< Pergunta bíblica sobre Judas

 

P: Em Judas 1, quem é Judas?

R: Judas é irmão de Tiago. Havia mais do que um Tiago, mas o Tiago aqui referido e Judas eram provavelmente meio-irmãos de Jesus. Outras possibilidades são o apóstolo Judas (não o Iscariotes) e Judas, um líder em Jerusalém que foi enviado com Paulo, Barnabé e Silas em Atos15:22 .

 

P: Em Judas 1, quais são as semelhanças e diferenças entre este livro e 2 Pedro?

R: Semelhanças:

1. «Servo de Jesus Cristo» em 2 Pedro 1:1 e Judas 1

2. Salvação comum em 2 Pedro 1 e Judas 3

3. «Amados» (4 vezes em 2 Pedro e 3 vezes em Judas)

4. Utilização da palavra grega invulgar (despotes) em 2 Pedro 2:1 e Judas 4.

5. Calúnia contra seres gloriosos em 2 Pedro 2:10 e Judas 8

6. Sodoma e Gomorra em 2 Pedro 2:6-9 e Judas 7

7. O julgamento vindouro de Cristo em 2 Pedro 3:7, 10, 12-14 e Judas 13-15, 21

8. Conclusões semelhantes: «tanto agora como até ao dia da eternidade. Amém» em 2 Pedro3:18 , e «agora e para toda a eternidade. Amém» em Judas 25

Diferenças:

1. Nos pontos em que apresentam semelhanças, 2 Pedro geralmente entra em mais pormenores, sendo a exceção os seres gloriosos.

2. Apóstolo em 2 Pedro 1:1 vs. irmão de Tiago em Judas 1

3. Graça e paz por meio do conhecimento (2 Pedro 1:2) vs. misericórdia, paz e amor (Judas 2)

4. Extensão: 2 Pedro tem o dobro da extensão de Judas (937 palavras contra 458 palavras em grego).

5. Temas adicionais: por exemplo, 2 Pedro 3:15-16 menciona Paulo.

6. Judas utiliza metáforas muito coloridas

7. 2 Pedro apresenta exemplos adicionais sobre Noé e cães.

8. Duas referências apócrifas em Judas

9. A luta pela fé na Epístola de Judas versus a fuga da corrupção na 2.ª Epístola de Pedro.

10. Judas 7,13 enfatizam a eternidade, enquanto 2 Pedro 3:3-8,12 enfatiza o tempo.

11. Enquanto a Epístola de Judas é muito sucinta, a Segunda Epístola de Pedro está redigida de forma a proteger as pessoas contra a crença no «calvinismo rigorista». Exemplos disso são: «não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento» (2.ª Carta de Pedro 3:9), «negando o Senhor que os comprou» (2.ª Carta de Pedro 2:1) e aqueles que escapam à corrupção do mundo e voltam a ficar enredados (2.ª Carta de Pedro2:19 -22).

Resumo: As diferenças e semelhanças podem ser explicadas por dois homens com estilos ligeiramente diferentes, que muito provavelmente conversaram entre si e escreveram numa época semelhante sobre problemas semelhantes, tendo Pedro escrito uma carta mais extensa.

 

P: O cético Bart Ehrman escreve: «É difícil acreditar que estas duas cartas [Tiago e Judas] possam ter sido escritas por dois camponeses de classe baixa da Galileia, falantes de aramaico (cujo irmão mais famoso [Jesus] não se sabe que fosse capaz de escrever, muito menos de redigir um tratado complexo em grego).» Jesus, Interrupted, p. 134-135

Noutro local, Ehrman escreve: «Temos algumas informações sobre o que significava ser um camponês de classe baixa nas zonas rurais da Palestina no século I. Uma coisa que isso significava era que se era quase certamente analfabeto. O próprio Jesus era altamente excecional, na medida em que evidentemente sabia ler (Lucas4:16 -20), mas não há nada que indique que soubesse escrever… Quantos sabiam ler? O analfabetismo era generalizado em todo o Império Romano. Na melhor das hipóteses, talvez 10 por cento da população fosse mais ou menos alfabetizada. E esses 10 por cento seriam as classes ociosas… Nada nos Evangelhos ou nos Atos indica que os seguidores de Jesus soubessem ler, muito menos escrever. De facto, há um relato nos Atos em que se diz que Pedro e João eram «analfabetos» (Atos4:13 ) — a palavra antiga para analfabeto.» (Jesus, Interrupted, pp. 105-106). Também em Lost Christianities, p. 203.

R: Ehrman afirma isto porque não acredita que o povo da Galileia falasse grego. Isto apesar de terem grego nas suas moedas e de estarem rodeados por três lados por regiões de língua grega. Existem pelo menos quatro linhas de raciocínio que indicam que Ehrman está errado.

1. Proximidade de Cafarnaum e da Fenícia: Nazaré, onde Jesus foi criado, ficava a cerca de 15 milhas da Fenícia numa direção e a apenas cerca de 20 milhas de Cafarnaum, onde viviam muitos falantes de grego. A Galileia era delimitada a oeste, norte e leste por regiões de língua grega. A leste da Galileia situava-se «a Decápolis», que em grego significa «dez cidades». O endemoninhado de Gerasa vivia nessa zona. Os povos de língua grega que ali viviam criavam (e, por conseguinte, também consumiam) rebanhos de porcos. Jesus pregou nessa zona quando atravessou o Mar da Galileia. É certo que falava grego quando lhes pregava.

2. Moedas da Galileia: O texto que se segue é extraído da obra *Greco-Roman Culture and the Galilee of Jesus*, de Mark A. Chancey (Cambridge University Press, 2005). O autor afirma que, ao analisar as moedas da Galileia, «as inscrições eram geralmente em grego, embora algumas moedas encontradas na Palestina apresentem inscrições em hebraico». (p. 168) … «Outra característica que diferenciava as moedas hasmoneias era a sua utilização limitada do grego. Caracteres e monogramas gregos, cujos significados são obscuros, encontram-se em certas moedas de Hircano I. A maioria das suas moedas, no entanto, utiliza uma escrita hebraica que já era antiga na época do seu reinado;» (ibid., p. 169) … «pelo menos uma moeda de Agripa II foi provavelmente cunhada na Galileia, como se reflete na palavra grega “Tiberíades”, rodeada por uma coroa de folhas, no seu reverso. No anverso, encontra-se a imagem de um ramo de palmeira e a inscrição … [em grego] “Rei Agripa, Vitória do Imperador”». (ibid., p. 183)

3. A alfabetização no Império Romano não é relevante: Ehrman esquece-se de que a percentagem de pessoas no Império Romano (Espanha, Grã-Bretanha, Alemanha, etc.) que não sabiam ler é irrelevante; o que importa é a percentagem de pessoas instruídas entre os judeus da Judeia e da Galileia. Os judeus possuíam um nível de instrução muito superior ao da maioria dos outros povos do Império Romano. O facto de o Sinédrio ter acusado Pedro e João de serem incultos não significa que assim fosse.

4. Alfabetização na Palestina: A título de nota à margem, em Deir Alla, no Vale do Jordão, os arqueólogos encontraram um exercício de escrita de um aluno que mencionava Balaão, filho de Beor, por três vezes. Este foi datado por radiocarbono em 800/760 a.C.

 

P: Em Judas 3, terá Judas escrito outra carta sobre a nossa salvação comum?

R: Judas tencionava escrever um determinado tipo de carta, mas depois mudou de ideias. A palavra grega traduzida por «lutar com fervor» é aquela de onde deriva a nossa palavra «agonizar». Não há provas, a favor ou contra, de que Judas tenha escrito uma segunda carta mais tarde. Se o fez, Deus não era obrigado a garantir a sua preservação; Deus podia preservar quaisquer cartas que desejasse.

Além disso, a frase aqui não implica de forma alguma que Judas tivesse de escrever uma segunda carta. Significa simplesmente que Judas teria preferido escrever, em vez disso, sobre quão grandiosa era a nossa salvação comum, e que lamentava que houvesse necessidade deste tipo de carta.

Como nota à parte, quando criticamos (de forma adequada e legítima) outros crentes, tal como Judas fez, devemos seguir o exemplo de Judas e fazê-lo com preocupação e pesar pelo facto de a situação ser tal que a repreensão se torna necessária.

 

P: Em Judas 3, até que ponto devemos limitar-nos a partilhar sobre a fé, em vez de lutar pela fé contra as heresias?

R: Depende realmente da situação imediata e da cultura geral. Judas preferia partilhar sobre a fé, mas sentiu a necessidade urgente de mudar de abordagem, talvez com base no que tinha ouvido. Por vezes, precisamos de mudar urgentemente de abordagem e abordar o ensino dos lobos que atacam a igreja. Quando não há urgência, devemos, ainda assim, ministrar algum ensino para defender o rebanho. Mas, em geral, na maioria das vezes, devemos ser como Judas e preferir partilhar sobre a nossa salvação comum.

 

P: Em Judas 4-10, como é que pessoas que eram libertinas, se entregavam a desejos antinaturais, corrompiam a carne, se entregavam a farras e seguiam paixões ímpias conseguiram apanhar a congregação de surpresa?

R: As pessoas podem agir em segredo. Judas não afirma que elas tenham praticado qualquer uma dessas coisas durante as reuniões de adoração. Pelo contrário, praticavam-nas sem o conhecimento dos membros da congregação, ou podem até ter tentado desviar alguns outros membros da congregação, e, mesmo assim, continuavam a ser toleradas. Pior ainda, alguns apóstatas que precisam de ser desmascarados são líderes na igreja.

 

P: Em Judas 5, qual foi o sentido de salvar os israelitas do Egito e, em seguida, destruir a maioria deles?

R: Há três pontos a considerar na resposta.

1) As pessoas podiam optar por seguir Moisés ou não. De facto, uma multidão mista, incluindo não-israelitas, seguiu-os em Êxodo 12:38.

2) O povo começou por se mostrar disposto a partir e a seguir Deus e Moisés, mas depois mudou de ideias e desejou estar de volta ao Egito, em Êxodo 16:3.

3) Devemos aprender que, tal como eles, não adianta nada partir na direção certa se nos desviarmos e quisermos regressar ao ponto de partida.

 

P: Em Judas 6, quem são os anjos acorrentados a que Judas se refere?

R: Trata-se dos anjos caídos, que se encontram atualmente acorrentados. Existem três pontos de vista diferentes.

1. Alguns acorrentados, outros livres: Hoje, alguns demónios estão acorrentados e outros estão livres e praticam o mal na Terra. Até mesmo os demónios livres com quem Jesus se deparou tinham medo de que Ele os lançasse no Abismo.

2. Todos parcialmente acorrentados: Uma perspetiva diferente é a de que todos os demónios se encontram atualmente acorrentados, mas, mesmo assim, podem influenciar as pessoas. Como afirma a obra «Bible Difficulties and Seeming Contradictions» (p. 225-226) por analogia: «Uma pessoa pode estar presa numa penitenciária para o resto da vida e, ainda assim, ter o privilégio de passear no pátio da prisão ou mesmo fora dela, sob certas condições e restrições.» Consulte «Christian Theology», de Millard J. Erickson, pp. 447-448, para mais informações sobre esta perspetiva.

3. Combinação: A minha perspetiva é um híbrido das duas. Demónios diferentes podem ter restrições diferentes e graus de liberdade distintos. É evidente que Judas afirma que as restrições impostas a alguns demónios foram reforçadas. No entanto, nenhum demónio pode contrariar as ordens de Cristo.

 

P: Em Judas 6, os anjos acorrentados são os mesmos de Génesis 6, onde os Nefilim eram descendentes de seres angelicais e mulheres humanas?

R: Há divergências quanto a isto.

Sim. O livro apócrifo judaico de 1 Enoque, no primeiro e mais antigo dos seus cinco «livros», afirma que sim (1 Enoque 6). Alguns dos primeiros cristãos tinham grande respeito pelo livro de 1 Enoque.

Não. Isto pode referir-se a demónios rebeldes em geral. Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», p. 65, para mais informações sobre esta resposta.

Seja como for, isto refere-se a anjos caídos no plural e nada diz sobre Satanás ter tentado Eva, como acredita a falsa religião da Igreja da Unificação do Reverendo Moon.

 

P: Com base em Judas 6-7, podemos «concluir que os anjos caíram em resultado de um ato imoral de luxúria antinatural», tal como o herege Reverendo Moon ensinou na quinta edição (1977) do Princípio Divino, pp. 71-72?

R: Não. Judas 5-7 apresenta três exemplos: os israelitas que saíram do Egito (versículo 5), os anjos que abandonaram a sua própria morada (versículo 6) e Sodoma e Gomorra (versículo 7). Judas não faz qualquer menção à Queda da humanidade.

 

P: Em Judas 9, quando é que o arcanjo Miguel disputou com Satanás sobre o corpo de Moisés?

R: As Escrituras não o dizem, e isto não é mencionado em mais nenhum outro ponto das Escrituras. Judas refere-se a isto para desenvolver outro argumento, pelo que, aparentemente, partiu do princípio de que os leitores já tinham ouvido falar disto anteriormente. Este episódio foi mencionado na obra apócrifa «A Assunção de Moisés», também conhecida como «O Testamento de Moisés». Dispomos da maior parte da «Assunção de Moisés», com exceção do final, que presumivelmente continha este relato.

 

P: Em Judas 11, o que é o caminho de Caim?

R: Caim, filho de Adão e Eva e assassino do seu irmão Abel, é mencionado em Génesis 4:1-24. Sabemos pouco mais sobre Caim, exceto um facto significativo: a sua oferta ao Senhor era sem sangue e não foi aceite por Deus. Tanto hoje, em algumas igrejas liberais, como naquela época, nas religiões gnósticas, as pessoas têm tentado praticar um «cristianismo sem sangue»; um Jesus cujo sangue não pagou pelos nossos pecados.

 

P: Em Judas 11, por que razão é Balaão aqui mencionado?

R: Balaão diferia dos outros dois, na medida em que não desafiou abertamente a autoridade de Deus. Balaão continuava a honrar a Deus. No entanto, Balaão via na profissão de profeta uma fonte de riqueza. Tudo o que Balaão pensava que tinha de fazer era tentar percorrer a linha ténue de se afastar o mais possível da vontade de Deus, sem ir demasiado longe na desobediência a Deus.

 

P: Em Judas 11, por que razão é que Coré (Core) é aqui mencionado?

R: Coré era um levita mencionado em Números 16:1-38. Ele e os seus aliados nutriam ressentimento contra Moisés, acusando-o de tentar «nomear-se a si próprio governante sobre nós» (Números 16:13), e ressentiam-se do facto de Aarão ser o sumo sacerdote que oferecia os sacrifícios. Coré persuadiu 250 homens, além de outros, a rebelarem-se contra a liderança de Deus. Moisés não enfrentou Corá, mas deixou o assunto nas mãos de Deus. Deus fez com que a terra se abrisse e engolisse as tendas e as famílias de Corá e dos líderes rebeldes. Em seguida, Deus fez com que saísse fogo e consumisse os outros 250 homens. O traço comum entre Caim, Balaão e Corá é que se recusaram a submeter-se à autoridade de Deus.

 

P: Em Judas 12, o que são «nuvens sem água»?

R: Para uma terra seca, são coisas grandes e de aparência importante que prometem muito, mas não cumprem nada. Dão um grande espetáculo, mas depois o vento leva-as para longe.

 

P: Em Judas 12, o que são as árvores infrutíferas no outono, duas vezes mortas?

R: Pode significar árvores completamente mortas, ou árvores mortas duas vezes. Seja como for, muitas árvores parecem mortas no outono, quando já perderam as folhas, e a maioria dos frutos só surgirá no ano seguinte. Mas estas são árvores que estão realmente mortas, que nunca florescerão nem darão frutos. A sua copa parece morta, como árvores dormentes sem folhas. Mas, uma vez que foram arrancadas de raiz, as raízes, os ramos e toda a árvore estão mortos, de cima a baixo.

No caso de uma pessoa, isto pode referir-se à segunda morte em Apocalipse 21:8, ou àqueles que conheceram Cristo mas que mais tarde apostataram, conforme se refere em Hebreus 6:4-8 e 2 Pedro 2:20-22.

 

P: Em Judas 13, por que razão se mencionam as ondas violentas do mar?

R: As ondas violentas do mar têm um grande poder. Embora o poder possa muitas vezes ser utilizado para o bem, como num moinho junto a um rio, este poder não será controlado por nada. A água move-se violentamente para a frente e para trás, produzindo apenas espuma. Não só o poder é inútil, como é, na verdade, destrutivo.

 

P: Em Judas 13, por que razão são mencionadas as estrelas errantes?

R: A imagem de uma estrela errante refere-se a uma das seis ou sete estrelas que não mantém o seu lugar fixo entre as outras estrelas, mas vagueia por onde quer que deseje nos céus. Hoje chamamos a estas «planetas». Se utilizasse uma estrela errante como auxílio à navegação, ficaria tão perdido quanto a própria estrela errante parece estar.

 

P: Em Judas 14, de que Enoque se trata?

R: Não se trata do Enoque que era filho de Caim, em Génesis 4:17. Trata-se, sim, de Enoque, descendente de Sete e sétimo a partir de Adão, em Génesis 5:21-24. Este é o mesmo Enoque que caminhou com Deus e a quem Deus levou para o Céu. O Enoque de Génesis 4:17, filho de Caim e terceiro a partir de Adão, é uma pessoa diferente.

 

P: Em Judas 14-15, por que razão Judas citou o Livro de 1 Enoque, de origem pseudo-apócrifa, como se fosse verdadeiro?

R: Porque este versículo é verdadeiro, embora existam erros noutras partes de 1 Enoque, que já era conhecido antes de 110 a.C. Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Embora a citação se encontre no 1.º Livro de Enoque, não é certo que Judas tenha citado diretamente desse livro. Embora as palavras sejam quase as mesmas, podem ter provindo de uma fonte comum. A fonte comum pode ter sido um livro que contivesse esta profecia verdadeira, ou pode ter sido o próprio Deus.

2. O 1.º Livro de Enoque sofreu alterações. Embora o livro seja pré-cristão, há quem considere que esta citação foi inserida após a redação da Epístola de Judas e antes do século XV por um monge mal orientado. Decida por si mesmo; eis a citação nos Manuscritos do Mar Morto 4Q204; repare nas lacunas. «… as miríades dos seus santos … carne para todos os seus … arrogantes e ímpios …» (Esta citação é retirada de «Os Manuscritos do Mar Morto», traduzido por Florentino García Martínez; publicado originalmente em espanhol como «Textos de Qumrán»).

3. Não é improvável que Judas tenha citado o livro de 1 Enoque, e isso não constitui problema. 1 Enoque teve pelo menos cinco autores diferentes, e este versículo provém da primeira e mais antiga parte. O Livro de 1 Enoque é uma mistura de verdade e erro, e Deus pode ter levado Judas a citar deliberadamente uma verdade desse livro, para que esta verdadeira profecia de Deus não ficasse preservada apenas em fontes extra-bíblicas.

4. Embora o 1.º Livro de Enoque contenha, de facto, pelo menos uma verdade divina, isso não significa que devesse fazer parte das Escrituras. Não basta que um livro tenha preservado algumas palavras de Deus; tem de corresponder inteiramente ao que Deus deseja nas Escrituras. Os escritos de Wesley, Lutero e Calvino também contêm uma grande quantidade da verdade de Deus, mas isso não significa que algum deles esteja isento de erros, e os próprios autores teriam-se oposto a que os seus escritos fossem considerados Escritura.

Em resumo, tal como Hank Hanegraaff afirmou no programa de rádio «Bible Answer Man» em10/29/1997 : o livro de 1 Enoque era muito respeitado. Ser muito respeitado significa que contém muitas verdades, mas não significa que seja divinamente inspirado. Posso afirmar que Jesus voltará. Isso é verdade, mas isso não significa que eu seja divinamente inspirado.

 

P: Em Judas 14-15, uma vez que Judas [supostamente] recebeu inspiração do livro não inspirado de 1 Enoque 1:9, como podem os cristãos criticar Joseph Smith por ter recebido inspiração do livro pagão egípcio «Livro dos Mortos» quando Joseph Smith escreveu o livro mórmon «Livro de Abraão»?

R: O Livro de 1 Enoque é um livro judaico extra-bíblico, de origem composta, com uma mistura de verdade e erro. A citação de Judas corresponde a um versículo do Livro de 1 Enoque. Nada exclui a possibilidade de que Enoque tenha realmente dito isto.

Em contrapartida, muitos provaram que o pergaminho a partir do qual Joseph Smith alegou fraudulentamente ter traduzido o Livro de Abraão, da religião mórmon, era um livro idólatra e pagão.

Em resumo:

1. Não é possível provar (nem refutar) que Judas tenha copiado este versículo de Enoque.

2. Mesmo que Judas tenha retirado isto do Livro de 1.º de Enoque, este é um livro de origem mista e pode conter fragmentos de profecias de inspiração divina.

3. Em nítido contraste, a tradução fraudulenta de Joseph Smith provinha de um livro dedicado aos ídolos, o Livro Egípcio dos Mortos.

Mais informações sobre Joseph Smith e o Livro de Abraão mórmon

Contexto sobre o livro judaico de 1.º de Enoque:

O 1.º Livro de Enoque é um livro composto, com cinco partes escritas em diferentes épocas por vários autores. A citação em questão provém da primeira e mais antiga parte. No entanto, é possível que a citação tenha sido acrescentada posteriormente. A cópia mais antiga de que dispomos é um fragmento dos Manuscritos do Mar Morto. Contudo, a cópia mais antiga que contém esta citação data do século XV, na Etiópia. Contém alguma verdade, mas apresenta também aspetos mitológicos, com toda a discussão sobre vários anjos e demónios. O Livro de 1 Enoque não se perdeu para o mundo moderno.

Contexto sobre o Livro Egípcio dos Mortos:

O Livro Egípcio dos Mortos provavelmente não era muito lido. Em vez disso, o seu objetivo era ser enterrado com o falecido abastado para servir de amuleto mágico que facilitasse a sua passagem para a vida após a morte. Havia tantas variações do Livro dos Mortos quantas as cópias existentes, uma vez que cada uma delas tinha o nome do falecido inscrito. Muitos traduziram o fragmento concreto que Joseph Smith alegadamente utilizou para traduzir o Livro de Abraão. Numa fonte mórmon, pode ler a tradução em *The Message of the Joseph Smith Papyri*, de Hugh Nibley (Deseret Book, 1975). Quanto a fontes não-mórmons, pode consultar *The Changing World of Mormonism*, de Jerald e Sandra Tanner (Moody Press, 1981), p. 360, ou *The Book of Abraham Papyrus Found*, p. 14. As três traduções são, essencialmente, idênticas.

Contexto sobre o Livro de Abraão mórmon:

Segundo Joseph Smith, o Livro de Abraão, da religião mórmon, teria sido escrito por Abraão sobre as suas viagens ao Egito. Joseph Smith afirmou que foi escrito na mesma língua que o Livro de Mórmon e que o traduziu com ajuda sobrenatural. Os mórmons de Salt Lake City (SUD) possuem quatro escrituras, e uma delas, a Pérola de Grande Valor, contém o Livro de Abraão como um dos seus livros. O Livro de Abraão 1:21-26 constitui a única base escritural mórmon para a doutrina anti-negros da Igreja Mórmon. Esta doutrina sustentava que os negros nunca poderiam alcançar o sacerdócio mais elevado. Esta doutrina foi alterada pela Igreja Mórmon em 1978.

Contexto da alegação de Joseph Smith:

1. Joseph Smith afirmou ter «traduzido» os pergaminhos na «Pérola de Grande Valor», p. 29.

2. Três das quatro cópias originais em inglês apresentavam os caracteres egípcios ao lado do texto em inglês.

3. As três imagens correspondem

4. O mais revelador de tudo é que Joseph Smith escreveu um livro, intitulado «Alfabeto e Gramática Egípcios», no qual alegadamente tentou ensinar aos outros o seu falso egípcio.

5. Smith traduziu, em média, mais de 100 palavras por hieróglifo egípcio, quando deveria ter sido uma a duas palavras por hieróglifo.

6. Ninguém desmascarou Joseph Smith nesta fraude na altura, porque não havia ninguém na América naquela época que soubesse ler o egípcio antigo.

Em resumo: Os mórmons têm, como parte das suas escrituras, uma tradução falsa de um livro idólatra e pagão. Embora alguns deles tenham visto uma semelhança entre a sua situação e a descrita em Judas 14, que se encontra em 1.º de Enoque, a situação é totalmente diferente porque:

1. Mesmo que Judas tenha citado o livro de 1. Enoque, este não é um livro idólatra e ocultista. Trata-se de um livro judaico que mistura verdade e erro.

2. Não é possível determinar se Judas citou efetivamente o livro de 1 Enoque. Podem ter tido uma fonte comum, ou isto pode ter sido acrescentado a 1 Enoque antes do século XV por um monge mal orientado.

 

P: Em Judas 16 e 2 Pedro 2:18, o que se entende por bocas que «vomitam arrogância» e por «palavras altivas, mas vazias», e as pessoas fazem isso hoje em dia?

R: A palavra grega aqui utilizada, hyperonka, significa literalmente «inchado» ou «preenchido». É utilizada em ambos os versículos, e proferir tais palavras «inchadas» significa fazer afirmações exageradas sobre a própria importância e utilidade. Hoje em dia, as pessoas podem pensar que os outros as terão em maior consideração se fizerem afirmações falsas ou exageradas sobre si mesmas. O seu primeiro erro é pensar que os outros lhes acreditarão. Depois de se perder a credibilidade, é difícil recuperá-la.

 

P: Em Judas 21, uma vez que não podemos perder a nossa salvação, como e por que razão nos mantemos no amor de Deus?

R: Alguns cristãos genuínos acreditam que as pessoas podem perder a sua salvação. Outros não. Independentemente disso, todos concordam que, tal como uma criança pode fazer coisas que levam os pais e a si própria às lágrimas, também nós podemos fazer coisas que partem o coração de Deus. Tal como uma criança pode querer fugir de casa, nós, tal como Jonas, podemos tentar fugir de Deus. Até mesmo os cristãos podem envolver-se numa seita ou afastar-se da fé. No entanto, se forem para o céu, perseverarão e regressarão.

 

P: Em Judas 22, quais são os sete mandamentos dados aos crentes?

R: Existem sete mandamentos.

Judas 3: Lutem ardentemente pela fé

Judas 17 Lembrem-se dos ensinamentos e, especialmente, das advertências dos apóstolos.

Judas 20 Fortaleçam-se na vossa santíssima fé

Judas 20 Orem no Espírito Santo

Judas 21 Mantenham-se no amor de Deus

Judas 21 Aguardem a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo, que vos trará a vida eterna

Judas 22-23 Tenham misericórdia daqueles que duvidam, salvem outros arrancando-os do fogo e, a outros ainda, mostrem misericórdia temperada com temor.

 

P: Em Judas 23, o que significa «arrancar alguém do fogo»?

R: Isto soa semelhante a Amós 4:11, onde os israelitas foram descritos como «uma brasa arrancada do fogo». O sumo sacerdote Josué também era «uma brasa arrancada do fogo» em Zacarias 3:2. Quando um pedaço de madeira já começou a arder no fogo, arrancá-lo significa retirá-lo do fogo para que não se consuma. De forma semelhante, queremos partilhar o evangelho com os pecadores para que possam ouvir o evangelho através das nossas palavras e para que Deus, por nosso intermédio, os possa arrancar do fogo do inferno. Não podemos substituir a cruz, mas podemos ser instrumentos na transmissão da mensagem da cruz para conduzir as pessoas a Cristo.

 

P: Em Judas, como sabemos que este livro foi escrito por Judas?

R: O autor afirmou ser Judas, e essa é a única prova de que dispomos, a favor ou contra.

 

P: Na Epístola de Judas, como sabemos que a Escritura que hoje temos é uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?

R: Existem, pelo menos, quatro razões.

1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.

2. Evidência da Igreja primitiva. Eis os escritores que se referiram a versículos da Epístola de Judas. Dos 25 versículos da Epístola de Judas, os escritores pré-nicenos citaram ou aludiram a todos os versículos, com exceção de sete (6 versículos mais 2 meios-versículos). Trata-se de Judas 2, 18, 20-22a, 23b-25.

Irineu (182-188 d.C.) Judas 3 «fé que nos foi transmitida» — Fragmento 36 de Irineu, p. 574. No grego, Judas 3 tem «os santos» em vez de «nós», mas, com exceção disso, esta é a formulação exata. Esta formulação encontra-se apenas em Judas 3.

Irineu (182-188 d.C.) alude a Judas 7, mencionando Sodoma e Gomorra nos dias de Ló, como um exemplo do justo julgamento de Deus. Irineu, *Contra as Heresias*, livro 4, cap. 36.4, p. 516. O conceito de Sodoma e Gomorra como exemplo encontra-se na Bíblia apenas em Judas 7 e 2 Pedro 2:6.

O Cânone Muratoriano (190-217 d.C.): «João escreveu o Apocalipse. Duas cartas pertencentes a João, ou que levam o nome de João. A Epístola de Judas.» ANF, vol. 5, p. 603.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita Judas 5,6 como sendo de autoria de Judas. O Instrutor, livro 3, cap. 8, p. 282

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) cita parte de Judas 19, 22b, 23a; *Stromata*, livro 6, cap. 8, p. 495

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) refere-se a Judas 8-17 como «Judas profetizou». *Stromata*, livro 3, cap. 2, p. 383

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita Judas 1,4-14,19 como sendo de autoria de Judas, em fragmentos de Cassiodoro, p. 573.

Tertuliano (198-220 d.C.) menciona o escrito do apóstolo Judas em «Sobre o Vestuário das Mulheres», livro 1, p. 16.

Tertuliano (198-220 d.C.) alude a Judas 23 em «Sobre a Modéstia», cap. 18, p. 94. «… negado aos pecadores, muito especialmente àqueles que tinham sido “contaminados pela carne”»,

Orígenes (225-254 d.C.), ao discutir os livros das Escrituras, cita Judas 1 como sendo de autoria de Judas. Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 10, cap. 17, p. 424. Cita também parte de Judas 1 como sendo de autoria de Judas no seu comentário sobre Mateus, livro 13, cap. 27, p. 491.

Orígenes (225-254 d.C.) cita livremente três quartos de Judas 8. Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 10, cap. 24, p. 430

O Tratado Anónimo Contra Novaciano (254-256 d.C.), capítulo 16, p. 662, cita Judas 14, 15

Após Nicéia

(metade) A «História Eclesiástica» de Eusébio (323-326 d.C.), livro 2, capítulo 23, p. 128, afirma que se diz que Tiago e Judas escreveram as cartas que levam os seus nomes, embora isto seja contestado. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 128

Atanásio (367 d.C.) não se refere a quaisquer versículos específicos de Judas, mas enumera os livros do Novo Testamento, incluindo Judas, na «Carta Festiva» n.º 39, p. 552

A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona o livro de Judas como parte do Novo Testamento. Cita na íntegra Judas 1.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) menciona Judas nas «Sete Epístolas Católicas de Tiago, Pedro, João e Judas», na Palestra 4.36, p. 28

X Didimo, o Cego (398 d.C.), refere-se a Judas 4,19. No entanto, rejeita o livro de Judas como Escritura, uma vez que este cita livros apócrifos.

O cismático Lúcifer de Cagliari, na Sardenha (361-c. 399 d.C.), refere-se a Judas 1, 3, 4, 5, 8 e 12

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) refere-se a Judas 8

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona os quatro evangelhos, as 14 cartas de Paulo, Tiago, Pedro, João, Judas, os Atos dos Apóstolos, o Apocalipse de João, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico.

Jerónimo (373-420 d.C.) refere-se a Judas 8,23

Jerónimo (373-420 d.C.) menciona nominalmente o «Novo Testamento», Mateus, Marcos, Lucas e João como «o quarteto do Senhor», as sete cartas de Paulo à Igreja, Hebreus, Timóteo, Tito, Filemão, Atos dos Apóstolos, as sete epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas, e o Apocalipse de João, tudo na carta 53, cap. 9, p. 101-102.

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) refere-se a Judas 1,19

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) cita Judas 19 em «Sobre o Batismo, Contra os Donatistas», cap. 50, p. 651

Agostinho de Hipona cita Judas 24 como sendo do apóstolo Judas em «Sobre a Repreensão e a Graça», cap. 10, p. 475 (vol. 5). Ver também «A Cidade de Deus», livro 18, cap. 38, p. 383

João Cassiano (419-430 d.C.) cita Judas 5 como sendo do apóstolo em «Sete Livros», livro 5.9, p. 586

João Cassiano menciona um dos apóstolos e cita Judas 6 na «Segunda Conferência do Abade Sereno», cap. 8, p. 378

Cirilo de Alexandria (444 d.C.) refere-se a Judas 4, 5 e 19

3. Testemunhos de hereges e outros escritores

O herege Prisciliano (385 d.C.) refere-se a Judas 8.

4. Os manuscritos mais antigos de que dispomos da Epístola de Judas revelam pequenas variações manuscritas, mas nenhum erro teologicamente significativo.

p. 72, papiros Bodmer 7 e 8: 1 Pedro 1:1-5:14, 2 Pedro 1:1-3:18 e Judas 1-25. (c. 300 d.C.) Uma fotografia de parte deste manuscrito (que mostra 2 Pedro 1:16-2:2) encontra-se em *The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts*, p. 468. Aí se afirma que a caligrafia é «de caráter documental».

p. 74 (= Bodmer 17) Atos 1:2-5, 7-11, 13-15, 18-19, 22-25; 2:2-4; 2:6-3:26; 4:2-6, 8-27; 4:29-27:25; 27:27-28:31; Tiago 1:1-6, 8-19, 21-23, 25, 27; 2:1-3, 5-15, 18-22, 25-26; 3:1, 5-6, 10-12, 14, 17-18; 4:8, 11-14; 5:1-3, 7-9, 12-14, 19-20; 1 Pedro 1:1-2, 7-8, 13, 19-20, 25; 2:6-7, 11-12, 18, 24; 3:4-5; 2 Pedro 2:21; 3:4, 11, 16; 1 João 1:1,6; 2:1-2,7,13-14,18-19,25-26; 3:1-2,8,14,19-20; 4:1, 6-7, 12, 16-17; 5:3-4, 9-10, 17; 2 João 1, 6-7, 13; 3 João 6, 12; Judas 3, 7, 12, 18, 24 (século VII)

Século VII – 1968 – A obra «O Texto do Novo Testamento» inclui Tiago 2:4 e 1 Pedro 1:12

Século VII – 1975 – Aland et al., terceira edição

Século VI - 1998 - Aland et al., quarta edição revista

p. 78 (= papiro de Oxirrinco 2684) c. 300 d.C. Judas 4-5, 7-8. O livro «The Complete Text of the Earliest New Testament Manuscripts», p. 602, indica que este não é um texto muito fiável. «Em quatro versículos, contém duas leituras únicas e três raras, todas elas em desacordo com o testemunho mais antigo [p. 72].» (citado de Grenfell e Hunt, Oxyrhynchus Papyrus, 34:4) Mais antigo nem sempre significa melhor.

A versão siríaca Peshitto não inclui a Epístola de Judas.

O Sinaítico [Si] (340-350 d.C.) contém a epístola de Judas na íntegra

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm a epístola de Judas na íntegra.

Copta boairico [Boh] do século III/IV

Copta sahídico [Sah], séculos III/IV

Siríaco filoxeniano [SyrPh] 507/508 d.C.

Efraemiano Rescrito [C], século V

Arménio [Arm] a partir do século V

Sírio de Harcleo [SyrH] 616 d.C.

Georgiano [Geo] a partir do século V

Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.

 

Consulte www.BibleQuery.org/Jude Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Judas.