso podia fazê-lo da forma que quisesse. Êxodo 14:21 refere um forte vento de leste, mas também poderiam existir outros fatores.


P: Em Êxodo 14:21-29, terá a gigantesca erupção vulcânica de Thera causado a divisão do Mar Vermelho?

R: Esta teoria foi defendida pelo livro *The Bible as History* e por Hans Goedicke. Esta teoria pareceu popular em determinada altura, porque a erupção do vulcão da ilha de Thera parecia ter ocorrido por volta de 1500 a.C., o que se aproximava da opinião de Goedicke de que o Êxodo teve lugar em 1477 a.C. (Atualmente, acredita-se que o Êxodo tenha ocorrido em 1445 a.C.) No entanto, o estudo da datação por radiocarbono calibrada dos anéis de crescimento tanto de carvalhos na Irlanda como de pinheiros-de-bristlecone na Califórnia indica, de forma independente, um arrefecimento global que provocou o atraso no crescimento das árvores por volta de 1628 a.C. ± 20 anos. A datação das camadas de gelo da Gronelândia aponta para um arrefecimento por volta de 1645 a.C. Assim, a erupção vulcânica na ilha de Thera ocorreu cerca de 200 anos antes.


P: Em Êxodo 14:21-29, como é que 2 milhões de israelitas conseguiram atravessar o Mar Vermelho em apenas 24 horas?

R: Suponha que 602 000 homens correspondam a cerca de 2 a 2,5 milhões de pessoas. Se a travessia tivesse, talvez, 2 a 2,5 milhas (3,2 - 4 km) de largura e as pessoas estivessem, em média, a duas jardas de distância umas das outras, isso corresponderia a 1 760 colunas em fila indiana de 1 136 pessoas cada. Tendo em conta as carroças e os animais, se mantivessem uma distância média de dez jardas em relação à pessoa à sua frente e caminhassem lentamente a 1 milha (1,6 km) por hora, poderiam passar por um determinado ponto em 6,5 horas.


P: No Êxodo 15, há alguma evidência de que os hebreus tenham vagueado pela península do Sinai?

R: Sim, existem algumas evidências. Foram encontradas inscrições em cavernas no Monte Sinai que descrevem a divisão do mar, Moisés e a captura das codornizes. O mais interessante é a língua: tratava-se de uma mistura de egípcio e hebraico. O historiador Diodoro Sículo (10 a.C.) também tinha conhecimento disto. No entanto, a autenticidade das inscrições não pode ser comprovada nem refutada. Isto deve-se provavelmente ao facto de não haver forma de datar as inscrições nas paredes rochosas.

O «Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica», na página 535, refere que, na entrada das minas de cobre no Sinai, existem centenas de inscrições. A maioria delas está em caracteres hieroglíficos egípcios, mas cerca de 40 inscrições estão numa espécie de escrita alfabética proto-sinaítica do século XV a.C. Estas constituem um dos mais antigos artefactos de escrita alfabética preservados até aos dias de hoje.


P: Em Êxodo 15:1-21, esta secção deve ser associada à secção anterior do Êxodo ou à secção seguinte?

R: Uma vez que se trata de uma narrativa, pode ser incluída em qualquer uma das duas. Muitos comentadores colocam-na na secção anterior, uma vez que provavelmente foi entoada logo após a sua libertação. No entanto, ao organizar o Êxodo, prefiro colocá-la na secção seguinte, porque a primeira metade de Êxodo 15 e a última metade de Êxodo 15 formam imagens espelhadas muito bem harmonizadas. Enquanto viajavam pelo deserto, temos de nos lembrar que os israelitas não podiam «ler adiante» no Livro do Êxodo para descobrir para onde iam ou o que lhes iria acontecer. À medida que avançavam, havia basicamente apenas duas coisas que podiam fazer: recordar a grandeza e a graça de Deus para com eles, ou queixar-se das suas condições atuais.

Nas nossas vidas hoje, também há basicamente apenas duas coisas que podemos fazer: agradar a Deus, glorificando-O e obedecendo-Lhe com gratidão, ou fixar o nosso afeto no mundo e queixar-nos ou seguir o nosso próprio caminho, duvidando da provisão ou do cuidado de Deus.


P: Em Êxodo 15:1, como é que havia «cavaleiros», uma vez que o exército egípcio provavelmente não dispunha de cavalaria naquela época?

R: A palavra «cavaleiros» não especifica o que é montado. Os exércitos daquela época dependiam de carruagens, e estes são cavaleiros de carruagem, também chamados de cocheiros.


P: Uma vez que Êxodo 15:11 diz: «Quem, entre os deuses, é como Tu?», existe mais do que um Deus?

R: Não. Este versículo, tal como Isaías 40:18, mostra que Deus é incomparável. 1 Coríntios 8:1-7 mostra que existem muitos ídolos, mas que há apenas um Deus Verdadeiro, tal como demonstrado em Deuteronómio 4:35-39; 6:4; Marcos 12:29-33; Isaías 43:10-12; 44:6,8; 45:5-6,14,21; 46:9; Joel 2:27; 1 Timóteo 1:17; 2:5; e 6:15-16.


P: Em Êxodo 15:16, de que forma Deus «resgatou» os israelitas?

R: Uma das razões pelas quais eles pertencem a Deus é o facto de Ele lhes ter salvado a vida.


P: Em Êxodo 15:22-27, o que podemos aprender com as águas de Mara e de Elim?

R: Deus estava a pôr o povo à prova, de acordo com Êxodo 15:25. O povo precisava desesperadamente de água e encontrou água em abundância em Mara, mas isso pode ter parecido uma piada cruel, pois a água era amarga e imprópria para beber. A água amarga costuma sê-lo porque é muito alcalina. Por isso, não só tem mau sabor, como é prejudicial para o corpo. Deus não só tornou a água amarga suportável e suficientemente saudável para beber, como a tornou, na verdade, doce e de sabor agradável.

Será que Deus pode prover para si numa terra árida e sedenta? Deus conhece as suas necessidades, mas e se estiver em necessidade e a única provisão parecer não passar de uma piada cruel? Continuará a ser fiel e a esperar que Deus lhe forneça outra água ou, como neste caso, que, milagrosamente, transforme a aparente «não-solução» ao seu problema numa solução adequada e que até lhe proporcione satisfação?

Os israelitas foram postos à prova muitas vezes, tal como Davi, os judeus posteriores, Jesus e os primeiros cristãos. Não devemos surpreender-nos quando também somos postos à prova.


P: Em Êxodo 16:1-36, o que podemos aprender com o maná e as codornizes?

R: A necessidade urgente de água do povo foi satisfeita, mas e quanto à sua sobrevivência a longo prazo? Em vez de pedirem a Deus que lhes satisfizesse a necessidade, resmungaram contra Moisés. Quando tem uma necessidade legítima e Deus ainda não a satisfez, o que faz? Queixa-se ou continua a orar a Deus? Será que Deus o pode alimentar num lugar árido? Quando não há alimento — seja físico, emocional, de amizade ou espiritual —, acha que Deus é poderoso o suficiente para cuidar de si a longo prazo? Devemos planear o futuro (como a formiga sábia em Provérbios 30:25), mas consegue olhar para o futuro com confiança Nele, e não com medo?


P: Em Êxodo 16:23-30, por que razão os israelitas deviam guardar o sábado num lugar chamado «Deserto de Sin», uma vez que a ordem só foi dada mais tarde, com os Dez Mandamentos no Sinai?

R: Deus comunicou-lhes este mandamento antes de lhes ter dado os dez mandamentos.


P: Em Êxodo 16:23, o Deserto de Sin é o mesmo que o Deserto de Zin?

R: Não. O Deserto de Sin ficava a oeste do Monte Sinai, enquanto o Deserto de Zin ficava a sul de Judá e a nordeste de Cades-Barnéia. O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 404, refere que a consoante hebraica inicial é diferente.


P: Em Êxodo 16:31, Números 11:7-9, Deuteronómio 8:3,15, Josué 5:12, Salmos 78:24,25, 105:40 e Neemias 9:15, o que é exatamente o maná?

R: As Escrituras limitam-se a afirmar que se tratava de um alimento milagrosamente fornecido por Deus.

Alguns têm avançado a teoria de que se tratava da secreção comestível das árvores de tamargueira no Sinai, de secreções de insetos, etc., mas uma explicação natural é insuficiente. O maná surgia seis dias por semana, mas não no sábado. Além disso, não haveria insetos nem secreções de árvores de tamargueira em quantidade suficiente para alimentar uma população tão numerosa.

Hebreus 9:4 menciona que um vaso com maná foi colocado na arca.


P: Em Êxodo 17:1-7, por que razão Deus se irou contra as pessoas que Lhe obedeceram?

R: Êxodo 17:1 diz que o povo viajava de lugar em lugar, conforme o Senhor ordenara. No entanto, murmuravam enquanto obedeciam. A obediência não é suficiente; devemos ter uma obediência alegre, sem queixas nem discussões, como diz Filipenses 2:14.


P: Em Êxodo 17:2 e Deuteronómio 6:16, como é que as pessoas podem tentar Deus, uma vez que Deus não pode ser tentado pelo mal, segundo Tiago 1:13?

R: Uma tradução mais adequada do que «tentar a Deus» é «por o Senhor à prova». Deus não pode realmente ser tentado pelo mal, mas as pessoas podem, ainda assim, tentar. Trata-se de uma expressão do pecado das pessoas que dizem a Deus: «age desta forma e realiza este milagre, ou então...».


P: Em Êxodo 17:8, quando os israelitas só estavam a vencer enquanto Arão e Hur mantinham as mãos de Moisés erguidas, isso não soa a superstição?

R: Todos sabiam que o poder estava em Deus, não nas mãos. Deus, por vezes, recorre a ações físicas para canalizar o Seu poder. Para outros exemplos, consulte 2 Reis 13:21 (os ossos de Eliseu), Números 21:4-9 (a serpente de bronze) e João 9:6-7 (Jesus a fazer lama para colocar nos olhos de um cego).


P: Em Êxodo 17:15-16, qual é a importância do nome de Deus neste contexto?

R: É muito significativo que Moisés tenha chamado a Deus de Yahweh Nissi, «O Senhor é a minha bandeira». Numa batalha militar, a bandeira representava a honra do exército ou da divisão, e os soldados lutavam até ao fim para a salvar a todo o custo. Isto significa muito mais do que o facto de Deus ser forte e poderoso. Quando um grande exército, determinado a derrotar os israelitas, avançou diretamente contra eles, os israelitas NÃO se limitaram a acreditar que Deus era um ser poderoso e distante, que lhes poderia dar alguma ajuda se Lhe apetecesse. Pelo contrário, acreditavam não só que Deus era poderoso, mas que Deus os ajudaria no momento decisivo e salvaria aqueles que invocassem o Seu nome. Hoje, todos os cristãos acreditam que Deus é Todo-Poderoso, mas vive realmente como se acreditasse que Deus o ajudará no momento decisivo? Se assim for, então não só acredita que Deus é o seu estandarte e que lutará até ao fim para se manter firme por Deus, como também sabe que é o estandarte de Deus, no sentido de que leva o Seu nome e é a menina dos Seus olhos (Deuteronómio 32:10; Salmo 17:8), e que Deus estará certamente consigo. Mesmo que seja morto por Deus, sabe que «Preciosa é, aos olhos do Senhor, a morte dos seus santos.» (Salmo 116:15 NVI)


P: Em Êxodo 18:7, uma vez que devemos adorar apenas a Deus, por que razão Moisés fez uma reverência ao seu sogro?

R: Curvar-se em sinal de respeito não é adoração. Ainda hoje as pessoas curvam-se ou fazem uma reverência ao monarca de Inglaterra por respeito. Abraão curvou-se em sinal de respeito perante os reis, e fazer uma reverência é aceitável desde que não seja interpretado como adoração. Em contraste com isto, estima-se que até 50 000 cristãos tenham perecido durante a perseguição romana e muitas pessoas interpretam mal o motivo. Os romanos não tinham qualquer problema com o facto de os cristãos adorarem Jesus. O que os romanos não toleravam era a recusa dos cristãos em adorar qualquer outra entidade que não fosse Deus, especialmente o imperador romano. Para piorar a situação, os pagãos romanos rotulavam os cristãos de «ateus» por não acreditarem nos seus ídolos.


P: Em Êxodo 18:17-26, por que razão Moisés seguiu o conselho de Jetro em vez do de Deus?

R: Não era contrário à vontade de Deus, mas Moisés reconheceu-o como um bom conselho para seguir a Deus. Devemos ser práticos e aceitar conselhos bons e retos tanto de outras pessoas como de Deus.


P: Em Êxodo 19:3,20; 24:9,13,15,18; 34:4, por que razão Moisés subiu à montanha sete vezes e voltou para ver o Senhor (Êxodo 32:31), embora só esteja registado que Moisés desceu quatro vezes em Êxodo 19:14,24; 32:15; 34:29?

R: Alguns têm utilizado este facto para tentar sustentar a hipótese de uma autoria múltipla do Êxodo, mas o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 416, afirma que isto não ajuda realmente a responder à questão. O livro do Êxodo não tem de seguir uma ordem cronológica; não há qualquer problema em que, neste caso, siga uma ordem cronológica; a sequência é, na verdade, bastante simples.

Êxodo 19:3 Moisés subiu sozinho

Êxodo 19:14 Moisés desceu sozinho

Êxodo 19:20 Moisés subiu sozinho até ao cume

Êxodo 19:24 Moisés desceu brevemente para ir buscar Arão

Êxodo 24:9 Moisés e outros 73 subiram

Êxodo 24:12-13 Deus diz a Moisés para subir, pelo que Moisés deixa os anciãos onde estão, e Moisés e Josué subiram mais acima.

Êxodo 24:15 refere que Moisés subiu, aparentemente sozinho, pelo que subiu mais acima.

Êxodo 24:18 diz que, então, Moisés entrou na nuvem à medida que subia, pelo que esta é a mesma viagem referida em Êxodo 24:15.

Êxodo 32:15 Moisés desceu [todo o caminho] com duas tábuas, encontrando-se com Josué. (Moisés partiu as tábuas em Êxodo 32:19)

Êxodo 32:31 Moisés voltou para junto do Senhor. Isto não significa necessariamente que tenha subido e descido a montanha, embora pudesse tê-lo feito.

Êxodo 34:4 Moisés subiu com duas tábuas de pedra em branco

Êxodo 34:29 Moisés desceu da montanha com duas tábuas de pedra.

Por falar em Moisés e montanhas, uma sequência semelhante ocorreu durante a transfiguração de Jesus. Viajando com os doze discípulos, Ele separou-se e subiu a montanha apenas com três deles. Lucas 9:32-33 mostra que Jesus se encontrava a alguma distância dos três quando a transfiguração ocorreu. Em seguida, uma nuvem envolveu-os. Lucas 9:36-37 mostra que os outros discípulos voltaram a juntar-se a Jesus antes de as multidões se encontrarem com Ele na base da montanha.

Resumo: Reconhecendo que é possível subir parte do caminho de uma montanha com um grupo maior e subir mais acima com um grupo menor, e reconhecendo que o regresso de cada viagem não precisa de ser mencionado, não há qualquer dificuldade quanto ao número de viagens de Moisés.


P: Em Êxodo 19:4, como é que o povo poderia ter asas de águia?

R: Trata-se de uma metáfora da forma como Deus agiu para os conduzir, sem qualquer esforço da parte deles. (Quando enfrentamos dificuldades enormes, Deus continua a carregar-nos nas asas de águias, ainda hoje.)


P: Em Êxodo 19:11, onde fica exatamente o Monte Sinai?

R: Região: A Península do Sinai é um triângulo virado para sul, com as montanhas na parte sul, a que Êxodo 19:2 e Números 3:14; 9:1,5; 10:12 chamam de Deserto do Sinai. O Deserto de Sin separa Elim do Sinai. Números 33:3-50 indica cada local onde os israelitas acamparam. Infelizmente, desconhecemos a localização de muitos desses acampamentos, mas, ao analisá-los, podemos perceber o que se encontra entre um e outro.

Dentro do Deserto do Sinai, existem, na verdade, duas montanhas, próximas uma da outra, que correspondem à localização do Monte Sinai.

Gebel Musa/Mousa (7 363 pés) Esta é a visão tradicional, pelo menos desde cerca de 500 d.C. Apresenta penhascos muito íngremes. O Mosteiro de Santa Catarina situa-se no sopé desta montanha. Muitos muçulmanos, embora não todos, também consideram esta montanha como o Monte Sinai. O *New International Dictionary of the Bible*, p. 674, apresenta uma imagem do Jebel Musa.

Ras es-safsafeh (6 540 pés, 1 993 metros) situa-se a duas milhas (3,2 km) a norte de Gebel Musa, na mesma cordilheira. Possui uma planície mais ampla no seu sopé.

Gebel Serbal (improvável): Eusébio de Cesareia (325 d.C.) acreditava nisso. No entanto, o «The New Bible Dictionary» (1978), pp. 1193-1194, refere que não existe nenhum deserto junto ao seu sopé.

Algumas pessoas pensam que o Monte Sinai se situa em Jebel al-Lawz, na Arábia, talvez porque

a) Pensam, erradamente, que a Península do Sinai fazia parte do Egito durante o Êxodo

b) se esquecem de que o Monte Sinai ficava fora da terra de Midiã, de acordo com Êxodo 18:27 e Números 10:29-30

c) Paulo afirmou que o Monte Sinai se situava na Arábia (Gálatas 4:25), e esquecem-se de que a Península do Sinai fazia parte da província romana da Arábia.

www.christiananswers.net/abr/scoop.html, após apresentar as razões anteriores, afirma também que a distância até à Arábia seria demasiado grande a partir de Cades-Barnéia, uma vez que as pessoas com rebanhos e manadas percorriam apenas cerca de 6 milhas por dia. No entanto, a distância entre Jebel al-Lawz e Cades-Barnéia é de cerca de 150 milhas, e eles percorreram o caminho do Sinai até Cades-Barnéia em apenas 11 dias.

Os muçulmanos tentam, por vezes, afirmar que o Monte Sinai é Meca. Afinal, Gálatas 4:25 diz que o Monte Sinai fica na Arábia. No entanto, não se trata do país moderno da Arábia Saudita, mas sim da Península do Sinai, que fazia parte da província romana da Arábia. Além disso, uma viagem de 11 dias, de cerca de 800 milhas, de Meca até Cades-Barnéia, com rebanhos, animais jovens e crianças pequenas, a pé, seria algo incrível. Consulte «The Roman World», p. 107, ou a «Enciclopédia Britânica», na secção de História Romana, para ver um mapa.

Se o Monte Sinai fosse realmente Meca, isso não faria qualquer diferença para os cristãos, exceto que as etapas da viagem de Israel deixariam de fazer sentido. No entanto, isso é aparentemente importante para alguns muçulmanos, uma vez que daria credibilidade à ideia de que Meca teve algum papel na obra de Deus antes de Maomé. Contudo, outros muçulmanos, como se pode ver na nota de rodapé 2504 do «Alcorão Sagrado: Tradução Inglesa dos Significados e Comentário», equiparam o Monte Sinai a Gebel/Jabal Musa, tal como faz a maioria dos cristãos.


P: Em Êxodo 20:4-5, é aceitável que os cristãos usem e possuam cruzes e outras formas de arte religiosa?

R: Como lembranças, não há problema, tal como os judeus copiavam as Escrituras como lembranças, com base em Deuteronómio 6:8-9. No entanto, nem as cruzes, nem as Escrituras, nem qualquer outra coisa devem ser adoradas em vez de Deus.


P: Uma vez que Êxodo 20:4-5 diz para não se terem imagens esculpidas, por que razão havia tantas imagens no tabernáculo (Êxodo 25-27) e, mais tarde, no templo (1 Reis 6:1-38; 7:13-51)?

R: Era permitido fazer as imagens que Deus ordenou para fins decorativos e não para adoração. No entanto, quando até mesmo as imagens que Deus ordenou que fossem feitas eram utilizadas para adoração, deviam ser destruídas. A título de exemplo, leia sobre a serpente de bronze em Números 21:4-9 e 2 Reis 18:1-4. Consulte o livro 2, capítulo 22, da obra «Cinco Livros Contra Marcião» (207/208 d.C.) de Tertuliano para obter mais informações.


P: Em Êxodo 20:5; Deuteronómio 4:24; 6:15; Joel 2:18; Sofonias 1:18, será Deus um Deus ciumento, uma vez que 1 Coríntios 13:4 afirma que o amor não é invejoso?

R: Três pontos a considerar na resposta:

1. Muitos versículos mostram que não devemos invejar os outros pelo que têm, nem mesmo pelas coisas com que Deus os abençoou.

2. Deus não é uma criatura e, segundo as Suas regras, é legítimo que Ele sinta ciúmes da adoração e da devoção que Lhe pertencem por direito. Isto é semelhante a alguém que espera devoção e fidelidade de um cônjuge, ou a um pai que espera honra e obediência de um filho.

3. Para além disso, 2 Coríntios 11:2 mostra que devemos ter um ciúme piedoso para que os outros continuem a ser devotos ao verdadeiro Jesus, em vez de a uma falsificação.


P: Em Êxodo 20:5, resumidamente, por que razão um Deus justo faz recair a iniquidade dos pais sobre os filhos até à terceira e quarta geração?

R: Ezequiel 18 e Deuteronómio 24:16 mostram que Deus não declara o filho culpado pelos pecados do pai, mas Êxodo 20:5 e outros versículos indicam que os filhos sofrem as consequências negativas dos pecados alheios. Muitos acreditam que o julgamento de Deus tem em consideração o ponto de partida de cada um e o que lhes estava ao alcance, e nem todos partem do mesmo ponto nem têm as mesmas oportunidades.


P: Em Êxodo 20:5; Êxodo 34:7; Números 14:18; e Deuteronómio 5:9, de que forma é que Deus castiga os filhos pelos pecados dos seus pais até à terceira e quarta geração, quando Ezequiel 18:4, 18-19 e Deuteronómio 24:16 afirmam que cada um morrerá pelo seu próprio pecado, e não pelo do seu pai, e Ezequiel 18:19 afirma que o filho não partilha da culpa do pai?

R: Deus aparentemente considerou este um conceito importante, pois os quatro versículos da Lei repetem a mesma ideia utilizando as mesmas duas palavras hebraicas.

«Visitar» é paqad (Strong 6485), que é uma palavra neutra que pode significar «visitar» com intenção tanto amigável como hostil.

«Iniquidade» é «’avon» (Strong 5771), que significa perversidade, maldade, falta, iniquidade, malícia, castigo (pela iniquidade), pecado.

Algumas pessoas pensaram que o seu pecado não tem qualquer efeito sobre os seus filhos; outras pensaram que uma criança pode ser culpada apenas por causa dos seus pais. Jeremias 31:29-30 e Ezequiel 18:2 repreendem as pessoas por dizerem: «Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos ficam sensíveis.» Em Jó 21:19, Jó diz algo semelhante. A verdade, na realidade, não se situa em nenhum destes extremos. Primeiro, duas coisas que não constituem a resposta e, em seguida, a resposta.

Revelação anterior vs. posterior (não é a resposta): A Torá (Lei) foi dada por volta de 1440 a.C., e o livro de Ezequiel foi escrito após 587 a.C. Assim como a forma de Deus lidar com as pessoas diferia significativamente na época de Noé, na época de Abraão, sob a Lei Mosaica e após Cristo, a forma de Deus lidar com as pessoas diferia de forma menos acentuada entre Moisés (quando apenas tinham a lei) e Ezequiel (quando já dispunham também de escritos proféticos). No entanto, ambos se encontravam sob a Lei mosaica, e não houve qualquer mudança explícita de aliança/dispensação entre os dois. Além disso, Deuteronómio 24:16 também afirma que pais e filhos não devem ser condenados à morte uns pelos outros, e foi escrito na mesma época que o resto do livro de Deuteronómio.

Visitar a iniquidade vs. Morrer pelos pecados (não é a resposta): Os versículos da Lei não dizem que os filhos morrerão pelos pecados dos seus pais/antepassados, mas apenas que a iniquidade recairá sobre eles. Ezequiel 18 e Deuteronómio 24:16 afirmam apenas que um filho não morrerá pelos pecados do seu pai. No entanto, embora Deuteronómio 24:16 e Ezequiel 18 mostrem que a morte [física e espiritual] e as consequências eternas não são da responsabilidade dos pais, mas da própria pessoa, não se pode ignorar o facto de que os outros versículos provam que o pecado tem efeitos geracionais. Existem, pelo menos, três efeitos diferentes.

Consequências: As consequências físicas são as mais fáceis de observar: os bebés nascidos de mães toxicodependentes nascem viciados em drogas. Alguns bebés são afetados pela síndrome alcoólica fetal devido a mães alcoólicas. Se começarem a consumir álcool, terão um vício particularmente forte por esta substância. Mas Deus, por vezes, estabelece também consequências não físicas. Canaã e os seus descendentes foram amaldiçoados com consequências devido ao pecado de Cam, em Génesis 9:25-27. Os descendentes de Eli foram amaldiçoados em 1 Samuel 2:31-33 devido aos grandes pecados dos filhos de Eli. A descendência de Jeoiaquim nunca mais reinaria, conforme Jeremias 22:28-30. Mas também existem consequências geracionais positivas pela obediência, como no caso dos descendentes dos recabitas em Jeremias 35:18-19 e dos descendentes de Abraão em Génesis 12:2, etc. Por fim, Romanos 8:28 promete que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. Quando suportamos as maldições com paciência, Deus é poderoso o suficiente para transformar até mesmo essas em bênçãos.

Crescer no pecado: Êxodo 20:5 e Deuteronómio 5:9 afirmam que Deus faz recair a iniquidade sobre os filhos daqueles que O odeiam. As crianças crescem frequentemente a aprender os valores dos seus pais. Se os pais de alguém odiavam Deus, provavelmente essa pessoa cresceu a ser ensinada o mesmo, seja de forma direta ou implícita. No entanto, tal como Abraão de Ur, os gibeonitas de Canaã, Rute, a moabita, e os pagãos a quem os primeiros cristãos pregavam, podemos seguir o chamamento de Deus para ultrapassar toda e qualquer má educação e viver uma nova vida que Lhe seja agradável.

É Necessário Optar por Ir Contra o Pecado: Quando os pais de uma criança estiveram envolvidos num pecado, e particularmente se os pais odiassem a Deus, a criança será confrontada com uma oportunidade relacionada com esse pecado. O filho ou a filha deve optar por ir contra os padrões dos seus pais, ou mesmo contra a norma da sua cultura, e seguir a Deus. Tal como foi dito a Abraão para deixar a sua família e o seu povo e seguir para onde Deus o conduzisse, todos nós, de uma forma ou de outra, temos de deixar para trás partes da nossa cultura e educação e seguir Cristo.

Um exemplo simples dos três aspetos: Os israelitas pecavam frequentemente ao adorarem ídolos até ao Exílio. As crianças israelitas nascidas depois disso sofreram as consequências de se encontrarem no exílio devido aos pecados dos seus pais e antepassados. Durante a sua educação, seria especialmente tentador seguir o caminho mais fácil e adorar os deuses babilónicos que os rodeavam, tal como todos os outros faziam; muitos fizeram-no e foram assimilados por essa cultura. Mas alguns, confrontados com os ídolos durante o período de maldição que viveram na Babilónia, escolheram Deus e opuseram-se ao pecado, regressando à terra de Israel. A partir desse momento, Israel nunca mais teve problemas com ídolos.

Conclusão: Quer as pessoas gostem ou não, Deus demonstrou que o pecado tem aspetos geracionais. Deus é justo, e podemos compreender o que Deus revelou sobre a Sua justiça. No entanto, a justiça de Deus é definida pela Sua Palavra; não temos liberdade para ignorar a Sua Palavra e exigir que Deus se conforme às nossas próprias ideias de justiça. Na cultura «independente e autónoma» da sociedade ocidental, podemos querer ignorar o facto de que existem aspetos geracionais no pecado, mas a justiça de Deus é definida pelo que Deus disse, não pelo que desejamos.


P: Uma vez que Êxodo 20:8 diz que devemos honrar o dia do sábado, por que razão os cristãos de hoje acreditam que não há problema em trabalhar ao sábado?

R: Os cristãos genuínos têm três pontos de vista diferentes:

Sábado: No Antigo Testamento, o sábado ia do pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de sábado. Uma das razões pelas quais a nação de Judá foi exilada para a Babilónia durante 70 anos deveu-se aos 70 * 7 = 490 anos em que não observaram o sábado. (O ano deles tinha 360 dias.) Ver Levítico 26:31-36; Jeremias 25:11-12; 29:10,16; e Daniel 9:2.

Domingo: Depois de Jesus ter ressuscitado dos mortos, o domingo tornou-se o dia do Senhor e era celebrado pelos primeiros cristãos. Paulo não explicou aos coríntios por que razão era o primeiro dia da semana em 1 Coríntios 16:2; Paulo partiu do princípio de que eles já o sabiam. Apocalipse 1:10 também se refere ao domingo ou, então, a uma visão do dia do Senhor. A Primeira Apologia de Justino (c. 138-165 d.C.), cap. 67, p. 185-186, também menciona a adoração ao domingo. Irineu (182-188 d.C.), no fragmento 7 (p. 569), refere igualmente que falou da Páscoa e do dia do Senhor.

Todos os dias: Nos tempos do Antigo Testamento, os crentes deviam estar no descanso de Deus um dia por semana. No entanto, Hebreus 4:11 indica que hoje temos um descanso diferente e melhor. Devemos dedicar todos os dias da semana a permanecer no descanso de Deus. Em Colossenses 2:16, Paulo repreende os colossenses por continuarem a guardar o dia do sábado. Romanos 14:5 fala, sem desaprovação, dos cristãos que consideram todos os dias iguais. Em 1 Coríntios 16:2, eles recolhiam as ofertas ao domingo.

Consulte a pergunta sobre Romanos 14:5 para saber o que a igreja do Novo Testamento fazia. A igreja pós-Novo Testamento adorava ao domingo, conforme demonstrado por

Inácio, discípulo do apóstolo João (110-117 d.C.)

Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.)

Primeira Apologia de Justino Mártir (150 d.C.), capítulo 67, pp. 185-186

Dionísio de Corinto (175 d.C.)

Melito de Sardes (175 d.C.)

Constituições Apostólicas (século II)

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.)

«Apologeticus» de Tertuliano (198-220 d.C.)

Até mesmo o herege Bardesanes (180 d.C.)

Agostinho afirmou que não era necessário observar o sábado nos tempos do Novo Testamento.

Desvios em relação a esta posição foram mencionados por Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) (Diálogo com Trifão, cap. 47, p. 218), que se refere aos observadores do sábado como «irmãos mais fracos», e Eusébio de Cesareia (324 d.C.) menciona que os hereges ebionitas observavam o sábado.


P: Uma vez que Êxodo 20:13 e Deuteronómio 5:17 dizem: «Não matarás», por que razão foram mortas tantas pessoas e animais?

R: Essa é uma boa pergunta sobre um ponto frequentemente mal interpretado. Se Êxodo 20:13 significasse realmente nunca matar ninguém, isso seria uma novidade para Moisés. Em mais de uma ocasião, Deus ordenou a Moisés que travasse guerras e executasse os transgressores da lei. Se Êxodo 20:13 significasse realmente nunca matar nada, isso seria uma novidade para Deus, que ordena o sacrifício de animais.

A palavra hebraica «râtsach» poderia significar «matar pessoas», mas o livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 148-149, afirma que, das sete palavras hebraicas para «matar», esta palavra — que aparece 47 vezes no Antigo Testamento — é a que significa «homicídio». O contexto de Êxodo indica que algumas guerras e execuções legítimas não só são permitidas, como também ordenadas.

Como nota interessante à margem, um antigo governador da Pensilvânia vetou um projeto de lei para restabelecer a pena de morte, citando este versículo e interpretando-o erroneamente.


P: Em Êxodo 20:13 e Deuteronómio 5:17 diz-se: «Não matarás». Ele ordenou que não matássemos e, no entanto, enviou o Seu Filho unigénito para ser sacrificado (ou seja, morto) pelo Seu povo, os judeus, o que me confunde. … Por favor, explique por que razão Jesus teve de morrer pelos meus pecados. Por que razão tive de matar Jesus? Por que razão tivemos de violar um dos Seus mandamentos para restabelecer a paz com o nosso Deus e com as nossas almas?

R: O mandamento proibia o homicídio; os israelitas continuavam a ter guerras e execuções. Consulte a resposta à pergunta anterior sobre o abate de animais, as execuções e as guerras. Quanto à expiação, Deus enviou Jesus sabendo que Ele seria morto por malfeitores. No entanto, estes encontravam-se num estado de desobediência a Deus quando o fizeram. Ainda assim, Deus utiliza até mesmo a rebelião e a maldade das pessoas para os Seus desígnios. Romanos 8:28 é realmente um versículo espantoso. Diz: «... em todas as coisas Deus faz com que tudo concorra para o bem daqueles que O amam, que foram chamados de acordo com o Seu propósito.» NÃO diz que Deus faz com que apenas todas as coisas boas concorram para o bem. Pelo contrário, diz que Deus faz com que todas as coisas (boas e más) concorram para o bem daqueles que O amam.

É claro que não fomos nós que matámos Jesus; foram os soldados romanos. No entanto, Deus permitiu que Jesus fosse injustamente assassinado para suportar o castigo pelos nossos pecados.


P: Uma vez que Êxodo 20:13 e Deuteronómio 5:17 dizem para não matar, por que razão Deus, por vezes, mata pessoas?

R: Os Dez Mandamentos foram dados às pessoas; e Deus, que é onisciente, não está limitado pelo que nos deu. Por exemplo, Deus aceita a adoração, e nós não devemos aceitar a adoração.


P: Uma vez que Êxodo 20:14,17 diz para não cometer adultério, por que razão houve casamentos polígamos depois disso?

R: O casamento polígamo não é adultério. A poligamia era permitida, mas não encorajada no Antigo Testamento, e no Novo Testamento não é permitida aos líderes da igreja.

Embora Êxodo 20:17 diga para não cobiçar a mulher do seu próximo (singular), este mandamento é válido independentemente de o seu próximo ter uma ou mais esposas. Se tivesse dito para não cobiçar as mulheres do seu próximo (plural), alguns poderiam ter interpretado isso como significando que cobiçar apenas uma das suas esposas seria aceitável. É claro que não era isso que Deus pretendia.


P: Em Êxodo 20:20, por que razão o povo não devia temer, uma vez que, no mesmo versículo, se dizia que devia temer?

R: Nem eles nem nós devemos sentir medo ou apreensão perante Deus, que tem um amor tão grande por nós. Mas devemos temer a Deus, no sentido de respeitar a Deus, o Seu poder e a Sua santidade. Hoje, devemos também temer pelos perdidos, ou seja, temer que a ira de Deus os destrua se não se arrependerem, como ensina Judas 23.

No entanto, uma vez que Cristo foi revelado, não temos o mesmo temor que eles tinham no Antigo Testamento, como ensina Hebreus 12:18. Veja também a discussão sobre Êxodo 9:30.


P: Em Êxodo 20:24, o altar devia ser feito de terra ou de madeira de acácia, como dizem Êxodo 27:1; 30:1; 37:1 e 38:1?

R: No Monte Sinai, construíram um altar de terra. Mais tarde, para o tabernáculo, construíram um altar portátil com madeira de acácia.

Consulte «When Critics Ask», p. 79, e «Haley’s Alleged Discrepancies of the Bible», pp. 427-428, para obter uma resposta diferente.


P: Em Êxodo 20:25-26 e Josué 8:31, por que razão o povo não devia utilizar pedras talhadas?

R: A Bíblia não explica por que razão Deus ordenou isto, apenas que o fez. No entanto, as rochas talhadas com cinzéis de ferro apresentariam marcas de ferrugem vermelha com o passar do tempo. Com ferramentas de bronze ou cobre, seriam visíveis marcas azul-esverdeadas.


P: Por que razão Êxodo 21:2-21 e Levítico 25:46 toleram a escravatura?

R: A escravatura na Bíblia era semelhante à servidão por contrato. Todos os escravos hebreus deviam ser libertados a cada sétimo ano, conforme Êxodo 21:2-5. Quando o escravo era libertado, o antigo senhor devia providenciar-lhe generosamente o que tivesse, de acordo com Deuteronómio 15:13-15. A única exceção à libertação de um escravo hebreu ocorria se o escravo amasse o senhor o suficiente para optar por permanecer escravo para o resto da vida, conforme Êxodo 21:5-6. No entanto, os hebreus nem sempre libertavam os seus escravos, como demonstra Jeremias 34:8-22; Deus repreendeu-os por isso. Tornavam-se escravos:

Ladrões que não conseguiam reembolsar as pessoas (Êxodo 22:3)

Mulheres vendidas pelos pais como concubinas (Êxodo 21:7-11)

Pessoas que se vendiam como escravos caso estivessem a passar fome


P: Em Êxodo 21:13, o que significa aqui «um ato de Deus»?

R: Trata-se de um conceito muito semelhante ao uso jurídico ocidental da expressão «ato de Deus», que significa algo que está fora do controlo humano. O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 432, refere que expressões semelhantes se encontram no Código de Hammurabi, 249:38-39; 266:77.


P: Em Êxodo 21:17, tratava-se de uma punição severa para filhos desrespeitosos?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Embora isto nos pareça severo hoje em dia, saber que os pais detinham este poder impediria os adolescentes de desprezarem totalmente a autoridade dos pais. No entanto, isto era moderado em comparação com os cananeus e os fenícios, que praticavam o sacrifício de crianças. Imagine apenas uma criança cananeia ou fenícia a comportar-se de forma desobediente e o pai a dizer: «O teu comportamento está a começar a fazer-me sentir muito religioso.» Os únicos israelitas que praticavam o sacrifício de crianças eram os adoradores de ídolos, que Deus condenou.

2. No caso dos israelitas tementes a Deus, dada a sua forte orientação familiar, não há provas de que as crianças alguma vez tenham sido tão desobedientes que os pais recorressem a tal medida.

3. Mesmo que houvesse crianças desobedientes, Êxodo 21:17 não especifica que os pais tivessem de o fazer; tratava-se apenas de uma opção. Não há provas de que algum pai ou mãe tenha optado por fazê-lo.

4. Na época romana tardia, os pais romanos detinham o «direito de paterfamilias». Tratava-se do direito legal de um pai romano matar o seu filho recém-nascido por qualquer motivo que fosse.

Resumo: Por vezes, a criação de uma lei, ao prever uma opção severa, alcança o resultado desejado sem que haja um caso em que tenha de ser aplicada.


P: Em Êxodo 21:20, por que razão alguém é meramente «punido» se espancar um escravo e o matar?

R: Êxodo 21:12 especifica a punição: a morte por homicídio doloso e a fuga para um refúgio em caso de homicídio culposo. Isto aplica-se tanto a escravos como a pessoas livres.

Não havia qualquer menção a uma punição diferente para um escravo, nem necessidade de referir que a punição era a mesma, uma vez que o homicídio de um homem livre ou de um escravo era considerado da mesma forma no Egito, onde viviam. Esta lei egípcia é mencionada na obra *Life in Egypt in Ancient Times*, de Bernard Romant, traduzida por J. Smith (Minerva 1978/81), p. 124.


P: Em Êxodo 21:21, por que razão o Êxodo tolera que se espancem os escravos?

R: Alguns comportamentos no Antigo Testamento não eram defendidos, mas sim permitidos, porque o coração das pessoas era endurecido. Por exemplo, o divórcio era permitido no Antigo Testamento devido ao coração endurecido das pessoas (Mateus 19:8), mas em Malaquias 2:16 Deus afirmou que detestava o divórcio. Espancar uma pessoa, sem causar lesões permanentes, era punido com uma multa pecuniária pelo tempo perdido, conforme Êxodo 21:18-19. Êxodo 21:21 limita-se a salientar que um proprietário de escravos não está sujeito a uma multa pelo tempo perdido, porque foi o próprio proprietário que (talvez insensatamente) fez com que o escravo perdesse esse tempo. No entanto, seja escravo ou não, se um homem agredir alguém de tal forma que a vítima morra, esse homem será condenado à morte, conforme Êxodo 21:12,20. Da mesma forma, se um homem causar lesões permanentes, haverá ou uma multa pecuniária, ou a libertação de um escravo, ou olho por olho.


P: Será que Êxodo 21:22-23 demonstra que o aborto é errado, ou que um feto é menos do que um bebé?

R: O livro «When Critics Ask», na página 79, refere que, segundo o estudioso de hebraico Umberto Cassuto, no seu «Comentário ao Livro do Êxodo» (Magnes Press, 1967): «…Mas se ocorrer algum dano, ou seja, se a mulher ou as crianças morrerem, então deverá dar-se vida por vida.»

Além disso, a palavra hebraica (yatsa’) significa dar à luz um filho vivo, bem como um aborto espontâneo. Existe uma palavra hebraica diferente para aborto espontâneo que não significa nascimento de um filho vivo, mas essa palavra não foi utilizada neste contexto. Por fim, a palavra «filho» é utilizada para designar bebés.

Como nota à parte, o aborto por meios químicos era praticado nos tempos bíblicos. De acordo com a revista Discover (setembro de 1998), uma planta que crescia na Cirenaica, chamada Silphium, podia induzir o aborto. Minúcio Félix (210 d.C.) explicou por que razão os abortos químicos eram errados em *O Octávio de Minúcio Félix*, cap. 30, p. 192, tal como fez Hipólito em *Refutação de Todas as Heresias*, livro 9.7, p. 131 (225-235/6 d.C.). O silfium era vendido pelo seu peso em prata.

Os abortos cirúrgicos também foram descritos em pormenor e condenados por Tertuliano (198-220 d.C.) em *Um Tratado sobre a Alma*, cap. 25, p. 206

«Apologia», de Tertuliano, cap. 9, p. 25 (198-220 d.C.): «No nosso caso, sendo o homicídio proibido de uma vez por todas, não podemos destruir nem mesmo o feto no útero, enquanto o ser humano ainda retira sangue de outras partes do corpo para a sua subsistência. Impedir um nascimento é simplesmente uma forma mais rápida de matar um homem; nem importa se se tira a vida a alguém que já nasceu, ou se se destrói alguém que está prestes a nascer. Aquilo que está prestes a tornar-se um homem já o é; já se tem o fruto na sua semente.»

Tertuliano (198-220 d.C.) afirma: «A lei de Moisés, de facto, castiga com as devidas penas aquele que provocar um aborto, na medida em que já existe o rudimento de um ser humano, ao qual já agora se atribui a condição de vida e morte, uma vez que já está sujeito aos desfechos de ambas, embora, ao viver ainda na mãe, partilhe, em grande parte, o seu próprio estado com a mãe.» Tratado sobre a Alma, cap. 37, p. 218

Tertuliano também refere o aborto químico como errado em «Sobre a Exortação à Castidade», cap. 12, p. 57


P: Em Êxodo 21:29-30, por que razão a pena de morte não era aplicada em alguns casos de homicídio?

R: Tal como na legislação moderna, muitas vezes não há pena de morte para o homicídio culposo. Uma coisa é matar deliberadamente uma pessoa, e outra coisa é matá-la por imprudência.


P: Em Êxodo 21-22, como se comparavam estas leis com outras leis da mesma época?

R: Eis algumas comparações.

Êxodo 21:2-4 Quando um homem solteiro se tornava escravo e o seu senhor lhe dava uma esposa, e o homem era libertado, a esposa e os filhos continuavam a ser escravos do senhor, segundo os textos acádicos de Nuzi.

Êxodo 21:9 Um documento assírio afirmava que, se um homem comprasse uma rapariga para ser esposa do seu filho e o casamento não se concretizasse, o comprador não poderia devolvê-la para que voltasse a ser escrava: «deve tratá-la como se fosse a sua própria filha, uma assíria»

Ex 21:18-19 O Código de Hamurabi (206) estabelece que, se um homem ferir outro acidentalmente e jurar que tal foi o caso, deve, mesmo assim, pagar os honorários do médico. As Leis hititas (10) determinam que deve cuidar do homem que feriu, pagar os honorários do médico e, além disso, pagar-lhe seis (posteriormente, dez) siclos de prata.

Êxodo 22:16-17: se um homem seduzisse uma mulher que não estivesse noiva, a Lei Assíria Média n.º 56 estipulava que o homem tinha de pagar 1/3 do dote, e o pai poderia decidir, conforme quisesse, se permitia ou não que o homem se casasse com ela.

Êxodo 22:19: as Leis Hititas (187-188, 199:16-18) também determinavam a execução de quem mantivesse relações sexuais com uma ovelha, vaca ou porco, mas não com um cavalo ou uma mula. Aparentemente, esta prática era comum entre os cananeus.


P: Em Êxodo 22:8-9 e 1 Samuel 2:25, as pessoas compareciam perante juízes ou perante Deus?

R: Não há dúvida quanto à palavra hebraica; trata-se de «elohim». No entanto, «elohim» pode significar o Deus verdadeiro, deuses falsos ou juízes. Significa «juízes» no Salmo 82:6.

Resumo: Eis o que o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 3, p. 586, afirma sobre 1 Samuel 2:25: «Tal como a margem da NIV indica, nem sempre podemos ter a certeza se (elohim) significa “Deus” ou “os juízes” em determinados contextos. … Aqui, no v. 25, e nas passagens do Êxodo, talvez seja melhor deixar a questão em aberto, uma vez que, em qualquer caso, os «juízes» (se é que o são) são vistos como representantes de Deus que refletem a Sua vontade e cumprem os Seus desejos.»


P: Em Êxodo 22:18, por que razão as bruxas eram condenadas à morte e [supostamente] não os homens?

R: A proibição contra a bruxaria, os médiuns e o envolvimento com o ocultismo aplicava-se igualmente a homens e mulheres. Independentemente do género, Deus considera a prática de feitiçaria um crime muito grave. Os cristãos não devem desonrar o nome que levam ao envolverem-se em sessões espíritas, tábuas Ouija, adivinhação ou outras tentativas de feitiçaria.


P: Em Êxodo 22:18, uma professora da escola dominical partilhou uma vez que consegue descobrir como tratar doenças físicas segurando uma corrente de metal com um pendente de metal sobre o pulso e fazendo perguntas ao seu corpo. A corrente balança de forma diferente, significando «não» ou «sim». O que pensa sobre isto?

R: Isto é contrário à Bíblia. Trata-se de pedir respostas a [algum tipo de] espírito. Parece vagamente semelhante à prática ocultista (satânica) do tabuleiro Ouija. Pergunte-lhe como é que ela sabe que tipo de espírito está a fazer isto. 1 João 4:1-2 diz que não devemos acreditar em qualquer espírito. 2 Coríntios 6:17 diz que não devemos tocar em nada impuro.

Certa vez, ouvi um pastor dizer [corretamente] do púlpito que não devemos seguir a astrologia. No entanto, para provar que não havia nada de verdade nisso, mandou ler o seu horóscopo e ia mostrar a todos como tudo aquilo era falso. Bem, acabou por se verificar que as previsões começaram a concretizar-se. Ele ficou assustado e arrependeu-se perante a congregação pelo que tinha feito. Só depois disso é que o resto das previsões deixou de se concretizar.

Satanás possui, de facto, capacidades que nos ultrapassam e, por vezes, consegue prever as coisas corretamente (ou então garantir que elas aconteçam). Ele utiliza isso para levar as pessoas a confiarem nesta fonte de conselhos, de modo a poder enganá-las mais facilmente mais tarde.

Eis o que eu faria se fosse membro da turma da escola dominical.

1. Dirija-se à professora e explique-lhe que deposita a sua confiança em Cristo, não em espíritos familiares. Mostre-lhe os versículos contra o ocultismo, e talvez ela compreenda e se arrependa. Alguns versículos que dizem que não devemos ter nada a ver com o ocultismo, com a comunicação com os mortos, etc., são:

Não se envolva com magia e o ocultismo, tais como canalização, bruxaria, projeção astral, médiuns, adivinhos, astrologia, tábuas Ouija, Meditação Transcendental (MT), EST ou Qi-gong. Lev 19:26,31; 20:6-8,27; Atos 19:19; Ez 13:18; 22:18; Dt 18:9-14; Miqueias 5:12; Ap 9:21

Não tente comunicar-se com os mortos. Dt 18:10-12; Is 8:19; 1 Sm 28:3,7-12 + Lv 20:6-8

No que diz respeito ao mal, devemos ser como crianças. 1 Coríntios 14:20; Mateus 10:16; contudo, estejam atentos. Mateus 10:16-17

2. Se ela não se deixar convencer a arrepender-se, informe o pastor e os anciãos da igreja de que isto não deve acontecer numa igreja que confia em Cristo e sugira que a destituam do cargo de professora da escola dominical.

3. Se isso falhar, o membro tem o dever de abandonar essa igreja e explicar a todos os que quiserem saber por que razão o membro está a partir. A sua saída será um testemunho melhor do que permanecer e tentar continuar a persuadi-los. Enquanto permanecer, estará implicitamente a dizer que isto não é assim tão grave.

A propósito, não daria este conselho no caso de uma professora da escola dominical que acreditasse e ensinasse um erro sobre uma questão secundária. Mas não devemos ter nada a ver com o uso de «artifícios» para comunicar com o mundo espiritual a fim de obter conselhos.


P: Em Êxodo 23:19, 34:26 e Deuteronómio 14:21, por que razão as pessoas não devem cozer um cabrito no leite da sua mãe?

R: Simplesmente porque Deus lhes disse para não o fazerem. Se uma ação é idólatra, mágica, profana, cruel ou desrespeitosa não é o ponto principal; a razão última é que Deus não gostava disso e disse para não o fazerem.

Existia também uma prática antiga cananeia e síria que remonta, pelo menos, ao século XV a.C. O épico pagão ugarítico intitulado «O Nascimento dos Deuses Belos e Graciosos» mostra a prática de cozinhar um cabrito no leite da sua mãe para implorar aos deuses que enviassem chuva em Canaã. Isto está documentado nas Tablilhas de Ras Shamra, do século XV.

Mais tarde, os judeus alargaram esta regra, passando a proibir que carne e leite fossem servidos na mesma refeição, ou mesmo preparados utilizando os mesmos utensílios.


P: Em Êxodo 23:28, Deuteronómio 7:20 e Josué 24:12, de que forma é que as «vespas» expulsaram os cananeus?

R: Primeiro, duas coisas que não constituem a resposta e, em seguida, a resposta.

Não é a resposta: vespões literais: Um exemplo é o do historiador grego Eliano, em Hist. Anim. 11,28, que afirma que os faselianos, cananeus que viviam perto dos solimitas, foram expulsos das suas terras por vespas. Bochart (Hieroz. iii. p. 499) apresenta exemplos de tribos que abandonaram as suas terras devido a rãs, ratos e outros animais. No entanto, em todos os detalhes fornecidos, Josué não menciona quaisquer animais, insetos ou outros, a expulsar os cananeus. O «Bible Knowledge Commentary: Old Testament», p. 145, afirma que alguns defendem esta visão, enquanto outros defendem que se trata do Egito.

Não é essa a resposta, mas sim os próprios israelitas: embora alguns pensem que as «vespas» a que Deus se referia eram os próprios israelitas, Êxodo 23:28 refere-se claramente a «ajuda externa» que Deus providenciou de forma providencial.

A resposta: o Egito. No entanto, o emblema do Faraó Tutmés III era a vespa. Ele realizou 17 campanhas, principalmente na Palestina. Os seus sucessores, Amenhotep II e Tutmés IV, também realizaram campanhas na Palestina. Trata-se de um reconhecimento de que o exército israelita não foi o único a enfraquecer os cananeus; os egípcios também desempenharam um papel.

A Bíblia é toda verdadeira, mas isso não significa que Deus seja impedido de comunicar com as pessoas utilizando as suas próprias metáforas.


P: Em Êxodo 23:31, como é que os filisteus podiam estar em Canaã no tempo de Moisés?

R: Consulte a discussão sobre Génesis 20 para obter a resposta.


P: Em Êxodo 24:1, o que podemos aprender com Nadabe e Abiú?

R: Como filhos de Aarão, estavam na linha de sucessão para se tornarem os próximos sumos sacerdotes. Mas o facto de serem filhos de uma pessoa piedosa não os tornava «mais seguros» perante o perigo; na verdade, trata-se de uma posição ainda mais perigosa se alguém não quiser seguir a Deus. Quanto mais se sabe, mais se será responsabilizado pela desobediência, como mostra 2 Pedro 2:21.


P: Em Êxodo 24:4, como é que Moisés pôde escrever «e Moisés escreveu todas as palavras do Senhor»?

R: Da mesma forma que escreveu Êxodo 6:26-27. Consulte a discussão sobre esse tema. Em alternativa, pode ter sido o escriba de Moisés a escrever isto.


P: Em Êxodo 24:9-11, como é que os anciãos puderam subir ao Monte Sinai, uma vez que as pessoas seriam mortas se subissem ao Monte Sinai, conforme Êxodo 19:12-13?

R: Só podiam subir ao Monte Sinai quando fossem convidados. Da mesma forma, deviam ter ido para a Terra Prometida, mas, após o relatório desanimador dos batedores, recusaram-se a ir. Depois de Deus os ter castigado e lhes ter dito que morreriam no deserto, decidiram ir para a Terra Prometida por conta própria. Foram repelidos pelos seus inimigos. Fazer o que está certo não é o mais importante. O mais importante é amar e obedecer a Deus, o que inclui fazer as coisas certas da maneira certa, no momento certo.


P: Em Êxodo 24:10, como é que puderam ver a forma de Deus, uma vez que Deus não tem um corpo físico?

R: Deus pode assumir qualquer forma física que desejar.


P: Em Êxodo 25:18, por que razão Deus ordenou a Moisés que fizesse imagens esculpidas de querubins?

R: Tratava-se de imagens que adornavam o Tabernáculo, mas essas imagens não eram adoradas, nem eram objeto de oração ou veneração. Os querubins serviam para fins decorativos, não eram imagens de Deus e não se destinavam nem à adoração nem à veneração.


P: Em Êxodo 28:30, o que são o «Urim e o Tumim»?

R: Eram um meio que Deus concedeu aos sacerdotes para lançarem sortes a fim de descobrir a vontade de Deus. A descrição exata da sua aparência perdeu-se, exceto pelo facto de Josefo afirmar que eram pedras num peitoral. O livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 357, refere que «Urim e Tumim» podem significar «luzes e perfeição».


P: Em Êxodo 28:34-35, de que forma os sinos impedem que Arão e os seus descendentes morram?

R: Por si só, os sinos não o fazem. Mas a forma correta de adoração neste Tabernáculo era um assunto sério para Deus, e ignorar este mandamento resultaria na morte. Veja também a próxima pergunta.


P: Em Êxodo 28:34-35 e Êxodo 39:22-26, qual era o propósito dos sinos na túnica do sacerdote?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos especular sobre duas razões.

1. Enquanto o povo, lá fora, escutava, podia ouvir o sacerdote — a quem não conseguia ver — a realizar o sacrifício expiatório em seu favor.

2. Se os sinos parassem, isso poderia indicar que Deus estava descontente com o sacerdote e o tinha morto. Nesse caso, o povo poderia puxar o sacerdote para fora pela corda que o envolvia.


P: Em Êxodo 29:20 e Levítico 8:23-24, por que razão se colocava o sangue na orelha direita, no polegar direito e no dedão do pé direito de Aarão?

R: Embora as Escrituras não indiquem expressamente por que razão Deus desejou isto, o simbolismo não é difícil de perceber. Representa uma ligação com o sacrifício. A título de outro exemplo, isto era feito a alguém purificado de uma doença de pele, quando levava o seu sacrifício de purificação ao sacerdote. (Levítico 14:1-2, 14-17)


P: Em Êxodo 30, qual é o significado dos objetos e o que representam?

R: Em primeiro lugar, poderá ainda haver alguns mistérios que desconhecemos; Deus pode não ter necessariamente revelado todas as razões pelas quais tudo era exatamente assim. Hebreus 8:5 diz: «O lugar onde prestam serviço é uma representação e uma sombra do santuário celestial, tal como Moisés foi avisado por Deus quando estava prestes a concluir o tabernáculo. Pois Ele diz: “Certifica-te de que fazes tudo de acordo com o projeto que te foi mostrado na montanha.”» (Bíblia NET) Consulte os capítulos 9 e 10 de Hebreus para saber mais sobre o significado do Tabernáculo e dos objetos que nele se encontram.

Aqui estão mais detalhes sobre Êxodo 30.

Êxodo 30:1-9 O altar de madeira de acácia era pequeno, com cerca de 3 pés de altura e 18 polegadas de lado, mas muito pesado, pois estava revestido de ouro. O ouro pode representar a santidade e Deus, e foi uma das três oferendas que os Reis Magos trouxeram a Jesus. Este altar é um tipo do sacrifício de Cristo por nós. Curiosamente, nenhum ornamento do templo foi mencionado como «santíssimo», exceto o altar.

Uma aplicação secundária às nossas vidas é que, tal como o sacerdote tinha de queimar incenso no altar todas as manhãs e todas as noites, também nós devemos conversar com Deus, pelo menos todas as manhãs e todas as noites. Assim como Cristo sacrificou a Sua vida por nós, devemos, de forma mais modesta, estar dispostos a sofrer pelos outros, tal como Paulo demonstrou em Colossenses 1:24.

Êxodo 30:10 Uma vez por ano, o sumo sacerdote dos israelitas era obrigado a fazer expiação nos chifres do altar.

Tal como os israelitas tinham um sumo sacerdote em Êxodo 30, nós temos um Sumo Sacerdote que fez um sacrifício por nós em Hebreus 4:14: Jesus.

Êxodo 30:17-21 Bacia de bronze para a ablução. Arão e os seus filhos [descendentes] deviam lavar as mãos e os pés antes de entrarem na Tenda da Reunião e antes de se aproximarem do altar.

Acima de tudo, não devemos apresentar-nos perante Deus pensando que não precisamos de estar puros. Temos de estar purificados. É claro que os cristãos são sacerdotes e reis, e estamos purificados no sangue de Jesus, pelo que Ele cumpriu isso por nós. Mas devemos viver vidas purificadas e limpas. Ver 1 Pedro 1:15-16; 2:11-12.

A propósito, o bronze provinha de espelhos de bronze doados pelas mulheres, conforme Êxodo 38:8. Uma aplicação secundária às nossas vidas é que o que outrora era utilizado para vaidade e adorno foi refundido para ser utilizado na purificação. Agradaria a Deus se estivéssemos dispostos a deixar que alguns dos nossos costumes e hábitos familiares fossem «refundidos», para que pudessem ser transformados na Sua obra. Ver Romanos 12:1-2 e Tiago 1:23-25.

Êxodo 30:22-33 Óleo de unção sobre as coisas sagradas. Penso que a fórmula foi simplesmente elaborada porque produz um resultado de cheiro agradável. O óleo de unção é um tipo do Espírito Santo e representa a santificação por Deus. A mirra era muito cara e foi um dos presentes que os Reis Magos trouxeram a Jesus.

Em primeiro lugar, tal como a fragrância do óleo de unção «criava a atmosfera» para tudo, a nossa purificação e santificação através do Espírito Santo conferem-nos o aroma de Cristo por completo. Consulte 2 Coríntios 2:14-16 para saber mais sobre o facto de sermos o aroma de Cristo.

Uma aplicação secundária às nossas vidas é que este óleo de unção não devia ser menosprezado nem «banalizado» ao ser utilizado para qualquer outra finalidade. Os nossos corpos (o templo de Deus, 1 Coríntios 6:19-20), a nossa unidade no Espírito (Efésios 4:3) e as nossas vidas não devem ser banalizados com usos profanos. Não devemos lançar as nossas pérolas aos porcos, unir-nos em jugo com os incrédulos (2 Coríntios 6:14-18), considerar como sagradas coisas que não o são, nem ser desviados da nossa devoção sincera e pura a Cristo (2 Coríntios 11:3-4).

Êxodo 30:34-38 O incenso representa a intercessão e as orações. Mas o incenso não devia ser utilizado para mais nada. O incenso era muito caro e constituía uma das três oferendas que os Reis Magos trouxeram a Jesus. Era salgado, conforme Êxodo 30:35, provavelmente para fins de conservação. Consulte Apocalipse 8:3-4 sobre a associação do incenso com a oração.

Em primeiro lugar, tal como o incenso queimado pelo sacerdote era um aroma que permeava tudo, o Espírito Santo, enviado pelo Pai e por Jesus (João 16:7), deve permear as nossas vidas. Cristo, e somente Cristo, é o nosso mediador (Efésios 2:13-17; Colossenses 1:20; Hebreus 8:6), e o Espírito Santo intercede por nós com gemidos demasiado profundos para serem expressos em palavras (Romanos 8:26-27).

Uma aplicação secundária às nossas vidas é que, ao seguirmos Cristo, devemos orar continuamente, louvando a Deus e intercedendo pelos outros. (1 Tessalonicenses 5:17; Filipenses 4:6)


P: Em Êxodo 30:11,15, por que razão os pobres tinham de pagar o mesmo que os ricos, que tinham mais meios para o fazer?

R: O imposto do siclo era um resgate pela sua vida, e há aqui um ponto importante. A vida de uma pessoa rica não é nem mais nem menos importante do que a vida de uma pessoa pobre. Em todas as leis do Antigo Testamento, não havia pena menor por matar ou causar dano a uma pessoa pobre do que a uma pessoa rica.

O imposto aplicava-se apenas a pessoas com vinte anos ou mais, e provavelmente apenas aos homens, o que significaria que se tratava de uma unidade familiar. Uma família não seria penalizada por ter mais filhos. Além disso, o siclo era uma pequena unidade monetária.


P: Em Êxodo 30:12 e Levítico 9:7, como é que um carneiro ou um touro pode fazer expiação por uma pessoa?

R: Por si só, não pode fazer expiação, de acordo com Hebreus 9:9 e 10:4. No entanto, os capítulos 9 a 11 de Hebreus mostram que os sacrifícios do Antigo Testamento eram um tipo, ou figura, do sacrifício de Cristo.

Para explicar isto em termos do quotidiano, suponha que algumas pessoas tivessem uma dívida (ou pecado) tão grande que nunca poderiam esperar saldar a sua dívida para com o credor (as exigências imparciais de justiça de Deus). A sua credibilidade não é fiável. Mas um rei rico (Deus) intervém e assina um acordo para saldar a dívida na totalidade. Depois, o Seu filho vem e paga a dívida na totalidade. Quando o credor apareceu para cobrar o dinheiro, as pessoas, em obediência ao rei, tinham um sinal concreto de que a sua dívida tinha sido assumida pelo rei.


P: Em Êxodo 30:31-34, não é severo matar alguém por preparar uma fórmula específica de perfume?

R: Sim, é rigoroso. No entanto, não é injusto se todos conhecerem as regras. Não há provas de que alguém alguma vez tenha infringido esta regra ou tenha sido punido por isso.


P: Em Êxodo 31:12, por que razão era tão importante observar o Dia do Sábado?

R: Muitos cristãos genuínos acreditam que todos os dias são um descanso sabático em Cristo (Hebreus 4:8-11), enquanto outros cristãos genuínos acreditam que devemos guardar o sábado hoje em dia. Paulo reconhece ambas as práticas em Romanos 14:5-7 e afirma que o que importa é vivermos para o Senhor.

Seja como for, todos os cristãos têm de concordar que guardar o Dia do Sábado era um mandamento muito importante na época da Lei Mosaica e, se vivêssemos naquela época, teríamos de ser diligentes na sua observância.

Existem três mandamentos explícitos e cinco razões explícitas relativas ao sábado, mas também podemos identificar outras razões.

Mandamentos relativos ao sábado:

1. Santificai o sábado (Êxodo 20:8; Deuteronómio 5:12)

2. Não trabalheis vós próprios (Êxodo 20:10; Deuteronómio 5:13-14)

3. Aqueles que estão sob a vossa autoridade: filho, filha, servos, até mesmo os estrangeiros (não judeus) que se encontram dentro das vossas portas, e até os animais, devem ter um dia de descanso. (Êxodo 20:10; Deuteronómio 5:14)

Razões explícitas para o sábado:

1. Obediência simples: devem obedecer aos mandamentos de Deus.

2. Recordar o nosso Criador: Assim como Deus criou a terra em seis dias e depois descansou, também nós O honramos ao descansar no sábado. (Êxodo 20:11)

3. Recordar a escravidão e o nosso Libertador: Uma vez que os israelitas foram escravos no Egito (presumivelmente sem descanso) e Deus os libertou, devem recordar isso e observar o sábado. (Deuteronómio 5:15b)

4. Como um sinal entre o povo de Deus do Antigo Testamento e Deus, para que saibam que Deus nos torna santos. (Êxodo 31:13)

5. Deus abençoou o sábado e santificou-o, pelo que devemos reconhecer isso. (Êxodo 20:11b)

Possíveis razões adicionais:

1. O sábado constituía uma afronta à sabedoria e ao esforço próprios das pessoas. Pareceria óbvio para alguém sábio neste mundo que, se se trabalhasse mais, obter-se-ia maior benefício. E mesmo quando se quisesse fazer uma pausa, ainda se poderia fazer com que os seus empregados, servos e animais trabalhassem mais arduamente. Deus não contradisse esse pensamento, nem sequer disse se era verdade ou não. Independentemente da verdade percebida dessa mentalidade, Deus disse para Lhe obedecerem em primeiro lugar.

2. O sábado constituía uma afronta à sua autossuficiência e independência. Um comerciante, agricultor, artesão ou qualquer outro trabalhador desejaria trabalhar no sábado se considerasse que a prosperidade ou mesmo a sobrevivência sua e da sua família dependessem disso. Mas tudo se resume à confiança: a vossa prosperidade e sobrevivência dependem de vós, ou acreditam que dependem de Deus?

3. Ter um dia de descanso tornaria essas pessoas, os seus subordinados e até mesmo os seus animais mais saudáveis, tanto física como mental e emocionalmente, ao proporcionar-lhes tempo para se revigorarem e recuperarem do trabalho da semana. As pessoas de hoje, independentemente das suas crenças, precisam de tempo para descansar e revigorar-se.

4. Ter um dia de descanso ajuda a prevenir o esgotamento resultante de fazer sempre a mesma coisa, sem variação, durante anos e anos. Mesmo os cristãos que consideram todos os dias iguais continuam a precisar de tempo para descansar e recuperar.

Embora os cristãos genuínos discordem sobre se devem ou não trabalhar no sábado ou no domingo, ou se todos os dias são iguais, todos os cristãos devem concordar em duas coisas aqui.

a) Se acreditássemos que Deus deseja que guardemos um dia sem trabalho hoje, deveríamos fazê-lo.

b) Todos os nossos dias, e não apenas um sétimo deles, devem ser dedicados a servir a Deus.


P: Em Êxodo 31:17, Deus pode cansar-se?

R: Deus não se cansa fisicamente (Isaías 40:28). No entanto, tal como as pessoas podem dizer que estão cansadas de queixas e de amor insincero, esta é uma expressão que demonstra a falta de interesse de Deus na adoração insincera que Lhe é dirigida. Isaías 43:24 diz que os pecados dos israelitas cansaram a Deus. Isaías 1:14 diz que as suas festas cansaram a Deus quando eram um povo ímpio. A descrença de Acaz cansou Deus em Isaías 7:13. Malaquias 2:17 diz que as suas palavras cansaram Deus quando afirmaram que aqueles que praticam o mal são bons e perguntaram onde está o Deus da justiça. Consulte «Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia», pp. 212-213, para uma discussão mais aprofundada.


P: Em Êxodo 32:2-5, como é que o profeta Arão pôde defender a adoração de ídolos?

R: Aarão cometeu um pecado terrível. Não há desculpa para o que fez, mas eis uma possível explicação para as suas ações. Quando Moisés não regressou, muitos questionaram se Moisés voltaria alguma vez. Dada a pressão de tantas pessoas angustiadas e sem liderança a pedir a Aarão que fizesse um ídolo, Aarão cedeu. Talvez tenha dado mais importância à sua função de liderar o povo como sacerdote, para restaurar a ordem e a normalidade, do que à espera indefinida no Senhor.


P: Em Êxodo 32:1-10, por que razão Deus matou os israelitas que adoraram o bezerro de ouro, e não Aarão, que o fez?

R: Deus teria sido justo se os tivesse matado a todos. No entanto, Deus tem o direito de adiar a justiça. Tem também o direito de conceder misericórdia como Lhe aprouver, tal como mostra Romanos 9:15.

As circunstâncias: O povo sugeriu o bezerro de ouro e forneceu o material. As Escrituras não dizem se Arão estava entusiasmado ou se se sentiu coagido a obedecer a todo o povo à sua volta. O bezerro de ouro era uma imagem utilizada para adorar o Senhor em Êxodo 32:5, não um deus diferente. É claro que, embora as circunstâncias possam ajudar-nos a compreender por que razão Arão agiu assim, elas não o desculpam.

Deus é misericordioso para com alguns e pode adiar a Sua justiça: Deus estava muito irado no versículo 10 e considerou simplesmente destruí-los a todos. Deus teria sido justo se tivesse destruído Arão e todos os outros. Deus foi misericordioso não só para com Arão, mas também ao não matar todos os israelitas.


P: Em Êxodo 32:14, será que Deus muda de ideias, contrariamente ao que se afirma em Números 23:19 e 1 Samuel 15:29?

R: Quando o nosso coração e as nossas ações mudam, a vontade revelada de Deus para connosco também pode mudar. Consulte a resposta para Êxodo 33:3, em «When Critics Ask», p. 85, e «Hard Sayings of the Bible», pp. 209-210, para mais informações.


P: Em Êxodo 32:30, como é que Moisés pôde tentar fazer expiação pelo povo?

R: As pessoas podem tentar fazer coisas impossíveis, mas nem mesmo Moisés podia substituir ninguém, como mostra Jeremias 15:1. Moisés implorou a Deus que perdoasse ao povo o seu grande pecado e, caso não o fizesse, que o riscasse do livro de Deus. Isto parece-se muito com os sentimentos de Paulo em Romanos 9:1-4.


P: Será que Êxodo 32:30-32 mostra que Moisés poderia substituir o povo, à semelhança da crença católica num «tesouro de méritos»?

R: Não. Se alguma coisa, isso implica precisamente o contrário, por duas razões.

1. Em Êxodo 32:33-34, Deus afirmou que a oferta de Moisés não foi aceite por Ele. A título de nota à parte, Paulo manifestou um sentimento semelhante de amor sacrificial para com os judeus em Romanos 9:3, mas isso também não trouxe qualquer benefício aos judeus.

2. Moisés não se ofereceu para sofrer pelo povo. A oferta de Moisés de ser completamente riscado do livro significa ser enviado para o Inferno. Católicos, ortodoxos, protestantes e coptas concordam todos que nenhum cristão vai para o Inferno em vez de outros cristãos.

A título de nota à margem, na tradição da Igreja, a ideia de um «tesouro de méritos» está totalmente ausente de todos os escritos cristãos pré-nicenos.


P: Em Êxodo 32:12, por que razão Moisés pediu a Deus que «se arrependesse deste mal contra o seu povo»?

R: A palavra «mal» aqui também pode significar desastre. Moisés pediu a Deus que desistisse de trazer o desastre ameaçado, porque Deuteronómio 9:8 dizia que a ira de Deus estava suficientemente despertada para destruir o povo.


P: Em Êxodo 33:3 e Josué 1, Deus acompanhou os israelitas até à Terra Prometida, ou não?

R: A vontade revelada de Deus é frequentemente oportuna e condicional, e é por vezes explicada como uma expressão antropomórfica.

Oportuna: Deus disse à geração rebelde que não iria com eles. Todos morreram, e Deus acompanhou a geração seguinte.

Condicional: Muitas das ameaças ou promessas de Deus vêm acompanhadas de uma condição explícita ou implícita. Para alguns exemplos de ameaças condicionais implícitas, consulte Jonas 3 e Génesis 20:3.

Antropomórfica: Deus, que está além do tempo, já sabia o que eles fariam e já sabia o que Ele próprio faria. No entanto, por vezes é difícil para as pessoas perceberem isso e, simultaneamente, compreenderem que o povo ainda tinha uma escolha real. Certamente, se Deus lhes tivesse simplesmente dito o que eles fariam com certeza e o que Ele faria com certeza, isso limitaria a sua escolha.

Uma pessoa não tem de concordar com o conceito de que Deus está além do tempo, nem sequer de o compreender. Não precisa de refletir sobre a atemporalidade para que Deus se comunique com ela de forma significativa. Deus comunica-Se com as pessoas em termos que todos possam compreender. Consulte «Now That’s A Good Question», pp. 202-205, para mais informações sobre a comunicação antropomórfica de Deus.


P: Em Êxodo 33:5-6, por que razão os israelitas deviam tirar os seus adornos para que Deus soubesse o que fazer com eles?

R: Deviam retirar os adornos que usavam quando pecavam, como sinal de luto e (espera-se) de arrependimento. Há aqui um princípio fundamental em causa. A vontade de Deus que nos é revelada pode mudar quando o nosso coração muda. Tinham a escolha de obedecer e lamentar o seu pecado, ou não.

Consulte a discussão sobre Génesis 20:3-6, Deuteronómio 20:17; Jeremias 15:6; Jonas 3-4; Jonas 3:10 e Jonas 4:1-2 para mais informações.


P: Em Êxodo 33:11, Moisés podia falar com Deus face a face?

R: Como escrevem Norman Geisler e Thomas Howe, um cego pode falar cara a cara com alguém sem ver o seu rosto. Trata-se de uma expressão que demonstra que Moisés e Deus conversavam intimamente um com o outro, mas não significa que Moisés tenha visto o rosto de Deus, tal como mostra Êxodo 33:20.


P: Em Êxodo 33:11, 23; 24:10; e Génesis 32:30, como é que Moisés, Abraão ou qualquer outra pessoa podia ver algo de Deus, uma vez que Deus é invisível, tal como afirmam João 1:18; Êxodo 33:20; Colossenses 1:15; e 1 Timóteo 1:17; 6:16?

R: Este foi um argumento que os gnósticos tentaram utilizar para afirmar que, apesar de Jesus ter respeitado a lei, o Deus do Antigo Testamento era um Deus diferente do Deus do Novo Testamento.

Invisível não significa não ter qualquer forma, nem significa que Deus seja indetetável pelos anjos ou demónios. Certamente não significa que Deus Todo-Poderoso não seja suficientemente poderoso para poder aparecer numa forma visível. Significa simplesmente que nós, com apenas olhos visíveis, não podemos ver as coisas no reino invisível, e Deus está nesse reino.

Mas Deus, embora permaneça no céu, também é capaz de «atravessar» e entrar no reino físico no espaço-tempo. Deus continuaria a ser invisível por natureza, mas capaz de se tornar visível. Nós, por natureza, somos quase invisíveis durante a escuridão da noite, mas se tivéssemos uma lanterna, as pessoas ainda poderiam ver onde se localizava a nossa presença. Deus poderia fazer o mesmo com uma sarça ardente.

Mas Deus fez ainda mais. De uma forma que não tem um análogo natural 100% perfeito, Deus atravessou para ter uma presença localizada no espaço-tempo, não apenas aparecendo como um homem, mas como um homem real, vivo e que respira: Jesus Cristo. Jesus era e continua a ser 100% humano e 100% Deus.

Historicamente, Irineu foi o primeiro cristão de que se tem conhecimento a ter respondido a esta objeção. Ele salientou que, uma vez que Deus é Todo-Poderoso, pode até fazer com que pessoas visíveis e mortais vejam coisas invisíveis, tanto em visões como depois de terem alcançado a imortalidade. Consulte Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 20.4-10, pp. 489-491, para uma resposta mais pormenorizada.


P: Em Êxodo 33:19-20, como é que Moisés pôde ver as «costas» de Deus, uma vez que Deus é espírito?

R: É difícil referir-se às várias características de um espírito sem recorrer a termos antropomórficos. «Costas», neste contexto, não significa «a parte onde se encontra a medula espinhal». Em vez disso, «costas» pode significar «parte de trás», em oposição a «frente».

Isto refere-se a um reflexo de alguns dos atributos de Deus. Não se trata de toda a glória de Deus, uma vez que Deus recusou o pedido de Moisés para ver a Sua glória (provavelmente para a própria segurança de Moisés).


P: Em Êxodo 34:20, Êxodo 13:2 e Números 18:15-16, as pessoas devem matar os animais impuros ou resgatá-los com dinheiro?

R: Êxodo 34:20 diz que o proprietário tinha de matar o animal primogénito ou resgatá-lo com dinheiro, exceto que podia resgatar um jumento com um cordeiro. Não foi feita qualquer outra distinção entre animais puros e impuros. Mais tarde, em Números 18:15-16, a lei foi restringida para permitir apenas o resgate com dinheiro dos animais primogénitos impuros.

Algumas pessoas podem ter dificuldade em aceitar que qualquer uma das leis de Deus se altere, porque não distinguem três aspetos diferentes: moral, civil e cerimonial. A lei cerimonial também sofreu alterações noutros aspetos, à medida que as situações mudavam. Por exemplo, não se realizavam sacrifícios no templo antes de este ter sido construído.


P: Em Êxodo 34:23, por que razão todos os homens tinham de comparecer e não as mulheres e as crianças? (Esta pergunta foi feita por um muçulmano.)

R: Podemos ver a resposta quando lemos atentamente tanto Êxodo 34:23 como 24. Diz-se: «Três vezes por ano, todos os vossos homens devem apresentar-se perante o Senhor, o Deus de Israel. Eu expulsarei as nações diante de vós e alargarei o vosso território, e ninguém cobiçará a vossa terra quando subirdes três vezes por ano para vos apresentardes perante o Senhor, o vosso Deus.» As mulheres não lutavam nas guerras, apenas os homens. Nenhum homem devia «esconder-se» deixando de comparecer.


P: Em Êxodo 35-40, qual era o simbolismo dos móveis dentro do Tabernáculo?

R: Alguns interpretam o seguinte:

O altar de bronze simbolizava que até a entrada exigia sacrifício

A bacia de bronze mostrava que aqueles que estavam no interior precisavam de purificação

O Pão da Presença mostrava que Cristo é o nosso pão; Ele dá-nos tudo o que precisamos para o nosso sustento

O candelabro de ouro representava o louvor e a oração

A Arca representava a presença de Deus

O véu mostrava que o caminho para a presença de Deus não estava aberto a qualquer pessoa (exceto ao sacerdote, uma vez por ano). Isto mudou quando o véu foi sobrenaturalmente rasgado em dois, no mesmo momento em que Jesus morreu na cruz.

Esta informação foi livremente retirada de *The Teacher’s Commentary*, de Lawrence O. Richards.


P: Em Êxodo 36:8-14, foi-me dito que as dimensões que Moisés recebeu de Deus para construir o Tabernáculo eram quase exatamente as mesmas que outros povos antigos (não hebreus) utilizavam para construir os seus próprios locais de culto. Isto afeta a credibilidade das dimensões de Deus para o Tabernáculo?

R: Em primeiro lugar, vamos partir do princípio de que essa premissa está correta. (Irei contestá-la mais adiante.) Se fossem as mesmas dimensões que os outros povos antigos utilizavam para os seus templos, isso não afetaria a credibilidade da Bíblia. Se houvesse algo de especial nessas dimensões, Satanás utilizaria essa informação para criar uma falsificação.

Por outro lado, duvido seriamente da afirmação de que estas fossem as dimensões que outros povos antigos utilizavam para os seus templos, por duas razões.

a) Os diferentes locais de culto antigos apresentavam dimensões distintas entre si. A título de exemplo simplista, suponha que existissem 10 templos antigos com dimensões de 100, 105, 110, 120, 125, 130, 135, 140, 145 e 150, e que o tabernáculo tivesse uma dimensão algures entre 100 e 150. Ora, independentemente da dimensão do tabernáculo, poderia alegar-se que este era muito semelhante a um desses 10 templos, mas isso não prova nada.

b) Os templos antigos não possuíam, em geral, um Santo dos Santos, e aqueles de que temos conhecimento eram templos fixos, não tendas.

c) Por fim, lembre-se de que o tabernáculo foi construído por volta de 1400 a.C., sendo mais antigo do que todos os templos romanos e todos os templos gregos, com exceção dos micénicos. Assim, se as dimensões fossem idênticas às de um templo posterior, ou não houve cópia, ou o posterior copiou do anterior, e não o contrário. Em geral, não é sensato dar crédito a tais afirmações, a menos que possam apresentar exemplos.


P: Em Êxodo 37:17-24, será que um candelabro de sete braços indica uma autoria posterior, uma vez que os candelabros de sete braços [supostamente] só surgiram por volta de 600 a.C.?

R: Alguns costumavam pensar assim, mas o livro *Can Archaeology Prove the Old Testament?*, pp. 31-32, salienta que os arqueólogos encontraram candelabros de sete braços em Tell Beit Mirsim, e alguns túmulos em Dothan, da época de Moisés, apresentam candelabros de sete braços. O «Wycliffe Bible Dictionary», na p. 1006, afirma que foram encontrados candelabros de sete braços em túmulos e nas ruínas de templos cananeus: «Assim, o conceito de um candelabro de sete braços para uso sagrado no tabernáculo mosaico não era anacrónico, como os críticos do Antigo Testamento costumavam alegar.»


P: Será que Êxodo 38:8 constitui prova de uma composição posterior, uma vez que [supostamente] não existiam espelhos de bronze naquela época?

R: Não, porque eles tinham espelhos de bronze, tal como afirma a obra «Can Archaeology Prove the Old Testament?», na p. 31. O bronze é uma liga de cobre e 2 a 18 por cento de estanho. (A KJV referia-se a «latão», porque há 400 anos qualquer liga de cobre era designada por «latão».) O «Wycliffe Bible Dictionary», pp. 1123-1124, afirma que foram encontrados objetos de bronze em Ur, datados de cerca de 2500 a.C.

Na p. 1139, afirma-se que os espelhos de bronze eram raros, exceto no Egito. Eram, no entanto, muito valiosos, tal como refere o «Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica», p. 389, que indica que os espelhos de bronze só se generalizaram entre o povo comum na época helenística. Refere ainda que, na época de Josué, as cartas de Tell el-Amarna mencionam um vassalo que ofereceu ao Faraó Akhenaton 32 espelhos de bronze polidos. O rei hitita ofereceu-lhe um espelho de prata.

A título de nota adicional, o manuscrito mais antigo do Antigo Testamento que se conhece e que se conserva até hoje é o 4Q17 dos Manuscritos do Mar Morto. Está datado de 250 a.C. e contém Êxodo 38 até Levítico 2. A obra «The Dead Sea Scrolls Translated», na página 474, afirma que é praticamente idêntico ao texto massorético.


P: Em Êxodo 40, como é que conseguiram construir a tenda, uma vez que esta já lá estava em Êxodo 33:7-8?

R: Em primeiro lugar, dois factos que provavelmente não são assim tão relevantes; depois, a resposta.

1. Não é necessário que Êxodo 33:7-8 e Êxodo 40 tenham sido escritos por ordem cronológica, embora provavelmente o tenham sido.

2. Após uso constante ao sol, a tenda poderia ter-se desgastado.

Resposta: Êxodo 33:7-8 diz que Moisés pegou numa tenda já existente e chamou-lhe a tenda da reunião. Depois de Deus ter ungido Bezalel e Aholiab em Êxodo 31:2-7; 35:30; 36:1, estes fabricaram os utensílios sagrados, incluindo uma nova tenda da reunião, segundo o desígnio de Deus.


P: Em Êxodo, que aplicações podemos retirar de todo o livro?

R: Existem, pelo menos, três lições.

Tal como Moisés e os israelitas saíram do Egito, também nós podemos ter medos, pecados, outras coisas e situações das quais precisamos de ser libertados. E quando formos libertados delas, precisamos de partir. Existem certos «velhos hábitos confortáveis» na sua vida que precisa de abandonar e deixar de praticar?

Moisés já tinha deixado a escravidão do Egito 40 anos antes do Êxodo. Mas Deus fez com que Moisés regressasse ao Egito, não para a escravidão, mas para libertar outros. Podemos estar livres de alguma escravidão que tínhamos, mas e a nossa família, os nossos amigos e outras pessoas? Talvez Deus queira usar-nos para ajudar a libertá-los também.

Embora todos os israelitas tenham sido libertados, houve vítimas ao longo do caminho. Alguns israelitas foram mortos pela peste e pelo fogo quando adoraram o bezerro de ouro, desafiaram a autoridade de Moisés e cometeram atos imorais com as mulheres moabitas. Miriam ficou leprosa durante algum tempo devido aos seus preconceitos. Até o próprio Moisés foi proibido de entrar na Terra Prometida por ter perdido a paciência perante o povo nas águas de Meribá. Quando é libertado de algo, isso não significa o fim dos seus desafios. Ainda tem de perseverar. Se fizer algo que o torne uma vítima, arrependa-se rapidamente e, mesmo que ainda possam existir consequências, obedeça a Deus de qualquer forma durante o resto da jornada.


P: No Êxodo, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?

R: Aqui estão os mais antigos.

Os pergaminhos de Ketef Hinnom datam de 650-587 a.C., estão escritos em prata (razão pela qual sobreviveram) e contêm fragmentos de Êxodo 20:6; Números 6:24-26; Deuteronómio 5:10; 7:9; Neemias 1:5; e Daniel 9:4.

Manuscritos do Mar Morto: (a partir de 250 a.C.) 17 cópias distintas (The Dead Sea Scrolls Today, p. 30, e The Dead Sea Scrolls Translated: The Qumran Texts in English, 2.ª ed.), provenientes de, pelo menos, 23 cópias originais (The Dead Sea Scrolls in English, 4.ª ed.). O *Wycliffe Bible Dictionary*, pp. 436-438, refere que existem 15 cópias. Um manuscrito da caverna 4 pertence à tradição samaritana. De acordo com *The Dead Sea Scrolls Translated: The Qumran Texts in English*, 2.ª ed., p. 474, o fragmento 4Q17 da caverna 4 (contendo Êxodo 38–Levítico 2) é um dos manuscritos mais antigos, copiado por volta de 250 a.C. É praticamente idêntico ao texto massorético. Estes manuscritos são designados por

1Q2 (=1QÊxodo) Êxodo 16:12-16; 19:24-25; 20:1, 5-6, 25-26; 21:1, 4-5

2Q2 (=2QÊxodo(a)) Êxodo 1:11-14; 7:1-4; 9:27-29; 11:3-7; 12:32-41; 21:18-20?; 26:11-13; 30:21?; 30:23-25; 32:32-34

2Q3 (=2QÊxodo(b)) paleo-hebraico de Êxodo 4:31; 12:26-27?; 18:21-22; 19:9; 21:37; 22:1-2, 15-19; 27:17-19; 31:16-17; 34:10. Curiosamente, apresenta Êxodo 19:9 seguido diretamente por uma linha em branco, seguida diretamente por Êxodo 34:10

2Q4 (=2QÊxodo(c)) Êxodo 5:3-5

4Q1 (=4QGénesis-Êxodo(a)) Génesis e Êxodo. Êxodo 2:1-5; 3:8-16, 18-21; 4:4-9, 26-31; 5:1, 3-17; 6:4-21, 25; 7:5-13, 15-20; 8:20-22; 9:8?

4Q11 (=4QpaleoGénesis-Êxodo(l)) paleo-hebraico de Génesis 50:26; Êxodo 1:1-5 (duas vezes?), 2:10, 22-25; 3:1-4, 17-21; 8:13-15, 19-21; 9:25-29, 33-35; 10:1-5; 11:4-10; 12:1-12, 42-46; 14:15-24; 16:2-7, 13-14, 18-20, 23-31, 33-36; 17:1-3, 5-11; 18:17-24; 19:24-25; 20:1-2; 22:23-24; 23:5-16; 25:7-20; 26:29-37; 27:1, 27:4?; 27:6-14; 28:33-35,40-42; 36:34-36; 40:15?

O 4Q13 (=4QÉxodo(b)) contém 6 fragmentos de Éxodo 1-5

O 4Q14 (=4QÉxodo(c)) contém 36 fragmentos de Éxodo 7-18

4Q15 (=4QÊxodo(d)) Êxodo 13:15-17, seguido diretamente por 15:1

4Q16 (=4QÉxodo(e)) Éxodo 13:3-5

4Q17 (=4QExod-Lev(f)) Êxodo 38–Levítico 2. (250 a.C.)

4Q18 (=4QÊxodo(g)) Êxodo 14:21-27

4Q19 (=4QÊxodo(h)) Êxodo 6:3-6

4Q20 (=4QExod(j)) Êxodo 7-8

4Q21 (=4QÊxodo(k)) Êxodo 36:9-10

4Q22 (=4QPaleoExodus(m)) Êxodo, tipo samaritano, em paleo-hebraico. Paleograficamente, data de 100-25 a.C. A datação por espectrometria de massa com acelerador (AMS) no laboratório de Tucson indicou 116 a.C. - 48 d.C.

4Q37 (=4QDeuteronómio(j)) (inclui Deuteronómio 11:21, seguido de Êxodo 12:43-13:5)

7Q1 (= 7QLXXExod) é uma cópia da versão grega da Septuaginta de Êxodo 28:4-6 (100 a.C.).

Foram encontrados filactérios e mezuzot (usados na testa e nos braços, respetivamente) com passagens de Êxodo e Deuteronómio entre os Manuscritos do Mar Morto, de acordo com o livro *The Dead Sea Scrolls Today*, p. 33.

8Q3 é um filactério que contém Êxodo 13:1-10; 13:11-16; 12:43-51; 20:11; Deuteronómio 6:5-9; 11:13; 6:1-3; 10:20-22; 10:12-19; 5:1-14; 10:13(?); 11:2; 10:21-22; 11:1,6-12.

O 8Q4 é uma mezuzá de Deuteronómio 10:12-11:21.

Foi encontrado um Pentateuco Paralelo entre os Manuscritos do Mar Morto. Tal como alguns criaram uma narrativa evangélica colocando várias passagens dos Evangelhos lado a lado, a comunidade de Qumran fez o mesmo com a Torá, o que é designado por manuscrito 4Q158.

No total, estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto os seguintes 767 dos 1215 versículos do Êxodo (63,1%).

Êxodo 1:1-22; 2:1-18, 22-25; 3:1-4, 8-21; 4:1-9, 26-31; 5:1, 3-17; 6:3-21, 30; 7:1-13, 26-29; 8:1, 5-22; 9:5b-35; 10:1-28; 11:3-10; 12:1-2, 6-8, 12-22, 31-51; 13:1-7, 12-13, 15-16, 18-22; 14:1-13, 15-27; 15:1, 9-21, 23-27; 16:1-8, 13-14, 18-20, 23-36; 17:1-16; 18:1-27; 19:1, 7-17, 23-25; 20:1-2, 18-19a; 21:1, 4-6, 13-14, 18-20?, 22-32, 37; 22:1-4, 6-7, 11-13, 15-30; 23:5-16, 29-31; 24:1-4, 6-11; 25:7-29, 31-34; 26:8-15,21-37; 27:1-3,4?,6-14,18-19; 28:3-12,22-24,26-28,30-43; 29:1-5,20,22-25,31-41; 30:10, 12-18, 21?, 23-25, 29-31, 34-38; 31:1-8, 13-17; 32:2-19, 25-30, 32-34; 33:12-23; 34:1-3, 10-13, 15-18, 20-24, 27-28; 35:1; 36:9-10, 21-24, 34-36; 37:9-16; 38:18-22; 39:3-24; 40:8-27; 40:15?. Êxodo 34:23-24, 27-28 são muito fragmentários.

O Papiro de Nash, datado de 150 a.C., contém os Dez Mandamentos, compilados a partir de Êxodo 20:2-17 e Deuteronómio 5:6-6:4 e seguintes. O Papiro de Nash foi o texto bíblico mais antigo conhecido até à descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. Encontra-se uma fotografia do mesmo no *New International Dictionary of the Bible*, p. 228.

O Papiro de Oxirrinco 1074, relativo ao Êxodo, data aproximadamente do século II.

O Vaticanus (325-350 d.C.) preservou todo o livro de Êxodo, com a exceção de Êxodo 28:23-28, que está ausente.

Não dispomos de quaisquer páginas do Sinaítico (340-350 d.C.) que contenham o Êxodo.

O Alexandrinus (c. 450 d.C.) contém todo o livro de Êxodo, exceto Êxodo 28:23-28, que está ausente.

A Septuaginta é uma tradução grega do Antigo Testamento e dos Apócrifos. O livro «Manuscritos Gregos da Bíblia», pp. 60-61, apresenta uma imagem de um fragmento, denominado Rahlfs 803 (= Pergaminho do Mar Morto 7Q1), de Êxodo 28:4-6, que remonta a 100 a.C.

Os samaritanos elaboraram a sua própria cópia da Torá no século II a.C., embora as cópias samaritanas mais antigas que sobreviveram datem da Idade Média. «Os Manuscritos do Mar Morto Hoje», pp. 125-126. A «Enciclopédia dos Manuscritos do Mar Morto», vol. 1, p. 277, afirma: «O Pentateuco samaritano tende a expandir o texto, inserindo frequentemente material paralelo proveniente de outras passagens do Pentateuco.»

Foi feita uma tradução siríaca da Septuaginta pelo Bispo Paulo de Tella (616-617 d.C.), que ainda hoje conservamos, de acordo com *Manuscritos da Bíblia Grega*, p. 35 (nota de rodapé).


P: Em Êxodo, como sabemos, com base no escritor judeu Filo, que o que temos é o que foi originalmente escrito?

R: Como cristãos, confiamos que o Antigo Testamento que possuímos é o Antigo Testamento que Cristo validou. Aliás, para os muçulmanos, o seu Alcorão afirma que a Torá foi entregue a Jesus na Sura 5:46. Dispomos de manuscritos antigos da época de Cristo, aos quais a próxima pergunta se refere. No entanto, existe uma linha de evidência adicional. Filo de Alexandria foi um erudito judeu que viveu entre 15/20 a.C. e 50 d.C. Escreveu em grego, mas é curioso que as suas citações do Antigo Testamento em grego correspondam mais estreitamente ao texto masorético hebraico do que à Septuaginta grega. Entrou em grande pormenor ao explicar o significado de diferentes versículos. Aqui estão os versículos a que Filo se referiu no Êxodo.

1:8, 9, 11, 15, 18, 20, 21; 2:1, 3, 6, 12, 15-16, 18, 21, 23, 25; 3:1-2, 4-6, 9, 14-15, 17; 4:3, 10, 12, 14, 22; 5:2; 6:3, 12, 16, 23, 26, 29; 7:1, 12, 15, 17, 23; 8:1, 9, 19, 26, 29; 10:20-23; 11:7; 12:2-4, 8, 11-12, 16, 23, 34, 38; 13:2, 11-13, 15, 19; 14:4, 7, 13-14, 19, 27, 30; 15:1, 4, 9, 17, 20, 23, 25, 27; 16:4, 6, 13, 15, 18, 36; 17:6, 11-12; 18:4, 7, 11, 14, 16, 25; 19:6, 17-20; 20:2, 5, 9, 12-13, 16, 18-22; 21:5-6, 10, 12-16, 22, 26, 28, 31, 33; 22:1, 6-7, 26; 23:1-5, 8, 10, 13, 18-20, 28; 24:1, 6, 10-11, 18; 25:1, 22, 30, 31, 33, 40; 26:1; 27:9; 28:17, 30, 34, 36; 30:8, 13, 15, 34; 31:1-2, 39; 32:1, 7, 16-17, 20, 26, 27, 32; 33:5, 7, 12-13, 17-18, 23; 34:12, 28; 35:22, 30; 38:8; 39:3, 26


P: Quais foram os primeiros autores que se referiram ao Êxodo?

R: Filo, o Judeu (15/20 a.C. a 50 d.C.), cita extensivamente o Êxodo em «Sobre a Confusão das Línguas», «Quem é o Herdeiro das Coisas Divinas», «Estudos Preliminares» e outras obras.

Os primeiros escritores da Igreja pré-nicena fizeram referência extensiva ao Êxodo.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita Êxodo 2:14 em 1 Clemente, cap. 4, p. 6. Cita Êxodo 3:11 em 1 Clemente, cap. 18, p. 10.

A Didaché (= Ensinamento dos Doze Apóstolos) (c. 60-120 d.C.) discute Êxodo 20:13, 14, 15, 16, 17.

A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 12, p. 145, cita Êxodo 17:14.

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) afirma: «pois Moisés diz algures em Êxodo» e cita Êxodo 6:2 e seguintes no «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 126, p. 263

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) refere-se a Êxodo 3:2-4 como Escritura no «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 60, p. 227

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.): «Pois a Escritura diz assim:», e Justino cita Êxodo 3:2-4. «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 49, p. 220

Meleto/Melito de Sardes (170-180 d.C.) «O dedo do Senhor — o Espírito Santo, por cuja ação se diz que as tábuas da lei em Êxodo foram escritas», fragmento 9, p. 761

Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) «Tendo-me familiarizado minuciosamente com os livros do Antigo Testamento, registei-os a seguir e, por meio desta, envio-lhe a lista. Os seus nomes são os seguintes: — Os cinco livros de Moisés — Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio; Josué, Juízes, Rute, os quatro livros dos Reis, os dois livros das Crónicas, o livro dos Salmos de David, os Provérbios de Salomão, também chamado Livro da Sabedoria, Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Jó, os livros dos profetas Isaías, Jeremias, dos doze contidos num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras.» Do Livro dos Extractos, p. 759

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) cita Êxodo 20:3; 23:6; 22:21 como palavras de Deus. Teófilo a Autólico, livro 3, cap. 9, p. 114

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) cita Êxodo 3:7-8 como sendo a palavra de Deus. Irineu, Contra as Heresias, livro 4, cap. 12.4, p. 476

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.): «É Ele também quem ensina Moisés a agir como instrutor. Pois o Senhor diz: “Se alguém pecar perante Mim, eu o apagarei do Meu livro; mas agora, vai e conduz este povo para o lugar que te indiquei.”» (Êxodo 32:33,34) *O Instrutor*, livro 1, cap. 7, p. 224. Ver também *O Instrutor*, livro 1, cap. 8, p. 218, onde ele se refere a Êxodo 3:8 como Escritura.

Tertuliano (198-220 d.C.) cita primeiro Êxodo 3:17 e, em seguida, diz: «Da mesma forma, no mesmo livro de Êxodo:» e cita Êxodo 20:2, 22, 23. *Scorpiace*, cap. 2, vol. 3, p. 634

Tertuliano (204/205 d.C.) cita metade de Êxodo 20:16. «Cinco Livros Contra Marcião», livro 4, cap. 12, p. 363

Hipólito (222-235/6 d.C.) critica a alegorização excessiva de Simão relativamente ao Génesis e ao Êxodo em «Refutação de Todas as Heresias», livro 6, cap. 10, p. 78, bem como a alegorização de Simão relativamente ao Levítico, aos Números e ao Deuteronómio no cap. 11, p. 78

Orígenes (240 d.C.) refere-se ao Êxodo, ao Levítico e aos Números. «Comentário sobre o Cântico dos Cânticos», prólogo, p. 47

Orígenes (225-254 d.C.) escreveu comentários sobre Romanos, Génesis, Êxodo, Levítico, Josué, 1 Reis, Jeremias e Lucas

Novatiano (250/4-256/7 d.C.): «E embora a Escritura celestial muitas vezes transforme a aparência divina numa forma humana, como quando diz», e cita o Salmo 34, 15; «ou quando diz», e cita Génesis 8, 21; «ou onde são entregues a Moisés as tábuas», e cita Êxodo 31, 18. «ou quando o povo dos filhos de Israel é libertado da terra do Egito» e cita o Salmo 136:12 «ou quando diz», e cita Isaías 1:20. Tratado sobre a Trindade, cap. 6, p. 615.

Novatiano (250/4-256/7 d.C.) cita Êxodo 4:13 como sendo de Moisés. Tratado sobre a Trindade, cap. 9, p. 618

Tratado Contra Novaciano (c. 246-258 d.C.), cap. 12, p. 660, cita Êxodo 9:28.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Êxodo, indicando que se trata de Êxodo, no Tratado 12, terceiro livro, n.ºs 11, 13 e 113, entre outros locais.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona o Êxodo no «Tratado de Cipriano», Tratado 12, segundo livro, cap. 15, p. 521

Gregório Taumaturgo (240-265 d.C.): «E no livro do Êxodo diz-se, referindo-se não só ao caso de encontrar o que pertence a um amigo, mas também ao de encontrar o que pertence a um inimigo: “Certamente os devolverás à casa do seu senhor.”» Epístola Canónica, cânone 4, p. 19

Dionísio de Alexandria (c. 246-256 d.C.) faz alusão a Êxodo 12:30 na Epístola 12 aos Alexandrinos, p. 108.

Anatólio de Alexandria (270-280 d.C.) «dois Agathobuli, que eram apelidados de “Os Mestres”, e o eminente Aristóbulo, que foi um dos Setenta que traduziram as Escrituras sagradas e santas dos hebreus para Ptolomeu Filadélfio e o seu pai, e dedicou os seus livros exegéticos sobre a lei de Moisés aos mesmos reis. Estes escritores, ao resolverem algumas questões levantadas relativamente ao Êxodo, afirmam que todos, sem exceção, devem» — Cânone Pascal de Anatólio de Alexandria, cap. 3, vol. 6, p. 147

Adamantio (c. 300 d.C.) cita Êxodo 20:13-15, 16. «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», Segunda Parte, 15 b, p. 94.

Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) cita metade de Êxodo 24:8 como sendo de Moisés. «Comentário sobre o Apocalipse», a partir do quinto capítulo, versículo 5, p. 350.

Metódio de Olimpo e Patara (270-311/312 d.C.) cita Êxodo 30:1-9 como «Ele [Deus] diz». «Banquete das Dez Virgens», discurso 5, cap. 7, p. 328

Atanásio (318 d.C.) cita Génesis 1:6-11,29; Êxodo 20:3; Deuteronómio 6:4,5,13; Salmo 119:90; 146:7-9; 33:6 em «Contra os Pagãos», cap. 46, p. 28-29.

Lactâncio (c. 303-320/325 d.C.) faz alusão a Êxodo 23:20. «Instituições Divinas», livro 4, cap. 10, p. 108

Escritores pós-nicenos que se referiram a Êxodo

Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.)

Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.)

Hegemónio de Sirmium (século IV), ao traduzir Arquelao (c. 262-278 d.C.), faz alusão a Êxodo 12:35 como sendo de Moisés. Disputa com Manes, cap. 40, p. 214

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.)

Atanásio (367 d.C.) enumera os livros do Antigo Testamento na Carta Pascal 39, cap. 4, p. 552.

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.), escreveu comentários sobre Génesis e Êxodo. (Padres Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série, vol. 13, p. 125 [Introdução])

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) refere-se ao Êxodo como Escritura.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que Êxodo 7:23 foi escrito por Moisés, na Palestra 13, cap. 3, p. 82

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Gregório Nazianzeno (330-391 d.C.) faz alusão ao Êxodo

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) afirma que Deus se dirige a Moisés e cita Êxodo 32:33. Em «Sobre os Penitentes», cap. 5.1, p. 75

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.)

Didimo, o Cego (398 d.C.) cita Êxodo 7:13,22 como sendo do livro de Êxodo. Comentário sobre Zacarias 7, p. 147

Rufino (374-406 d.C.)

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) cita Êxodo 1:7 como passagem das Escrituras. O Panarion, secção 1, cap. 8, 4, 5, p. 25

João Crisóstomo (-407 d.C.) refere-se a Êxodo 17:12 como sendo de Moisés, vol. 14, Comentário sobre João, Homilia 14, p. 50

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) alude a Êxodo 6:23; 24:1; Levítico 10:1-2; Números 3:2,4; 1 Crónicas 6:3. Defesa contra os pelagianos, cap. 9, p. 125

Sínodo de Cartago (393-419 d.C.)

Sulpício Severo (363-420 d.C.) refere-se a Êxodo 20:14 na obra «Êxodo na História», livro 1, cap. 13, p. 77

Jerónimo (373-420 d.C.) analisa os livros do Antigo Testamento. Aborda especificamente Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, a Torá, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.

Agostinho de Hipona (338-430 d.C.) escreveu um comentário completo sobre o Génesis e um comentário sobre o Êxodo.

João Cassiano (semipelagiano) (319-430 d.C.)

Entre os hereges

Os ebionitas citam parte de Êxodo 33:20 como «a lei». Reconhecimentos de Clemente, cap. 29, p. 122

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) cita Êxodo 32:4. Comentário sobre Oséias, cap. 2, p. 45


P: Em Êxodo, o que diz o «Pentateuco paralelo» (Manuscrito do Mar Morto 4Q158)?

R: Eis aqui uma pequena parte do mesmo. As passagens das Escrituras a que se refere estão em itálico. A tradução foi retirada de *The Dead Sea Scrolls Study Edition*, volume 2, p. 307.

«Êxodo 20:12-17: Honra o teu [pai] e a tua mãe [para que os teus dias na terra que YHWH, o teu Deus, te dá sejam prolongados. Não matarás. Não cometerás adultério. Não roubarás. Não darás] falso testemunho [contra] o teu [próximo]. Não cobiçarás a mulher do [teu] vizinho, nem a sua casa, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu jumento, nem nada do que pertença ao teu vizinho.] E YHWH disse a Moisés: Dt 5:30-31, «Vai e diz-lhes: Voltem para [as vossas tendas! Vós, porém, ficai aqui comigo, pois vou explicar-vos todos os mandamentos, as leis] e os estatutos, que lhes ensinareis, para que os cumpram na terra que [lhes dou para que a possuam…] E o povo regressou, cada um à sua tenda. Mas Moisés permaneceu na presença [de YHWH…].”


P: No Êxodo, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?

R: Aqui estão algumas delas nos 1 213 versículos do Êxodo. Para obter uma amostra das variações entre o texto massorético e a Septuaginta, o que se segue centra-se no capítulo 30. Salvo indicação em contrário, a primeira frase corresponde ao texto massorético (MT) e a segunda à Septuaginta (LXX).

Êx 1:5 «E todas as almas que saíram dos lombos de Jacó eram setenta almas, estando José no Egito.» (MT) vs. «Mas José estava no Egito. E todas as almas nascidas de Jacó eram setenta e cinco.» (Septuaginta) Os Manuscritos do Mar Morto também referem 75 descendentes. Em Atos 7:14, Estêvão referiu 75 descendentes.

Êxodo 1:22 «nascidos» vs. «nascidos para os hebreus» (Pentateuco Samaritano, Septuaginta e Targums)

Êxodo 2:25 «[Deus] conhecia-os/preocupava-se com eles» vs. «[Deus] deu-se a conhecer a eles» (O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, afirma que a Septuaginta está errada neste ponto.)

Êxodo 3:6 «Eu sou o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, pois temia olhar para Deus.» (MT) vs. «Eu sou o Deus do teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó; e Moisés desviou o rosto, pois tinha medo de contemplar Deus.» (Septuaginta) vs. «Eu sou o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Moisés tremeu de medo e não se atreveu a olhar» (Pentateuco Samaritano, Atos 7:32)

Êx 3:19 «ide, a menos que sejais compelidos por uma mão poderosa» vs. «ide, não, não por uma mão poderosa» (Septuaginta, Vulgata)

Êxodo 4:22 «o meu filho primogénito» vs. «o meu próprio povo» (Pentateuco Samaritano)

Êxodo 8:22 «separar/tratar de forma diferente» vs. «distinguir maravilhosamente» (O «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, p. 356, afirma que os tradutores da Septuaginta interpretaram mal a palavra hebraica neste contexto)

Êxodo 8:32 «sobre o vosso povo» vs. «do vosso povo» (Septuaginta)

Êx 8:23 «fazer uma distinção» vs. «conceder uma libertação/redenção» na Septuaginta e na Vulgata.

Êx 9:32 Uma palavra hebraica para o segundo cereal, provavelmente «emmer» vs. «centeio» na Septuaginta, vs. «ervas» na versão copta. (O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, afirma que o cereal «emmer» é encontrado em túmulos egípcios, ao passo que o cereal «espelta» não o é.)

Êx 12:22 «bacia» em oposição a «limiar»

Êx 12:40 «os filhos de Israel viviam no Egito» (MT, Manuscrito do Mar Morto 2Q2 (=2QExod(a)), Atos 7:6; Génesis 15:13) vs. «os filhos de Israel viveram no Egito e em Canaã» (Septuaginta) vs. «os filhos de Israel e os seus pais viveram no Egito e em Canaã» (Pentateuco Samaritano). Josefo, escrevendo por volta de 93-94 d.C. em «Antiguidades dos Judeus» 2.15.2, também afirma que permaneceram no Egito durante 215 anos, o que é consistente com o Pentateuco Samaritano e a Septuaginta. Josefo referiu que foram 430 anos após Abraão ter chegado a Canaã. Consulte http://dssenglishbible.com/scroll2Q2.htm para mais informações sobre o 2Q2.

Êxodo 14:25 «afastou» vs. «obstruiu/bloqueou» (Pentateuco Samaritano, Septuaginta, Siríaco)

Êx 15:8 «sopro das vossas narinas» vs. «sopro de vós» (Pentateuco Samaritano)

Êx 18:5 «comer pão» (MT, Septuaginta) vs. «oferecer pão» (siríaco, Targums, Vulgata)

Êx 18:12 «trouxeram» (MT, Septuaginta) vs. «ofereceram» (siríaco, Targum e Vulgata). O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, pp. 413-414, afirma que «trouxeram» é a palavra correta e que «ofereceram» foi apenas uma interpretação.

Êx 19:18 «todo o monte» vs. «todo o povo» em alguns manuscritos hebraicos e na Septuaginta.

Êxodo 20:12 «…mãe, para que tenhas vida longa» (MT) vs. «…mãe, para que te vá bem e para que tenhas vida longa na terra boa» (Septuaginta). Deuteronómio 5:16 diz «…mãe, para que tenhas vida longa e para que te vá bem na terra»

Êxodo 20:17 é imediatamente seguido por Deuteronómio 11:29-30 e 27:2b-3a,4-7, que instruem os israelitas a construir o templo no Monte Gerizim no Pentateuco samaritano.

Êxodo 20:18 No Papiro de Nash, o sexto e o sétimo mandamentos estão invertidos.

Êx 20:24 «no lugar onde fiz habitar o meu nome» vs. «em todos os lugares onde farei habitar o meu nome» (Pentateuco Samaritano)

Êx 22:8 «O senhor da casa apresentar-se-á perante Elohim» vs. «O senhor da casa apresentar-se-á perante El» (Pentateuco Samaritano) (The Anchor Bible Dictionary, vol. 5, p. 938. Afirma-se que o Pentateuco Samaritano «evita qualquer sugestão de politeísmo: por exemplo, os predicados no plural com “elohim” no Texto Massorético (Génesis 20:13; 31:53; 35:7; Êxodo 22:8) são alterados para o singular.») (Na Septuaginta grega, é “Theon”)

Êx 23:20 «Eis que estou prestes a enviar um anjo à vossa frente para vos guardar no caminho e para vos conduzir ao lugar que preparei.» vs. «E eis que envio o meu anjo à vossa frente, para que ele vos conduza à terra que preparei para vós.»

Êx 23:21 «Sede atentos perante Ele e escutai a Sua voz. Não vos rebeleis contra Ele, pois Ele não perdoará as vossas transgressões; pois o Meu nome está n’Ele.» vs. «Tende cuidado convosco e escutai-o, e não lhe desobedeçais; pois ele não cederá a vós, pois o Meu nome está n’ele.»

Êx 23:25 «Ele [Deus] abençoará» vs. «Eu abençoarei» (Septuaginta, Vulgata)

Êxodo 24:10 «E viram o Deus de Israel. … clareza» vs. «E viram o lugar onde o Deus de Israel se encontrava … pureza»

Êx 24:11 «Ele não estendeu a Sua mão contra os nobres dos filhos de Israel. E viram a Deus» vs. «não faltava sequer um, e apareceram no lugar de Deus»

Êx 28:23-28 presente no texto massorético hebraico e na Septuaginta Complutense. O Manuscrito do Mar Morto 4Q22 (=4QPaleoExodus(m)) contém fragmentos de 28:22-24, 26-28, 30-43. Ausente das versões Vaticanus e Alexandrinus da Septuaginta.

Êx 29:9 «sobre Arão e os seus filhos» vs. «sobre eles» na Septuaginta.

Êx 30:1 «Um altar, um lugar para queimar incenso» vs. «um altar de incenso» na Septuaginta.

Êx 30:1 «madeira de acácia» vs. «madeira incorruptível» na Septuaginta.

Êx 30:6 «[o altar] em frente ao véu» (MT, Septuaginta) vs. «[o altar] atrás do véu» (Pentateuco Samaritano)

Êx 30:12 «destruição» vs. «praga» na Septuaginta

Êx 30:21 «pés, e não morrerão» vs. «pés com água; sempre que entrarem na Tenda do Testemunho, lavar-se-ão com água, para que não morram.» (Talvez o tradutor da Septuaginta tenha repetido acidentalmente parte de uma linha.)

Êx 30:27,28 A Septuaginta acrescentou «e todos os seus utensílios» quatro vezes

Êx 30:35 «salgado, puro e santo» vs. «uma obra pura e santa» na Septuaginta

Êx 31:4-5 «bronze e no lapidação de pedras para engastes» vs. «latão e azul, e púrpura, e escarlate fiado, e trabalhos em pedra»

Êx 32:29 «Hoje consagrem-se» vs. «Hoje vocês consagraram-se» (grego, Vulgata)

Êxodo 33:16 «distinguem-se» vs. «serão glorificados» (O «Expositor’s Bible Commentary», volume 2, p. 356, afirma que os tradutores da Septuaginta interpretaram mal a palavra hebraica neste contexto)

Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é retirada da «Literal Translation», de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta provém da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de «The Septuagint: Greek and English». Foram igualmente utilizados o «The Expositor’s Bible Commentary», o «The Anchor Bible Dictionary», vol. 5, e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.