< Pergunta bíblica sobre Hebreus

P: Quem escreveu o livro de Hebreus?

R: Atualmente, não sabemos quem escreveu o livro de Hebreus. A partir do próprio livro, sabemos seis coisas sobre o autor:

1) O autor refere-se a «si próprio» em Hebreus 11:32; o grego está na forma masculina, pelo que o autor era um homem.

2) Hebreus 13:23 menciona Timóteo, pelo que o autor conhecia Timóteo (e não era Timóteo).

3) Hebreus 13:22-24 mostra que os leitores da igreja primitiva sabiam quem era o autor.

4) O autor possuía um vasto conhecimento das Escrituras (que Paulo, entre outros, também possuía).

5) O autor era um escritor muito lógico e organizado (tal como Paulo também o era).

6) O autor (ou autores) escreveu de forma muito poética e eloquente, talvez para além do que observamos nas cartas de Paulo.

P: Qual é o ponto principal do livro de Hebreus?

R: O ponto principal é «Cristo é superior». A Epístola aos Hebreus foi escrita para mostrar tanto a continuidade entre o Antigo Testamento e o cristianismo, como a nova e radical transformação sob Cristo. Cristo é superior aos homens, superior aos anjos, superior à lei e superior aos sacrifícios.

P: Em Hb 1,1, uma vez que os únicos livros aceites na Bíblia eram aqueles escritos por testemunhas oculares, então por que razão o livro de Hebreus lá se encontra? Ninguém sabe quem escreveu o livro de Hebreus.

R: Isso não é verdade. Hoje não sabemos, mas os primeiros cristãos sabiam, como evidenciado pela nota pessoal em Hebreus 13:22-25. A título de nota adicional, Clemente de Roma refere-se à Epístola aos Hebreus várias vezes na sua carta aos Coríntios, escrita entre 96 e 98 d.C. Assim, temos uma dívida para com a Igreja primitiva, não por ter escrito as Escrituras, mas por as ter reconhecido.

Tertuliano (208-220 d.C.) considerava que a Epístola aos Hebreus tinha sido escrita por Barnabé, em «Sobre a Modéstia», cap. 20, p. 97, mas não há outras provas que sustentem essa afirmação.

Orígenes (225-254 d.C.) considerava que Paulo escreveu a Carta aos Hebreus, mas também menciona que outros discordavam.

Os primeiros cristãos que ensinavam que Paulo escreveu a Carta aos Hebreus foram:

Irineu (182-188 d.C.)

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.)

Orígenes (225-254 d.C.)

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.)

Adamantio (c. 300 d.C.)

Atanásio (c. 318 d.C.)

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) afirma que Hebreus 13:8 foi escrito por Paulo. Deposição de Ário, cap. 3, p. 70

Após Nicéia

Eusébio de Cesareia (323-326 d.C.) afirma que existia controvérsia quanto ao facto de Paulo ter ou não escrito a Epístola aos Hebreus.

Atanásio (356-360 d.C.) cita Hebreus 1:4 como sendo de Paulo. Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 2, cap. 14, p. 348.

Atanásio (335 d.C.) afirma que a Epístola aos Hebreus é de Paulo. Carta Festiva 7, cap. 7, p. 526

«Synopsis Scripturae Sacrae» (350-370 d.C. ou século V)

Gregório de Nissa (382-383 d.C.) afirmou que Paulo escreveu a Epístola aos Hebreus e faz referência a Hebreus 5:5. Contra Eunómio, livro 6, cap. 2, p. 183

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.) refere-se a Paulo como autor da Epístola aos Hebreus. Sobre os Mistérios, cap. 8.45, p. 323

João Crisóstomo (antes de 407 d.C.) menciona que Paulo escreveu às Galatas e aos Hebreus. «Comentário sobre Filipenses», Homilia 4, versículo 30, p. 200

João Cassiano (419-430 d.C.) (implícito) refere-se a Hebreus 13:8 como sendo do Apóstolo, em «Sete Livros», livro 5.6, p. 584, e a Hebreus 12:22,23 como sendo do Apóstolo, na «Primeira Conferência do Abade Moisés», cap. 14, p. 302

Entre os hereges

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.)

P: Em Heb 1,1-3, o que há de chocante, ou mesmo escandaloso (exceto num sentido positivo), no que estes versículos relatam?

R: Deus tem a Sua presença ainda muito mais longe de nós do que a galáxia mais distante. Ele enche o céu com estrelas, cujo número é pelo menos tão grande quanto os grãos de areia na margem do mar. Mas será que Deus sequer repara num grão de poeira a girar em torno de um grão de areia, a que gostamos de chamar «mundo»? Poder-se-ia pensar que Deus tem coisas mais importantes para fazer.

Então, de repente, bam, Deus aparece e surge diante de si. Pode ouvi-Lo claramente. Pode vê-Lo, sem ficar cego nem morrer. Pode perguntar-Lhe qualquer coisa. Quer saber como é o Reino dos Céus? Bem, pode ser difícil para si compreender completamente, mas deixe-me explicar de forma que consiga entender. A propósito, estou com fome, vamos comer um pouco de peixe. Mas não temos peixe para oferecer; não apanhámos nenhum durante toda a noite. Não faz mal, desta vez o convite é por minha conta.

Como é que um Ser tão poderoso, tão puro, tão santo, tão «estranho» para nós, se humilha tanto a ponto de nos visitar como um de nós? Se alguma vez leu sobre um rei ou um príncipe que se disfarçou de mendigo e foi à cidade visitar o povo, isso não é nada comparado com a distância em glória e honra que Jesus percorreu ao vir a esta terra.

P: Hebreus 1:2 significa que já não há mais profetas?

R: Sim e não, se bem compreendido.

Sim, depois de Cristo, não houve mais profetas no sentido do Antigo Testamento, aqueles que nos deram os livros da Bíblia e fazem parte do alicerce sobre o qual a igreja está edificada, conforme Efésios 2:20.

Não, no Novo Testamento ainda existia o dom da profecia, conforme 1 Coríntios 12:29; 14:4. Alguns homens e mulheres que possuíam este dom são mencionados em Atos 21:9-10.

P: Em Hebreus 1:2, Jesus existia no Céu antes de vir à Terra?

R: Sim, de acordo com Hebreus 1:2, João 1:1-3 e as próprias palavras de Jesus em João 17:5. Não sei que prova mais clara alguém poderia considerar necessária.

Colossenses 1:15 «O Filho [do Seu amor] é a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação. Pois n’Ele foram criadas todas as coisas, as que há nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam domínios, sejam principados, sejam autoridades. Todas as coisas foram criadas por meio d’Ele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas, e n’Ele todas as coisas se mantêm unidas. E Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; Ele é o princípio e o primogénito dentre os mortos, para que em todas as coisas tenha a preeminência.»

Mas o facto de Ele se ter tornado Filho de Deus por encarnação não nega que Ele estivesse «com Deus» no princípio. (João 1:1-2, 10, 14-15)

P: Em Hebreus 1:3, uma vez que Jesus se sentou à direita de Deus Pai, isso prova que o Pai tem um corpo físico?

R: Não, não mais do que o lado direito de um carro prova que um carro tem mãos. Três pontos a considerar na resposta.

1. A expressão «à direita» significa, na verdade, uma posição de honra.

2. «À direita» também pode referir-se a uma posição física. Embora Deus preencha os céus e a terra (Jeremias 23:23-24), Deus Pai também tem uma presença localizada no Seu trono (Apocalipse 4; 5:7).

3. Mesmo que Deus tenha uma presença localizada, isso não prova que Deus esteja limitado a um corpo físico ou que possua um corpo físico. No entanto, isto não nega que Deus Pai possa manifestar-Se sob qualquer forma que desejar, incluindo uma chama ou um corpo físico.

Consulte «When Cultists Ask», pp. 283-284, para obter uma resposta diferente.

P: Em Hebreus 1:4, uma vez que Jesus «tornou-se» superior aos anjos, não era Ele superior aos anjos antes?

R: No Céu, Ele era superior aos anjos, como sugere João 17:5. No entanto, Jesus esvaziou-Se de Si mesmo quando veio à Terra, conforme Filipenses 2:7. Jesus tornou-Se temporariamente inferior aos anjos, como afirma explicitamente Hebreus 2:7, 9. Ora, Hebreus 1:4 mostra que o Pai atendeu ao pedido de Jesus em João 17:5.

P: Hebreus 1:5-6 sugere que Cristo é um anjo?

R: Não, na verdade mostra exatamente o contrário, especialmente em Hebreus 1:6-8 e Hebreus 2:16. Embora Deus Todo-Poderoso tivesse o poder de fazer com que Cristo tivesse qualquer natureza que desejasse, incluindo a natureza de um anjo, Hebreus 2:11, 14, 16-17 mostra que Jesus se encarnou como homem, não como anjo.

P: Em Hebreus 1:6, a frase «que todos os anjos de Deus o adorem» cita Deuteronómio 32:43, uma vez que o texto massorético não contém esta passagem?

R: Sim. O texto é claro em Hebreus 1:6. A mesma frase, ou uma semelhante, encontra-se tanto no Manuscrito do Mar Morto 4Q44 de Deuteronómio 32:43 como na Septuaginta de Deuteronómio 32:43. Trata-se, certamente, de um erro de transcrição que se infiltrou no texto massorético.

P: Em Hebreus 1:6, Jesus deve simplesmente ser adorado ou a palavra grega significa que os anjos apenas «prestaram homenagem» a Ele, como ensinam algumas Testemunhas de Jeová?

R: Argumento a favor da adoração a Jesus com base em «proskuneo»: as palavras inglesas para «adoração» são utilizadas 76 vezes no Novo Testamento. (Suponho que seja porque os crentes adoravam muito.) A palavra grega «proskuneo» é utilizada em todas essas ocorrências, com exceção de 16.

P1. Entre outros, as quatro criaturas celestiais «proskuneo» a Deus em Apocalipse 19:4.

P2. Nunca se deve «proskuneo» a outro. Satanás pediu a Jesus que lhe fizesse «proskuneo» em Mateus 4:9. Jesus respondeu que só se deve fazer «proskuneo» a Deus em Mateus 4:10. O anjo em Apocalipse 19:10 disse para adorar apenas a Deus. Todas as pessoas que fizerem «proskuneo» à besta em Apocalipse 14:9 sofrerão por isso.

P3. Quando Jesus citou o Antigo Testamento em Mateus 4:10 e Lucas 4:8, utilizou a palavra «proskuneo».

P4. Os anjos proskuneo a Jesus em Hebreus 1:6

P5. Muitas pessoas prestam proskuneo a Jesus, incluindo os discípulos antes da ressurreição de Cristo (Mateus 14:33), os Reis Magos (Mateus 2:2), um leproso (Mateus 8:2), um notável (Mateus 9:18), os discípulos após a ressurreição de Cristo (Mateus 28:9, 17; Lucas 24:52), o endemoninhado de Gerasa (Marcos 5:6), os soldados romanos em tom de escárnio (Marcos 15:19)

P – Resumo: O que os anjos do Céu fazem, o que os discípulos e outros fizeram, e o que até mesmo os soldados romanos fizeram em tom de escárnio, convém que os seguidores de Jesus façam com sinceridade.

No entanto, a palavra «proskuneo» também é utilizada para se referir aos membros da sinagoga de Satanás que se prostram aos pés dos membros da igreja de Filadélfia em Apocalipse 3:9. Pode argumentar-se que «proskuneo» pode significar simplesmente ajoelhar-se perante alguém em Mateus 15:25; 18:26; e 20:20.

Embora «proskuneo» possa, por vezes, significar apenas ajoelhar-se, é a palavra predominante para designar a adoração. Para completar, mesmo na própria «Tradução do Novo Mundo» das Testemunhas de Jeová, «proskuneo» foi traduzido em Hebreus 1:6 como «adoração». De acordo com o livro «Testemunhas de Jeová: Respostas Versículo a Versículo», pp. 100-101, isto verificava-se nas versões de 1953, 1960, 1961 e 1970 da «Tradução do Novo Mundo». A «A Torre de Vigia» alterou esta tradução para «prestar homenagem», a partir da revisão de 1971.

Se considera que a forma como os cristãos «proskuneo» a Jesus é inadequada, como é que o senhor «proskuneo» a Jesus?

Tal como uma senhora Testemunha de Jeová me disse, no final de uma longa discussão, que se curvaria perante Jesus se Ele estivesse aqui hoje, mas, uma vez que Ele não está, é por isso que não se prostra perante Ele. Consegui compreender o seu ponto de vista, caso Jesus nunca estivesse presente para ela. No entanto, em Mateus 18:20, Jesus disse que, onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, ali Ele está no meio deles. Portanto, quando estamos juntos, devemos proskuneo a Jesus. Além disso, Romanos 8:9-10 mostra que todos os que pertencem a Cristo têm o espírito de Cristo dentro de si.

Além disso, a «Tradução do Novo Mundo» das Testemunhas de Jeová revela aqui um preconceito. Traduz «proskuneo» como «adorar» quando utilizado em referência a Deus (Apocalipse 5:14; 7:11; 11:16; 19:4; João 4:20, etc.), mas sempre que a mesma palavra é utilizada em relação a Jesus, é traduzida como «reverência» (Mateus 14:33; 28:9,17; Lucas 24:52; Hebreus 1:6).

No entanto, por mais forte que seja o argumento do «proskuneo», estamos apenas a dar os primeiros passos com argumentos que demonstram que Jesus é Deus e digno de adoração. Outros pontos incluem o argumento de «Tomé» na discussão sobre João 20:24-29, o argumento da «honra» na discussão sobre João 5:23 e o argumento da «adoração» na discussão sobre Apocalipse 5:9-14, entre outros. Consulte *When Cultists Ask*, p. 284, para obter pontos adicionais sobre o argumento «proskuneo» e outros argumentos.

P: Hebreus 1:9 significa «Jesus, que é Deus, o Pai que é o vosso Deus», ou «Jesus, o Pai que é o vosso Deus»?

R: É a primeira forma, dirigindo-se a Jesus. Poderia ser interpretado de ambas as formas, tanto em grego como em inglês. No entanto, o «New International Bible Commentary», p. 1507, afirma que, embora a gramática tanto do versículo 8 como do versículo 9 seja ambígua, é certo que a intenção é o «vocativo» (Jesus, que é Deus, o Pai que é o vosso Deus). Sabemos isto ao compararmos com o hebraico daquilo que esta passagem cita: Salmo 45:6-7. A tradução do Salmo 45:7 feita por Áquila, o judeu, diz: «Ó Deus, o Teu Deus ungiu-Te».

P: Em Hebreus 1:13, que significado teria o Salmo 110 para um judeu?

R: Partes do Salmo 110 são citadas em Mateus 22:44; Marcos 12:36-37; Lucas 20:42-44; Atos 2:34-35; Hebreus 1:13; 5:10, e discutidas extensivamente em Hebreus 7:1-28. O Salmo 110 foi citado por treze escritores da Igreja pré-nicena. Consulte para saber o que eles afirmaram. Os escritores judeus do Midrash Tehillim e do Comentário sobre os Salmos (200-500 d.C.) reconheceram o Salmo 110 como messiânico.

P: Em Heb 1:14, como devemos considerar os anjos?

R: Aqui estão cinco pontos-chave sobre a nossa relação presente e futura com os anjos.

Iremos julgar os anjos (1 Coríntios 6:3)

Não devemos difamar os seres celestiais, sejam eles anjos ou demónios. (Judas 8-10)

Os anjos estão a ministrar-nos (Hebreus 1:14)

Podemos receber anjos sem o saber (Hebreus 13:2)

Não devemos adorar anjos (Colossenses 2:18); devemos dedicar-nos exclusivamente a Jesus (2 Coríntios 11:2)

P: Em Hebreus 2, qual é o ponto principal, para além da grande obra de Jesus e do seu estado exaltado?

R: Não é apenas a grandeza de Jesus, mas sim a grande distância que Ele percorreu por nós. Em Hebreus 1, Jesus era superior como Filho de Deus, e em Hebreus 2, Jesus é superior como Filho do Homem. Para fazer uma analogia geográfica, não se trata apenas de Jesus ser mais alto do que os Himalaias. Pelo contrário, Ele, que originalmente era mais alto do que os Himalaias, desceu até à Fossa das Marianas, no fundo do Oceano Pacífico, por nossa causa, a fim de nos elevar até aos Himalaias com Ele.

É claro que por trás disto está o propósito de todo o livro, que é apresentado em Hebreus 2:1 e seguintes: não se desviem.

P: Em Hebreus 2:1, de que forma é que alguns seguidores de Cristo se desviam?

R: Embora alguns se afastem de forma catastrófica devido a algum acontecimento repentino, esse não é o significado da palavra «afastar-se». Esta palavra grega, pararyomen, encontra-se apenas aqui no Novo Testamento e em Provérbios 3:21, na tradução grega da Septuaginta do Antigo Testamento. Refere-se a um afastamento gradual que pode ser ligeiro no início, mas que pode tornar-se significativo no final. Pense num anel que desliza silenciosamente até à ponta do seu dedo, depois cai e pode acabar por ficar a muitos quilómetros de distância. Temos a responsabilidade de garantir que nem sequer começamos a afastar-nos.

P: Em Hebreus 2:2, devemos ou não obedecer às palavras proferidas pelos anjos?

R: Sim e não, se bem compreendido. Sim, as pessoas na Bíblia davam ouvidos aos anjos obedientes a Deus, porque estes transmitiam mensagens de Deus. Não, não devemos prestar atenção ao que os anjos maus e caídos ensinam (Gálatas 1:8; 1 João 4:1-3). O próprio Satanás pode disfarçar-se de anjo de luz (2 Coríntios 11:14-15). No entanto, a Lei de Moisés foi dada por meio de anjos, de acordo com Deuteronómio 33:2 (Septuaginta), Atos 7:53 e Gálatas 3:19. Josefo, em «Antiguidades dos Judeus», livro 15, capítulo 136, também menciona isto.

P: Em Hebreus 2:2-3, considera que ignorar o evangelho não é tão grave, é igual ou é pior do que ignorar a Lei desde o tempo de Moisés até Cristo?

R: Hebreus 2:2-3 afirma que, uma vez que o evangelho é superior à lei, recusar-se a aceitá-lo é pior do que recusar-se a aceitar a Lei mosaica. A palavra grega «nós» significa um pouco mais do que apenas «nós». É quase como «não eles, mas nós».

P: Em Hebreus 2:3, qual é a diferença entre rejeitar a salvação por meio de Cristo e ignorá-la?

R: Em Hebreus 2:4, a palavra «vários» em «milagres» pode ter um significado vívido de «de várias cores», ou seja, difíceis de ignorar. Rejeitá-la significa que uma pessoa decidiu seguir o caminho oposto e, pelo menos naquele momento, fechou a porta a ela. Ignorá-la significa não se aproximar nem se afastar, e possivelmente deixar a porta aberta para ela naquele momento. No entanto, no final, não há diferença; se optar por não aceitar esta salvação, não há outro caminho para o Céu (João 14:6; Atos 4:12). Contudo, mesmo que uma pessoa tenha rejeitado totalmente o evangelho, Deus pode, mais tarde, amolecer o seu coração e ela pode converter-se, arrepender-se e aceitá-lo posteriormente, tal como fez Saulo de Tarso.

P: Em Hebreus 2:6, uma vez que Jesus é o «primogénito» de Deus, será Jesus um ser criado? Não devemos adorar seres criados, tal como diz Romanos 1:25.

R: A relação pai/filho é significativa para a nossa compreensão do termo «primogénito». Há duas verdades a compreender nesta resposta.

1. Considere esta analogia. As pessoas «geram» filhos, ou compram-nos já criados numa loja? A natureza divina do Filho Unigénito não é mais criada pelo Pai do que as pessoas «criam» filhos.

2. A humanidade do Filho foi criada por Deus, e chamamo-Lo de primogénito tanto por ser o primeiro em posição como por ter sido o primeiro a ressuscitar (1 Coríntios 15:20). É errado utilizar o termo «primogénito» para negar a primeira verdade: Jesus é o primogénito em honra, mas é também o «Unigénito» (João 3:16).

Ora, o facto de o segundo ponto ser verdadeiro não prova que o primeiro seja falso. Jesus existia antes de todos os seres criados, como demonstra 1 João 1.

P: Em Hebreus 2:6-9, esta passagem do Salmo 8 refere-se às pessoas, aos crentes ou a Jesus?

R: Refere-se principalmente ao «Filho do Homem», ou seja, a Jesus. No entanto, os crentes reinarão com Cristo, pelo que, secundariamente, refere-se também aos crentes.

P: Em Hebreus 2:9, em que sentido era Jesus inferior aos anjos?

R: Isto também pode ter parecido estranho aos anjos. Temos de analisar isto em termos do início, do «então» e do «agora».

Originalmente, após ter criado todas as coisas, conforme se refere em Hebreus 1:2, Jesus tinha glória junto do Pai no céu, de acordo com João 17:5.

Na Encarnação: Filipenses 2:5-8 diz-nos que grandes coisas Jesus fez antes de vir à Terra. Jesus esvaziou-Se a Si mesmo e tornou-Se menos poderoso do que os anjos aqui na Terra. Hebreus4:15 e 5:7-8 fornecem um pouco mais de pormenor sobre o que Jesus passou enquanto esteve na Terra.

Agora, Jesus é muito superior aos anjos, como demonstram Hebreus 1:4-8 e 2:7. João 17:5, Filipenses 2:9-11 e Apocalipse 5:11-14 relatam o que aconteceu depois de Jesus ter ascendido ao Céu.
Quem estaria disposto a abdicar de tudo aquilo a que Jesus abdicou, tendo apenas a confiança e a fé de que o recuperaria? Apenas alguém que considerasse que as pessoas por quem se sacrificava valiam a pena. Suponho que se possa dizer que Jesus tinha de ser Deus, porque ninguém teria feito isso por nós, a menos que tivesse um coração tão grande como o de Deus!

P: Em Hebreus 2:9, uma vez que Jesus provou a morte por todos, por que razão nem todos são salvos? Será que o sacrifício por algumas pessoas é feito duas vezes, uma por elas próprias e outra por Jesus?

R: Calvinistas como John Owen já colocaram esta questão. Owen concluiu que, uma vez que

1. O sacrifício de Cristo constitui o pagamento completo por todos os pecados, incluindo a incredulidade [para aqueles a quem esse pagamento se aplica].

2. Nem todos serão salvos; alguns não irão para o Céu.

3. Portanto, o sacrifício de Cristo não foi para todos [Deus não providenciou um caminho para que os não-eleitos tivessem os seus pecados perdoados e fossem para o céu].

[O meu comentário sobre esta perspetiva é o seguinte: nascidos pecadores sem esperança e sem saída, em última análise, não foi culpa deles terem ido para o Inferno; isto atribui a responsabilidade exclusivamente ao seu Criador.]

É interessante que alguns dos que colocam esta questão não tenham qualquer problema com a «dupla culpa», afirmando que a humanidade suporta a culpa pelo pecado de Adão, tal como o próprio Adão. Seja como for, a questão de Owen continua a ser pertinente. Todos deverão concordar que

1. Deus exige que seja feito apenas um pagamento

2. Mas esse pagamento tem de ser efetuado

Jesus providenciou o pagamento por todos, mas não o impôs a todos, pelo que nem a todos foi aplicado esse pagamento. Por outras palavras, se um indigente tiver uma dívida de um milhão de dólares e um milionário lhe der generosamente uma mala cheia de um milhão de dólares, e o indigente queimar a mala, o indigente continua a ser totalmente responsável pela dívida, apesar de o milionário a ter pago. O pagamento foi providenciado, mas não foi aplicado. Assim, responderia ao trilema de Owen da seguinte forma.

1. O sacrifício de Cristo constitui o pagamento completo por todos os pecados, incluindo a incredulidade [para aqueles a quem o pagamento é aplicado].

2. Nem todos serão salvos; alguns não irão para o Céu.

3. Portanto, o sacrifício de Cristo não foi aplicado a todos [ou seja, Deus não impôs que o sacrifício de Cristo servisse de pagamento para aqueles que o rejeitaram].

4. Em última análise, a culpa foi deles, e não de Deus, pela catástrofe de o pagamento de Cristo não se aplicar a eles.

Para além desta analogia informal, eis o ensinamento bíblico efetivo e autoritário.

Hebreus 4:2 «Pois também a nós nos foi pregado o evangelho, tal como a eles; mas a mensagem que ouviram não lhes serviu de nada, porque aqueles que a ouviram não a combinaram com a fé.» (NIV) Não diz que foi porque Jesus não morreu por eles, mas porque eles não a combinaram com a fé.

1 João 2:2 «Ele [Jesus Cristo] próprio é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.» (BSB)

1 Timóteo 2:4-6 «que [Deus] deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que se entregou a si próprio como resgate por todos — o testemunho que foi dado no momento oportuno.» (BSB)

P: Em Hb 2:10; 12:2, o que há de invulgar na expressão «capitão/autor da nossa fé»?

R: A palavra para «capitão/autor», archegos em grego, é excepcionalmente difícil de traduzir para o inglês. Significa, de certa forma, «capitão», «autor» ou «pioneiro», mas estes termos não são suficientemente fortes para expressar o que a palavra realmente significa. O significado inclui simultaneamente «criador», «fundador», «pioneiro» e «líder». A palavra engloba tanto os conceitos de «iniciador essencial» como de «líder heróico». Poder-se-ia também pensar em Jesus como o «pioneiro» ou «desbravador», mas isso não é correto; Jesus não se limitou a encontrar o caminho, mas é o Caminho, e o único Caminho (João 14:6; Atos 4:12).

P: Em Hebreus 2:10, 18, como é que Jesus pôde realmente sofrer, uma vez que é Deus?

R: Jesus é 100% Deus e 100% homem. Mas Jesus não era apenas um semihomem, era 100% homem e capaz de sofrer tal como um homem, porque Jesus era tão humano como nós. No entanto, Jesus é também tão Deus quanto Deus Pai. Os detalhes exatos de como estes dois aspetos de Jesus se relacionam entre si foram deixados como um mistério. Mas podemos saber algumas coisas dentro dos limites do que a Bíblia ensina.

Jesus na Terra era uma única Pessoa, com uma única vontade. Não era duas pessoas, nem duas vontades, num único corpo. Houve um grave erro denominado nestorianismo, que ensinava que Cristo era duas pessoas. É discutível até que ponto Nestório se desviou da verdade, mas os nestorianos que se seguiram a ele levaram as coisas mais longe e também aderiram ao pelagianismo. Muitos nestorianos evangelizaram a China. Acabaram por ser banidos do Império Chinês, e muitos dirigiram-se para norte e converteram uma tribo mongol. Mais tarde, essa tribo mongol foi exterminada por outros mongóis. Havia muitos nestorianos na Ásia Central, mas muitos deles foram exterminados pelos muçulmanos Tamerlão e outros conquistadores sanguinários.

A natureza divina de Jesus não tornou a Sua natureza humana insignificante. Os Seus sofrimentos foram reais, não meras aparências. Um erro grave, denominado monofisismo, ensina que as naturezas humana e divina de Cristo, juntas, são como se colocássemos uma colher de chá de chá no oceano. Os monofisitas são hoje chamados de coptas.

P: Em Hebreus 2:10, 18, uma vez que Jesus já era perfeito, como é que Jesus pôde ser aperfeiçoado no sofrimento?

R: Jesus não era imperfeito antes deste momento. A palavra grega para «aperfeiçoado», teleiusai, derivada de teleo, significa completar, realizar ou consumar. Jesus tinha uma missão a cumprir, o que Ele fez.

P: Em Hebreus 2:11-14, 17, se somos irmãos e um com Jesus, teremos a mesma natureza que Jesus tem?

R: Temos a mesma natureza humana que Jesus tem, e teremos a mesma natureza humana sem pecado no Céu. No entanto, não temos nem jamais teremos a divindade de Jesus. 2 Pedro 1:4 diz que participaremos da natureza divina, mas isto refere-se ao que Cristo nos concedeu, não ao que possuímos intrinsecamente.

P: Em Hebreus 2:13, de que forma é que Jesus depositou a Sua confiança no Pai, e como é que nós devemos fazê-lo?

R: Na Terra, Jesus humilhou-Se temporariamente e renunciou a parte da Sua glória, como mostra João 17:5. Jesus confiou no caminho do Pai, mesmo sabendo que isso O levaria à morte. Em João 17:5, Jesus confiou que o Pai Lhe restauraria a glória que Ele possuía anteriormente.

P: Em Hebreus 2:13-14, somos filhos de Cristo, ou irmãos de Cristo, como dizem Hebreus 2:11-14, 17, ou a noiva de Cristo, como dizem Efésios5:25 -33 e Apocalipse 21:2?

R: Todas as opções acima. Os termos «filhos», «irmãos» e «noiva» são metáforas que tentam descrever parcialmente a nossa relação íntima com Cristo. Todos os crentes, tanto homens como mulheres, são irmãos e a noiva de Cristo.

P: Em Hebreus 2:14, é o diabo que detém o poder da morte, ou é Deus que detém todo o poder, conforme Efésios 1:11-22?

R: Antes de responder a esta pergunta, temos de compreender, em primeiro lugar, duas coisas.

A soberania de Deus

Tudo o que Deus decreta acontece, e nada acontece a não ser o que Deus permite.

1. Tudo o que Deus decreta acontece. Isaías 14:24,27; 43:13; 55:11; João 10:29; Hebreus 6:17; Mateus 28:18. Alguns exemplos são Daniel 9:26;11:27 , 35,36; 12:1

2. Deus sabe e vê tudo. 1 João 3:20; Salmo 139; Provérbios 5:21; 15:3; Hebreus 4:13; Isaías 46:10

3. Deus faz o que Lhe apraz. Mateus 20:15; Salmo 115:3; 135:6; Romanos 9:20; Daniel 4:35

4. Nada é demasiado difícil para Deus. Génesis 18:14; Jó 42:2; Jeremias 32:17; Mateus 19:26

5. Deus reina sobre tudo. Salmo 103:19 [reina, não controla de forma mecânica]

6. Nada acontece para além do que Deus permite, como demonstram Jó 1:12; 2:6; Tiago 4:15.

7. Toda a decisão da «sorte» provém do Senhor. Provérbios 16:33

8. Todas as coisas contribuem para a boa vontade de Deus. — Romanos 8:28; Efésios 1:11; Provérbios 16:4

9. Ninguém consegue frustrar com sucesso os decretos de Deus, como demonstram Isaías 43:13; Romanos 11:29.

10. Muitos conseguem resistir à vontade ordenada/desejada por Deus. Atos7:39 , 51;4:11 ;13:46 ; 14:2; 2 Coríntios 6:1

11. Os homens resistem, mas nenhum tem sucesso em última instância — basta perguntar a Jonas.

Deus pode delegar a soberania

Deus tem a liberdade de optar por delegar uma pequena parte da Sua soberania, por um tempo e dentro de certos limites, a outros. Deus não foi obrigado a criar robôs.

1. Algumas pessoas pensam que nada acontece, a não ser o que Deus decreta expressamente. — Na verdade, nenhum versículo afirma isso.

2. Algumas coisas «não passaram pela mente de Deus» — Jeremias 19:5; 32:35

3. Os crentes podem fazer algumas coisas boas por iniciativa própria. 2 Coríntios 8:17

4. Algumas coisas provocam grande ira em Deus. Jeremias 5:29; 8:19; 12:8; Ezequiel 8:6

5. Algumas coisas partem o coração de Deus. Lucas 19:41-44; Mateus 23:37-9; Jeremias 4:19-22; 9:1

O diabo tem o poder de exigir a morte. Mas, em última análise, isso mudou, pois Cristo detém agora as chaves da morte e do Hades, conforme Apocalipse 1:18.

P: Em Hebreus 2:16-17, poderia Jesus ter cedido à tentação e pecado?

R: Tal como Adão e Eva, Jesus não nasceu com uma natureza pecaminosa. No entanto, Jesus, tal como Adão e Eva, tinha toda a capacidade de pecar, caso assim o desejasse.

O ataque da tentação foi real, mas Jesus não teria sucumbido. O ataque de Satanás a Jesus foi semelhante à notícia, há alguns anos, de um especialista japonês em artes marciais, com problemas mentais, que se infiltrou num jardim zoológico para atacar um urso polar de 800 libras. Foi resgatado pelos tratadores do jardim zoológico, que sedaram o urso. Do seu leito de hospital, ele quis que o mundo soubesse que «todos os seus golpes não surtiram efeito». Ele travou uma luta desesperada com o urso polar, mas o urso polar não travou uma luta desesperada com ele. Da mesma forma, os golpes de Satanás não surtiram efeito em Jesus.

Consulte também a discussão sobre Mateus 4:1-11 para mais informações.

P: Em Hebreus 2:16-18 e Hebreus 4:15, independentemente de Jesus poder ter pecado, como é que Ele poderia ser tentado? Tiago 1:13 diz que Deus não pode ser tentado pelo mal.

R: Seis pontos a considerar na resposta.

1. Um dos atributos divinos de Deus é que Deus não pode ser tentado pelo mal (Tiago1:13 ).

2. Jesus é Deus (João20:28 ; Hebreus 1:9,11).

3. Mas Jesus também possuía uma natureza humana. (Hebreus 2:14-17)

4. Jesus esvaziou-Se de muitos atributos divinos para vir à Terra (Filipenses 2:5-7; João 17:5).

5. A Bíblia não nos diz exatamente como é que Jesus se esvaziou de si mesmo, apenas que o fez.

6. Tal como se pode testar água 100% pura para detetar impurezas, mesmo que o teste não revele nada, Satanás poderia testar Cristo para ver se havia pecado.

P: Em Hebreus 2:17, uma vez que Jesus era semelhante a nós em todos os aspetos, como é que Jesus poderia ser Deus?

R: Jesus esvaziou-Se temporariamente de muitas das Suas características divinas, conforme se vê em Filipenses 2:6-7 e João 17:5. O autor da Epístola aos Hebreus não estava, obviamente, a afirmar que Jesus não poderia ser mais do que um homem; caso contrário, não teria demonstrado que Jesus era Deus em Hebreus 1:8-9 e Hebreus 3:1-6. Consulte também a análise sobre Filipenses 2:6-9 para mais informações.

P: Em Hebreus 2:17-18, por que razão Jesus teve de ser plenamente humano? Alguns poderão pensar que, uma vez que Jesus era também Deus, Ele estava acima das fraquezas humanas.

R: Existem duas razões complementares: em primeiro lugar, para viver, compreender e experimentar o que significa ser homem (Hebreus2:18 ), e, em segundo lugar, para ser homem a fim de se tornar um sacrifício por todos (Hebreus2:17 ).

Hebreus 2:17 afirma que Jesus teve de ser humano, semelhante aos seus irmãos em todos os aspetos, para ser o nosso sumo sacerdote. Hebreus 2:16 afirma que não foram os anjos que Ele ajudou, mas sim as pessoas.

Hebreus 2:18: Talvez conheça pessoas que têm dificuldade em relacionar-se com Deus porque «Ele não compreende o que é ser humano». Mas, na sua humanidade, Jesus experimentou toda a gama de sentimentos que você e eu sentimos. Existem muitos exemplos nos evangelhos que nos mostram que Jesus experimentou emoções humanas. Ele era compassivo para com as pessoas, sentia ira para com aqueles que tinham o coração endurecido (Marcos 3:5) e indignação (Marcos 10:14), e ficava admirado e suspirava perante a incredulidade (Marcos 6:6; 8:12), mas também amava o jovem (Marcos 10:21). À medida que a hora da Sua prisão se aproximava, Jesus sentiu-se ansioso e melancólico (Mateus 26:37). Quando chegou ao túmulo de Lázaro, chorou pelo seu querido amigo (João 11:35).

Por mais que Jesus passasse tempo a ministrar às multidões, também sentia necessidade de privacidade (Marcos 6:31; 7:17; 7:24 e 9:30). Da mesma forma, após o Seu jejum solitário no deserto, sentia fome (Mateus 4:2) e compreendia a fome que as multidões que Ele alimentava sentiam. Jesus enfrentou tentações: o diabo ofereceu-Lhe todos os reinos do mundo e provocou-O para que provasse a Sua divindade atirando-Se da ala do Templo. Até o diabo acreditava que Jesus poderia ser tentado devido à Sua humanidade (e o diabo conhecia Cristo na Sua existência pré-encarnada, antes da queda). E enquanto Jesus estava pendurado na cruz (quase espancado e açoitado até à morte), foi novamente tentado a «descer» para se salvar a Si próprio.

Se não fosse o facto de Deus viver entre nós como um ser humano pleno, poderíamos dizer que Deus não compreende o que é ser homem. Mas Jesus experimentou a totalidade da humanidade e, por isso, consegue compreender as nossas necessidades e sentimentos — Ele sabe, ao nível mais pessoal, o que é ser humano.

(contribuição de Mark Dumdei)

Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) afirmou algo semelhante. «Mas se Ele não tivesse assumido um corpo humano, não teria sido capaz de praticar o que ensinava — isto é, não se irar, não desejar riquezas, não se deixar dominar pela luxúria, não temer a dor, desprezar a morte. Estas coisas são claramente virtudes, mas não podem ser praticadas sem a carne. Por isso, Ele assumiu um corpo precisamente para que, uma vez que ensinava que os desejos da carne devem ser vencidos, pudesse Ele próprio praticá-lo em primeiro lugar, para que ninguém pudesse invocar a fragilidade da carne como desculpa.» Epítome das Instituições Divinas, cap. 50, p. 242.

Em resumo, Jesus teve de ser 100% humano para ser um sacrifício expiatório pelos nossos pecados, mas foi também 100% Deus para ser sem pecado e salvar-nos. O nosso mediador teve de ser plenamente Deus e plenamente homem.

P: Em Hebreus 2:17, como é que Jesus poderia ser plenamente humano, uma vez que não nasceu de um pai humano?

R: João Damasceno respondeu a esta questão (704-736 d.C.). Ele afirmou que Adão, Eva e Sete tiveram três modos diferentes de vir a existir, mas todos eram plenamente humanos. Assim, o facto de Jesus ter nascido da Virgem Maria também não O desqualifica de ser plenamente humano. Consulte o livro «Exposição da Fé Ortodoxa», vol. 1, cap. 8, p. 8, de João Damasceno, para mais informações.

P: Em Hebreus 2:17, o facto de Jesus ser simultaneamente Deus e homem é um estado temporário ou irá durar para sempre?

R: O facto de Jesus ser homem e, ao mesmo tempo, Deus perdurará para sempre, pois Hebreus 13:8 diz: «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.» Quando Jesus regressar, continuará a ser chamado de «Filho do Homem», conforme se lê em Mateus 26:64.

P: Em Hebreus 2:18, era Jesus realmente Deus, uma vez que Tiago 1:13 afirma que Deus não pode ser tentado?

R: Se Jesus fosse apenas Deus, então seria «imune à tentação», também designado como «impecável» pelos teólogos. Todos os cristãos concordam que o diabo tentou seduzir Cristo e que Cristo nunca pecou, mas alguns teólogos, como Charles Hodge, afirmaram que era possível que Cristo pudesse ter pecado; caso contrário, as tentações não teriam sido reais. Outros teólogos, como William Shedd, afirmam que as tentações foram reais, mas que, mesmo assim, era impossível que Cristo pecasse. John Walvoord afirma que Shedd está correto, pois, tal como um barco a remos pode efetivamente atacar um navio de guerra, o navio de guerra não corre o risco de afundar devido ao barco a remos. Consulte para mais informações.

P: Em Hebreus 3:2, 5 e 6, tanto Jesus como Moisés eram homens fiéis; a fidelidade é uma das nove partes do fruto do Espírito em Gálatas 5:22b. Mas o que é, exatamente, a fidelidade?

R: Uma coisa é acabar por fazer aquilo que lhe foi ordenado, confiado ou que sabia que devia fazer. Mas pode-se confiar em si para fazer aquilo que lhe foi encarregado? Pode-se contar consigo, mesmo que surjam dificuldades, sofrimento ou perseguição no seu caminho? Isso é fidelidade.

P: Hebreus 3:3-4 afirma que Jesus é Deus?

R: - Sem dúvida, uma vez que foi Deus quem construiu a casa, e Jesus é o construtor.

P: Hebreus 3:6, Hebreus 3:14 e Ezequiel 3:17-21 mostram que os verdadeiros crentes podem perder a sua salvação?

R: Os cristãos maduros e piedosos discordam quanto a isto.

Os cristãos que afirmam que as pessoas não podem perder a salvação diriam que aqueles que acreditaram durante algum tempo e se afastaram nunca «participaram em Cristo», como evidenciado pelo facto de «não terem mantido a sua coragem».

Os cristãos que afirmam que as pessoas podem perder a salvação teriam de admitir que estas outrora participavam em Cristo, mas já não o fazem, devido ao facto de «não terem mantido a sua coragem».

Independentemente disso, todos os cristãos devem concordar que o conhecimento que Deus tem do destino de uma pessoa, antes mesmo de esta ter nascido, não se altera. Por conseguinte, um dos eleitos nunca pode tornar-se um dos réprobos (não eleitos), uma vez que o conhecimento de Deus é perfeito. Todos devem também concordar que há quem possa parecer salvo, mas que se afasta de Deus e nunca mais regressa.

Consulte também a discussão sobre Hebreus 6:4-12 para mais informações.

P: Em Hebreus 3:7-11, em que medida esta segunda advertência em Hebreus difere da primeira advertência em Hebreus 2:1-3? As pessoas precisam hoje de dois tipos de advertências?

R: Não se trata de admoestações falsas, mas de passagens que devemos levar a sério. Hebreus 2:1-3 adverte contra o afastamento involuntário e a indiferença para com Deus. Trata-se de uma advertência contra o endurecimento do coração e o afastamento intencional de Deus. Muitas vezes, o primeiro pode conduzir ao segundo.

P: Em Hebreus 3:7-4:7, de que forma o período de provação no deserto se relaciona com os leitores da Epístola aos Hebreus?

R: Depois de os doze batedores terem regressado de Canaã, os israelitas no deserto enfrentaram um momento decisivo: confiar ou não em Deus. Aquela geração falhou, e Deus disse que ninguém daquela geração, exceto Calebe e Josué, teria permissão para entrar na Terra Prometida.

Da mesma forma, os leitores da Epístola aos Hebreus têm uma decisão semelhante a tomar. Apesar de quaisquer dificuldades ou perseguições, enfrentamos um momento decisivo em que temos de decidir se avançamos com Deus ou não.

P: Em Hebreus 3:10, como é que todos naquela geração não conheceram os caminhos de Deus e morreram em pecado?

R: Interpretar a Bíblia literalmente não significa que não possamos também perceber que Deus, por vezes, fala em termos gerais. Deus estava a referir-se àquela geração de israelitas em geral. Mas as Escrituras deixam claro que todos os membros daquela geração morreriam no deserto, com exceção de Josué, Calebe e os membros da geração mais jovem.

P: Em Hebreus 3:12, as pessoas podem afastar-se do Deus Vivo?

R: Claro. 1 João 2:19 menciona aqueles que se afastaram de nós porque nunca fizeram realmente parte de nós. Crentes genuínos, como Davi e Salomão, podem cair em pecado durante um período de tempo e depois regressar.

Quanto à questão de saber se os cristãos genuínos podem afastar-se definitivamente da fé, perder a salvação e ir para o Inferno, consulte a análise sobre Efésios 1:14 e Hebreus 6:4-10 para obter mais informações.

P: Em Hebreus 3:13, quais são as diferentes formas pelas quais o pecado endurece?

R: O pecado e as pessoas podem endurecer-se num círculo vicioso. O pecado endurece em Hebreus 3:13, mas em Hebreus 3:8,15 são as pessoas que se endurecem. O pecado pode endurecer de, pelo menos, cinco formas.

1) Quando alguém repete frequentemente o mesmo pecado, esse pecado torna-se «familiar» e confortável, quando deveria ser repugnante e estranho ao cristão.

2) Pode esfriar o seu coração em relação a Deus. Pode perder o seu temor reverente por Deus e considerar as bênçãos de Deus como algo garantido. O pecado persistente pode, eventualmente, abalar a sua fé.

3) O pecado pode desanimar as pessoas e levá-las a desistir.

4) Pode magoar e endurecer os outros ao verem que é um crente, mas que tolera o pecado em si mesmo, levando-os a pensar que talvez não seja assim tão mau para eles serem tolerantes com o pecado. O pecado não parece tão grave se o virem a cometê-lo.

5) Pode afastar as pessoas de Cristo, levando-as a pensar que, se é isso que os cristãos fazem, não querem fazer parte disso.

P: Em Hebreus 3:19, que única coisa impediu os israelitas da geração de Moisés de desfrutar da Terra Prometida? De que forma é que isso impede não só os incrédulos, mas também alguns crentes, de receberem as bênçãos de Deus hoje em dia?

R: É curioso que Hebreus 3:19 não mencione a desobediência, mas sim a incredulidade. Embora a sua desobediência fosse grave, a causa principal foi a sua escolha de não confiar nem acreditar em Deus e na Sua boa provisão para eles. Do ponto de vista de Deus, eram incrédulos e desobedientes e, por isso, não eram úteis.

P: Em Hebreus 4:1-2, o que diz exatamente a advertência?

R: Embora algumas traduções digam «tenhamos cuidado para que», uma tradução mais literal é «temamos, para que».

P: Em Hebreus 4:2, isto deve ser traduzido como «não o combinaram com a fé» ou «não tendo sido misturado com a fé»?

R: Existe aqui uma variação nos textos gregos, e há três formas principais de traduzir esta passagem. Em última análise, resume-se a duas formas, e depende de a palavra grega «combinar/unir» estar na forma singular ou plural. Se estiver no singular, então a falha consistiu em não terem combinado a audição com a fé. Se estiver no plural, então o problema foi não terem sido combinados com eles. Diferentes manuscritos gregos apresentam esta passagem de forma diferente.

Singular a) «eles não a combinaram com a fé» — Siríaco de Harclea. Por outras palavras, os ouvintes não conseguiram unir a mensagem à fé.

Singular a) «[isso] não tendo sido misturado com a fé». Sinaítico, João Crisóstomo, Wolfenbüttel (século VI), Georgiano. Por outras palavras, a mensagem e a fé não conseguiram unir-se devido a uma causa não especificada.

Acusativo plural) «pois não se uniram àqueles que a ouviram com fé.» p. 13? (o ponto de interrogação significa que aparece desta forma, mas não é certo), p. 46, (Alexandrinus), Vaticanus, Ephraemi Rescriptus, Bezae Cantabrigiensis, etíope, bizantino, arménio, siríaco palestiniano (século VI). Por outras palavras, não se uniram ao povo de Deus, que ouviu a mensagem com fé.

P: Em Hb 4:3a, 8-11, como é que os crentes de hoje se encontram no descanso sabático de Deus?

R: A quem aceita Jesus como seu Senhor e Salvador, Jesus concede-nos descanso da tentativa de conquistar o Céu pelos nossos próprios méritos. Entramos nesse descanso já agora, na terra, mas também teremos o descanso definitivo no Céu.

P: Em Hebreus 4:3b, 5-6, por que razão alguns nunca entraram no descanso de Deus, mesmo que observassem o sábado?

R: Observavam o sábado, mas não acreditavam em seguir Deus nem confiavam que Ele lhes providenciaria o necessário. Se fizermos as coisas certas, mas não por fé, também não estamos a agradar a Deus, tal como indica Hebreus 11:6.

P: Em Hebreus 4:9, o que há de invulgar nesta palavra «sabbatismos» («descanso do sábado»)?

R: Trata-se de uma palavra grega única, que não aparece em nenhuma obra da literatura grega até ao Livro de Hebreus. É muito provável que o próprio autor tenha cunhado esta palavra.

P: Em Hebreus 4:12, qual é a diferença entre «alma» e «espírito»?

R: Os cristãos divergem quanto à ênfase que dão à composição da natureza humana. Eis três teorias diferentes de ênfase:

Tripartida: As pessoas têm um corpo, uma alma e um espírito. O corpo é composto por carne, substâncias químicas e sinais elétricos. A alma possui inteligência, emoções e vontade. O espírito possui consciência e outros aspetos.

Bipartida: As pessoas têm uma parte material e uma parte não material. A alma e o espírito são diferentes, mas estão interligados, tal como a medula óssea está entrelaçada na estrutura óssea na extremidade dos ossos dos nossos braços e pernas. O livro «Now That’s a Good Question», pp. 237-240, discute ambas as perspetivas e defende a visão bipartida.

Integrada: Embora existam três elementos — corpo, alma e espírito —, as interações entre os três são tão intensas que o todo interativo é mais importante do que as três partes distintas.

P: Em Hebreus 4:15, quais são os outros versículos que demonstram que Jesus era sem pecado?

R: Os versículos que mostram que Jesus era sem pecado são:

João 8:46 «Quem de vós pode provar que sou culpado de pecado? Se digo a verdade, por que não acreditam em mim?»

2 Coríntios 5:21 «Deus fez com que Aquele que não conheceu pecado se tornasse pecado por nós, …»

Hebreus 4:15 «… mas temos alguém que foi tentado em tudo como nós, mas que não cometeu pecado.»

1 Pedro 1:19 «… um cordeiro sem mancha nem defeito.»

1 Pedro 2:22 afirma que Jesus não cometeu pecado.

1 João 3:5 diz que Jesus não tinha pecado.

(Citações da Bíblia Berean Standard)

P: Em Heb 5:1-10, o que há de invulgar nesta passagem?

R: Tal como a escrita moderna recorre a várias técnicas literárias, o quiasmo é uma técnica literária antiga frequentemente utilizada em escritos antigos, incluindo os escritos em latim do romano Cícero e em muitos passagens do Antigo Testamento. Num quiasmo, a passagem repete-se simetricamente. Eis o padrão em Hebreus 5:1-10. Repare que Hebreus 5:2 e Hebreus 5:9 não são iguais, mas sim contrastantes.

Hb 5:1 Todo o sumo sacerdote é escolhido dentre os homens para representar o povo perante Deus e oferecer dádivas e sacrifícios pelos pecados.

- Hb 5:2 Ocupa-se dos ignorantes e dos que se desviam, pois ele próprio está sujeito à fraqueza

- - Hb 5:3 Oferece sacrifícios tanto pelos seus próprios pecados como pelos do povo

- - - Hb 5:4 Não se atribui a si próprio a honra, mas deve ser chamado por Deus, tal como Arão foi.

- - - Hb 5:5-6 Assim também Cristo não se atribuiu a glória a Si próprio, mas Deus disse que era o Pai de Jesus. Um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque

- - Hb 5:7-8 Na terra, ofereceu orações e súplicas… Embora, sendo Filho, tenha aprendido a obediência pelo que sofreu

- Hb 5:9 Uma vez aperfeiçoado, tornou-se fonte de salvação

Hb 5:10 Jesus foi escolhido por Deus para ser sumo-sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque

P: Em Hb 5:2, o que significa «tratar com mansidão»?

R: Esta palavra grega, metriopathein, não significa apatia (que seja aceitável ou esteja bem) nem ira, mas sim seguir um terceiro caminho entre as duas.

P: Em Hebreus 5:5 e Atos 13:33, de que forma a Primeira Vinda de Jesus se relaciona com o Salmo 2:7: «Hoje eu te gerei»?

R: Embora Jesus tenha sido gerado pelo Pai antes do início dos tempos, não é a isso que se refere este versículo. Jesus foi gerado por Deus Pai de uma forma não sexual, mas física, quando veio à Terra.

Nenhum versículo da Bíblia afirma que Jesus fosse o Filho de Deus de qualquer outra forma em qualquer momento posterior. Romanos 1:4 apenas acrescenta que Jesus foi «declarado» Filho de Deus com poder, pela Sua ressurreição dentre os mortos.

P: Em Hebreus 5:6, qual deveria ser a tradução de «ordem de Melquisedeque»?

R: «Ordem» está próximo, mas o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 12, p. 49, afirma que a tradução «ordem de Melquisedeque» não é totalmente correta, porque não existia nenhuma «ordem» ou linhagem de Melquisedeque. A expressão «à semelhança de Melquisedeque» capta de certa forma o significado, mas, infelizmente, não transmite exatamente a formalidade que deveria, tal como a palavra «ordem» o faz. Assim, o significado exato situa-se entre estas duas palavras em inglês.

P: Será que Hebreus 5:7 ensina que Jesus só teve carne antes da Sua ressurreição, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová e a Igreja da Unificação do Reverendo Moon?

R: Não, caso contrário, Tomé teria considerado Jesus um enganador quando este lhe mostrou a Sua carne para que ele acreditasse. Consulte a discussão sobre 1 Pedro 3:18 para obter a resposta.

P: Em Hebreus 5:7 e Mateus 26:39, Cristo temeu a Sua morte, ou estava resolutamente determinado a ir para a cruz, como se vê em Lucas9:51 ?

R: Jesus estava determinado a cumprir o Seu propósito na cruz, mas pediu que, se possível, esse cálice Lhe fosse tirado. Jesus suou gotas de sangue, tal era a Sua angústia perante o que sabia que estava prestes a acontecer. No entanto, nunca se diz que Jesus fosse tímido ou covarde.

P: Em Hebreus 5:7, se Deus Pai ouviu as orações de Jesus, por que razão o «cálice» de morrer na cruz, em Marcos14:36 , não foi retirado de Jesus no Jardim do Getsêmani?

R: Primeiro, há três coisas que não constituem a resposta e, em seguida, a resposta.

(não é a resposta) Livrado do medo da morte: A palavra grega para «submissão», eulabeia, também pode significar temor reverente. No entanto, é necessário alterar o significado das palavras para transformar «aquele que o poderia salvar da morte devido à sua submissão reverente/temor reverente» em «aquele que o poderia salvar do medo da morte».

(perto, mas não é a resposta) Deus disse «não»: A palavra grega para «ouvir», eisakoustheis, não significa apenas que Deus ouviu o som, mas sim que Deus respondeu à oração. É claro que Deus responde a algumas das nossas orações com um sonoro «não», mas há aqui uma resposta melhor.

(não é a resposta) que Jesus não devesse morrer no Getsêmani. Não há qualquer menção a Jesus ter orado sobre onde não deveria morrer em Hebreus, nos Evangelhos ou em quaisquer outros escritos.

A resposta: Mateus 26:39; 26:42; Marcos 14:36; e Lucas 22:42 apresentam, todos, não uma, mas duas partes na oração de Jesus. A primeira parte era para que o Pai afastasse este cálice de Jesus. A segunda parte era: «Contudo, não seja feita a minha vontade, mas a Tua.» Deus respondeu à oração de Jesus com um «sim», porque a segunda parte prevaleceu sobre a primeira.

Há aqui uma lição importante a aprender. Quando desejamos algo e sabemos que isso pode não estar de acordo com a vontade de Deus, é bom continuarmos a orar a Deus pelo que temos no coração. Mas devemos orar para que a vontade de Deus se cumpra, em vez da nossa.

É claro que Deus livrou Jesus da morte por meio da sua ressurreição, mas Jesus também sabia que Deus era perfeitamente capaz de o livrar da morte. Se Jesus tivesse pedido, o Pai poderia ter enviado doze legiões de anjos, conforme Mateus 26:53. No entanto, como teríamos um resgate pelos nossos pecados se Jesus não tivesse morrido na cruz? Fico contente por Jesus ter rezado também a última parte dessa oração.

P: Em Hebreus 5:8 e Filipenses 2:7-8, uma vez que Jesus era obediente a Deus, como é que Jesus poderia ser Deus?

R: Na Terra, Jesus tinha o papel de se submeter e ser obediente ao Pai. Na Trindade, os três são iguais em natureza, mas diferem em função e posição.

O teólogo Ambrósio de Milão, em 378 d.C., salientou isto na obra «Da Fé Cristã», livro 2, capítulo 10, versículos 84 e 88, pp. 234-235. Na Terra, Jesus, enquanto criança, estava sujeito a Maria e a José. Significa isso que Jesus era inferior a Maria e a José? — Claro que não.

P: Em Hebreus 5:8, pode um Deus onisciente aprender? Se não, como é que Jesus pôde aprender a obediência?

R: Jesus passou por situações na Terra que não poderia ter vivido no Céu. Além disso, Jesus renunciou temporariamente à Sua onisciência quando veio à Terra. Jesus escolheu esvaziar-Se de muitas das Suas qualidades divinas (Filipenses 2:5-7, João 17:5). Ele não sabia tudo na Terra, como, por exemplo, o dia do Seu regresso (Mateus 24:36). Deus já sabia, em teoria, tudo sobre a obediência e o sofrimento. Mas Deus veio à Terra, na pessoa de Jesus Cristo, e, ao cumprir a Sua missão, aprendeu as experiências da obediência perante o sofrimento.

Uma observação interessante é que as traduções de Hebreus 5:8 costumam dizer «embora fosse o Filho», para que sejam gramaticalmente corretas em inglês. Embora se pudesse dizer o mesmo na língua grega do Novo Testamento (grego koiné), não é isso que Hebreus 5:8 diz. Diz: «embora fosse Filho», o que enfatiza ainda mais que Jesus não era apenas um entre muitos filhos, mas que Jesus era «o Filho».

P: Em Hebreus 5:12-13, é aceitável consumir leite espiritual?

R: O leite espiritual refere-se à verdade fundamental do Evangelho. O leite espiritual é algo bom que os cristãos devem ansiar, de acordo com 1 Pedro 2:2. No entanto, tal como uma criança pequena deve crescer para poder comer carne, o mesmo se aplica a nós.

P: Em Hebreus 6:1, por que razão deixar as coisas elementares e avançar para as coisas maduras, quando eles demoravam a aprender as coisas elementares mencionadas em Hebreus 5:11-14?

R: Há um momento para repetir as coisas elementares, uma vez que o leitor ainda não era capaz de as compreender. No entanto, este é o momento de lhes dar a conhecer coisas mais maduras, mostrando-lhes que havia mais do que apenas as coisas que demoravam a aprender.

P: Em Hebreus 6:1-3, quais são as noções elementares sobre Cristo em comparação com as noções maduras?

R: As noções elementares incluem o arrependimento, a fé em Deus, os batismos, a imposição das mãos, a ressurreição dos mortos e o juízo eterno, de acordo com Hebreus 6:1-3. Mas, em geral, as noções fundamentais, essenciais para a salvação, são noções elementares. Outra perspetiva é que se trata das noções do Antigo Testamento, tal como ensinam o «Believer’s Bible Commentary», pp. 2172-2173, e o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 1136.

As coisas maduras incluem o resto do capítulo, ou seja, aqueles que se afastam e as promessas de Deus.

Muitas doutrinas têm tanto uma parte primária como uma parte madura. Por exemplo, o facto de existir apenas um Deus é uma questão primária, e o facto de o Pai, Jesus e o Espírito Santo serem Deus é também uma questão primária. A compreensão do que a Bíblia diz sobre a Trindade seria uma questão mais madura.

P: Em Hebreus 6:4-8, quais devem ser os nossos sentimentos ao lermos isto?

R: Devemos partilhar a tristeza de Deus e dos outros pelos que se perderam. Jesus lamentou-se profundamente por Jerusalém em Mateus 23:37-39. Paulo serviu a Deus com «lágrimas» em Atos 20:19. Paulo chegou mesmo a desejar ser separado do seu povo, se isso significasse a salvação deles, em Romanos 9:1-3. Os judeus, tal como as pessoas mencionadas em Hebreus 6:4-8, estavam tão perto e, no entanto, tão longe.

No entanto, também temos um sentimento de resignação. Quando alguém perece no Inferno, só pode dizer: «A culpa foi minha». Deus não obrigou ninguém a escolher o Inferno; pelo contrário, Deus enviou judicialmente as pessoas destinadas ao Inferno para onde mereciam ir, quer explicitamente devido à escolha que fizeram, quer implicitamente devido à escolha que se recusaram a fazer.

P: O que ensina Hebreus 6:4-12 sobre a salvação?

R: Existem duas questões distintas em Hebreus 6.

1) Como é que uma pessoa viva pode chegar a um estado em que o arrependimento e a salvação já não lhe são possíveis?

2) Pode um cristão genuíno perder a sua salvação?

1) Perda de novas oportunidades:

Sim, uma pessoa pode chegar a um ponto para além do qual já não é possível o arrependimento. O que torna Hebreus 6:6 especialmente assustador é o facto de afirmar que as pessoas que se afastam da fé da forma descrita pelo autor nunca poderão ser recuperadas. Alguns intérpretes afirmam que se trata de uma situação hipotética que nunca viria a ocorrer. No entanto, não há qualquer indicação de que Deus quisesse que ignorássemos este aviso, ao contrário do que acontece com os outros avisos da Bíblia. Pelo contrário, tanto Hebreus 6:6 como Mateus 12:31-32 (blasfémia contra o Espírito Santo) referem-se a situações definitivas. Em Mateus 12:31-32, os judeus, que nunca foram cristãos, viram e ouviram o suficiente para saber que era verdade. Mas não só decidiram não aceitar as palavras de Cristo naquele dia, como também atribuíram as Suas ações ao diabo.

Ora, os cristãos continuam a pecar (1 João 2:1). Na verdade, se pensarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós próprios e a verdade não está em nós (1 João 1:8). Então, a que se referem os versículos do parágrafo anterior?

Os dois principais objetivos do Livro de Hebreus são mostrar aos judeus como Cristo é o cumprimento do Antigo Testamento e encorajar os crentes de origem judaica a não voltarem ao judaísmo, mas a perseverarem na fé. Portanto, estas passagens NÃO se referem a alguém que peca, mas a alguém que vira as costas a Cristo e regressa à sua falsa esperança, seja ela o judaísmo ou, de forma mais geral, alguma outra religião. 1 João 2:18-19 afirma que, mesmo naqueles tempos, havia pessoas que «pareciam» ser fiéis salvos, mas que depois se afastaram, presumivelmente de forma permanente. João afirma que se afastaram porque nunca fizeram parte de nós. Se alguém caminha pelo corredor central ou profere algumas palavras, mas não persevera na sua fé e, mais tarde, vira as costas ao cristianismo, isso não significa que tenha perdido a sua salvação; se nunca regressar, isso significa que nunca foi salvo, para começar.
Eis quatro casos que conheço pessoalmente e aos quais, na minha opinião, isto NÃO se refere.

1. Uma jovem cristã universitária que conheci, durante alguns meses, disse a Deus que não queria ter nada a ver com Ele e pediu ao Espírito Santo que saísse da sua vida. Ela continuava a acreditar, intelectualmente, mas estava deliberadamente desobediente. Mais tarde, arrependeu-se e regressou à fé. Ela disse que Hebreus 6:6 lhe causava especial receio. No entanto, ela arrependeu-se. Talvez Deus, na Sua misericórdia, a estivesse a convencer, trazendo-lhe à mente esse versículo e quase perguntando: «É essa a sua resposta definitiva?». Uma pessoa que tenha infringido Hebreus 6:6 nunca se arrependerá e nunca desejará arrepender-se.

2. Conheci um pastor de uma pequena igreja que disse que já era pastor há sete anos antes de ter sido verdadeiramente salvo. Depois de ter sido salvo, continuou a ser pastor. Este não é um caso de apostasia, mas de alguém que, desde o início, nunca foi salvo.

3. Quando eu era um adolescente [cristão] a cortar a relva, uma senhora cristã saiu e começámos a conversar. Ela disse que o seu filho se tinha mudado para a Califórnia para ficar com a namorada com quem vivia. Mas ela tinha a certeza de que ele continuava salvo, porque tinha feito uma confissão de fé na igreja. Não creio que ela tivesse qualquer fundamento para essa sua confiança. O apóstolo Paulo diz-nos para nos examinarmos e vermos se estamos realmente na fé, em 2 Coríntios 13:5-6. Talvez ele nunca tenha sido salvo, mas possa vir a ser salvo no futuro. Talvez ele soubesse tanto sobre a salvação e lhe tenha virado as costas, e Hebreus 6:6 se aplique a ele. Talvez ele tenha sido genuinamente salvo anteriormente, tenha caído no pecado, mas, uma vez que é genuinamente salvo, irá regressar. Não podemos afirmar. Paulo ordenou aos coríntios que excomungassem um irmão imoral da igreja, em 1 Coríntios 5:1-5. No entanto, 1 Coríntios 5:5 mostra que Paulo ainda tinha esperança de que, após esta disciplina, o irmão pudesse ser salvo. Consideramos que 2 Coríntios 2:5-11 se refere ao mesmo irmão e que ele de facto regressou.

4. Pessoalmente, conheço dois cristãos, um dos quais abandonou a fé e se tornou muçulmano, e o outro afastou-se e tornou-se mórmon. Ambos, mais tarde, abandonaram essas crenças e regressaram ao cristianismo.

Conclusão sobre isto: Temos de fazer uma distinção entre um crente que se desviou para um pecado grave e alguém que negou a fé e se voltou para outra coisa. Mas quer a negação da fé seja permanente, quer possam vir a ser salvos no futuro, quer sejam pessoas salvas que caíram e irão regressar, temos de deixar o julgamento nas mãos de Deus.

Qual deve ser a nossa atitude perante alguém que se afastou? NÃO deve ser a complacência de dizer: «Não se preocupe, de qualquer forma, essa pessoa está salva.» Também não deve consistir em descartá-los, como se nunca mais fossem regressar. Judas 23 diz: «salvai outros, arrancando-os do fogo; e a outros ainda, mostrai misericórdia temperada com temor, odiando até mesmo as vestes manchadas pela carne.» (BSB). Ora, o final de Judas 23 sugere que estas pessoas estavam a cometer atos bastante graves, mas ainda assim podiam ser salvas.

Tiago 5:19-20 diz: «Meus irmãos, se algum de vós se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, considerem isto: quem fizer com que um pecador se desvie do erro do seu caminho salvará a sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados.» (BSB)
2) Pode um cristão genuíno perder a sua salvação?

Esta questão pode ser dividida em três subquestões:

a) Será que alguém de quem Deus sabe [com certeza] que é um dos eleitos que irá para o céu pode surpreender o Deus onisciente e não ir para o céu?

b) Pode uma pessoa ter a certeza de que está salva e, infelizmente, estar permanentemente enganada?

c) Pode uma pessoa ter uma confiança válida de que irá para o Céu e, ainda assim, mudar e não chegar ao Céu?

A resposta à primeira questão, quando formulada desta forma, é óbvia: não.

A resposta à segunda pergunta é sim, porque Mateus 7:21-23 mostra-nos isso.

A resposta à terceira pergunta é não, mas não porque a pessoa tenha força para permanecer na fé, mas porque Deus tem o poder de nos selar e preservar na fé, como demonstra Efésios1:13 -14. No entanto, devemos equilibrar a doutrina de que «uma vez salvo, sempre salvo» com a doutrina de que os verdadeiros santos perseverarão na fé. Temos, de facto, a responsabilidade de nos examinarmos a nós próprios, bem como aos nossos líderes, e de nos certificarmos de que permanecemos na fé (2 Coríntios 13:5-7).

A propósito, um debate escrito entre uma pessoa que defende a doutrina de «uma vez salvo, sempre salvo» e outra que defende que se pode perder a salvação sempre que se peca encontra-se em

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P: Em Hebreus 6:4-12, as pessoas podem perder a salvação?

R: Os cristãos genuínos discordam sobre esta questão, mas todos devem ser capazes de concordar com os seguintes pontos.

1. Deus nunca é surpreendido. Antes de qualquer pessoa nascer, Deus já sabia com certeza quem iria para o Céu (Apocalipse20:12 , 15; 17:8; Salmo 139:16).

2. Algumas pessoas ficarão surpreendidas no dia do juízo (Mateus7:21 -23).

3. Podemos ter confiança na nossa salvação (1 João5:13 ; Hebreus4:16 ;10:35 ; Atos8:13 , 20-23).

4. A nossa confiança legítima não deve transformar-se em complacência. Os cristãos podem perder recompensas no Céu, e Filipenses 2:12-13 mostra que (após a salvação) a realização da nossa salvação deve ser feita com temor e tremor. Louvado seja Deus, pois é Ele quem opera em nós!

5. Existe algo chamado conversão falsa (1 João2:19 ; Jeremias17:10 ; Tiago 2:19; 2 Tessalonicenses 2:9-10; 2 Pedro 2:17-22).

6. Podemos saber se a nossa salvação é genuína examinando-nos a nós próprios (2 Coríntios 13:5-6), ou seja, comparando a nossa doutrina e a nossa vida com as Escrituras.

7. Foi-nos confiada a responsabilidade de perseverar (Hebreus6:11 ;10:36 ; Tiago 1:3-4; 2 Timóteo 2:3; 4:5).

8. O Espírito Santo selou os verdadeiros crentes até ao Dia do Juízo Final (Efésios 1:13-14; 4:30; Judas 24; 1 Timóteo 1:14). O Espírito Santo é um penhor que garante o que está por vir (2 Coríntios 5:5).

P: O que significa Hebreus 6:4-12 quando refere que já não é possível arrepender-se para alcançar a salvação?

R: Existem, pelo menos, seis pontos de vista.

1. A perda da salvação pelo crente: Os cristãos que ensinam que os crentes podem perder a sua salvação interpretariam esta passagem no sentido de que, uma vez perdida a salvação, esta nunca mais pode ser recuperada. Embora já tenha ouvido alguém ensinar que isto significa que é «difícil» recuperar a salvação, não é esse o significado da palavra «impossível» em Hebreus 6. Consulte Hard Sayings of the Bible, pp. 681-683, para mais informações sobre esta interpretação.

2. Um crente que devolve a salvação: David O’Brien, em *Today’s Handbook for Solving Bible Difficulties*, pp. 307-310, afirma que um crente nunca pode «perder» a sua salvação, o que significa que nenhum crente pode pecar de forma tão grave que, sem o saber, perca a sua salvação. A nossa permanência na salvação não se mantém pelas obras, tal como a nossa obtenção da salvação não se deve às obras. No entanto, um crente genuíno poderia escolher conscientemente «devolver» a sua salvação a Deus. Nesse caso, seria como aqueles que conheciam a verdade e crucificaram Jesus. Esses irão para o Inferno. O’Brien interpreta «impossível» no sentido de impossível para a pessoa, mas não impossível para Deus.

3. O pecado imperdoável. Jesus falou do pecado imperdoável em Mateus 12:31-32, Marcos 3:28-30 e Lucas 12:10-11. Um dos autores da «New Geneva Study Bible», p. 1567 (artigo «O Pecado Imperdoável»), acredita que Hebreus 6:4-6, Hebreus 10:26-29 e 1 João 5:16-17 também se referem ao pecado imperdoável.

4. A perda da oportunidade de salvação por parte do não crente: Não há forma de ser salvo sem a morte de Jesus e a habitação do Espírito Santo. Se uma pessoa rejeitar (sem arrependimento) a possibilidade de se aproximar de Deus por meio de Jesus (João 8:24) ou blasfemar contra o Espírito Santo (Mateus 12:31-32; Marcos 3:28-29), nunca irá para o Céu. As pessoas podem ver e provar, mas não engolir.

5. Argumento ad hominem hipotético: Se a salvação pudesse ser perdida, então nunca poderia ser recuperada. Mas, uma vez que a salvação não pode ser perdida, estas palavras severas são apenas uma explicação, não um aviso. R.C. Sproul, na obra *Now That’s a Good Question*, pp. 592-594, defende esta perspetiva, embora afirme não ser dogmático a este respeito. Curiosamente, a «New Geneva Study Bible», p. 1941, menciona vários pontos de vista, mas não este.

6. A desqualificação do cristão para continuar a servir: Um cristão que se tenha afastado da fé não teria o bom testemunho necessário para continuar a servir nesta vida e perderia a sua glória no milénio. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 794, defende esta perspetiva.

P: Em Hebreus 6:18, uma vez que Deus Todo-Poderoso pode fazer tudo, como é que Ele não pode mentir?

R: Números 23:19 e 1 Samuel 15:29 afirmam que Deus não mente, mas Hebreus 6:18 afirma que Deus não pode mentir. Três respostas complementares, e todas são verdadeiras.

1. Deus pode fazer qualquer «coisa», mas uma mentira não é uma coisa. Uma vez que Deus criou tudo pela Sua palavra (Génesis 1, Salmo 33:6,9) e tudo o que Ele diz se cumpre (Isaías 55:10-11), então tudo o que Ele disser será verdade.

2. Não existem restrições externas a Deus, mas Deus pode optar por respeitar as restrições internas que Ele próprio estabeleceu. Deus não pode fazer nada que vá contra a Sua natureza, como mentir, praticar o mal ou negar-Se a Si próprio.

3. Por fim, tal como salienta a obra *Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia*, na página 223, «Todo-Poderoso» significa que Deus pode fazer tudo o que quiser. Uma vez que Deus não quer mentir, não há aqui qualquer problema.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) também se refere ao conceito presente neste versículo — de que é impossível a Deus mentir — em 1 Clemente, capítulo 27, p. 12.

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) também ensinou aos catecúmenos que Deus é Todo-Poderoso, mas que não pode morrer, ser enganado, mentir ou negar-Se a Si próprio. Na verdade, se Ele pudesse fazer essas coisas enquanto Deus, não seria, de facto, Todo-Poderoso. Em «Sobre o Credo», cap. 2, p. 371

Consulte a discussão sobre Jeremias 32:17, 27 para mais informações.

P: Em Hebreus 6:18, o facto de ser impossível a Deus mentir contradiz o comentário de Jesus em Mateus 19:26, segundo o qual «Para os homens isto é impossível, mas para Deus tudo é possível»? Como é que tudo é possível para Deus, tal como Jesus afirma, se é impossível a Deus mentir, como afirma a Epístola aos Hebreus?

R: Na verdade, existem quatro impossibilidades no que diz respeito a Deus. Deus não pode:

Mentir (Hebreus 6:18)

Ser tentado pelo mal (Tiago1:13 )

Renegar-Se a Si próprio (2 Timóteo2:13 )

Jurar por alguém maior do que Ele próprio (Hebreus 6:13)

Nenhuma «coisa» é impossível para Deus. Mentir e as contradições lógicas não são «coisas», e Deus não faz isso.

P: Em Heb 6:18, quais são algumas das consequências de acreditar que Deus diz mentiras?

R: Uma consequência é que as pessoas podem afastar-se e aderir a uma seita, como a Igreja da Unificação do Rev. Moon. Eis o que diz o Rev. Moon.

«Se contar uma mentira para tornar alguém melhor, isso não é pecado... Até Deus mente com muita frequência.» O Mestre Fala3/16/1973 p. 11.

Princípio Divino, p. 515: «Existem duas razões pelas quais Jesus predisse que o Senhor viria nas nuvens. Em primeiro lugar, foi para evitar as ilusões dos anticristos. Se tivesse sido esclarecido que Cristo viria à Terra em carne, a confusão causada pelas ilusões de muitos anticristos não poderia ter sido evitada de forma alguma. ... Mas, felizmente, este tipo de confusão foi evitado porque todos os crentes, sabendo que o Cristo viria nas nuvens, ergueram os olhos para o céu.»

Princípio Divino, p. 515 «Em segundo lugar, foi para encorajar aqueles santos que, naquela altura, percorriam o difícil caminho da fé.»

No entanto: É um pecado grave chamar a Deus de mentiroso, com base em 1 João 1:10; 5:10; e Tito 1:2. Hebreus 6:18 afirma que Deus não pode mentir, tal como Números 23:19 e 1 Samuel 15:29.

Se fosse aceitável mentir, seria aceitável que o Rev. Moon mentisse sobre ser ele próprio o Messias? Sobre que outras coisas seria aceitável que o Rev. Moon lhe mentisse?

P: Em Hebreus 6:19, o que é a «âncora para a alma» e de que forma é que a âncora funciona como tal?

R: Uma âncora tem uma corrente, fixada a um peso de metal pesado ou a um gancho, que constitui a parte essencial da âncora. No entanto, a corrente não serve de muito sem o gancho pesado. Da mesma forma, a nossa âncora é a nossa fé em Cristo, e a fé sem a âncora não seria sólida. Da mesma forma, se não houver corrente, o navio fica à deriva e a âncora não serve para nada. Sem fé, as pessoas também podem ficar à deriva.

P: Em Hebreus 7:1-10, por que razão é que Jesus é comparado a Melquisedeque em Génesis 14:18-20?

R: Uma razão simples é que o próprio Antigo Testamento compara o Messias com Melquisedeque. O Salmo 110:4 mostra que o Messias será sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Uma referência misteriosa, feita de passagem, encontra-se em Génesis 14:18-20. O significado é apresentado de uma forma um pouco menos misteriosa no Salmo 110:4 e só é finalmente explicado em Hebreus 7:1-10.

É verdade que o autor da Epístola aos Hebreus salienta detalhes que não constituíam pontos principais no Génesis. Por exemplo, o pai de Abimeleque também não foi mencionado, mas isso não faz dele um tipo de Cristo. O autor da Epístola aos Hebreus não pode provar os argumentos apresentados em Hebreus 7:1-10 com base na autoridade do Génesis.

No entanto, ele nunca afirmou fazê-lo. Os cristãos acreditam que a Bíblia foi escrita sob a inspiração e a autoridade do Espírito Santo. O autor da Epístola aos Hebreus destaca três aspetos:

1. A prova da posição do Messias em comparação com Melquisedeque, com base no Salmo 110:4.

2. Prova de que existiu outro sacerdócio de Deus anterior ao sacerdócio de Aarão.

3. Muitos cristãos também vêem Melquisedeque como uma manifestação pré-encarnada de Cristo.

Como nota à parte, a seita de Qumran entendia Melquisedeque como um libertador celestial que proclamaria a salvação de Deus. Entre os Manuscritos do Mar Morto, Melquisedeque surge no Apócrifo do Génesis (1QapGen) 22:14-17 e no manuscrito Melquisedeque (11Q13), bem como nos Cânticos do Sacrifício do Sábado (4Q401) e no 4Q544. Filo e Josefo também se referiram a Melquisedeque, assim como o Targum Pseudo-Jonatão sobre Génesis 14:18 e o Targum Neofiti I.

P: Em Hebreus 7:1-10, o que é a «ordem de Melquisedeque»?

R: Não se trata de uma expressão exclusiva do cristianismo, uma vez que esta expressão é utilizada pela primeira vez mil anos antes de Cristo, no Salmo 110:4. O Antigo Testamento pouco nos diz sobre a ordem de Melquisedeque, exceto três aspetos que podemos deduzir.

1. É totalmente independente do sacerdócio israelita da ordem de Aarão.

2. Génesis 14:18-20 mostra que ela precedeu o sacerdócio de Aarão.

3. O Salmo 110:4 mostra que esta ordem viria a ter importância no futuro, com a vinda do Messias.

P: Será que Hebreus 7:1-11, juntamente com o nascimento virginal de Cristo, prova que somos culpados dos pecados de todos os nossos antepassados por termos nascido das suas entranhas?

R: Não. Ezequiel 18 e Deuteronómio 24:16 afirmam especificamente que não somos culpados pela culpa dos nossos pais.

A maioria dos cristãos vê uma razão prática importante para o facto de Jesus ter nascido da forma como nasceu; ao contrário de nós, Jesus nasceu sem uma natureza pecaminosa. Não há necessidade de postular uma segunda razão, a de que Jesus não tinha a culpa de José, de Adão ou de qualquer outra pessoa entre eles.

P: Hebreus 7:1-11 prova que somos culpados do pecado de Adão pelo simples facto de termos nascido dos lombos de Adão?

R: Não, por três razões.

1. Este versículo não prova a culpa pelos pecados de Adão mais do que prova a culpa pelos pecados de todos os nossos outros antepassados.

2. Não, porque Ezequiel 18 e Deuteronómio 24:16 mostram que cada pessoa morre pelos seus próprios pecados. Menciona-se especificamente que não somos declarados justos por causa da justiça dos nossos pais, nem somos culpados por causa do pecado do nosso pai.

3. Não, porque mesmo que tenhamos pecado inconscientemente em Adão, Romanos 4:15 e 5:13 mostram que o pecado não é imputado onde não há lei.

No entanto, embora possamos não ser culpados pelos pecados dos nossos antepassados, ainda assim podemos suportar as consequências do pecado deles.

P: Em Hebreus 7:1-11, o que significa isto?

R: Embora as observações diretas sejam claras, é a relação com o argumento do autor que se revela interessante.

1. Abraão, ao dar o dízimo dos despojos a Melquisedeque, um sacerdote não hebreu do Deus Altíssimo, prova que era possível ser sacerdote sem pertencer à ordem de Aarão.

2. Além disso, o facto de Abraão, antepassado de Levi, ter dado o dízimo a Melquisedeque demonstra que o sacerdócio de Melquisedeque é superior ao sacerdócio aarónico.

P: Em Hebreus 7:2-4, Melquisedeque era realmente Jesus ou não?

R: Existem duas possibilidades relativamente a esta figura misteriosa.

Melquisedeque era Jesus: Melquisedeque poderia ter sido o próprio Cristo, tendo-se manifestado na Terra antes da Sua encarnação em Belém. Uma vez que se afirma que Melquisedeque não tinha pai nem mãe, nem princípio de dias nem fim de vida, Melquisedeque é Jesus, a menos que Hebreus 7:3 signifique simplesmente que estas coisas não foram registadas no Génesis. Muitos dos primeiros cristãos acreditavam nisto.

Melquisedeque era um tipo de Jesus: Melquisedeque era um homem comum que seguia Deus. Diz-se que Melquisedeque foi «feito à semelhança de Jesus», e que Cristo era um sacerdote «segundo a ordem de Melquisedeque», mas nunca se afirma que Jesus seja Melquisedeque.

P: Em Hebreus 7:2-11, a Escritura afirma que Melquisedeque é definitivamente Jesus ou não?

R: A resposta é simples e deve ser clara para todos: as Escrituras não o afirmam. É ambíguo, e muito provavelmente de forma deliberada. É significativo que o sentido de Hebreus 7:2-11 seja claro, independentemente de Cristo ser ou não Melquisedeque.

P: Em Hebreus 7:3, Melquisedeque reencarnou?

R: Não. Embora existam, na verdade, cinco teorias muito diferentes sobre a reencarnação — a da Nova Era ocidental, a hindu, a budista, a muçulmana alauita e a muçulmana ghulat —, este versículo não corrobora nenhuma delas. Hebreus 7:3 está a comparar Jesus com Melquisedeque. Alguns pensam que Melquisedeque é simplesmente uma analogia ou um «tipo» de Cristo. Outros acreditam que Melquisedeque foi, na verdade, uma manifestação pré-encarnada de Cristo. Seja como for, todos os cristãos concordam que Jesus existiu desde o início dos tempos. No entanto, acreditar que Deus, o Filho, existiu desde a eternidade passada, não significa que qualquer um de nós existisse antes de termos sido concebidos.

P: Em Hebreus 7:9-10, isto demonstra de alguma forma que um feto humano é apenas potencialmente humano, e não um ser humano de facto, e que, por isso, o aborto é aceitável?

R: Não. Em primeiro lugar, Levi não era filho direto de Abraão, mas sim seu bisneto. Argumentar a insignificância da vida de um feto com base na importância da ascendência de Levi revela um desespero em tentar encontrar argumentos bíblicos a favor do aborto. Consulte a discussão sobre Romanos 5:12 para mais informações.

P: Em Hebreus 7:14, de que forma o autor afirma que um sacerdote poderia provir de Judá?

R: Há cinco pontos a considerar na resposta.

1. Jesus era de Judá de duas formas: tanto pelo seu pai legal adotivo (José), como por Maria, por nascimento.

2. Admite-se que ninguém de Judá poderia ser sacerdote segundo a ordem de Aarão.

3. No entanto, podem existir outras ordens de sacerdotes. Especificamente, Melquisedeque era um sacerdote que não descendia de Aarão e que existiu antes de Aarão.

4. A ordem sacerdotal de Melquisedeque era superior à ordem sacerdotal de Aarão, pois

4a. O antepassado de Aarão e de Levi pagava dízimos a Melquisedeque.

4b. Assim foi afirmado por um juramento direto de Deus no Salmo 110:4.

5. Jesus foi designado por Deus Pai para servir como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e não de Aarão.

P: Em Hebreus 7:18, por que razão Deus faz frequentemente algo diferente do que o Seu povo espera?

R: Por vezes, pode ser porque temos expectativas baixas ou erradas, mas muitas vezes há mais do que isso. Deus pode, frequentemente, preferir o inesperado (para as pessoas) ao esperado, para que a glória recaia sobre Ele, e não sobre nós. É também um lembrete para nós de que os Seus caminhos e pensamentos são muito mais elevados do que os nossos, como diz Isaías 55:8-9. É ainda um lembrete de que não é pelo nosso poder ou força, mas sim pelo Espírito de Deus, como ensina Zacarias 4:6bf.

P: Em Hebreus 7:19 e 8:13, a Lei de Moisés não aperfeiçoou nada, ou a Lei era perfeita, como diz o Salmo 19:7?

R: Nestes versículos, «perfeita» significa cumprir o propósito a que se destinava. A Lei era perfeita no seu propósito de nos mostrar os mandamentos de Deus para nós, como demonstra Romanos 3:20. Mas a Lei não era perfeita no que nunca se destinou a fazer: salvar as pessoas. A Lei não salvou ninguém e, por isso, não foi capaz de tornar ninguém perfeito; isso é obra de Deus. Na verdade, não temos mandamentos a seguir; em vez disso, temos Cristo para seguir e mandamentos a cumprir.

P: Em Hebreus 7:27, os judeus estavam certos em interromper os sacrifícios após a destruição do Templo, uma vez que só deviam sacrificar quando havia um templo?

R: Isso seria novidade para o David, que manteve a arca numa tenda durante todo o seu reinado. Pensando bem, isso seria novidade para Moisés, Josué, Débora, Gideão, Samuel e outros. Não há nenhum versículo no Antigo Testamento (Tanach) que diga que, embora costumassem oferecer sacrifícios antes de terem um templo, uma vez que este foi construído e destruído, não pudessem voltar ao que faziam anteriormente.

P: Em Hebreus 8:1, Jesus era o nosso sacerdote ou o nosso sacrifício?

R: Ambos. Hebreus 8:1 começa com «O ponto central do que estamos a dizer...», pelo que este é o culminar da razão pela qual ele estava a discutir todos os tópicos anteriores. Nesta situação única, Jesus foi simultaneamente o nosso Sumo Sacerdote e o nosso sacrifício.

P: Em Hebreus 8:1 e Hebreus 9:11, de que forma Jesus estava qualificado para ser o nosso sumo sacerdote?

R: Antes de responder a esta pergunta, é importante compreender primeiro o papel de um sumo sacerdote. O sumo sacerdote fazia uma coisa que nenhum outro sacerdote podia fazer: no Dia da Expiação, entrava no Santo dos Santos e oferecia os sacrifícios a Deus. Como homem, representava o povo perante Deus. Deus escolheu os descendentes de Aarão para O representarem perante o povo. Jesus está qualificado como nosso sumo sacerdote de, pelo menos, quatro formas.

1. Jesus ofereceu, de uma vez por todas, o sacrifício por nós, oferecendo-Se a Si próprio. Jesus pagou a pena pelos nossos pecados. Pedro, Moisés e João eram homens de bem, mas não eram capazes de pagar a pena pelos nossos pecados, porque não eram isentos de pecado.

2. Tal como outros sumos sacerdotes, Jesus representa Deus perante nós. Ele pode fazê-lo melhor do que qualquer sumo sacerdote meramente mortal, porque Jesus é Deus (Hebreus 1:8-9; João20:28 ), e a plenitude de Deus habita n’Ele (Colossenses1:19 ).

3. Tal como outros sumos sacerdotes, Jesus representa-nos perante Deus. Ele pode fazê-lo porque era como nós em todas as coisas (Hebreus 2:17).

4. Os israelitas precisavam de um novo sumo sacerdote sempre que o antigo sumo sacerdote morria (Hebreus 7:23-25). Jesus está vivo no Céu e é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8).

P: Em Hebreus 8:1-3, é correto chamar um homem na Terra hoje de nosso sacerdote?

R: É supérfluo ter quaisquer outros sacerdotes. Jesus é o único sacerdote de que precisamos hoje, por pelo menos três razões.

Explicitamente, Jesus é designado como o nosso sumo sacerdote em Hebreus 8:1.

No passado, Jesus fez uma única oferta, de uma vez por todas (Hebreus 10:14), de uma vez por todas (Hebreus 9:12; 10:10). Os católicos e alguns luteranos devem ter em conta que Hebreus9:26 mostra explicitamente que Jesus não sofreu desde a fundação do mundo.

Ainda hoje, Jesus vive para interceder por nós perante o Pai (Hebreus7:25 ).

Por outro lado, num sentido mais restrito, todos os crentes são sacerdotes, de acordo com 1 Pedro 2:9; Apocalipse 1:6 e 5:10.

P: Em Hebreus 8:5, qual era o propósito do exemplo do Tabernáculo?

R: Deus trouxe o Seu governo e o Seu reino à Terra. Hebreus 8:5 afirma que o Tabernáculo era uma cópia e uma sombra do que existe no Céu. No entanto, tal como um desenho bidimensional não é idêntico a uma fotografia bidimensional, muito menos a um objeto tridimensional, isto não significa que o Céu seja exatamente como o Tabernáculo terrestre. O Tabernáculo não foi construído para Deus, que não precisava dele, mas sim para que Deus nos mostrasse uma imagem da Sua separatividade e santidade.

P: Em Hebreus 8:5, o facto de o Tabernáculo ser uma sombra das coisas celestiais corrobora a ideia platónica de que o nosso mundo é uma sombra do mundo real das ideias?

R: Não. Embora provavelmente a maioria dos falantes de grego estivesse, pelo menos de alguma forma, familiarizada com Platão, o mundo das ideias de Platão não era um mundo de estruturas materiais. Por exemplo, a filosofia de Platão ensinaria (de forma um tanto tola) que os sofás neste mundo eram cópias imperfeitas e modificadas do «sofá ideal» abstrato. Da mesma forma, as camas são cópias imperfeitas e modificadas da «cama ideal». Deparamo-nos com um problema no caso dos sofás La-Z-Boy ou das camas extensíveis. Talvez o mundo ideal tivesse de criar uma nova entidade na altura em que o sofá La-Z-Boy foi inventado no mundo real.

Ao contrário dos gregos, o autor da Epístola aos Hebreus e o resto da Bíblia compreenderam que o Céu era material, com carne (glorificada) e estrutura. Outros livros judaicos antigos que demonstraram compreender que o Tabernáculo terrestre era uma cópia de um tabernáculo celestial material são 2 Baruch 4:5; e «Antiguidades dos Judeus» 3:123 (c. 93-94 d.C.), e «Guerras dos Judeus» 5:212-213, ambos de Josefo.

P: Em Heb 8:5-7,13; 9:1,15; 10:9,16, uma vez que a Lei mosaica foi a primeira aliança, o que dizer então das alianças com Adão, Noé e Abraão?

R: Esses acordos foram celebrados com indivíduos, não com uma nação ou um povo. Consulte também a próxima pergunta.

P: Em Hb 8:5-7,13; 9:1,15; 10:9,16, a Bíblia ensina «alianças» ou «dispensações»?

R: A Bíblia ensina ambas as coisas. Na verdade, existem sete pontos em que os cristãos que defendem a teologia da aliança e os dispensacionalistas podem concordar, bem como algumas diferenças.

Consenso:

A1. Todos os que foram, são ou serão salvos são salvos por meio de Jesus. (Hebreus 11:39-40; Tito 2:11; Hebreus 2:9; 1 João 2:2; 1 Timóteo 2:6) Consulte «1001 Bible Questions Answered», pp. 77-78, 85 (uma obra dispensacionalista) para mais informações sobre como os crentes do Antigo Testamento foram «salvos exatamente da mesma forma que os crentes do Novo Testamento são salvos» por meio de Cristo.

A2. No Antigo Testamento, as pessoas também faziam individualmente uma aliança com Deus (Salmo 50:5).

A3. Deus estabeleceu uma série de acordos com Adão, Noé, Abraão, Isaac e Josué.

A4. No Antigo Testamento, o povo celebrava coletivamente uma aliança com Deus (Jeremias 34:13, 18).

A5. Houve e haverá apenas duas alianças: a primeira foi estabelecida sob Moisés (Hebreus 9:9) e a segunda, a aliança eterna (Hebreus13:20 ), que é superior (Hebreus 8:6).

A6. Encontramo-nos agora na dispensação/administração da graça (Efésios 3:2). O Antigo Testamento antecipava a expiação de Cristo, enquanto nós agora olhamos para trás, para a expiação de Cristo.

A7. Haverá uma futura dispensação em que todas as coisas estarão reunidas em Cristo (Efésios1:10 ).

Diferenças e Ênfases:

Vários teólogos da aliança e dispensacionalistas discordam em vários aspetos:

1. Os teólogos da Aliança afirmam que todas as promessas de Deus no Antigo Testamento se cumprem hoje apenas na Igreja. Os judeus incrédulos foram arrancados, e, a partir desse momento, o «Israel de Deus» é a Igreja, sendo que os judeus de hoje não são diferentes de qualquer outro grupo étnico. No entanto, R.C. Sproul, na obra *Now That’s a Good Question*, pp. 504-505, ensina que, com base em Romanos 11, «Deus ainda tem outro capítulo para escrever para o povo judeu enquanto tal».

Os dispensacionalistas afirmam que algumas das promessas de Deus no Antigo Testamento serão cumpridas no futuro de Israel, tais como os 144 000. Os judeus de hoje continuam a ser o povo escolhido de Deus. Quanto à aplicação desta teologia, foram os dispensacionalistas, e não os covenantais, que promoveram operações humanitárias de evacuação aérea para ajudar os judeus da antiga União Soviética a partir e regressar a Israel.

2. Em geral, os dispensacionalistas não atribuem o mesmo grau de ênfase à observância da Lei, incluindo a lei do dízimo e do sábado/Dia do Senhor. Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 436-438, para uma perspetiva covenantalista sobre o dízimo ser uma lei nos dias de hoje, e *1001 Bible Questions Answered*, p. 107, para uma perspetiva dispensacionalista sobre a razão pela qual não é uma lei hoje em dia, mas sim uma questão de liberdade. *1001 Bible Questions Answered*, pp. 109-110, explica por que razão o sábado não se aplica aos dias de hoje.

3. O ultra-dispensacionalismo — rejeitado pelo Seminário Teológico de Dallas, em «1001 Bible Questions Answered», p. 114, e por outros dispensacionalistas — ensina que vivemos agora numa dispensação diferente da dos tempos do Novo Testamento e que o batismo não é válido hoje em dia. Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 1:17 para obter mais informações sobre o erro do ultra-dispensacionalismo.

4. Um teólogo da aliança, John Gerstner, afirma que os dispensacionalistas subestimam o papel de Cristo na salvação de todos, em todos os tempos. Os dispensacionalistas negam esta acusação.

Como exemplo de uma perspetiva da aliança, R.C. Sproul afirma em *Now That’s a Good Question*, pp. 283-284: «A salvação ocorre exatamente da mesma forma no Antigo Testamento como no Novo Testamento — através da fé. A única diferença é que a fé do Antigo Testamento residia numa promessa futura que ainda não se tinha cumprido.»

5. Os teólogos da aliança, tais como Gerstner e a *New Geneva Study Bible* (p. 1990), afirmam que alguns dispensacionalistas ensinam a «graça barata» e ignoram a lei de Deus. Um licenciado em teologia dispensacionalista que conheço, ao ler isto, exclamou de surpresa. Escusado será dizer que os dispensacionalistas também negam esta acusação. No entanto, foram alguns dispensacionalistas, e não os teólogos da aliança, que promoveram a visão de que se podia ser cristão apenas aceitando Jesus como Salvador, sendo que torná-Lo seu Senhor era uma opção posterior.

6. O ensino dispensacionalista extremo salienta, por vezes, que hoje em dia é o Evangelho que salva, quase excluindo o facto de que é Deus quem salva. Será Deus incapaz de salvar bebés e pessoas com deficiência mental grave por não terem ouvido o Evangelho?

Em geral, o facto de algumas pessoas levarem um ponto de vista ao extremo não prova que esse ponto de vista esteja errado, se a versão não extremista dessa visão incluir um equilíbrio que proteja contra o extremo. No entanto, os extremistas que levam uma visão até às suas conclusões lógicas demonstram que todo o ponto de vista está errado, caso não exista qualquer ensinamento que proíba levá-lo ao extremo.

P: Em Hebreus 8:10, uma vez que Jesus morreu por todos, como é que a segunda aliança é apenas com a casa de Israel?

R: Hebreus 8:10 diz que a aliança seria com Israel; não diz que seria apenas com Israel. No entanto, quando corretamente compreendida, ela é com Israel, e todos os crentes são adotados no povo escolhido de Deus. Dois pontos específicos:

1. Todos os crentes são espiritualmente filhos de Abraão, de acordo com Efésios 2:12-13; Gálatas 4:24-28; Romanos 4:12, 16-17.

2. Mesmo os judeus que se recusam a acreditar em Jesus irão morrer nos seus pecados, de acordo com Mateus 23:29-33; João 8:24; Atos20:21 ;2:37 -40; e Romanos 9:6.

P: Em Hebreus 8:11 e Jeremias 31:33-34, devemos ensinar-nos uns aos outros?

R: Sim, devemos. Este versículo não diz apenas que não devemos ensinar uns aos outros. Pelo contrário, diz que não devemos ensinar uns aos outros, dizendo «Conhecei o Senhor», porque todos os crentes conhecerão o Senhor.

Há aqui um ponto teológico importante. Enquanto nos tempos do Antigo Testamento apenas alguns crentes tinham o Espírito Santo a habitar neles, nos tempos do Novo Testamento todos os crentes têm o Espírito Santo a habitar neles. João14:23 mostra que todos os que têm Cristo têm o Espírito Santo. Romanos 8:9-11 mostra que aqueles que hoje não têm o Espírito Santo não têm Cristo.

P: Em Hebreus 8:13, como é que a Antiga Aliança poderia desaparecer, uma vez que Jesus disse em Mateus 5:18 e Lucas 16:17 que nem um jota nem um til passará?

R: Em Lucas 16:17, Jesus afirmou que a Lei não falharia. Em Mateus5:18 , Jesus afirmou que de modo algum um jota ou um til passará, até que tudo se cumpra. Consulte a discussão sobre Romanos 7:6 para mais informações.

P: Em Hebreus 9:2-4, resumidamente, o altar de ouro do incenso encontrava-se no Lugar Santíssimo, ou estava no Lugar Santo, tal como mostram Êxodo 30:6 e Levítico 16:12-13,18?

R: Alguns manuscritos antigos do livro de Hebreus afirmam que este altar se encontrava no Lugar Santo; no entanto, não é necessário recorrer a esses manuscritos para responder à pergunta.

Resposta sucinta: O véu fazia parte do Lugar Santo ou do Lugar Santíssimo, uma vez que separava os dois? Poder-se-ia dizer que fazia parte de ambos. Da mesma forma, 1 Reis 6:22 dá a resposta relativamente ao altar. Diz que o altar «pertencia» ao Lugar Santíssimo. O altar, juntamente com o véu, formava a fronteira, quando o véu era afastado para que o Sumo Sacerdote pudesse passar no Dia da Expiação.

Consulte a próxima pergunta para uma explicação mais detalhada.

P: Em Hebreus 9:2-4, o altar de ouro do incenso encontrava-se no Santo dos Santos, ou estava no Lugar Santo, tal como mostram Êxodo 30:6 e Levítico 16:12-13,18?

R: Consulte a pergunta anterior para obter uma resposta sucinta.

Resposta longa: Existem tantas explicações para responder a esta pergunta que se torna um quebra-cabeças analisar todas elas para encontrar a correta. Todas as respostas podem ser classificadas em três categorias: palavras, movimento e propósito. Cada uma delas tem uma resposta menos provável e uma ou duas respostas mais prováveis.

Primeiro, três factos que não estão diretamente relacionados com a resposta e, em seguida, a resposta.

Facto 1: Utilização no Dia da Expiação: O sacerdote só entrava no Santo dos Santos uma vez por ano. O sacerdote retirava carvões em brasa deste altar e passava para além da cortina, entrando no Santo dos Santos (Levítico 16:12-13).

Facto 2: Localização do altar: Êxodo 30:1-10 mostra que o sacerdote (não necessariamente o sumo sacerdote) devia queimar incenso no altar revestido de ouro todas as manhãs. Era isto que Zacarias, pai de João Batista, estava a fazer quando um anjo lhe apareceu junto a este altar, em Lucas 1:8-11. Zacarias fazia parte de uma divisão de sacerdotes e, por isso, não era sumo sacerdote. Levítico 16:12 também mostra que o altar se encontrava no Lugar Santo, e não no Santo dos Santos. 1 Reis 6:22 poderia significar que o altar se encontrava no Santo dos Santos, mas não necessariamente. 1 Reis 6:22 apenas diz que «pertencia» às coisas mais sagradas (ou seja, no Dia da Expiação), e não que estivesse fisicamente localizado ali. De acordo com When Critics Ask, p. 517, Filo, Josefo e outros escritores judeus afirmaram que também se encontrava no Lugar Santo. Contrariamente a isto, O Apocalipse de Baruch 6:7 afirma que o altar se encontrava no Lugar Santíssimo.

Facto 3: Dois altares (improvável): Embora pudesse ter havido dois altares, tal é altamente improvável, uma vez que não existe qualquer referência bíblica ou extra-bíblica a dois altares.

Definição da palavra (improvável): A palavra grega literal em Hebreus 9:3 é «instrumento de incenso». Gramaticalmente, pode referir-se ao incensário que o sacerdote levava consigo. No entanto, isto é improvável, pois, nesse caso, o livro de Hebreus estaria a descrever em pormenor cada uma das outras três peças de mobiliário do Tabernáculo, a mencionar o incensário e a passar em silêncio o altar do incenso. Além disso, os escritores judeus Filo e Josefo utilizam esta palavra para se referirem ao altar.

Variação nos manuscritos do Antigo Testamento: Enquanto o texto massorético e a Septuaginta afirmam que o altar se encontrava no Lugar Santo, o Pentateuco Samaritano afirma que se encontrava por trás do véu (no Lugar Santíssimo).

Variação nos manuscritos do Novo Testamento: Os manuscritos gregos Vaticanus, as versões coptas e a versão etíope afirmam que se encontrava no Lugar Santo, e não no Lugar Santíssimo. No entanto, esta provavelmente não é a leitura original.

Escritos cristãos primitivos: «Cinco Livros Contra Marcião», de Tertuliano, no livro 4, linhas 140-145, menciona o altar de ouro no Santo dos Santos.

Movimentação anual do altar no Dia da Expiação (improvável): Será que o altar era movido uma vez por ano? Isto é improvável. O altar era feito de madeira de acácia e revestido de ouro. Era pequeno, com cerca de 3 pés por 1 ½ pés por 1 ½ pés. O ouro fundido é muito denso, com cerca de 19,3 g/cm³. Supondo que a espessura do ouro fosse de um oitavo de polegada, o peso do ouro seria de 225 a 235 libras. Embora pudesse ser empurrado por um único homem, não era muito fácil de transportar para um sacerdote que também teria de carregar incenso e um incensário para as brasas. Outros sacerdotes não podiam ajudar a transportá-lo para o Lugar Santíssimo (Levítico 16:17; Hebreus 9:7). Assim, o altar provavelmente não era movido no Dia da Expiação.

Movimentação única do altar: Havia «o altar que pertencia ao santuário interior», como afirma 1 Reis6:22 . O hebraico aqui é ambíguo: pode significar tanto que, no tempo de Salomão, o altar se situava no Lugar Santíssimo, como que o altar pertencia ao Lugar Santíssimo. Se for este o primeiro significado, o altar encontrava-se no Lugar Santíssimo do Templo de Salomão. No entanto, tal é improvável, uma vez que Zacarias, em Lucas 1:8-11, estava a queimar incenso neste altar quando o anjo lhe apareceu, tal como se diz que os sacerdotes (e não apenas o sumo sacerdote) deviam fazer em Levítico 16:12. Fora da Bíblia, recebemos sinais contraditórios a este respeito. Filo e Josefo afirmam que o altar se encontrava no Lugar Santo, mas o Apocalipse de Baruch 6:7 afirma que o altar se encontrava no Lugar Santíssimo.

Movimento do véu: Suponha-se que se refira ao segundo significado de 1 Reis 6:22. Uma informação fundamental que falta é a forma como o sacerdote, com um incensário cheio de fogo e incenso e sangue no dedo da outra mão, passaria para trás do véu. (Ele não poderia simplesmente rastejar por baixo dele.) Mateus 27:51 indica que o véu não era composto por dois véus presos no meio, mas sim por uma peça única e sólida. Suponha, por um momento, que o sacerdote se tivesse simplesmente espremido entre a parede e o véu de um dos lados. Tal seria problemático, tendo em conta tudo o que transportava e a esperança de que o incensário não incendiasse o véu. Um cenário mais provável é que o sacerdote tenha aberto o véu, pelo menos parcialmente, e depois tenha entrado. Uma vez aberto o véu, o altar passava a fazer parte do Lugar Santíssimo e era utilizado na cerimónia que ali se realizava.

Isto é semelhante às nossas orações aqui na Terra. Somos pecadores e não fazemos parte do Lugar Santíssimo de Deus no Céu. No entanto, um dia, para nós, o véu será afastado, e Apocalipse 5:8; 8:3-4 mostram que não só nós, mas também as nossas orações estarão no Lugar Santíssimo no Céu. (Isso motiva-o a orar, não é verdade?)

P: Em Hebreus 9:4, as tábuas de pedra são as mesmas que o livro da Lei em Deuteronómio 31:24-26?

R: Não. Deuteronómio 31:24-26 mostra que o Livro da Lei era a Torá (os primeiros cinco livros da Bíblia) e não os Dez Mandamentos. A Torá original foi colocada ao lado da arca, não dentro dela. As tábuas de pedra eram os Dez Mandamentos.

P: Em Hebreus 9:4, as três coisas estavam na arca da Aliança, ou à frente da arca, como sugerem Êxodo 16:33-34, Números 17:10-11, 1 Reis 8:9 e 2 Crónicas 5:10?

R: A propósito, a arca também é chamada de arca do Testemunho (Êxodo 25:16-22), porque guardava o «testemunho», ou seja, as tábuas de pedra dos Dez Mandamentos.

Anteriormente na arca: Êxodo 16:33-34 diz que o vaso com o maná foi colocado perante o Senhor para ser guardado para as gerações futuras. Números 17:10-11 diz que deviam colocar a vara de Arão perante o Testemunho. Embora apenas Hebreus 9:4 diga que essas coisas foram colocadas no interior da arca, presume-se que as mesmas tenham sido colocadas na arca. Êxodo 25:21, Êxodo 40:20 e Deuteronómio 10:2,5 referem que Moisés colocou as tábuas de pedra na arca. Quando Êxodo 40:20 refere que as tábuas de pedra foram colocadas na arca, é possível que os outros dois objetos tenham sido colocados nessa altura.

500 anos mais tarde, no tempo de Salomão, depois de a arca ter sido capturada pelos filisteus e de 70 homens terem espreitado para o interior da arca (1 Samuel 6:19), em 1 Reis 8:9 e 2 Crónicas 5:10, a arca continha apenas as tábuas de pedra no seu interior. Hebreus 9:4 refere-se ao que se encontrava originalmente no interior da arca.

P: Em Hebreus 9:6-9, qual era o objetivo de toda esta separação no tabernáculo?

R: Atualmente, alguns edifícios têm acesso restrito a determinadas áreas, tais como as salas de energia elétrica, por razões de segurança, para reduzir o número de vítimas mortais.

Nos tempos do Antigo Testamento, isto enfatizava de forma vívida a separação entre o Deus Santo e o homem pecador. Nem mesmo o sumo sacerdote podia entrar mais do que uma vez por ano. Tratava-se de apenas um homem específico, de uma família, de uma tribo, de toda a população. Segundo Josefo, durante o período do templo, quando o sacerdote entrava, tinha doze sinos na parte inferior da sua túnica e uma corda à volta da cintura. O que aconteceria se Deus estivesse tão descontente com o sacerdote e este morresse no Santo dos Santos? Quem o tiraria de lá? Daí a corda à volta da cintura, para que alguém o pudesse puxar para fora, e os sinos, que tilintariam para indicar que ele ainda se movia.

Os rabinos judeus no Talmude Yoma 5:1 afirmam que, quando o sumo sacerdote entrava, «não prolongava a sua oração, para não aterrorizar Israel». Depois de entrar (e sair), realizava um banquete com os seus amigos.

P: Em Hebreus 9:12-14, o que é exatamente a «redenção»?

R: Isto não era nenhum mistério para o povo judeu; era um conceito comum no Antigo Testamento. Todos os animais primogénitos deviam ser sacrificados, salvo se fossem «redimidos» por algo em seu lugar, de acordo com Êxodo 13:13.

Da mesma forma, os filhos primogénitos deviam ser resgatados através do sacrifício de um animal, tal como mostra Êxodo 13:14-16. Em Lucas 2:23-24, Maria e José apresentaram uma oferta após o nascimento de Jesus, conforme ordenado em Levítico 12:6-8.

Deus redimiu os israelitas da escravidão dos egípcios, conforme se lê em Êxodo 6:6 e Deuteronómio 7:8.

Em geral, o significado de redenção, «lytrosis» em grego, é libertar algo mediante o pagamento de um resgate, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 12, p. 86.

Nos tempos do Antigo Testamento, Deus salvou as pessoas «a crédito», sabendo o que Cristo viria a fazer.

P: Em Hebreus 9:15, o pagamento de Cristo pelos nossos pecados foi retroativo?

R: Absolutamente sim. Hebreus 9:15 afirma que Cristo morreu pelos pecados cometidos ao abrigo da primeira aliança. No conhecimento certo de Deus, Jesus foi morto desde antes da fundação do mundo, conforme Apocalipse 13:8. Romanos 3:25 também indica que Ele o fez pelos pecados anteriores que, até então, tinham ficado impunes.

P: Em Hebreus 9:21, onde é que se diz que o tabernáculo e outras coisas foram aspergidos com sangue?

R: Isso não é referido no Antigo Testamento; mas o povo judeu estava, aparentemente, ciente disso. Josefo menciona-o em «Antiguidades dos Judeus», livro 3, p. 205-206. [viii 6].

P: Em Hebreus 9:25-28, poderá Jesus ter sido sacrificado várias vezes durante a missa católica romana, com o pão e o vinho?

R: Os cristãos genuínos discordam quanto a isto.

Os cristãos luteranos e católicos afirmam que sim. Um luterano ensinou que, uma vez que Deus é atemporal, a expiação pode ser atemporal. A Ceia do Senhor é uma ligação no tempo com o momento em que Cristo morreu na cruz, através da atemporalidade de Deus.

Os cristãos ortodoxos ensinam a presença real de Cristo na Eucaristia, mas mantêm em segredo a forma como isso acontece.

A maioria dos cristãos protestantes nega-a.

Em João 19:30, «Está consumado» são as últimas palavras de Jesus. Trata-se, na verdade, de um termo contabilístico, que poderia ser traduzido por «pago na totalidade».

Hebreus 9:25-28 ensina explicitamente que Jesus não oferece um sacrifício repetidamente; pelo contrário, Jesus foi sacrificado uma única vez.

Em Hebreus 10:11-12, Jesus não cumpria o seu dever religioso dia após dia; pelo contrário, Jesus ofereceu, de uma vez por todas, um único sacrifício pelos pecados. Depois, Jesus sentou-se, numa posição de conforto, favor e honra.

P: Em Hebreus 9:27-28, poderá a reencarnação ser verdadeira e ser compatível com o cristianismo?

R: Não, por várias razões.

Em geral, Deus ressuscita corporalmente todos no último dia, o que não faz muito sentido se não tivermos um, e apenas um, corpo.

Em Hebreus 9:27-28, diz-se especificamente que «assim como está determinado que os homens morram uma vez, e depois disso enfrentem o juízo».

Em 2 Samuel 12:22-23, Davi disse sobre o seu bebé falecido: «Eu irei ter com ele [à sepultura], mas ele não voltará para mim.» As Escrituras registam com precisão as palavras de Davi, mas este versículo não provaria que a opinião de Davi estava correta, a não ser em combinação com Hebreus 9:27-28.

Eclesiastes 11:3 afirma que, onde quer que uma árvore caia, aí ficará. O contexto de Eclesiastes 11:1-3 é o da causa e efeito, e o contexto de todo o livro é a vida e a morte debaixo do sol.

A reencarnação estava ausente não só de todo o Antigo e Novo Testamento, mas também da tradição judaica e cristã. O conceito era defendido por alguns gregos pagãos. Os cristãos estavam cientes do conceito e rejeitaram veementemente a reencarnação como não bíblica, tal como demonstrado por Hipólito.

Hipólito (Contra Platão, versículo 2), na sua extensa discussão sobre o Hades, também menciona brevemente que a ressurreição não significa que a alma seja transferida para outros corpos, mas sim que Deus ressuscita os próprios corpos. Em A Refutação de Todas as Heresias, 1:2, Hipólito menciona que os pitagóricos acreditavam no erro de que a alma passa por corpos sucessivos.

O «Octávio», de Minúcio Félix, cap. 34, p. 194 (após 205 d.C.), classificou a ideia de as almas dos homens regressarem em animais [reencarnação] como «obscenidade de palhaços».

Se alguém optar por acreditar na reencarnação, independentemente do que a Bíblia diz, isso é uma coisa, mas, por favor, não minta sobre o que a Bíblia diz. Utilize quaisquer palavras humanas que desejar, mas, por favor, não tente distorcer a palavra de Deus para dizer algo que Deus não disse.

Para mais informações sobre a reencarnação, consulte a discussão sobre Lucas 1:15; 1 Coríntios 15:37; Gálatas 1:15-16, Gálatas 6:7-8, Hebreus 7:3 e Tiago 3:6.

P: Em Hebreus 9:28 e seguintes, o que significa «aqueles que esperam», apekdechomenois?

R: Esta palavra é utilizada sete vezes no Novo Testamento: Romanos 8:19, 23, 25; 1 Coríntios 1:7; Gálatas 5:5; Filipenses 3:20; Hebreus 9:28. Em todas as ocasiões, refere-se àqueles que aguardam o regresso de Cristo. Quão apropriado é considerar-se a si próprio, e aos membros da sua igreja local, como fazendo parte daqueles que «esperam».

P: Em Hebreus 10:1-2, no filme «The Truman Show», o protagonista vivia num mundo irreal. De certa forma, os crentes do Antigo Testamento viviam num «mundo de sombras», tendo apenas uma sombra de Cristo nos sacrifícios do Antigo Testamento. De que forma vivemos hoje num «mundo de sombras»?

R: A palavra grega para «sombra», skia, pode referir-se a muitos tipos de sombras, incluindo o esboço que um artista faz de um quadro antes de, mais tarde, preencher as cores. Vivemos num mundo onde algumas coisas são cópias das coisas do Céu. Embora esta Terra nos pareça real, nas nossas três dimensões mais o tempo, não é tão real como a eternidade, em quem sabe quantas dimensões. Quando alguém morre neste mundo, parece que é «fim de jogo». Mas, na realidade, acabámos apenas a versão de teste do jogo e passámos para um novo nível.

Num mundo de sombras, podem existir indícios de que as coisas não são totalmente permanentes. Por exemplo, como afirma o «Believer’s Bible Commentary», na página 2188: «A recorrência regular do sacrifício marcava-os como ineficazes. Quem tem de tomar um medicamento a cada hora para se manter vivo dificilmente pode ser considerado curado. Em vez de apaziguar a consciência, o sistema levítico despertava-a a cada ano. Por trás do belo ritual do Dia da Expiação escondia-se o lembrete anual de que os pecados estavam apenas a ser encobridos, não removidos.»

P: Em Hebreus 10:4-11, uma vez que o sangue de touros e bodes não podia tirar os pecados, então por que razão os judeus tiveram de os sacrificar durante 1 400 anos?

R: Consulte a discussão sobre Êxodo 30:12, Levítico 4 e Levítico 5:13 para obter a resposta.

P: Em Hebreus 10:5, a expressão «um corpo que me preparaste» é uma citação de Salmos 40:6, «abriu-me [perfurou-me] os ouvidos»?

R: O texto massorético diz: «perfuraste-me os ouvidos». Os escravos hebreus deviam ser libertados a cada sete anos, mas os ouvidos eram perfurados ao escravo que voluntariamente optasse por servir o seu senhor para toda a vida.

A Septuaginta diz: «um corpo que preparaste para mim». As traduções do Antigo Testamento de Símaco e Teodoto também apresentam «corpo». Assim, o Salmo 40:6 foi provavelmente alterado no texto massorético. (A título de nota, os Manuscritos do Mar Morto não preservam o Salmo 40:6).

Seja como for, Jesus foi preparado para o serviço obediente.

P: Em Hebreus 10:10, o corpo de Jesus foi invadido por Satanás, tal como ensina o reverendo Moon, fundador do culto da Igreja da Unificação?

R: Não. Em primeiro lugar, eis o que diz o suposto messias, o Rev. Moon, seguido do que diz a Palavra de Deus.

1. O Rev. Moon afirma: que o sacrifício de Abraão se tornou propriedade de Satanás.

Princípio Divino, p. 269: «... O facto de Abraão ter oferecido os sacrifícios sem ter cortado a pomba ao meio resultou na oferta do que era, por assim dizer, propriedade de Satanás, e assim a oferta terminou com a afirmação de que a oferta era propriedade de Satanás.»

Princípio Divino, p. 330: «Devido ao facto de Moisés ter golpeado a rocha duas vezes externamente, em fúria... a sua [de Moisés] carne foi invadida por Satanás e ele morreu no deserto; mas, internamente, ... [ele ainda conseguiu fazer jorrar água da rocha para o povo]»

Princípio Divino, p. 148 «Jesus não conseguiu cumprir o propósito da providência da salvação física porque o seu corpo foi invadido por Satanás. No entanto, conseguiu estabelecer a base para a salvação espiritual... através... do sangue da cruz.»

2. Deus afirma: que o corpo de Jesus não sofreu decomposição, segundo Atos 2:31. Jesus sacrificou o seu corpo em Hebreus 10:10, mas o Seu corpo santificou-nos. Enquanto o Rev. Moon ensina que Jesus perdeu o seu corpo e que este se corrompeu, o apóstolo Paulo afirma o contrário em Filipenses 3:20-21.

«Mas a nossa cidadania está nos céus, e nós [ou seja, os cristãos] aguardamos ansiosamente um Salvador daí, o Senhor Jesus Cristo, que, pelo poder que Lhe permite submeter todas as coisas a Si mesmo, transformará os nossos corpos humildes para que sejam semelhantes ao Seu corpo glorioso.» (BSB)

P: Em Hebreus 10:14, de que forma já somos perfeitos e, ainda assim, estamos a ser santificados?

R: Consulte a discussão sobre 2 Tessalonicenses 1:5 e 1 Pedro 1:14-16 para obter a resposta.

P: Em Hebreus 10:18, uma vez que já não há mais ofertas pelo pecado, poderá Jesus ser sacrificado na missa católica?

R: Não. Consulte a análise sobre Hebreus 9:25-28 para obter a resposta.

P: Em Hebreus 10:25, é aceitável que os crentes não se reúnam em comunhão?

R: Não. É um pecado os crentes isolarem-se de todos os outros crentes. Hebreus 10:25 diz que não devemos negligenciar a nossa reunião, mas a Bíblia não especifica quando devemos reunir-nos.

Existem várias razões para este mandamento. Precisamos de outros cristãos para encorajamento, ensino, correção e repreensão. Deus concedeu a outros crentes dons espirituais para nos nutrir, e concedeu-nos dons espirituais para os nutrir a eles. 1 Coríntios 12 aborda este assunto mais detalhadamente. Outra razão é que Jesus disse: «Pois onde dois ou três se reunirem em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.» (Mateus 18:20) Há um poder especial na oração em comunidade. Por fim, embora Deus se agrade da nossa adoração individual, agrada-Se especialmente quando O adoramos em conjunto. Consulte *O Livro Completo de Respostas Bíblicas*, p. 225, para uma resposta complementar.

P: Hebreus 10:26-32 mostra que as pessoas podem perder a sua salvação?

R: Todos concordam que esta passagem ensina que só Cristo é um sacrifício suficiente pelos nossos pecados. Os sacrifícios do Antigo Testamento, à parte de Cristo, são inúteis. No entanto, os cristãos genuínos discordam quanto ao que esta passagem diz sobre a perda da salvação.

Perspetiva da «perda de oportunidade»: Para aqueles que pecam ao rejeitar o sacrifício de Cristo na cruz, não há esperança para eles fora do caminho que rejeitaram. Mesmo que sejam bons judeus e realizem todos os sacrifícios do Antigo Testamento, um inimigo de Cristo é um inimigo de Deus, que só pode esperar o fogo ardente.

Perspetiva da «perda da salvação»: Para além da perspetiva anterior, os cristãos que pecam deliberada e persistentemente durante tempo suficiente terão pisado o Filho de Deus e perdido a oportunidade de Cristo os salvar.

Consulte a pergunta relativa a Hebreus 3:6,14 e as duas perguntas relativas a Hebreus 6:4-12 para uma discussão mais aprofundada.

P: Em Heb 11:1 e Heb 11:3, foi «a nossa fé que compreende que o mundo foi formado», ou foi «pela fé de Deus que Ele formou o mundo», como ensinam Kenneth Copeland e outros?

R: Em grego, as duas primeiras palavras são «Pela fé compreendemos». «Pela fé» modifica o verbo que se segue diretamente, «compreendemos». Assim, não foi a nossa fé que formou o mundo, mas a nossa fé dá-nos a compreensão de como Deus formou o mundo. É a nossa fé; o próprio Deus Onisciente não tem nem precisa de fé.

Génesis 1, Salmo 33:6,9 e outras passagens mostram que Deus criou tudo pela Sua palavra. O Deus Todo-Poderoso não tem «fé» em que talvez possa fazer algo, tal como nós não temos fé em que podemos respirar. Deus tem o conhecimento certo de que pode fazer todas as coisas.

A questão mais ampla aqui é esta: devem os cristãos ter fé em Deus ou fé na fé? Muitos curandeiros espirituais ensinam, essencialmente, a fé na fé. A fé na sua própria fé é fé em si mesmo disfarçada de fé em Deus.

P: Em Hebreus 11:4, por que razão Deus aceitou o sacrifício de Abel e não a oferta de Caim?

R: Génesis 4 não apresentou explicitamente qualquer razão, pelo que nenhuma razão é excluída. Hebreus 11:4 afirma que Caim carecia de fé. Na verdade, pode-se conjecturar uma combinação de três razões relacionadas com a falta de fé genuína de Caim.

Sangue, não vegetais: Em épocas posteriores, os sacrifícios a Deus eram sempre com animais. Ainda hoje, há quem pretenda um cristianismo sem derramamento de sangue. Hebreus 9:18,22 recorda-nos que, no Antigo Testamento, Deus exigia o derramamento de sangue para o perdão. No entanto, poder-se-ia argumentar que, uma vez que tanto o Antigo Testamento como a Epístola aos Hebreus foram escritos após a vida de Caim, como é que Caim poderia saber isto? Isto conduz ao ponto seguinte.

Sacrifícios em comunhão com Deus: Uma vez que Deus falou diretamente com Caim, mais tarde, Caim poderia ter perguntado a Deus o que Ele desejava. Muitas pessoas hoje em dia querem servir a Deus nos seus próprios termos, à sua maneira, e não à maneira de Deus. No entanto, poder-se-ia argumentar: por que razão Caim não deveria poder oferecer o sacrifício da forma que quisesse? Isto leva-nos ao ponto seguinte.

O sacrifício na fé ao nosso Senhor: Não há provas de que Caim se tenha submetido à soberania de Deus ou, pela fé, tenha confiado a sua vida a Deus. Ainda hoje, se não estivermos interessados em aproximar-nos de Deus e em obedecer-Lhe, os nossos sacrifícios não têm importância. Miqueias 6:6-8 contém uma expressão poeticamente bela sobre isto. Provérbios 21:3; Oséias 6:6; João 14:15, 21, 23-24 são expressões mais diretas da primazia de nos aproximarmos de Deus e da obediência em relação aos sacrifícios das pessoas e outras obras.

P: Em Hebreus 11:5, como é que Enoque não viu a morte?

R: Enoque não viu a morte em Génesis 5:22-24. Como disse uma criança: «Um dia, enquanto caminhavam, Deus disse a Enoque: “Uma vez que estamos mais perto da minha casa do que da tua, porque não vens simplesmente para casa comigo?”»

O Deus Todo-Poderoso pode fazer tudo o que Lhe apraz, incluindo levar alguém para o Céu. Três escritores cristãos pré-nicenos viram Enoque regressar como uma das duas testemunhas em Apocalipse 11:6-11.

Tertuliano (198-220 d.C.) considerava que Enoque ainda não tinha visto a morte, pois só viria a morrer durante o tempo do anticristo (Apocalipse 11:3). «Tratado sobre a Alma», cap. 50, p. 227

Hipólito (222-235/6 d.C.) também escreveu que as duas testemunhas eram Enoque e Elias, pregando durante 1 260 dias, em «Tratado sobre Cristo e o Anticristo», cap. 43, p. 213

Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) refere que Elias e Enoque foram transportados para algum lugar remoto sem morrer, para que pudessem estar ao lado de Cristo quando Ele vier para julgar. No entanto, não devemos acreditar que Nero também vá regressar. «Da Maneira como Morreram os Perseguidores», cap. 2, p. 302.

P: Em Hebreus 11:7, de que forma Noé condenou o mundo?

R: Todos compreendem que é Deus quem julga o mundo e que foi Deus, e não Noé, quem enviou o dilúvio. O significado de Hebreus 11:7 é que Noé condenou o mundo ao demonstrar que um homem e a sua família podiam levar uma vida íntegra perante Deus, mesmo naqueles tempos.

P: Em Hebreus 11:8, de que forma é que Abraão (anteriormente Abrão) partiu sem saber para onde ia, uma vez que Génesis 12:5 diz que Abrão partiu para ir para a terra de Canaã?

R: A Abram não foi especificamente dito que iria para Canaã quando Deus o chamou em Génesis 12:1. Em retrospetiva, Génesis 12:5, escrito muito mais tarde do que Abraão, diz-nos que Deus fez com que Abram partisse para ir para Canaã.

Nas nossas vidas, podemos obedecer a Deus sem ter a menor ideia de qual será o resultado. Embora possa parecer incerto para nós naquele momento, olhando para trás, anos mais tarde, podemos ver como as coisas se resolveram tão bem no plano de Deus.

P: Em Hebreus 11:19, de que forma é que Abraão recebeu Isaque de volta dentre os mortos, em sentido figurado?

R: Abraão estava prestes a sacrificar Isaac. No entanto, Deus impediu-o, e Isaac permaneceu vivo, tal como diz Génesis 22:1-18.

P: Em Hebreus 11:26, de que forma Moisés estimou o opróbrio de Cristo, uma vez que nunca tinha ouvido falar de Cristo?

R: Embora Moisés não tivesse ouvido o nome de Cristo, ele estimava a Deus e sabia da vinda de um profeta, conforme Deuteronómio 18:17. Moisés sabia que alguém viria para fazer expiação pela terra e pelo povo, conforme Deuteronómio 32:43.

P: Em Hebreus 11:27, como é que Moisés saiu do Egito, sem temer a ira do rei, uma vez que Êxodo 2:14,15 diz que Moisés temeu o Faraó e fugiu para Midiã?

R: Êxodo 2:14-15 diz: «…Então Moisés teve medo e pensou: “O que fiz certamente já se tornou conhecido.” Quando o Faraó soube deste assunto, procurou matar Moisés. Mas Moisés fugiu do Faraó…» (BSB). Clemente de Alexandria, em *Stromata* (193-202 d.C.), livro 4, cap. 16, p. 428, cita este versículo, e nos manuscritos antigos não existem variações (como, por exemplo, a omissão de um «não»).

Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, duas respostas diferentes.

Não é a resposta: Êxodo 2:14 diz que Moisés teve medo, e Êxodo 2:15 diz que Moisés fugiu do Faraó. Não diz expressamente que Moisés tinha medo do Faraó neste contexto.

Resposta de João Crisóstomo: Escrevendo por volta de 392-407 d.C., Crisóstomo levantou esta questão e respondeu-lhe. Sim, Moisés teve medo quando matou o egípcio, mas foi sensato ao fugir para evitar um perigo previsível. Não há necessidade de tentar a Deus. Moisés não teve medo de regressar, nem teve medo de deixar o Egito novamente, independentemente da ira do Faraó. (Homilias sobre a Epístola aos Hebreus, Homilia 26, p. 484.)

Outra resposta: Embora Moisés tenha agido com sabedoria ao fugir do Egito pela primeira vez, fê-lo por medo após ter matado o egípcio. Hebreus 11:27 refere-se ao caráter de Moisés após ter permanecido em Midiã durante quarenta anos. Moisés regressou ao Egito sem medo, apresentou-se novamente perante o Faraó sem medo e partiu novamente do Egito, tudo isto sem temer a ira do Faraó. O Faraó tinha mais a temer de Deus do que Moisés tinha a temer do Faraó.

Há aqui uma lição para nós hoje. Por vezes, se fugirmos de uma situação assustadora, Deus pode mais tarde querer que regressemos e nos levantemos com ousadia em defesa de Deus e contra a opressão dos outros. Moisés pode ter deixado o Egito uma vez por temer o Faraó, mas Deus e o autor da Epístola aos Hebreus consideram mais significativo o facto de Moisés ter regressado, superando qualquer medo, e ter partido pela segunda vez sem medo.

P: Em Hebreus 11:32, de que forma Gideão, Sansão e Jefté foram heróis da fé? Todos eles pecaram, e até mesmo Baraque demonstrou falta de liderança.

R: O povo de Deus continua a pecar, e alguns deles pecaram gravemente. A Bíblia não ignora as suas falhas graves, mas é encorajador saber que Deus pode lidar connosco e aperfeiçoar-nos, mesmo com as nossas falhas.

Hebreus 11:32 não afirma que estes homens fossem modelos de perfeição sem pecado, nem mesmo mais justos do que os outros. Pelo contrário, Hebreus 11 chama a nossa atenção para estes homens como exemplos daqueles que tiveram fé para realizar grandes feitos e, no caso de Sansão, para se juntar às fileiras dos mártires que morreram por Deus.

P: Em Hebreus 11:35, de que forma as mulheres receberam de volta os seus mortos?

R: Trata-se da viúva de Sarepta, em 1 Reis 17:22, e da mulher sunamita, em 2 Reis 4:34. Os seus entes queridos falecidos foram ressuscitados. Esta ressurreição foi semelhante à de Lázaro; não foram ressuscitados com um corpo imortal, mas devolvidos ao seu estado anterior.

P: Em Hebreus 11:35, trata-se de uma alusão a 2 Macabeus 7:12, o que prova que pelo menos parte dos Apócrifos faz parte das Escrituras?

R: Não. 2 Macabeus 7, 12 diz: «Como resultado, o próprio rei e aqueles que o acompanhavam ficaram espantados com o espírito do jovem, pois ele considerava o seu sofrimento como nada.» (Tradução da Edição Católica da RSV). O contexto é que este era o terceiro de sete irmãos que foram martirizados sob o domínio dos selêucidas. Quatro pontos a considerar na resposta.

1. Na verdade, esta não é uma citação dos Apócrifos. Hebreus 11:35 é o versículo mais próximo de 2 Macabeus 7:12, e ambos registam uma verdade comum, mas não se trata de uma citação.

2. A Bíblia também cita poetas pagãos em Atos17:28 , 1 Coríntios15:33 e Tito1:12 ; no entanto, todos concordam que os restantes escritos dos poetas pagãos não fazem parte das Escrituras.

3. Hipoteticamente falando, mesmo que Hebreus 11:35 fosse uma citação de 2 Macabeus (o que não é o caso), a menos que citar poetas pagãos torne os seus escritos parte das Escrituras, uma única citação de 2 Macabeus também não o tornaria parte das Escrituras.

4. 2 Macabeus é, em geral, fiável. No entanto, apresenta inconsistências históricas em relação a 1 Macabeus e dois erros comprováveis. Por exemplo, em 2 Macabeus 8:20, os selêucidas, juntamente com 4 000 macedónios, não destruíram 120 000 galatas na Babilónia.

Consulte a discussão sobre Judas 14-15 para uma situação semelhante com os livros pseudepigráficos.

P: Em Hebreus 12:1, será que uma «nuvem de testemunhas» prova que o regresso de Jesus nas nuvens significa que Ele voltará no meio de grupos de pessoas, tal como ensina a Igreja da Unificação do Rev. Moon?

R: Será que a expressão «um rebanho de espectadores» significa que, sempre que a palavra «rebanho» é utilizada, se deve referir a pessoas? — Claro que não. Da mesma forma, a expressão «uma nuvem de testemunhas» não significa que, sempre que a palavra «nuvem» é utilizada, se refira a pessoas.

Em nenhum ponto da Bíblia, incluindo Hebreus 12:1, se utiliza apenas «nuvem» para designar pessoas. Hebreus 12:1 diz «nuvem de testemunhas», e esta metáfora não confere a ninguém o direito de interpretar nuvens literais (sem testemunhas) como pessoas.

Além disso, o grego tinha palavras diferentes para «nuvem», e a palavra aqui utilizada, nephos, não é utilizada em mais nenhum outro local do Novo Testamento.

Até mesmo os membros da Igreja da Unificação concordariam que foi uma nuvem literal que ocultou Jesus quando Ele ascendeu ao Céu em Atos 1:9. Se Jesus regressasse da mesma forma, e tendo partido numa nuvem literal, então Jesus regressará numa nuvem literal, apesar do que o Rev. Moon ensina.

Consulte também a discussão sobre Apocalipse 1:7.

P: Em Hebreus 12:1, quem é a «grande nuvem de testemunhas»?

R: A «grande nuvem» refere-se especificamente às pessoas mencionadas no capítulo anterior. É claro que o capítulo 11 menciona os crentes do Antigo Testamento em geral, que marcharam à volta de Jericó, suportaram perseguições e foram elogiados pela sua fé; por isso, essa grande nuvem inclui todos os crentes que nos precederam e que agora estão no Céu.

P: Em Hebreus 12:1, que pesos é que nós, como cristãos, por vezes (ou frequentemente) precisamos de largar?

R: Estes incluem os pecados das nossas más ações, os pecados relacionados com aquilo em que escolhemos concentrar os nossos pensamentos e os pecados em que nos «opomos» a Deus e nos recusamos a fazer o que acreditamos que Deus deseja que façamos. Incluem também coisas que, por si só, não são más, mas que constituem distrações para nós. Podem ainda incluir relações que não são saudáveis para nós.

P: Em Hebreus 12:2, como é que Jesus conseguiu suportar a cruz, devido à alegria que Lhe estava reservada?

R: Isto não significa que a cruz fosse motivo de alegria, mas sim que Jesus a suportou por causa da alegria que Lhe estava reservada. A alegria residia no resultado iminente de nos proporcionar a salvação, para que pudéssemos ser reconciliados com Deus e viver com Ele no Céu para sempre.

Ao afirmar que existem outros caminhos para o Céu, uma pessoa está a dizer a Cristo que o Seu sacrifício foi desnecessário.

P: Em Hebreus 12:4, em que consiste aqui a luta contra o pecado?

R: A palavra grega para «luta», antagonizomai, pode referir-se a uma competição desportiva. Embora possa também referir-se à luta pessoal de um cristão contra o seu próprio pecado, o seu foco principal é provavelmente a perseguição por parte de pessoas pecadoras.

P: Em Hebreus 12:6-11, por que razão Deus utiliza este exemplo, uma vez que o castigo corporal é [supostamente] errado?

R: O castigo corporal (palmadas e afins) não é errado quando aplicado de forma adequada para o bem da criança, como demonstram Provérbios 13:24; 22:15 e 23:13-14.

Esta palavra não significa apenas disciplina, mas também instrução, correção e advertência, de acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 2203. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 810, afirma que a palavra significa literalmente «educação infantil».

P: Em Hebreus 12:8, qual é o significado da expressão «filhos legítimos» neste contexto?

R: Um pai pode não cuidar de um filho ilegítimo — quer seja da sua esposa, quer seja dele e de outra mulher — da mesma forma que cuidaria do seu filho legítimo, fruto de um casamento honroso. Na cultura romana, um filho ilegítimo não tinha direitos de herança.

P: Em Hebreus 12:7, 9-10, devem os pais assumir o papel principal na disciplina?

R: A Bíblia não dá qualquer ordem sobre qual dos pais deve fazer o quê, mas apresenta exemplos de pais em Hebreus 12:7, 9-10, 1 Timóteo 3:4, 12 e 1 Tessalonicenses 2:11. No entanto, Efésios 6:4 e Colossenses 3:21 advertem os pais, em particular, para que não exasperem os seus filhos. As mães tinham um papel na educação dos seus filhos, conforme se vê em Provérbios 31:1-9; 1 Timóteo 5:10; 1 Tessalonicenses 2:7. Ambos os pais devem colaborar, conforme indicado em Colossenses 3:20 e Efésios 6:1, embora 1 Coríntios 7:13-14 reconheça que podem existir situações familiares em que apenas a esposa cria os filhos no Senhor.

P: Em Hebreus 12:15 e Hebreus 12:25, de que forma é que as pessoas podem perder ou afastar-se da graça de Deus?

R: Os cristãos podem continuar a ser cristãos e desobedecer a Deus, mas não é isso que está aqui em causa, pois o texto refere «perder», em vez de simplesmente «ter menos bênçãos e recompensas». As pessoas podem ouvir o Evangelho e até acreditar intelectualmente e ser batizadas com água, tal como Simão, o Mago, em Atos 8:18-20. No entanto, conhecer a doutrina e frequentar a igreja não deve dar a uma pessoa qualquer garantia, se esta não estiver a obedecer a Cristo.

Veja a parábola dos quatro tipos de solo em Lucas 8:4-15. As plantas em três dos quatro solos germinaram, mas apenas um dos solos foi salvo para produzir alguma colheita.

Esaú é um exemplo triste e uma advertência. Cresceu a conhecer Deus, criado por pais que O conheciam, mas deixou escapar das suas mãos aquilo que poderia ter tido. Não fazia ideia da importância de escolher a sopa em vez do direito de primogenitura, até depois de a escolha ter sido feita.

P: Em Hebreus 12:15, como é que uma raiz amarga pode crescer e contaminar muitos?

R: Tanto os frequentadores da igreja que não nasceram de novo como os cristãos genuínos podem nutrir pequenos sentimentos de amargura para com si próprios, para com outras pessoas ou para com Deus. Se essa amargura não for tratada e entregue a Deus, então, tal como outros pecados, pode crescer como um cancro e afetar cada vez mais o coração de uma pessoa. Como Proverbos 4:23 aconselha num contexto diferente: «Acima de tudo, guarda o teu coração, pois dele brota a fonte da vida.»

P: Em Hebreus 12:17, por que razão rejeitaria Deus alguém que se arrepende?

R: Depende do tipo de arrependimento que a pessoa demonstra. Quase todos os criminosos condenados se arrependem de terem sido apanhados, e quase todos os que, por insensatez, perdem algo lamentam as consequências da sua insensatez. Esaú arrependeu-se com lágrimas pelo que perdeu, mas as Escrituras nunca dizem que ele se voltou para Deus. Esaú estava preocupado com a herança terrena, não com a bênção espiritual. Mateus 7:7-11, Hebreus 11:6 e Romanos 2:7 mostram que Deus recompensará aqueles que O procuram sinceramente.

P: Em Hebreus 12:18-21, por que razão Deus estava a tentar aterrorizar os israelitas no tempo de Moisés? E hoje em dia?

R: Deus ensina-nos muitas lições na Bíblia. Deus ensinou, de facto, a Abraão e a outros sobre o amor, a graça e a misericórdia no Antigo Testamento. No entanto, antes de Deus ensinar às pessoas tudo o que Ele lhes ensinou sobre o amor, a graça e a misericórdia no Novo Testamento, estas tiveram primeiro de compreender a justiça e a ira de Deus.

Infelizmente, muitos hoje em dia querem ouvir seletivamente apenas as partes da Bíblia que «soam bem». A misericórdia de Deus é ainda mais importante para nós quando vemos as consequências do nosso pecado.

Os cristãos podem nem sempre perceber que, quando tentam dizer aos outros como é maravilhoso que Jesus salve, os outros não compreendem verdadeiramente a mensagem se não perceberem do que são salvos, bem como para que são salvos.

P: Em Hebreus 12:24, de que forma o sangue de Jesus falou melhor do que o de Abel?

R: De acordo com Génesis 4:10, o sangue de Abel [metaforicamente] clamou da terra. Clamou por vingança. Mas o sangue de Jesus clama por perdão.

P: Em Hebreus 12:29 e Deuteronómio 4:24, o que significa «o nosso Deus é um fogo consumidor»?

R: O Salmo 50:3 diz que um fogo devora perante Deus quando Ele vem para julgar. O fogo é um fogo literal, mas também pode significar a ira de Deus contra o pecado.

P: Em Hebreus 13:1, por que razão o amor fraternal (philadelphia) de uma pessoa por vezes se esmorece?

R: Uma coisa é ter afeto por alguém, outra coisa é mantê-lo ao longo dos anos. Com o tempo, as pessoas podem tender a dar os outros como garantidos, a fixar-se nas suas falhas em vez de nos seus pontos positivos e a deixar de considerar precioso o tempo que passam com os seus amigos. Os amigos devem ser valorizados e as amizades precisam de ser cultivadas.

P: Em Hebreus 13:1, de que formas podemos continuar a manifestar o nosso amor fraternal para com os outros?

R: 1 Pedro 4:8 também nos exorta a ter um amor fervoroso uns pelos outros. Há muito a aprender com estas ordens diretas e positivas.

Ore por eles. Pergunte-lhes por que motivo pode orar por eles.

Seja paciente com eles.

Cuide deles e mostre-lhes que os valoriza mais do que a si próprio. (Filipenses 2:3 e seguintes).

Passe tempo com as pessoas, esteja presente para as ouvir, encorajá-las e, quando a ocasião surgir, aconselhá-las e ensiná-las.

Zelem pelos interesses deles (Filipenses 2:4) e ajudem-nos a desenvolver os seus dons e talentos.

Por vezes, terá de os ajudar financeiramente (Tiago 2:15-17).

Perdoe e não deixe que a raiva se interponha entre si e o seu amor por eles.

Peça perdão quando tiver errado, ou mesmo que elas simplesmente pensem que errou.

Além disso, quando tiver oportunidade com um bom amigo, poderá ter uma conversa para «definir a relação». Se for com uma pessoa do sexo oposto e não for uma relação romântica, seja muito claro quanto a isso. Pode gostar de estar com alguém, defendê-lo quando alguém o injustiça, mas não pecará por ele, incluindo mentir por ele ou encobrir os seus erros.

P: Em Hebreus 13:2, quais são algumas das razões pelas quais devemos ter amor pelos estrangeiros (philoxenia)?

R: Também nos é ordenado que sejamos hospitaleiros em Romanos 12:13; 1 Pedro 4:9 e 3 João 8. Uma vez que queremos tornar-nos aquilo que Deus deseja que sejamos, e Deus deseja que sejamos hospitaleiros, devemos regozijar-nos em ser hospitaleiros. Abraão recebeu anjos em Génesis 18:1-15 e Ló em Génesis 19. As viúvas foram elogiadas pela sua hospitalidade em 1 Timóteo 5:10. Os bispos devem ser hospitaleiros, conforme 1 Timóteo 3:2 e Tito 1:8. Publius de Malta foi muito hospitaleiro para com Paulo em Atos 28:7. Embora alguns cristãos possam ter, em especial, o dom da hospitalidade, todos os cristãos devem desejar ser hospitaleiros para com os outros.

P: Em Hebreus 13:2, de que outras formas podemos demonstrar hospitalidade para com os outros, para além de os convidarmos para a nossa casa?

R: Em primeiro lugar, avalie a situação. Dependendo do seu grau de adaptação e conforto, pode convidá-los para eventos, levá-los a jantar fora, convidá-los para a igreja, para a Escola Dominical e para o Estudo Bíblico e, em geral, convidá-los para realizar atividades. Se precisarem de um carro por um curto período de tempo e tiver um para emprestar, pode emprestá-lo-lhes. Se se tratar de uma pessoa do sexo oposto, talvez seja melhor convidar um grupo de pessoas para realizar atividades, em vez de apenas uma pessoa. Para além do seu «dever» de convidá-los para atividades, aprenda a desfrutar do tempo que passa com eles. Apresente-os a outras pessoas. Trate-os como gostaria que os outros o tratassem se fosse um estranho.

Para além do facto de Deus o ordenar, Deus pode usar a nossa obediência para nos fazer conhecer pessoas que Ele deseja que conheçamos, a fim de as ajudarmos. No entanto, o seu papel ao orientá-los de forma informal não é fomentar a dependência em relação a si, mas sim proporcionar um apoio temporário para que possam tornar-se rapidamente independentes. A sua amizade com eles, porém, pode perdurar.

Quando um recém-chegado chega à cidade, por vezes precisa de amigos e pode necessitar de conselhos e orientação sobre onde encontrar as melhores ofertas, como fazer certas coisas, etc. Pode convidá-los para celebrações festivas na sua casa ou fazer outras coisas para que se sintam bem-vindos.

Quando uma pessoa de outro país chega ao seu local de trabalho ou à sua cidade, por vezes pode precisar de conselhos sobre certos costumes. Normalmente, é melhor dar esses conselhos em privado, e não publicamente na presença de outras pessoas. Da mesma forma, se escreverem mal ou pronunciarem mal palavras, aquele momento pode não ser o ideal para as corrigir. Se elas quiserem que as corrija, pode fazê-lo em privado.

P: Em Hebreus 13:2, existem perigos em ser hospitaleiro para com os outros, e como equilibramos o perigo com a obediência ao mandamento de Deus aqui?

R: Sim. Por exemplo, se for de constituição física franzina e vir um auto-stopista a precisar de boleia, mesmo à saída de uma prisão, não deve dar-lhe boleia. Mas e se ele precisar genuinamente de ajuda? Deve contactar alguém que o possa ajudar – a polícia.

Por outro lado, uma vez vi um indiano bem vestido a caminhar junto a uma empresa de alta tecnologia, precisamente quando estava prestes a chover intensamente. Dei-lhe boleia e acabou por se revelar um engenheiro de telecomunicações que se dirigia ao mesmo hotel onde eu estava hospedado, a uma milha de distância. Teria sido terrível caminhar uma milha sob chuva forte, com roupa de boa qualidade e sem guarda-chuva.

Havia uma família cristã em Nova Jérsia, originária do Médio Oriente. Ofereceram um quarto a um homem que precisava dele. Foram todos assassinados e o homem desapareceu misteriosamente. Devemos ajudar os sem-abrigo, mas também devemos ser prudentes para proteger as nossas vidas e a nossa família. No entanto, nunca podemos ter a certeza de que estamos seguros ao oferecer hospitalidade. Nem nos tempos bíblicos era possível ter essa certeza, mas, mesmo assim, foi-lhes ordenado que fossem hospitaleiros.

Os cristãos devem ser amorosos e confiantes, mas também devem ser prudentes e ter discernimento. Por vezes, se houver de escolher entre não ser hospitaleiro, mas estar seguro, ou ser hospitaleiro e correr um grande risco, procure ver se existe uma terceira opção: ser hospitaleiro sem correr riscos excessivos.

P: Em Hebreus 13:3, como devemos demonstrar hospitalidade e lembrar-nos daqueles que acabaram de sair da prisão?

R: Demonstrar hospitalidade para com os prisioneiros deve ser considerado muito importante para Jesus, pois em Mateus 25:36, 39, 43-44, Jesus disse que as ovelhas à Sua direita visitaram os que estavam na prisão, e as cabras à Sua esquerda não o fizeram. Há, pelo menos, três coisas que podemos fazer.

Enquanto estiverem na prisão, podemos visitá-los, dar-lhes passagens das Escrituras, estudos bíblicos ou tudo o que precisarem. Pode escrever-lhes cartas. Faça-lhes saber que continuam a ser amados e valorizados, mesmo aqueles que cometeram erros. Devemos visitar especialmente aqueles que já conhecíamos, para que saibam que não foram esquecidos.

Enquanto estiverem longe de casa, podemos ajudar a cuidar, a gerir ou a vender tudo o que eles nos pedirem para fazer por eles.

Depois de saírem da prisão, podemos ajudá-los a integrar-se numa casa de reabilitação e a arranjar um local para viver, um emprego e uma boa igreja que acredite na Bíblia para frequentarem.

Devemos considerar a situação deles tão importante quanto a nossa, tal como sugere Filipenses 2:3-4. 1 Coríntios 12:26 diz que, se uma parte do corpo sofre, todas sofrem.

P: Em Hebreus 13:4, por que razão é importante manter puro o leito conjugal?

R: O facto de Deus o dizer é, por si só, razão suficiente. Além disso, quando não o faz, desonra o seu cônjuge e, mais importante ainda, a si próprio. Uma vez que espera que o seu cônjuge não tenha relações extraconjugais, também não o deve fazer. Não deve tomar o seu cônjuge como garantido. Da mesma forma, também não deve tomar como garantido o facto de dar um bom testemunho, nem de dar um bom exemplo aos seus filhos e aos outros.

O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 12, p. 147, afirma que, tanto no século I como no nosso, algumas pessoas consideravam que a castidade fora do casamento era uma exigência irracional. Este pensamento era (e é) uma mentira perversa.

Os cristãos devem ser ousados ao proclamar isto. De acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 2208, o bispo da Reforma Latimer ofereceu ao rei Henrique VIII uma Bíblia embrulhada com requinte. No embrulho estavam as palavras: «Deus julgará os imorais sexualmente e os adúlteros.»

P: Em Hebreus 13:5-6 e 1 Timóteo 6:10, o que precisamos de fazer hoje para nos afastarmos do amor ao dinheiro?

R: Para além de se tratar de um mandamento, devemos obedecer também para a nossa própria felicidade. Trata-se de um mandamento para todos, pois muitas pessoas, e não apenas as ricas, são consumidas pela busca da riqueza. O amor ao dinheiro pode enfraquecer o nosso amor por Deus e o nosso amor pelos outros. Se não tivermos cuidado, a ganância, o medo e a preocupação com a segurança podem parecer-nos mais importantes do que seguir a Deus. Mas Deus é a nossa medida de sucesso, o nosso defensor e a nossa segurança. Em Filipenses 4:11, Paulo disse que aprendeu a contentar-se tanto com dinheiro como sem ele.

Da mesma forma, alguns podem pensar que ter dinheiro os protege das outras pessoas. Mas o Salmo 118:6 diz que não devemos temer as pessoas, pois o Senhor é o meu ajudador. A ganância pode roubar-nos a alegria nesta vida e as recompensas celestiais na próxima.

P: Em Hebreus 13:7, até que ponto devemos imitar os nossos líderes na fé?

R: Em primeiro lugar, quem são os líderes e, em segundo lugar, o que devemos imitar.

Em primeiro lugar, esta palavra, noutra literatura grega, refere-se a príncipes e comandantes militares. A palavra inglesa «hegemony» deriva desta palavra grega, hegeomai. Os líderes cristãos, tanto oficiais como não oficiais, que nos guiam ou exercem autoridade sobre nós, devem ser bons exemplos.

Em segundo lugar, devemos seguir o seu exemplo. Devemos seguir o exemplo que estão a dar agora, mas imitar o resultado do seu modo de vida provavelmente significa que a vida deles já terminou. Devemos tentar compreendê-los e aprender com a sua vida e os seus ensinamentos. Por outro lado, todos têm pecados e falhas, e não devemos imitá-los.

Em terceiro lugar, podemos tentar compreender o que os motiva a servir bem a Deus e perguntar-nos se devemos ter a mesma motivação.

P: Em Hebreus 13:8, uma vez que Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, como é que Ele se esvaziou de si mesmo para vir à Terra, tal como ensina Filipenses 2:5-7?

R: Jesus era o mesmo de duas formas.

1. Jesus continuou a ser Ele próprio, antes, durante e depois de estar na Terra. Isto também ilustra um ponto sobre a Trindade. A Trindade não é algo temporário, que acabará por se dissolver numa unidade total. Uma vez que Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8), eles serão sempre uma Trindade.

2. Mesmo no que diz respeito aos atributos divinos dos quais Jesus se esvaziou temporária e voluntariamente, Hebreus 13:8 refere-se a ontem (antes de vir à Terra), hoje (após a Sua ascensão) e para sempre (toda a eternidade futura). Isso não exclui que Jesus se tenha esvaziado de alguns atributos por um curto período de tempo.

P: Em Hebreus 13:9, qual é o fascínio dos ensinamentos estranhos/estrangeiros?

R: O termo para «muitos» aqui, poikilais, significa multicolorido, como uma peça de vestuário feita de retalhos. Isto não se refere ao judaísmo, mas sim a religiões novas e misteriosas, quer sejam religiões de mistério, quer, profeticamente, aos muitos grupos gnósticos. Pode também referir-se a um compromisso estranho com o judaísmo, que os ebionitas seguiam. Hoje em dia, as pessoas podem sentir-se atraídas por uma mistura de cristianismo com algo mais, ou por coisas que afirmam ser, pelo menos em parte, cristãs, mas que, na realidade, não são de todo cristãs.

Tanto naquela época como hoje, as pessoas podem sentir uma curiosidade infundada em relação a tudo o que é diferente. Se alguém acredita que algo é absurdo, pode querer aprender certas coisas para refutar os seus erros, levá-las a Cristo e defender o rebanho e os outros dos seus ensinamentos. Mas, para além disso, não há necessidade de saber.

P: Em Hebreus 13:12, como responderia à crítica de que o cristianismo é uma religião sangrenta?

R: Culpado das acusações; trata-se de um ensinamento fundamental do cristianismo. Algumas pessoas podem não gostar disso, mas Deus não pediu a nossa opinião. O ensinamento de Deus nas escrituras do Antigo Testamento enfatiza os sacrifícios de sangue animal. O ensinamento de Deus nas escrituras do Novo Testamento enfatiza Jesus a derramar o Seu sangue na cruz para morrer pelos nossos pecados e ressuscitar. Portanto, um cristianismo sem sangue não é, de forma alguma, um cristianismo genuíno. 1 Coríntios 15:1-6 afirma mesmo que, se não acreditar que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos, a sua fé é vã.

P: Em Hebreus 13:15, como é que hoje oferecemos continuamente a Deus um sacrifício de louvor?

R: Podemos oferecer as nossas vidas a Deus como sacrifício de muitas formas, mas isto refere-se especificamente a um sacrifício de louvor. A nossa vida deve ser um grande «Louvado seja Deus!». O que as pessoas ouvem dos nossos lábios não deve ser amargura, maldições, queixas ou palavrões, mas louvor a Deus. Não é apenas o que faz que é importante, mas a sua atitude ao fazê-lo, e as pessoas perceberão a sua atitude pelas suas palavras. Podemos louvar a Deus com as palavras que dirigimos a Ele e aos outros, mas também podemos louvar a Deus com as coisas negativas que nos abstemos de dizer. Sim, podemos louvar a Deus com as palavras que saem da nossa boca durante o culto na igreja, mas também podemos louvar a Deus com as palavras que saem da nossa boca quando estamos presos num trânsito intenso.

Oséias 14:1-3 diz: «Ó Israel, volta para o Senhor, teu Deus, pois tropeçaste por causa da tua iniquidade: leva contigo palavras e volta para o Senhor. Diz-Lhe: “Tira toda a iniquidade; recebe-nos com benevolência, pois ofereceremos os sacrifícios dos nossos lábios.”»

P: Em Hebreus 13:17 e 1 Pedro 5:2-4, como devemos obedecer aos nossos líderes?

R: Obedecemos-lhes na medida em que ordenem o que as Escrituras dizem, ou, pelo menos, não vão contra as Escrituras. É claro que a nossa autoridade suprema é o próprio Deus, mas podemos aprender sobre Ele através do que Ele revelou. Ele deu a Sua Palavra sem erro. Outros crentes também podem falar a verdade, mas podem igualmente proferir erros. É por isso que as Escrituras são a nossa principal autoridade.

No entanto, as Escrituras reveladas por Deus, das quais provém a nossa autoridade, afirmam que os anciãos têm autoridade sobre a igreja. Assim, estabelecem também uma autoridade para os líderes piedosos. Devemos obedecer aos nossos líderes apenas na medida em que estes seguem Cristo. Alguém disse uma vez que é insensato não orar pelos líderes a quem se deve obedecer.

É algo nobre que qualquer pessoa deseje ser supervisor na igreja (1 Timóteo 3:1). Um líder da igreja deve ter boa reputação (1 Timóteo 3:2, 8). Deve ser respeitável, e devemos prestar-lhe o nosso respeito (1 Tessalonicenses 5:12-13; 1 Timóteo 5:17). Não dêem crédito a uma acusação contra um ancião, a menos que haja duas ou três testemunhas (1 Timóteo 5:19); mas, nesse caso, repreendam publicamente (e expulsem) os anciãos se a acusação for verdadeira (1 Timóteo 5:20).

P: Uma vez que Hebreus 13:17 afirma que os nossos líderes têm autoridade sobre nós, o que dizer então da «sola scriptura»?

R: «Sola scriptura» significa que apenas as Escrituras são a nossa autoridade. As Escrituras ensinam-nos que Deus e a Sua Palavra são a nossa autoridade suprema. No entanto, as Escrituras de Deus afirmam que os nossos líderes piedosos constituem também uma autoridade de segundo plano. Certa vez, troquei e-mails com um irmão cristão em África, que se recusava a ler quaisquer livros ou folhetos religiosos, com exceção da Bíblia. Embora isso o impedisse de ser enganado por muitos ensinamentos falsos, ele estava a isolar-se de muitas reflexões sábias que outros irmãos e irmãs no Senhor tinham escrito. Estas poderiam tê-lo ajudado a crescer, bem como a defender a fé. Assim, num certo sentido, os cristãos não devem seguir a «sola scriptura», como este senhor fazia, mas sim a «primo scriptura»: a Palavra de Deus é a nossa autoridade máxima, porque estas são as palavras de Deus.

Mas e quanto aos líderes que não são piedosos? Não devemos ter nada a ver com pessoas ímpias, sejam elas líderes ou não, conforme 2 Timóteo 3:1-5. Quando algumas pessoas dizem «sola scriptura» (apenas as Escrituras), podem na verdade querer dizer «primo scriptura», mas trata-se, de certa forma, de uma simplificação. Eis um panorama mais completo.

A nossa autoridade suprema é Deus e apenas Deus. No entanto, muitas pessoas podem afirmar que Deus lhes disse muitas coisas. Como podemos ter a certeza do que Deus disse? Só podemos saber com base no que disseram as pessoas que Ele designou. Efésios 2:20 afirma que a igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo o próprio Cristo Jesus como pedra angular. Assim, sob a orientação de Deus, devemos consultar os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento. Assim, foram realmente o Antigo Testamento e os apóstolos que constituíram a autoridade durante os primeiros 20 a 40 anos da Igreja. Mas, uma vez que a era dos profetas do Antigo Testamento chegou ao fim e o tempo dos apóstolos do Novo Testamento já passou, podemos saber através dos escritos que eles nos deixaram. Daí a «sola scriptura».

Muitos reivindicaram uma autoridade igual à dos apóstolos, como os papas, mas, uma vez que as suas palavras contradiziam o que estava nas Escrituras, além de se contradizerem entre si, muitos eram impostores.

Se alguém contestar que muitos eram porta-vozes impostores de Deus, peça-lhe que justifique o seguinte:

Zefirino (199-217) — sabeliano e defensor dos sabelianos, segundo Hipólito

Calisto I (218-222) — sabeliano e defensor dos sabelianos, falsificando a verdade, segundo Caio e Hipólito

Estêvão VI (896-897): sínodo do cadáver. Cortou os dedos do cadáver do Papa Formoso. Foi posteriormente assassinado.

Inocêncio III tornou possível a futura criação dos Estados Pontifícios. Condenou a Magna Carta inglesa.

Sérgio III (904-911) — Marózia era a sua amante. Alegadamente, foi o pai do Papa João XI

Bento IX (1032-1044, 1045, 1047-1048): imoralidade sexual. Vendeu o papado e abdicou.

Celestino V (1294-1294 ou 1296-1296) Quase todos os seus atos oficiais foram anulados pelo seu sucessor, o implacável Bonifácio VIII. Celestino foi assassinado após a sua renúncia. Bonifácio ordenou uma cruzada contra a família Colonna.

Bonifácio VIII (1294-1303) esteve envolvido em muitas guerras. Escreveu a bula «Unam Sanctam». Morreu de «desânimo» pouco depois da sua prisão.

(Um facto positivo) Bento XI (1303-1304) revogou a bula papal «Unam Sanctam», de 1302, de Bonifácio VIII.

Urbano VI (1378-1389) afirmou que não ouvia gritos suficientes quando alguns eram torturados

Sisto IV (1471-1484) Nepotismo: nomeou três sobrinhos, um sobrinho-neto e outro parente como cardeais. Bula papal «Exigit Sincerae Devotionis Affectus» para alargar a Inquisição espanhola a Castela. Mandou os venezianos atacar a cidade de Ferrara, em prol de um sobrinho. Vendeu cargos e privilégios em troca de dinheiro. Promoveu a Imaculada Conceição. Confirmou as bulas de Nicolau V que autorizavam os portugueses a escravizar os não-cristãos.

Inocêncio VIII (1484-1492) Nomeou Torquemada como inquisidor. Apoiou a queima de bruxas na bula papal Summis desiderantes affectibus (1484)

Alexandre VI (1492-1503) – Nepotismo. Ganhou 25 000 ducados ao permitir que o rei da Hungria se divorciasse da sua esposa. Permitiu que Carlos VIII de França se casasse com alguém que estava prometida a outro, porque a França era mais útil para o papado.

P: Em Hebreus 13:20-21, de que forma Deus nos dota de tudo o que é bom para cumprirmos a Sua vontade?

R: À medida que servimos a Deus, Ele está a equipar-nos para O servirmos melhor e de forma mais eficaz. Deus também nos equipa para trabalharmos com os outros. É claro que, se uma pessoa não estiver de todo a tentar servir a Deus, então não haveria necessidade de dons adicionais para O servir melhor.

Há aqui também um segundo aspeto. A palavra grega utilizada neste contexto, «katartizo», pode igualmente significar «reparar o que está partido», de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 12, p. 155. Não precisamos apenas que Deus nos conceda os dons e as capacidades para O servir; precisamos também que Ele remova os impedimentos, as limitações e os obstáculos. À medida que servimos a Deus, Ele pode «reparar-nos» para que O sirvamos melhor.

Deus dá-nos o que precisamos. No entanto, parece que Deus NÃO dá sempre a um crente individual tudo o que esse crente precisa. Pelo contrário, Deus dá coisas diferentes a pessoas diferentes, e a abundância que um crente possui tem como finalidade ser dada a outro que dela carece; assim, só ao ajudarmo-nos uns aos outros é que cada um de nós obtém tudo o que precisa, tal como ensina 2 Coríntios 8:13-15.

P: Em Hebreus 13:23, que aspeto singular nos revela isto sobre Timóteo?

R: Embora a palavra «libertado» possa significar «iniciar uma viagem», como em Atos 13:3; 28:25, aqui significa muito provavelmente «libertado da prisão», de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 12, p. 157. O «Evangelical Commentary on the Bible», p. 1149, também afirma que isto se refere ao facto de Timóteo ter estado preso.

P: Em Hebreus 13:24, de que formas podemos saudar especialmente os santos hoje em dia?

R: Na igreja, no trabalho e na vida, reconheça os outros crentes e faça com que se sintam bem-vindos e entre amigos. Mostre que se preocupa genuinamente com eles. Trate-os com justiça, demonstre que os ama e que deseja estar na companhia deles. Afinal, se vai estar com essas pessoas para sempre no Céu, mais vale conhecê-las um pouco melhor já agora.

P: Em Hebreus, como sabemos se o que temos hoje é uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?

R: Em termos gerais, antes de 325 d.C., os manuscritos bíblicos e os primeiros escritores cristãos citavam 94% do Livro de Hebreus. Isso corresponde a todos os versículos, exceto 18,3 dos 303 versículos. Consulte para mais informações. Analisando a questão em pormenor, existem três respostas complementares.

1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.

2. Evidência da Igreja primitiva. Estes 13 autores citaram 40,5% do Livro de Hebreus, contando os versículos fracionários como frações. Isso corresponde a 122,8 de um total de 303 versículos. Consulte para obter todos os detalhes. Apresentam-se a seguir os autores pré-nicenos que fizeram referência a versículos de Hebreus, seguidos pelos autores posteriores.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) refere-se aos 14 versículos da Epístola aos Hebreus, embora não indique que sejam provenientes deste livro: Hebreus 1:3-5,7; 3:2,5; 6:18b; 10:37; 11:5,17,31,37; 12:6; 13:17. O índice do volume 1 dos Pais Ante-Nicenos também menciona Hebreus 12:1, mas existe apenas uma frase em comum.

A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), cap. 6, p. 141, cita Hebreus2:12 (ver também Salmo22:23 ).

O «Pastor de Hermas» (c. 115-155 d.C.), livro 1, visão 4, cap. 10, p. 16, cita um quarto de Hebreus 13:17.

Melito de Sardes (170-180 d.C.) cita a Epístola aos Hebreus. «Oração sobre a Paixão do Senhor», cap. 9, p. 760-761

Irineu (182-188 d.C.) refere-se, em seis ocasiões, a oito versículos da Epístola aos Hebreus

Irineu (182-188 d.C.) cita Hebreus 13:15b como sendo de Paulo. Fragmento 37 de Irineu, p. 575

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) menciona a Epístola aos Hebreus como sendo de Paulo.

Tertuliano cita Hebreus 7:1-3 para discutir Cristo e Melquisedeque em «Contra Todas as Heresias», cap. 8, p. 654.

Tertuliano (198-220 d.C.) considerava que a Epístola aos Hebreus tinha sido escrita por Barnabé, em «Sobre a Modéstia», cap. 20, p. 97

Hipólito apresenta uma citação de 5/23 da Epístola aos Hebreus7:21 : «O Senhor jurou e não mudará de opinião» (5 de 23 palavras gregas). «A Refutação de Todas as Heresias», livro 5, cap. 19, p. 69. O mesmo ocorre em «A Refutação de Todas as Heresias», livro 5, cap. 22, p. 73.

Orígenes (225-254 d.C.) cita Hebreus 6:7,8 no que diz respeito aos hebreus. «De Principiis», livro 3, cap. 1.10 (grego), p. 310

Orígenes (225-254 d.C.) cita Hebreus 1:1,2 dizendo: «Paulo diz na Epístola aos Hebreus». Comentário de Orígenes sobre João, livro 2, cap. 6, p. 328

O «Tratado Contra Novaciano» (254-256 d.C.) cita Hebreus como Escritura.

Cipriano de Cartago alude a Hebreus 12:6: «Pois o Senhor castiga aquele que ama», na Carta 7.5, p. 286

Adamantio (c. 300 d.C.) cita parte de Hebreus 10:1 como sendo do apóstolo no *Diálogo sobre a Verdadeira Fé*, quinta parte, n.º 5, p. 153

Metódio (270-311/312 d.C.) faz alusão a Hebreus 11:10. «O Banquete das Dez Virgens», Discurso 5, cap. 7, p. 328

Atanásio (318 d.C.) cita Hebreus 11:3 como sendo de Paulo. «A Encarnação do Verbo», cap. 3, p. 37

Atanásio (318 d.C.) cita Hebreus 2:9 em «A Encarnação do Verbo», cap. 10, p. 41

Lactâncio (c. 303-320/325 d.C.) alude a Hebreus 8:13, afirmando que o Antigo Testamento dado por Moisés não era perfeito. «As Instituições Divinas», livro 4, cap. 20, p. 123

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) cita na íntegra Hebreus 13:8 como sendo do apóstolo. «Epístolas sobre a Heresia Ariana», Carta 2, cap. 3, p. 298.

Após Nicéia

«História Eclesiástica», de Eusébio (323-326 d.C.), livro 3, cap. 3, p. 134 (implícito). Ele afirma: «As catorze epístolas de Paulo são bem conhecidas e incontestáveis.» Em seguida, refere que há quem conteste se Paulo escreveu ou não a Epístola aos Hebreus. Afirma ainda, no livro 3, cap. 25, p. 155, que as cartas de Paulo fazem parte das Escrituras. «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 155.

Asterius, o Sofista (após 341 d.C.)

Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), cita Êxodo 3:6. «Demonstrações Selecionadas», demonstração 22.2, p. 401

Acácio de Cesareia (c. 366 d.C.)

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.)

Atanásio (367 d.C.) enumera os livros do Novo Testamento na «Carta Festiva» n.º 39, p. 552

A «Synopsis Scripturae Sacrae» (350-370 d.C. ou século V) menciona a Epístola aos Hebreus como parte do Novo Testamento. Cita Hebreus 1:1-2a.

Efraim, o Sírio (373 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378 d.C.) cita a Epístola aos Hebreus

Faustino (380 d.C.)

Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), o cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, estabelece que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.

Ambrosiaster (c. 384 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) cita a Epístola aos Hebreus na p. 76

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)

Gregório de Elvira (após 392 d.C.)

Anfilóquio (antes de 394 d.C.) «Iambi ad Seleucum»

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) menciona a «Epístola aos Hebreus» como sendo de Paulo em Contra Eunómio, livro 6, cap. 2, p. 184

Dídimo, o Cego (398 d.C.), cita Hebreus 11:10 como sendo de Paulo. Comentário sobre Zacarias 12, pp. 292-293

O cismático Lúcifer de Cagliari, na Sardenha (361-c. 399 d.C.), refere-se a Hebreus 3:6.

Livro Sírio dos Degraus (Liber Graduum) (350-400 d.C.)

Catálogo sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.)

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona Filemom, Hebreus, duas cartas a Timóteo, Tito, Romanos, Gálatas, Filipenses e Efésios. O Panarion, secção 3, dos escolios 1 e 5, p. 334

Rufino (374-406 d.C.)

João Crisóstomo (392-407 d.C.) redigiu 33 sermões sobre a Epístola aos Hebreus.

João Crisóstomo (406 d.C.) escreveu comentários sobre João, Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Colossenses, Filipenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemom e Hebreus.

Severiano (após 408 d.C.)

Jerónimo (373-420 d.C.) analisa os livros do Novo Testamento. Menciona especificamente cada um dos quatro evangelhos, as cartas de Paulo às sete igrejas, a Epístola aos Hebreus, as cartas de Paulo a Timóteo, a Tito e a Filemão. Jerónimo analisa, em seguida, os Atos dos Apóstolos. Depois, analisa as sete epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. Por fim, aborda o Apocalipse de João. Carta 53, cap. 9, p. 101-102.

João Cassiano (419-430 d.C.) refere-se a Hebreus 13:8 como sendo do Apóstolo, na obra «Sete Livros», livro 5.6, p. 584, e a Hebreus 12:22,23 como sendo do Apóstolo, na «Primeira Conferência do Abade Moisés», cap. 14, p. 302

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.)

Nilo (c. 430 d.C.)

Polícronio (c. 430 d.C.)

Marco de Eremita (após 430 d.C.)

Concílio de Éfeso contra os nestorianos (200 bispos) (junho-setembro de 431 d.C.)

Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)

Cirilo de Alexandria (444 d.C.)

Hesíquio de Jerusalém (-450 d.C.) refere-se a Hebreus 3:6

Varimadum (445/480 d.C.)

Proclo (412-485 d.C.)

Macário/Simeão (século IV ou V)

Ainda hoje dispomos destes.

A título de nota adicional, o Cânone Muratoriano (170-210 d.C.) não incluía a Epístola de Tiago, a Epístola aos Hebreus, as Primeira e Segunda Epístolas de Pedro, nem a Terceira Epístola de João.

3. Testemunhos de hereges e outros escritores.

O herege Prisciliano (385 d.C.) refere-se a Hebreus 3:6

O herege Pelágio (416-418 d.C.)

O «Bazar de Heracleides», de Nestório (451/452 d.C.), refere-se a Hebreus 3:2

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) alude a Hebreus 7:11 como sendo do abençoado Paulo. Comentário sobre Oséias, cap. 24, p. 56, e a Hebreus 9:13 como sendo de Paulo no Comentário sobre Jonas, prefácio, p. 187

4. Os manuscritos mais antigos de que dispomos da Epístola aos Hebreus revelam pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo. Os cinco manuscritos da Epístola aos Hebreus existentes até ao Concílio de Nicéia I (325 d.C.) citam 93,4% do texto da Epístola aos Hebreus. Isto corresponde a todos os versículos, com exceção de 20, de um total de 303 versículos. Consulte para obter todos os detalhes.

p. 12 (285-300 d.C.) Hebreus 1:1

Final do século III – 1968 – O Texto do Novo Testamento.

Final do século III — 1998 — Aland et al., quarta edição revista

O p13 (= papiro de Oxirrinco 657) contém Hebreus 2:14-5:5; 10:8-22; 10:29-11:13; 11:28b-12:17 (c. 225-250 d.C.). Encontra-se uma fotografia de parte deste manuscrito em *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, p. 74. Na p. 75, refere-se que, de um total de 88 unidades de variação, o p13 e o p46 apresentam 71 concordâncias e apenas 17 discordâncias.

Século IV – 1902-1903 – Grenfell e Hunt, de acordo com *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, p. 73. Na p. 17, afirma-se que Grenfell e Hunt hesitaram em datar QUALQUER manuscrito do Novo Testamento anterior ao século III, apesar de terem referido que a caligrafia pertencia ao final do século I ou ao século II.

Séculos III/IV, talvez a primeira metade do século IV — 1968 — «The Text of the New Testament» também inclui 11:14-28a, mas «The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts», p. 74, refere que esta passagem está em falta devido à perda de uma coluna.

Séculos III/IV — 1975 — Aland et al., terceira edição

Séculos III/IV — 1998 — Aland et al., quarta edição revista

200-250 d.C. — outros

(225-250 d.C.) — 1999 — *O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento*, p. 73. Comfort e Barrett, na p. 73, afirmam que, com base numa caligrafia muito semelhante à do Papiro de Oxirrinco 852 (175-225 d.C.), existem muitas semelhanças com o Papiro de Oxirrinco 2635 (c. 200 d.C.). A datação não é, contudo, anterior a 225 d.C., uma vez que se encontra escrito no verso do Papiro 657 (parte do Epítome da História de Roma, de Lívio), e este data do século III.

p. 17 Hb 9,12-19 (final do século III)

Século IV — 1968 — O Texto do Novo Testamento.

p. 46 Chester Beatty II, c. 200 d.C. 300 dos 303 versículos (99%) da Epístola aos Hebreus. Mais concretamente, contém Hebreus 1:1-9:16; 9:18-10:20; 10:22-30; 10:32-13:25 e outras partes das cartas de Paulo. A obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento» apresenta uma fotografia de parte do p. 46 na p. 192. Indica ainda, nas pp. 197-198, que a qualidade e as marcas estichiométricas revelam que este manuscrito foi redigido por um escriba profissional.

c. 200 d.C. – 1968 – «O Texto do Novo Testamento».

Por volta de 200 d.C. – 1975 – Aland et al., terceira edição

Por volta de 200 d.C. – 1998 – Aland et al., quarta edição revista

p. 114 (= papiro Oxirrinco 4498) Hebreus 1:7-12 (século III)

Após o Concílio de Nicéia I (325 d.C.)

p. 89 Hebreus 6:7-9, 15-17 (século IV)

Cirilo de Jerusalém, 386 d.C. Crisóstomo, 407 d.C.

O Vaticanus (325-350 d.C.) contém toda a Epístola aos Hebreus, exceto Hebreus 9:14-13:25, de acordo com os Paralelos dos Evangelhos.

O Sinaítico [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrino [A] (c. 450 d.C.) contêm toda a Epístola aos Hebreus.

Copta boairico [Boh] século III/IV

Copta de Fayyum [Fay] do século III/IV

Copta sahídico [Sah] século III/IV

Siríaco da Peshitta [Syr P] 375-400 d.C.

Efraemiano Rescriptus [C] século V

Arménio [Arm] a partir do século V

Georgiano [Geo] a partir do século V

Bezae Cantabrigiensis [D] século V ou VI

Washington, século V

Etíope [Eth] de c. 500 d.C.

p. 116 (= papiro Vindobonensis G 42417 (Viena)) Hebreus 2:9-11; 3:3-6 (século VI)

Wolfenbüttel, século VI

p. 79 Hebreus 10:10-12, 28-30 (século VII)

Consulte para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos da Epístola aos Hebreus.