< Pergunta bíblica sobre Mateus
As questões comuns tanto a Mateus como aos outros evangelhos são abordadas em Mateus ou, caso contrário, encontram-se na secção «Evangelhos».
P: Em Mateus, quais são alguns dos elementos distintivos deste evangelho?
R: Mateus enfatiza Cristo, o Rei Prometido, que inaugura o reino de Deus e é o cumprimento da lei. Cristo é a esperança cumprida. De todos os autores dos evangelhos, Mateus é aquele que mais demonstra como as profecias do Antigo Testamento se cumprem em Cristo. Cerca de 1/3 de Mateus consiste em pregação, e o evangelho parece estar organizado em torno de cinco grandes discursos.
No que diz respeito à língua, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou que o Evangelho de Mateus foi inicialmente escrito em hebraico/aramaico. Jesus é o «tipo» de Israel, e há quem considere que Mateus recorre a técnicas midráshicas familiares aos judeus da época.
Quanto às falsas religiões, Mateus 20:1-16 é uma boa passagem para explicar aos mórmons e às Testemunhas de Jeová o que é a graça. Mateus 18:21-35 também é adequado para mostrar aos mórmons que não há forma alguma de sequer começarmos a retribuir a Jesus pela Sua graça com as nossas boas obras.
P: Em Mateus, como foram mencionadas algumas das profecias sobre Cristo contidas neste livro?
R: Antes de responder à pergunta, vamos primeiro enumerar algumas das profecias em questão.
1. Deus a chamar os filhos de Israel para fora do Egito (Oséias 11:1; Mateus 2:15)
2. Raquel a chorar pelos seus filhos em Ramá (Jeremias 31:15; Mateus 2:18)
3. Profecia sobre Zebulom e Naftali (Isaías 9:1,2; Mateus 4:15-16)
4. O pagamento de trinta moedas de prata a Zacarias e a entrega dessas moedas ao oleiro (Zacarias 11:12-13; Jeremias 32:6-9; Mateus 27:9-10)
A resposta: Mateus, mais do que os outros Evangelhos, foi escrito para um público judeu que estava familiarizado com o Antigo Testamento e com os métodos midráshicos. O escritor da Igreja primitiva Papias escreveu que Mateus foi originalmente escrito em hebraico, e não em grego. Ao referir-se aos filhos que saíram do Egito, a Raquel a chorar pelos seus filhos, etc., Mateus está a fazer algo deliberado aqui. Ele está a mostrar como a vida do Messias de Israel é paralela à vida dos filhos de Israel. Podemos pensar na profecia apenas como detalhes isolados que se concretizam, mas essa é uma visão demasiado limitada. Mateus mostra que a vida dos filhos de Israel, em geral, era uma profecia de Jesus.
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 344-345, e «Bible Difficulties and Seeming Contradictions», p. 168, para mais informações.
P: Em Mateus, ao contrário de outros evangelhos, [supostamente] procura-se sempre descrever Jesus como um Senhor quase impassível, que frequentemente esconde as Suas emoções, enquanto os restantes evangelhos retratam Jesus, o homem, com todas as Suas emoções, reações e, aparentemente, falhas. Porquê?
R: A premissa desta pergunta está errada. Jesus não é «frio como gelo» nem esconde as Suas emoções quando lamentava por Jerusalém em Mateus 23:37-38. Isso não é, de forma alguma, ser «frio como gelo». Não vejo nenhum dos evangelhos a mostrar quaisquer «falhas» de Jesus. Jesus tinha fome, chorou, sentiu e esteve em agonia na cruz. No entanto, isso não eram falhas, era o facto de ser humano.
P: Em Mt 1, 1-17, qual foi o objetivo da genealogia da ascendência de José até Dávid, uma vez que Maria era virgem quando Jesus nasceu?
R: Remontar até Dávid era importante para estabelecer o direito de Jesus a ser rei de Israel. Embora José não fosse o pai biológico de Jesus, era, em todos os sentidos, o pai legal de Jesus. Assim, as promessas feitas a Dávid foram cumpridas tanto no sentido legal de pai e filho, como no sentido biológico, através da ascendência de Maria, conforme se refere em Lucas. O «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 780, aborda esta questão. Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 18, e o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1203-1204, para mais informações.
P: Em Mt 1,2-17, por que razão existem 27 gerações desde David até Jesus, enquanto Lc 1,3,23-31 indica 42 gerações?
R: Embora não haja necessariamente o mesmo número exato de gerações na árvore genealógica de José e de Maria, Mateus tem, sem dúvida, algumas lacunas. Uma vez que «filho» pode significar descendentes do sexo masculino, não há aqui qualquer problema. Jeconias (Jeoiaquim) reinou por volta de 604 a.C., pelo que houve 14 gerações desde Davi até Jeconias em cerca de 400 anos, ou seja, 29 anos por geração. De 604 a.C. a 4 a.C., seria de esperar 20 gerações e meia, mas Mateus apenas indica 13, ou seja, 46 anos por geração.
Talvez Mateus não tenha mencionado mais do que 14 gerações após o exílio porque não conhecia os outros nomes, tendo-se limitado a escrever apenas o que sabia. Em alternativa, terá utilizado três conjuntos de catorze nomes como auxílio à memória.
O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 69, refere-nos a «coincidência» de que o nome de David no texto massorético hebraico (dwd) soma 4 + 6 + 4 = 14.
P: Em Mt 1, 3, 5 e 6, por que razão são mencionadas quatro mulheres: Tamar, Raabe, Rute e a esposa de Urias (Bate-Seba)?
R: Em primeiro lugar, no mundo antigo, incluir mulheres na genealogia transmitida pela linha masculina era altamente invulgar. Embora não conheçamos a razão exata de Mateus, nem a de Deus, podemos observar uma série de aspetos.
Famosas: Estas quatro mulheres eram «famosas» na medida em que eram conhecidas por todos os judeus.
Estrangeiras: Raabe e Rute eram ambas estrangeiras que se juntaram ao povo de Deus, o que realça o facto de Jesus ter ascendência mista. Bate-Seba era judia e estava casada com Urias, um hitita.
Embaraçoso: Tamar fingiu ser uma prostituta para seduzir Judá. Raabe era uma ex-prostituta. Bate-Seba e David cometeram adultério, e David cometeu homicídio. Se Deus pode utilizar estas pessoas na ascendência legal (de José) e todas, exceto Bate-Seba, na ascendência biológica (de Maria), então Deus pode utilizar qualquer pessoa, por mais graves que tenham sido os seus erros. Por outro lado, Jacó era um enganador, e Manassés foi um rei profundamente perverso, que mais tarde se arrependeu.
Um silêncio curioso: Mateus poderia ter mencionado três mulheres ilustres: Sara, Rebeca e Raquel, mas ignora-as e concentra-se nestas outras.
Consulte o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 724; o «Novo Testamento Grego do Expositor», vol. 1, p. 63; o «Comentário Bíblico do Expositor», vol. 8, p. 66; e o «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 18, para mais informações.
P: Em Mt 1,5, uma vez que a avó de David era Rute, a moabita, como é que David podia fazer parte da congregação, se Dt 23,3 diz que um moabita não pode entrar na congregação até à décima geração?
R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta, e depois a resposta.
O que provavelmente não é a resposta: mesmo que a presença de David na congregação fosse contrária a Deuteronómio 23:3, a Bíblia continua a registar que David estava com o povo e adorava com ele. As pessoas podiam cometer erros por ignorância. Por exemplo, Josué celebrou um tratado com os gibeonitas, o que era contrário à Lei de Deus. No entanto, uma vez feito isso, Deus quis que honrassem o tratado. De facto, Deus, na Sua providência, permitiu que cometessem este erro e utilizou os gibeonitas mais tarde.
A resposta: Pode-se argumentar que, neste caso, David não desobedeceu a Deuteronómio 23:3.
1. As pessoas traçavam a sua descendência pelo lado paterno, e não pelo materno. Assim, é possível (mas não certo) que Deuteronómio 23:3 se destinasse a aplicar-se aos antepassados do sexo masculino.
2. Rute «mudou de povo». Ela disse a Noemi: «O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus». Embora hoje em dia as pessoas possam mudar de cidadania se tanto elas como o povo do novo país concordarem, isto foi ainda mais dramático; Deus permitiu-lhe, tal como a Raabe, tornar-se uma das escolhidas de Israel.
P: Em Mt 1:8, Jorão era o pai de Uzias, ou era o trisavô, conforme 1 Cr 3:11-12?
R: Na verdade, ambos, desde que se compreenda corretamente a forma como as palavras foram utilizadas. Os judeus entendiam que «pai» também significava «antepassado» (como em Atos 7:19; 1 Reis 15:24; 22:50; 2 Reis 15:38), tal como «filho» também significava «descendente».
O rei Jorão era o trisavô do rei Uzias. Consulte «Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia», p. 58, e «Quando os Críticos Perguntam», p. 325, para mais informações.
P: Em Mt 1:9, por que razão Uzias era o pai de Jotão, quando 2 Reis 15:1-7 e 1 Crónicas 3:12 afirmam que Azarias era o pai de Jotão?
R: Uzias era outro nome para Azarias, conforme 2 Reis 15:32, 34 e 2 Crónicas 26:1-23; 27:2; Isaías 1:1; 6:1; 7:1. Muitos reis tinham tanto um nome pessoal como um nome real que adquiriram mais tarde. Mas, tanto para reis como para não reis, isto não seria considerado anormal nos casos de: Abrão/Abraão, Sarai/Sara, Jacó/Israel, Ben-Oni/Benjamim, Zafenate-Paneá/José, Oséias/Josué, Gideão/Jerubaal, Amiel/Eliam, Bate-Seba/Bate-Shua, Azarias/Uzias, Abijão/Abias, Jeoacaz, filho de Josias/Salum, Eliakim/Jeoiaquim, Jeoiaquim/Jeconias/Conias, Zedequias/Matanias, Hananias/Sadraque, Misael/Mesac, Azarias/Abed-Nego, Daniel/Beltessazar, Simão/Pedro, José/Barnabé e Saulo/Paulo.
Consulte *When Critics Ask*, pp. 325-326, e *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 316-317, para mais informações.
P: Em Mt 1,11,16, por que razão a genealogia mostra que Jesus descendia de uma linhagem amaldiçoada de Jeconias/Jeoiaquim, tal como afirmam Jer 22,28-30 e Jer 36,30? (Ver também 1 Cr 3,16). Jeconias (Jeoiaquim) e o seu pai, Jeoiaquim, foram ambos amaldiçoados pelo próprio Deus, que afirmou que nenhum destes homens teria qualquer descendente no trono de David. Como poderia Jesus ser o Messias, destinado a reinar para sempre no trono de David, se descendesse de qualquer um destes homens?
R: A genealogia de José em Mateus mostra, de facto, que José descendia de uma linhagem amaldiçoada. Isto constituiria um verdadeiro problema se José fosse o pai biológico, porque Jeremias profetizou que Jeoiaquim não teria descendentes no trono. No entanto, a genealogia de Maria em Lucas mostra que Jesus NÃO descendia biologicamente de Jeconias e Jeoiaquim, porque os antepassados de Maria se desviaram da linhagem real. Olhando para trás, podemos ver que a David e a Salomão foram feitas promessas ligeiramente diferentes. Apenas José descendia de Salomão, e tanto José como Maria descendiam de David.
A propósito, em Mateus 1:16, «de quem» — pelo menos em inglês — parece poder referir-se a Maria, a José ou a ambos. Mas, em grego, «de quem» é especificamente feminino no singular, pelo que significa que Jesus era apenas de Maria.
Historicamente, Irineu, bispo de Lyon, na Gália, respondeu a esta objeção à genealogia de José em Mateus na obra «Contra as Heresias», livro 3, cap. 21.9, pp. 453-454, escrita entre 182 e 188 d.C.
Consulte «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 18, e «The Believer’s Bible Commentary», p. 1204, para mais informações.
P: Em Mt 1,17, tratava-se realmente de 3 × 14 = 42 gerações, ou apenas 41 gerações, como afirmam um ateu (Capello) e o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 777-778?
R: Existem três conjuntos de 14 nomes, mas estes não são cumulativos, uma vez que a primeira lista vai de Abraão até David, inclusive, e a segunda lista vai de David até ao exílio. Ora, poderíamos ter um problema se Mateus tivesse afirmado que havia 42 gerações, mas Mateus nunca disse que a soma era 42. Presumivelmente, Mateus mencionou de passagem três conjuntos de 14 nomes como um auxílio à memorização. As pessoas também repararam que as letras do nome «Davi» somam 14.
O primeiro escritor cristão de que temos conhecimento a ter observado estes três «intervalos místicos» foi Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) em *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334
Consulte *When Critics Ask*, p. 326, e *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 69, para mais informações.
P: Em Mt 1,17, por que razão foram omitidos tantos nomes?
R: As Escrituras não o dizem, mas muitos nomes foram omitidos. Por exemplo, entre Naassom e Hezrom havia apenas dois nomes, e o intervalo de tempo foi de 400 anos. Parte da razão pode ser simplesmente que Mateus não conhecia os nomes. Mas ele poderia ter obtido mais alguns nomes de 1 Crónicas, se assim o desejasse. Talvez a sua intenção não fosse perder-se nos pormenores de cada nome, mas sim incluir nomes suficientes para demonstrar que o pai adotivo de Jesus era, de facto, descendente de David e que, por conseguinte, Jesus tinha um direito natural a ser rei de Israel. Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 1, pp. 64-65, para mais informações.
P: Em Mt 1,17 e Lc 1, por que razão as duas genealogias divergem após Salomão, mas voltam a coincidir em Salatiel?
R: O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 939, menciona isto. Mateus 1:12 refere Jeconias (Jeoiaquim), Salatiel e Zorobabel, enquanto Lucas refere Neri, Salatiel e Zorobabel. A razão direta para esta diferença é apresentada em 1 Crónicas 3:17-19. A linhagem real, que quase sempre passava de pai para filho, passou, em vez disso, de Salatiél para Zorobabel, filho de Pedaías, irmão de Salatiél.
A razão não é indicada, mas presume-se que Salatiel não tivesse filhos, ou pelo menos filhos vivos, quando faleceu. Assim, Salatiel provavelmente adotou o filho do seu irmão. Os estudiosos consideram que ou Pedaías faleceu e Salatiel adotou Zorobabel como órfão, ou então Salatiel transmitiu a linhagem real a Zorobabel simplesmente porque não tinha filhos.
P: Em Mt 1, 18-19, por que razão José consideraria divorciar-se de Maria se ainda não estivessem casados?
R: José provavelmente raciocinou que ou haveria vergonha para ele se os outros pensassem que tinham tido relações sexuais antes do casamento, ou vergonha para ambos se José permitisse que Maria se encontrasse com outros homens. Assim, compreende-se por que razão José desejaria rescindir o noivado.
Mas por que razão se divorciariam se ainda não estavam casados? Os seus costumes eram diferentes dos nossos. Um homem e uma mulher ficavam unidos no noivado, embora não tivessem relações sexuais até depois do casamento. Na sua cultura, um noivado só podia ser oficialmente dissolvido por divórcio.
O período de espera de um ano servia para provar que a mulher era fiel e não estava grávida de um filho que não fosse do seu marido. Mas quando o anjo apareceu a José, este acolheu Maria na sua casa imediatamente.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1205, o «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 20, e o «Expositor’s Bible Commentary», vol. 1, pp. 68-69, para mais informações.
P: Em Mt 1,18, Maria engravidou pelo Espírito Santo, ou Jesus foi fruto dos lombos de David, conforme Atos 2,30?
R: A Virgem Maria era virgem; a Bíblia diz que o Espírito Santo «cobriu com a sua sombra» Maria, não de forma sexual. José era apenas o pai legal e adotivo de Jesus, não o pai biológico. Mas Jesus descendia biologicamente de David por parte de Maria, uma vez que Lucas 3:23-37 apresenta a genealogia de Maria. Outros versículos que afirmam que Jesus é filho (descendente) de David são Mt 12:23; 15:22; 20:30; 21:9,15; Marcos 10:47-48; 12:35; Lucas 18:38-39; 20:41; João 7:42; 2 Timóteo 2:8; Apocalipse 5:5; 22:16.
P: Em Mt 1:20; 2:12; 2:13; 2:19; 2:22; 27:19, por que razão Mateus menciona sonhos e os outros evangelistas não o fazem, tal como observa o «Guia da Bíblia» de Asimov, p. 795?
R: Mateus menciona apenas quatro ou cinco sonhos:
Três ou quatro durante a infância de Jesus: Mateus 1:20 (toma Maria como tua esposa); 2:12 (não voltes para Herodes); 2:13 (vai para o Egito); 2:19 (regressa a Nazaré); 2:22 (não vás para a Judeia). Mateus 2:22 pode ser um sonho distinto ou o mesmo sonho referido em Mateus 2:19.
No julgamento de Jesus, a esposa de Pilatos em Mateus 27:19.
Marcos e João não falam da infância de Cristo, pelo que não seria de esperar que registassem estes sonhos. Uma vez que Lucas nada diz sobre os Magos e (quase) nada sobre José, não seria de esperar que registasse esses sonhos.
Resta, assim, um caso em Mateus (a esposa de Pilatos) que constitui um pormenor não registado nos outros evangelhos.
Com base nisto, não se pode, contudo, concluir que os outros autores fossem contra o registo de sonhos. Em Atos 16:9, durante a noite, Paulo teve uma visão de um homem da Macedónia a implorar-lhe que fosse ajudá-los.
P: Será que Mateus 1:23 traduz incorretamente Isaías 7:14 ao utilizar a palavra «virgem», tal como afirma o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, na página 781?
R: Não. Não só a palavra hebraica pode significar tanto «virgem» como «jovem donzela», como o próprio Asimov, na p. 780, reconheceu que a Septuaginta traduziu esta palavra como «parthenos», que significa virgem. É claro que Asimov não acredita em nenhum milagre da Bíblia, pelo que não optaria por acreditar que Isaías se referisse a uma virgem.
P: O nome «Emanuel» em Mateus 1:23, onde é que aparece nos livros dos profetas ou nos livros do Antigo Testamento? Como é que está relacionado com Jesus? E por que razão não o encontramos no resto dos evangelhos?
R: O título «Emanuel» encontra-se na profecia messiânica de Isaías 7:14. De todos os autores dos evangelhos, Mateus é aquele que mais enfatiza o cumprimento da profecia, pelo que não é surpreendente que o mencione.
Os seguintes oito cristãos primitivos também escreveram sobre Isaías 7:14 como sendo uma profecia messiânica: Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), Irineu de Lyon (182-188 d.C.), Tertuliano (207-220 d.C.), Orígenes (225-253/254 d.C.), Novaciano (250-257/258 d.C.), Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.), Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) e Lactâncio (c. 303-325 d.C.). Consultewww.biblequery.org/history/churchhistory/WhatEarlyChristianTaughtOnDoctrine.html (ou .docx) para ver as citações.
P: Em Mt 1, 23 e Lc 1, 26-35, como é que Jesus, nascido de uma virgem, poderia ser descendente de David?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
1. Jesus não era o filho biológico de José. Se o fosse, Jeremias 29,32 seria uma profecia falsa.
2. Jesus era filho de José aos olhos da lei. Hoje em dia, um homem que se casa com uma mulher que tem um filho torna-se pai dessa criança aos olhos da lei, embora não seja o pai biológico.
3. Jesus era o filho biológico de Maria, descendente de David.
Jesus pertencia à casa de David aos olhos da lei por intermédio de José, e era biologicamente descendente de David por intermédio de Maria.
P: Em Mt 1,23, qual é a importância fundamental de Jesus ser «Emanuel», ou Deus connosco?
R: Este é um ponto importante deste capítulo, que não é destacado de forma tão proeminente no resto do Evangelho de Mateus. Há aqui dois fatores.
Deus encarnou-se como ser humano. Jesus era Emanuel, «Deus connosco». De uma forma que ninguém na Terra consegue definir plenamente, Deus escolheu rebaixar-Se até à Terra e viver como um ser humano em toda a sua plenitude (Hebreus 2:6, 14, 17), com um corpo humano real, que tinha necessidades humanas reais (João 19:28) e sentimentos humanos reais (Lucas 22:42). Jesus não se limitou a parecer humano; pelo contrário, era 100% humano, tão humano como você ou eu, com a diferença de que Jesus era sem pecado (Hebreus 4:15). No entanto, na Terra, ao mesmo tempo, Jesus continuava a ser 100% Deus. Jesus podia ser tentado, mas nunca pecaria (Hebreus 4:15, Mateus 4:3-12; Marcos 1:13; Lucas 4:2-13). Como afirma o «The Tony Evans Bible Commentary», na página 865, Jesus era «a divindade numa fralda».
Jesus vive dentro de nós. Jesus é, mesmo agora, Emanuel, «Deus connosco». Por intermédio do Espírito Santo, Cristo vive em nós. Deus não se limita a dizer-nos o que fazer e dizer; pelo contrário, Filipenses 2:13 afirma que é Deus quem opera em nós. Quando nos convertemos a Cristo, Deus não nos deu uma palmadinha nas costas e nos disse: «Bom trabalho até agora, agora estão por vossa conta». Pelo contrário, é o início de uma relação mais íntima do que a própria relação matrimonial, para sempre com o noivo da Igreja, Cristo.
P: Em Mateus 1:25, uma vez que Isaías disse que Ele seria chamado Emanuel, por que razão lhe deram o nome de Jesus?
R: «Jesus», em hebraico, é o mesmo que Josué, o que significa «o Senhor salva». Jesus é um nome apropriado, mas eles (e nós) chamamos a Jesus de «Deus connosco». Um amigo cristão chinês meu estava preocupado com isto. Ele tinha tanto um nome chinês como um nome inglês. Por isso, disse-lhe que a sua mãe lhe tinha dado o nome chinês, mas que ele é chamado pelo nome inglês nos Estados Unidos. Não é raro uma pessoa ter dois nomes, ou um nome e um título.
P: Em Mt 1,25, Maria teve outros filhos?
R: A última frase deste versículo seria tanto sem sentido como enganadora se José e Maria nunca tivessem tido relações íntimas.
Para além deste versículo, Mateus 12:46; 13:55-56; Marcos 6:3; João 7:3-5; Atos 1:14; 1 Coríntios 9:5; Gálatas 1:19; e (implícito) Judas 1 também registam que Jesus tinha irmãos. A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), 2:23 e 3:20, também refere que os quatro irmãos de Jesus eram Tiago (chamado o Justo), José (ou José), Judas e Simão.
Uma resposta católica é que José teve filhos de um casamento anterior, mas Maria não. No entanto, não há provas na história da Igreja de que José tenha sido casado anteriormente, nem de que algum dos irmãos de Jesus não fosse filho de Maria e José. Se Jesus tivesse um meio-irmão mais velho por parte de José, então esse meio-irmão mais velho teria direito ao trono, e não Jesus. Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 299, para mais informações.
Outra resposta católica é que, nas culturas mediterrânicas, o termo «irmãos» poderia referir-se a primos e parentes próximos de idade semelhante, e não apenas a irmãos de sangue. No entanto, aplicar aos israelitas o que poderia ser verdade para os italianos posteriores e outros povos é problemático.
Depois da Bíblia, os primeiros escritores cristãos conhecidos a afirmar que Maria teve filhos foram Hegesipo (170-180 d.C.), Orígenes (um mestre peculiar) (225-253/254 d.C.) e Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.). Hegesipo fornece-nos um pormenor interessante: refere um irmão de Jesus chamado Judas, que «sofreu pela fé em Cristo no tempo de Domiciano» — «Cinco Livros de Comentários sobre os Atos da Igreja», secção 1, p. 764. Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) afirma que os quatro irmãos de Jesus eram Tiago (chamado o Justo), José (ou José), Judas e Simão. «História Eclesiástica» de Eusébio, 2:23; 3:20. Após Nicéia, Helvídio/Helvécio (antes de 383 d.C.) também ensinou isso.
Após a Bíblia, os primeiros escritores cristãos conhecidos a afirmar que Maria foi sempre virgem, ou algo semelhante, foram Hipólito (225-235/236 d.C.), Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) e, de forma implícita, Orígenes (um mestre peculiar) (225-253/254 d.C.) Eis o que Orígenes afirma em 246-248 d.C.: «Alguns dizem, baseando-se numa tradição do Evangelho segundo Pedro, tal como é intitulado, ou “O Livro de Tiago”, que os irmãos de Jesus eram filhos de José de uma esposa anterior, com quem ele se casou antes de Maria. Ora, aqueles que assim afirmam desejam preservar a honra de Maria na virgindade até ao fim,… E considero, em harmonia com a razão, que Jesus foi o primogénito entre os homens da pureza que consiste na castidade, e Maria entre as mulheres; pois não seria piedoso atribuir a qualquer outra pessoa que não a ela o primogénito da virgindade.» Comentário de Orígenes sobre Mateus, livro 10, cap. 17, p. 424
Após Nicéia, Atanásio (331 d.C.), Ambrósio de Milão (340-397 d.C.) e Jerónimo (383 d.C.) ensinaram que Maria foi sempre virgem. No entanto, Ambrósio deixou claro que Jesus não necessitava de assistência para mediar entre o homem e Deus, e que Maria não devia ser adorada (Sobre o Espírito Santo, livro 3, capítulo 11, n.º 80, 381 d.C.). Ele afirmou: «E que ninguém desvie isto para a Virgem Maria; Maria era o templo de Deus, não o Deus do templo. E, por isso, só deve ser adorado Aquele que agia no Seu templo.»
Consulte o «The Expositor's Bible Commentary», vol. 8, p. 81, e o «Believer's Bible Commentary», p. 1206, para obter mais informações.
P: Em Mateus 2:1-4, 9-12, quantos magos havia, exatamente?
R: As Escrituras nunca o referem. As pessoas pensam frequentemente que eram três simplesmente por causa da canção «We Three Kings of Orient Are» e pelo facto de terem sido oferecidos três presentes, mas o número de magos poderia ter sido qualquer outro. Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 865, o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 726, o «The New Unger’s Bible Dictionary», p. 799, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 21, para obter essencialmente a mesma resposta.
A ideia de que havia três reis remonta a Orígenes (225-253/254 d.C.), mas a maioria das outras tradições inventadas sobre os Magos surgiu no século VI e posteriormente. As ideias de que os seus nomes eram Gaspar, Melchior e Balthasar, ou de que eram da Etiópia, ou de que um era de cada raça, foram todas invenções posteriores. Se fossem «Magos», uma tribo de sacerdotes zoroastrianos, então provavelmente seriam originários da Pérsia (atual Irão) ou da Mesopotâmia (atual Iraque). No entanto, se «Magos» significasse simplesmente um funcionário religioso, então poderiam ser originários de outros locais também.
Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 85; «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 73; e «Matthew 1-7: A Commentary», de Ulrich Luz, p. 140, para mais informações.
P: Em Mt 2,1, quando é que os Magos chegaram?
R: As Escrituras indicam apenas que foi algum tempo após o nascimento. Jesus nasceu num estábulo (que poderia ter sido uma caverna). Mas, quando os Magos chegaram, em Mateus 2:11, eles já se encontravam numa casa. Mateus utiliza o termo «criança pequena» (paidion), em vez da palavra «bebé» (brephos). Uma vez que Herodes matou todos os meninos de Belém com dois anos ou menos, isto aconteceu antes de Herodes perceber que os Magos não iriam regressar para junto dele. Assim, pode ter sido meses ou mesmo cerca de um ano após o nascimento. Consulte «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 20, para mais informações.
Como nota à parte, esta prática de levar presentes a um rei não era inédita. Quando Nero era imperador de Roma, o rei Tiridates da Arménia deslocou-se a Roma em 66 d.C., levando presentes para Nero. Consulte Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 131, para mais informações.
P: Em Mt 2,1-4,9-12, quem eram os magos?
R: Os Magos eram homens religiosos do Médio Oriente que praticavam a astrologia. Embora a Bíblia não especifique que fossem três Magos, existem três visões sobre quem eram os «Magos do Natal».
Originalmente, tal como os levitas eram uma tribo de sacerdotes entre os israelitas, os magos posteriores eram a tribo de sacerdotes entre os medos, segundo Heródoto. Isto é análogo ao facto de os levitas serem uma tribo de sacerdotes entre os israelitas. Os Magos ofereciam sacrifícios perante fogueiras, interpretavam sonhos e praticavam astrologia. Embora a palavra inglesa «magician» (mágico) derive de «Magi», com exceção de uma passagem em Heródoto, não há provas de que praticassem magia. Os medos eram politeístas (não zoroastrianos). Quando Daniel 5:11 fala dos Magos, refere-se a estes Magos.
Mais tarde, depois de um mago chamado «falso Bardiya» ter assumido o controlo do trono persa durante sete meses, em 522 a.C., o rei Cambises substituiu muitos dos magos medos por magos persas. Os magos persas eram zoroastrianos. Os zoroastrianos acreditavam em seres divinos iguais e opostos: um bom, representado pela luz, e outro mau, representado pelas trevas. Durante e após o século IV a.C., os zoroastrianos acreditavam na ressurreição. Os gregos afirmavam, em geral, que os Magos eram zoroastrianos. Clemente de Alexandria acreditava que os Magos que vieram a Belém eram zoroastrianos. O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 788, menciona apenas estes como os Magos.
Na época de Cristo, os gregos também chamavam de «Magos» os caldeus que praticavam astrologia. Muitos astrólogos viajaram para oeste para ensinar, incluindo o babilónio Berosso, que lecionou na ilha grega de Cos após 281 a.C. Tácito afirma que os magos praticavam feitiçaria, e Plínio alega que a magia teve início com Zoroastro. O escritor da Igreja primitiva Orígenes, entre as suas muitas críticas ao herege Celso, afirmou que Celso não conseguiu distinguir entre os Magos e os caldeus na obra de Orígenes *Contra Celso*, livro 1, cap. 58, p. 422. O *Novo Dicionário Internacional da Bíblia*, p. 612, refere-os como os Magos.
Independentemente da origem exata no Médio Oriente dos «Magos do Natal», os Magos praticavam astrologia. Consulte o «Dicionário Bíblico Wycliffe», pp. 1067-1068, e, em especial, o capítulo sobre os Magos na «Pérsia e a Bíblia», pp. 467-491, para mais informações.
P: Em Mt 2,2, foi afirmado que algum outro governante tivesse sinais celestiais?
R: Diz-se que um cometa apareceu na altura do nascimento de Nero (15 de dezembro de 37 d.C.), segundo Suetónio (de Divinatione 1.47), e do rei Mitrídates do Ponto (135 a.C.). Os cometas visíveis a olho nu ocorrem cerca de 2 a 5 vezes por século. O cometa de Halley surge a cada 75 anos, incluindo em 87 a.C. e em 11 de dezembro de 87 a.C. Consulte Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 131, e «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 83, para mais informações.
P: Em Mt 2,2, quais foram alguns dos «sinais» celestiais por volta dessa altura?
R: Eis alguns fenómenos de origem natural.
O cometa de Halley surgiu em 11 de dezembro a.C. (Lagrange mencionou este facto, mas é demasiado cedo para ser relevante.)
Uma conjunção dos planetas Júpiter (representando a realeza) e Saturno (representando os judeus) ocorreu em julho de 6 a.C. Kepler (antes de 1630 d.C.) foi o primeiro a mencionar este facto, embora preferisse a teoria da supernova.
Um cometa ou nova mencionado por astrónomos chineses em 5/4 a.C.
No entanto, o que parecia ser uma estrela precedeu-os e parou sobre a casa, conforme Mateus 2:9-10. Embora o grego possa referir-se apenas à cidade, e não à casa, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 88, uma conjunção planetária de Júpiter e Saturno, bem como um cometa, não podem fazer isso. Independentemente de terem ou não reparado inicialmente numa conjunção ou num cometa, quando chegaram à Palestina, um anjo estava a utilizar sobrenaturalmente alguma luz para os guiar.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 85, e Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 132, para mais informações.
P: Em Mt 2,6, por que razão se diz «não pequeno», uma vez que Miqueias 5,2 diz «pequeno» no texto massorético e «muito pequeno» na Septuaginta?
R: Foram os escribas que afirmaram isto e, embora pudessem simplesmente ter-se enganado — especialmente se estivessem a traduzir oralmente —, o seu significado estava correto neste caso. Miqueias 5:2 diz: «Tu, Belém Efrata, sendo a menor entre os milhares de Judá, de ti sairá Aquele que será o meu governante em Israel...» (Tradução Literal de Green) O que Miqueias 5:2 pretende transmitir é que, embora Belém fosse pequena em tamanho, tornar-se-á grande em importância. Assim, os mestres da lei não estavam enganados, na medida em que Belém terá uma grande importância, apesar do seu pequeno tamanho.
Consulte a *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 318-319, e *Quando os Críticos Perguntam*, p. 327, para obter respostas complementares.
P: Em Mt 2,6, como se pronuncia «magi»?
R: Pronuncia-se «MA-ji», com ambas as vogais longas, de acordo com o «Wycliffe Bible Dictionary».
P: Em Mt 2,6, por que razão se diz «governadores/princes», uma vez que Mi 5,2 diz «milhares» no texto massorético e na Septuaginta?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1) Miqueias 5:2 diz: «Tu, Belém Efrata, sendo a menor entre os milhares de Judá, de ti sairá Aquele que será meu, para se tornar governante em Israel…» (Tradução Literal de Green). A questão é que, embora Belém fosse pequena em tamanho, tornar-se-á grande em importância.
2) A palavra hebraica para «milhares» (plural) em Miqueias 5:2 é ‘alapim. O equivalente grego é chiliasin. A palavra hebraica para governadores/princes (plural) é ‘allupe. O equivalente grego é hegemosin. Embora as palavras gregas sejam totalmente diferentes, as palavras hebraicas são quase idênticas, exceto pelas vogais. O Antigo Testamento foi originalmente escrito sem vogais; estas só foram adicionadas por volta de 700 d.C. Isto indica que não estavam a ler a partir da Septuaginta grega, mas sim a partir do hebraico, do aramaico ou, possivelmente, de outra tradução grega.
3) Estas palavras foram proferidas pelos sacerdotes e mestres da lei. Podem ter cometido um erro, ou podem ter citado a Herodes uma tradução grega diferente da Septuaginta. No entanto, é mais provável que estivessem a traduzir oralmente do hebraico para o aramaico ou para o grego à medida que falavam.
4) Na verdade, porém, os sacerdotes e mestres da lei não cometeram qualquer erro ao transmitir o significado: a pequena Belém NÃO é a menos importante para o governante que daí virá.
Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», pp. 318-319, o «Comentário Bíblico do Expositor», vol. 8, p. 88, e o «Testamento Grego do Expositor», vol. 1, p. 72, para obter respostas complementares.
P: Em Mt 2,8.12, terá Deus ordenado aos Reis Magos que não cumprissem a sua palavra a Herodes, uma vez que lhes foi dito para não regressarem a Herodes?
R: Herodes estava preocupado, uma vez que, para começar, nunca tinha estado na linha de sucessão ao trono. O seu pai era edomita, a sua mãe era árabe e ele próprio era apenas um convertido ao judaísmo. Quando se tornou rei em 40 a.C., foram necessários três anos e a ajuda romana para esmagar as revoltas contra ele. Quando Herodes pediu aos magos que regressassem até si, aparentemente já tinha um plano para destruir este rei e tentou envolver os magos no seu plano maléfico. Provavelmente não ocorreu a Herodes que, embora estivesse zangado com os magos por o terem enganado, ele próprio tinha tentado primeiro enganá-los, dizendo que também queria adorar Jesus. A propósito, Belém ficava apenas a 5 milhas (9 km) a sul-sudeste de Jerusalém. Quanto aos Magos, como afirma o «Believer’s Bible Commentary», na página 1207: «Ninguém que encontra Cristo com um coração sincero regressa jamais da mesma forma.»
O tempo verbal da pergunta não significa «onde está aquele que eventualmente se tornará o rei dos judeus», mas sim «onde está aquele que é agora o legítimo rei dos judeus», de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 86.
Três pontos a considerar na resposta.
1. Mateus 2 nunca afirma que os Magos prometeram a Herodes que regressariam.
2. Mateus 2 nunca afirma que os Magos tenham dito a Herodes que pretendiam regressar. Mesmo que o tivessem feito, após o sonho, a sua intenção alterou-se.
3. Mesmo que tivessem prometido a Herodes, uma promessa não deve necessariamente ser cumprida se:
3a) A promessa tiver sido feita sob condições enganosas,
3b) Se prometer algo que seja diretamente contrário à vontade de Deus.
3c) Cumprir a sua promessa significar que uma pessoa inocente morrerá.
Por exemplo, imagine que um homem lhe pede para lhe ligar quando uma mulher sair de casa, porque diz que quer deixar flores à porta dela, e o senhor promete fazê-lo. Mais tarde, descobre que o homem assaltou várias casas e tenciona assaltar a casa dela. Quando vir a mulher a sair de casa, deve o senhor ligar ao assaltante, porque foi isso que prometeu? Não!
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», pp. 21-22; o «Believer’s Bible Commentary», p. 1207; «Mateus 1-7: Um Comentário», de Ulrich Luz, p. 136; o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 84; e o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 69, para mais informações.
P: Em Mt 2,11, uma vez que a astrologia está errada, por que razão os Magos seguiram a estrela?
R: Primeiro, vamos aprender um pouco sobre os Magos e, em seguida, ver o que isto nos ensina sobre Deus.
Os Magos eram uma tribo de sacerdotes medos, de certa forma semelhantes aos sacerdotes israelitas, que descendiam de Levi. Pode ler mais sobre os Magos no excelente livro «Persia and the Bible». Sabe-se que os Magos praticavam astrologia.
A profecia de uma estrela que surgiria de Judá remonta a Balaão, em Números 24:17.
A astrologia é contrária à Bíblia: é muito provável que os Magos não soubessem que o Antigo Testamento afirma que a astrologia era errada (Lev 19:26; 20:27; Dt 18:11-14; 2 Reis 17:16; 21:3,5; 2 Cr 33:3-6). Por outro lado, a estrela não previu a vinda de Cristo, mas sim anunciou-a.
Eis o que o escritor da Igreja primitiva Tertuliano (198-220 d.C.) escreveu sobre os astrólogos em «Sobre a Idolatria», cap. 9 (vol. 3), p. 66: «Não sabeis nada, astrólogo, se não sabeis que devíeis ser cristão. Se o soubesse, deveria também ter percebido que não deve ter mais nada a ver com essa vossa profissão que, por si só, antecipa os momentos decisivos da vida alheia e poderia alertá-lo para o seu próprio perigo. Não há parte nem destino para si nesse vosso sistema. Não pode aspirar ao reino dos céus quem, com o dedo ou a varinha, abusa do céu.»
Deus nunca disse que Se limitava a usar apenas meios bons para atrair as pessoas para Si. Por vezes, Deus usa meios verdadeiramente perversos, tais como o exército babilónico (Habacuque 1:6, 13). Deus pode usar a doença, pessoas más e até mesmo o pecado involuntário (como no caso dos Magos) para atrair as pessoas para Si.
O mais estranho de tudo é que Deus utilizou o pecado deliberado e intencional dos crentes para resgatar esses mesmos crentes. Pode ler tudo sobre isto na narrativa de José e dos seus irmãos, em Génesis 37 e 50, e especialmente em Génesis 50:20. Na verdade, Deus pode fazer com que todas as coisas contribuam para o bem (Romanos 8:28) e para os Seus desígnios (Efésios 1:11)
Em conclusão, tal como o facto de Deus ter utilizado o rapto de José para os Seus desígnios não justifica o rapto, o facto de Deus utilizar a astrologia para os Seus desígnios não justifica a astrologia.
Consulte o livro «O Livro Completo de Respostas Bíblicas», p. 55; «Ditos Difíceis da Bíblia», pp. 353-354; «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», pp. 317-318; «Quando os Críticos Perguntam», pp. 326-327; e «Quando os Seguidores de Seitas Perguntam», p. 93, para obter respostas complementares.
P: Em Mt 2,11, os presentes têm algum significado?
R: Os presentes valiam muito dinheiro, o que seria importante para sustentar a família no Egito durante dois anos. Mas, para além disso, a Bíblia não lhes atribui qualquer significado específico. Alguns especularam que o ouro é apropriado porque representa a realeza. O incenso fazia parte da fórmula do incenso que os sacerdotes utilizavam. A mirra é uma substância amarga, valiosa na preparação de corpos para o enterro. Existem também outras perspetivas. Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 89, e «Matthew 1-7: A Commentary», de Ulrich Luz, p. 138, para mais informações.
P: Em Mt 2,15 e Os 11,1, de que forma «do Egito chamei o meu filho» constitui uma profecia sobre Cristo?
R: Oséias 11:1 foi inicialmente aplicado ao povo israelita. Mateus está a utilizar não só Oséias 11:1, mas também muitos outros versículos do Antigo Testamento para mostrar que a vida de Cristo era paralela à do povo israelita (exceto no que diz respeito ao pecado). Mateus escreve para judeus versados no Antigo Testamento e, aparentemente, está a utilizar o que os eruditos judeus da época reconheceriam como técnicas midráshicas. Ele estava a recorrer à interpretação midráshica judaica para desvendar o significado e a aplicação por trás de cada palavra.
A título de nota à parte, Filo afirma que havia cerca de um milhão de judeus a viver no Egito na sua época, por volta do ano 40 d.C.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 22, o «New International Bible Commentary», p. 1122, e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 90, 91-92, para mais informações.
P: Em Mt 2,16, existe algum outro relato sobre o rei Herodes, o Grande, ter massacrado crianças em Belém?
R: Belém era uma pequena cidade; isto pode ter-se traduzido na morte de apenas algumas dezenas de bebés, o que era insignificante em comparação com outras execuções pelas quais Herodes era mais conhecido.
Há muitos acontecimentos que não saberíamos que ocorreram, nem como ocorreram, se não fosse por um único registo histórico. Por exemplo, não temos qualquer registo da conquista da Gália pelos romanos, nem de como a conquistaram — exceto por uma única fonte: os escritos de Júlio César. Da mesma forma, também não existem relatos não cristãos de que Jesus tenha sido crucificado; apenas se menciona de passagem que Cristo foi executado (ou seja, sofreu a pena máxima).
Neste caso, para além da Bíblia, outros autores que mencionam Herodes, o Grande, a massacrar as criancinhas antes do Concílio de Nicéia são:
Justino Mártir, em «Diálogo com Trifão», cap. 78, p. 238 (c. 138-165 d.C.), menciona que os Magos visitaram Herodes e que este massacrou todas as crianças em Belém.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) afirma que [Deus] «retirou aquelas crianças pertencentes à casa de David, cuja sorte feliz foi terem nascido naquela altura, para que Ele as pudesse enviar antes para o Seu reino» — Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 16.4, p. 442
Orígenes (225-254 d.C.) afirma que Herodes matou todos os bebés em Belém e nas zonas circundantes, na esperança de matar o Rei dos Judeus. Contra Celso, livro 1, cap. 61, p. 423
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) (implícito, sem menção a Herodes) refere que, aquando do nascimento de Cristo, foram mortas crianças com dois anos de idade ou menos por causa de Cristo. Carta 55, cap. 6, p. 349
Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) menciona as crianças que Herodes massacrou por causa de Cristo. Epístola Canónica, Cânone 13, p. 277
Após 325 d.C.
Hegemónio (meados do século IV) afirma que, na época de Jesus, Herodes matou «todos os [crianças] do sexo masculino entre os judeus». A Disputa com Manes, cap. 44, p. 220
Em resumo, «É verdade que Josefo, a nossa fonte de informação sobre a história judaica, nada diz sobre o massacre dos inocentes; e é também verdade que as passagens nas obras dos historiadores que efetivamente mencionam este acontecimento são tão tardias e tão provavelmente derivadas do Evangelho de Mateus que possuem pouco valor. Mas o argumento do silêncio é, neste caso, totalmente desprovido de peso. Sem dúvida, do nosso ponto de vista, o massacre de crianças pequenas seria uma forma particularmente atroz de homicídio, que teria de ser mencionada em qualquer relato detalhado dos acontecimentos da época — até mesmo, talvez, em Chicago! Mas na Antiguidade, quando a exposição de bebés era uma prática comum — à qual se alude, por exemplo, num dos papiros não literários, da forma mais casual possível, como uma característica comum da vida da época —1 —, o homicídio de crianças provavelmente não seria encarado com qualquer horror especial. Além disso, não devemos exagerar o número de bebés que teriam sido mortos. Se Belém era uma pequena aldeia, como provavelmente era, então o número de meninos com menos de dois anos de idade não excederia, talvez, vinte ou trinta. Nas orgias de sangue e crueldade que marcaram os últimos anos do reinado de Herodes, a morte de uma dezena de crianças numa aldeia obscura poderia muito bem ter escapado à atenção do nosso único historiador. Mas mesmo que Josefo tivesse conhecimento do incidente, e mesmo que o considerasse, por si só, digno de menção, havia, neste caso, uma razão especial para o seu silêncio. O incidente envolvia as esperanças messiânicas judaicas; e, sem dúvida, Josefo evitou propositadamente a menção de tais assuntos na história que escreveu para os leitores romanos. Não há, portanto, razão para supor que, se o massacre dos inocentes tivesse realmente ocorrido, Josefo o tivesse necessariamente incluído na sua obra histórica.
Mas é necessário referir também algo de mais concreto. Embora o massacre dos inocentes não seja diretamente atestado pela história secular, está em perfeita consonância com o que sabemos sobre o caráter de Herodes nos seus últimos anos. Herodes, o Grande, foi um monarca competente, mas nos últimos anos do seu reinado enveredou por uma trajetória de crueldade que chegou à beira da loucura. As suas ações ao mandar executar os seus próprios filhos e a sua amada esposa, bem como o seu plano (interrompido apenas pela sua morte) de massacrar todos os cidadãos proeminentes de Jerusalém no teatro, revelam exatamente essa qualidade de sede de sangue selvagem e inútil que se manifesta no massacre dos inocentes em Belém. Nunca houve uma história mais consentânea com o seu caráter do que esta. Em geral, podemos afirmar que a dificuldade que se tem encontrado no silêncio da história secular sobre o ato sangrento em Belém não tem qualquer importância.» J. Greshem Machen, *O Nascimento Virginal de Cristo*, cap. 10, p. 239
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1208, e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 94, para mais informações.
P: Em Mt 2,16, para além de ter matado os bebés em Belém, Herodes, o Grande, alguma vez foi cruel para com mais alguém?
R: Sim. O *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 799, afirma que é difícil acreditar que o massacre de Herodes tenha realmente ocorrido. No entanto, uma vez que o século XX — supostamente mais civilizado — testemunhou figuras como Pol Pot, do Camboja, Idi Amin, do Uganda, Hitler, Estaline e Mao Tse-Tung, não é difícil acreditar que Herodes fosse capaz de tal ato.
Consulte a pergunta anterior para conhecer seis escritores pré-nicenos que referiram o massacre de crianças por parte de Herodes. A propósito, não confunda Herodes (o Grande), que reinava quando Jesus nasceu, com Herodes (Antipas), a quem Jesus se dirigiu imediatamente antes de ser crucificado.
O caráter de Herodes, o Grande, era tal que ele matou muitas pessoas ao longo dos 36 anos do seu reinado. Herodes executou ou mandou assassinar a sua esposa Mariamne e dois maridos da sua irmã Salomé. Herodes mandou afogar o seu cunhado no rio Jordão e mandou matar a sua sogra Alexandra. Matou Hircano, o último da dinastia hasmoneu. Matou muitos fariseus e muitas famílias nobres. Os rabinos judeus Jehuda ben Saripha e Mattathias ben Margoloth foram queimados vivos. Herodes mandou matar os seus próprios filhos, Alexandre e Aristóbulo. Ele providenciou a morte de centenas de líderes judeus no dia da sua morte. Uma vez que Herodes, tal como a maioria dos judeus, não comia carne de porco, isto levou o imperador romano a comentar ironicamente que preferia ser a porca de Herodes do que o seu filho. Em grego, a palavra «porca» é «huos» e a palavra «filho» é «huios». Cinco dias antes de Herodes morrer, mandou matar o seu filho Antipater. (Três filhos mais novos, Arquelau, Herodes Antipas e Filipe, sobreviveram-lhe). Não há dúvida de que Herodes tinha a falta de fibra moral necessária para matar as crianças. Tendo em conta todas as outras «notícias» que Herodes gerou, matar crianças numa pequena cidade pode parecer menos digno de destaque.
Após a morte de Herodes, em 4 a.C., houve uma revolta, e Arquelau enviou tropas para Jerusalém, onde matou 3 000 pessoas num único dia. Quando Arquelau e Herodes Antipas se deslocaram a Roma, Sabino, um agente do Tesouro Imperial, veio para auditar os impostos. Retirou 400 talentos do Tesouro do Templo. Houve uma revolta em 9 d.C., que foi reprimida pelas tropas sírias sob o comando de Quintílio Varo.
A obra «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 17, cap. 213 [ix.3], e o livro «A Bíblia como História», p. 358, referem que ocorreu um eclipse lunar quando Herodes, o Grande, faleceu, o que situaria a data da morte em 12/13 de março de 4 a.C.
Consulte «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 23, e «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 84, para mais informações.
P: Em Mt 2,16, os outros reis eram tão maus como Herodes?
R: Poder-se-ia dizer que Herodes não era diferente de muitas pessoas hoje em dia; não havia lugar para nenhum outro rei além dele, e ele recorria a todos os meios ao seu alcance para garantir isso, independentemente de quem mais fosse prejudicado.
Alguns reis eram melhores do que outros, mas alguns eram muito perversos. Por exemplo, o rei partiano Fraates IV assassinou o seu pai, Orodes II, em 37 a.C. Os romanos enviaram-lhe uma escrava italiana chamada Musa. Fraates teve um filho com ela, Fraataces (= Fraates V). Musa envenenou o seu marido, Fraates IV, em 2 a.C. Casou-se então com o seu próprio filho em 2 d.C. Fraates V foi exilado em 4 d.C. Isto de acordo com a Enciclopédia Britânica de 1972.
P: Em Mt 2,18, de que forma se cumpre em Jesus a profecia de Jeremias sobre Raquel?
R: Em Génesis 35:16-19, Raquel morreu ao dar à luz Benjamim. Na altura em que Jeremias escreveu estas palavras sobre Raquel, a esposa de Jacob, ela já estava morta há mais de 1 000 anos. As palavras de Jeremias não têm dois significados, mas sim apenas um significado com dois cumprimentos, além de um terceiro cumprimento que remonta a Génesis. O que Jeremias quer dizer é que, tal como Raquel ficaria de luto pela morte e escravidão dos seus descendentes, quer fosse às mãos dos egípcios ou dos babilónios, Raquel ficaria de luto pela morte dos seus descendentes às mãos de Herodes. No tempo de Jeremias, o profeta repetiu estas palavras para profetizar os mesmos sentimentos de luto pela perda dos judeus exilados na Babilónia, perto do túmulo de Raquel.
Mateus, da mesma forma, utiliza as mesmas palavras para expressar a perda causada pela morte dos meninos de Belém, que ficava perto do túmulo de Raquel.
Se um cético tiver algum problema com o facto de Mateus utilizar as palavras de Jeremias, poderá ter um problema semelhante com o facto de Jeremias utilizar palavras do Génesis. O cerne da questão é o seguinte: tal como os judeus na época de Jeremias compreenderam a interpretação ao afirmar que o cativeiro se relacionaria com a dor de Raquel no Génesis, os judeus na época de Jesus compreenderiam este tipo de interpretação midráshica utilizada por Mateus.
Consulte «The Tony Evans Bible Commentary», pp. 866-867, «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 91-92, e «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 75-76, para mais informações.
P: Em Mt 2,22, uma vez que os filhos de Herodes, o Grande, reinavam tanto na Judeia como na Galileia, por que razão José decidiria ir para a Galileia em vez de para a Judeia?
R: O cético «Asimov’s Guide to the Bible», p. 800, apresenta aqui duas observações úteis.
1. Arquelau, que reinou na Judeia a partir de 4 a.C., pode ter ouvido falar de Jesus, um rei recém-nascido, e estar ansioso por matá-Lo também. Herodes Antipas, que era tetrarca da Galileia, pode ter tido uma atitude diferente.
2. Asimov salienta que Arquelau era tão hostil que judeus e samaritanos, inimigos entre si, se uniram no seu apelo a Roma para destituir Arquelau. Quando Herodes morreu, Arquelau governou apenas 10 anos. Por outro lado, Herodes Antipas governou pacificamente na Galileia durante mais de 40 anos.
No entanto, há uma razão muito mais óbvia em Lucas 2:39. José era de Nazaré, não de Belém. José não só se dirigia para a terra do governante mais moderado, como também estava simplesmente a regressar ao seu local de origem.
P: Em Mateus 2:23, do ponto de vista arqueológico, é verdade que não há provas da existência de uma cidade chamada Nazaré, como afirmou um ateu?
R: Não. O ateu Frank Zindler afirmou isso num artigo intitulado «Where Jesus Never Walked» («Onde Jesus Nunca Andou»), de acordo com o livro *The Case for Christ*, p. 102 (p. 137-138 na edição de bolso). O Talmude menciona 63 outras cidades da Galileia (mas não Nazaré), e Josefo menciona 45 outras cidades na Galileia (mas não Nazaré). Nazaré é mencionada no início do século IV d.C. e na literatura judaica a partir do século VII d.C., aproximadamente.
No entanto, os arqueólogos encontraram vestígios em Nazaré que remontam ao ano 900 d.C. (após o início do reinado de Salomão) e que se estendem pelos períodos greco-romano e bizantino. Em 1962, foi encontrada em Cesareia uma inscrição relativa à rotação dos sacerdotes. A inscrição preservou: «... Mamliah ... Nazaré ... Akhlah ... Migdal [Magdala]» O livro «The Case of Christ», na página 103, refere que, após a queda de Jerusalém em 70 d.C., os arqueólogos encontraram uma lista em aramaico de sacerdotes que foram transferidos, e um deles constava como tendo-se mudado para Nazaré. Foram descobertos túmulos do século I nos arredores de Nazaré. Por fim, em 1955, foram encontrados vestígios pré-cristãos sob a atual Igreja da Anunciação, em Nazaré.
Nazaré era também menosprezada porque, de acordo com *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 23, Nazaré albergava a guarnição romana responsável pelas regiões setentrionais da Galileia.
Consulte https://www.ministrymagazine.org/archive/1975/12/nazareth-attested-in-caesarea-fragments e o «New International Bible Commentary», p. 1123, para mais informações.
P: Em Mt 2,23, segundo os arqueólogos, qual era exatamente a dimensão de Nazaré?
R: De acordo com «The Case for Christ», pp. 103-104, Nazaré era uma cidade muito insignificante. Tinha cerca de 60 acres, com uma população máxima de cerca de 480 habitantes na época em que Jesus nasceu.
P: Em Mt 2,23, onde é que está profetizado que Jesus seria chamado de nazareno?
R: Em primeiro lugar, apresentaremos a resposta do escritor da Igreja primitiva Tertuliano (que é provavelmente incorreta) e, em seguida, a resposta mais provável.
Lamentações 4:7 (Septuaginta) Tertuliano, em 207 d.C., respondeu a esta questão na sua obra *Contra Marcião*, livro 4, capítulo 7. Enquanto o texto massorético de Lamentações 4:7 diz: «os seus príncipes eram mais brancos do que a neve», a Septuaginta diz: «os seus nazireus eram mais brancos do que a neve». Tertuliano refere que isto se refere tanto aos «nazireus» (aqueles que fazem um voto a Deus de se absterem de álcool, cadáveres e outras impurezas), como aos «nazarenos», aqueles que são originários de Nazaré.
Tertuliano afirmou: «O Cristo do Criador tinha de ser chamado nazareno, de acordo com a profecia; daí que os judeus também nos designem, precisamente por essa razão, como nazarenos, a seu exemplo. Pois somos nós aqueles de quem está escrito: “Os seus nazireus eram mais brancos do que a neve”;»
O Renovo: O Messias é referido como «o renovo» em Isaías 11:1, Jeremias 23:5, 33:5; e provavelmente em Zacarias 3:8; 6:12. As consoantes da palavra «ramo» são idênticas às de «nazarenos», e o Antigo Testamento hebraico foi originalmente escrito sem vogais. Além disso, o *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, p. 23, menciona que «ramo» transmitia a ideia de um início insignificante, e a reação dos fariseus demonstrou que Nazaré tinha a mesma conotação.
Consulte *When Critics Ask*, p. 328, e *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 97, para mais informações.
P: Será que Mateus 2:23 estava errado ao afirmar que o facto de Jesus ser de Nazaré cumpria o Antigo Testamento (Isaías 11:1, Zacarias 6:12 e outras passagens), tal como afirma o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 801-802?
R: De modo algum. Primeiro, eis o que Asimov afirma, e depois a resposta.
O cético *Asimov’s Guide to the Bible*, pp. 801-802, menciona que «Mateus pode ver aqui uma semelhança com “nazarenos”. (Na verdade, as duas palavras são idênticas em hebraico, uma vez que as vogais não eram escritas.) Asimov, na p. 802, afirma que «Mateus está, na melhor das hipóteses, a fazer um jogo de palavras, e não se está a referir a qualquer profecia concreta de que o Messias fosse um habitante de Nazaré».
A resposta é que o Antigo Testamento afirma que o Messias seria chamado de «renovo», sem especificar uma ou mais razões para tal. Mateus 2:22 não impede que Jesus seja também o «renovo» de Deus, a partir do qual a Sua igreja cresceria.
P: Em Mt 3,1-4, como é que eles conceberiam o deserto?
R: Tratava-se de um local seco e árido, mas não como o Deserto do Saara. Não era possível cultivar sem irrigação extensiva, mas podia-se criar ovelhas e cabras se houvesse locais onde lhes pudesse dar de beber. Não era um local de conforto e entusiasmo, mas sim um lugar vazio, solitário e tranquilo, afastado da civilização. Os israelitas encontravam-se no deserto enquanto preparavam a próxima geração para entrar na Terra Prometida. Paulo esteve no deserto da Arábia antes de iniciar o seu ministério.
Hoje em dia, por vezes, Deus leva os crentes para o deserto. Não é um local de entusiasmo, mas sim de tranquilidade. Pode não ser um local de ministério ativo, embora, no caso de João, tenha sido um local de ministério e, para o povo, um local de arrependimento e dedicação. Pode ser um local de preparação.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 867, para mais informações.
P: Em Mt 3,4 e Mc 1,6, os gafanhotos que João Batista comeu eram alimentos puros ou impuros?
R: Havia gafanhotos puros e impuros, e os Evangelhos não o especificam. No entanto, podemos presumir que João, sendo um judeu obediente, comia a variedade pura. Os animais puros incluíam «insetos saltadores» com asas e patas articuladas, incluindo gafanhotos e salteadores, de acordo com Levítico 11:21-22 e Deuteronómio 14:21. Os animais impuros incluíam os «voadores», de acordo com Números 11:20, 23 e Deuteronómio 14:19. Ainda hoje, as pessoas mais pobres apanham e matam gafanhotos puros, retiram-lhes as asas e as patas, cozem-nos e comem-nos.
Consulte «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 80, para mais informações.
P: Em Mt 3:4 e Mc 1:6, João Batista comia insetos chamados gafanhotos, ou isso significa que ele se alimentava da árvore do gafanhoto?
R: Eis o que dizem as fontes antigas e modernas sobre a palavra grega para «gafanhotos»: akrides.
Os ebionitas (uma heresia antiga) tentaram fazer de João um vegetariano. Assim, afirmaram que se tratava de bolos de mel, egkrides, em vez de gafanhotos.
Tatiano elaborou um resumo dos quatro evangelhos chamado Diatessaron e referiu «leite» em vez de «gafanhotos».
Teófilacto 173 enumera uma série de possibilidades, incluindo a planta melagron.
Vários monges chamaram à alfarrobeira a «árvore do pão de São João», porque pensavam que se tratava de uma «árvore de gafanhotos».
Teodoro de Mopsuéstia, talvez em resposta a quem afirmava que se tratava de outra coisa, afirmou que se tratava de gafanhotos com asas.
O problema com estas interpretações é que, aparentemente, não existem manuscritos bíblicos que indiquem que se tratava de outra coisa que não «gafanhotos». Os primeiros cristãos, como Clemente de Alexandria, escreveram sobre Mateus 3:4 e não viram qualquer razão para considerar os gafanhotos como algo que não fossem insetos.
Entre as referências modernas que afirmam que os gafanhotos são insetos contam-se a «The NIV Study Bible», p. 1445, o «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 104, o «Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 102, e o «New Bible Dictionary», p. 744.
A informação sobre as visões alternativas provém do livro de Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário» (Augsburg Fortress, 1989) e do «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 80-81.
P: Em Mt 3:4, Mc 9:3 e Atos 22:20 (KJV), o que é «raiment» e o que é um «fuller»?
R: «Raiment» significa vestuário e um «fuller» é alguém cuja função consiste em lavar roupa.
P: Em Mt 3,6, por que razão João batizava outras pessoas?
R: Era comum que uma pessoa se batizasse a si própria, numa bacia especial para esse fim, quando se convertia ao judaísmo. Mas esta é a primeira vez que ouvimos falar de alguém a batizar outra pessoa. No Antigo Testamento, a aspersão de água para purificação é mencionada em Ezequiel 36:25-27 e o derramamento do Espírito de Deus é mencionado em Ezequiel 39:29 e Joel 2:28.
João afirmou que batizava para o arrependimento, para fazer com que as pessoas voltassem para Deus e para preparar o caminho para o Messias. Quando um rei terreno se preparava para visitar uma cidade distante do seu reino, os trabalhadores das estradas partiam meses antes para preparar o caminho. De forma semelhante, João estava lá para preparar o caminho nos corações das pessoas para quando o Messias viesse.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 24, e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 286, para mais informações.
P: Em Mt 3,7-9, por que razão João falou de forma tão severa aos fariseus e saduceus?
R: João estava a exortar as pessoas a arrependerem-se, a confessarem os seus pecados e a abandonarem a sua antiga forma de agir. Embora os fariseus e os saduceus tivessem vindo, ele sabia que a maioria deles não o fazia com esse propósito. Na pior das hipóteses, vinham para investigar um mestre excêntrico e, talvez, para encontrar um motivo para se livrarem dele. Mesmo na melhor das hipóteses, procuravam apenas recolher algumas dicas para acrescentar à sua forma de agir já estabelecida. João não está a dizer que eles precisam apenas de ampliar os seus conhecimentos; precisam de se arrepender e de abandonar a sua dependência de um lugar, das tradições, das suas organizações ou dos seus cargos dentro dessas organizações. Perante um incêndio florestal, as cobras tentam fugir; no entanto, é difícil para elas chegarem muito longe. É como fugir da ira de Deus sem arrependimento. Mas João não disse que não podiam ficar e ouvir. Se os fariseus e os saduceus fossem sinceros no seu desejo de se arrependerem, poderiam também optar por ser batizados.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», pp. 867-868, o «The Expositor's Greek Testament», vol. 1, pp. 82-83, e o «The Expositor's Bible Commentary», vol. 8, p. 103, para mais informações.
P: Em Mt 3,9, por que razão João utilizou a expressão «não digam a vós próprios», e de que forma é que algumas pessoas mentem a si próprias hoje em dia?
R: João está a abordar uma mentira, mas quem é que está a mentir? Os demónios podem mentir-nos, e outras pessoas podem mentir-nos, mas, para além disso, muitas vezes há mentiras que contamos a nós próprios. Continua a ser uma mentira, mesmo que sejamos os únicos a ouvi-la. Podemos mentir ao dizer «esse pecado não é assim tão grave» ou «Deus compreende que eu fique aqui», quando Deus nos está a chamar ao arrependimento e à mudança. Outras mentiras são «há sempre tempo de sobra» ou «sou, no fundo, uma boa pessoa, por isso não preciso de mudar».
P: Em Mt 3,9, como poderia Deus fazer surgir filhos de Abraão das pedras, se assim o quisesse?
R: Deus Todo-Poderoso pode fazer qualquer coisa, até mesmo transformar pedras inanimadas em filhos com cópias dos genes de Abraão. Além disso, há aqui um jogo de palavras. Tanto em hebraico como em aramaico, a palavra para «pedras» é muito semelhante à palavra para «filhos».
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 103, para mais informações.
P: Em Mt 3,10, qual foi o objetivo de João Batista referir que o machado está posto à raiz da árvore?
R: Algumas coisas na vida são irreversíveis, como o corte de uma árvore. Depois de começar, não é possível desfazer o que foi iniciado. Da mesma forma, esta era a última oportunidade que lhes restava antes de serem cortados. O seu tempo tinha chegado ao fim.
P: Em Mt 3,11, de que forma a admissão de João de que não está a apresentar o quadro completo se aplica ao nosso testemunho?
R: João foi um precursor necessário, para fazer com que o povo voltasse para Deus antes da vinda de Jesus. João não queria que as pessoas acreditassem nas suas palavras e pensassem que isso era tudo o que tinham de fazer. Não, João era apenas a «entrada» e Jesus era o «prato principal». Mesmo assim, há algumas pessoas na história que ignoraram as palavras de João neste contexto. Estas pessoas pertencem à religião mandáea, professada pelos árabes dos pântanos no sul do Iraque. Acreditam que João Batista era enviado por Deus, mas que Jesus não o era.
Hoje, precisamos de partilhar o evangelho com as pessoas a partir do ponto em que elas se encontram. Se não acreditam que Deus existe, ou que existe apenas um Deus, temos de nos concentrar nisso. Talvez a partilha de outros pontos — como o facto de sermos todos pecadores, de Jesus ter morrido na cruz pelos nossos pecados e de precisarmos de aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador — venha mais tarde. Mas quando tivermos de adiar a partilha de parte do evangelho, seja por causa do tempo ou da situação espiritual em que a pessoa se encontra, devemos dizer-lhes que o que dissemos não é toda a história; há mais por vir.
P: Em Mt 3,11, de que forma é que Jesus batiza os cristãos com o Espírito Santo e com fogo?
R: A mensagem de João lembra-nos de Joel 2:28-29, que promete o Espírito Santo, e da purificação mencionada em Malaquias 3:2-5. Os crentes são batizados com o Espírito Santo quando acreditam em Cristo pela primeira vez. Embora a expressão moderna «batismo pelo fogo» signifique uma provação difícil, esse não é o significado aqui, porque é Jesus, e não os perseguidores, quem realiza o batismo, e é com fogo, não pelo fogo.
Existem três interpretações quanto ao significado de «fogo».
(improvável) Um segundo batismo pelo Espírito Santo: existe apenas uma preposição, ou seja, diz-se «pelo Espírito Santo e pelo fogo», e não «pelo Espírito Santo e pelo fogo». Assim, isto provavelmente não se refere a um segundo acontecimento.
(improvável) Pentecostes: Os apóstolos viram uma chama aparecer sobre as suas cabeças quando pregavam durante o Pentecostes, e esta interpretação significaria que João Batista estava a profetizar sobre o Pentecostes. O Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 2, p. 668, defende esta interpretação. A Bíblia de Estudo NIV, p. 1446, afirma: «Demonstrado de forma dramática no Pentecostes (At 1:5, 8; 2:1-13; 11:16), embora aqui “fogo” possa referir-se ao julgamento vindouro (ver v. 12).» Mas é provável que não se refira ao Pentecostes pela mesma razão que não se referiu ao primeiro. O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1211, acrescenta que isto é improvável porque o fogo é equiparado ao julgamento no versículo seguinte.
(improvável) Obra purificadora do Espírito Santo: A «New Geneva Study Bible», p. 1508, e o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 727, defendem esta interpretação. Orígenes (225-254 d.C.) também defendeu esta interpretação no «Comentário sobre João», livro 6, capítulos 16-17, pp. 366-367. No entanto, isto é improvável, uma vez que o joio é queimado com fogo inextinguível em Mateus 3:12. O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 104-105, defende esta interpretação, pois a preposição única em grego indicaria não dois batismos (o Espírito para os crentes e o fogo do julgamento para os incrédulos), mas apenas um batismo (o Espírito e o fogo purificador)
(improvável) O fogo do juízo para a obra de um cristão foi a interpretação de Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.) em «Sobre o Espírito», cap. 15.36, p. 22.
Fogo do inferno para os indivíduos que rejeitam Jesus: Consulte o *Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas*, pp. 150-152, para conhecer a interpretação de que isto significa que Jesus batizará os crentes com o Espírito Santo e aqueles que rejeitam Jesus com o fogo do juízo. João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.) ensinou esta perspetiva nas «Homilias sobre o Evangelho de Mateus», Homilia 11, capítulos 6-7, pp. 71-72, enfatizando a continuidade com outras advertências de João sobre o fogo. O «Expositor’s Greek New Testament», vol. 1, p. 84, afirma que João se centrou em três elementos: água, vento/espírito e fogo. João batizava com água, o Messias batizaria os crentes com o Espírito, e um batismo de fogo destruiria, no juízo, aqueles que não estivessem envolvidos com a água e o Espírito. Irineu de Lyon (182-188 d.C.) utiliza este versículo para falar do juízo de Deus sobre os incrédulos em «Contra as Heresias», livro 4, cap. 4.3, p. 466. Tertuliano (198-220 d.C.) afirma que o batismo com água é para a salvação, e que a fé fingida e fraca é batizada com fogo, para o julgamento («Sobre o Batismo», cap. 10, p. 674).
O fogo do juízo do fim dos tempos, quando Jesus regressar. O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1211, defende esta perspetiva.
Significados múltiplos: O «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 25, afirma que isto se refere tanto ao julgamento como à purificação dos crentes. Teodoto, provavelmente montanista, p. 124 (c. 240 d.C.), afirma que o fogo é simplesmente o elemento destruidor, que purifica o mal nos crentes e (segundo ele sugere) destrói os outros.
Não especificado: Os seguintes autores citaram este versículo, mas não mencionaram uma interpretação específica.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) em «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 49, p. 219
Hipólito (222-234/5 d.C.) em «O Discurso sobre a Santa Teofania», cap. 3, p. 235
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) em «Os Tratados de Cipriano», Tratado 12, cap. 1.12, p. 511
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) analisa este versículo, mas não menciona uma interpretação específica (Harmonia dos Evangelhos, livro 2, cap. 12.26, p. 117).
Consulte a nota de rodapé da NET Bible sobre Mateus 3:11 para obter mais informações sobre as diferentes interpretações.
P: Em Mt 3,12, como funciona a separação do joio?
R: Quando se colhe trigo, a maior parte do que se colhe não é comestível. Tem-se a semente boa rodeada pela casca, que está presa ao talo. Primeiro, realiza-se a debulha, em que os bois pisam o trigo para separar as sementes — que são mais densas — de tudo o resto. Depois, pode-se utilizar um forcão ou uma pá de joeirar, também chamada de leque de joeirar, para atirar a mistura para o ar, de modo a que o vento afaste o joio não comestível das sementes comestíveis.
A imagem aqui é a de que a colheita do trigo proporciona uma grande quantidade de material, mas apenas uma pequena fração deste é realmente útil. Sim, cortar os talos de trigo é importante e demorado, mas separar o trigo do joio é igualmente importante e demorado. Levar as pessoas a terem uma resposta positiva à mensagem do Evangelho é importante, mas isso é, no máximo, apenas metade do trabalho de fazer discípulos de todas as nações.
Consulte «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 84; «The Tony Evans Bible Commentary», p. 868; e «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 105, para mais informações.
P: Em Mt 3,14, por que razão Jesus quis ser batizado e por que razão João quis impedi-Lo?
R: É claro que Jesus não tinha pecados dos quais se arrependesse, mas identificou-Se connosco em todos os aspetos. Ao seguirmos o exemplo de Jesus, Ele foi batizado. Jesus também validou aqui o ministério de João.
Mas analisemos novamente estes versículos na perspetiva de João. O objetivo principal da vida de João era pregar o arrependimento e levar as pessoas a assumirem publicamente o compromisso de se arrependerem e seguirem Deus através do batismo com água. João estava cheio do Espírito Santo desde o nascimento e sabia que a sua compreensão estava correta. Ele sabia que Jesus era o Messias sem pecado. Por isso, João ficou perplexo com o facto de Jesus querer ser batizado.
O ponto de vista de João estava correto, exceto pelo facto de ser excessivamente simplificado. João percebeu que Jesus não precisava de se arrepender e considerou absurdo que o mero precursor batizasse o próprio Messias. Por si só, os argumentos de João eram válidos. Mas o que João não percebeu foi que, para cumprir toda a justiça, Jesus se identificou connosco em todos os aspetos. Jesus era maior do que João Batista; Jesus não negava isso. Mas Jesus humilhou-se e veio para servir, pelo que, no versículo 15, o Senhor essencialmente ordenou a João Batista que permitisse que Jesus ocupasse aqui a posição mais humilde.
Aqui é revelado algo precioso sobre o coração de João. João, embora não estivesse 100% correto, via a única missão da sua vida como sendo pregar e batizar aqueles que precisavam de se arrepender. Batizar Jesus não se enquadrava na perceção que João tinha da obra da sua vida. Então, o que era mais importante para João: servir a Deus cumprindo aquilo que ele via como o propósito que Deus lhe tinha dado, ou seguir e obedecer ao Senhor para onde quer que Ele o conduzisse? Embora João não tivesse uma compreensão clara de tudo — pelo menos até mais tarde —, escolheu a segunda opção. Nós também não devemos apenas seguir a Deus, mas segui-Lo sem condições prévias.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 868; «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 85-86; o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 727; o «Believer’s Bible Commentary», p. 1212; e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 107-108, para mais informações.
P: Em Mt 3,16, por que razão «infelizmente, o pobre Jesus (que a paz esteja com ele) teve de esperar TRINTA ANOS após o seu nascimento para receber o dom do ESPÍRITO SANTO no seu batismo pelas mãos de João Batista», quando o dom do Espírito Santo «é tão acessível que 75 000 000 de “RENASCIDOS” cristãos da América também se vangloriam de possuí-lo» e, em Lc 1:15, João Batista estava cheio do Espírito Santo desde o nascimento. (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Em primeiro lugar, como nota à parte, Maomé esperou QUARENTA anos antes de afirmar que era um profeta. Deedat está a confundir «gratuito» com «barato», e parece ter-se esquecido do ensinamento bíblico sobre a divindade de Cristo. Deedat nunca recebeu o dom do Espírito Santo, pelo que não conhece a diferença entre o dom do Espírito Santo e o Espírito Santo a descer visivelmente sobre Jesus na forma de uma pomba.
Gratuito, mas não de baixo valor: O dom foi muito caro, custou a morte de Jesus. Mas Deus concede-o gratuitamente a todos os que acreditarem no Seu evangelho.
A divindade de Cristo: O «pobre» Jesus não teve de esperar trinta anos; não só a graça de Deus repousava sobre Jesus quando era criança (Lucas 2:40), como Jesus é o próprio Deus, e o Pai estava n’Ele. Jesus não precisou de ser cheio do Espírito Santo como nós; o Pai e Jesus enviaram-nos o Espírito Santo.
O Espírito Santo a pousar sobre Jesus não é o dom do Espírito Santo: Deedat interpreta erroneamente que Jesus foi cheio do Espírito Santo no Seu batismo; não diz que Jesus foi cheio do Espírito Santo no Seu batismo. Pelo contrário, o Espírito Santo pousou sobre Jesus de forma corporal e visível, como uma pomba. Quando os cristãos são cheios do Espírito Santo, o Espírito Santo não pousa sobre eles como uma pomba, pelo que se trata de algo diferente.
Por fim, vamos comparar a experiência de Jesus com a de Maomé.
1. Maomé, de quem os hadiths dizem que, enquanto profeta, foi submetido a um feitiço maligno.
1a. Labid bin el-Asim, o judeu, lançou um feitiço sobre Maomé. Ibn-i-Majah, vol. 5, n.º 3435, p. 60-61
1b. Maomé foi submetido a um feitiço maligno, de acordo com o Sahih Muslim, vol. 3, livro 24, n.º 5428-5429, p. 1192-1193; Sahih Muslim, vol. 2, livro 4, n.º 1888, p. 411. Ver também Bukhari, vol. 8, livro 73, cap. 56, n.º 89, p. 57, e Bukhari, vol. 8, livro 73, cap. 59, n.º 400, p. 266.
2. Maomé temia o tormento da sepultura para si próprio.
2a. Uma mulher judia disse a Maomé: «Que Alá o proteja do tormento da sepultura.» Depois disso, Maomé rezou pedindo refúgio contra o tormento da sepultura. Sunan Nasa’i, vol. 2, n.º 1479, pp. 281-282
2b. «‘A’isha relatou: O Profeta Sagrado (que a paz esteja com ele) entrou na minha casa quando uma judia se encontrava comigo e ela dizia: “Sabe que será submetido a um julgamento no túmulo?” O Mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) estremeceu (ao ouvir isto) e disse: “São apenas os judeus que serão submetidos a um julgamento.” ‘A’isha disse: Passaram-se algumas noites e, então, o Mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) disse: «Sabes que me foi revelado: “Serás submetida a um julgamento na sepultura”?» ‘A’isha disse: «Ouvi o Mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) a pedir refúgio contra o tormento da sepultura depois disso.» Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1212, p. 290
2c. Abu Huraira relatou: «Ouvi o Mensageiro de Alá (que a paz esteja com ele) a pedir refúgio contra o tormento da sepultura depois disto (após a revelação).» Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1213, p. 290
2d. «Ela (‘Ai’isha) disse: «Nunca mais o vi (o Profeta) depois disso sem que ele procurasse refúgio contra o tormento da sepultura na oração.» Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1214, p. 290
2e. «Masruq relatou este hadith com base no testemunho de ‘A’isha, que disse: “Nunca mais ele (o Profeta) fez uma oração depois disso em que eu não o tenha ouvido a pedir refúgio contra o tormento da sepultura.”» Sahih Muslim, vol. 1, livro 4, n.º 1215, p. 291
2f. Maomé procurou refúgio do tormento da sepultura. Sunan Nasa’i, vol. 2, n.º 2065, p. 535; vol. 2, n.º 2069, p. 537; vol. 2, n.º 2071, p. 538
Ora, um muçulmano pode concordar, discordar ou, mais provavelmente, não ter conhecimento do que estes hadiths afirmam. Seja como for, não se trata de concordarem ou discordarem de mim, pois estou simplesmente a relatar o que dizem os hadiths sunitas de autoridade.
Em resumo, Jesus enviou-nos o Espírito Santo. A minha esperança é que se liberte do domínio do mal, se liberte do medo do tormento da sepultura e peça a Deus para receber o Espírito Santo.
P: Em Mt 3,16 e Mc 1,10, quem viu a pomba?
R: Tanto Mateus 3:16 como Marcos 3:16 dizem que Jesus viu a pomba, e João 1:32 diz que João Batista também a viu. Estes versículos não especificam quem mais viu a pomba, pelo que as multidões também a poderão ter visto.
P: Muitos afirmam que «não há história sobre Jesus sem teologia». Assim, no episódio do Batismo, por exemplo, vemos Jesus a ser batizado, o Espírito, como uma pomba, a descer sobre ele e a Voz Celestial: «Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo» (Mc 1, 11). Este episódio talvez não tenha ocorrido tal como está escrito nos Evangelhos, ou seja, de uma só vez, mas sim gradualmente, durante a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Assim, o Espírito que desceu sobre Jesus remete para a era vindoura. Além disso, o céu aberto, a descida do Espírito, a voz do Pai e a presença do Messias indicam que os últimos dias começaram a amanhecer e que a salvação está próxima. O que pensa sobre isso? Considera que o batismo de Jesus foi alegórico e simbólico? Porquê? Ou por que não?
R: Em primeiro lugar, nunca ouvi dizer que «não há história sobre Jesus sem teologia». A pergunta quase soa como se acusasse os autores dos Evangelhos de serem desonestos e de induzirem as pessoas em erro; acredito que tudo aconteceu tal como está escrito nos Evangelhos. Acredito que os autores dos Evangelhos nos forneceram relatos verdadeiros, com o nível de precisão necessário. Se afirmam que Jesus foi batizado por João Batista e que isso aconteceu, então acredito que foram honestos e que isso aconteceu. Contar parábolas é aceitável, mas se alguém apresenta como história algo que não é verdade, então isso é enganador, não é a verdade.
O questionador não apresentou qualquer motivo para querer duvidar da veracidade dos autores dos Evangelhos, pelo que não posso abordar as razões da sua dúvida se não forem apresentadas quaisquer razões.
P: Mateus 3:16-17 corrobora que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas, tal como os mórmons têm afirmado (Talmadge, 1977, pp. 39-40)?
R: Não. Isto demonstra que são distintos, mas não que sejam separados. Em vez de se opor à Trindade, esta passagem é importante para sustentar uma parte da Trindade: que os três são distintos. No entanto, esta passagem opõe-se ao modalismo e ao «pentecostalismo da Unidade». Consulte When Cultists Ask, pp. 93-95, para mais informações.
P: Em Mt 4,2, o que há de tão irónico no ministério de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus?
R: Jesus está com fome aqui (Mateus 4:2), mas alimentou outras pessoas (Mateus 14:13-21; 15:29-39).
Jesus ficou cansado (Mateus 8:24), mas oferece descanso aos outros (Mateus 11:28).
Jesus é o Filho do Rei (Mateus 17:24-26), mas paga impostos (Mateus 17:27).
Jesus é acusado de usar o poder do diabo (Mateus 12:24), mas expulsa demónios (Mateus 12:22-23).
Jesus morre como um criminoso e pecador (Mateus 27:37-38), mas salva-nos dos nossos pecados (Mateus 1:12).
Jesus é vendido por trinta moedas de prata (Mateus 26:15), mas dá a sua vida como resgate por muitos (Mateus 20:28).
Jesus recusa-se a transformar pedras em pão (Mateus 4:3-4), mas simbolicamente oferece o seu próprio corpo como pão para o Seu povo (Mateus 26:26).
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 112, para mais informações.
P: Em Mt 4,3 e Lc 4,3-4, Jesus estava com fome e o Pai não O tinha alimentado; então, o que haveria de errado em Jesus fazer pão por Si próprio?
R: Jesus tinha-se comprometido a jejuar, e o Pai podia sustentá-Lo, uma vez que uma pessoa precisa de comer no prazo de 40 dias para sobreviver. No entanto, Jesus estava com muita fome e poderia ter usado o Seu poder sobrenatural para se alimentar, se assim o desejasse. Contudo, Jesus não iria usar o Seu poder sobrenatural nem fazer nada que se afastasse da vontade do Seu Pai. E o Pai acabou por enviar anjos para ministrar a Jesus, em Mateus 4:11.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 869, e o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 88-89, para mais informações.
P: Em Mt 4:5-6 e Lc 4:9-12, em que consistia esta tentação?
R: Em primeiro lugar, isto demonstra que Satanás conhece as Escrituras e pode até tentar usá-las em seu benefício para levar as pessoas a cair em pecado. Sendo Jesus o Filho de Deus, Ele sabia que estaria protegido caso saltasse. Geograficamente, o Templo situava-se junto ao Vale do Cedron, e a diferença de altitude entre o ponto mais alto do Templo e o fundo do Vale do Cedron seria de cerca de 450 pés.
Esta tentação é interessante na medida em que não infringiria nenhuma lei do Antigo Testamento e, na verdade, contribuiria para convencer as pessoas de que Ele era o Messias. Assim, em vez de conduzir a algo mau, trata-se de um «atalho desaprovado por Deus» para algo bom. É claro que também apelaria ao orgulho de Jesus, permitindo-Lhe exibir-Se e aumentar a Sua popularidade. Além disso, seria como encurralar Deus, forçando-O a proteger-O. Sabemos, evidentemente, que Deus não quer que façamos coisas más; «os fins não justificam os meios» quando se utilizam atalhos para fazer coisas boas. Assim, se estiver atrasado para a igreja, deve conduzir em excesso de velocidade? Se desejar doar mais dinheiro ao ministério, deve sonegar impostos e utilizar esse dinheiro? Como afirma o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 869: «Deus não precisa da ajuda de Satanás para o levar onde Ele quer que vá.»
Consulte o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 729, e o «Testamento Grego do Expositor», vol. 1, pp. 89-90, para mais informações.
P: Em Mt 4,8 e Lc 4,6-8, como é que Satanás pôde oferecer o mundo a Jesus, uma vez que Jesus era Deus e já era dono do mundo, como afirma um ateu (Cappello)?
R: Esta é uma questão interessante. Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Jesus continuava a ser Deus, mas esvaziou-se voluntariamente quando veio à Terra, como mostram Filipenses 2:7 e João 17:5.
2. Deus, de facto, «é dono» do mundo, como mostra o Salmo 24:1. No entanto, quando Jesus se esvaziou da sua glória e veio à Terra, os «seus» não o receberam, como mostra João 1:10-11.
3. Embora Deus tenha mantido o poder supremo, concedeu à humanidade o domínio sobre este mundo, de acordo com Génesis 1:28.
4. Embora Deus seja o legítimo proprietário, desde a Queda que a Satanás foi temporariamente concedido um grande controlo sobre este mundo, como demonstra 1 João 5:19. De acordo com 2 Coríntios 4:4, o deus deste século é Satanás. Satanás é o príncipe deste mundo em João 12:31; 14:30, 16:11; Efésios 6:12; e Colossenses 1:13.
5. Por fim, Satanás é o grande enganador, pelo que não se pode basear qualquer doutrina no que Satanás alegou; assim, este versículo não responde à questão. Embora Satanás seja o governante do mundo — e, com base nisso, se possa pensar que ele poderia ter cumprido esta promessa —, Satanás não pode fazer nada além do que Deus permite; por isso, Satanás poderá não ter essa liberdade. No entanto, uma vez que os demónios e a tentação já quebraram tantas promessas feitas às pessoas, não há qualquer indício de que Satanás se tornasse «honesto» neste caso, nem de que o pai da mentira tentasse sequer cumprir o que prometia.
Resumo: Deus detém o direito de propriedade tanto devido à Criação passada como à Soberania eterna. Jesus renunciou temporariamente à segunda quando veio à Terra. Mas, desde a Queda, Satanás detém o domínio, embora não o controlo absoluto deste mundo.
Consulte «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 90-91, para mais informações.
P: Em Mt 4,10 e Mt 12,26, a rebelião de Satanás só foi ensinada depois de os judeus terem sido exilados, como afirma o cético *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 779?
R: Não. Isaías 14:12-15, escrito antes do Exílio, também fala sobre a rebelião de Lúcifer.
P: Em Mt 4,14-16, Isaías 9,1 e Isaías 9,2 pertencem à mesma unidade, ou Mateus errou ao colocá-los juntos?
R: Pertencem à mesma secção porque Isaías 9:1 constitui uma transição entre ambas as secções.
O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 816, afirma que Isaías 9:1 pertence à secção anterior e é, na verdade, designado como Isaías 8:23 nas Bíblias judaicas modernas e na Nova Bíblia de Jerusalém. Isaías 8:22 e 9:1 estão, de facto, relacionados, pois Isaías 8:22 fala de pessoas nas trevas e Isaías 9:1 afirma que não haverá mais trevas.
No entanto, Isaías 8:22 fala de pessoas que serão expulsas para as trevas, Isaías 9:1 afirma que não haverá mais trevas para Zebulom e Naftali, e Isaías 9:2-7 descreve como as pessoas que estavam nas trevas verão uma grande luz.
É interessante que Asimov esteja a tentar afirmar que aqueles que se encontravam na escuridão, mas que verão essa escuridão dissipada em Isaías 9:1, não se relacionam com aqueles que se encontravam nas trevas e viram uma grande luz no versículo imediatamente seguinte.
Consulte «When Critics Ask», p. 329, para mais informações.
P: Em Mateus 4:15-16, de que forma a profecia sobre Zebulom e Naftali em Isaías 9:1-2 se relaciona com Jesus?
R: Relaciona-se de duas formas.
Infância: Jesus passou a maior parte da sua infância na Galileia, a oeste do Mar da Galileia.
Início do ministério: O início do ministério de Jesus teve-se na Galileia, principalmente a oeste do Mar da Galileia. Esta região era a terra ancestral de Zebulom e Naftali.
A palavra grega utilizada aqui para «raiou», aneteilen, não significa que a luz tenha brilhado noutro local e depois se tenha deslocado para a Galileia. Pelo contrário, a luz brilhou intensamente ali desde o início. Isto está de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 117.
P: Em Mt 4,18-22 e Mc 1,16-20, o que podemos aprender com estes pescadores?
R: Jesus já se encontrava na Galileia há algum tempo, e eles tinham sido chamados à salvação anteriormente, em João 1:35-42. Aqui, foram chamados ao serviço. Estes pescadores nunca deixaram de pescar. Apenas o que Jesus lhes disse para pescarem era diferente. Como afirma o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 870, se não estiver a pescar, então não está a seguir. Poderá dizer que não foi chamado para ser evangelista, nem para ser pastor (cuidar dos outros), porque não foi chamado para o ministério a tempo inteiro. Considere o seguinte: todos os cristãos são chamados para o ministério a tempo inteiro, embora não necessariamente para um ministério remunerado a tempo inteiro. Poderá ter sido chamado, a tempo inteiro, para cuidar da sua mãe ou da sua família, para ministrar aos pobres e a outras pessoas à sua volta, para ser um exemplo piedoso e para liderar outros no serviço.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1214, para mais informações.
P: Em Mt 5,4, sobre o que é que as pessoas devem lamentar-se aqui?
R: Isto não especifica o luto pelo destino dos perdidos, o luto por uma perda pessoal ou qualquer outro tipo de luto. Independentemente disso, pode referir-se à tristeza por coisas que entristecem o coração de Deus. O escritor cristão A.W. Tozer afirmou: «Uma descrição bastante precisa da raça humana poderia ser fornecida a alguém que não a conhecesse, pegando nas Bem-aventuranças, virando-as do avesso e dizendo: “Eis a vossa raça humana.”» (The Believer’s Bible Commentary, p. 1216)
Hoje em dia, muitas pessoas não têm noção do que é o luto; uma expressão comum, que não é bíblica, é «sem arrependimentos». Em segundo lugar, este e os seguintes mandamentos de Jesus não tinham, de facto, qualquer lugar na justiça farisaica.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 29, e o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 870, para mais informações.
P: Em Mt 5,5; Mt 11,29; Mt 21,5; 1 Pe 3,4, o que é exatamente a mansidão?
R: A mansidão está relacionada com a gentileza e com o facto de não insistir em fazer as coisas à sua maneira. É estar disposto a servir, e não apenas a ser servido. Jesus era manso.
Mas a mansidão não é fraqueza. Pense num cavalo selvagem que foi «domado». O cavalo continua a ser forte e veloz, mas, em vez de fazer apenas o que lhe apetece, obedece ao cavaleiro e aceita ser montado. Normalmente, se um lobo ou um felino de grande porte conseguir subir para cima de um cavalo, a menos que este o sacuda rapidamente, isso significa o fim do cavalo. Mas o cavalo tem tanto a confiança como a obediência necessárias para permitir que uma pessoa o monte.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 871, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 29, para mais informações.
P: Em Mt 5,6, o que significam aqui a fome e a sede?
R: Tem o senhor apetite, uma paixão, pelo crescimento espiritual? Ou não consegue crescer, não porque não come, mas porque enche o estômago com as coisas erradas?
Há várias formas de interpretar isto. Em primeiro lugar, refere-se metaforicamente àqueles que têm um forte desejo de justiça — para si próprios, para os outros, para a sua igreja, para a sua nação e para o mundo. Em segundo lugar, pode referir-se fisicamente àqueles que têm de passar sem comida e água para realizar a obra de Deus. Em terceiro lugar, pode referir-se àqueles que jejuam por essas razões. O jejum não se refere geralmente a não beber água, pelo que o primeiro é o significado principal.
Consulte «The Tony Evans Bible Commentary», p. 871, ; «The Believer’s Bible Commentary», p. 1216, ; «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 134; e «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 98-99, para mais informações.
P: Em Mt 5,7, o que significa «misericórdia» neste versículo?
R: A misericórdia pode significar permitir que alguém escape ao castigo, mas, neste contexto, significa ajudar os outros que precisam de ajuda e não conseguem ajudar-se a si próprios. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1217, para mais informações.
P: Em Mt 5,8; 1 Jo 3,2 e Ap 22,4, como é que as pessoas puras verão Deus, uma vez que Êx 33,23 e outros versículos dizem que nenhum homem pode ver Deus e viver?
R: Desde a Queda, nenhum homem mortal e pecador pode ver Deus e viver. No entanto, veremos Deus face a face no Céu. Entretanto, esforçamo-nos arduamente por viver vidas boas e autênticas na Terra. Como afirma o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 135: «Os puros de coração verão Deus — agora com os olhos da fé e, finalmente, no brilho deslumbrante da visão beatífica, na cuja luz nenhum engano pode existir.» Consulte «When Critics Ask», pp. 403-404, e «The Tony Evans Bible Commentary», p. 871, para mais informações.
P: Em Mt 5,9, quais são algumas boas formas de sermos pacificadores hoje em dia?
R: A paz é necessária entre indivíduos, no local de trabalho, no seio de um grupo, entre grupos, na política e entre países. Uma das primeiras coisas a fazer é aprender com pessoas piedosas que são pacificadoras. Preste atenção não apenas ao que dizem, mas também ao que poderiam ter dito e optaram por não dizer. Lembre às partes o que têm em comum e questione-as se as suas diferenças são assim tão grandes a ponto de as separar. Jesus disse que o mundo saberá que somos Seus pelo nosso amor (João 17:21).
No seio do Corpo de Cristo, temos o mandamento (ativo) de «preservar a unidade do Espírito pelo laço da paz» (Efésios 4:3), ao mesmo tempo que nos separamos daqueles que vivem em pecado persistente (1 Coríntios 5:13) e rejeitamos quaisquer mestres que ensinem heresias (1 Timóteo 6:5 e 2 Timóteo 3:5).
P: Em Mt 5,13, de que forma podem os cristãos ser sal?
R: O sal é adicionado aos alimentos em pequenas quantidades para cumprir uma de cinco funções. É interessante que não sejamos o recipiente de sal, que dispensa o sal de Cristo. Pelo contrário, somos nós próprios o sal. Da mesma forma, os cristãos são o sal deste mundo em quatro áreas.
Vida — O sal é essencial para que possamos viver. Na cidade de Timbuktu, na África Ocidental, onde o ouro era abundante, uma libra de sal era vendida por uma libra de ouro. Como os cristãos têm a vida de Cristo dentro de si, devem manifestar essa vida a este mundo. Deus utiliza a nossa pregação, o nosso amor e o nosso serviço para trazer outras pessoas até Ele, a fim de lhes dar vida.
Sabor — O sal confere sabor à comida e torna-a apetitosa. Da mesma forma, somos o aroma de Cristo (2 Coríntios 2:15-16) para aqueles que são salvos. Deus também olha para baixo e regozija-Se ao ver cristãos neste mundo que O seguem.
Conservante — Quando não há refrigeração, o sal é igualmente importante para conservar os alimentos, inibindo o crescimento de bactérias. Da mesma forma, os cristãos devem ser sal e luz neste mundo, exercendo um efeito conservador ao oporem-se ao pecado.
Sacrifício — Em Levítico 2:13, os sacrifícios deviam ser temperados com sal. Nós também devemos viver as nossas vidas como um sacrifício para Deus.
Sede – o sal dá sede às pessoas, e é por isso que muitos bares servem comida salgada. Através das nossas vidas, devemos também fazer com que as pessoas sintam «sede» de ouvir falar da esperança que há em nós: Cristo.
Como afirmou o escritor romano secular Plínio, o Velho (falecido no Monte Vesúvio em 79 d.C.) em «História Natural» 31.102: «Nada é mais útil do que o sal e a luz do sol.» Muitas vezes, os soldados romanos eram pagos mensalmente em sal. Podiam utilizar o que desejassem e vender facilmente o restante. «Sal» é a palavra para sal em latim, e o seu salário era chamado «salarium», de onde deriva a palavra inglesa «salary».
Ver «The Tony Evans Bible Commentary», p. 872; «Now That’s a Good Question», pp. 248-249; «Hard Sayings of the Bible», pp. 430-431, «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 29, «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 138, «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 101, «The Evangelical Commentary on the Bible», p. 729, e «The Believer’s Bible Commentary», pp. 1217-1218, para mais informações.
P: Será que Mt 5,13 se refere a pessoas que reconhecem a sua divindade e ajudam os outros a reconhecerem também a sua divindade, como afirmam alguns adeptos da Nova Era? (Spangler, 1981, 80).
R: De modo algum; o sal não é divindade. Afirmar que poderíamos tornar-nos como Deus foi apenas uma das mentiras mais antigas contadas à humanidade, no Jardim do Éden. Fomos criados para amar e servir a Deus para sempre, não para nos tornarmos deuses separados, a serem adorados, nem parte de Deus, a sermos adorados.
Esta visão estranha parece esquecer que Jesus era judeu e que o judaísmo era uma religião monoteísta. Consulte a pergunta anterior para saber o que o sal representa e o livro «When Cultists Ask», pp. 95-96, para uma resposta mais abrangente.
P: Em Mt 5,14a, somos nós a luz do mundo, ou é Jesus a luz do mundo, como diz João 9,5?
R: Ambas as coisas: Jesus trouxe a luz ao mundo e nós temos a responsabilidade de sermos refletores da luz de Jesus. Paulo fala disto em 2 Coríntios 4:6-7. Jesus disse que era a luz do mundo «enquanto estou no mundo», em João 9:5. O corpo de Jesus está agora no céu, não neste mundo, mas a presença de Jesus continua no mundo através do Espírito Santo que habita em nós. O que faz exatamente a luz? Não faz nada, a não ser brilhar. Mas, ao brilhar, ilumina os outros e indica o caminho. Por isso, seja você mesmo e brilhe. Consulte «When Critics Ask», p. 329; «The Tony Evans Bible Commentary», p. 872; «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 29; e «The Believer’s Bible Commentary», p. 1218, para mais informações.
P: Em Mt 5,15, o que é a luz no candelabro?
R: Somos nós e o nosso testemunho de Jesus, a luz do mundo. A menos que haja perseguição, não devemos esconder o facto de que somos cristãos e devemos estar sempre preparados para partilhar a esperança que há em nós (1 Pedro 3:15). Não devemos guardar a verdade só para nós, mas devemos partilhá-la com os outros. Mateus 5:15 não diz apenas «deixem a vossa luz brilhar», mas «deixem-na brilhar diante dos homens». Infelizmente, é muito fácil para os crentes encontrarem desculpas para não partilharem o evangelho. Temos de ter cuidado para não procurarmos desculpas.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1218, e o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 103, para mais informações.
P: Em Mt 5,17 e Atos 10,10-16, uma vez que Jesus disse que não aboliria nada da lei, por que razão os cristãos não seguem as leis alimentares do Antigo Testamento, tal como os muçulmanos alegadamente fazem?
R: Embora nem os cristãos nem os muçulmanos observem as leis alimentares do Antigo Testamento, os cristãos não o fazem porque dão ouvidos a Jesus. Cinco pontos a considerar na resposta.
Naquela época, os seguidores de Jesus obedeciam às leis alimentares do Antigo Testamento. Na verdade, Jesus afirmou que nem um jota nem um til passariam até que tudo se cumprisse.
O facto da ressurreição de Jesus alterou fundamentalmente a forma como Deus lidava com os Seus filhos. Um anjo informou Pedro, o apóstolo de Jesus, de que Deus tinha tornado todos os alimentos puros em Atos 10:9-16. Repare-se que não diz que esses animais fossem sempre puros, mas sim que Deus os tinha tornado puros.
Até mesmo os muçulmanos que levantam esta objeção têm de concordar que algumas das leis alimentares do Antigo Testamento não devem ser seguidas. Os muçulmanos consideram que podem comer carne de camelo (e Maomé fazia-o), mas Levítico 11:3-8 e Deuteronómio 14:6-8 proíbem o seu consumo.
Ouçam Jesus em Mateus 15:10, 17-20 e Marcos 7:14-15. Jesus disse que é o que sai do homem que o torna impuro, e não o que entra. Marcos 7:19 mostra que, com isto, Jesus declarou todos os alimentos puros. Se chamamos a Jesus de profeta, devemos ouvir as Suas palavras.
Uma voz do céu ordenou a Pedro que comesse em Atos 10:10-16, mostrando-lhe que as leis alimentares só estavam em vigor até ao sacrifício de Jesus, e não depois. Devemos obedecer à voz do anjo de Deus e do apóstolo de Jesus.
Em conclusão, não devemos ignorar o que os profetas de Deus disseram, mas sim ouvi-los.
P: Em Mateus 5:17, uma vez que Jesus disse que não aboliria nada da lei, por que razão os dias festivos judaicos já não são observados?
R: Quatro pontos a ter em conta na resposta.
1. Os requisitos morais da Lei do Antigo Testamento aplicam-se a todas as pessoas e permanecem inalterados.
2. Pode dizer-se que os sacrifícios se destinam a todas as pessoas hoje, num certo sentido, porque Jesus é o nosso sumo sacerdote e realizou todos os sacrifícios necessários.
3. Os dias festivos, que se destinavam ao povo judeu e envolviam sacrifícios, não são observados pelos não-judeus desde a morte de Cristo.
4. Se um muçulmano levantar esta objeção, poder-se-á perguntar por que razão os muçulmanos também não seguem os feriados de Deus no Antigo Testamento, se consideram que os cristãos devem seguir os feriados judaicos do Antigo Testamento.
Consulte «Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia», pp. 234-235, «Quando os Cultistas Perguntam», pp. 96-98, e «Quando os Críticos Perguntam», pp. 329-330, para mais informações.
P: Em Mt 5,18, o que é um «jot» e um «tittle»?
R: Na escrita hebraica, um «jot», ou «yod», é a décima e mais pequena letra do alfabeto hebraico. Trata-se basicamente de um ponto com uma pequena linha curva a sair da parte superior e outra pequena linha curva a sair da parte inferior. Um «tittle» é um pequeno traço. Em inglês, um «tittle» é tudo o que distingue um «F» maiúsculo de um «E» maiúsculo, e um «P» de um «R». Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1218, para mais informações.
P: Em Mt 5,20, quem são os escribas e os fariseus e que nível de justiça possuem?
R: Em Mt 5,20, os escribas pertenciam geralmente ao partido dos saduceus, enquanto os fariseus se opunham a eles. Politicamente, os saduceus faziam parte dos judeus que defendiam a conciliação com Roma, ao passo que os fariseus se opunham a isso. Os fariseus constituíam um pequeno grupo de 5 000 a 6 000 pessoas, mas eram muito influentes porque o povo os admirava. Os saduceus, em geral, negavam a ressurreição física e afirmavam que apenas os primeiros cinco livros constituíam as Escrituras. Atos 23:8 refere também que os saduceus negavam a existência dos anjos e dos espíritos. É significativo que Jesus tenha repreendido os saduceus por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus. Nunca repreendeu os fariseus por não conhecerem as Escrituras.
Embora os escribas e os fariseus tentassem dar a impressão de serem justos, Jesus não os validava nem afirmava que fossem justos. Jesus não disse que não havia bondade neles, mas sim que não eram suficientemente bons. Em vez disso, afirmou que as pessoas precisavam de mais justiça do que aquela que possuíam para entrar no Reino dos Céus. Isto implica três coisas:
a) Os escribas e fariseus não possuíam a justiça necessária para entrar no Reino dos Céus
b) Os seguidores de Jesus deviam ser mais justos do que eles
c) Na verdade, ninguém possui justiça suficiente, por si só, para entrar no Reino dos Céus. Jesus alude a isto mais detalhadamente nos capítulos 6 e 7. Os discípulos acabaram por compreender este ponto em Marcos 10:26-27.
d) Se ninguém é suficientemente justo, não menospreze as pessoas que são pecadoras, pois também o senhor é pecador. Para consternação dos fariseus, Jesus comia com muitos cobradores de impostos e pecadores, em Mateus 9:9-12.
Irineu, na sua obra «Contra as Heresias» (182-188 d.C.), livro 4, cap. 13, p. 477, dá uma resposta complementar. Eis uma paráfrase dos seus quatro pontos:
1) Enquanto os escribas e os fariseus acreditavam no Pai, nós devemos acreditar também no Filho.
2) Não devemos limitar-nos a dizer, mas devemos agir; pois os escribas e os fariseus diziam, mas não faziam.
3) Não devemos apenas abster-nos das más ações, mas também dos próprios desejos de as praticar.
4) Jesus não nos ensinou coisas que se opunham à lei, mas coisas que a cumpriam. Jesus não destruiu a lei, mas cumpriu-a, alargou-a e conferiu-lhe um âmbito mais vasto.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 146-147, para mais informações.
P: Em Mt 5,21, por que razão as pessoas matam — pessoas, animais, criminosos, etc. —, uma vez que Jesus disse para não matar?
R: A Versão King James traduziu isto por «matar», quando a palavra grega phoneuo pode significar homicídio. Quem faz isto, um phoneus, é um homicida ou assassino, não um carrasco ou um talhante de animais. Se alguém realmente pensasse que o «não matarás» do Antigo Testamento se referisse a animais e à execução de criminosos, o seu mal-entendido desta palavra tornaria todo o sistema sacrificial do Antigo Testamento um mistério insondável para si.
P: Em Mt 5,22, por que razão disse Jesus para não chamarmos ninguém de tolo, uma vez que Ele próprio e outros o fizeram em Mt 23,17; Lc 24,25; 1 Cor 15,36; Gal 3,1?
R: Jesus não disse «tolo» ou «insensato», mas, na verdade, utilizou uma gíria aramaica que significa «cabeça oca», semelhante à gíria americana «airhead». Jesus também chama as pessoas de «tolas», «guias cegos» (Mateus 23:16) e até mesmo «ladrões e salteadores» e «víboras». Jesus escolheu cuidadosamente as Suas palavras e não denegriu as pessoas.
Consulte «Hard Sayings of the Bible», pp. 358-359, para mais informações.
P: Em Mt 5,22, Jesus disse: «QUEM DIZER: “Tolo!”, estará em perigo do fogo do inferno». No entanto, o próprio Jesus fez-o repetidamente, como mostram Mt 23,17, Lc 11,40 e Lc 12,20. Não deveria Ele também estar em perigo do inferno? Afinal, Ele violou a Sua própria lei!
R: Não, por duas razões.
a) Não devemos permitir que outros nos chamem de Senhor, nem que outras pessoas nos adorem, e isso aplica-se a Jesus. Assim, o que Jesus nos ensinou nem sempre é aplicável a Ele próprio. A um nível mais mundano, quando estabeleço uma regra para o meu pássaro de estimação, como, por exemplo, que só pode comer num comedouro, terei também de seguir essa regra?
b) Na verdade, Jesus não disse «tolo» (isso é uma paráfrase); o termo real foi «raca», que se traduz melhor por «cabeça oca». Jesus chamou as pessoas de tolas, no sentido de «pessoas tolas» tal como se refere em Provérbios, mas não deu a entender que as suas cabeças (ou vidas) não valessem nada.
P: Em Mt 5,25-26, por que razão é frequentemente tão difícil chegar a um acordo com o seu adversário?
R: Muitas vezes, isso significa que uma ou ambas as partes devem admitir a sua culpa, ou que estavam erradas, e o orgulho das pessoas reluta em fazê-lo.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1220, para mais informações.
P: Mateus 5:26 apoia a doutrina católica romana do purgatório, tal como ensinou o teólogo católico Ludwig Ott?
R: Não, por sete razões.
Nenhuma menção ao que se segue à morte: Este texto não menciona o purgatório nem sequer qualquer coisa que se siga à morte.
Até mesmo alguns católicos, como o antigo cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), discordariam. Eis o que ele afirmou: «O purgatório não é uma espécie de campo de concentração supra-mundano onde se é forçado a sofrer castigos de forma mais ou menos arbitrária. Trata-se, antes, do processo de transformação interiormente necessário, no qual uma pessoa se torna capaz de Cristo, capaz de Deus [ou seja, capaz de plena unidade com Cristo e com Deus] e, assim, capaz de unidade com toda a comunhão dos santos» (livro de Ratzinger, *Eschatology* (1990), p. 230. Parte deste texto é também citada em *When Cultists Ask*, pp. 98-99)
Hebreus 10:10-15 ensina duas coisas: 1) Cristo já consumou a Sua oferta em Hebreus 10-12, e 2) Cristo aperfeiçoou-nos para sempre através da Sua oferta em Hebreus 10:13-15. Não digamos a Cristo que a Sua oferta não foi suficientemente boa, suficientemente completa, ou que não concluiu a obra que o Livro de Hebreus nos diz que Ele concluiu.
Romanos 8:1 diz: «Portanto, já não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus…» (BSB)
2 Pedro 1:11 afirma que, após a nossa morte, seremos recebidos no Céu com uma acolhida rica ou abundante. (Não uma acolhida calorosa, nem uma acolhida ardente com chamas escaldantes.) O Purgatório não seria uma «varanda» muito convidativa para o Céu.
2 Coríntios 5:8 diz: «Estamos, pois, confiantes e preferimos estar ausentes do corpo e em casa com o Senhor.» (BSB) Da mesma forma, Filipenses 1:23 diz que Paulo ou permanecerá vivo na carne, ou «partirá para estar com Cristo». Estaremos com Deus assim que morrermos, não no purgatório com a promessa do céu adiada.
Os primeiros cristãos, antes de Nicéia, nunca tinham ouvido falar do purgatório e, certamente, não viam nada semelhante ao purgatório neste versículo. Nos mais de 5 235 escritos de que dispomos anteriores a Nicéia, esta interpretação de Mateus 5:26 e a ideia de qualquer tipo de purgação ardente dos crentes após a morte estão totalmente ausentes.
Consulte «When Cultists Ask», pp. 98-99, para mais informações.
P: Em Mt 5,27-29, qual é o alcance da proibição do adultério?
R: Não se trata apenas de algo que apenas uma pessoa casada possa fazer. Pelo contrário, Jesus diz «qualquer pessoa». Não se trata apenas de cometer o ato; trata-se, antes, até mesmo de olhar com luxúria para alguém, ou para uma imagem ou vídeo de alguém, incluindo, mas não se limitando a, pornografia e clubes de striptease. Consulte «The Tony Evans Bible Commentary», p. 873, para mais informações.
P: Em Mt 5,29, o Inferno é um tormento consciente ou apenas a sepultura?
R: É ambas as coisas. A palavra grega «Hades» é análoga à palavra hebraica «Sheol». Em Mateus 5:29, trata-se obviamente de um lugar para onde ninguém deseja ir, pelo que o contexto é o «Inferno», para onde vão aqueles que morrem afastados de Deus.
Lucas 16:22-23 mostra que haverá tormento («basanois» em grego) (Lucas 16:23, 28), consciência (Lucas 16:23) e sofrimento nas chamas (Lucas 16:24, 25). Os incrédulos não estão apenas lá; são também punidos eternamente nesse local. Mateus 25:41,46; Apocalipse 14:9-11; ~19:3; ~22:15
Mateus 13:40-42, 50 afirma que haverá choro e ranger de dentes DENTRO da fornalha ardente. (ekei, «ali» em grego, significa «ali», «naquele lugar», e não «ali» no sentido de «é onde isso ocorrerá».
2 Tessalonicenses 1 ensina que se trata de destruição eterna; excluídos da presença do Senhor e do seu poder majestoso.
Apocalipse 14:9-11: aqueles que adorarem a besta serão torturados com fogo e enxofre (enxofre em chamas) na presença do Cordeiro e dos seus anjos.
Os não crentes têm consciência dolorosa após a morte (Apocalipse 20:10; Lucas 12:5; 13:28; 16; Ezequiel 32:31-32; Mateus 3:12; 5:21; 13:42,50; 22:13; 25:41; Isaías 50:11).
Os não crentes perecerão (Lucas 13:3,5; João 3:16; 2 Tessalonicenses 2:9) e serão destruídos (2 Tessalonicenses 1:9; 2 Pedro 3:16; Mateus 10:28; 1 Coríntios 3:17; Filipenses 1:28; Tiago 4:12; Apocalipse 11:18).
Consulte «When Cultists Ask», pp. 99-100, e «When Critics Ask», pp. 331-332, para mais informações.
P: Em Mateus 5:34, por que razão Jesus deu ênfase aos juramentos neste contexto?
R: Os judeus da época de Jesus e posteriormente tinham visões peculiares sobre os juramentos. A Mishná Shebuoth aborda este tema. A Mishná Sanhedrin 3.2 e a Mishná Tosefta Nedarim 1 (originalmente de SBK 1:321-336). Os juramentos não eram vinculativos se fossem feitos «pelo céu e pela terra», «pelo ouro do templo» ou «por Jerusalém». No entanto, eram vinculativos os juramentos feitos «pelo templo» ou «em direção a Jerusalém». Deuteronómio 6:13 afirma que, ao fazer juramentos, estes devem ser feitos em nome de Deus. Mas Jesus está a alterar isso aqui. Jesus está a dizer para deixarem de fazer juramentos de todo; que o vosso «sim» seja «sim» e o vosso «não» seja «não». Os essênios também evitavam fazer juramentos.
A título de nota, muitos gregos também desaprovavam a prática de juramentos. Sófocles, Querilo Épico, Plutarco, Epicteto (evitem-no tanto quanto possível) e Quintiliano eram contra a prática de juramentos. Pitágoras dizia que se deviam fazer juramentos apenas raramente e, mais tarde, os pitagóricos recusaram-se a fazer juramentos. Durante a Idade Média e a Reforma, os valdenses e muitos anabatistas recusaram-se a fazer juramentos. Consulte Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», pp. 314, 316 e 320, para mais informações sobre este assunto.
Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 153-154, e «The Believer’s Bible Commentary», p. 1222, para mais informações.
P: Em Mt 5,34, não devemos jurar, ou devemos jurar pelo nome de Deus, conforme Dt 10,20?
R: Ao estudar a Bíblia, é importante conhecer o contexto geral; neste caso, distinguir o que pertence ao Antigo Testamento e o que pertence ao Novo Testamento. Jesus revogou ou alterou explicitamente cinco mandamentos do Antigo Testamento e uma máxima em Mateus 5:21-48. Segue-se um resumo do que Jesus disse.
Versículos | Antigo Testamento | Mas Jesus disse |
Mateus 5:21-26 | Não mate | Além disso, não se irrem contra o vosso irmão nem digam «tolo» |
Mateus 5:27-30 | Não cometam adultério | Além disso, não olhe para uma mulher com desejo no seu coração |
Mateus 5:31-32 | Ao divorciar-se, entregue uma certidão | Por outro lado, não se divorciem, a não ser por infidelidade |
Mateus 5:33-37 | Não quebre os juramentos | Pelo contrário, não façam juramentos de todo, mas limitem-se a dizer «sim» e «não» |
Mateus 5:38-42 | Olho por olho | Em vez disso, ofereçam a outra face, percorram a milha extra, etc. |
Mateus 5:43-48 | Amai o vosso próximo e odiai o vosso inimigo | Em contrapartida, amem até os vossos inimigos |
A propósito, Tiago 5:12 também faz eco a Mateus 5:34, ao afirmar que hoje não devemos fazer juramentos.
Jesus também mostrou que todos os alimentos são agora puros em Marcos 7:19, o que é reiterado em Atos 10:9-16.
P: Em Mt 5:39-40, como é que os cristãos devem dar a outra face?
R: Levar uma bofetada na face não só é doloroso, como também constitui um insulto. O tratado judaico Mishná Baba Kamma 8:6 aborda esta questão. No entanto, os cristãos não devem viver de forma natural, mas sim sobrenatural. Devemos permitir-nos ser vulneráveis (mas sem confiar ingenuamente nos malfeitores), reconhecendo que podemos confiar em Deus para que Ele cuide de nós e da nossa família. Por vezes, os muçulmanos e outros ridicularizam este ensinamento de Jesus. Mas, independentemente disso, nós, tal como este ensinamento, devemos destacar-nos num mundo vingativo e pecaminoso.
Consulte *Now That’s a Good Question*, pp. 522-524, e *The Expositor's Bible Commentary*, vol. 8, p. 136, para mais informações.
P: Em Mt 5,39, por que razão os cristãos resistem ao mal?
R: Nenhum versículo da Bíblia diz que os cristãos não devem resistir a qualquer mal. Pelo contrário, Mateus 5:39 diz especificamente para não resistir a uma pessoa má, que vos está a fazer mal. Não devemos procurar vingança nem retaliar. Devemos resistir ao diabo, conforme Tiago 4:7 e 1 Pedro 5:9. Tal como Jeremias em 7:6 e 22:16, devemos defender os oprimidos. No Antigo Testamento, Provérbios 28:4 afirma que os justos «contendem» contra os ímpios que abandonam a lei. Levítico 5:1 diz que é pecado recusar-se a testemunhar em tribunal sobre um mal de que tenhamos testemunho. Devemos guardar-nos contra os falsos mestres (1 João 2:26; 3:7; 4:1; 2 João 7-8; Apocalipse 2:16; 2 Pedro 2:2; Atos 20:28-29). Devemos refutar os falsos mestres (1 Timóteo 1:3; Tito 1:9-11; Judas 3). Devemos lutar pela fé (Filipenses 1:27; 4:3).
Consulte o «New International Bible Commentary», p. 1127, para mais informações.
P: Em Mateus 5:42 e Lucas 6:29-30, devem os cristãos dar a todos aqueles que lhes pedem?
R: Sim: este ensinamento não é difícil de compreender, mas é um desafio a seguir. Os cristãos devem considerar os outros ainda mais importantes do que a si próprios (Filipenses 2:3). Devemos amar o nosso próximo como a nós próprios; por isso, é claro que não devemos dar a alguém algo que lhe possa causar dano (como drogas), mesmo que essa pessoa o peça. Mas, se virmos alguém com uma necessidade genuína, devemos tentar garantir que as suas necessidades sejam satisfeitas. Isto é válido independentemente de a pessoa necessitada ser ou não um irmão cristão.
Amar o próximo como a nós próprios implica que também é legítimo amarmo-nos a nós próprios. No entanto, muitas pessoas pecam por se amarem mais do que aos outros, dando menos do que deveriam, ou por não se amarem o suficiente e darem mais do que deveriam.
Consulte «When Critics Ask», pp. 332-333, para uma resposta complementar.
P: Em Mt 5,43, onde é que diz: «ama o teu próximo e odeia o teu inimigo»?
R: Isto não consta no Antigo Testamento, e Jesus nunca afirmou que constasse. «Amar o próximo» consta em Levítico 19:18, mas não há nada sobre «odiar o inimigo». No entanto, o povo judeu tinha-o ouvido frequentemente, pois tratava-se de uma tradição dos escribas, de acordo com a «New Geneva Study Bible», p. 1513, bem como com «When Critics Ask», p. 333, que acrescenta que Jesus não disse que isso constava no Antigo Testamento por uma razão muito válida: não lá constava.
Na seita de Qumran, o seu «Manual de Disciplina» estipulava que os membros tinham de jurar amar os Filhos da Luz (ou seja, a seita de Qumran) e odiar para toda a eternidade os Filhos das Trevas. Consulte «Understanding the Dead Sea Scrolls», p. 165, para mais informações.
O filósofo ateu Friedrich Nietzsche considerava que o amor aos inimigos era uma fraqueza e uma desonestidade. Sigmund Freud considerava que o amor aos inimigos «é uma tentativa do superego cultural de transformar a necessidade de agressão em sentimentos de culpa e, assim, combatê-la, uma tentativa que foi, de facto, bem-sucedida, mas que é hostil à felicidade». Sigmund Freud, «Civilização e os seus descontentamentos», na Edição Padrão das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. 21, p. 57-145. Mao Tse-tung afirmou: «Não podemos amar os nossos inimigos, não podemos amar os males sociais, e o nosso objetivo é exterminá-los.» Mao Tse-tung: «Uma Antologia dos Seus Escritos», p. 260. Estas citações foram retiradas de Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», pp. 350, 351. Alguns autores não aceitaram de bom grado o ensinamento de Jesus de amar os inimigos.
P: Em Mt 5,48, podemos ser perfeitos?
R: Tal como um diamante brilha de forma diferente consoante o ângulo de observação, a Bíblia apresenta quatro facetas desta questão. As respostas simples a esta pergunta abrangente são: Sim, Sim, Não e Sim.
Sim, após a morte: devemos meditar na verdade de que seremos isentos de pecado, perfeitamente santos no Céu. Devemos ansiar por isso e, se pensar com pesar em deixar para trás alguns dos seus pecados, então há algo de errado na sua caminhada espiritual. Após a morte, e apenas após a morte, alcançaremos plenamente Mateus 5:48.
Sim, judicialmente: Deus Pai declarou-nos perdoados e a culpa do pecado foi declarada perdoada pela morte de Jesus na cruz. Hebreus 10:14 diz-nos especificamente que, na cruz, Jesus «aperfeiçoou» aqueles que estão a ser santificados. Romanos 4:17 lembra-nos que o nosso Deus chama as coisas que não são, como se fossem. Embora tenhamos pecado contra Deus e sejamos merecedores do Inferno, se Deus promete o nosso perdão e uma vida sem pecado no Céu, as promessas de Deus são 100% certas. Num certo sentido, todos os que confiaram em Cristo, na Sua morte e na ressurreição do Seu corpo, foram declarados como tendo alcançado Mateus 5:48.
Ninguém na Terra o é neste momento, mas continuamos a esforçar-nos: não seremos perfeitos e sem pecado na Terra, e quem pensa que alcançou isso está a enganar-se a si próprio, como diz 1 João 1:8. Nem mesmo Paulo era perfeito, conforme se lê em Filipenses 3:12. Embora não alcancemos a perfeição sem pecado na Terra, devemos continuar a esforçar-nos por alcançar essa perfeição e a semelhança com Cristo, sem nos deixarmos desanimar quando falhamos, como ainda acontece a todos os crentes. Assim, o mandamento de Jesus em Mateus 5:48 não foi simplesmente uma promessa futura nem uma declaração, mas um mandamento que devemos procurar cumprir com seriedade hoje.
Sim, podemos estar perfeitamente na vontade de Deus: podemos ser um crente «perfeito», no sentido de estarmos completos e exatamente onde Deus deseja que estejamos. Mas, tal como um bebé «perfeito» não está destinado a permanecer bebé para sempre, a perfeição, neste contexto, significa simplesmente: «estamos a atingir os marcos no nosso caminho para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo nesta vida?» O termo «perfeito» é utilizado neste sentido em 1 João 2:5 e Filipenses 3:15. Assim, embora devamos tentar obedecer plenamente a Mateus 5:48 nas nossas vidas hoje, e embora inevitavelmente falhemos, ainda assim podemos ter alegria e paz perfeita, permanecendo em Deus agora.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 33, para mais informações, e «When Cultists Ask», pp. 100-101, para uma resposta complementar.
P: Em Mateus 6:1-4, devemos praticar boas obras em segredo ou deixar que a nossa luz brilhe perante os homens, como diz Mateus 5:16?
R: Ambas as coisas. Devemos ser diligentes na prática de boas obras. No entanto, não devem ser as nossas próprias obras, mas sim Jesus, Aquele que vive em nós, que os outros vejam quando olham para nós. Devemos ser reflexos de Cristo. É a nossa luz que deve brilhar, não nós.
É um privilégio que Deus nos tenha escolhido para dar glória, agindo através de nós. Consulte «Dificuldades Bíblicas e Aparentes Contradições», pp. 233-234, para mais informações.
P: Em Mt 6,1-4, ao dar a Deus, de que forma os cristãos não devem deixar que a sua mão direita saiba o que a sua mão esquerda está a fazer?
R: Tal como não devemos dar grande importância às nossas boas obras para com os outros, também não devemos dar grande importância a isso perante Deus. Não se magoe o braço ao dar-se palmadinhas nas costas com demasiada força. ;-) Não pense que está a fazer um favor a Deus. Não pense, erradamente, que está a enriquecer a Deus, a quem tudo pertence de qualquer forma, nem que Deus tem sorte por o ter salvado. Somos salvos não por qualquer mérito nosso, mas porque Deus viu o quão desamparados estávamos e, na Sua graça, amou-nos na mesma. Consulte «Now That’s a Good Question», pp. 581-582, para uma resposta diferente, mas complementar.
P: Em Mt 6, 1-4, uma vez que não devemos dar esmolas perante os homens, por que razão os cristãos declaram as suas doações para efeitos fiscais e por que razão alguns têm edifícios ou outros monumentos em seu nome?
R: «Diante dos homens» (no plural) significa perante o público; por isso, declarar doações de caridade para efeitos fiscais é admissível. No entanto, se alguém doar dinheiro para que um edifício ou monumento seja construído em seu nome, essa pessoa recebe a sua recompensa ainda nesta vida. Contudo, se alguém construir um monumento em nome de outra pessoa, e a primeira pessoa não tiver conhecimento disso, ou não tiver feito nada para incentivar que fosse construído em seu nome, então este versículo não se aplica a ela.
P: Em Mt 6,5-6, uma vez que devemos orar em segredo, por que razão muitos cristãos defendem a oração pública nas escolas?
R: A Bíblia apresenta muitos exemplos de oração privada e pessoal. No entanto, também apresenta exemplos de orações em grupo, como em Josué 7:6-9. É possível realizar uma oração coletiva em que apenas uma pessoa fala, como em 1 Reis 8:22-53. Nestes exemplos de oração pública, todos estão envolvidos na oração, quer estejam a falar ou não.
Em Atos 16:25-26, Paulo e Silas estavam a orar juntos e a cantar num local onde outros podiam vê-los. No entanto, estando na prisão, não tinham escolha quanto ao local onde se encontravam.
Os cristãos podiam ver-se uns aos outros, orando em conjunto, em Atos 2:42; 12:12; 13:3; 14:23; 20:36, pelo que isso é aceitável.
O que não vemos aprovado é orar publicamente para se exibir, ou orar publicamente num local onde parte da multidão não estava a participar, talvez por não acreditarem em Deus.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1224, para mais informações.
P: Em Mateus 6:5-7, estará Jesus a condenar toda a oração pública?
R: Não, este versículo não diz isso. Pelo contrário, Ele está a condenar as orações que são feitas apenas para se exibir. Na verdade, Jesus orou publicamente em João 11:41-42.
No Antigo Testamento, Salomão proferiu uma oração muito pública em 1 Reis 8:22. Jesus não se opõe à oração pública, mas sim à oração «ostentosa», ou seja, à oração feita com o intuito de ser visto em público. Consulte «When Critics Ask», pp. 333-334, para mais informações.
P: Em Mateus 6:7, devemos alguma vez repetir as orações?
R: Não há problema em repetir orações, desde que estas tenham significado para si quando as reza. Se não as estiver a rezar com significado, então não se dê ao trabalho de as rezar. No âmbito da oração ou durante o culto, a repetição de uma frase é aceitável, tal como se fazia em alguns Salmos. Consulte «Now That’s a Good Question», pp. 207-210, e «Today’s Handbook for Solving Bible Difficulties», pp. 411-412, para mais informações.
P: Em Mt 6,7-8, não devemos recorrer a repetições vãs, ou devemos orar continuamente, tal como a viúva exemplificou em Lc 18,5,7?
R: Orar continuamente não significa necessariamente que tenha de recorrer à repetição. Pode dizer coisas diferentes nas suas orações quando ora.
Jesus não disse que a repetição era errada, apenas se for uma repetição vã ou sem sentido. Alguma repetição é aceitável, desde que seja significativa. A título de exemplo, consulte o Salmo 118:1-4. Assim, se um culto na igreja utilizar algumas das mesmas expressões todas as semanas, isso é aceitável, desde que seja significativo. Consulte «Dificuldades Bíblicas e Aparentes Contradições», pp. 236-237, para mais informações.
P: Em Mt 6,7-8, por que razão muitos cristãos, especialmente aqueles de tradições mais litúrgicas (católicos, episcopais, anglicanos, luteranos, etc.), rezam muitas das mesmas coisas repetidamente todos os domingos?
R: Repetir a mesma coisa várias vezes não é problema se tiver significado para eles em cada ocasião. Jesus não criticou aqui a repetição, mas sim a repetição vã (sem sentido). Em alguns Salmos, como o Salmo 136, recorre-se à repetição. Jesus advertiu-nos de que a repetição pode ser sem sentido, mas isso não significa que toda a repetição seja sem sentido.
As «Ave-Marias» não são boas orações, uma vez que se dirigem a Maria, e não a Jesus. Mas mesmo que tivéssemos «orações Ave-Jesus» análogas, estas também não seriam boas, e pressuporiam que receberíamos bênçãos com base na frequência com que recitássemos frases memorizadas.
Consulte Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 366, para mais informações.
P: Em Mt 6,9 e Tg 3,9, os judeus chamavam frequentemente a Deus de «Pai nosso»?
R: Era certamente comum. Uma famosa obra judaica intitulada «As Dezoito Bênçãos», concluída por volta de 110 d.C., contém 44 breves orações a Deus, cada uma delas começando com «Pai nosso, Rei nosso». Consulte «The Expositor’s Greek Testament», vol. 4, p. 453, para mais informações.
P: Em Mt 6,9-13 e Lc 11,1-4, o que estava Jesus a ensinar na Oração do Senhor?
R: Eis uma sinopse muito breve.
Pai Nosso: oramos a Deus, o Pai. Jesus é Deus (Hebreus 1:8-9), pelo que as orações dirigidas a Jesus também são válidas, tal como Estêvão fez em Atos 7:59.
Que estás nos céus: Embora Deus esteja em todo o lado ao mesmo tempo, nunca se esqueça de que Deus é transcendente. O Seu trono está mais distante de nós do que as estrelas.
Santificado seja o vosso nome: Não pensem que Deus é apenas um amigo ou «companheiro». Lembrem-se de quem é Deus.
Venha a vós o vosso reino: este tipo de oração é frequentemente negligenciado hoje em dia. Para além do louvor/adoração, da confissão, da ação de graças e da súplica por si próprio e pelos outros, há a oração para que o Reino de Deus venha em breve. 1 Tessalonicenses 4:18 é apenas um versículo que mostra que devemos ansiar pelo Seu reino. Os versículos que mostram que devemos estar atentos e à espera do Seu Reino incluem 1 Tessalonicenses 4:18, 2 Pedro 3:13 e 1 Pedro 4:7.
Esta frase não indica uma atitude indiferente. Pelo contrário, com ela expressamos um desejo fervoroso de ver o Reino de Deus chegar em breve.
Seja feita a vossa vontade: Devemos orar pela vontade de Deus, e não apenas para satisfazer os nossos desejos egoístas (Tiago 4:3). Quando desejamos o que é melhor para o Reino de Deus, quem achamos que é o mais indicado para determinar isso: nós ou Deus?
Na terra como no céu: Não precisamos de orar para que a vontade de Deus seja feita no céu, onde não há tentação, mas é necessário orarmos para que a vontade desejada do Deus Todo-Poderoso seja feita na terra. O céu é o nosso padrão para medir o quanto desejamos que a vontade de Deus seja obedecida.
Dá-nos hoje: Devemos orar para receber as nossas necessidades, não apenas os nossos desejos. Embora os ricos ímpios possam obter financeiramente tudo o que precisam e mais ainda sem orar, devemos ignorar isso e orar a Deus pelas nossas necessidades. (Ver Provérbios 30:7-9.) Aparentemente, não há qualquer plano para orarmos num único dia pelo que precisamos para toda a semana, de modo a que possamos negligenciar completamente a oração nos seis dias seguintes.
O nosso pão de cada dia: Orem diariamente pelas nossas necessidades, não pelas nossas ganâncias. Não se limitem a orar uma única vez por todas as necessidades da vossa vida, mas orem diariamente. Ausente desta oração está o pedido pelos nossos desejos e ambições egoístas, como mostra Tiago 4:3. Esta é uma oração pelo que legitimamente precisamos.
Perdoai-nos os nossos pecados: Precisamos de perdão pelas palavras, ações e omissões no exterior. Além disso, precisamos de perdão pelos nossos pensamentos e de purificação dos nossos desejos pecaminosos no interior. Alguns afirmam erroneamente que não devemos orar para que Deus nos perdoe, uma vez que nos tornámos cristãos e já fomos perdoados. Esta oração demonstra o contrário. Tiago 5:16 também refere a oração por um crente para que os seus pecados sejam perdoados (tempo futuro). O perdão dos pecados assenta na morte de Cristo na cruz, não em quaisquer das nossas palavras; no entanto, o perdão tem um aspeto passado, presente e futuro, que remetem todos para a cruz. De acordo com o New International Bible Commentary, p. 1127, a melhor tradução aqui é «pecados»; referir-se a eles apenas como «transgressões» não é muito preciso.
Tal como perdoamos aqueles que pecam contra nós: o perdão de Deus para com aqueles que se arrependem e se voltam para Ele é completo. É assim que o nosso perdão para com os outros deve ser.
A título de nota à margem, a Oração do Senhor é também citada no *Diatessaron* de Tatiano, secção 9:32-41, p. 58, e nos escritos cristãos primitivos: *Sobre a Oração*, de Orígenes, cap. 18.1, p. 65, e *A Didaché*, cap. 8, *ANF*, vol. 7, p. 379. A *Didaché* acrescenta que deve ser rezada três vezes por dia.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1224-1225, e Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 369, para mais informações.
P: Em Mt 6,9-13 e Lc 11,2-4, por que razão devemos orar?
R: A oração não consiste em informar um Deus onisciente, conferir poder ao Todo-Poderoso ou mudar o coração de um Deus muito amoroso. Trata-se, antes, de um mandamento, de um privilégio de falar com Deus e de uma promessa de que Deus ouvirá as nossas orações. A oração é maravilhosa, na medida em que um Deus Todo-Soberano não só consentiu, como foi Ele próprio quem originou a ideia de permitir que as nossas orações «sejam eficazes» (Tiago 5:16) para que Deus mude as coisas.
Consulte o Manual de Hoje para Resolver Dificuldades Bíblicas, pp. 299-302, e o Livro Completo de Respostas Bíblicas, p. 160, para obter respostas complementares.
P: Em Mt 6,10 e Lc 11,2, pode explicar por que razão existem dois «em» e «céu» e «terra» invertidos na KJV, em comparação com «sobre» e «em» no grego e noutras traduções?
R: Mateus 6:10 na KJV diz: «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade na terra, assim como no céu.»
Em Mateus 6:10 não existem variantes significativas nos manuscritos, e o grego é tal como o senhor refere. Em Lucas 11:2, existe uma variante nos manuscritos, mas também não corresponde à KJV.
De qualquer forma, o grego diz «no» céu e «na» terra. É assim na NKJV, na NIV, na tradução literal de Green e praticamente em todas as outras, exceto na KJV. Não sei por que razão a KJV traduziu «na» para ambos, embora possa especular que, naquela época, «na terra» pudesse ter significado o mesmo que «na terra hoje». Não sei por que razão foram trocadas; talvez os tradutores da KJV tenham considerado que as palavras soariam melhor nessa ordem, mas não há qualquer fundamento para isso no grego. Embora este seja um caso em que a KJV é menos precisa do que deveria ser, não se trata realmente de um erro, uma vez que o significado continua a ser claro independentemente disso.
Acredito que a KJV foi uma boa tradução, realizada por homens piedosos há mais de 400 anos, mas hoje dispomos de traduções melhores.
P: Em Mt 6,13, por que razão devemos orar para que Deus não nos deixe cair em tentação, quando Tiago 1,13 diz que Deus não tenta ninguém?
R: O significado é melhor transmitido pela forma como muitos britânicos rezam esta oração: «salve-nos na hora da necessidade». Deus não nos tenta, mas permite que sejamos tentados, tal como Jesus foi, e tal como Paulo foi tentado a cair no desespero em 2 Coríntios 1. Deus põe-nos à prova, mas não permite que sejamos tentados para além do que podemos suportar (1 Coríntios 10:13a). Quando somos tentados e pensamos que estamos prestes a ultrapassar o que podemos suportar, podemos orar a Deus, e Ele encontrará uma forma de nos livrar ou de nos fortalecer. Consulte «When Critics Ask», p. 334, para uma resposta complementar.
P: Em Mateus 6:14-15, devemos perdoar as ofensas dos outros ou todos os seus pecados?
R: «Ofensas», neste contexto, significa «pecados», pelo que não há diferença.
P: Em Mt 6, 16-18, os cristãos devem jejuar?
R: Sim, o jejum é uma forma de os crentes expressarem a intensidade dos seus sentimentos para com Deus.
Devemos jejuar para adorar (Atos 13:2-3); para orar pedindo ajuda (Isaías 58:3-9; Atos 14:23; Salmo 35:13; Neemias 1:4; Ester 4:3,16; 1 Reis 21:27; Esdras 8:23) e para o arrependimento individual e coletivo (Neemias 9:1; Daniel 9:3; Joel 1:14; 2:12-15; Jonas 3:5).
Não devemos jejuar por tradição (Zacarias 7:5) nem para nos exibirmos (Mateus 6:16-18).
Fazer dieta para perder peso é aceitável, mas isso não é jejuar, uma vez que o objetivo principal é diferente. Comer compulsivamente, alternando com o jejum, não é particularmente saudável nem está de acordo com as Escrituras.
Consulte «Now That’s a Good Question», pp. 229-230, «New Dictionary of Christian Ethics and Pastoral Theology», pp. 377-378, e «1001 Bible Questions Answered», pp. 463-464, para mais informações.
P: Em Mt 6, 19-21, por que razão os cristãos têm dinheiro e outros tesouros na terra?
R: Dar a Deus não é opcional para os crentes (Malaquias 3:10-12). Devemos contribuir para a obra do Senhor (2 Coríntios 8:1-8; 9:6-11; Provérbios 3:9,10; 11:24; 1 Coríntios 16:2; Tito 2:13). É importante que ajudemos os pobres e que outros ajudem os seus semelhantes (Provérbios 11:24-25; 14:21; 24:11-12; 28:22; 29:7; 31:9,20; 2 Coríntios 9:6-7).
Um grande número de versículos da Bíblia exorta-nos a dar aos pobres e a outros: Provérbios 11:24-25; 14:21; 19:9-10,17; 21:13; 22:9; 24:11-12; 29:7; 31:9,20; Salmo 41:1; Isaías 58:7-8,10; Jeremias 5:28; 22:16; Mateus 6:2-4; 19:21; Gálatas 2:10; Efésios 4:28; 1 Timóteo 6:18-19; Tiago 1:27; Deuteronómio 15:11; Salmo 68:5; Jó 29:12-13; 1 João 3:17-19; Atos 4:32-35
No entanto, reconheça também que as riquezas podem ser uma bênção de Deus, de acordo com Provérbios 28:20. Para os cristãos, é adequado fazer o seguinte.
a) Possuir bens pessoais (2 Timóteo 4:13).
b) Devemos sustentar a nossa família (1 Timóteo 5:4,8; Provérbios 31:13-15; Marcos 7:10-13; ~Lucas 15:18-30).
c) Prover para os nossos ministros (1 Coríntios 9:4-12; 1 Timóteo 5:18; Gálatas 6:6)
d) Prover para nós próprios (Tito 3:14).
e) Pagar os seus impostos (Mateus 22:17; Romanos 13:7).
f) Fazer reservas para o futuro (Provérbios 6:6-8; 10:5; 31:16; Lucas 15:18-30; Tito 3:14).
g) Deixar uma herança aos nossos filhos (Provérbios 13:22; 17:2; 19:14; Salmo 17:14).
h) Devemos cuidar dos nossos bens (o que, por vezes, requer dinheiro adicional) (Provérbios 12:10, 11, 27). Devemos conhecer o estado da nossa riqueza, pois esta pode ser perdida por negligência (Provérbios 27:23-24).
No entanto, não é correto agir por ganância ou medo. Se tiver um seguro tão elevado que consiga sustentar melhor a sua família após a sua morte do que em vida, as suas prioridades estão distorcidas. Consulte a análise sobre Provérbios 3:9 para uma discussão mais aprofundada sobre atitudes e utilizações adequadas e inadequadas do dinheiro.
P: Será que Mateus 6:22 se refere a algum tipo de «terceiro olho» espiritual, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?
R: Nenhum cristão primitivo, nem mesmo nenhum cristão moderno, interpretou alguma vez esta passagem desta forma. Se fosse isso que realmente se pretendia dizer, como alguns afirmam, então Deus não conseguiu comunicar-se de uma forma que qualquer cristão pudesse compreender. Ao interpretar uma passagem, não devemos perguntar: «posso fazer com que signifique isto ou aquilo?», mas sim: «o que é que Deus pretendia comunicar-nos?». Muitas pessoas fazem o primeiro, porque existem pecados do intelecto, assim como pecados da vontade e do coração. Consulte «When Cultists Ask», p. 101, para obter uma resposta complementar.
P: Em Mt 6,24, o que é que Mateus diz sobre Deus e o dinheiro?
R: Trata-se aqui de senhores. Deus, enquanto senhor, exige o nosso serviço e obediência absolutos. A busca pelo dinheiro também exige um serviço absoluto a este.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 178-179, o «New International Bible Commentary», p. 1128, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 33, para mais informações.
P: Em Mt 6, 25-26, por que razão acha que Deus nos diz para não nos preocuparmos com a nossa vida?
R: Estes versículos não nos dizem para nunca pensarmos na nossa vida, nem para não fazermos planos, mas sim para não nos preocuparmos com ela. Na verdade, as aves trabalham arduamente, construindo ninhos, cuidando dos seus filhotes, etc., mas não se preocupam com isso.
P: Em Mt 6,26, uma vez que o facto de Deus cuidar dos pássaros é um exemplo do Seu carinho, que tipo de ajuda podemos esperar de Deus?
R: Este versículo não significa «nunca pensem em», mas sim «não se preocupem com». Deus sustenta os pássaros do céu com a sua participação ativa na procura de alimento. Aqui estão cinco pontos a considerar na resposta.
1. Nada acontece a não ser o que Deus permite (Jó 1:12; 2:6).
2. Teremos aflições (2 Timóteo 3:12; Tiago 1:2; João 16:33 e seguintes), mas Deus fortalecer-nos-á e confortar-nos-á nas nossas aflições (2 Coríntios 1:4-5).
3. Deus não permite que os crentes sejam tentados para além do que podem suportar. (1 Coríntios 10:13)
4. Alguns crentes sofrerão perseguição e alguns até mesmo a morte (1 Pedro 1:6).
5. Preciosa aos olhos do Senhor é a morte dos Seus santos (Salmo 116:15). Mesmo que morramos de uma morte injusta e dolorosa, Deus continuará a cuidar de nós no Céu, e os nossos sofrimentos atuais não são nada comparados com as alegrias do Céu (ver 1 Coríntios 2:9)
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 179, o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 876, e o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1226-1227, para mais informações.
P: Em Mt 6,33, o que é que Jesus está a dizer aqui?
R: Jesus não está a dizer que eles não tenham procurado também outras coisas boas. Mas Jesus está a dizer para procurarmos em primeiro lugar o Reino de Deus. Como diz o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 867, no basebol pode-se tocar na segunda base, na terceira base e na base final sem ser marcado, mas se falhar a primeira base, não importa; está fora.
P: Mateus 6:33 ensina que devemos fazer da nossa suposta divindade interior uma prioridade máxima, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?
R: Não, não possuímos divindade interior. Fomos criados à imagem de Deus, e os crentes (tanto homens como mulheres) são filhos de Deus, mas não possuímos divindade própria. Este versículo nada diz sobre a nossa divindade, nem sobre qualquer outra coisa que nos pertença. Em vez disso, ensina-nos a procurar o Seu reino e a Sua justiça. Não há outro Deus senão o Único, como qualquer monoteísta judeu lhe diria, e Jesus era judeu e afirmou que havia apenas um Deus Verdadeiro, cujas palavras devemos obedecer. Devemos submeter-nos às Escrituras, em vez de as distorcer para que se submetam às nossas opiniões. Consulte «When Cultists Ask», pp. 101-102, para uma resposta mais extensa.
P: Em Mt 7,1-2; Lc 6,37; Jo 7,24, como é que não devemos julgar os outros, uma vez que nos é dito para julgar em Jo 7,24; 1 Cor 5,12 e 1 Cor 6,2-5?
R: A Bíblia aprova o julgamento de ações, mas não o de julgar pessoas. 1 Coríntios 6:5 utiliza uma palavra grega diferente, «diakrinai», em relação às outras passagens para «julgar». Refere-se a um árbitro cristão que profere um julgamento sobre um assunto civil entre cristãos.
A palavra grega utilizada nas outras passagens, «krinete», tem um leque de significados. Mateus 7:1-2 e Lucas 6:37 dizem que não devemos julgar os outros (não há qualquer menção a não julgar coisas ou ações). Por outras palavras, não devemos julgar o valor das outras pessoas, nem avaliar quão bons cristãos são, nem quão maus pecadores são. Deixem que Deus o faça; não precisamos de julgar. Mas, embora devamos retirar a trave do nosso próprio olho antes de tentarmos retirar o cisco do olho do nosso irmão, devemos, ainda assim, tentar retirar o cisco do olho do nosso irmão. Há aqui dois aspetos. O primeiro é a hipocrisia de se preocupar mais com o cisco do seu irmão do que com a sua própria trave. O segundo é que não consegue ver o cisco suficientemente bem para o retirar se tiver uma trave no seu olho. Embora Jesus tenha recorrido à hipérbole, continua a ser surpreendente, na vida real, como as pessoas conseguem ver uma falha noutra pessoa e, no entanto, serem totalmente cegas em relação à mesma falha em si próprias.
João 7:24 também utiliza a palavra krinete, dizendo: «Deixem de julgar pelas aparências exteriores e comecem a julgar com justiça.» (BSB)
É irresponsável dizer aos outros que Mateus 7:1 ensina a abdicar de todo o julgamento, de modo a desobedecer ao resto de Mateus 7. Devemos reconhecer os cães e os porcos (Mateus 7:6) e devemos ser inspetores de frutos, conforme Mateus 7:16-20.
No que diz respeito ao homicídio de outras pessoas, ao Holocausto, às pessoas que mantêm relações sexuais com animais e crianças, etc., algumas pessoas poderão argumentar que não devemos impor a moralidade ou, em essência, não devemos julgar o que é certo e errado. Não é isto que a Bíblia ensina.
Ver *Now That’s a Good Question*, pp. 163-164, «Manual Atual para Resolver Dificuldades Bíblicas», pp. 369-371, «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 33, «Novo Comentário Internacional da Bíblia», p. 1129, «Comentário Bíblico do Crente», pp. 1227-1228, «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», pp. 730-731, e «Nova Bíblia de Estudo de Genebra», p. 1515, para respostas complementares.
P: Em Mt 7,1-5, os cristãos não devem julgar, ou devemos julgar, tal como diz 1 Cor 6,2-5?
R: Não devemos julgar outras pessoas, incluindo o seu valor, mas devemos discernir as boas e as más ações, tal como ensina 1 Coríntios 6:2-5. Embora algumas das palavras sejam as mesmas em grego (derivadas de «krino»), o contexto é diferente.
P: Em Mt 7,6, o que quis Jesus dizer com «não lanceis as vossas pérolas aos porcos»?
R: Não ofereça o que é precioso a quem não o aprecia e que possa usá-lo para se voltar contra si e atacá-lo. Este conceito de não lançar pérolas está subjacente a Provérbios 9:7-9, onde nos é dito que não devemos tentar corrigir um escarnecedor ou um homem ímpio. Jesus não realizou muitos milagres perante pessoas incrédulas. Além disso, é melhor que uma pessoa não conheça o caminho da verdade do que conhecê-lo e lhe virar as costas, como diz 2 Pedro 2:20-22.
Analisemos o vasto leque de interpretações possíveis e, em seguida, restrinjamo-lo para determinar a melhor escolha ou escolhas do significado pretendido.
«Lançar» poderia significar:
C1. «Não lance» pode significar «não force».
C2. Não insista.
C3. Não faça qualquer esforço para ensinar.
C4. Tenha muito cuidado para nunca revelar.
Aqui, o verbo «lançar» é ativo, pelo que Jesus não quis dizer para esconder as suas pérolas, para esconder que é cristão, nem para não deixar pérolas no chão. Assim, não se trata do C4.
«Pérolas» pode significar:
P1. Ensinamento piedoso
P2. A mensagem do evangelho
P3. Qualquer coisa de valor, privilégios especiais ou participação em coisas sagradas. O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 370-371, defende esta interpretação.
P4. Poderia também significar que, quando a igreja está a ser perseguida, não se devem expor outros cristãos, revelando os seus nomes a qualquer pessoa.
Jesus ensinava abertamente os ensinamentos morais, pelo que provavelmente não se refere a P1.
«Diante dos porcos» pode significar:
S1. Aqueles que não apreciam estas coisas («Hard Sayings of the Bible», pp. 370-371).
S2. Aqueles que não estão preparados para aprender (The NIV Study Bible)
S3. Os incrédulos que não desejam ativamente aprender.
S4. Os incrédulos que se recusam a aprender
S5. Gentios (de acordo com o cético «Asimov’s Guide to the Bible», pp. 833-835). No entanto, Mateus menciona não-judeus que acreditavam, pelo que não se refere aos gentios em geral.
«Porcos» era um termo depreciativo, pelo que é muito provável que os significados pretendidos incluam aqueles que se recusam a aprender.
Assim, a melhor escolha poderá ser C1 + C2 + C3, e P2 + P3, e S1 + S2 + S3 + S4.
Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 370-371, e *Now That’s a Good Question*, pp. 585-586, para obter respostas complementares.
P: Em Mt 7,7-11, por que razão as pessoas não recebem tudo o que desejam?
R: Deus é muito mais do que um mero Pai Natal cósmico. As pessoas nem sempre recebem o que desejam por, pelo menos, cinco razões.
1. As pessoas não pedem o que querem (Tiago 4:2)
2. Devem orar a Deus, e não a outro. (~Deuteronómio 5:6-7)
3. Devem orar no Espírito e em nome de Jesus (Colossenses 3:17; João 14:13-14; 15:16; 16:26).
4. Deus não ouve os ímpios (Provérbios 15:29; 1 Pedro 3:12; Isaías 1:15; Jeremias 11:14; 14:12; Miqueias 3:4).
5. Eles lutam contra o povo de Deus (Salmo 18:41; 1 Samuel 22:16-17; 28:6).
Veja também a resposta à próxima pergunta.
P: Uma vez que Mateus 7:7-8 diz que quem pede recebe e quem procura encontra, por que razão, em Amós 8:12, procuram a palavra do Senhor e não a encontram?
R: Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, a resposta.
O que não é a resposta: Jesus proferiu estas palavras séculos depois de Amós, e a situação no tempo do Novo Testamento era diferente da anterior. Além disso, houve um período de silêncio de 400 anos, durante o qual não foi revelada nenhuma Escritura, imediatamente antes da vinda de Jesus. Por fim, o conhecimento que Jesus nos deu não estava disponível nem mesmo para as pessoas piedosas que viveram antes de Jesus. Mas, embora estas três afirmações sejam todas verdadeiras, elas ignoram a verdade intemporal e a advertência que constituem o ponto principal de Amós 8:12-14.
A resposta: Existem dois níveis de resposta.
Mais especificamente, Amós 8:12-14 referia-se àqueles (principalmente samaritanos) na terra [de Israel] que seguiam tanto os ídolos do reino do norte como a Deus. Enquanto tentassem seguir ambos, não encontrariam a palavra de Deus.
De um modo geral, Amós 8:12-14 constitui uma advertência para todas as pessoas. Mateus 7:7-8 não significa pedir a qualquer pessoa; significa que tem de pedir ao Único Deus Verdadeiro. Se pretender combinar a verdade de Deus com a falsidade dos ídolos e de outras religiões, enfrentará uma fome de verdade, e não a plenitude da verdade. Tem de procurar Deus com todo o seu coração, e não com parte do seu coração a procurar Deus e outra parte a procurar ídolos.
P: Em Mt 7,7-11, por que razão os cristãos nem sempre obtêm aquilo por que oram a Deus em nome de Jesus?
R: Deus responde a algumas orações com um «sim», a outras com um «não» e a outras ainda com um «aguarde». Quando não há resposta, ou não é a resposta que desejamos, é bom refletir sobre o motivo. Não podemos conhecer todos os casos específicos, mas, em geral, existem pelo menos 21 razões relacionadas connosco, com as circunstâncias e com Deus.
Nós:
1. Orar ao deus errado, a um ídolo. 1 Reis 18:26-29
2. Os pedidos não devem ser para satisfazer as nossas paixões. Tiago 4:3
3. Os pedidos devem ser por coisas boas. Mateus 7:11
4. Não é a vontade de Deus que as tenhamos. Marcos 14:36
5. Temos de esperar. Daniel 10:12-14
6. As nossas orações são simplesmente repetições vãs. Mateus 6:7
7. No entanto, temos de persistir [de forma significativa]. Lucas 11:5-10, 18:1-7
8. Acumulamos pecado nos nossos corações (Salmos 66:18-19), fazemos ouvidos moucos aos pobres (Provérbios 21:13) ou somos ímpios (Provérbios 15:29, Isaías 59:1-3). Deus não nos ouve quando optamos por não O ouvir (Zacarias 7:11-14 e implícito em Provérbios 28:9).
9. Precisamos de autocontrolo. 1 Pedro 4:7
10. Pecámos, por exemplo, com o divórcio. Malaquias 2:13-14
11. Ignoramos Deus e a Sua lei. Zacarias 7:13; Provérbios 28:9
12. Ignoramos o clamor dos pobres. Provérbios 21:13
13. Somos indelicados para com as nossas esposas. 1 Pedro 3:7
14. Deus não os ouvirá se continuarem também a adorar ídolos. Ezequiel 8:8-18
15. As suas mãos estão manchadas de sangue. Isaías 1:15
16. Deus sabe quais são as provações mais adequadas. 2 Coríntios 12:7-9
17. Deus disciplina-nos. 2 Samuel 12:16-18; 22-24
Circunstâncias:
1. No seu tempo, Deus poderá atender à oração, mas ainda não é o momento certo. Habacuque 2:3
2. Pode ser que precisemos de mudar de alguma forma, ou que outra pessoa precise de mudar. 1 Samuel 1:10-12; Êxodo 2:23-24
Deus:
1. Deus poderá estar a responder à vossa oração com um «não»
2. Deus pode estar a permitir que sejamos postos à prova.
Por vezes, tal como mostram o livro de Jó e Daniel 10:2-3, 12-14, não fazemos a mínima ideia de tudo o que se passa nos bastidores. Mas sabemos que a nossa paciência e persistência glorificam a Deus.
P: Em Mt 7,12a, quais são os exemplos da regra de ouro?
R: Repare que aqui não se diz «irmãos», ou seja, outros crentes, mas sim vizinhos, tanto crentes como não crentes. No mundo dos negócios, trate fornecedores, clientes, colegas de trabalho, superiores e subordinados da forma como gostaria e esperaria ser tratado se a situação fosse inversa. No que diz respeito aos concorrentes, pode ser um concorrente exigente, mas também justo e honrado. Quando uma situação, venda ou transação estiver concluída, sentir-se-ia à vontade para dizer à outra parte que é cristão, ou sentir-se-ia constrangido e envergonhado por lhes revelar que é cristão?
A regra de ouro foi enunciada, de forma negativa, por Hillel cem anos antes, por Filo de Alexandria, em Tobias 4:15, e por Confúcio (Legge, Chinese Classics, vol. 1, p. 191 e seguintes).
Consulte o New International Bible Commentary, p. 1129, o Believer’s Bible Commentary, p. 1229, o Evangelical Commentary on the Bible, p. 731, e o The Expositor’s Greek Testament, vol. 1, pp. 131-132, para mais informações.
P: Em Mt 7,13-14, por que razão acha que a porta que conduz à perdição é larga e a que conduz à vida eterna é estreita?
R: As duas portas conduzem a destinos diferentes. Satanás conduz o mundo por um caminho que, em última análise, é egoísta e destrutivo. Mas Deus tem um caminho diferente, e precisamos de escolher se seguimos a multidão ou se seguimos a Deus.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 34, o «Believer’s Bible Commentary», p. 1229, e Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 435, para mais informações.
P: Mateus 7:20 indica-nos como distinguir qual o grupo religioso que representa a verdadeira religião?
R: Sim e não. Em todas as religiões há pessoas que afirmam pertencer a essa religião, mas não seguem o que ela prega. Existem muitos «cristãos culturais», «muçulmanos culturais», «hindus culturais», etc. Esta passagem refere-se a indivíduos, especialmente a falsos mestres. Assim, este versículo aplica-se aos fundadores de um culto ou de uma religião. Consulte *When Cultists Ask*, p. 103, para obter uma resposta diferente.
P: Em Mt 7, 21-23, como é que algumas pessoas podem considerar-se salvas e, ainda assim, ir para o inferno?
R: Existe um conceito importante denominado «conversão falsa». As pessoas podem não só enganar os outros, como também enganar-se a si próprias. Nada aqui indica que tivessem ensinamentos heréticos. Mas se o fruto da sua fé e da sua vida não estiver em consonância com o que o Novo Testamento ensina, então devem examinar a sua própria fé, tal como Paulo recomenda em 2 Coríntios 13:6. Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 878; o «New International Bible Commentary», p. 1129; o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1229-1230; o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 34; e Ulrich Luz, «Mateus 1-7: Um Comentário», p. 442, para mais informações.
P: Em Mateus 7:24-29, como é que isto se aplica às nossas vidas?
R: Tony Evans dá o exemplo de que tinha uma fenda na sua parede que reparou muitas vezes, mas que reaparecia sempre. O problema não era a parede; não, era algo mais grave. O problema estava nos alicerces. Se houver uma fenda na nossa vida, espiritualmente, que continua a reaparecer, talvez não devamos considerar a fenda como a causa principal. A causa principal pode ser algo de errado com os alicerces. Tecnicamente, esta parábola não trata de dois alicerces; trata-se, antes, de onde construir o seu alicerce. Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 878, o «Believer’s Bible Commentary», p. 1230, o «The Expositor’s Greek New Testament», pp. 135-136, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», pp. 34, 36, para mais informações.
P: Mateus 7:24-29 demonstra que apenas aqueles que reconhecem a sua alegada «divindade interior» conseguem resistir às tempestades da vida, tal como afirmam Spangler e alguns outros adeptos da Nova Era?
R: Não, consulte a resposta sobre Mateus 6:33. Nesta passagem não há qualquer menção à nossa divindade; os adeptos da Nova Era estão a interpretar isso na passagem. Em vez disso, a questão é se a nossa vida (a nossa casa) está construída sobre o alicerce de Deus ou sobre areia. Consulte «When Cultists Ask», p. 103, para mais informações.
P: Em Mt 8,2, por que razão o leproso formulou a sua pergunta desta forma?
R: O leproso tinha dúvidas quanto à capacidade de Jesus para o purificar. O leproso não tinha a certeza da vontade de Jesus de o purificar.
A lepra é também uma boa metáfora para o pecado. Tem um aspeto repugnante, espalha-se pelo corpo da pessoa, é contagiosa para os outros e era, humanamente falando, incurável.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1231, para mais informações.
P: Em Mt 8,4, por que razão o leproso devia oferecer o sacrifício como testemunho aos sacerdotes?
R: Isto serviria como testemunho para mostrar aos sacerdotes que ele tinha sido milagrosamente purificado e seria também um testemunho para os sacerdotes de que Jesus continuava a respeitar a lei. Provavelmente, muito poucos leprosos se dirigiam ao sacerdote a pedir para serem examinados, uma vez que já estavam curados. O sacerdote, se estivesse atento, poderia investigar quem era esse curador; no entanto, não há qualquer menção de que o sacerdote tenha aprofundado a questão. Esta pode ter sido a razão pela qual Jesus «pôs o sacerdote à prova», fazendo com que fosse ele o primeiro a examinar o homem.
Outra razão foi que Jesus desejava a reintegração do homem na sociedade, para além da cura física. Se o sacerdote tivesse sabido por terceiros que este homem estava «puro», apesar de não ter ido ter com ele como previa a Lei mosaica, então, por rancor, o sacerdote poderia ter-se recusado a declarar-lhe a pureza.
Mais tarde, alguns dos fariseus tornaram-se cristãos, de acordo com Atos 15:5. Apesar de todas as suas muitas falhas, muitos dos fariseus ainda possuíam as virtudes de levar a sério a palavra de Deus e de acreditar no que Deus dizia sobre a ressurreição e a vida após a morte.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1231, o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 138, e o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», pp. 36-37, para mais informações.
P: Em Mt 8, 5-13, o centurião dirigiu-se pessoalmente a Jesus, ou enviou outras pessoas, tal como refere Lc 7, 1-10?
R: Existem duas respostas possíveis.
1) O centurião enviou outros à sua frente e, depois, veio ele próprio.
2) Quando se diz que o centurião «veio», isso não significa necessariamente que tenha vindo pessoalmente. Por exemplo, quando João 19:1 diz que Pilatos açoitou Jesus, isso não significa que Pilatos o tenha feito com as próprias mãos.
Consulte «Dificuldades da Bíblia e Aparentes Contradições», pp. 174-175, e «Quando os Críticos Perguntam», p. 334, para mais informações.
P: Em Mateus 8:10 e Lucas 7:9, por que razão Jesus se maravilhou com o centurião?
R: Jesus maravilhou-se com a comparação que observou. O centurião não era judeu e não tinha sido educado na Lei durante toda a sua vida; no entanto, o centurião tinha mais fé do que muitos judeus. O centurião pensava que Jesus podia comandar a doença da mesma forma que comandava os seus soldados. Ter fé não se baseia simplesmente no seu ambiente e na sua educação. O centurião pode ter dito que não era digno, quer por causa dos costumes judaicos, quer — o que é mais provável — por ter reconhecido o poder e a autoridade de Jesus. O centurião pode ter tido conhecimento da cura anterior relatada em João 4:46-54, o que lhe deu esperança e coragem para se aproximar de Jesus.
Consulte o «Evangelical Commentary on the Bible», pp. 731-732, o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 139, o «New International Commentary on the Bible», p. 1130, e o «Tony Evans Bible Commentary», pp. 878-879, para mais informações.
P: Em Mateus 8:12, isto refere-se a um castigo temporário ou a um castigo eterno?
R: O versículo em si não o especifica. No entanto, «choro e ranger de dentes», noutros passagens, refere-se não só à agonia, mas também à honra, ao privilégio e à alegria que se perdem para sempre; por isso, é muito provável que se refira a um castigo eterno.
P: Em Mt 8,12; 22,13; 25,30, o Inferno é um lugar de trevas, ou um lugar de fogo, como em Ap 20,14; Mc 9,48?
R: Ambas as coisas. Primeiro, uma resposta curta; depois, uma resposta mais longa.
Resposta curta: Este fogo não é um mero fogo terrestre, e Deus pode criá-lo da forma que Lhe aprouver. Deus está a descrever-nos algo que nunca vimos na Terra e, embora não saibamos até que ponto o fogo terrestre é semelhante ou diferente do fogo do Inferno, é suficientemente semelhante para que Deus o utilize como metáfora descritiva.
Resposta longa: Cientificamente, o fogo é brilhante porque emite fotões de luz no espectro visível (do vermelho ao violeta). Parece quente porque também nos irradia com fotões de luz noutras partes do espectro, principalmente infravermelhos provenientes do fogo, enquanto a luz solar que atravessa a atmosfera contém mais raios ultravioleta. Como descreveria algo que emitisse principalmente raios X ou raios gama? Isso poderia queimar algo muito mais rapidamente, mas pareceria escuro ao olho nu. Deixando de lado os fotões, uma estrela de neutrões emitiria a maior parte da sua energia sob a forma de neutrões — tal como uma bomba atómica —, mas seria escura se houvesse poucos fotões. Ora, não sabemos se o Inferno é quente devido aos fotões, aos neutrões ou a algo completamente diferente, mas estas observações terrenas mostram simplesmente que existem muitas possibilidades quanto à forma como a escuridão e o fogo do Inferno poderiam ser.
Consulte «When Cultists Ask», pp. 104-105, e «When Critics Ask», p. 335, para outras respostas.
P: Em Mt 8,13, qual é o significado da formulação de Jesus neste contexto?
R: Não consta que Jesus tenha dito isto a mais ninguém. O centurião tinha uma fé tão grande que Jesus disse isto e a sua filha foi curada.
P: Em Mt 8, 14 e 1 Cor 9, 5, o facto de Pedro ser casado refuta a prática católica de que os sacerdotes não podem casar-se?
R: Falando como protestante, este versículo em particular não prova nem refuta este ponto. Pedro era casado antes de se tornar discípulo. Da mesma forma, houve padres episcopais casados no século XX que se converteram ao catolicismo, e a Igreja Católica permitiu-lhes continuar a ser padres católicos casados e a prosseguir como antes no seu casamento.
P: Em Mt 8,15, o que há de interessante na cura da febre aqui referida?
R: Normalmente, quando alguém recupera de uma febre, fica fraco e precisa de tempo para recuperar. Estar doente com febre não era invulgar, devido à malária. A sogra de Pedro não precisou de tempo algum para recuperar antes de começar a servir-lhes.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 37; o «Believer’s Bible Commentary», p. 1232; o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 204; o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 140-141; e o «New International Bible Commentary», pp. 1158-1159, para mais informações.
P: Em Mt 8,17, Isaías 53,4 refere-se ao sofrimento por nós ou à nossa cura?
R: Isaías 53:4 pode referir-se a ambas as coisas.
O Messias será ferido: como mostra Isaías 53:5, esta passagem refere-se ao Messias (o Servo Sofredor) a sofrer por nossa causa. Da mesma forma, Isaías 53:6 afirma que o Senhor fez recair sobre o servo sofredor a nossa iniquidade.
O povo de Deus será curado. Tanto Isaías 53:5 como 53:4 mostram que um dos benefícios do Messias será a nossa cura. Nada em Isaías 53 especifica que se trate apenas de cura espiritual ou de cura física. Certamente, Deus utilizou os exemplos de cura física para apontar, para além deles próprios, para a importância maior da cura espiritual tornada possível através da cruz.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 204-206, para uma discussão mais aprofundada.
P: Em Mateus 8:20 e noutros passos, será que Jesus se poderia estar a referir a alguém além de Si mesmo quando diz: «Filho do Homem»?
R: Não, Marcos 14:41b mostra que Jesus se referia a Si próprio. No Jardim do Getsêmani, imediatamente antes da Sua prisão, Jesus, em Marcos 14:41b, diz: «Ainda estão a dormir e a descansar? Já basta! Chegou a hora. Vejam, o Filho do Homem está a ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantem-se, vamos. Vejam, o meu traidor aproxima-se!» (BSB). Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 209-213, para uma discussão aprofundada do termo «Filho do Homem».
P: Em Mateus 8:20 e noutros passos, por que razão é que Jesus se autodenomina frequentemente «Filho do Homem»?
R: Há três pontos a considerar na resposta.
1) Jesus considerava este termo muito significativo. Jesus utilizou esta expressão 32 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 26 vezes em Lucas e 12 vezes em João.
2) Enquanto o título «Filho de Deus» é utilizado para enfatizar a divindade de Jesus, «Filho do Homem» enfatiza também a plena humanidade de Jesus. Mas, tal como «Filho do Homem» implica a plena humanidade de Jesus, «Filho de Deus» enfatiza a plena divindade de Jesus.
3) Daniel 7:13-14 fala profeticamente do Filho do Homem. Jesus provavelmente queria que eles voltassem a ler esta passagem. Diz assim: «Na minha visão nocturna, continuei a observar e vi Alguém semelhante ao Filho do Homem a vir com as nuvens do céu. Ele aproximou-se do Ancião de Dias e foi conduzido à Sua presença. E foi-Lhe concedido domínio, glória e reinado, para que os povos de todas as nações e línguas O servissem. O Seu domínio é um domínio eterno que não passará, e o Seu reino é um reino que nunca será destruído.» (BSB)
Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», pp. 322-324, «Quando os Críticos Perguntam», pp. 335-336, «Quando os Seguidores de Cultos Perguntam», pp. 105-106, e o «Novo Comentário Internacional sobre a Bíblia», pp. 1130-1131, para obter respostas mais abrangentes.
P: Em Mt 8, 21-22, por que razão Jesus disse ao homem para deixar que os mortos enterrassem os seus próprios mortos?
R: Jesus estava a dizer que havia muitas pessoas espiritualmente mortas à sua volta para enterrar os mortos, e que não se devia ficar preso a coisas sem significado eterno. O problema residia no pedido do homem: «Senhor, deixa-me primeiro…».
Não há qualquer indicação de que o pai do homem já tivesse falecido. O homem poderia estar a dizer: «Espere até que o meu pai idoso falecer, e talvez até que ele receba a herança, e só então o seguirei.» Assim, o homem queria seguir Jesus, mas pretendia fazê-lo no seu próprio tempo. Jesus recusou o seu pedido. Em nítido contraste com isto, quando Mateus, o autor do evangelho, foi convidado a seguir Jesus, Mateus partiu imediatamente e seguiu-O, conforme se lê em Mateus 9:9.
Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia», p. 324; «Quando os Críticos Perguntam», p. 336; o «Comentário Bíblico do Crente», pp. 1232-1333; o «Comentário do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento», p. 38; o «Novo Comentário Internacional sobre a Bíblia», p. 1130; e o «Comentário Bíblico de Tony Evans», p. 879, para obter respostas mais abrangentes.
P: Em Mt 8, 24-25, como é que Jesus conseguiu dormir durante esta grande tempestade?
R: A palavra grega aqui utilizada, «seismos», pode referir-se a um terramoto, mas, neste contexto, refere-se a um violento «abalo» do mar. Jesus tinha vencido as doenças humanas e também não tinha medo dos elementos da natureza. Existem duas possibilidades.
Natural: Jesus estava cansado após a Sua pregação e dormia profundamente. Naquela época, não existiam microfones nem sistemas de som, pelo que um orador tinha de falar em voz muito alta. Lembre-se também de que Jesus não tinha qualquer ansiedade em relação a chegar à outra margem. Se Jesus conseguia dormir normalmente num pequeno barco, então Ele está simplesmente a dormir mesmo quando há ondas mais altas e vento.
Sobrenatural: Se a tempestade fosse tão forte que ninguém conseguisse dormir durante a mesma, então talvez o Pai tivesse feito com que Jesus estivesse num sono muito profundo para testar a fé dos discípulos em que Deus manteria Jesus a salvo.
Consulte o «Evangelical Bible Commentary», p. 732, e «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 143, para mais informações.
P: Em Mt 8, 24-27, o que podemos aplicar disto às nossas vidas?
R: Todos passam por tempestades, algumas tão graves que poderiam afundar o nosso barco. No entanto, a visão de Jesus sobre a tempestade e a nossa visão sobre uma tempestade podem ser radicalmente diferentes. Os discípulos eram pescadores e sabiam que os pescadores podiam morrer em tempestades como esta. Como diz Matthew Henry, Jesus não os repreendeu por o terem acordado para pedir ajuda, mas sim pelos seus medos e pela falta de fé. Os discípulos não se aperceberam de que não deviam ter medo de que o seu barco afundasse, com Jesus a bordo. Os discípulos tinham fé, mas não tinham uma fé na qual pudessem confiar. A tempestade era verdadeiramente violenta, mas o que deviam fazer era pedir a Jesus que a acalmasse. Podemos enfrentar tempestades na nossa vida que não só parecem violentas, como são realmente violentas. Precisamos de pedir a Jesus que acalme a tempestade.
Jesus dirigiu aqui duas repreensões: uma ao vento e às ondas, e outra aos discípulos pela sua pouca fé. É como se eles não tivessem percebido plenamente, ou não se lembrassem realmente, de quem estava no barco com eles. Talvez precisemos de nos arrepender quando nos esquecemos de quem está connosco no barco da nossa vida. Uma coisa positiva nas provações da nossa vida é que elas nos levam a compreender melhor quem é Jesus.
Por fim, quando o vento cessa, a água continua muito agitada durante algum tempo. Mas os discípulos ficaram espantados porque Mateus 8:26 diz que não só o vento, mas também as ondas se acalmaram. Um barco não estaria seguro enquanto as ondas não se acalmassem, por isso Deus acalmou também as ondas.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», pp. 38-39; o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 215; o «Believer’s Bible Commentary», p. 1233; e o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 880, para mais informações.
P: Em Mt 8:28, havia dois homens possuídos por demónios na região dos Gergesenos, ou apenas um, de acordo com Mc 5:1-4; Lc 8:26-33?
R: Embora possa ter havido dois acontecimentos distintos, é mais provável que se trate do mesmo acontecimento e que tenha havido um erro de transcrição em Mateus. Papias, um discípulo do apóstolo João, escreveu que Mateus redigiu originalmente o seu Evangelho em hebraico/aramaico. O livro *When Critics Ask*, p. 337, acrescenta que «se houvesse dois homens, então ambos os relatos estariam corretos, porque existe uma lei matemática muito fundamental... — onde quer que haja dois, há sempre um. Não há exceções!» Teríamos um problema se Marcos e Lucas dissessem que havia apenas um homem, mas a palavra «apenas» não consta do texto.
P: Em Mt 8,28, qual era exatamente a cidade próxima do homem possuído por demónios?
R: Seria ou em Gadara ou em Gerasa. A dificuldade reside no facto de existirem três cidades com nomes bastante semelhantes. Além disso, se isto tiver sido transcrito do hebraico, as letras hebraicas para «r» e «d» são muito semelhantes.
Gergesenes (de Gergesa), a atual Khersa, é a cidade mencionada na maioria dos manuscritos. Situa-se na margem oriental do Mar da Galileia, e as colinas descem abruptamente até ao mar.
Gadarenes (de Gadara), a atual Um Qeis, ficava apenas a 5 a 8 milhas a sudeste do Mar da Galileia, e a «terra dos Gadarenos» chegava de facto até ao Mar da Galileia, como comprovado pela menção de Josefo a este facto e por uma moeda de Gadara que retrata um navio. O Vaticanus, o texto do Ephraem Rescriptus e algumas cópias do Diatessaron referem esta cidade.
X Os gerasenos (de Gerasa) (atual Jerash) encontram-se a cerca de 30 milhas do Mar da Galileia, pelo que não se trataria dessa cidade. Este nome aparece apenas nos manuscritos itálicos, na Vulgata, na margem (não no texto) do siríaco de Harcleia e no copta sahídico.
X Gersa, em Gileade, situa-se a 20 milhas a leste do rio Jordão
X Gaxarenes não é uma cidade que tenha existido. Este erro ortográfico óbvio encontra-se apenas no Siniático original, tendo sido corrigido posteriormente por um escriba no manuscrito Siniático para Gergasenes.
Ver *Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia*, pp. 324-326, «Hard Sayings of the Bible», p. 373, «When Critics Ask», p. 336-337, «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 122, «The Greek New Testament», de Aland et al., p. 29, «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 144-145, e «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 219-220, para mais informações.
P: Em Mt 8, 28-29, o que podemos aprender com isto para as nossas vidas?
R: Em primeiro lugar, os túmulos deveriam ser um local tranquilo, sem nada de vivo nas proximidades. No entanto, é no reino dos mortos que os demónios atuam. Os endemoninhados não deveriam estar ali; deveriam ter vivido com todas as outras pessoas. Não sabemos por que razão eles lá estavam; se foi porque optaram por evitar as pessoas, porque as pessoas os expulsaram, para saquear túmulos, para roubar ou matar quem por lá passasse, ou por alguma outra razão. Mas seria surpreendente que alguém fosse prestar homenagem ao túmulo de alguém e, de repente, estes dois homens possuídos por demónios aparecessem.
Na nossa vida e na vida das pessoas à nossa volta, podem existir coisas mortas no nosso passado que não devem ser revisitadas, trazidas à tona ou mesmo recordadas voluntariamente. Mas, de repente, por qualquer motivo, algo que já não deveria estar presente acaba por surgir na mesma. Devemos ser firmes e afirmar que isso não pode acontecer; que tem de ser expulso, em nome de Jesus. Somos uma nova criação; parte disso significa que o que é antigo e pecaminoso precisa de morrer — e permanecer morto.
Consulte o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 880, para mais informações.
P: Em Mt 8,29, o que queriam dizer os demónios com «atormentar-nos antes do tempo»?
R: Os demónios sabiam que seriam enviados para o abismo (Judas 6; Apocalipse 20:1-2) e, mais tarde, para o Lago de Fogo (Apocalipse 20:14-15).
P: Em Mt 8,32, por que razão Jesus atendeu ao pedido dos demónios de entrarem nos porcos?
R: As Escrituras não o dizem. Mas parece que não serviu de nada aos demónios entrarem nos porcos, que se afogaram imediatamente. É interessante que os habitantes da cidade estivessem mais preocupados com os 2 000 porcos que se afogaram do que com os dois endemoninhados. Valorizam mais a perda financeira do que o ganho espiritual. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1233, o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 219, e o «Tony Evans Bible Commentary», p. 880, para mais informações.
P: Em Mt 9,1; Mc 6,45 e Jo 6,17, por que razão Jesus passou algum tempo aqui em Cafarnaum, que Lucas denomina «a sua própria cidade»?
R: Recorde-se que o povo de Nazaré (a cerca de 20 milhas de distância) tinha tentado matar Jesus em Lucas 4:29-31, e que os gergesenos pediram especificamente a Jesus que partisse depois de 2 000 porcos se terem afogado; por isso, Jesus fez de Cafarnaum a sua casa. É muito provável que se trate da atual Tell Hum, a cerca de 2,5 milhas a sudoeste do ponto onde o rio Jordão desagua no Mar da Galileia, na margem noroeste. Simão Pedro, André e Filipe eram todos originários de Betsaida (João 1:44; 12:21), que ficava muito próxima. Já adultos, trabalhavam na cidade ribeirinha de Cafarnaum, juntamente com Tiago, João e Mateus (Marcos 1:29). Consulte o Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 66, 226 e 310, e o Comentário Bíblico do Crente, p. 1234, para mais informações.
P: Em Mt 9, 2-6, o que poderia ser considerado errado no facto de Jesus perdoar pecados?
R: As pessoas pecavam contra Deus e, com razão, concluíram que Jesus teria de ser Deus para perdoar pecados cometidos contra Deus. Repare que Jesus não disse: «Deus autorizou-me ou aprovou que eu dissesse que os vossos pecados estão perdoados». Em vez disso, Jesus limitou-se a declarar: «Os vossos pecados estão perdoados». Embora se esperasse que os judeus estivessem à espera de um Messias, não esperariam que o próprio Messias perdoasse pecados. Tanto o perdão dos pecados como a cura das doenças são mencionados no Salmo 103:3, mas ambos são especificamente tarefas do SENHOR.
Em termos naturais, dizer ao homem «os teus pecados estão perdoados» seria tão ridículo como ordenar a um aleijado que andasse.
Consulte o «New International Bible Commentary», p. 1131, o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 732, o «Believer’s Bible Commentary», p. 1234, e o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 148, para mais informações.
P: Em Mt 9,9 (KJV), o que significa «receita aduaneira»?
R: Significa cobrar impostos.
P: Em Mt 9,9-10, qual é o contexto relativo a Mateus e aos seus amigos?
R: Mateus (que significa «dom de Deus» ou, possivelmente, «fiel») é a mesma pessoa conhecida como Levi no Evangelho de Marcos. Ambos são nomes hebraicos. Isto ocorreu nos arredores de Cafarnaum, onde se encontrava uma guarnição romana. Um cobrador de impostos naquele local teria de ser fluente tanto em aramaico como em grego, embora o latim também fosse útil. Não sabemos ao certo qual era a língua principal falada no banquete, nem sequer se o aramaico era falado de todo. Seja como for, nenhum fariseu ou judeu que se preze seria visto ali, a comer com «pecadores».
Os cobradores de impostos eram desprezados porque cobravam impostos para os ocupantes romanos. Além disso, esperava-se que cobrassem mais do que o governo exigia e ficassem com a diferença. Haveria tantas oportunidades para cobrar ainda mais e tirar partido dos outros que seria uma tentação difícil de resistir.
Uma vez que havia muitos convidados, talvez a casa de Mateus fosse grande, ou o jantar possa ter ocorrido num pátio exterior da casa. Provavelmente, durante o jantar, os convidados foram convidados a tornarem-se também discípulos. (Jesus tinha muitos discípulos para além do círculo íntimo dos doze.) Como diz o «Believer’s Bible Commentary», na página 1234, a respeito de Mateus: «Ele perdeu um emprego confortável, mas encontrou um destino. Perdeu um bom rendimento, mas encontrou honra. Perdeu uma segurança confortável, mas encontrou uma aventura como nunca tinha sonhado.» Imagine se Mateus tivesse dito «não» quando Jesus lhe pediu. Mateus não teria sido apóstolo, não teria escrito o evangelho e, em vez disso, teria simplesmente vivido os seus dias como um homem anónimo, sem propósito, razoavelmente abastado, mas desprezado e mais tarde esquecido.
Consulte o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 39; o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 223-224; o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, pp. 150-151; e o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 733, para mais informações.
P: Em Mt 9,12, o que quis Jesus dizer com «só os doentes precisam de médico»?
R: Todos estão doentes, mas apenas aqueles que se apercebem de que estão doentes procuram um médico. Assim, num certo sentido, a acusação que lançaram contra Jesus era absolutamente verdadeira. Mas ao comer com os fariseus, ou com qualquer outra pessoa, aliás, Jesus comeria também com pecadores! Uma vez que Jesus acabara de provar que podia perdoar os pecados do paralítico, Jesus podia perdoar também os pecados dos cobradores de impostos. Se alguém disser que não quer ir à igreja porque está cheia de pessoas imperfeitas e pecadoras, diga-lhe que isso não deve impedi-lo, pois a igreja tem sempre lugar para mais uma pessoa! Consulte o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1234-1235, e o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 152, para mais informações.
P: Em Mt 9,13, por que razão Jesus mencionou que Deus deseja misericórdia e não sacrifício?
R: Jesus está a referir-se a Oséias 6:6. Embora Deus tivesse ordenado o sacrifício, bem como a misericórdia, Deus estava mais interessado em que tivéssemos um coração misericordioso do que no sacrifício. Tal como no tempo de Oséias, algumas pessoas religiosas na época de Jesus preocupavam-se menos com os outros e estavam mais preocupadas em conviver com o «tipo certo» de pessoas. Jesus preocupava-se com os cobradores de impostos e pecadores perdidos e repreendeu-os por não reconhecerem que todos são pecadores perante Deus e que não tinham motivos para se considerarem melhores do que outros pecadores. Os escribas e fariseus revelaram o seu coração, pois nunca acusaram Jesus de ser um cobrador de impostos ou pecador, mas sim de se associar a eles. Consulte «Dificuldades e Aparentes Contradições da Bíblia», pp. 118-119, e «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 152, para mais informações.
P: Em Mt 9,14, por que razão os discípulos não jejuavam?
R: Jesus não disse que os seus discípulos nunca jejuariam, mas sim que não precisavam de jejuar enquanto Jesus ainda estivesse com eles na carne. Para conhecer os objetivos adequados do jejum, consulte a discussão sobre Mateus 6:16-18. Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 226-227, para mais informações.
P: Em Mt 9,16-17 e Mc 2,21-22, qual é o sentido das analogias das vestes e dos odres?
R: Mesmo no mundo natural, nem sempre é possível adaptar-se gradualmente a algo novo. Por vezes, é necessário «quebrar o molde», mudar de paradigma ou ter um novo começo. Jesus estava a dizer aqui que, para aceitar o Seu ensinamento, a ruptura era tão radical que é necessário nascer de novo (João 3:5-7) e tornar-se uma nova criação (2 Coríntios 5:16-17). Consulte também a discussão sobre Mc 2,21-22.
Infelizmente, nos tempos antigos, as pessoas contra as quais Paulo se pronunciou em Gálatas, chamadas de judaizantes, tentavam exatamente isso: misturar a graça e os ensinamentos de Jesus com a lei e os mandamentos do Antigo Testamento. De uma forma diferente, alguns adventistas do sétimo dia também o fazem.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 227; o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 40; o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 153; e o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1235-1236, para mais informações.
P: Em Mt 9,20, o que há de especial na bainha de uma vestimenta?
R: Provavelmente tratava-se das franjas na orla da vestimenta. Estas poderiam ter sido consideradas uma parte mais sagrada da vestimenta, uma vez que as franjas com um fio azul no meio eram exigidas em Números 15:38 e seguintes; Deuteronómio 22:12.
A senhora parecia muito reservada quanto a isto. De acordo com Levítico 15:19-33, o seu fluxo contínuo de sangue teria tornado-a impura, pelo que, em primeiro lugar, não deveria ter-se misturado na multidão, em espaços apertados, para chegar até Jesus.
Consulte o «New International Bible Commentary», p. 1131, o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 154, e o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 733, para mais informações.
P: Em Mateus 9:20-22, Marcos 5:27-34 e Lucas 8:43-49, por que razão Jesus chamou publicamente a atenção da mulher com o fluxo de sangue?
R: A cura física não foi a razão pela qual Jesus veio à Terra. Jesus estava mais preocupado com a fé da mulher do que apenas com a doença física. Como um pastor observou, referindo-se a este milagre público: «No fim da nossa corda está a bainha do manto de Jesus.»
P: Em Mt 9, 20-22 e Mc 5, 27-34, será que a quantidade de fé que temos determina se as nossas orações são atendidas?
R: É um fator. No que diz respeito às orações que estão de acordo com a vontade de Deus, precisamos de ter fé quando oramos. Tiago 1:6-7 diz que devemos pedir sem duvidar, pois uma pessoa indecisa não receberá aquilo que pede. No entanto, se acreditarmos, mas ainda tivermos algumas dúvidas, podemos pedir, reconhecendo honestamente a nossa incredulidade, tal como fez o homem em Marcos 9:24, e Deus honrará a nossa oração. É também reconfortante saber que o Espírito Santo intercede por nós na oração, conforme Romanos 8:26-27.
É claro que, mesmo que peçamos algo com mais fé do que qualquer pessoa alguma vez tenha pedido, e não for da vontade de Deus concedê-lo, então Deus não o fará, como mostra Tiago 4:3. Esta é uma parte de uma questão mais ampla: quando é que Deus responde à oração e quando é que as Escrituras dizem que Ele não o faz. Consulte a discussão sobre Mateus 7:7-11 e «Hard Sayings of the Bible», pp. 419-421, para mais informações.
Consulte a secção «Evangelhos» para perguntas sobre a filha de Jairo.
P: Em Mt 9, 23-26, por que razão havia choradoras profissionais?
R: Era comum recorrer a chorões remunerados, para que houvesse tempo para atender a todos os convidados do funeral. De acordo com a Mishná Ketubot 4:4, mesmo uma família pobre teria de pagar a dois flautistas e a uma chorona profissional. Alguns chamaram a isto de «luto sintético». A morte é um grande negócio, tanto naquela época como hoje em dia. Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 231, e o «Believer’s Bible Commentary», p. 1236, para mais informações.
P: Em Mt 9:28-31, por que razão estes dois cegos, que tinham fé para acreditar em Jesus, não tiveram a obediência necessária para se absterem de divulgar isto aos outros?
R: Trata-se de uma questão interessante. Estes cegos «viram» que Jesus era o Filho de David, ou seja, o Messias, melhor do que a maioria dos que tinham visão. Estes homens tinham fé para se voltarem para Jesus quando não havia outra alternativa. No entanto, embora se tivessem voltado para Jesus com fé nas coisas importantes, não Lhe obedeceram nesta pequena questão. Talvez tenham pensado que divulgar isto naquele momento seria útil e, com presunção, tenham achado que sabiam mais do que o próprio Jesus sobre o que era útil.
Eis a situação interessante, mas triste, de pessoas com discernimento espiritual, que tinham grande fé em Jesus, mas que optaram diretamente por desobedecer-Lhe. A sabedoria e a fé de pouco valem sem obediência. Sim, recuperaram a visão, mas Jesus não recebeu aqui servos obedientes.
Consulte o «Believer’s Bible Commentary», pp. 1236-1237, e o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 232-233, para mais informações.
P: Em Mt 9,38, devemos orar por mais trabalhadores para a colheita hoje em dia?
R: Sim, esta é uma oração frequentemente negligenciada. Oramos pela colheita, que consiste em que as pessoas venham a Cristo e se tornem Seus discípulos, mas devemos também orar por mais ceifeiros que Deus possa usar para evangelizar os não-cristãos, porque Jesus diz que os trabalhadores serão poucos, o que significa que serão muito poucos. Por vezes, quando os tempos são difíceis e as condições económicas são adversas, até mesmo aqueles que pastoreiam e trabalham no campo missionário podem sentir-se desanimados e querer abandonar a missão. Os trabalhadores são enviados por Deus, mas devem permanecer na missão até que Deus os chame para outra tarefa. Consulte o «Believer’s Bible Commentary», p. 1237, para mais informações.
P: Em Mt 10,1, os discípulos já podiam curar antes disso?
R: Independentemente de terem curado algumas doenças antes disso, aqui Jesus estava a conceder-lhes poder sobre todas as doenças. A propósito, Mateus 10:2 é a primeira vez que são chamados de apóstolos.
P: Em Mt 10,3 (KJV), quem é «Lebbaeus»?
R: Trata-se da mesma pessoa que Tadeu.
P: Em Mt 10,4 e Mc 3,18, como é que Simão, o cananeu, podia ser um dos discípulos de Jesus, uma vez que Simão [supostamente] não era judeu?
R: A KJV e a NKJV referem «cananeu», sendo que a NKJV inclui uma nota de rodapé indicando que o texto maioritário é «cananeu». As primeiras edições da NASB e da NRSV referem «cananeu». A BSB e a NASB 2020 referem «zelote».
O facto de Simão não ser de todo judeu ou de ser parcialmente judeu não é o que está em causa. Jesus podia chamar discípulos de qualquer nacionalidade. A título de nota adicional, muitos habitantes das cidades gentias de Tiro e Sidónia vieram ver Jesus em Marcos 3:8. Tiro ficava a cerca de 35 milhas do Mar da Galileia, e Sidónia ficava a 25 milhas de Tiro.
A palavra grega «Kananaios» poderá ser uma transliteração do aramaico «qan’an», que significa «zelote». Lucas 6:15 e Atos 1:13 referem-se a ele como «Simão, o Zelote». O «Expositor’s Bible Commentary», volume 8, pp. 237 e 239, o «Asimov’s Guide to the Bible», p. 840, e o «Expositor’s Greek Testament», vol. 1, p. 158, afirmam o mesmo. No entanto, isto levanta uma questão interessante. Se um dos discípulos de Jesus era um zelote e outro, Mateus, um cobrador de impostos, teriam sido politicamente diametralmente opostos, pelo menos antes de se converterem a Cristo. Consulte o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 734, para mais informações sobre este assunto.
P: Em Mt 10,4; Mc 3,19; Lc 6,16; Jo 6,71, o que significa «Iscariotes»?
R: O pai de Judas chama-se Simão em João 6:71 e 13:26, pelo que não se trata do nome do seu pai. Existem duas interpretações sobre o significado de «Iscariotes».
1. «Iscariote» poderia significar «homem da adaga».
2. Pode significar «homem (ish) de Kerioth», que era o nome de duas cidades em Judá. Consulte várias fontes, incluindo a Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa, p. 212, e o Comentário Bíblico do Expositor, vol. 8, p. 239, para mais informações.
P: Em Mt 10,5-6, por que razão Jesus ordenou explicitamente aos Seus discípulos que não entrassem nas aldeias samaritanas?
R: Tratava-se de uma questão de momento, uma vez que Jesus lhes ordenou explicitamente que fossem à Samaria em Atos 1:8.
Jesus foi enviado primeiro a Israel e, depois, ao resto do mundo. Os apóstolos dirigiram-se primeiro à Judeia, depois à Samaria e, por fim, aos confins da terra. Quando Paulo se deslocava a uma nova cidade, também ele seguia o padrão de pregar primeiro na sinagoga. Em muitas situações hoje em dia, poderá haver um momento oportuno que Deus deseja que também sigamos.
P: Em Mateus 10:5-6, o que dizer da alegação dos muçulmanos ahmadiyya de que pagarão 20 000 dólares a quem conseguir encontrar provas de que Jesus veio para todas as pessoas e não apenas para os judeus?
R: A Bíblia, desde o Antigo Testamento até ao Apocalipse, é coerente ao afirmar que Jesus é o Salvador de todas as pessoas, e não apenas dos judeus. Imagine por um instante que a mensagem de Jesus não fosse dirigida aos gentios. Nesse caso, teria dito a todos os cerca de meio milhão de cristãos dos primeiros três séculos após Cristo: «Não devem seguir os ensinamentos de Jesus; Deus quer que voltem a adorar os vossos ídolos pagãos!» — claro que não, isso é ridículo! — tal como esta questão. Mas vamos, ainda assim, analisá-la em pormenor.
Por um lado, podemos distinguir entre o ministério de Jesus antes da Sua crucificação, a mensagem de Jesus e Jesus após a Sua ressurreição. Mas, em todos os três casos, Jesus não se destinava apenas aos judeus. Durante o Seu ministério terreno, o próprio Jesus dirigiu-se principalmente (mas não exclusivamente) às «ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mateus 15:24). Ele anunciou a Sua salvação, em primeiro lugar, principalmente aos judeus. Mas também:
a) O Antigo Testamento profetizou que Jesus era para todas as pessoas.
b) Jesus dirigiu-se aos samaritanos, que eram meio-judeus
c) Jesus destinava-se também aos gentios (não judeus); Ele chegou mesmo a viajar para visitar gentios fora de Israel.
d) Jesus afirmou que a Sua mensagem era para todos, não apenas para a nação judaica.
e) Jesus nunca disse que o Seu evangelho se limitava aos judeus.
f) Por fim, os apóstolos de Jesus estariam na melhor posição para compreender o que Jesus ensinou.
Eis as provas.
a) Deus, no Antigo Testamento, afirmou que o Messias era para todos os povos
Isaías 9:1-7 é uma famosa profecia messiânica. Em Isaías 9:1b, diz-se: «mas, no futuro, Ele honrará o Caminho do Mar, para além do Jordão, a Galileia das nações.»
Isaías 42:1-9 é uma profecia messiânica. Isaías 42:6 diz: «Eu, o SENHOR, chamei-te para um propósito justo, e segurarei a tua mão. Vou guardar-te e designar-te para seres uma aliança para o povo e uma luz para as nações [gentios], para abrires os olhos dos cegos, para tirares os prisioneiros da masmorra e aqueles que se encontram nas trevas da prisão.»
Isaías 49:1-7 também é messiânico, mas reparem especialmente em Isaías 49:6: «Ele diz: “Não basta que sejas o Meu Servo, para levantar as tribos de Jacó e restaurar os protegidos de Israel. Também farei de ti uma luz para as nações, para levar a Minha salvação até aos confins da terra.”»
b) Jesus dirigiu-se aos samaritanos, que eram meio judeus
Em João 4:1-42, Jesus pregou não só à mulher junto ao poço, mas também aos outros aldeões samaritanos. Os samaritanos pediram a Jesus que ficasse com eles, pelo que Jesus permaneceu com eles durante dois dias. «E muitos mais acreditaram por causa da Sua mensagem. Disseram à mulher: “Agora acreditamos não só por causa das tuas palavras; ouvimos nós próprios e sabemos que este homem é verdadeiramente o Salvador do mundo.”»
No entanto, Lucas 17:11-18 mostra que os samaritanos continuavam a ser considerados estrangeiros e não judeus.
c) Jesus viajou até aos gentios a leste e a norte de Israel
Marcos 7:24-30: Jesus viajou para a região de Tiro (a norte de Israel, na Fenícia) e curou a filha de uma mulher. Ora, essa mulher não era uma judia que vivia fora de Israel. Pelo contrário, o texto afirma explicitamente que era grega, de origem siro-fenícia. Uma vez que se alegava que Jesus era «apenas» para os judeus — e não apenas «principalmente» para os judeus —, este único caso por si só refuta a alegação de que era «apenas» para os judeus.
Mateus 8:28-34 Jesus curou os endemoninhados de Gadara. A terra dos gadarenos situava-se na margem oriental do Mar da Galileia, na região não judaica, de língua grega e dedicada à criação de porcos, denominada Decápolis. Ver também Marcos 5:1-20 e Lucas 8:26-39. Tal como a mulher siro-fenícia, estes não eram não-judeus que por acaso também se encontravam presentes. Jesus viajou deliberadamente para fora de Israel para pregar e transmitir a Sua mensagem de salvação a estes não-judeus.
Marcos 7:31-37 Jesus realizou publicamente um milagre na Decápolis, que em grego significa «dez cidades». Era uma região de colonos gregos na atual Síria e Jordânia; nenhuma parte da Decápolis se situava em Israel.
Marcos 8:1-10 Depois de ter alimentado a multidão de cinco mil pessoas em Israel, Jesus atravessou posteriormente o Mar da Galileia, rumo a leste, para o lado dos gentios, e alimentou os quatro mil. Isto também ocorreu na Decápolis, as dez cidades dos colonos gregos.
d) O evangelho de Jesus destinava-se a todas as nações
Jesus disse aos Seus discípulos para divulgarem a Sua mensagem a «todas as nações», e não apenas à nação judaica.
Lucas 24:45-47 «Então Ele [Jesus] abriu-lhes a mente para que compreendessem as Escrituras. E disse-lhes: “É isto o que está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e em Seu nome serão proclamados a todas as nações, começando por Jerusalém, o arrependimento e o perdão dos pecados.”» Isto não diz apenas «em todas as nações», mas sim «a todas as nações».
Mateus 28:18-20 «Então Jesus aproximou-Se deles e disse: “Foi-Me dada toda a autoridade no céu e na terra. Por isso, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos tenho mandado. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos.”» Isto não diz apenas «fazei discípulos em todas as nações», mas sim «fazei discípulos de todas as nações».
Mateus 8:11-12 Depois de Jesus ter curado o servo do centurião, disse: «Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente para partilhar o banquete com Abraão, Isaac e Jacob no reino dos céus. Mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.» Ver também Lucas 7:1-10 sobre o servo do centurião e Lucas 13:28-30 sobre os outros que partilham do banquete. Jesus NÃO está apenas a dizer que o povo judeu virá de outras terras, porque os filhos do reino são os judeus, e que os que não são filhos, vindos do Oriente e do Ocidente, virão.
Marcos 3:7b-8 «…uma grande multidão da Galileia, da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, da região para além do Jordão e das imediações de Tiro e Sidónia. A grande multidão dirigiu-se a Ele quando ouviu as grandes coisas que Ele estava a fazer.» Se alguém tentasse afirmar que teriam de ser apenas judeus destes locais a vir (caso contrário, o argumento do «apenas» cairia por terra), o facto de Jesus ter pregado a Sua mensagem à mulher grega siro-fenícia em Tiro refuta essa afirmação.
Lucas 2:32 Quando Jesus era ainda um bebé, o profeta Simeão profetizou sobre Jesus que Ele seria «uma luz, para revelação aos gentios e para glória do Teu povo de Israel». Embora a última parte da frase mostre que Jesus era também para os judeus, a parte sublinhada mostra que Jesus era uma «revelação» para os gentios, e os gentios são não-judeus.
Lucas 3:14 Alguns soldados romanos perguntaram a João Batista o que deveriam fazer, e ele disse-lhes. Por que razão João Batista daria ordens a estes ocupantes não judeus sobre o que fazer, se Jesus não fosse para eles?
João 1:4 «Nele [o Verbo] estava a vida, e essa vida era a luz dos homens.» João poderia ter utilizado a palavra «judeus» aqui, mas não o fez; João utilizou a palavra «homens».
João 1:9-12 «A verdadeira Luz, que ilumina todo o homem, vinha ao mundo. Ele estava no mundo, e, embora o mundo tivesse sido feito por meio d’Ele, o mundo não O reconheceu. Ele veio para os Seus, e os Seus não O receberam. Mas a todos os que O receberam, aos que creram no Seu nome, Ele concedeu o direito de se tornarem filhos de Deus.»
João 1:29 «No dia seguinte, João viu Jesus a vir na sua direção e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”» João poderia ter dito «que tira os pecados dos judeus», mas disse: «que tira o pecado do mundo».
João 3:15b-17 «para que todo aquele que n’Ele [o Filho do Homem] crê tenha a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para salvar o mundo por meio d’Ele.»
e) Jesus mostrou que o Seu evangelho não se destinava apenas aos judeus
É importante compreender que, inicialmente, Jesus disse para esperarem em Jerusalém, mas depois disse para saírem para o mundo.
Atos 1:4-5 «E, estando eles reunidos, Ele [Jesus] ordenou-lhes: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pelo dom que o Pai prometeu, sobre o qual Me ouviram falar. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias serão batizados com o Espírito Santo.”» Mas depois, em Atos 1:8, Jesus disse: «Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis as Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.»
Mateus 25:31-46: Quando Jesus regressar em glória, todas as nações reunir-se-ão perante Ele, e Jesus separará as pessoas em ovelhas e cabras. As ovelhas, metaforicamente, alimentaram, deram de beber, acolheram e vestiram Jesus, enquanto as cabras, metaforicamente, não o fizeram.
Em João 5:22-23, é Jesus quem fala: «Além disso, o Pai não julga ninguém, mas confiou todo o julgamento ao Filho, para que todos honrem o Filho tal como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que O enviou.»
Mateus 21:43: Jesus disse: «Por isso vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será dado a um povo que produza os seus frutos.»
Mateus 12:50: Jesus disse: «Pois quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.» Ver também Marcos 3:34-35. Jesus não disse «os judeus que fazem a vontade do meu Pai», mas «quem faz a vontade do meu Pai».
Mateus 16:25 «Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrá-la-á.»
João 8:12a «Eu [Jesus] sou a luz do mundo.» Será que Jesus fez uma afirmação falsa ao dizer que era a luz do mundo, se fosse apenas uma luz para os judeus? Não, Jesus não nos induziu em erro!
João 10:16 Jesus disse: «Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também as devo trazer para cá, e elas ouvirão a minha voz. Então haverá um só rebanho e um só pastor.»
João 12:32 «“E eu [Jesus], quando for levantado da terra, atrairei todos a mim.” (12:33) Ele disse isto para indicar o tipo de morte que iria sofrer.» Será que Jesus disse então: «Estava só a brincar! Só vou atrair os judeus»? – claro que não.
João 12:46 «Eu [Jesus] vim ao mundo como luz, para que ninguém que acredite em Mim permaneça nas trevas.» Quantas vezes é que Jesus tem de repetir que a Sua luz ou a Sua mensagem se destina a todos, antes de começarmos a levar a sério que se destina a todos?
João 14:6 «Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim.» De quantas outras formas é que Deus criou para que as pessoas chegassem até Ele, para além de Jesus? A propósito, os cristãos afirmam que as pessoas piedosas anteriores a Cristo também foram para o paraíso por meio de Jesus. Embora não soubessem o que nós sabemos sobre Jesus, elas aguardavam ansiosamente a vinda do Messias, realizando sacrifícios de animais que encobriam temporariamente os seus pecados, enquanto nós olhamos para trás, para o Messias, que, pelo Seu sacrifício, expiou permanentemente os nossos pecados.
João 17:20 «Eu [Jesus] não rogo apenas por eles [os discípulos], mas também por aqueles que acreditarão em Mim através do testemunho deles.» Assim, se um não-judeu acreditasse no testemunho dos apóstolos (como todos os cristãos fizeram), então estaria incluído entre aqueles por quem Jesus está a orar. Embora seja verdade que muitos judeus se encontravam entre os primeiros cristãos, a partir da época de Estêvão, o mártir, cada vez mais não-judeus se tornaram também cristãos.
João 18:37 Jesus afirma: «Todo aquele que pertence à verdade ouve a Minha voz.» Ouvir, ou não ouvir, a voz de Jesus, a Sua mensagem, o Seu evangelho, é um assunto muito sério. Jesus não disse: «Apenas os judeus que pertencem à verdade ouvem a Minha voz; os gentios que pertencem à verdade não Me ouvirão.» Não, Jesus disse que «todo aquele» que pertence à verdade ouve a Sua voz.
f) O que os discípulos de Jesus disseram sobre o Seu ministério
Pedro disse em Atos 4:12: «Em nenhum outro há salvação, pois nenhum outro nome foi dado aos homens debaixo do céu pelo qual devamos ser salvos.» Embora seja verdade que Pedro se dirigia ao povo judeu, ele disse-lhes que não há outro nome 1) debaixo do céu, 2) dado aos homens.
1 João 2:1b-2 «Jesus Cristo, o Justo. Ele próprio é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.»
Por que razão o apóstolo João foi para a Ásia Menor, Tomé para o Oriente — provavelmente até à Índia —, André para a Cítia e outros apóstolos para outros locais, a fim de partilhar o evangelho com os não-judeus? Eles, mais do que ninguém, sabiam a quem Jesus desejava que a Sua mensagem fosse pregada, e pregaram-na por todo o mundo.
Conclusão
Não é correto deixar de ler, ou de outra forma ignorar, todos estes versículos, proferidos em momentos diferentes, e considerar apenas um único versículo referido a um período específico. Não se pode usar Mateus 15:24 para afirmar que Jesus, a luz do mundo, se destinava apenas às ovelhas perdidas de Israel naquele momento do ministério de Jesus, tal como não se pode usar Mateus 16:20: «Então advertiu os discípulos para que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo.» (Cristo significa Messias). Jesus quis dizer que não deviam dizer a ninguém que Ele era o Cristo NAQUELA ALTURA, porque mais tarde Ele lhes disse para irem por todo o mundo, e foi isso que eles compreenderam. Da mesma forma, Jesus foi enviado principalmente às ovelhas perdidas de Israel NAQUELA ALTURA (antes da Sua crucificação), e não só se dirigiu a alguns gentios nessa altura, como disse aos discípulos para espalharem a Sua mensagem por todo o mundo.
As provas de que Jesus veio para todas as pessoas são consistentes, cumulativas e esmagadoras. Por qualquer padrão jurídico (preponderância da prova, para além de qualquer dúvida razoável, etc.), o testemunho da Bíblia e da história prova que Jesus veio para todos os povos. Apenas um juiz ou júri tendencioso poderia chegar a uma conclusão diferente.
Todas as citações são da BSB. Consulte «When Critics Ask», p. 339, para mais informações.
P: Em Mt 10,5-6; 15,24-26, será que Jesus era um racista que veio apenas para os judeus? (O muçulmano Ahmad Deedat afirmou isso.)
R: De modo algum, como podemos constatar ao ler estas 24 passagens. Mateus 2:1; 3:9-10; 4:15-16; 5:13-16; 8:1-13; 8:18-28; 10:18; 21:43; 24:14; 25:31-46; 28:16-20; Marcos 7:24-30; 7:31-37; 8:1-10 (na margem oriental do Mar da Galileia); Lucas 8:22-33; 24:45-47; João 1:9,29; 3:17; 10:16; 12:46; 14:6; 17:20; 18:27; Atos 1:7-8. No entanto, Jesus tinha um sentido de oportunidade.
Antes da Sua Ressurreição, Jesus anunciou o evangelho, em primeiro lugar, ao povo de Deus, os judeus. Mesmo em Atos 1:8, Jesus deu a ordem de serem Suas testemunhas em Jerusalém, na Judeia e na Samaria, e depois até aos confins da terra. No entanto, antes da morte e ressurreição de Jesus, não só ministrou à mulher siro-fenícia em Mateus 15:24-26, como também ministrou aos samaritanos em João 4:1-42, bem como aos gentios a leste do Mar da Galileia.
Após a Sua ressurreição, em Mateus 28:19-20, Jesus disse: «Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos tenho mandado. E eis que eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos.» A mensagem foi novamente enfatizada por Deus em Atos 10.
Como nota à parte, os muçulmanos ahmadiyya também afirmam que Jesus veio apenas para o povo judeu.
Consulte o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, pp. 244-245, para mais informações.
P: Em Mt 10,10; Mc 6,8; Lc 9,3; 22,35-36 e 1 Sm 17,40 (KJV), o que é um «scrip»?
R: Esta expressão da Versão King James significa um saco ou bolsa, geralmente contendo dinheiro.
P: Em Mt 10,12 (KJV), o que significa «saudar uma casa»?
R: Esta expressão da Versão King James significa pedir a bênção de Deus para a casa e para aqueles que nela se encontram.
P: Em Mt 10,13, o que significa que a bênção dos discípulos repousará sobre uma casa ou, caso contrário, voltará para eles?
R: A «casa», neste contexto, refere-se àqueles que nela residem. Não deviam preocupar-se com a possibilidade de «acidentalmente» abençoarem alguém que não os acolhesse verdadeiramente. A bênção provém de Deus, não de qualquer magia das suas palavras.
P: Em Mt 10,14 e Mc 6,11, por que razão deviam os discípulos sacudir o pó dos pés perante aqueles que não os acolhiam?
R: Tratava-se de um testemunho contra eles. Ou seja, as pessoas inóspitas poderiam reconsiderar a sua atitude depois de verem esta repreensão. Além disso, seria um testemunho a Deus contra aqueles que rejeitavam a Sua mensagem.
P: Mateus 10:14 e Marcos 6:11 significam que nunca devemos debater com ninguém, mas sim simplesmente partir?
R: Não, por várias razões: é necessário considerar toda a missão especial confiada aos Doze nesta ocasião, e não se diz para se irem embora se alguém se lhes opuser. Pelo contrário, diz-se para sacudirem o pó dos pés como um sinal QUANDO se forem embora, caso ninguém os acolha. Por fim, os apóstolos Pedro e Paulo debateram com outros, e Apolo, que não era apóstolo, também debateu.
Encomendas Especiais Nesta altura:
Mateus 10:5-20 é provavelmente o mesmo acontecimento que Marcos 6:11, e é necessário analisar as passagens na íntegra, não apenas parte de um versículo. Os doze discípulos não deviam levar cajado, nem dinheiro, nem ficar na casa de outrem. Este não é o padrão para todo o evangelismo posterior. O facto de não deverem permanecer num único local para discutir e debater (ao contrário do que Paulo fez mais tarde no Salão de Tirano, em Atos 19:9-10) é compreensível, uma vez que estavam inicialmente a divulgar a mensagem.
Mesmo assim, não deviam partir se alguém se lhes opusesse. Em vez disso, deviam ficar na casa de alguém que os acolhesse. Se ninguém na cidade os acolhesse, então partiriam, sacudindo o pó dos pés.
Sacudir a poeira QUANDO partissem
O grego aqui não lhes diz, na verdade, para partirem. Em vez disso, diz para sacudirem o pó dos pés QUANDO partirem. Tanto eles, os futuros cristãos, como nós, enfrentaríamos situações em que, no mesmo local, algumas pessoas se lhes oporiam e outras os apoiariam. Em 2 Coríntios 10:3-6, Paulo afirma: «Pois, embora vivamos na carne, não travamos a batalha segundo a carne. As armas da nossa luta não são as armas do mundo. Pelo contrário, têm poder divino para derrubar fortalezas. Derrubamos argumentos e toda a presunção erguida contra o conhecimento de Deus; e levamos cativo todo o pensamento para o tornar obediente a Cristo.» (BSB)
Jesus a debater com os outros
Jesus discutiu com os fariseus, recorrendo a perguntas, em Mateus 22:41-46 e noutros passos.
Posteriormente, Jesus mudou de tom e recorreu a uma repreensão muito severa em Mateus 23:1-37.
Jesus disse aos fariseus que estes poderiam cometer o pecado imperdoável de blasfémia contra o Espírito Santo em Mateus 12:22-33.
Jesus recorreu a epítetos! Chamou àqueles judeus «uma geração perversa e adúltera» em Mateus 12:39-41. Chamou às pessoas que se opunham a Ele «filhos do Inferno» em Mateus 23:15.
Jesus disse explicitamente aos saduceus que estavam em erro porque não conheciam as Escrituras nem o poder de Deus, em Mateus 22:29-32.
Pedro, Paulo, Estêvão e Apolo debateram com outros
Para além de Jesus, Paulo estava a provar que Jesus era o Cristo em Antioquia, em Atos 9:19-25. Ele enfrentava tanto sucesso como oposição. Só partiu quando os judeus tentaram matá-lo.
Quando Elimas se opôs a Paulo em Atos 13:8-12, Paulo repreendeu-o e não partiu.
Quando houve um tumulto em Éfeso contra Paulo, este quis falar com eles em Atos 19:30.
Em Jerusalém, Paulo dirigiu-se à multidão hostil em Atos 22:2-22.
Pedro debateu com os não crentes em Atos, e Paulo debateu com os não crentes com ainda maior frequência. Para que ninguém diga que isto era algo que apenas os apóstolos deviam fazer, Apolo não era apóstolo e, mesmo assim, debateu. No entanto, não é correto partir do princípio de que todos os crentes estão preparados para debater com os outros.
Os primeiros cristãos pré-nicenos
Os primeiros cristãos pré-nicenos, a quem Deus utilizou para transformar o mundo romano, recorreram amplamente à persuasão e à argumentação no seu testemunho. Isso ia desde um diálogo amigável e prolongado entre Justino Mártir e Trifão, o judeu, até outros, como Aristides, Teófilo de Antioquia, Mathetes a Diogneto e Tertuliano, que detalhavam os alegados atos vergonhosos das divindades greco-romanas, passando por Irineu e Hipólito, que refutavam exaustivamente todas as diversas escolas do gnosticismo. Arnóbio recorreu a uma ridicularização muito bem-humorada do paganismo greco-romano. Lactâncio demonstrou por que razão a filosofia grega estava errada. Pode consultar uma lista em
www.BibleQuery.org/History/ChurchHistory/WhatEarlyChristiansTaughtOnExperienceandPractice.html (ou .docx). Pesquise a partir de «r1» em minúsculas.
Por fim, se discordar de mim e de outras pessoas que vivem na mesma cidade, e ainda assim considerar que não deve persuadir ou debater com quem discorda de si, mas sim abandonar a cidade, posso chamar-lhe um camião de mudanças, se assim o desejar. ;-)
A sério, isto levanta, na verdade, duas boas questões: como é que Jesus e os primeiros cristãos discutiam com pessoas que discordavam deles e em que momento devemos deixar de discutir e partir? As duas perguntas seguintes abordam esses temas.
P: Em Mt 10,14 e Mc 6,11, quando devemos deixar de debater com um não-cristão e simplesmente partir?
R: Há, pelo menos, três considerações.
Perigo imediato
Se a sua vida, a vida da sua família ou a vida de outros cristãos estiverem em perigo imediato devido à sua presença, talvez deva considerar se Deus deseja que se retire. Paulo fugiu de Antioquia quando tentaram matá-lo, e os cristãos fugiam frequentemente quando eram perseguidos. Por um lado, devemos estar dispostos a morrer por Cristo, mas, por outro lado, Deus pode querer que vivamos mais algum tempo para partilhar mais o evangelho, e a nossa fuga pode ser o meio escolhido por Deus para nos preservar.
Retorno decrescente vs. outras oportunidades
Cheguei a um ponto em que já não consigo dedicar todo o tempo que poderia ao testemunho, de forma a alcançar o máximo possível de pessoas que me enviam e-mails, e ainda ter tempo para dormir, estar com a minha família e exercer o meu trabalho habitual. A algumas pessoas, posso dar apenas respostas rápidas, ou recusar algumas oportunidades de ministério, a fim de ter tempo para fazer coisas que considero mais importantes para mim. Certa vez, Paulo foi a uma cidade onde algumas pessoas já tinham aceitado Cristo. Paulo poderia ter optado por fazer uma boa ação e passar o resto da sua vida naquela cidade, tentando converter todos os restantes habitantes. Mas, em vez disso, Paulo seguiu para outras cidades. Não deixe que fazer coisas boas o impeça de fazer coisas grandiosas.
Por outro lado, continuei a debater com pessoas pertencentes a seitas, em relação às quais tinha muito pouca esperança de que se arrependessem. Fi-lo porque havia outros não-cristãos presentes e queria que fossem avisados para não aderirem.
Se a sua discussão ou pregação for prejudicial ou fizer com que as pessoas fechem os ouvidos
Hesito em mencionar isto porque a maioria das pessoas tem o problema oposto: não ser ousada o suficiente na pregação do Evangelho. Jesus disse para orarmos por mais trabalhadores para a colheita, e Paulo, em Filipenses 1:14, alegrou-se por os seus sofrimentos terem encorajado outros crentes a pregar com mais coragem e sem medo. Além disso, 2 Coríntios 2:15 diz que (se estivermos a agir corretamente) exalaremos o aroma da morte para aqueles que estão a perecer. O Evangelho é ofensivo e, se as nossas palavras nunca ofendem, não estamos a cumprir a nossa missão. No entanto, por mais ofensivo que o Evangelho seja para alguns, não devemos agravar essa ofensa. Devemos falar a verdade em amor, conforme Efésios 4:15. Especialmente na cultura moderna, podemos dizer a verdade de forma desagradável ou insensível e afastar as pessoas desnecessariamente. Podemos partilhar o Evangelho com tanta frequência às mesmas pessoas que a nossa insistência pode tornar-se irritante. Não queremos agravar a ofensa do Evangelho, mas também não queremos atenuar em nada a ofensa do Evangelho.
P: Em Mateus 10:14-15, 40-42, por que razão ensinou Jesus que acolher uma pessoa justa era tão importante?
R: Receber uma pessoa justa implicava muitas coisas. Não significava apenas acolhê-la, mas também prestar-lhe ajuda, apoio e, nas décadas seguintes, abrigo contra as autoridades que a perseguiam. Receber uma pessoa justa implicava igualmente aceitar os seus ensinamentos e estar disposto a aprender com ela. Implicava ainda proporcionar-lhe uma plataforma para ensinar os outros.
P: Em Mt 10,15, por que razão será mais tolerável para Sodoma e Gomorra no Dia do Juízo Final do que para aqueles que não acolheram os discípulos nas suas casas?
R: As Escrituras não o dizem, mas Deus julga as pessoas com base no que elas eram capazes de saber (Romanos 4:15; 5:13). Embora o povo de Sodoma e Gomorra fosse muito ímpio, sabia muito pouco sobre Deus. As pessoas que não são tão ímpias, mas sabem muito sobre Deus e, mesmo assim, rejeitam os discípulos de Deus, terão de enfrentar um julgamento severo.
P: Em Mt 10,16, como é que eles (e nós) devemos ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas?
R: Muito simplesmente, devemos estar atentos às artimanhas e às potenciais armadilhas que os outros possam preparar, mas nunca devemos nós próprios recorrer a artimanhas maléficas.
P: Em Mt 10,19, de que forma é que o Espírito Santo dá aos cristãos as palavras a dizer quando estão sob perseguição?
R: Quer um cristão esteja a ser perseguido num determinado momento ou não, por vezes o Espírito Santo simplesmente sugere à mente da pessoa as palavras que deve dizer. Em segundo lugar, Deus pode fazer com que veja ou ouça coisas do quotidiano à sua volta que se relacionem com a mensagem que deve transmitir. Por exemplo, mesmo antes de falar aos atenienses, Paulo viu muitos ídolos, além de um altar dedicado a um deus desconhecido. Além disso, somos lembrados da verdade através da nossa leitura da Bíblia. Mesmo que um cristão conhecesse perfeitamente todas as histórias e todos os ensinamentos da Bíblia, continuaria a ser importante ler a Bíblia para ser lembrado da verdade.
P: Em Mt 10,19-20, quando o Espírito Santo está a dar aos cristãos as palavras a dizer, isso significa que, nesse momento, as palavras são inerrantes (sem erros) ou infalíveis (sem erros teológicos significativos)?
R: A menos que o Espírito Santo estivesse a dar palavras exatas e fosse possível ter a certeza de que a pessoa as ouviu sem erro, é possível que um cristão obediente possa ainda assim falar com erro.
P: Em Mt 10, 21-22, 35-36, por que razão os membros de uma família cristã se levantariam contra um cristão?
R: É lamentável que os familiares de um adorador de Deus se levantem contra ele ou ela. Falaram-me de um rapaz argelino que se converteu do Islão ao Cristianismo. Quando ele se recusou a retratar-se, a sua própria mãe colocou veneno de ratos na sua comida.
P: Em Mt 10, 23, por que razão Jesus disse aos cristãos para fugirem da perseguição, uma vez que Deus os protege?
R: Deus pode proteger-nos da forma que desejar, e uma forma de nos proteger é indicar-nos quando devemos fugir.
Por um lado, não há vergonha alguma em fugir, como muitos cristãos fizeram depois de Estêvão ter sido apedrejado em Atos 8:1-8. Por outro lado, há momentos em que Deus não quer que fujamos, mas que permaneçamos firmes e soframos por Ele. Em ocasiões diferentes, tanto Jesus como Paulo dirigiram-se deliberadamente a Jerusalém, sabendo o que os esperava lá.
P: Em Mateus 10:23, será que a vinda de Jesus nunca se concretizou, uma vez que Ele viria antes de eles terem percorrido todas as cidades de Israel? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)
R: Não, porque, na sua fuga, não passariam por todas as cidades de Israel antes da vinda de Jesus, e nunca passaram por todas as cidades de Israel. Este acontecimento futuro ocorrerá muito provavelmente durante a tribulação.
P: Em Mt 10,23, o que significa que Jesus virá antes de terminarem de percorrer todas as cidades de Israel?
R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, alguns factos; e, por fim, a resposta.
O que não é a resposta: Diz-se que Jesus «virá», pelo que não se pode referir à Sua ascensão, em que Jesus partiu. Alguns pensam que se refere ao julgamento vindouro de Jesus sobre a destruição de Jerusalém, mas nada sobre um templo é mencionado aqui.
Alguns factos: Não temos provas de que os discípulos tenham sofrido perseguição antes de Jesus ter sido crucificado. Embora a destruição do templo tenha ocorrido em 70 d.C., se Jesus tivesse vindo secretamente e de forma invisível nessa altura, ninguém na Igreja primitiva teria tido a menor ideia disso. De facto, após 70 d.C., cerca de 14 cristãos primitivos escreveram sobre o regresso de Cristo como um acontecimento futuro.
Dois pontos na resposta: Em primeiro lugar, em Mateus 10:21-22, Jesus não está a falar sobre pregar o evangelho, mas sim sobre ir de cidade em cidade para fugir à perseguição. Assim, fugir da perseguição «dá início ao prazo», por assim dizer. Nessa altura, os cristãos não ficarão sem cidades para onde fugir antes do regresso de Cristo. Isto acontecerá no futuro, provavelmente durante a tribulação.
Em segundo lugar, independentemente de quando isto ocorrer, não há provas de que os apóstolos tenham conseguido percorrer todas as cidades de Israel, pelo que isto ainda não aconteceu.
P: Em Mt 10,23, será que o evangelho será pregado em todas as cidades, ou não será pregado, como se refere em Mt 24,14?
R: É importante ler os versículos com atenção para não interpretar mal o que eles dizem. Mateus 24:14 afirma que o evangelho será pregado a todo o mundo como testemunho para todas as nações. Isso não significa que cada indivíduo seja obrigado a ouvir; mas, com a televisão, a rádio e a Internet, o evangelho tem sido pregado hoje a quase todo o mundo, exceto, talvez, em algumas áreas tribais isoladas.
Mateus 10:23 não se pronuncia sobre se o evangelho será pregado em todas as cidades de Israel ou não. Em vez disso, refere-se à fuga da perseguição, e um cristão não ficará sem cidades em Israel para onde fugir antes do regresso de Cristo.
P: Em Mt 10,25; Mc 3,22 e Lc 11,15-19, quem é «Beelzebub»?
R: Trata-se do nome de um demónio que era conhecido pelos judeus por esse nome. «Beelzebub» deriva de Baal, que significa «Senhor», e de zebub, que significa «moscas».
P: Em Mt 10,26, o que significa que nada está oculto que não venha a ser revelado?
R: No fim, tudo será revelado. Mais concretamente, no Juízo Final, Deus julgará cada ação (Apocalipse 20, 13), cada palavra ociosa (Mateus 12, 36-37) e conhecerá até mesmo todos os nossos pensamentos (Salmo 139, 2.4).
P: Em Mt 10,28, é Deus ou Satanás quem deve ser temido por destruir tanto o corpo como a alma no Inferno?
R: Esta passagem refere-se a Deus.
P: Em Mt 10,28, de que forma os corpos físicos são destruídos no Inferno?
R: A palavra grega aqui é Gehenna, que se refere ao Inferno, mas essa palavra também se refere a um grande monte de lixo situado a sul de Jerusalém. Independentemente do local onde o primeiro corpo de uma pessoa ímpia seja destruído, o seu corpo ressuscitado vai para o Lago de Fogo e é destruído porque se recusa a aceitar Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.
P: Em Mt 10,33, se um cristão, num momento de fraqueza, negasse Cristo perante os homens, seria esse cristão negado por Jesus e iria para o Inferno?
R: Pedro fez isso, mas foi perdoado. Negar Cristo e arrepender-se não é um pecado imperdoável, porque nenhum pecado é imperdoável, exceto a blasfémia contra o Espírito Santo (Mateus 12:31,32; Marcos 3:28-30; Lucas 12:10-11).
P: Em Mt 10,34, como é que Jesus, o príncipe da paz, veio não para trazer a paz, mas sim a espada?
R: Jesus não empunhou uma espada contra ninguém (pelo menos não até à Sua segunda vinda), mas mesmo assim famílias dividiram-se e muitos cristãos foram mortos por causa do nome de Jesus. Jesus está a dizer aqui que, embora seja o Príncipe da Paz, não se deve presumir que Ele esteja aqui para trazer paz à Terra ainda, embora Jesus traga paz agora aos corações dos crentes, de acordo com Efésios 2:14-17 e Filipenses 4:6-7.
P: Em Mateus 10:37, por que razão temos de amar a Deus mais do que a nossa própria família?
R: Em Marcos 12:29-30, Jesus disse que amar a Deus era o primeiro mandamento. Deus criou-nos e ama-nos mais do que qualquer outra pessoa, e é a Deus que devemos a nossa mais elevada lealdade.
P: Em Mateus 10:41, como é que recebemos a recompensa de um profeta ou de uma pessoa justa ao acolhermos um profeta ou uma pessoa justa?
R: Isto é verdade, pelo menos, de duas formas.
1. Quando uma pessoa os acolhe e recebe a sua mensagem, essa pessoa pode converter-se ao cristianismo e tornar-se também uma pessoa justa.
2. Quando acolhemos um cristão em nome de Jesus, isso constitui um ato justo, e é como se estivéssemos a acolher Jesus, tal como diz Mateus 25, 33-40.
P: Em Mt 11,3, por que razão João perguntou a Jesus se Ele era o Messias prometido, uma vez que tinha visto o Espírito a descer sobre Jesus como uma pomba em Jo 1,32?
R: João Batista encontrava-se preso na fortaleza de Maquerus, junto ao Mar Morto, de acordo com o livro «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 18, capítulo 119 (v. 2). Talvez João não tivesse ouvido falar dos milagres e do ministério de Jesus. Ou talvez João estivesse a questionar-se se Jesus o iria libertar sobrenaturalmente da prisão. Existem, pelo menos, quatro possibilidades complementares:
Dúvida: Talvez João estivesse a passar por um momento de dúvida. O escritor da Igreja primitiva Tertuliano (198-220 d.C.) foi o primeiro a sugerir esta possibilidade.
Confusão: Talvez João tivesse visto as profecias da primeira vinda a cumprirem-se e estivesse a questionar-se sobre as profecias da Segunda Vinda.
Impaciência: William Hendriksen afirma que «Talvez a dificuldade de João não residisse na sua fé, mas na sua paciência. João tomou uma decisão muito sensata quando, em vez de guardar para si a sua dificuldade em relação a Jesus, ou de a discutir com outros mas não com a pessoa certa, a levou a Jesus.» (O Evangelho de Mateus, 1973, p. 84)
Insistência junto de Jesus: Da mesma forma, talvez João estivesse a insistir para que Jesus demonstrasse mais poder, ou ambas as coisas.
P: Em Mt 11, 3-6, por que razão Jesus simplesmente não disse sim ou não?
R: É fácil afirmar que se é o Messias. Outra coisa bem diferente é comprovar essa afirmação através de provas milagrosas. Jesus estava a recordar, tanto a João como aos seus ouvintes, as provas que Ele próprio tinha apresentado.
P: Em Mt 11,3, já houve momentos na sua vida em que estava a testemunhar e a viver para Deus, e se sentiu confuso ou desapontado?
R: João Batista pregava a Palavra com ousadia e seguia Deus fielmente. Pelo seu esforço perseverante, João acabou por passar da liberdade do deserto para a prisão confinada, onde mais tarde seria executado. Mas fê-lo pelo grande Messias, que faria coisas espetaculares e muito em breve se revelaria em poder — só que isso não parecia estar a acontecer, pelo menos no prazo que João esperava. João Batista estava confuso e apenas queria certificar-se de que tudo aquilo por que se tinha empenhado e sofrido não tinha sido em vão.
Em vez de repreender João, em privado ou em público, por ter algumas dúvidas, Jesus enviou alguém a João para lhe dizer que as coisas estavam para acontecer e que ele já podia observar os milagres, utilizando a linguagem de Isaías 35:5-6. Depois, afirmou publicamente João, apesar da sua dúvida.
João pode ter ficado confuso, mas há momentos em que também nós podemos ficar confusos. Por vezes, a mudança para melhor não acontece de acordo com o nosso calendário. Por vezes, pode parecer que tudo o que fizemos foi em vão. Por vezes, tal como Jó, não fazemos ideia da razão pela qual seguimos Deus fielmente e, no entanto, tantas coisas más nos acontecem.
P: Mateus 11:11 e Lucas 7:28 ensinam que João Batista foi para o Inferno, tal como ensina o «Princípio Divino» do Rev. Moon, na página 161?
R: Não. João 10:41-42 mostra que o testemunho de João levou muitos a acreditar em Jesus. Devemos ser cautelosos ao condenar um mártir que morreu por Deus, acusando-o de ter falhado e de ter ofendido Deus. Quando Jesus diz que aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que [João Batista], refere-se ao facto de que Jesus ainda não tinha aberto o caminho para o céu, e João Batista foi, na verdade, o último profeta sob a antiga aliança. Além disso, se João Batista falhou no seu ensinamento, então por que razão, em Mateus 21:32, Jesus disse que o povo devia acreditar em João Batista?
P: Em Mt 11,11 e Lc 7,28, o que significa que aquele que é o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista?
R: Isto não significa que João não fosse salvo ou que fosse uma pessoa má, pois Jesus o elogiou grandemente na primeira parte do versículo e, como precursor escolhido, João ocupava um lugar que mais ninguém na história ocupou. Mas o Reino dos Céus ainda não tinha chegado à Terra, pelo que João Batista foi morto antes de poder fazer parte dele. Além disso, a perspicácia espiritual dos crentes seria maior do que a que João Batista possuía.
Existem também três pontos de vista adicionais, e todos eles podem ser verdadeiros.
Expressão idiomática hebraica: Esta expressão é muito semelhante a um ditado rabínico de Johanan ben Zakkai, um dos eruditos mais respeitados do século I, que se considerava o «menor» dos oitenta discípulos de Hillel; este ditado não pretendia diminuir o estatuto de João, mas sim elevar o dos seus contemporâneos.
Ninguém até Jesus: Nem mesmo João Batista se encontrava ainda no Reino dos Céus. Ninguém se encontrava, até que Jesus abriu o caminho através da Sua morte e ressurreição.
Posição relativa no Céu: Recorde-se que João Batista estava cheio do Espírito Santo desde antes do nascimento. Especula-se que talvez os crentes no Céu, que tiveram de ser regenerados após o nascimento, venham a ocupar uma posição mais elevada do que aqueles que não tiveram de passar por esse processo.
P: Em Mt 11, 12-13, de que forma o Reino dos Céus sofreu violência?
R: Desde o momento da prisão de João Batista (e da sua posterior execução) até aos dias de hoje, tem havido e continuará a haver violência contra o Reino dos Céus. Jesus afirmou isto depois de João Batista, então preso por Herodes, lhe ter enviado uma mensagem. Muitos consideram que a violência e os homens violentos ou agressivos não são algo positivo, mas sim negativo. No entanto, outros consideram isto algo positivo.
P: Em Mt 11, 12-13, desde os tempos do Novo Testamento, de que forma os homens enérgicos têm promovido, ou tentado promover, o Reino de Deus?
R: No prazo de 50 anos após o Concílio de Nicéia I, os membros da Igreja já perseguiam outros para fazer avançar a Igreja. Pode ser uma surpresa para alguns cristãos que Satanás e os demónios NÃO estejam a dedicar todos os seus esforços a tentar destruir a Igreja. Porquê destruir algo se é possível apropriar-se de grande parte disso e utilizá-lo como instrumento para os seus desígnios malignos? A destruição é apenas uma das táticas de Satanás; a infiltração é outra. Embora a Inquisição espanhola seja o exemplo mais conhecido, existem inúmeras cruzadas e perseguições contra os valdenses, judeus, protestantes e outros.
P: Em Mt 11,14; 17,12; Mc 9,11-13; e Lc 1,17, de que forma João Batista estava no Espírito e no poder de Elias? Era ele a reencarnação de Elias?
R: Não. Ele veio no espírito e no poder de Elias, mas João não era Elias reencarnado. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos pensam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11:3-12.
O primeiro escritor conhecido por ter abordado este versículo é Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), que observou que o conceito de alguém possuir o espírito de outrem não é exclusivo de Elias e João Batista. Deus prometeu que Josué teria o espírito de Moisés. («Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 49, p. 220). Além disso, Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias em 2 Reis 2:9-10.
João abriu o caminho para Jesus e, depois, afastou-se para dar lugar a Jesus.
P: Em Mt 11, 16-17 e Lc 7, 32, em que medida é que aquela geração se assemelhava a crianças mimadas no mercado?
R: As crianças podem ter dificuldade em ouvir, têm memória curta e, por vezes, são muito irracionais. Podem ter dificuldade em enxergar qualquer perspetiva que não seja a sua própria. Jesus explica por que razão disse isto em Lucas 7:33-35. Por um lado, criticavam João Batista por não beber vinho nem comer comida normal; por outro lado, viravam-se e criticavam Jesus por beber vinho e comer comida normal.
Assisti a uma situação semelhante em Salt Lake City, ao ministrar aos mórmons. Os mórmons perguntavam-me se eu alguma vez tinha sido mórmon, e eu respondia «não». Uma vez que nunca fui mórmon, como poderia compreender o que eles ensinavam? Faziam a mesma pergunta a cristãos ex-mórmons, e estes respondiam «sim». Como poderiam ouvir alguém que era apóstata e tinha abandonado a sua igreja? Aparentemente, há pessoas a quem é impossível fazer-se entender.
P: Em Mt 11,20, por que razão Jesus denunciou estas cidades pelo nome?
R: A palavra grega para «denunciar» aqui, oneidizein, significa uma repreensão ou indignação muito forte. Jesus não se limitava a dizer que, se não O aceitassem como o Messias, estariam perdidos. Mas, de forma ainda mais veemente, Jesus afirma que, no juízo final, será melhor para cidades más e perversas como Sodoma e Gomorra do que para estas cidades. O grau de castigo tem em conta a oportunidade. Em segundo lugar, Jesus estava indignado por elas não acreditarem que Ele vinha de Deus, mesmo depois de ter realizado aqueles milagres nas suas cidades.
Como nota à parte, não temos a certeza de onde fica Corazim, mas provavelmente era o local da atual Khirbet Kerazeh, que fica a duas milhas a nordeste de Cafarnaum.
P: Em Mt 11, 23-24, por que razão Sodoma estaria disposta a arrepender-se neste contexto?
R: Jesus está a utilizar aqui uma hipérbole para dizer que, se o povo de Sodoma tivesse o conhecimento de Deus que os judeus possuíam, não teria sido tão perverso a ponto de ser destruído. Até os assírios se arrependeram quando Jonas lhes foi ao encontro, mas parte do povo da Galileia não se arrependeu, mesmo quando o próprio Deus lhes apareceu.
P: Em Mt 11, 25-26, por que razão Jesus agradeceu ao Pai por ter ocultado a verdade aos chamados sábios?
R: Não seria estranho se os mais inteligentes e aqueles que tinham meios para uma melhor educação fossem, apenas pelo seu conhecimento, mais agradáveis a Deus ou mais próximos do Céu? Não é assim; há igualdade de condições no que diz respeito à inteligência e à educação. Aqueles que estão dispostos a reconhecer perante Deus a sua própria impotência estão próximos de Deus, como mostra a parábola do fariseu e do publicano.
P: Em Mt 11, 25-26, de que formas é que Deus impede as pessoas de compreenderem a Sua sabedoria?
R: As pessoas que eram tão inteligentes que pensavam poder compreender a vida independentemente de Deus. Ser sábio não é mau, mas confiar na sua própria sabedoria em vez de confiar em Deus é que o é.
P: Em Mt 11, 25-26, devemos alguma vez agradecer a Deus por esconder a verdade?
R: É melhor simplesmente agradecer a Deus pela verdade e pela forma como Ele a revelou. Jesus está a dizer que as pessoas mais inteligentes não têm vantagem sobre as menos inteligentes na descoberta da verdade sobre Deus. A verdade foi escondida de tal forma que as pessoas não a podem descobrir pela sua própria sabedoria, sem Deus. No entanto, paradoxalmente, aqueles que desejam conhecer a verdade irão encontrá-la, mesmo que sejam apenas crianças pequenas.
P: Em Mt 11,27, de que forma todas as coisas são entregues a Jesus?
R: Todas as coisas são entregues a Jesus de várias formas. Todos se curvarão perante Jesus, Jesus julgará as pessoas e Jesus salvou-nos.
No entanto, o ponto principal que Jesus está a salientar aqui não é que Jesus seja «um» salvador, mas sim que não há salvação a não ser através de Jesus que nos salva. Um adulto moderno, um bebé ou uma pessoa que tenha falecido em tempos anteriores, antes de conhecerem Cristo, ou vai para o Céu através de Jesus, ou não vai de todo.
P: Em Mt 11,27, como é que ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho revela o Pai?
R: Isto é verdade não apenas de uma, mas de duas formas.
Conhecimento: Se Deus assim o tivesse desejado, poderia ter-Se ocultado, de tal forma que seríamos incapazes de saber praticamente nada sobre Ele. Deus escolheu revelar-Se, parcialmente por meio de Abraão e dos profetas, mas a revelação mais completa de Si mesmo veio através de Jesus Cristo, que veio à Terra.
Salvação: Todos os que foram salvos, e todos os que serão salvos, são salvos por meio do Messias, Jesus. Mesmo as pessoas que seguiram o Deus Verdadeiro antes do nascimento de Jesus, e que não conheciam o nome de Jesus, são salvas por meio de Jesus. Atos 4:12 afirma que a salvação não se encontra em mais nenhum outro lugar. Filipenses 2:9-11 diz que, ao nome de Jesus, todo o joelho se dobrará, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.
P: Em Mateus 11:27, por que razão diz Jesus que ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho decidir revelá-Lo, uma vez que o Salmo 145:18 afirma que Deus está próximo de todos os que O invocam?
R: O livro «As Nove Perguntas que as Pessoas Fazem sobre o Judaísmo», pp. 86-87, aborda esta questão. Há três pontos a considerar na resposta.
Todos aqueles a quem Jesus escolher: Jesus nunca disse que só Ele conheceria o Pai. Pelo contrário, Jesus disse que apenas Ele e aqueles a quem Jesus escolher conhecerão o Pai.
Período temporal: Jesus não especificou se isto se referia ao futuro, no juízo final, ao presente, ao passado ou a todas estas opções. Esta afirmação é verdadeira no futuro, porque, no fim, todos comparecerão perante Cristo, que é o nosso juiz, como mostra João 5:22-23. As palavras de Jesus também eram verdadeiras no Seu tempo, pois, em João 8:24, Ele disse aos judeus que, se O rejeitassem, morreriam de facto nos seus pecados. Isto pode parecer injusto para quem pensava que ir para o Céu consistia apenas em ler as Escrituras e confiar nas palavras, em vez de na obediência. No entanto, Jesus disse em João 14:6 que Ele era o caminho, a verdade e a vida, e que ninguém chegaria ao Pai senão por meio Dele. No entanto, num certo sentido, as palavras de Jesus também eram verdadeiras antes do Seu tempo. Não só Ele esteve com os israelitas no deserto, segundo 1 Coríntios 10:4, como a Sua crucificação e ressurreição — que trouxeram vida a todos os crentes, tanto os que viveram antes como depois de Cristo — foram planeadas desde a fundação do mundo, conforme se lê em Atos 2:23.
Relação Especial: Tendo em conta tudo o que foi dito anteriormente, Jesus e o Espírito Santo têm, de facto, uma relação especial com o Pai que mais ninguém possui.
P: Em Mateus 11:28, de que forma é que Jesus nos dá descanso?
R: Podemos aplicar esta verdade às nossas vidas de, pelo menos, cinco formas.
Liberdade do medo: Deus cuidará de nós, e nada nos acontecerá, a não ser o que Deus permitir. 1 Pedro 1:6-9 e 1 Coríntios 2:9 mostram que as glórias do Céu farão com que os sofrimentos que suportamos na terra pareçam insignificantes.
Liberdade da ansiedade e da preocupação: No Sermão da Montanha, Jesus salienta especificamente o nosso valor para Deus, bem como o caráter indesejável e inútil da preocupação. Filipenses 4:6-7 afirma que não devemos ansiar por nada, mas apresentar os nossos pedidos a Deus.
Liberdade em relação ao nosso próprio trabalho, objetivos e ambições: Quando nos tornamos cristãos, a nossa medida de sucesso é redefinida. O sucesso não consiste apenas em realizar o que Deus deseja que realize, mas em ser tudo aquilo que Deus deseja que seja. Não é mais do que isso. Já não precisamos de nos preocupar em ser bem-sucedidos aos olhos dos outros, nem em estar à altura dos ideais culturais.
Liberdade da preocupação com o Juízo Final: No Dia do Juízo Final, os cristãos podem permanecer sem medo. Cristo julgará os cristãos quanto às suas recompensas (ou à perda das mesmas), mas os cristãos podem ter a certeza da salvação e de escapar do Lago de Fogo.
Liberdade eterna: a nossa liberdade começa agora mesmo na Terra, de forma limitada. Mas teremos a liberdade como filhos do Rei no Céu, para sempre.
O livro «When Critics Ask», p. 342, resume bem esta ideia: «A vida de um crente é “fácil” na medida em que traz “descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29), mas é difícil para a “carne”, que muitas vezes necessita da mão disciplinadora de Deus para a manter na linha. A salvação traz ‘paz com Deus’ (Rom. 5:1), mas também traz conflito com o mundo (1 João 2:15-17; Gál. 5:17).”
P: Em Mt 11, 29-30, qual é a diferença entre um jugo e um fardo?
R: Um jugo puxa uma carroça, que transporta um fardo. Um jugo é puxado em conjunto com outros. Um jugo, e o fardo que ele serve para puxar, pode ser leve ou pesado, e Jesus diz que o Seu jugo é leve.
Um agricultor tem de se certificar de que o jugo se ajusta corretamente, que qualquer acolchoamento está no lugar certo, etc. Por vezes, questiona-se se será mais fácil ou mais difícil para um agricultor atrelar bois juntos ou para Deus atrelar cristãos juntos. Se um boi estiver morto ou se recusar a mover-se, não adianta ao agricultor atrelá-lo. Se Deus der aos cristãos uma oportunidade ao uni-los num jugo, mas se um cristão se recusar a avançar, porque Deus não satisfaz as suas expectativas, isso não ajuda os outros cristãos a quem está unido. Ou, pior ainda, se o cristão decidir seguir numa direção diferente daquela que Deus deseja que se siga, então a situação pode tornar-se difícil.
Por vezes, os cristãos esperam que, se seguirem e obedecerem a Deus, isso lhes trará o máximo de bênçãos e prosperidade para a sua vida. Deus nunca prometeu isso. Apedrejamentos e espancamentos podem tender a incapacitar uma pessoa, e os espancamentos e apedrejamentos de Paulo não o abençoaram fisicamente. Paulo provavelmente poderia ter sido mais próspero se tivesse passado mais tempo a fazer tendas e menos tempo a fazer «coisas financeiramente dispendiosas», como pregar o evangelho. Se Paulo não podia esperar estar melhor física e financeiramente por seguir a Deus, então nós também não podemos. O objetivo de Deus é manifestar a Sua glória na terra, não o nosso maior conforto. A glória de Deus inclui partilharmos o evangelho, discipularmos outros e vivermos uma vida digna (Mt 10, 37-38; Lc 20:35; Fp 1:27; 2 Ts 1:5,11), mas não necessariamente o nosso prazer contínuo. Um boi pode não saber o que é arar em círculos concêntricos; sabe apenas seguir a orientação do seu senhor. Se conseguirmos abandonar as nossas próprias expectativas sobre o que Deus deveria fazer por nós e simplesmente seguirmos a Sua orientação, será mais fácil para Deus colocar-nos no jugo.
P: Será que Mt 11,29 apoia de alguma forma o ioga, tal como ensinado por Mark e Elizabeth Prophet em *The Lost Teachings of Jesus 3* (1988), pp. 273-274?
R: De modo algum. Jesus diz para tomarem sobre vós o meu «jugo», não a «ioga». A palavra grega aqui utilizada, zugon, significava atrelar bois para trabalhar no campo e implica servir a Jesus, não praticar atividades físicas especiais nem controlar a respiração.
P: Em Mt 11, 29-30, como é que assumimos o jugo de Jesus hoje em dia?
R: Submetam-se à vontade de Cristo e entreguem toda a vossa vida a Ele; deixem-se formar por Jesus; sejam mansos e humildes como Jesus.
P: Em Mt 12,1-5, os discípulos de Jesus violaram o sábado judaico ou não?
R: Aqui, não violaram o sábado da Lei mosaica, embora tenham violado a interpretação que os fariseus faziam dela. Embora Êxodo 34:21 proibisse a colheita no sábado, eles não tinham foice e apenas algumas espigas de trigo. Colher espigas de trigo, sem foice, era permitido por Deuteronómio 23:25.Não temos qualquer registo de que os discípulos ou Jesus tenham violado a Lei Mosaica enquanto Jesus ministrava na Terra antes da Sua ressurreição. Note-se que o desacordo não se prendia com interpretações divergentes da lei, mas sim com a abordagem fundamental à mesma.
É interessante que os próprios judeus não estavam de acordo quanto ao facto de colher grãos no sábado ser errado. «Colher grãos» era um dos trinta e nove tipos de trabalho proibidos na Mishná Shabbath 7.2.9.c, de acordo com as suas tradições. No entanto, também concedia exceções para o serviço no templo. É igualmente concedida uma exceção quando a vida está em risco na Mishná Yoma 8:6; Mek Êxodo 22:2; 23:13. A Mishná Shabbath 10.2 não aborda a colheita casual de grãos. Num período posterior, a Gemara permite especificamente a colheita de grãos à mão; apenas proíbe o uso de uma ferramenta.
P: Em Mt 12:1-8 e Mc 2:27, o que Jesus disse aqui sobre o sábado constitui uma alteração na Lei de Deus, ou estará Jesus a explicar como a Lei deveria ter sido praticada também nos tempos do Antigo Testamento?
R: Jesus não está a introduzir quaisquer alterações aqui. Colher espigas já era especificamente permitido na Lei. Embora a Lei estabelecesse que as pessoas não podiam trabalhar no sábado, era permitido colher grãos para comer, desde que não se tratasse de uma colheita em que os grãos fossem colocados num saco.
Jesus estava a salientar que é necessário considerar a Lei na sua totalidade, pois a Lei também previa uma disposição especial para os sacerdotes. Além disso, Jesus salienta que, durante a situação de emergência de David, o facto de este se manter vivo e à frente de Saul teve precedência sobre os pães da proposição. Quanto mais deveria o Messias ter precedência sobre as tradições farisaicas?
Por fim, Jesus afirmou que algo maior do que o Templo de Deus estava ali. Uma coisa maior do que o Templo de Deus é o próprio Deus.
P: Em Mt 12,3-5 e Mc 2,25-27, por que razão era permitido tomar os pães da proposição, e como é que isto se relaciona com a observância do sábado?
R: O princípio fundamental aqui é uma hierarquia de mandamentos, e a sua obediência última deveria ser a Deus, não ao sábado. Apenas os sacerdotes deviam comer os pães da proposição, e Davi e os seus homens estavam numa missão para Deus, encontravam-se numa situação de emergência (a fugir de Saul) e, após discutirem o assunto com o sacerdote, comeram, conforme 1 Samuel 21:3-6.
Para os fariseus, o sábado tornou-se, na verdade, o seu ídolo! Não era porque o sábado fosse, de alguma forma, mau, mas sim porque se preocupavam mais com o sábado do que com Deus. Eram homens de regras, mas não homens de Deus.
Irineu (182-188 d.C.) escreveu: «Davi tinha sido nomeado sacerdote por Deus, embora Saul o perseguisse. Pois todos os justos possuem o grau sacerdotal. E todos os discípulos do Senhor são sacerdotes, pois não herdam nem terras nem casas. Pelo contrário, servem a Deus e ao altar continuamente… Os seus discípulos possuíam o sacerdócio do Senhor. Assim, para eles era lícito, quando tinham fome, comer as espigas de trigo [grãos]». Irineu, Contra as Heresias, livro 4, cap. 8.3, p. 471
P: Em Mt 12,5, de que forma os sacerdotes profanavam, sem culpa, todos os sábados?
R: A Lei instruía os sacerdotes a fazer o que não era lícito aos outros fazerem no sábado — eles deviam trabalhar. O que Jesus pretendia não era que os sacerdotes deixassem de fazer o que Deus lhes ordenara. Pelo contrário, o que Jesus pretendia era mostrar que, se se olharem para as instruções de Deus ignorando o contexto, podem surgir todo o tipo de problemas. Um legalista é aquele que olha para as leis sem ter em conta o contexto.
Tertuliano (198-220 d.C.), na obra «Cinco Livros Contra Marcião», livro 4, capítulo 12, pp. 362-363, apresenta uma observação interessante sobre a primazia da obediência a Deus face ao cumprimento ritualístico do sábado. O primeiro exemplo de todo o povo a violar o sábado, mas continuando a obedecer a Deus, ocorreu quando Deus lhes ordenou que marchassem à volta de Jericó. Deus ordenou aos israelitas que marchassem à volta de Jericó durante oito dias consecutivos; eles marchavam no sábado. Assim, este é também um exemplo de como a ordem direta de Deus se sobrepõe ao sábado.
P: Em Mt 12,5, quando Jesus disse: «Ou não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo violam o sábado e, mesmo assim, são inocentes?», por que razão isto não foi uma citação da Lei?
R: Jesus não afirmou que se tratava de uma citação de nada. Jesus estava a fazer a dedução lógica de que, de acordo com a Lei, os sacerdotes realizavam o seu ministério no sábado e isso continuava a ser correto e agradável a Deus.
P: Em Mt 12,3-8 e Mc 2,25-28, qual era o objetivo destas ilustrações?
R: Seguir Deus não se resume apenas a regras, mas também a prioridades. Seguir Jesus como seu Senhor é o que significa a obediência, não apenas regras, nem mesmo as regras de Deus. Outras passagens mostram que seguir Deus envolve mais do que regras e prioridades, mas Jesus estava a ser elementar nesta ocasião. Jesus teve a paciência de dar uma explicação simples aos fariseus hostis, e louvemos a Deus por Ele ser paciente também connosco.
P: Em Mt 12,8 e Mc 2,28, o que significa que o Filho do Homem é também Senhor do sábado?
R: Fomos criados para Deus, não para uma lei nem para o sábado. O mandamento de descansar no sábado foi dado para ajudar o homem, não para o prejudicar. Deus é o Senhor da Sua lei.
P: Em Mt 12, 8 e 12, quando é que, se é que alguma vez, devemos infringir a letra da lei nos dias de hoje?
R: Ocasionalmente, podem surgir situações em que devemos fazê-lo. O nosso objetivo principal não é obedecer à «lei» ou a «uma» lei. Nem se trata do evangelismo. O nosso objetivo principal é glorificar e agradar a Deus. Isso inclui obedecer-Lhe, nomeadamente ao Seu mandamento de partilhar o evangelho e a muitas outras coisas. Devemos ter cuidado ao infringir o que Deus nos ordenou no Novo Testamento, porque, com demasiada frequência, isso pode tornar-se apenas uma desculpa para pecar, escapar à perseguição ou optar pelo caminho mais fácil. Mas, dito isto, tal como Jesus ensinou aqui, há momentos em que a obediência a Deus não consiste em seguir uma regra. Para dar um exemplo simples: se tiver um amigo ao seu cuidado que está prestes a morrer e estiver a correr para o levar ao hospital, deve certificar-se de que não conduz acima do limite de velocidade? Se um governo aprovar uma lei que o obriga a denunciar o que os seus vizinhos fazem (como na Coreia do Norte) e alguns vizinhos estiverem a realizar um estudo bíblico, deve denunciar isso ao governo?
Por fim, Jesus mostra-nos que esta ideia de que Deus deseja certas coisas mais do que sacrifícios ou outras leis não é um ensinamento novo que Ele tenha dado, mas está implícita no Antigo Testamento, em Oséias 6:6, que Jesus cita em Mateus 12:7.
P: Em Mt 12,10-14 e Mc 3,3-6, o que é que os fariseus considerariam errado na cura realizada no sábado?
R: Os fariseus considerariam a cura um ato criativo e, portanto, trabalho. No entanto, os próprios judeus do século I discutiram o que era permitido no cuidado dos doentes na Mishná Eduyoth 2:5 e na Mishná Shabbath 6:3; Mek Êxodo 22:2; 23:13.
P: Em Mt 12,10-14, por que razão Jesus respondeu aos fariseus desta forma?
R: Jesus estava a apontar a inconsistência deles. Imagine o humor peculiar da situação. Ali estavam alguns homens, a ensinar as suas próprias adições à palavra de Deus como se fossem a própria palavra de Deus, a dizer ao próprio Deus que Ele não podia fazer algo. Uma vez que o milagre provinha de Deus, mais valia dizerem a Deus que Ele tinha de retirar esse milagre!
P: Mateus 12:18 é uma referência à Trindade?
R: Sim, assim que compreender que o Servo é Deus. O Servo é enviado, e o Espírito de Deus é colocado n’Ele.
P: Em Mt 12,31-32; Mc 3,28-30 e Lc 12,10-11, o que é a blasfémia contra o Espírito Santo?
R: Jesus não costumava defender a Sua autoridade para agir, mas considerou importante defendê-la nesta ocasião, quando foi acusado de agir por influência de Satanás. O contexto indica que se trata de testemunhar a obra milagrosa direta de Deus, rejeitar o Evangelho e afirmar que tais obras são obra de Satanás. Normalmente, não há problema em fazer perguntas ou analisar algo com rigor, mas quando se contesta o que é obviamente indiscutível, está-se, na verdade, a rejeitar aquilo que se sabe ser verdade.
Não se trata apenas de pedir ao Espírito Santo que saia da sua vida. Conheço uma estudante universitária cristã que pediu a Deus para sair da sua vida. Após cerca de um mês, sentiu-se tão infeliz que se arrependeu e voltou para Cristo. Se alguém cometesse blasfémia contra o Espírito Santo, nunca mais desejaria voltar para Cristo.
P: Em Mt 12, 31-32; Mc 3, 28-30 e Lc 12, 10-11, por que razão a blasfémia contra o Espírito Santo é muito mais grave do que a blasfémia contra Jesus?
R: Jesus não o disse especificamente. No entanto, se alguém rejeitar Jesus, o Espírito pode atuar de modo a que essa pessoa mude de opinião e, mais tarde, aceite Jesus. Contudo, se alguém recusar definitivamente a presença do Espírito Santo na sua vida, e o Espírito Santo respeitar esse desejo, essa pessoa nunca se converterá a Cristo nem irá para o Céu.
P: Em Mateus 12:31-32, a blasfémia contra o Espírito Santo significa detestar a luz ao negar as manifestações de Deus (tais como Bahá’u’lláh), tal como ensinam os bahá’ís em «Algumas Perguntas Respondidas», pp. 127-128?
R: Não, trata-se de um argumento circular, ao pressupor que a afirmação de que Bahá’u’lláh é a luz prova que Bahá’u’lláh era a luz. No entanto, mesmo no caso de Jesus, repare que, em Mateus 12:32, Ele afirmou que aqueles que falarem contra Jesus serão perdoados; portanto, falar contra um profeta de Deus NÃO constitui blasfémia contra o Espírito Santo.
P: Em Mt 12,32, o facto de não se ser perdoado nesta vida pela blasfémia contra o Espírito Santo não sustenta, de alguma forma, a crença no purgatório, tal como afirmou o escritor católico Ludwig Ott?
R: Não, até mesmo a Nova Enciclopédia Católica, vol. 11, p. 1034, afirma: «A doutrina do Purgatório não está explicitamente enunciada na Bíblia.» Mateus 12:31-32 não contribui de forma alguma para sustentar o purgatório, por três razões:
1) O ensinamento católico é que o Purgatório purifica o crente dos pecados veniais (menores), não dos pecados mortais (mais graves ou fatais), e a blasfémia contra o Espírito Santo é considerada um pecado mortal.
2) Jesus não se refere aos crentes, mas aos escribas e fariseus que O rejeitaram.
3) Este versículo nada diz sobre a duração, a gravidade, o tipo ou o local do castigo ou da purificação; não diz absolutamente nada sobre castigo ou purificação. Em vez disso, fala sobre não ser perdoado por Deus.
P: Em Mt 12,34, o que está Jesus a dizer sobre certas pessoas?
R: Ele não está apenas a dizer que são uma raça de víboras, ou que estão a proferir coisas más. Pelo contrário, Jesus está a descrever uma condição do tipo «se… então». Dado que são uma raça de víboras e são maus, então só podem sair coisas más. Isto é verdade para algumas pessoas hoje em dia. Para alguns, dado o estado do seu coração, não são capazes de dizer nada de bom sobre nada, apenas coisas más. O mais surpreendente é que, tal como os fariseus, eles próprios estão normalmente cegos quanto ao facto de terem um coração mau. Não é por não serem suficientemente inteligentes para perceber isso, mas porque nunca se lhes ocorreu questionar o estado do seu coração.
Na verdade, não é como se os fariseus não compreendessem. Pelo contrário, é que não queriam compreender. Jesus interpôs-se e fez com que o seu «grande» programa ficasse mal visto.
É claro que, como crentes, devemos certificar-nos de que não somos assim. Por vezes, se uma pessoa usa linguagem imprópria, pode dar a desculpa: «desculpe, isso escapou-me.» Bem, mas por que razão isso estava lá dentro, para começar! Temos de nos certificar de que não temos partes «inquestionáveis» do nosso coração que também sejam más. 2 Coríntios 13:5 diz que devemos examinar-nos a nós próprios. Mas vamos procurar ajuda! No Salmo 139:23-24, o salmista pediu a Deus que sondasse o seu coração e lhe revelasse tudo o que houvesse de perverso no seu coração.
Infelizmente, algumas pessoas não se transformaram, mesmo na presença direta de Jesus. Algumas não mudarão, independentemente do que lhes digamos; mas podemos passar para as pessoas que estão dispostas a ouvir.
P: Em Mt 12, 38-39 e Mt 16, 1-4, quando os fariseus pediram um sinal, Jesus disse que só teriam o sinal de Jonas, ou não houve sinal algum, como diz Mc 8, 11-13?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Eles acabavam de ver um sinal; na verdade, estavam a pedir «mais um sinal». Mas de que serviria outro sinal, uma vez que viram Jesus a expulsar o demónio e declararam que aquilo era um sinal do Inferno? De que serviria qualquer sinal se eles simplesmente dissessem que era de Satanás? Lembre-se de que, em Mateus 12, 14, eles já tinham começado a conspirar sobre como destruir Jesus.
2. Mateus 12:38-39 foi o primeiro pedido de um sinal, e Mateus 16:1-4 e Marcos 8:11-13 foi o segundo pedido de um sinal.
3. Em todos os casos, Jesus disse que não veriam nenhum sinal do Céu, ou que veriam apenas o sinal que os ouvintes de Jonas viram.
4. Os ouvintes de Jonas nunca viram qualquer sinal milagroso, apenas o profeta Jonas. Jonas nunca realizou qualquer milagre que tenha sido registado na Bíblia.
P: Em Mt 12, 38-39; Lc 11, 30, os versículos sobre o sinal de Jonas eram inautênticos e provavelmente acrescentados no século VII d.C., como afirmam Stendahl, Peake; G. Schmitt, «Das Zeichen Jona», ZNW [1978] [p. 120-123]?
R: Não. A secção 16:1-4, p. 68, do Diatessaron cita estes versículos, tendo sido escrita por volta de 172 d.C. Estes versículos são referidos por Justino Mártir (138-165 d.C.), Irineu (182-188 d.C.) e Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.). Os manuscritos bíblicos Vaticanus (325-350 d.C.) e Sinaiticus (340-350 d.C.) citam isto.
P: Em Mt 12, 39-40, como é que uma geração pode ser perversa e adúltera?
R: Jesus não está a dizer que se trata apenas de alguns fariseus e doutores da lei, mas sim de toda a cultura do povo judeu naquele período específico. As pessoas tendem a seguir a sua cultura e, naquela época, a sua cultura não tinha espaço para um Messias.
P: Em Mt 12,45, o que ensina Jesus sobre as pessoas e os demónios?
R: Jesus está a ensinar dois pontos.
Mais concretamente, quando se faz com que um demónio abandone uma pessoa, se esta permanecer num vazio espiritual, o demónio pode regressar, acompanhado de outros demónios ainda piores.
Geralmente, as pessoas não permanecem num vazio espiritual por muito tempo. Se não forem preenchidas por Deus, os demónios virão e preencherão essas pessoas, a sua cultura e a sua sociedade.
P: Em Mt 13,1, por que razão Jesus se sentou num barco e falou ao povo?
R: Jesus provavelmente falou a partir de um barco porque, num dia calmo, o som da Sua voz se propagava bem sobre a água. Este é um dos cinco grandes discursos de Mateus dirigidos às multidões, e seria benéfico para que a voz Seus fosse amplificada, permitindo que as multidões O ouvissem. Não há qualquer indício de um significado subtil, apocalíptico ou de outra natureza.
P: Em Mt 13,1-23, o que é diferente: a semente ou o solo, e como é que isto se relaciona connosco hoje?
R: A semente (a mensagem do Evangelho) era a mesma. Mas o que diferia era a capacidade do solo de, em primeiro lugar, receber a semente e, em seguida, fazê-la crescer. Algumas pessoas não conseguem acolher a mensagem do Evangelho. Outras conseguem acolhê-la, mas esta não terá um crescimento duradouro nelas. No entanto, o Evangelho não é algo que devamos semear seletivamente apenas naquilo que consideramos ser solo fértil. Devemos semeá-lo em todo o lado, e o solo irá recebê-lo, se for capaz. Mas não devemos iludir-nos a pensar que, se apenas partilharmos o evangelho com o mundo, então o mundo inteiro se converterá a Cristo. Por fim, esta parábola levaria o leitor a refletir: «Aos olhos de Deus, que tipo de solo sou eu?»
P: Em Mt 13, 1-58, o que há de invulgar nestas parábolas?
R: David Wenham foi o primeiro estudioso moderno a reconhecer que Mateus 13:3-52 constitui um quiasmo. No entanto, não se trata de um quiasmo perfeito.
13:1-2 Jesus veio
- 13:3-9 Parábola do semeador, dirigida às multidões
-- 13:10-12 Os discípulos perguntam e Jesus responde
--- 13:10-17 O propósito das parábolas (para os que estão de fora)
----13:18-23 Interpretação da parábola do semeador
-----13:24-33 Mais três parábolas dirigidas às multidões: «O Reino dos Céus é como…» (o joio, o grão de mostarda, o fermento)
digressão
--- 13:34-35 O propósito das parábolas (para os discípulos)
---- 13:36-43 Interpretação da parábola do trigo e do joio
fim da digressão
-----13:44-48 Mais três parábolas dirigidas aos discípulos: «O Reino dos Céus é semelhante a…» (o tesouro, a pérola, a rede)
---- 13:49-50 Explicação
-- 13:51 Jesus pergunta e os discípulos respondem
- 13:52 Parábola do tesouro novo e do antigo
13:53 Jesus partiu
Dentro desta estrutura, Mateus 13:13-17 constitui também um quiasmo.
P: Em Mt 13,6-7, qual é a diferença entre o caminho, o segundo solo, o solo pedregoso, e o terceiro, o solo espinhoso?
R: O primeiro solo tinha profundidade suficiente e não possuía espinhos que bloqueassem a luz do sol. No entanto, simplesmente não aceitou a semente desde o início. As sementes germinaram nos outros três solos, mas nem sequer tiveram oportunidade de germinar no primeiro solo.
A semente, tanto no segundo como no terceiro solo, brota e parece boa a princípio. Mas as plantas não conseguem desenvolver raízes saudáveis num solo sem profundidade. Quando o tempo está seco, não conseguem encontrar água para se sustentarem no solo ressecado à superfície. Tinham bom acesso ao sol, mas simplesmente não havia profundidade suficiente no solo para que essas plantas pudessem continuar a crescer.
Quanto ao terceiro solo, este era bom, talvez tão bom quanto o solo fértil. No entanto, havia tantos elementos adicionais — com os espinhos — que as plantas foram impedidas de receber a luz do sol. Até o segundo solo ouviu com alegria, mas não o terceiro solo, sobrecarregado. O terceiro solo tinha profundidade suficiente, mas havia simplesmente demasiados outros elementos que bloqueavam o seu acesso ao sol. Além disso, enquanto algumas plantas espinhosas podem ser evidentes, outras podem ser mais subtis. Pode não se perceber os espinhos de imediato.
O quarto solo não é especial nem «mágico». Pelo contrário, não é, na verdade, diferente das melhores características do segundo e do terceiro solos combinados. Como João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.) foi o primeiro a salientar, não existe um único caminho para a destruição; existem múltiplos caminhos para a destruição.
A diferença nos resultados não se deve à semente, mas ao solo. Quão fértil é o seu coração aos olhos de Deus?
A título de nota à parte, o caminho aqui referido é um trilho, como aqueles que se encontram entre campos, e não uma autoestrada.
P: Em Mt 13, 10-13, por que razão Jesus explicou esta parábola aos Seus discípulos e não à multidão?
R: A resposta encontra-se em Mateus 13:14-15. Jesus tinha muitos discípulos (incluindo os 70) e não apenas os doze. Às multidões, nessa altura, foi-lhes dada uma amostra do ensinamento de Jesus, de forma a que ficassem ansiosas por saber mais. Jesus foi seletivo nesta ocasião; Ele apenas deu a explicação aos Seus discípulos. É claro que as pessoas da multidão também podiam optar por tornar-se discípulos de Jesus. Além disso, isto cumpriu Isaías 6:9-10.
Mas é errado pensar que o objetivo destas parábolas era «para que todos pudessem compreender mais facilmente a verdade». Da mesma forma, hoje podemos querer dizer algumas coisas que apenas aqueles que desejam conhecer a verdade irão compreender.
P: Em Mt 13, 10-11, até que ponto a nossa apresentação do Evangelho deve conter um elemento de mistério?
R: No Antigo Testamento, um mistério era algo secreto, oculto ou velado que era revelado posteriormente. Jesus não falou sobre mistérios até que a nação judaica O tivesse rejeitado.
Jesus e o Evangelho são coisas que a humanidade nunca teria sido capaz de compreender, a menos que Deus lhas tivesse revelado. Não devemos dar por garantido que Deus nos pudesse ter deixado na ignorância, mas Ele escolheu iluminar-nos. A Paixão e a história de Deus em geral são dramáticas, e devemos realçar esse drama quando as recontamos.
P: O que significa Mt 13, 10-16?
R: Aqueles que não amam a verdade não têm direito à luz da verdade. Na verdade, os «pássaros» podem levar-lhes a luz que já possuem. Há vários pontos importantes nesta passagem.
13:10 Depois de Jesus ter contado a parábola do semeador (na verdade, a parábola dos solos) em Mateus 13:1-9, os discípulos aproximaram-se e perguntaram-lhe por que razão falava em parábolas. A pergunta não se limitava à parábola do semeador, mas ao motivo pelo qual Jesus falava em parábolas em geral.
13:11 A maioria das pessoas não teria nem reteria o conhecimento do reino dos céus.
13:12 Aqueles que possuem o conhecimento iriam aprofundá-lo. Aqueles que não o possuem veriam até mesmo o pouco conhecimento que têm ser-lhes retirado.
13:13 Por que razão falaria Jesus às pessoas em parábolas, em vez de explicar tudo tal como fazia aos seus discípulos? Vejamos 2 Pedro 2:21 e Romanos 4:15; 5:13 para encontrar a resposta. Se alguém optar por não seguir a verdade sobre Deus que possui, quanto menos souber, melhor será para si no juízo final.
13:14 mostra que as pessoas ouviriam, de facto, toda a verdade, mas não a compreenderiam. Isto NÃO significa que seja necessário ser muito inteligente para ser cristão; isso seria contrário a 1 Coríntios 1:26-28. Pelo contrário, o problema de compreensão, mesmo entre fariseus inteligentes e altamente instruídos, reside no facto de não terem espaço para a palavra de Jesus (João 8:37), e a mensagem da cruz é simplesmente loucura para aqueles que são sábios com a sabedoria deste mundo (1 Coríntios 1:18-25). Já vi pessoas perspicazes inventarem desculpas inteligentes e engenhosas para justificar por que razão não querem acreditar no que está claramente escrito na Bíblia.
13:15 Isto revela um endurecimento do povo. Os cristãos têm debatido se Deus foi responsável pelo endurecimento do coração do Faraó contra Moisés e os israelitas, ou se foi o próprio Faraó. A Bíblia afirma que o Faraó endureceu o seu próprio coração em oito ocasiões, e que Deus o endureceu em outras oito. Um dos julgamentos de Deus contra as pessoas que endurecem os seus corações consiste em que os seus corações se tornam ainda mais endurecidos.
Por fim, a mesma ação de Deus pode ter efeitos opostos em duas pessoas diferentes. Um escritor da Igreja explicou-o desta forma: «a cera a derreter e a lama a secar com o mesmo calor; assim, a mesma ação, que foi realizada por intermédio de Moisés, revelou, por um lado, a dureza do Faraó — resultado da sua maldade — e, por outro, a submissão da multidão mista de egípcios que partiu com os hebreus.» Rufino (374-406 d.C.), na tradução da obra *De Principiis* (225-254 d.C.) de Orígenes, livro 3, cap. 1.11, p. 311.
13:16 A propósito, embora Jesus tivesse 12 discípulos especialmente designados, não se limitava a ter apenas 12 discípulos; tinha também um grupo mais alargado de 70, bem como outros discípulos. Os discípulos de Jesus foram abençoados tanto pelo privilégio de conhecer estas verdades, como pelo facto de não terem conquistado nem merecido aprender estas verdades. Deus poderia ter optado por nos esconder tudo; mas Deus quis revelar-nos estas coisas.
13:17 vai mais longe e afirma que mesmo os profetas piedosos dos tempos do Antigo Testamento desejavam aprender estas coisas, mas Deus ainda não lhes tinha ensinado; Deus esperou para as revelar até à vinda de Jesus.
Por vezes, as pessoas pensam, erradamente, que Deus nos deve o máximo esforço possível para ensinar a verdade a todos. Na verdade, porém, se alguém rejeita a verdade sobre Deus que já possui, Deus não tem qualquer obrigação de tentar impingir-lhe mais verdade. Na realidade, quanto menos souberem da verdade, melhor para eles (2 Pedro 2:21). Mas para aqueles que desejam seguir a verdade, Deus tem prazer em mostrar-nos cada vez mais.
De que forma é que as pessoas não ouvem e perdem a verdade? Jesus explica isso em Mateus 13:18-23.
P: Em Mt 13, 12, foi Deus injusto ao tirar àqueles que não tinham e dar àqueles que tinham?
R: Deus não foi injusto, mas é necessário considerar a interação entre a consequência e o propósito subsequente. Há três contrastes a ter em conta: justiça versus igualdade, salários versus dons e satisfazer necessidades versus conceder recompensas.
Justiça versus igualdade: Deus é justo para com todos, mas não é obrigado a tratar todos de forma idêntica, como ilustra Romanos 9:6-18.
Salários versus dons: Na parábola das minas (Lucas 19:11-27), se o rei não pagasse as coisas boas que devia a alguém, isso seria injusto. Mas quando investe o dinheiro do seu empregador, este não lhe deve todo esse dinheiro; o empregador deve-lhe apenas o seu salário e aquilo que se comprometeu a dar. O rei da parábola não devia nenhuma cidade a nenhum dos seus servos. Quando concedeu mais cidades àquele que mais tinha rendido, isso foi um dom gratuito e generoso, e o rei (e Deus) pode fazer o que quiser.
Satisfazer necessidades vs. conceder recompensas: O rei cuidou de todos os seus servos antes de qualquer um deles ter ficado a cargo de alguma cidade. As cidades eram prémios, ou bónus. Deus satisfará abundantemente todas as necessidades no céu para todos os que lá estiverem (1 Coríntios 2:9), mas, para além disso, Deus concederá recompensas no céu a alguns, mas não a outros. Pode ler sobre isso em 1 Coríntios 3:8-15.
P: Em Mt 13,15, será que isto demonstra uma certa dureza de coração por parte de Deus, ao não amolecer os seus corações e abrir-lhes os olhos?
R: De modo algum. Deus está a dizer que, se eles se voltassem para Deus, o Senhor certamente os curaria. No entanto, eles são responsáveis pelo facto de o seu coração estar endurecido, o que leva a que não se voltem para Deus.
Deus abre os olhos dos cegos, mas normalmente não abre os olhos daqueles que os mantêm bem fechados. Deus suaviza o coração das pessoas, mas não tem qualquer obrigação de suavizar o coração de quem já decidiu endurecê-lo.
P: Em Mt 13,24, em que medida o reino dos céus se assemelha a esta situação, uma vez que o Céu é perfeito?
R: O reino dos céus não é como o homem, mas como a situação. A resposta a esta pergunta faz parte do argumento principal de Jesus. O reino dos céus não é apenas algo perfeito para onde iremos depois de morrermos. O reino dos céus é algo que também está nos nossos corações, enquanto crentes, neste preciso momento. No reino dos céus neste mundo, o trigo e o joio crescem lado a lado.
P: Mateus 13:28-30 significa que devemos permitir que os hereges permaneçam na igreja?
R: De modo algum. Em Mateus 13:38, o «campo» não é a igreja, mas o mundo. Haverá igrejas heréticas, mas devemos excomungar aqueles que professam ensinamentos heréticos ou praticam atos malignos, a menos e até que se arrependam. Afirmar que devemos permitir a presença de pessoas com doutrina herética, ou com ações ímpias e impenitentes nas nossas igrejas, é contrário ao ensinamento de Deus em 1 Timóteo 1:3-4; 6:3-5; 2 Timóteo 2:16-17; 3:1-5; 2 João 10 e à prática descrita em 1 Coríntios 5:11-13 e Apocalipse 2:20. Infelizmente, Agostinho de Hipona, na obra «Aos Donatistas», foi um dos primeiros a confundir a igreja com o mundo. Aqueles que pecam (na prática ou no ensino) devem ser repreendidos na presença de todos, de acordo com 1 Timóteo 5:20.
Em resumo, se interpretar incorretamente algo numa parábola de uma determinada forma (a igreja), quando Jesus disse especificamente outra coisa (o mundo), pode realmente perder-se nos pormenores!
P: Em Mt 13,30, a que se refere exatamente Jesus quando fala do joio?
R: Estas eram bem conhecidas dos ouvintes de Jesus. Existem quatro tipos de joio, e o «joio» aqui referido é quase certamente uma erva daninha chamada joio barbudo (lolium temulentum), que se assemelha ao trigo quando é jovem e, por vezes, as raízes podem estar entrelaçadas, pelo que não é possível arrancar uma planta sem arrancar a outra. Curiosamente, tanto o joio como o trigo já não conseguem crescer bem por propagação selvagem, mas necessitam que um agricultor espalhe as sementes. Os rabinos sabiam que se tratava de um trigo corrompido e, em alguns locais, é chamado de «trigo falso»; por volta do ano 2000, 10% da colheita de trigo da Etiópia era, na verdade, joio. No entanto, as máquinas de triagem modernas são eficazes na separação das sementes de trigo do joio. O joio é frequentemente infetado por um fungo que, quando as pessoas comem as sementes das plantas infetadas, lhes provoca um efeito eufórico. Consulte https://www.atlasobscura.com/articles/wheats-evil-twin-has-been-intoxicating-humans-for-centuries para mais informações.
P: Em Mt 13,30, qual é o significado do joio ser recolhido antes do trigo?
R: Na agricultura, faz sentido remover as ervas daninhas de um campo antes da colheita. O Juízo separa os ímpios do Céu. Não é que sejamos retirados do universo onde o joio naturalmente pertence. Pelo contrário, o joio é retirado do universo de Deus, onde os filhos de Deus pertencem sobrenaturalmente. Quando os discípulos ouviam, juntamente com a multidão, a parábola do trigo e do joio, pergunto-me o que estaria Judas Iscariotes a pensar?
P: Em Mt 13,32 e Mc 4,30-34, em que sentido é que a semente de mostarda é a menor de todas as sementes?
R: Em primeiro lugar, existiam dois tipos de sementes de mostarda na Palestina: a mostarda preta, que as pessoas plantavam, e a mostarda selvagem. Jesus referia-se à mostarda preta, porque se refere apenas a sementes que são plantadas, e na Palestina não se plantavam sementes mais pequenas do que as de mostarda. Além disso, na obra rabínica judaica M Niddah 5:2 (cf. SBK 1:669), a semente de mostarda era proverbial pela sua pequenez.
A semente de mostarda é insignificante em tamanho e é a menor de todas as sementes de culturas na terra da Palestina. Um arbusto de mostarda preta pode produzir 1 200 sementes. Jesus estava a comunicar com as pessoas, referindo-se às sementes de culturas da sua terra.
No entanto, para quem aprecia os pormenores, a palavra grega para «menor», tanto em Mateus 13:32 como em Marcos 4:30-34, é «microteron», que pode significar «pequeno» em tamanho ou, figurativamente, «dignidade». A palavra para «semente» em ambas as passagens, «spermaton», pode significar aquilo que é semeado. Independentemente de Jesus estar a falar aramaico ou grego, continuava a referir-se a sementes que eram semeadas.
P: Em Mt 13,32 e Mc 4,30-34, como é que uma planta de mostarda pode suportar um ninho de pássaro?
R: Embora um pássaro possa construir um ninho num pequeno arbusto, se for necessário, essa não é a resposta. Uma semente de mostarda pode crescer até se tornar uma árvore com até dez pés de altura, o que é certamente grande o suficiente para um pássaro construir um ninho. Por outras palavras, o tamanho atual não está relacionado com a grandeza futura. Jesus não está a enfatizar tanto a grandeza futura do reino, mas sim os seus modestos começos na Terra.
P: Em Mt 13,33, qual é o significado do fermento neste contexto?
R: Jesus disse que o fermento nesta parábola é bom, pois representa o Reino dos Céus, enquanto noutras parábolas o fermento é mau. O princípio interpretativo importante a reter aqui é que não se pode necessariamente tomar o significado de um símbolo numa parábola e aplicar o mesmo significado a esse símbolo em todas as outras parábolas.
Alguns consideram erroneamente o fermento e as aves como maus, o que altera todo o significado da parábola, porque, enquanto símbolo, o fermento é mau ou mundano em todos os outros passagens da Bíblia. No entanto, alguns consideram as aves e o fermento como malignos, enquanto outros os veem como uma bênção.
O fermento é bom nesta parábola. Não há qualquer indicação neste capítulo de que seja mau, e está em paralelo com as outras parábolas deste capítulo.
Uma terceira perspetiva é a de que as parábolas da árvore de mostarda e do fermento são muito gerais, e que os pássaros e o fermento são neutros.
Resumo: o reino dos céus é bom, não mau. Mateus 13:33 afirma que o fermento representa o reino dos céus, pelo que o fermento nesta parábola é bom. Embora a conclusão não seja tão óbvia no que diz respeito aos pássaros, é louvável que a planta de mostarda possa servir de ninho.
P: Em Mt 13, 33, nesta parábola, por que razão a mulher desta parábola escondeu o fermento em três medidas de farinha?
R: Três pães de farinha de trigo constituem uma refeição completa para uma família. Três medidas (ou «satas», em grego) equivalem a um «efá» do Antigo Testamento, o que representa uma grande quantidade de massa, cerca de 56 libras ou 23 litros. É a quantidade que Sara preparou para os três visitantes em Génesis 18:6 e o que Gideão ofereceu ao anjo em Juízes 6:19. Basta uma quantidade muito pequena de fermento para alterar a natureza de toda a massa. A questão é que os próprios judeus sabiam que apenas uma quantidade ínfima de fermento pode fazer levedar até mesmo uma grande quantidade de massa.
P: Em Mateus 13:34, como é que Jesus falava apenas em parábolas, uma vez que noutros passos, como no Sermão da Montanha, Jesus não utilizou quaisquer parábolas?
R: Mateus 13:34 especifica que isto se referia ao momento em que Jesus falava às multidões. Ao dirigir-se aos Seus discípulos, Jesus explicava tudo. Embora as multidões também ouvissem, o Sermão da Montanha foi dirigido aos discípulos. Além disso, Mateus 13:34 refere-se ao ensinamento de Jesus nessa altura, não necessariamente antes ou depois desse período do Seu ministério.
P: Em Mt 13,38, será que todos são filhos do Reino?
R: Não. Como este versículo mostra, antes de nos convertermos a Cristo, não somos filhos do Reino. Efésios 2:3 diz que nós (incluindo Paulo) éramos filhos da ira antes de nos convertermos a Cristo.
P: Em Mt 13,44, na parábola, por que razão o homem no campo não desenterrou e levou o tesouro em segredo?
R: De acordo com a lei judaica, se alguém desenterrasse um tesouro num campo, o tesouro pertencia ao proprietário do campo, segundo Derrett (Law, p. 1-16). É claro que, se o tesouro tivesse sido enterrado pelos proprietários e estes tivessem conhecimento da sua existência, não venderiam o campo por um preço baixo. Mas se o tesouro não lhes pertencesse — como demonstrado pelo facto de não terem conhecimento da sua existência —, então o trabalhador poderia comprar o campo e ficar com o tesouro.
P: Em Mt 13,44, quem é o homem e qual é o tesouro?
R: Primeiro, o que não é a resposta e, em seguida, a resposta:
Não é a resposta: Jesus e os judeus. Alguns escritos dispensacionalistas afirmam que Jesus é o homem e que o tesouro é o remanescente dos judeus no fim dos tempos. No entanto, Jesus não entregou tudo o que possuía (divindade, etc.) nem morreu na cruz apenas pelo remanescente dos judeus. Em segundo lugar, ninguém que ouvisse a parábola a teria interpretado dessa forma; por isso, se este fosse o verdadeiro significado, nada do verdadeiro significado teria sido transmitido.
A resposta: cada indivíduo e a salvação no Reino dos Céus. Uma pessoa deve estar disposta a abdicar de tudo o que possui para obter um tesouro tão precioso como aquele que Jesus está a oferecer. Estas parábolas tratam todas do Reino dos Céus, de acordo com Mateus 13:52. Comprar o campo é uma decisão que o homem deve tomar; caso contrário, não haverá tesouro para ele.
P: Em Mt 13, 45-46, qual é o significado da parábola da pérola?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.
Não é a resposta: Jesus é o mercador e a pérola é a Igreja. No entanto, mais uma vez, será que Jesus «vendeu» tudo, incluindo a Sua divindade, pela pérola, e a quem é que a vendeu?
A resposta: Cada indivíduo que procura Deus é o mercador, e a pérola é a salvação. Os estudiosos cristãos concordam, em geral, que o trabalhador e o mercador em ambas as parábolas são a mesma pessoa, e que o tesouro e a pérola são a mesma coisa.
Ambas as parábolas partilham o mesmo ponto. Jesus disse em Mateus 13:52 que ambas as parábolas se referiam ao reino dos céus. No entanto, embora o homem tenha reconhecido o tesouro, esta parábola salienta, na verdade, que o comerciante tem de reconhecer o valor desta pérola em comparação com outras pérolas, e não perseguir as outras pérolas para se dedicar exclusivamente a esta.
P: Em Mt 13,47, qual é o significado da parábola da rede de arrasto?
R: Trata-se de uma rede muito grande, que é puxada entre dois barcos ou então presa à margem e a um barco. É muito semelhante à parábola do trigo e do joio. Todos os peixes fazem parte do mundo, mas no fim dos tempos haverá uma separação entre os peixes bons e os maus. É o senhor um peixe bom?
P: Em Mt 13,51, os discípulos estavam certos ao dizer «sim», que compreendiam estas parábolas?
R: Sim e não. Sim, os discípulos compreenderam as parábolas básicas e o simbolismo por trás delas. No entanto, não teriam a menor ideia de todas as ramificações históricas do trigo, do joio e do grão de mostarda. Mas estavam certos ao responder que sim, porque compreenderam corretamente o que Jesus pretendia que compreendessem naquele momento.
P: Em Mt 13,51, há momentos em que se sente confiante e certo de que tem uma compreensão básica de algo que Deus lhe está a ensinar, mas posteriormente descobre que não fazia ideia do que isso implicaria?
R: Um exemplo simples pode ser o casamento. Pode pensar que sabe com quem vai casar e que quer casar com essa pessoa. No entanto, com o passar dos anos, descobre que sabia muito, muito pouco sobre ela, em comparação com o que sabe agora. Esperemos que as suas surpresas tenham sido, na sua maioria, agradáveis.
Da mesma forma, se Deus o chamar para realizar uma obra de ministério para Ele, poderá ter uma compreensão básica do que Ele deseja e querer fazê-lo. Mas, à medida que exerce o ministério, descobre que quase não fazia ideia do que essa obra implicaria, nem mesmo de como isso o iria transformar.
P: Em Mt 13,52, por que razão Jesus mencionou que um escriba possui tesouros novos, bem como antigos?
R: Esta foi uma forma gentil de dizer que deviam continuar a valorizar a verdade anterior que aprenderam, bem como as coisas novas que Jesus disse. Os «escribas» aqui não constituem uma classe especial de cristãos. Pelo contrário, um escriba aqui é uma referência positiva a qualquer crente que seja um estudante sério das Escrituras.
P: Em Mt 13,52, em que medida o nosso coração se assemelha a um depósito de tesouros?
R: O depósito aqui (thesauros em grego) é um local onde guardamos memórias, decisões, emoções e valores que consideramos importantes, independentemente de Deus os considerar ou não bons ou importantes.
Fala-se de um verdadeiro depósito de tesouros, não apenas de uma caixa ou baú para guardar um único objeto na escuridão. Um depósito pode conter muitos tesouros, e estes podem ser vistos, não apenas escondidos numa caixa.
Duas tarefas que um cristão deve realizar são: a) identificar e deitar fora as coisas que se encontram no nosso «depósito» e que Deus não deseja que lá estejam, e b) encher o nosso «depósito» com as coisas boas que Deus nos ensina.
P: Em Mt 13, 53-58, Jesus não era um profeta, porque «a profecia só pode existir em Israel quando a terra é habitada por uma maioria dos judeus do mundo»? Durante o tempo de Esdras (cerca de 300 a.C.), quando a maioria dos judeus se recusou a mudar-se da Babilónia para Israel, a profecia terminou com a morte dos últimos profetas — Ageu, Zacarias e Malaquias.» (Um judeu levantou esta objeção)
R: Isso está errado por três razões:
1) Não há nenhum versículo na Bíblia que diga isso; esta regra é inventada.
2) Daniel e Ezequiel foram profetas durante o exílio. A maioria dos judeus do mundo não vivia na Palestina naquela altura. Na verdade, Daniel e Ezequiel foram profetas que viveram fora de Israel, embora Daniel tenha vivido em Judá na sua juventude.
3) Não devemos tentar dizer a Deus Todo-Poderoso o que, segundo nós, Ele pode ou não pode fazer!
Ignorando o facto de que muitos judeus viviam na Palestina na época de Cristo (se eram a maioria ou não, não sei), isso não importa, porque Deus Todo-Poderoso pode enviar um profeta sempre que quiser.
A Bíblia (tanto o Antigo como o Novo Testamento) refere várias coisas que Deus não faz (mudar de ideias em Números 23:19; 1 Samuel 15:29, etc.), mas existem apenas quatro coisas em toda a Bíblia que dizem que Deus NÃO PODE fazer. (No entanto, é necessário consultar o Novo Testamento para ler estas passagens.) Essas quatro coisas são: Deus não pode ser tentado pelo mal (Tiago 1:13), Deus não pode mentir (Hebreus 6:18), Deus não pode jurar por ninguém maior do que Ele próprio (Hebreus 6:13) e Deus não pode renegar-Se a Si mesmo (2 Timóteo 2:13). Para além disso, não vou afirmar o que Deus não pode fazer; limitarei-me a consultar a Bíblia para aprender humildemente o que Deus escolheu fazer e o que Ele escolheu não fazer.
P: Em Mateus 13:54-58, o ensinamento de Jesus era polarizador; então, quando é que o nosso ensinamento deve ser polarizador?
R: O ensinamento de Jesus parecia dividir as pessoas em dois campos: aqueles que O seguiam e aqueles que se opunham veementemente a Ele. Não vemos ninguém a ouvir a mensagem de Jesus e a dizer: «Não está mal, é apenas mais ou menos». Não devemos limitar-nos a partilhar o Evangelho e a ensinar a verdade de Deus da mesma forma que se ensina matemática ou história antiga. Devemos também ensinar a importância do Evangelho para o seu destino eterno e a urgência de não adiar a decisão de acreditar. Se verificarmos que nos tornamos menos populares junto de alguns quando o fazemos, isso significa apenas que estamos a cumprir a nossa missão.
P: Em Mt 13,55, como é que Jesus podia ter irmãos e irmãs, uma vez que (segundo a Igreja Católica) Maria foi sempre virgem?
R: Mateus 1:25 responde a isto de forma sucinta: «Mas ele [José] não teve relações com ela [Maria] até que ela deu à luz um Filho. E deu-Lhe o nome de Jesus.» Assim, Maria era virgem quando Jesus nasceu, mas Maria e José tiveram outros filhos posteriormente.
Os católicos respondem, em geral, que em muitas culturas mediterrânicas os primos também podem ser chamados de irmãos e irmãs.
No entanto, não há nenhuma passagem na Bíblia que ensine que Maria foi sempre virgem. Em contrapartida, existem outras passagens em que são mencionados os irmãos ou irmãs de Jesus: João 7:5; Gálatas 1:19; Marcos 3:31; João 2:12; e Atos 1:14. Seria estranho que, se fossem apenas primos, a palavra «primos» não tivesse sido utilizada em pelo menos uma dessas seis passagens.
Como nota histórica, os únicos dois passagens anteriores ao Concílio de Nicéia em que Maria é chamada de sempre virgem são:
Hipólito, bispo de Portus (225-235/6 d.C.), chamou a Maria de sempre virgem. Contra Berão e Helix, fragmento 8, p. 234
Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.): «de Deus, e sempre virgem, e, na verdade, de Maria, a Mãe de Deus»; Fragmento 5.7, p. 282
Foi oficialmente declarado que Maria era «sempre virgem» no Concílio de Constantinopla II (553 d.C.), cap. 2, p. 312. No mesmo ano, o Papa Vigílio afirmou o mesmo na sua carta, p. 322.
P: Em Mt 13, 55, o que fazia exatamente um carpinteiro?
R: Os carpinteiros construíam edifícios. Assim, trabalhavam tanto com pedra como com madeira. Nessa altura, os romanos estavam a construir uma nova cidade, destinada principalmente aos gentios, chamada Séforis, a norte de Nazaré, pelo que haveria muito trabalho para os carpinteiros naquela época. Assim, quando Jesus falou sobre construir sobre um bom alicerce em Lucas 6:49 e 14:29, é possível que tivesse experiência prática com alicerces.
P: Em Mateus 13:55-57, por que razão um profeta não era honrado na sua cidade natal?
R: Lembre-se de que, da última vez que Jesus falou na Sua cidade natal, eles quiseram atirá-Lo de um penhasco. Jesus não estava a dar uma ordem nem a fazer uma profecia, mas sim a fazer uma observação. Os profetas não eram muito estimados entre as pessoas com quem cresceram. Para alguém que cresceu no mesmo lugar e teve muitas das mesmas experiências, pode ser difícil acreditar que Deus possa usar pessoas comuns de uma forma extraordinária. Infelizmente, há alguma verdade no ditado de que «a familiaridade pode gerar desprezo». O escritor grego Píndaro tinha um ditado semelhante sobre a fama que se desvanece no seio da família. (Odes de Píndaro, Ode 12:3)
Um aspeto relacionado é que pareciam mais preocupados com a fama e a popularidade de um conterrâneo do que em prestar atenção ao que Jesus realmente tinha para dizer. Uma característica da natureza humana é que é demasiado fácil para as pessoas em geral, incluindo nós, concentrarmo-nos em coisas periféricas ou triviais e perdermos de vista o ponto principal e importante.
P: Em Mt 13,58, de que forma a falta de fé das pessoas limitou os milagres de Jesus?
R: Este versículo não diz que Deus Todo-Poderoso fosse incapaz de realizar um milagre aqui. Pelo contrário, Jesus optou por não realizar nenhum milagre aqui devido à falta de fé deles. Não é que Jesus não pudesse realizar milagres; afinal, Jesus caminhou sobre as águas, ressuscitou Lázaro, ressuscitou dos mortos, etc., sem que ninguém acreditasse que Ele fosse capaz de fazer essas coisas. Pelo contrário, por que razão Jesus abençoaria as pessoas quando estas não tinham qualquer desejo de serem abençoadas por Ele?
P: Em Mt 14, por que razão a morte de João Batista é colocada neste ponto específico do Evangelho de Mateus?
R: Embora isso não seja explicitado, e Mateus pudesse ter colocado este flashback em qualquer lugar, talvez a razão pela qual o colocou aqui seja para sugerir por que razão Jesus quis afastar-se do público naquele momento. Jesus sabia que viriam para O matar e queria esperar até ter cumprido as outras coisas antes de ser crucificado. Além disso, a partir deste ponto, Mateus e Marcos apresentam a mesma ordem de acontecimentos que se encontra em ambos.
P: Em Mt 14, 3-4, por que razão, exatamente, João Batista denunciou Herodes Antipas?
R: Primeiro, o contexto genealógico e, em seguida, a resposta.
Contexto:
Herodes Antipas (= Herodes, o Tetrarca): filho de Herodes, o Grande, e de Malthace, uma das suas dez esposas. Herodes Antipas governou a Galileia e a Peréia sob o domínio romano de 4 a.C. a 39 d.C. Ele desejava ser intitulado rei, o que o colocou em conflito com o imperador Calígula.
Aretas IV, o nabateu: Herodes Antipas era casado com a filha de Aretas IV, Phasaelis, rei dos árabes nabateus na atual Jordânia. Divorciar-se dela para casar com Herodias era uma verdadeira bomba-relógio política, mas, pelo menos, ele vivia com Herodias. Mais tarde, houve confrontos entre Herodes Antipas e o rei Aretas, tendo Aretas levado a melhor até à intervenção dos romanos.
Filipe: filho de Herodes, o Grande, e de Mariamne II.
(Filipe vivia em Roma e não deve ser confundido com outro filho de Herodes, o Grande, chamado Filipe, o Tetrarca da Itureia e da Trachonítida, mencionado em Lucas 3:1)
Aristóbulo: filho de Herodes, o Grande, e de Mariamne I.
Herodias: filha de Aristóbulo e da sua esposa Berenice. Ela divorciou-se do seu primeiro marido para ficar com Herodes Antipas.
A resposta: Herodes Antipas era meio-tio de Herodias, mas isso era permitido de acordo com Levítico 18:1-17 e 20:12,14. Divorciar-se de uma esposa era permitido nos tempos do Antigo Testamento. O problema era que Levítico 18:16 proíbe especificamente casar com a mulher do seu irmão, e Herodias era a mulher de Filipe, irmão de Herodes Antipas, e Filipe ainda estava vivo.
Como afirma o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 670: «Herodias sabia que “o único local onde a sua certidão de casamento poderia ser redigida com segurança era no verso da sentença de morte de João”» (de T.W. Manson, «The Servant Messiah», p. 40).
Mais tarde, quando os nabateus derrotaram o exército de Herodes em 36 d.C., Josefo escreveu em «Antiguidades dos Judeus», livro 18, cap. 119.2, que os judeus consideraram isso um castigo de Deus sobre Herodes Antipas.
P: Em Mt 14, 6-12, por que razão consta este relato macabro na Bíblia?
R: Por vezes, as pessoas podem ter uma visão artificialmente idílica da vida na Terra. A vida, por vezes, é horrível quando pessoas más estão no poder. Podemos aprender aqui que mesmo crentes como João Batista podem sofrer consequências injustas nesta vida.
Em segundo lugar, compare a coragem de João Batista ao denunciar o governante com a covardia de Herodes, que não queria nem libertar João nem executá-lo. Herodes parece-se um pouco com o rei Acabe, que era ao mesmo tempo ímpio e fraco.
Após este acontecimento, observa-se aqui uma mudança no ministério de Jesus. Jesus concentrou-se em instruir os discípulos para o período após a sua morte, e não temos registo de mais nada que Jesus tenha feito para convencer os governantes e o povo judeus de que Ele era o Messias.
P: Em Mt 14, 6-12, não estragaria o ambiente festivo trazer uma cabeça decepada?
R: Alguns acusaram Mateus e Marcos de serem falsos por relatarem isto. No entanto, isto é típico das vidas macabras da realeza. Por exemplo, Cícero opunha-se politicamente a Marco António. Quando a cabeça do orador Cícero foi levada a Fulvia, esposa de Marco António, esta cuspiu-lhe e perfurou-lhe a língua com um alfinete. Um segundo exemplo é quando Alexandre Janeu, rei hasmoneu e sumo sacerdote, realizou um banquete público com as suas concubinas e ordenou que 800 rebeldes fossem crucificados, matando primeiro as suas esposas e filhos, em público.
P: Em Mt 14,15, uma vez que se tratava de um deserto, por que razão havia relva no versículo 19?
R: Não se tratava de um deserto árido, mas sim de um local deserto. Além disso, a Palestina tem duas estações: a chuvosa e a seca, e este episódio ocorreu provavelmente durante a estação chuvosa. A estação chuvosa não apresentava monções como as do Sudeste Asiático, mas o rio Jordão estava demasiado cheio para ser atravessado naquela altura e haveria muita relva verde em locais que, para nós, pareceriam um deserto durante a estação seca.
Além disso, a palavra grega opsios, traduzida como «anoitecer», refere-se a qualquer momento entre o meio da tarde e logo após o pôr-do-sol.
P: Em Mt 14, 24-32, como devem os cristãos enfrentar as tempestades?
R: Esta passagem é instrutiva sobre como enfrentar tempestades e como NÃO as enfrentar.
1. Não se deixem aterrorizar quando Deus realiza uma obra inesperada (14:25-26).
2. Quando Jesus nos diz para termos coragem, devemos ter coragem e agir com destreza (14:27-28).
3. Temos de obedecer a Jesus, sabendo que Ele não só é maior do que os perigos que nos rodeiam, mas também do que os nossos medos, dúvidas e fraquezas (14:29).
4. Olhem para Jesus, não para o vento e as ondas, nem para outros possíveis perigos (14:30). Os perigos não são imaginários, mas olhem para Jesus na mesma.
5. Quando cometemos um erro ou temos dúvidas, devemos clamar a Jesus para que nos salve (14:30-32).
6. Depois de estarmos a salvo, não se esqueçam de adorar a Deus (14:33).
P: Em Mt 14:25, a que hora correspondia a quarta vigília da noite?
R: Enquanto os antigos hebreus dividiam a noite em apenas três vigílias, os romanos dividiam-na em quatro vigílias, sendo que a quarta vigília correspondia aproximadamente ao período entre as 3h00 e as 6h00 da manhã.
P: Em Mt 14, 29-31, por que razão a fé de Pedro foi tão forte e, em seguida, tão fraca?
R: Pedro estava disposto a obedecer por um momento, e a sua fé era suficientemente forte naquele momento para acreditar, olhar para Jesus e sair do barco. Mas quando essa fé precisou de se manter para continuar a caminhar sobre as águas, foi então que surgiu aquela vacilação.
P: Em Mt 15, 1-3, Jesus era contra a lavagem das mãos?
R: Não. Embora Jesus não fosse contra a higiene, opunha-se a elevar a lavagem das mãos ao nível de uma cerimónia religiosa. Hoje em dia, outras práticas saudáveis, tais como uma boa alimentação, ervas medicinais e exercício físico, são aceitáveis, mas também podem tornar-se ídolos se as pessoas adorarem a sua saúde em vez de Deus.
P: Em Mt 15,3-6, de onde teve origem a ideia de qorban/corban (em grego, korban)?
R: A própria palavra e o conceito de dedicar algo a Deus encontram-se em Levítico 1:2-3, 2:1, 3:1 e Números 7:12-17. No entanto, os fariseus permitiam que alguém se eximisse da responsabilidade de cuidar dos seus pais, dedicando a Deus a ajuda que prestaria aos pais.
Os fariseus, neste caso, tinham prioridades confusas. Permitir que alguém dedicasse coisas a Deus recebia maior prioridade do que fazer o que Deus desejava, o que inclui cuidar dos pais. Isto pode acontecer quando as pessoas se preocupam mais em obedecer a uma tradição do que em obedecer a Deus.
P: Em Mt 15,7, o que é exatamente um hipócrita?
R: Originalmente, este não era um termo pejorativo. Era um termo grego que designava um ator numa peça. Todos os atores usavam máscaras e desempenhavam o seu papel numa comédia, numa tragédia ou em qualquer outro género que o guião exigisse naquele momento. Esta é a primeira vez que Jesus chamou hipócritas aos fariseus e aos mestres da lei. Jesus utiliza este termo num sentido pejorativo, dizendo que as pessoas estão a colocar uma máscara para aparentarem ser devotas a Deus, mas, interiormente, estão apenas a encenar um espetáculo.
P: Em Mt 15,8, por que razão as pessoas optam por aproximar-se de Deus com os lábios, quando os seus corações estão longe d’Ele?
R: As pessoas aproximam-se da religião — e, nominalmente, de Deus — por todo o tipo de razões, e nem todas são as melhores. Algumas vêm em busca do elogio dos outros, outras fazem-no pelo dinheiro e outras ainda para encontrar um marido ou uma esposa.
Algumas desejam uma carreira em que possam ajudar os outros, e esse é o seu principal objetivo, e não porque tenham amor por Deus. Quando tal é o caso, existem muitas instituições de caridade meritórias, tais como a Cruz Vermelha, o Corpo da Paz, a Goodwill ou a UNICEF. Devem juntar-se a essas organizações e não fingir que amam a Deus ao pretenderem trabalhar através de uma igreja cristã.
A título de nota adicional, a Bíblia diz que os cristãos devem ajudar os pobres, os desfavorecidos, os órfãos, etc. Isto não significa que devamos doar dinheiro apenas a organizações cristãs. É bom apoiar também organizações comunitárias de caridade que não estejam associadas a nenhuma religião.
P: Em Mt 15,9, quando é que as tradições dos homens são boas e quando é que são más?
R: As tradições transmitem crenças e opiniões do passado para as doutrinas e leis das gerações seguintes. Podem ser boas ou más, se camuflarem a Palavra de Deus. Há quatro pontos a considerar na resposta.
Mau: Se a tradição do passado era errada ou má, então o erro e, talvez, os pecados estão a ser aprendidos e copiados. A Bíblia fala de tradições pecaminosas, tais como a «Rainha do Céu» em Jeremias 44:17-19.
Vãs: Mais frequentemente, as tradições são simplesmente inúteis (Colossenses 2:16-19). Se levadas a sério, estas tradições podem diluir a devoção a Deus. A Bíblia fala de tradições vãs e enganosas em Colossenses 2:8 e 1 Timóteo 1:4.
Corban: Mesmo que a opinião ou prática do passado não fosse contrária às Escrituras, as pessoas têm a tendência de equiparar a tradição humana às Escrituras, e o que outrora era opinião humana torna-se agora, aos olhos das pessoas, «Deus diz», e a prática humana, talvez muito apropriada para um determinado momento e circunstâncias, torna-se alegadamente a «Lei de Deus» para todos os tempos e circunstâncias. A tradição chega mesmo a prevalecer sobre a palavra de Deus para algumas pessoas, como aquelas que praticavam o «Corban» em Marcos 7:10-13.
Lei de Deus: Devemos seguir o que Deus ordenou, como o batismo em água e a Ceia do Senhor. No entanto, não devemos segui-lo por se tratar de uma tradição cristã, mas porque Deus assim o deseja. Devemos ter o cuidado de não elevar o símbolo acima da realidade. Não devemos limitar-nos a seguir regras (Marcos 7:6-7), mas servimos segundo o novo modo do Espírito, e não segundo o antigo modo do código escrito (Romanos 7:6; 2:29; Colossenses 2:14).
P: Em Mateus 15:10-20 e Marcos 7:15-23, por que razão Jesus invalidou aqui os mandamentos alimentares do Antigo Testamento?
R: Jesus não invalidou os mandamentos alimentares do Antigo Testamento, mas sim substituiu-os. Há quatro pontos a considerar aqui.
1. Embora Jesus e os Seus discípulos por vezes infringissem as tradições criadas pelo homem dos fariseus, eles próprios viviam em obediência à Lei do Antigo Testamento.
2. Mesmo no âmbito do Antigo Testamento, Deus preocupava-Se com a obediência deles, e a sua alimentação era apenas uma forma — mas não a única — de demonstrarem essa obediência.
3. Depois de a ressurreição de Jesus ter dado início a um novo período, os discípulos não optaram por comer todo o tipo de carne. Um anjo de Deus desceu e instruiu um Pedro relutante a comer, em Atos 10:11-16. Quem era Pedro para contestar um anjo do Céu?
4. Os muçulmanos não deveriam ter qualquer problema com esta resposta, uma vez que Maomé alegadamente fez o mesmo. Ele falou de leis revogadas (embora a revogação seja um conceito um pouco diferente da Nova Aliança estabelecida por Jesus). Além disso, ele demonstrou que os muçulmanos podiam comer carne de camelo, e o Antigo Testamento considera a carne de camelo da mesma forma que a carne de porco (Levítico 11:4, 7, 26; Deuteronómio 14:7, 8).
P: Em Mateus 15:11, 17-18, como é que apenas o que sai é que contamina?
R: O contexto é apresentado em Mateus 15:20, onde os fariseus estavam preocupados com o facto de comer com as mãos sujas e Jesus estava preocupado com a pureza interior.
Se estivesse a cozinhar algo num recipiente e fosse adicionando líquido aos poucos e retirando-o aos poucos, provaria o líquido à entrada ou à saída para verificar se o interior estava à temperatura certa e dentro das especificações? É claro que deveria provar o líquido à saída. Da mesma forma, Jesus estava a dizer para não se preocuparem demasiado com a alimentação, porque é o que sai de si que pode contaminar.
P: Em Mt 15,12, não seria estranho que alguns dos fariseus saíssem de Jerusalém para procurar Jesus apenas para lhe pedir a sua opinião sobre higiene pessoal?
R: Não era disso que se tratava. A pergunta era apenas um pretexto para tentar armar uma armadilha a Jesus. A questão não era a higiene pessoal; eles não tinham uma teoria dos germes como causa das doenças. Tratava-se, antes, das suas adições às regras relativas às abluções cerimoniais. Eles viam Jesus como uma ameaça à sua preeminência ao dizer às pessoas qual era a vontade de Deus para elas.
P: Em Mt 15,12, por que razão Jesus não se preocupou em fazer com que os fariseus se sentissem mal?
R: Jesus estava ciente disso, mas estava mais interessado em revelar a verdade do que no que os fariseus pensavam. Mas, para além disso, Jesus estava preocupado; Ele queria que eles se sentissem mal. Em Mateus 23, em particular, Jesus repreendeu-os veementemente por duas razões distintas. Uma vez que ouviram a repreensão, talvez alguns parassem, refletissem sobre as palavras de Jesus e se arrependessem. Em segundo lugar, independentemente do arrependimento dos fariseus, as multidões ouviriam e saberiam que não deviam confiar nos fariseus que rejeitaram Jesus.
P: Em Mt 15,14, por que razão Deus permite, por vezes, que os cegos sejam guiados por cegos?
R: Como alguém disse, não há ninguém tão cego como aqueles que se recusam a ver. Deus permite que as pessoas vão para onde querem ir. Uma pergunta mais pertinente é: por que razão os cegos permitem, ou até preferem, ser guiados por outros cegos?
P: Em Mt 15, 21-29 e Mc 7, 24, por que razão Jesus foi a Tiro e Sidónia?
R: À primeira vista, estas cidades não judaicas parecem estar bem fora do caminho de Jesus. Os versículos seguintes mostram que Ele tinha de expulsar um demónio (Marcos 7:29) e que muitas pessoas da costa fenícia ouviram Jesus. Tiro situava-se na costa, a cerca de 35 milhas (56 km) do Mar da Galileia, e Sidónia também se situava na costa, a 25 milhas (40 km) de Tiro e a 60 milhas (96 km) a noroeste do Mar da Galileia.
P: Em Mt 15,21-28, quando a «mulher de Canaã» pediu a Jesus que tivesse misericórdia dela, Jesus disse: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Por que razão só encontramos isto em Mateus? E também a ordem de Jesus aos Seus discípulos: «Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entreis em nenhuma cidade dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mt 10, 5-6)? Serão estas duas palavras de Jesus verdadeiras, apesar de contradizerem a Sua mensagem de salvação universal? Ou serão uma invenção ou criação das primeiras comunidades eclesiais?
R: Não, não há motivo para duvidar de Deus e pensar que Ele permitiu que a Sua palavra fosse «substituída» por invenções ou criações das primeiras comunidades eclesiais. Na verdade, estas duas coisas encaixam-se claramente no ministério de Jesus. Antes da Sua crucificação, foi dada ao povo judeu a oportunidade de aceitar o seu Messias e abrir o caminho para todos os gentios. Mesmo no ministério de Paulo, este dirigia-se primeiro à sinagoga judaica e, só depois, aos gentios.
No entanto, se observar num mapa, a região de Tiro e Sidónia situa-se bem fora da terra de Israel. Assim, Jesus desviou-se consideravelmente do seu caminho para visitar aquela mulher cananeia (ou siro-fenícia). Ao visitar a mulher, Jesus demonstrou, portanto, que a Sua mensagem se destinava também aos não-judeus.
P: Em Mt 15,21-22 e nos evangelhos em geral, vemos que Jesus promete a salvação a todas as pessoas, sem qualquer distinção ou discriminação entre elas, quer fossem judeus, gentios ou pagãos; mas, em Mateus, verificamos que o foco está nos judeus no que diz respeito à salvação. O que pensa sobre isto?
R: Observe a cronologia. Há três pontos a ter em conta.
1) Em todos os evangelhos, e não apenas em Mateus, antes da crucificação, Jesus pregava principalmente aos judeus, para dar ao povo judeu a oportunidade de aceitar o Messias.
2) Após a ressurreição de Jesus, o evangelho deveria ser pregado a todos os judeus e gentios. A ordem que Jesus deu em Atos 1:8 foi «Jerusalém, depois toda a Judeia (onde se encontravam os judeus), depois Samaria (meio-judeus) e, por fim, até aos confins da terra».
3) No entanto, embora os gentios e os samaritanos não fossem os principais grupos a alcançar antes da crucificação, Jesus continuava a partilhar a mensagem com eles sempre que os encontrava. Por exemplo, não só a mulher de Tiro e Sidão (Marcos 7:24-30), como também o endemoninhado de Gerasa, no lado oriental (não judeu, onde se criavam porcos) do Mar da Galileia, em Marcos 5:1-20. Jesus alimentou 5 000 pessoas no lado judeu (oeste) do Mar da Galileia, em Mateus 14:13-21; Marcos 6:30-44; Lucas 9:10-17; João 6:8-12, e Jesus realizou uma segunda alimentação de 4 000 pessoas no lado não judeu (leste) do Mar da Galileia, em Mateus 15:32-38 e Marcos 8:2-9.
Mas agora devemos partilhar o evangelho com todos, independentemente de serem judeus, árabes, europeus, asiáticos ou qualquer outra pessoa.
P: Em Mt 15,21-22, no caso da mulher cananeia, estará Jesus aparentemente a dizer que deviam amar apenas os judeus e aqueles que adoravam Deus da forma aprovada? (O muçulmano Ahmad Deedat também aborda esta questão.)
R: Não, isso é difícil de sustentar, uma vez que Jesus fez um grande desvio para se deslocar até à região de Tiro e Sidónia.
Jesus foi enviado primeiro às ovelhas perdidas de Israel, mas mais tarde atravessou o Mar da Galileia (várias vezes). O significado disto é que, no lado ocidental do Mar da Galileia, viviam principalmente judeus, enquanto no lado oriental viviam gentios, incluindo criadores de porcos pagãos. No entanto, mesmo antes disso, os samaritanos não adoravam Deus da forma aprovada, e Jesus falou com a mulher samaritana no início do Seu ministério.
P: Em Mt 15,24, Jesus destinava-Se apenas aos judeus e não a todos?
R: Não. Jesus dirigiu-Se primeiro às ovelhas de Israel, mas também afirmou ter outras ovelhas, que não pertenciam a este rebanho, em João 10:16. Jesus deslocou-Se para muito além de Israel, até à região de Tiro e Sidónia, quando proferiu as palavras de Mateus 15:24, para visitar uma mulher siro-fenícia. Além disso, muitos samaritanos acreditaram em Jesus, conforme se pode ver em João 4:39-42. Mais tarde, Jesus pregou e alimentou esses não-judeus na margem oriental do Mar da Galileia. Posteriormente, Jesus afirmou que atrairia todos os homens para Si, em João 12:32. A forma como Jesus inicialmente pregou primeiro aos judeus foi também seguida por Paulo, que, em geral, proclamava a Palavra de Deus primeiro aos judeus e depois aos gentios.
P: Em Mateus 15:24-26, Jesus foi racista por comparar a mulher cananeia (siro-fenícia) a cães? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão)
R: Vamos fazer uma pergunta em troca. Onde estava Jesus quando disse que tinha sido enviado apenas às ovelhas perdidas da Casa de Israel? A resposta é que Ele tinha saído de Israel e percorrido mais de 30 milhas (em linha reta) por cima ou à volta das montanhas para chegar a Tiro, que não era nem nunca tinha sido uma cidade israelita. Jesus foi até lá para falar, não com uma mulher judia que vivia fora de Israel, mas com uma mulher claramente identificada como gentia. Mas, tendo feito um esforço extra (ou 30 milhas, na verdade), Jesus queria que ela tivesse a certeza de que não estava a receber algo a que tinha direito, mas sim algo por graça. A propósito, a palavra grega para «cão» aqui, em Mateus 15:26, tem o significado de «cachorrinho» ou «cão de colo», e não de cão selvagem.
P: Em Mt 15,21-29 e Mc 7,27-29, o que é que Jesus e a mulher siro-fenícia estavam exatamente a dizer?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Depois de Jesus ter viajado até à costa fenícia, a mulher pediu-Lhe uma coisa: que expulsasse o demónio da sua filha. Note-se que não havia indícios de que esta mulher de etnia siro-fenícia, a quem se referiam como grega, se tivesse convertido ao judaísmo, ou sequer acreditasse no Deus verdadeiro.
2. Depois de Jesus ter percorrido todo este caminho, a milhas de distância de Israel, informou-lhe sem rodeios que a mensagem de Deus era transmitida através dos judeus, que deveriam ser curados em primeiro lugar (Marcos 7:27). Por outras palavras, Jesus não iria conceder-lhe o que ela pedia sem que ela se comprometesse a acreditar na mensagem de Deus, tal como foi transmitida aos judeus.
3. Ela consentiu humildemente em aproximar-se de Jesus nos termos dele, e não em quaisquer outros termos. Também nós precisamos de ter fé na graça de Deus.
4. Embora tanto os gentios como os cães não fossem tidos em grande consideração pelos judeus, Jesus não utilizou aqui o termo habitual para «cão». Esta palavra traduz-se melhor como «cachorrinho» ou «cachorro». Os romanos e os gregos, por sua vez, tinham os cães em grande consideração. Jesus utilizou um «duplo sentido»: a baixa consideração por parte dos judeus, combinada com a elevada consideração e afeto por parte dos gentios, ao compará-la a um animal de estimação carinhoso. No entanto, Jesus deixou claro que a Sua mensagem se dirigia, em primeiro lugar, aos judeus. Se Deus abençoou grandemente outra pessoa, e não a nós, devemos, ainda assim, regozijar-nos pelas bênçãos que Deus nos concedeu.
Em resumo, a longa caminhada de Jesus, combinada com as Suas palavras secas, ilustra de forma belíssima o paradoxo de que Jesus percorrerá grandes distâncias para chegar até nós, mas temos de nos aproximar Dele sem orgulho, nos Seus termos, e não nos nossos.
P: Em Mt 15:24, estas «ovelhas perdidas de Israel» referem-se a pessoas que alegadamente migraram de Israel para a América por volta da época do Exílio, tal como ensinado pelo mórmon Joseph Fielding Smith em «Doctrines of Salvation» (1975), vol. 3, p. 214?
R: Não. Essa interpretação era totalmente desconhecida para quaisquer judeus ou cristãos. Jesus não se referia a pessoas que estavam geograficamente perdidas, mas àquelas que estavam espiritualmente perdidas. Jesus era um salvador, não um GPS. Jesus disse aos seus discípulos: «Ide antes às ovelhas perdidas de Israel…» (Mateus 10:6-7), e eles cumpriram isso nos dias seguintes, percorrendo Israel, sem apanharem um avião para voar para a América.
P: Em Mt 16, 1.4, por que razão foi errado pedir a Jesus um sinal do Céu?
R: Para os discípulos, deve ter parecido estranho que os fariseus e saduceus pedissem um sinal logo após Jesus ter realizado todos aqueles milagres, muitos deles na presença dos próprios fariseus e saduceus. Aparentemente, estavam a tentar dizer que todos os sinais e milagres anteriores não eram suficientes, mas que apenas mais um poderia, talvez, satisfazer os seus critérios. A palavra grega para «prova» aqui, no sentido de que queriam pôr Jesus à prova, é a mesma palavra que Mateus 4, 1 utiliza para referir-se a Satanás a tentar Jesus. Os milagres de Jesus já tinham ajudado os coxos, os cegos e os possuídos por demónios, e os fariseus pediram um sinal do Céu que não ajudaria ninguém. Jesus recusou-se a realizá-lo a pedido deles.
P: Em Mt 16,2-4, o que tem o ciclo da tarde e da manhã a ver com os sinais dos tempos?
R: O ciclo previsível do dia e da noite é uma verdade muito simples que até as crianças conseguem observar. Jesus está a dizer que também existem outros ciclos, tais como os sinais da Sua vinda, seguidos da Sua vinda. Jesus virá uma segunda vez, e muitos dos sinais que antecederam a primeira vinda também estarão presentes antes da segunda vinda. Jesus não estava a dizer que os fariseus e os saduceus eram cegos, nem que não fossem inteligentes. Na verdade, elogiou a sua capacidade de observar o tempo e de fazer as contas para prever o tempo. Mas essas mesmas pessoas não conseguiam fazer as contas espiritualmente no que diz respeito aos sinais dos tempos. Ou não conseguiam, ou talvez simplesmente não quisessem.
P: Em Mt 16, 3-4, quais são outros casos em que alguém pode ver todos os factos e detalhes, mas, mesmo assim, estar cego quanto ao significado e às conclusões?
R: Um exemplo é o facto de, apesar das revoltas frequentes, do descontentamento geral da população com os governantes romanos e da insensibilidade dos imperadores, os saduceus e os fariseus ainda não terem percebido que o fim da Judeia, tal como a conheciam, estava próximo. Em 70 d.C., toda a população de Jerusalém foi morta ou reduzida à escravidão. Quinze anos depois, os saduceus estavam extintos.
Outro exemplo é o grande tsunami ao largo da costa ocidental de Sumatra. Quando as águas do oceano recuaram, muitos animais não compreenderam o que se estava a passar e fugiram para o interior. No entanto, alguns turistas, que deveriam ser mais inteligentes do que os animais, estavam lá fora com câmaras a tirar fotografias do oceano que recuava.
Durante o furacão de categoria 5 na Flórida, um homem possuía dois carros caros, cujo valor total ascendia a 500 000 dólares americanos. Teve uma semana para retirar os carros, mas, em vez disso, limitou-se a deixá-los na garagem. A garagem foi destruída, os carros capotaram e ficaram destruídos.
Uma pergunta que devemos fazer a nós próprios é esta: se outra pessoa estivesse a observar a nossa vida, talvez 30 anos mais tarde, com o que ficaria surpreendida ao descobrir que nós conseguíamos ver todos os sinais, mas não fazíamos a mínima ideia do que iria acontecer? Isto pode ser a nível físico (alimentação, falta de exercício), relacional (a forma como tratamos o nosso cônjuge) ou espiritual (a ligeireza com que encaramos algumas das responsabilidades que Deus nos confiou).
P: Em Mt 16,4, qual foi, exatamente, o sinal do profeta Jonas?
R: A questão era que não houve nenhum sinal milagroso, a não ser o testemunho deste homem piedoso.
P: Em Mt 16,7-11 e Mc 6,52, qual foi o significado dos cinco pães e dos 5 000, e dos sete pães e dos 4 000?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
Jesus é o Pão da Vida. Uma vez que Ele conseguiu alimentar tantas pessoas, elas não precisam de se preocupar se levaram ou não pães consigo.
Em geral, Jesus tem cuidado deles, e não devem temer que Deus seja incapaz ou não esteja disposto a cuidar deles no futuro.
Reensinar a mesma lição, uma vez que Marcos refere que os discípulos não compreenderam o significado da alimentação da primeira vez.
Podem estar aqui duas mensagens: uma de que Deus alimenta os judeus e outra de que Deus alimenta os gentios.
Muitas pessoas mais pobres preocupavam-se com a forma como iriam conseguir comida todos os dias. Se um pescador, que trabalhava seis dias por semana, não apanhasse nenhum peixe num determinado dia, não ganharia dinheiro nesse dia. No entanto, mesmo depois de terem visto Jesus alimentar os 5 000 e, depois, os 4 000, continuavam preocupados em ter comida suficiente. Por vezes, velhos hábitos e padrões, como a escassez ou a dor, continuam a pairar na nossa mente, mesmo quando os tempos são diferentes. Isto revela uma falta de confiança de que as coisas são diferentes com Jesus e de que Deus pode mudar as coisas. «Pouco é muito se Deus estiver nisso».
P: Em Mt 16, 7-11 e Mc 8, 19-20, qual é, segundo Jesus, o significado destes números?
R: Alguns poderão ver um significado místico nos cinco pães, nos 5 000 e nos cinco livros da Lei para os judeus na primeira alimentação, e nos 7 pães (um número perfeito) e nos 4 000 (sendo que o 4 representa, talvez, os quatro cantos da terra) na segunda alimentação, destinada principalmente aos gentios.
No entanto, há uma explicação muito mais simples. Com Jesus, um número muito reduzido de pães consegue alimentar um número muito elevado de pessoas.
P: Em Mt 16,8, por que razão disse Jesus que eles tinham pouca fé nesta ocasião?
R: Não estavam preocupados com a sua alimentação devido às suas limitações de conhecimento, tendo em conta tudo o que viram. Em vez disso, estavam concentrados nos seus problemas de curto prazo e perderam de vista o que Deus pode fazer.
Por vezes, hoje em dia, os cristãos podem sentir-se ansiosos, não porque não tenham aprendido o suficiente, mas porque estão tão concentrados nos seus problemas que perdem o foco em Deus.
P: Em Mt 16,11-12, em que medida o ensinamento dos fariseus e dos saduceus se assemelha ao fermento no pão?
R: Pode ser um aditivo muito pequeno, mas ter um grande efeito em todo o pão. Da mesma forma, alguns ensinamentos podem ser um pequeno aditivo, mas ter um grande efeito negativo.
Sem dúvida que os fariseus e os saduceus ensinavam algumas coisas boas; ambos acreditavam num único Deus e que Ele criou todas as coisas, por exemplo. Mas a parte negativa podia impregnar tanto o seu ensinamento que Jesus não disse para distinguir entre o bom e o mau, para aceitar o bom e rejeitar o mau. Pelo contrário, mesmo o pequeno «fermento» presente no seu ensinamento era tal que Jesus disse para se afastarem completamente deles.
Os saduceus possuíam alguma verdade, pois aceitavam a Torá. No entanto, quem aprendesse com os saduceus tenderia a duvidar da palavra de Deus, porque os saduceus negavam o resto do Antigo Testamento e, de acordo com Atos 23:8, negavam a ressurreição, os anjos e os espíritos.
P: Mateus 16:11-12 indica uma autoria tardia, uma vez que o autor não conseguiu distinguir entre os fariseus e os saduceus?
R: Ao contrário do que afirmam alguns críticos liberais, não é esse o caso. Os saduceus desapareceram como grupo no prazo de 15 anos após a destruição de Jerusalém pelos romanos, em 70 d.C. Um autor provavelmente só se referiria aos saduceus se estivesse familiarizado com os acontecimentos anteriores a essa data. Se Mateus nunca se tivesse referido aos saduceus, o facto de não os mencionar apontaria, na verdade, para uma autoria tardia. Embora disponhamos, no máximo, de algumas páginas em toda a literatura que descrevem os saduceus, Mateus estaria familiarizado com eles e saberia se estes tinham feito causa comum com os fariseus contra Jesus, tal como em épocas muito posteriores, quando os romanos e os visigodos fizeram causa comum contra os hunos, ou os católicos e os protestantes fizeram causa comum contra o exército turco. Mateus também escreve sobre eles em Mateus 3:7; 16:1, 6, 11, 12. Dizer para ter cuidado com os ensinamentos de dois grupos não significa que o autor fosse incapaz de distinguir entre os dois grupos. Politicamente, hoje em dia, devemos ter cuidado com os ensinamentos da extrema-esquerda e da extrema-direita. Mas isso não significa que sejam a mesma coisa.
P: Em Mt 16, 13-14 e Mc 8, 27-29, por que razão Jesus quis saber quem os outros diziam que Ele era?
R: Jesus não se deu ao trabalho de perguntar quem os fariseus e os saduceus pensavam que Ele era; não fazia sentido. Em vez disso, Jesus perguntou quem as pessoas na multidão pensavam que Ele era. O local onde Ele perguntou aos discípulos foi Cesareia de Filipe, uma cidade construída a norte da Galileia, na atual Síria, numa planície situada diretamente a sul do Monte Hermon, a cerca de 25 milhas a norte do Mar da Galileia e a 5 milhas a leste do rio Jordão. Havia duas cidades chamadas Cesareia, e esta situava-se no território governado por Herodes Filipe, irmão de Herodes Antipas. Esta Cesareia possuía um templo religioso em honra do falecido imperador romano César Augusto. Se as pessoas daquele local honravam Augusto, um homem comum que não realizava milagres, como se fosse um deus, o que diriam as pessoas sobre Jesus? A isto chama-se o método socrático de ensino, que consiste em fazer perguntas. Muitas vezes, é útil fazer uma pergunta cuja resposta já se conhece. Isso pode revelar o que o interlocutor pensa e até ajudá-lo a organizar os seus pensamentos. Quando Jesus perguntou «quem dizem “vocês” que eu sou?», o «vocês» é no plural, pelo que Jesus se dirigia a todos os discípulos em conjunto. No entanto, sabemos apenas que foi Pedro quem respondeu.
P: Em Mt 16,16-17, como é que Pedro só soube isto pelo Espírito Santo?
R: Aparentemente, Pedro ainda não tinha ouvido Jesus afirmar isto explicitamente. Pedro não disse: «Penso que...» ou «Espero que...», mas sabia com certeza. Além disso, uma coisa seria alguém dizer esta afirmação a Pedro e outra seria Pedro acreditar nisso por si próprio.
P: Em Mt 16, 18, em que é que os católicos romanos e os protestantes podem concordar neste versículo?
R: Há sete pontos em que católicos e protestantes deveriam todos conseguir chegar a um consenso.
1) Pedro é a rocha sobre a qual a Igreja está edificada. A Igreja está, sem dúvida, edificada sobre a «rocha» deste apóstolo; afinal, a Igreja está edificada sobre o fundamento de todos os apóstolos e profetas, de acordo com Efésios 2:20a. Pedro é um dos principais fundamentos da Igreja, mas não é o único, pois Apocalipse 21:14 afirma que existem doze fundamentos da cidade da Nova Jerusalém, e estes representam os doze apóstolos de Jesus.
2) Não há aqui quaisquer sucessores de Pedro. Mateus 16:16-18 nada diz sobre quaisquer sucessores de Pedro. Na verdade, nenhum versículo bíblico faz referência a sucessores de Pedro.
3) Jesus, e não Pedro, é a pedra angular. Pedro não é uma «rocha» mais importante do que o próprio Jesus, a pedra angular, tal como afirma Efésios 2:20b. Tal como uma rocha firmemente colocada sobre outra, o próprio Pedro disse-nos que a rocha ou pedra angular é Jesus em Atos 4:10-11 e 1 Pedro 2:6-7, tal como faz Paulo em 1 Coríntios 10:4. Pedro nunca escreveu que ele próprio era uma «rocha» ou a pedra angular, mas Paulo afirmou que todos os apóstolos eram o alicerce em Efésios 2:20, embora Cristo fosse a pedra angular. No entanto, embora Jesus seja a pedra angular, Jesus não se está a referir a Si próprio como a rocha aqui em Mateus 16:16-18.
4) Pedro não era infalível no que dizia ou fazia, nem antes da ressurreição (Mateus 16:22-23) nem depois (Gálatas 2:11-14).
5) No entanto, Pedro falava com autoridade enquanto apóstolo (1 Pedro 1:1 e Atos 1:15-22) e devemos reconhecer o seu ensinamento como tal. Tal como os primeiros cristãos, devemos dedicar-nos ao ensino dos apóstolos, conforme Atos 2:42.
6) A Pedro foram entregues as chaves do reino dos céus, do poder de ligar e desligar, em Mateus 16:19. De facto, a todos os apóstolos e à igreja foi concedido o mesmo poder de ligar e desligar, em Mateus 18:18.
7) Nenhuma doutrina do cristianismo pode ser mais fundamental do que a confissão que Pedro fez aqui. Se uma pessoa não reconhecer que Jesus é o Messias prometido, o Filho do Deus vivo, e se não reconhecer que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos (1 Coríntios 15:1-11), então a sua fé é vã e não a levará ao céu.
P: Em Mt 16,18, o que ou quem é a rocha aqui?
R: Muitas pessoas não percebem que Pedro é associado a uma «rocha» não apenas uma, mas duas vezes em Mateus 16. Em Mateus 16:18, Pedro é associado a uma rocha «boa», uma pedra angular. Em Mateus 16:23, Pedro é associado a uma rocha «má» (uma «ofensa» em algumas traduções), mas, literalmente, a uma pedra de tropeço. Como é que Pedro pode ser ambas as coisas? — trata-se de metáforas. Existem duas interpretações principais, e ambas podem ser verdadeiras.
A rocha é a confissão de Pedro a Cristo. Aqui não havia uma, mas sim duas palavras gregas diferentes para «rocha». Simão foi chamado Pedro, «rocha», porque foi ele quem primeiro fez a confissão de que Jesus é o Cristo. Jesus dirigiu-se a Pedro na segunda pessoa («tu»), mas «esta rocha» está na terceira pessoa. Jesus e os discípulos, sendo da Galileia, provavelmente falavam grego. Independentemente da interpretação que um cristão faça deste versículo em particular, 1 João 4:1-3 e 2 João 7-10 mostram que quem não reconhecer que Jesus veio na carne não deve ser aceite nem acolhido. 1 Coríntios 15:1-4 mostra que quem não acredita que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou fisicamente dos mortos acredita em vão. 1 Coríntios 12:3 ensina que ninguém diz que Jesus é o Senhor, a não ser pelo Espírito Santo. Na prática, a igreja é edificada sobre a confissão de Jesus Cristo.
A rocha é o próprio Pedro. Jesus e os discípulos conheciam, sem dúvida, o aramaico, pelo que Jesus poderá ter falado aramaico nesta passagem. As duas palavras são diferentes em grego porque uma é feminina e a outra é um nome próprio masculino. No entanto, o aramaico não possui terminações masculinas, femininas e neutras. Além disso, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito inicialmente em hebraico [talvez referindo-se ao aramaico] e posteriormente traduzido para o grego. Em aramaico, seria utilizada a mesma palavra «kepha». Os católicos defendem geralmente que a rocha aqui referida é Pedro, pois acreditam que isso corrobora a ideia de que a Igreja foi fundada sobre Pedro. Acrescentam ainda que Pedro transmitiu o cargo de Papa aos seus sucessores. Embora não haja qualquer indício desta última parte na Bíblia, não há qualquer problema em que os protestantes também interpretem Pedro como a rocha aqui referida. Independentemente da interpretação que um cristão faça deste versículo, os bons alicerces são feitos de rocha, e todos os apóstolos e profetas constituem o alicerce da Igreja, conforme Efésios 2:20. Na prática, a Igreja está edificada sobre a Bíblia, que é o ensinamento dos apóstolos e profetas.
Uma vez que Pedro está associado a dois tipos de rochas, um não-católico romano perceberia facilmente que ambos os aspetos são verdadeiros e importantes. Pedro é uma pedra angular da Igreja, e a inovação de que os papas são os sucessores de Pedro tem sido uma pedra de tropeço para os católicos romanos.
P: O que é que Mateus 16:18 não diz?
R: Há pelo menos oito coisas importantes que NÃO diz.
1. Não diz que a pedra angular sobre a qual a Igreja foi edificada foi Pedro. Se o fizesse, contradiria o facto de Cristo ser a pedra angular, conforme Efésios 2:20b.
2. Não exclui Pedro, nem os outros apóstolos, de serem a rocha sobre a qual a Igreja é edificada. Se o fizesse, contradiria o facto de a Igreja ser edificada sobre o fundamento (rochas) dos apóstolos e profetas, conforme Efésios 2:20a, e iria contra Apocalipse 21:14.
3. Não indica que Pedro tivesse quaisquer sucessores como apóstolo, nem menciona um Papa. De facto, mesmo em Nicéia, eram reconhecidas quatro igrejas principais: Jerusalém, Constantinopla, Roma e Alexandria.
4. Embora afirme que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja, não diz que Satanás não conseguiria introduzir corrupção na Igreja. De facto, o Papa Formoso foi julgado por heresia, após a sua morte, pelo papa que lhe sucedeu, e condenado. Estes papas foram julgados:
a) Os papas Zephirino e Calisto I, acusados de heresia sabeliana
b) Estêvão VI (896-897) e o sínodo do cadáver. Cortaram os dedos do cadáver do Papa Formoso. Mais tarde, foi assassinado.
c) Celestino V (1294-1296). Quase todos os seus atos oficiais foram anulados pelo seu sucessor, o implacável Bonifácio VIII. Celestino foi assassinado após a sua renúncia. Bonifácio ordenou uma cruzada contra a família Colonna.
d) Bonifácio VIII (1294-1303) esteve envolvido em muitas guerras. Redigiu a bula «Unam Sanctam». Faleceu de «desânimo» pouco depois da sua prisão.
e) Bento XI (1303-1304) revogou a bula papal Unam Sanctam, de 1302, emitida por Bonifácio VIII.
f) Clemente V (1305-1314) julgou Bonifácio VIII por heresia e sodomia.
g) 1328 — O imperador Luís IV da Baviera destitui o Papa João XXII por heresia
h) 1328 — Marsílio de Pádua, mais tarde arcebispo de Milão, persegue o clero católico leal a João XXII
5. Não promete que a sucessão dos bispos romanos fosse ininterrupta. Um papa pertencia ao partido que assassinou o papa anterior. Se isso não interrompe a sucessão papal, então a sucessão papal carece de sentido.
Os três pontos seguintes são apresentados pelo católico romano Karl Keating.
6. A pessoa errada não se tornaria papa. «The Francis Feud», pp. 82-83. Leia sobre Alexandre VI, Bonifácio VIII, Júlio II, que atacou cidades em Itália, ou Bento IX, que vendeu o cargo de papa.
7. Maus exemplos: homens violentos, perversos, imorais e nepotistas não liderariam como papa
8. Os papas falharam no apoio ao ensino correto. «Catolicismo e Fundamentalismo», p. 227
P: Em Mt 16,18, estará Jesus a dizer, essencialmente, que Pedro foi o primeiro Papa, tal como afirma a Igreja Católica?
R: Esta passagem foi utilizada pela primeira vez para sustentar a sucessão papal pelo Papa Dâmaso, em 382 d.C. Como escreve Dave Hunt em *A Woman Rides the Beast*, p. 101: «Um dos primeiros exemplos de papados múltiplos surgiu com a eleição simultânea, por facções rivais, dos papas Ursinus e Dâmaso. Os seguidores do primeiro conseguiram, após muita violência, entronizá-lo como papa. Mais tarde, após uma batalha sangrenta de três dias, Dámaso, com o apoio do imperador, saiu vitorioso e continuou como vigário de Cristo durante 18 anos (366-384). Então, a «sucessão apostólica» por uma «linha ininterrupta desde Pedro» foi imposta pela força armada? A sério?»
No mesmo livro, pp. 135-136, o bispo Joseph Hefele, de Rottenburg, afirma: «“Mas em todos esses documentos [história e ensinamentos da Igreja] nunca vi a doutrina [da infalibilidade papal proveniente de uma fonte credível].”… Von Döllinger, uma das grandes autoridades da época em história da Igreja, concordou inteiramente com Hefele. O seu livro (proibido por Roma) alertava para a tentativa iminente de Pio IX de impor o dogma da infalibilidade e recordava aos bispos que se reuniriam para deliberar sobre esta decisão vital: «Nenhuma das antigas confissões de fé, nenhum catecismo, nenhum dos escritos patrísticos redigidos para a instrução do povo contém uma sílaba sobre o Papa, muito menos qualquer indício de que toda a certeza da fé e da doutrina dependa dele.»
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) afirmou: «Sobre esta rocha, portanto, disse Ele [Jesus], que tu confessaste, edificarei a minha Igreja. Pois a Rocha (petra) é Cristo; e sobre este alicerce foi o próprio Pedro edificado.» Em seguida, Agostinho cita 1 Coríntios 3:11 e afirma que a Igreja está representativamente em Pedro, a rocha. (Sobre o Evangelho de João, Tratado 124, cap. 21.5, vol. 7, p. 450.)
P: Em Mt 16,18, em que medida «a rocha» constituiu o trocadilho mais significativo de toda a história?
R: Alguém afirmou: «Foi o trocadilho mais influente de toda a história.» Num certo sentido, esta observação está correta, uma vez que estas palavras foram utilizadas durante séculos para apoiar os papas.
No entanto, embora todos devam concordar que Jesus pretendia que Pedro e os outros apóstolos tivessem a mais alta autoridade na Terra sobre a Igreja, Jesus nunca disse nada sobre supostos sucessores. Assim, não foram as palavras em si, mas a extensão injustificada das mesmas aos papas que as tornou o trocadilho mais influente de toda a história.
No entanto, se Jesus falasse em aramaico, «kephas/cephas» (rocha maciça) não seria um nome próprio comum, mas não funciona como trocadilho neste contexto.
A propósito, um leitor sugeriu que o trocadilho poderia ter sido em hebraico e NÃO em grego. Em hebraico, poderia ter sido «pedra» (eben) e «eu construirei» (ebneh). Por exemplo, George Howard refere um tratado hebraico do século XIV escrito por um rabino chamado Shem-Tob Ben Shaprut, cujo texto hebraico diz: «Tu és uma pedra (eben) e, sobre ti, eu construirei (ebneh) a minha casa de oração.» Consultewww.jerusalemperspective.com/Default.aspx?tabid=27&ArticleID=1859 para mais informações.
P: Em Mt 16,18, o nome Pedro foi encontrado em Qumran, entre os Manuscritos do Mar Morto?
R: Não. Houve uma referência numa tradução de uma transcrição de John Allegro no que hoje é designado por pergaminho 4Q432. No entanto, Martin Abegg, da Trinity Western University, afirma num e-mail que tal nome não consta do 4Q432.
P: Em Mt 16,18, que três aspetos complementares poderá este versículo significar relativamente às portas do Hades?
R: Existem aqui três contextos diferentes e, em todos os três casos, as portas do Hades não prevalecerão contra a igreja.
Na ressurreição, quando Cristo ressuscitou, levou consigo para o céu os santos do Antigo Testamento, conforme Efésios 4:8-10.
Na Terra, atualmente, as portas do Hades não podem impedir a propagação do reino de Deus.
No Arrebatamento, o povo de Deus será ressuscitado e os seus corpos não permanecerão no túmulo.
P: Em Mateus 16:19, o que significa este «ligar e desligar»?
R: Imagine os cristãos de hoje a tentarem distinguir os membros de seitas dos cristãos que se equivocam, e os ensinamentos estranhos dos ensinamentos piedosos, se não tivessem o Novo Testamento. Essa era a situação na igreja primitiva. Deus concedeu aos apóstolos a capacidade de discernir e a autoridade para declarar o que era um bom ensinamento. A autoridade para ligar e desligar concedida a Pedro em Mateus 16:19 é concedida a toda a igreja em Mateus 18:18. Algo semelhante a este «ligar e desligar» — o perdão ou a retenção de pecados — é concedido por Jesus a todos os apóstolos em João 20:23. De certa forma, os apóstolos fazem isso hoje, por escrito, através do Novo Testamento. Mas antes de termos o Novo Testamento todo escrito, era muito importante que o fizessem diretamente.
Há quem diga que não se tratava de determinar a culpa ou a inocência, mas sim de a anunciar, tal como Pedro anunciou que Ananias e Safira eram culpados de terem mentido ao Espírito Santo em Atos 5:1-10.
Outros afirmam que os termos «ligar» e «desligar» eram termos familiares do judaísmo rabínico. Estes termos significavam decidir autorizar ou proibir vários tipos de atividades.
P: Em Mt 16,19, o que eram exatamente as chaves do Reino dos Céus?
R: Em primeiro lugar, repare que se refere às chaves do Reino dos Céus, e não da igreja. São mencionadas várias chaves, e o Hades é referido como tendo várias portas. Não há aqui qualquer metal ou objeto físico envolvido. Poderia tratar-se da mensagem do evangelho, de Pedro a abrir a porta do evangelho aos judeus (Atos 2) e, mais tarde, aos gentios em Atos 10, tal como afirma a Bíblia de Estudo NIV, p. 1466.
Jesus também disse que os escribas e fariseus fechavam o Reino dos Céus na cara das pessoas, em Mateus 23:13. Em Lucas 11:52, os especialistas na lei tiraram a chave do conhecimento.
P: Em Mt 16,19, será que estas chaves do Reino dos Céus podiam ser transmitidas?
R: As Escrituras nunca sequer sugerem que quaisquer «chaves» pudessem ser transmitidas, exceto que Jesus as concedeu a todos os apóstolos. No entanto, o facto de Jesus ter dito aos apóstolos, metaforicamente, que eles possuíam as «chaves» não significa que Ele próprio tenha abdicado de as possuir, pois Jesus ainda detém «as chaves da morte e do Hades» em Apocalipse 1:18.
Hipoteticamente falando, mesmo que um dos primeiros Papas possuísse essas chaves e pudesse transmiti-las, isso não significaria sucessão papal se a sucessão tivesse sido interrompida. A ideia de um Papa assumir as chaves após a destituição do Papa anterior parece ridícula. Se um Papa fosse totalmente imoral, como Alexandre VI (1492-1503 d.C.), isso também interromperia a sucessão papal. É claro que, a partir desse momento, não se pode transmitir o que nunca se teve.
Quão maus foram alguns papas? De acordo com a obra «Topical History of Christianity», de Austin, p. 148,
«Então [após 904] teve início a chamada “pornocracia”, durante a qual Teodora e as suas duas filhas, Teodora, a Jovem, e Marózia, controlavam virtualmente Roma e a própria Igreja. Prostitutas sedutoras, estas mulheres tinham vendido os seus corpos em troca de cargos, títulos e terras, o que lhes conferiu um poder generalizado. Marózia teve um caso ilícito com o Papa Sérgio III, do qual nasceu um filho que mais tarde se tornou o Papa João XI. Quando Marózia procurou ser coroada imperatriz, o seu filho mais novo, Alberico, raptou e aprisionou a própria mãe, encarcerou o seu meio-irmão, o papa, e tornou-se ele próprio imperador. Reinou de 932 a 954, exercendo controlo absoluto sobre o papado. Após a morte de Alberico, o seu filho Otávio foi eleito como Papa João XII e revelou-se o membro mais odioso desta família depravada.
b. Os Regimes de Otão. Em 962, o perverso João XII coroou o rei alemão Otão I como imperador do Sacro Império Romano. Pensando ter encontrado um aliado na depravação, João depressa descobriu que o novo imperador era um homem de carácter e empenhado em restaurar a decência e a honra do papado. Quando Otão convocou um sínodo para discutir a destituição de João, o papa ameaçou todos com a excomunhão, mas destituíram-no na mesma. Três meses depois, João convocou outro sínodo que anulou o que o sínodo de Otão tinha decidido. Por conseguinte, Otão decidiu recorrer à força para livrar o papado do seu governante maléfico.
... Os quarenta e dois anos seguintes [após 1004] da história papal foram marcados por intensa rivalidade, mediocridade oportunista, impotência espiritual, vício e corrupção. Parecia ter atingido o seu ponto mais baixo com a eleição de um rapaz degenerado de doze anos, o Papa Bento IX (1032-1045), que, após uma vida de devassidão vergonhosa e uma administração errática, vendeu a tiara sagrada (ou seja, o cargo de Papa) ao melhor licitante. Era conhecido como Gregório VI (1045-1046)....»
O professor do seminário católico Pacwa e outros católicos têm uma resposta que surpreenderia muitos protestantes. Concordam com os protestantes em que muitos papas foram homens ímpios e provavelmente foram para o inferno. No entanto, uma vez que eram papas, devemos obedecer-lhes de qualquer forma.
Se um Papa for preso à força e deposto, terá então o novo Papa, hostil, a autoridade e o direito de sucessão do antigo Papa? Deveriam os cristãos da época ter temido a ameaça de excomunhão de João? Deviam os cristãos ter apoiado os preparativos de Otto para a guerra contra o Papa? Em que circunstâncias é que alguém que adquire o título de Papa é considerado sucessor de São Pedro? Certamente, alguém que foi comparado a Simão em Atos 8:13-25 não deveria ser obedecido se tivesse comprado o cargo de Papa???
P: Em Mt 16,20 e Mc 8,30, por que razão Jesus não quis que os discípulos dissessem aos outros que Ele era o Cristo (ou seja, o Messias) naquele momento?
R: Em primeiro lugar, note-se que Jesus nunca lhes disse para mentirem e negarem que Ele era o Messias, mas apenas para não falarem sobre isso. Existem, pelo menos, duas razões possíveis.
1. Nesta fase do Seu ministério, Jesus queria que eles ouvissem as Suas palavras antes de decidirem se Ele era ou não o Messias. Por vezes, é melhor deixar que os ouvintes do Evangelho ouçam as próprias palavras de Jesus do que dedicar demasiado tempo a «contextualizar» e «atualizar» o Evangelho.
2. Como mostra Mateus 16:21, os discípulos tinham primeiro de ter uma compreensão absolutamente clara de quem era Jesus antes de o contarem aos outros.
Jesus anunciou isto publicamente por ocasião da Entrada Triunfal no Domingo das Ramos. É claro que, após a ressurreição, Jesus lhes disse mais tarde para anunciarem ao mundo inteiro, em Mateus 28:18-20 e Atos 1:8.
P: Em Mt 16,21 e Mc 8,29, por que razão a confissão de Pedro constituiu um ponto de viragem fundamental no ministério de Jesus?
R: A partir do momento em que reconheceram que Jesus era o Messias, Jesus começou a ensinar-lhes que tinha de ir a Jerusalém para morrer. Eles tinham de acreditar em quem Jesus era antes de poderem compreender por que razão Jesus tinha de morrer pelos seus pecados.
P: Em Mt 16,21 e Mc 8,31, precisamente neste momento do Seu ministério, e não antes, por que razão começou Jesus a dizer-lhes que iria sofrer e ser rejeitado?
R: Jesus não disse que iria sofrer e ser morto até que pelo menos um dos Seus discípulos reconhecesse e acreditasse que Jesus era o Messias prometido.
P: Em Mt 16,21, por que razão Jesus esperaria até agora para dizer aos Seus discípulos que iria sofrer, morrer e ressuscitar dos mortos?
R: Era importante que os discípulos reconhecessem, em primeiro lugar, que Ele era o Messias, o Filho de Deus. Mas assim que compreenderam isso, Jesus passou à etapa seguinte: o Messias teria de sofrer, morrer e ressuscitar. Jesus também pode não ter querido que eles tirassem conclusões precipitadas sobre o Messias triunfar sobre Roma naquele momento. Jesus já tinha aludido à Sua morte anteriormente (em Mateus 9:15; 10:38; 12:40; João 2:19; 3:14), mas esta foi a primeira vez que o declarou abertamente.
P: Em Mt 16,21; 17,22; 20,19; Mc 8,31, uma vez que Jesus ressuscitaria após três dias ou no terceiro dia, isso significa que Ele esteve morto durante pelo menos 24 × 3 = 72 horas?
R: Não, uma vez que Lucas 24:21 afirma que o dia da ressurreição foi o terceiro dia. Jesus morreu na sexta-feira à tarde e ressuscitou no domingo, por volta do amanhecer. A expressão «após três dias» era uma figura de estilo hebraica conhecida que significava parte ou a totalidade de três dias. Aqui estão mais cinco exemplos da «figura de estilo dos três dias».
1. Em Génesis 42:17, José prendeu os seus irmãos durante três dias. Mas, no versículo 18, libertou nove deles no terceiro dia.
2. Roboão, em 2 Crónicas 10:5, disse ao povo: «Voltem a encontrar-se comigo dentro de três dias». No entanto, em 2 Crónicas 10:12, o povo regressou «no terceiro dia».
3. Em 1 Samuel 30:12, um escravo egípcio doente disse a David que não comia nem bebia água há três dias e três noites. No entanto, uma pessoa não conseguiria sobreviver no deserto, sem qualquer água, durante 72 horas. Sem dúvida que o escravo se referia a parte desses três dias.
4. Em Ester 4:16, Ester pede que jejuem por ela «durante três dias, de dia e de noite», e que ela faria o mesmo. No entanto, Ester 5:1 diz que «no terceiro dia» Ester ofereceu um banquete, pelo que se trata de um período de tempo equivalente.
5. Ao referir-se à morte e ressurreição de Cristo, o próprio Jesus disse em Mateus 12:40: «três dias e três noites»; Marcos 8:31 diz: «ao terceiro dia ressuscitará»; Marcos 14:58 diz: «durante três dias»; João 2:19 diz: «em três dias»; e Lucas 24:21 diz: «Este terceiro dia chega hoje».
Em resumo, demonstrámos que esta expressão idiomática hebraica pode significar «dentro de três dias», e que esta expressão era reconhecida desde o tempo de Roboão até ao tempo de Jesus.
P: Em Mateus 16:22-23 e Marcos 8:32-33, por que razão repreendeu Jesus Pedro, dizendo «afasta-te de mim, Satanás»?
R: Pedro tinha em mente as coisas dos homens, não de Deus. Satanás usou Pedro, amigo íntimo de Jesus, para tentar Jesus. No entanto, Jesus reconheceu a tentação pelo que ela era. Jesus não estava a dizer que Pedro estava possuído por demónios, nem que era controlado por Satanás. Pelo contrário, Jesus reconheceu que, por trás da sugestão, estava Satanás. Quando Deus quer que façamos algo por Ele e, em vez disso, temos ou pensamos numa sugestão que aponta para o caminho mais fácil, devemos reconhecer isso pelo que é: uma tentação de Satanás. Mesmo que a pessoa tenha boas intenções e seja um irmão na fé, devemos reconhecer que ela ainda assim pode dar-lhe uma sugestão que constitui uma tentação de Satanás. Satanás no deserto e Pedro, neste caso, sugeriram ambos que Jesus poderia ter a realeza sem o sofrimento. Hoje, se tentarmos fazer de Jesus o nosso Rei e Salvador, sem a cruz ou sem a necessidade dela, estamos a minar a mensagem de salvação de Deus.
P: Em Mt 16, 22-23 e Mc 8, 33, como é que Pedro teve a ousadia de corrigir e repreender Jesus?
R: Jesus escolheu um discípulo ousado quando escolheu Pedro. A ousadia, por si só, não é nem boa nem má. A ousadia em seguir Deus é boa, mas a ousadia de seguir o seu próprio caminho geralmente não o é.
P: Em Mt 16,22, por que razão Pedro estava a repreender Jesus de forma insensata nesta ocasião?
R: Pedro pensou que Jesus precisava de correção e conselho. Ainda hoje, algumas pessoas podem ter a atitude de que sabem mais do que Deus.
P: Em Mt 16,23 e Mc 8,33, de que formas é que as pessoas hoje em dia podem estar a ter em mente as coisas do homem em vez das coisas de Deus?
R: Podemos substituir a sabedoria de Deus pela sabedoria do homem. Podemos decidir fazer as coisas à nossa maneira quando isso vai contra a vontade de Deus. Podemos esquecer-nos de que a nossa esperança está em Deus, e não na nossa força ou sabedoria. Podemos recorrer aos nossos próprios métodos terrenos. Por fim, podemos estar tão ansiosos por cumprir rapidamente os nossos «deveres» que deixamos de desfrutar tanto da presença de Deus e preferimos uma forma de adoração do tipo «fast-food» a dedicar-nos a Deus.
Não disse «sim» a Deus de todo o coração, a menos que também tenha dito «não» a si mesmo.
P: Em Mt 16,24, por que razão Jesus mencionou aqui a cruz, antes de dizer aos Seus discípulos que seria crucificado?
R: Jesus sabia que seria crucificado antes de o dizer aos Seus discípulos. Todos eles já sabiam o que era a crucificação, uma vez que os romanos crucificavam frequentemente rebeldes e ladrões. A crucificação serviria de incentivo para que os outros se mantivessem na linha. Assim como os revolucionários zelotes arriscavam a crucificação por uma causa pequena e terrena, os discípulos deveriam estar dispostos a arriscar a crucificação por uma causa celestial que valia muito mais a pena. No final, cada um dos doze apóstolos foi martirizado pela sua fé, com exceção de João, que foi exilado em Patmos e morreu de morte natural.
P: Em Mt 16,27, Jesus virá na glória do Pai ou na Sua própria glória, como diz Jo 1,14?
R: João 1:14 diz que viram parte da glória de Jesus. Por exemplo, viram parte dessa glória no Pentecostes. Mateus 16:27 refere-se a um acontecimento num futuro distante, quando Jesus voltar. Por outras palavras, ainda não viram nada!
P: Em Mt 16,27, será que isto se refere não ao fim do mundo, mas à manifestação suprema de Bahá’u’lláh, tal como os bahá’ís ensinam em «Bahá’u’lláh e a Nova Era», pp. 268-269?
R: Não, leia o versículo com mais atenção. Diz que o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e recompensará cada pessoa de acordo com o que tiver feito. As pessoas não viram quaisquer anjos com Bahá’u’lláh, e Bahá’u’lláh não recompensou nem os fiéis bahá’ís que foram exilados ou morreram, nem os muçulmanos que o perseguiram.
P: Em Mt 16,28 e Mc 9,1, o que quis Jesus dizer com o facto de que alguns não provariam a morte até verem o reino de Deus vir com poder?
R: Primeiro, eis o que a resposta não é; depois, o que ela é.
X1. Não há provas de que Jesus tenha ensinado que os discípulos permaneceriam vivos por muito tempo. Na verdade, pela história da Igreja, sabemos que 11 dos 12 apóstolos morreram como mártires. Apenas um, João, teve uma morte natural. No entanto, ele ainda sofreu o exílio na ilha de Patmos.
X2. NÃO se refere ao Reino milenar descrito em Apocalipse 20:1-6.
X3. Não pode referir-se à reencarnação, antes de verem o Filho do Homem a vir no Seu reino. Não só a reencarnação não é verdadeira, como, mesmo que fosse, as pessoas que reencarnassem continuariam a enfrentar a morte.
X4: Alguns defendem que se trata da transfiguração, que ocorreu pouco tempo depois. Quando, em 2 Pedro 1:16-18, Pedro fala de terem sido testemunhas oculares da Sua majestade, o livro «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 299-300, afirma que isto indica que Pedro o interpretou desta forma.
A Resposta: Refere-se ao momento em que Jesus «conquistou» o Seu reino através da crucificação, tal como comprovado pela ressurreição. Ele entrou no Seu reino após ter triunfado sobre Satanás. Os cristãos discordam quanto ao facto de o dia de início ter sido a ressurreição ou o Pentecostes, mas trata-se de um ponto muito secundário.
Mateus dá especial ênfase ao reino dos céus. O reino dos céus começaria visivelmente pequeno, como um grão de mostarda (Mateus 13:31); tal como o fermento, não seria visível, mas os seus efeitos seriam visíveis na massa do mundo (Mateus 13:33); no entanto, no final, os anjos irão eliminar do reino dos céus tudo o que causa pecado e todos aqueles que praticam o mal (Mateus 13:41-42). O Reino dos Céus é como um tesouro enterrado que alguém encontra em segredo (Mateus 13:44), mas é extremamente valioso, tal como um comerciante que vende tudo para comprar uma pérola preciosa (Mateus 13:45-46). Assim, tal como a parábola da rede mostra em Mateus 13:47-50, o Reino dos Céus é algo nesta vida que contém tanto peixes bons como maus, mas que também terá o seu cumprimento definitivo no fim dos tempos. O Reino de Deus estava dentro de nós (Lucas 17:21).
A Pedro, em Mateus 16:19, e mais tarde aos outros apóstolos, foram entregues as chaves do reino.
Na Última Ceia, Jesus disse que não voltaria a beber do fruto da videira até que o bebesse de novo com eles no Reino do Pai. Mateus 26:29. Jesus comeu e bebeu com os discípulos após a Sua ressurreição.
Resumo: Os discípulos, que viveram vidas de duração normal, afirmam que o Reino dos Céus veio à Terra após a ressurreição de Jesus. Enquanto os judeus poderiam ter esperado um reino militar que derrubasse os romanos, Jesus ensinou que o reino era como um grão de mostarda, fermento ou uma pérola de grande valor. Era pequeno, difícil de ver à primeira vista, de grande valor e teria grandes efeitos.
P: Em Mt 17,1-8, por que razão Jesus foi transfigurado?
R: Embora as Escrituras não o digam, poderá ter sido por uma combinação de razões, relacionadas tanto com os discípulos como com o próprio Jesus.
1. Para os discípulos, esta revelação foi um sinal para confirmar a sua fé e para encorajar e fortalecer os três discípulos que testemunharam o acontecimento. Talvez fosse bom fortalecer a fé destes três antes da crucificação.
2. Distinguiu os três discípulos como líderes dos restantes.
3. O Pai e o Espírito poderiam ter utilizado este acontecimento para fortalecer Jesus e instruí-Lo sobre o que fazer na preparação para a crucificação, bem como sobre o que fazer entre o momento da crucificação e a ressurreição dos mortos.
4. Poderia tratar-se de um testemunho de que Jesus tinha «passado» como o homem perfeito e sem pecado, e que a conversa subsequente versava agora sobre a Sua crucificação.
Jesus já tinha dado muitas provas do Seu poder antes disto. Mas todos esses milagres são o que Jesus fez, ou era capaz de fazer, e não simplesmente quem Ele era. Por vezes, precisamos de fazer uma pausa no ministério e nas outras atividades, e simplesmente passar algum tempo a sós com o Senhor, concentrando-nos em quem Ele é.
É claro que Deus não é obrigado a explicar-nos as razões de tudo.
P: Em Mt 17,1, a que montanha é que Jesus os levou?
R: Provavelmente foi o Monte Meron, com cerca de 3 926/3 963 pés ou 1 204 metros. Provavelmente não foi o Monte Hermon (9 232 pés), que estava coberto de neve e não faria sentido passar a noite lá. Provavelmente não foram ao cume do Monte Tabor (1 900 pés, como pensavam Cirilo de Jerusalém e Jerónimo), porque havia um forte romano no seu cume.
O Monte Meron é uma caminhada de cinco a oito horas, de dificuldade moderada. É frequente haver alguma neve no cume durante o inverno, mas não no resto do ano.
P: Em Mt 17,1-8, a transfiguração foi uma ressurreição ou uma visão?
R: Não foi propriamente nenhuma das duas coisas. Moisés e Elias estavam efetivamente presentes, pelo menos em espírito, a conversar com Jesus. As Escrituras não dizem se a sua aparição foi com um corpo ou não. Moisés e Elias chegaram numa nuvem resplandecente e, em seguida, partiram. Elias subiu ao céu num redemoinho (2 Reis 2:1) e, embora Moisés tenha morrido, o seu corpo nunca foi encontrado (Deuteronómio 34:6), tendo o diabo disputado com o arcanjo Miguel o corpo de Moisés (Judas 9).
P: Em Mt 17,2 e Mc 9,3, por que razão as vestes de Jesus ficaram tão brancas?
R: As Escrituras não explicam por que razão as vestes se tornaram brancas (ou brilharam intensamente) quando a glória se manifestou. Outros exemplos de vestes brancas na glória são os anjos que apareceram.
P: Em Mt 17,3-4 e Mc 9,4, como é que Mateus e Marcos sabiam que se tratava de Moisés e Elias?
R: Provavelmente porque Pedro, ou Tiago, e João lhes disseram. Como é que Pedro, Tiago e João sabiam? Ou ouviram Jesus a dirigir-se a eles pelo nome, ou Jesus contou-lhes depois, ou o Pai comunicou-lhes isso diretamente.
P: Em Mt 17,9 e Mc 9,9, por que razão Jesus não quis especificamente que os discípulos contassem a ninguém sobre a transfiguração até que Ele ressuscitasse dos mortos?
R: Muitos dos judeus rejeitaram Jesus como o Messias; como poderiam eles alguma vez acreditar na transfiguração? É essencial acreditar que Jesus era o Messias, o Filho de Deus. Não era essencial conhecer ou acreditar em questões secundárias, como a transfiguração. Se alguém não aceitasse Jesus como o Messias depois de ver os milagres, é improvável que acreditasse por causa de um relato sobre a transfiguração. Depois de Jesus ter ressuscitado dos mortos, quem acreditasse em Jesus não teria qualquer dificuldade em aceitar a transfiguração.
Da mesma forma, quando falamos com outras pessoas sobre Cristo, especialmente na primeira vez, de entre todas as coisas de que poderíamos falar, certifique-se de que dedica esse tempo precioso a falar sobre o que é mais importante.
Pedro, Tiago e João poderiam ter andado por aí a contar a toda a gente sobre a transfiguração, e talvez mais pessoas questionassem a sua sanidade mental do que acreditassem neles. Mas esta evidência de segunda mão não seria muito significativa em comparação com a ressurreição que iria ocorrer em breve. Por vezes, quando partilhamos com os outros, não queremos mencionar aspetos «ligeiramente convincentes» sobre o cristianismo em vez de aspetos «fortemente convincentes».
P: Em Mt 17,11-13, de que forma João Batista era o Elias que havia de vir?
R: Primeiro, iremos discutir Elias e, em seguida, João Batista.
O próprio Elias esteve presente na transfiguração. Em Mateus 17:11, Jesus afirma que a restauração de todas as coisas por Elias está no tempo futuro, e que o próprio Elias aparecerá antes da Segunda Vinda de Jesus. Alguns pensam que Elias é uma das duas testemunhas mencionadas em Apocalipse 11:3-12.
João Batista veio no Espírito e no poder de Elias, e é a João Batista que Jesus se refere metaforicamente em Mateus 17:12-13.
Numa peça de teatro, alguém pode substituir um ator durante um ensaio, e o próprio ator aparece durante a representação.
Conclusão: durante a Primeira Vinda, João Batista assumiu o papel de Elias, mas isso não impede que o próprio Elias apareça antes da Segunda Vinda.
P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, de que forma João Batista cumpriu a profecia de Elias? Seria ele a reencarnação de Elias?
R: Não, porque a reencarnação é errada, como demonstram Hebreus 9:27 e Romanos 9:11. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (e não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos pensam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11:3-12. Quando Jesus veio (pela primeira vez), não foi por falta de Elias e de Moisés que o reino não foi plenamente inaugurado na terra naquela altura. Eles estiveram presentes.
P: Em Mt 17, 14-16 e Lc 9, 37-39, por que razão os demónios costumam fazer mal às pessoas que possuem?
R: Uma razão pode ser simplesmente o ódio pelas pessoas. Mas uma segunda razão pode ser semelhante às razões pelas quais as pessoas más costumam magoar aqueles que as ajudaram. Para uma explicação lógica — na verdade, cruelmente lógica — disto, o livro depravado de Maquiavel, *O Príncipe*, fala de casos em que um líder mercenário é perigoso enquanto serve um príncipe, e ainda mais perigoso se desertar. Ele escreveu que o mais seguro é, muitas vezes, o assassinato, mesmo que a pessoa tenha provado ser sempre leal no passado! Se alguém se associa ao mal, não deve surpreender-se quando o mal lhe é infligido por aqueles a quem estava a ajudar.
P: Em Mt 17,15, o termo para epilepsia é, literalmente, «atingido pela lua». Existe alguma correlação entre as crises epilépticas e as fases da lua?
R: Aparentemente, os antigos pensavam que sim, ao utilizarem esse termo. Nos tempos modernos, não temos a certeza, seja de que forma for. Um artigo de 2008 publicado na Biblioteca Nacional de Medicina, da autoria de Sallie Baxendale e Jennifer Fisher, intitulado «Moonstruck? O efeito do ciclo lunar nas crises», https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18602495/. As autoras estudaram 1 571 crises e descobriram uma correlação entre a escuridão do céu noturno e as crises. O fator determinante era a iluminação do céu noturno, e não a fase da lua, uma vez que as autoras ajustaram os resultados em função da cobertura de nuvens. Por outro lado, um artigo de 1999 da autoria de C. L. Raison e outros, disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10363673/, não encontrou qualquer correlação. Sugeriram que poderia existir uma correlação entre as convulsões e a falta de um sono noturno de qualidade. É claro que, se estivesse dentro de uma casa com cortinas grossas, a iluminação da lua poderia não ter importância.
P: Em Mt 17,15-21; Mc 9,17-18, 28-29 e Lc 9,40, por que razão os discípulos não conseguiram expulsar este demónio?
R: Não foi por causa de quem os discípulos eram, nem por qualquer limitação do poder de Deus. Pelo contrário, naquela altura, eles tomavam como garantido o facto de poderem expulsar demónios e não oraram nem jejuaram, talvez por orgulho ou complacência. Hoje em dia, alguns cristãos não obtêm os resultados que deveriam porque não dedicam tempo à oração e ao jejum.
P: Em Mt 17,15-21; Mc 9,17-18, 28-29 e Lc 9,40, devemos impor as mãos ao expulsar um demónio, ou trata-se apenas de um gesto simbólico?
R: As nossas mãos não são mágicas. Mas, tal como nos pode ajudar na oração o facto de orarmos em várias posições, é legítimo e bíblico impor as mãos sobre uma pessoa possuída por demónios. Não é necessário fazê-lo, de tal forma que «o demónio não possa ser expulso se não pudermos impor as mãos».
P: Em Mt 17,15-21, será que o espírito maligno que foi expulso voltará para atacar a pessoa mais fraca da equipa que está a tentar expulsar o demónio?
R: Os demónios não possuem um verdadeiro crente, mas podem oprimir um crente e, dessa forma, atacá-lo por meio de tentações mais intensas, medo, depressão e outras formas de desviar o seu olhar de Jesus. Por isso, os membros da equipa devem manter uma caminhada íntima com o Senhor.
A propósito, existe outro perigo na expulsão de demónios. Se a pessoa de quem o demónio foi expulso não quiser ter Cristo no seu coração, então os demónios podem regressar e até trazer mais consigo. Ver Mateus 12:43-45 e Lucas 11:24-26.
P: Em Mt 17, 15-21, algumas igrejas praticam que a família deve levar a pessoa possuída pelo demónio à igreja, e não ir à sua casa. Será porque é mais seguro expulsar um demónio na igreja do que na casa de alguém?
R: Penso que tanto a igreja como a casa servem. Mas, se possível, não o faria numa casa onde houvesse ídolos (Budas, etc.), astrologia ou adivinhação.
P: Em Mt 17, 15-21, se uma mulher não cristã estiver possuída por um espírito maligno e o marido não se opuser inicialmente, mas, após 2 ou 3 visitas, o marido mudar de ideias e não receber bem a equipa, nem impedir que esta venha, e a esposa continuar disposta a receber ajuda, qual é a nossa posição? Deve ela obedecer ao marido?
R: Trata-se de uma situação difícil. As esposas devem obedecer aos seus maridos, mas devem obedecer a Deus em primeiro lugar. Assim, se o marido ordenar à esposa que faça algo contrário às Escrituras, a esposa deve desobedecer ao marido neste ponto. No entanto, deve continuar a obedecer noutros aspetos. Contudo, se a esposa desejar que os cristãos a visitem, não creio que esteja possuída por um demónio; no entanto, poderá estar a ser atacada por um demónio. A esposa está disposta a visitar a igreja? Se o marido não quiser que a esposa se relacione com os crentes, e Hebreus 10:25 nos ordena que não abandonemos as nossas reuniões, o dever da esposa é obedecer a Deus em primeiro lugar.
P: Em Mateus 17:15-21, e se a vítima possuída se magoar ou saltar de uma janela durante o tempo de ministração, e um membro da família decidir apresentar uma queixa ou interpor uma ação judicial contra o líder da equipa ou a própria equipa, qual é a posição da igreja?
R: Isso pode ser uma possibilidade; as pessoas podem intentar ações judiciais culpando os outros por praticamente qualquer coisa. Independentemente disso, porém, os membros da igreja devem tomar precauções para garantir a segurança da pessoa envolvida.
P: Em Mt 17, 15-21, devemos informar e solicitar a aprovação dos pastores antes de visitar uma pessoa possuída por demónios?
R: Recomendo vivamente que informe o seu pastor ou os anciãos sobre esta situação. Hebreus 13:17 diz que devemos obedecer àqueles que nos governam, e isto refere-se aos pastores/anciãos.
P: Em Mt 17,17, por que razão e com quem é que Jesus se irritou?
R: Jesus referiu-se a esta «geração» incrédula e perversa, o que pode significar um grupo de pessoas que viviam naquela época, ou um grupo de pessoas como os judeus. Mas, independentemente disso, esta repreensão refere-se também aos nove discípulos. Aos discípulos já lhes tinha sido concedido o poder de curar, mas, de forma embaraçosa, recuaram e não conseguiram curar este caso. Jesus lamentava a falta de fé generalizada das pessoas daquela cultura, da qual os discípulos faziam parte. «Pouca fé» não se refere a um «pequeno pedaço» de fé, mas sim a uma pobreza de fé.
P: Em Mt 17,17, de que formas acha que, hoje em dia, Deus se pode sentir exasperado com a falta de fé dos crentes?
R: Podem ser de várias formas. Por vezes, a nossa preocupação e ansiedade podem revelar uma falta de confiança em Deus. Por vezes, os cristãos mostram-se mais relutantes em cumprir a vontade de Deus se virem um risco para a sua segurança, para a segurança dos seus entes queridos ou para a sua riqueza. Por vezes, os cristãos limitam-se a fazer as coisas «a meio», como que para se protegerem, em vez de se empenharem totalmente. Por vezes, os cristãos procuram cumprir a vontade de Deus recorrendo aos métodos do mundo, porque, na sua falta de fé, sentem que precisam de o fazer. Por vezes, trata-se de uma mentalidade do tipo «eu consigo lidar com isto sozinho», que os leva a não procurar a orientação do Senhor.
P: Em Mt 17, 25-27, por que razão Jesus disse que os filhos estão isentos de impostos, mas, mesmo assim, pagou impostos?
R: Imagine que pudesse ver Jesus e fazer-Lhe qualquer pergunta. Seria a pergunta mais premente na sua mente: «Paga o imposto do templo?» Parece quase cómico que se peça ao Criador e Senhor da terra que pague impostos. No entanto, Jesus fê-lo graciosamente, sem se queixar, para não ofender ninguém. Embora o versículo 24 não especifique o tipo de imposto em questão, o montante — duas dracmas (meio siclo) — corresponderia a um imposto anual, aplicável a todos os homens judeus com vinte anos ou mais, tanto em Israel como fora dele, destinado ao templo judeu e a pagar em março, e não a um imposto ao governo romano. Este era o imposto na época de Jesus, de acordo com Josefo em «Antiguidades dos Judeus», livro 3, n.º 193-196; livro 18, cap. 312, e a Mishná Shekalim. No entanto, o versículo 25, dirigido aos reis da terra, refere-se definitivamente ao imposto romano.
Para além deste exemplo, Romanos 13:6-7 também ordena aos crentes que paguem impostos ao governo, mesmo a um governo tão corrupto como o Império Romano.
Algumas pessoas podem interpretar erroneamente as palavras de Jesus como sendo vagas, porque Jesus estava a dizer que, hipoteticamente, embora tudo o que devesse ser dado a César lhe fosse dado, na realidade nada deveria ser entregue aos romanos. No entanto, se fosse isso que Jesus pretendia dizer, pedir-lhes que apresentassem um denário seria ou inútil, ou, pior ainda, induzir as pessoas em erro.
P: Em Mateus 17:25-27, os outros discípulos também pagaram o imposto do templo?
R: As Escrituras não o dizem. Presume-se que o tenham feito, ou então estariam isentos se tivessem menos de 20 anos. Muitos dos discípulos viveram mais 30 ou 40 anos após a ressurreição de Jesus, pelo que Jesus poderá ter escolhido homens jovens.
P: Em Mt 17, 27, por que razão ficamos, por vezes, exasperados com os outros e como devemos reagir quando isso acontece?
R: O facto de alguém fazer algo de mal, quando já esperávamos que o fizesse, normalmente não nos deixa muito zangados. O que nos pode irritar é quando temos padrões ou expectativas mais elevados em relação a alguém, ou a um grupo de pessoas, e estas nos desiludem ou nos traem. No entanto, antes de perdermos a cabeça e o controlo, devemos lembrar-nos de como, por vezes, podemos irritar Jesus. Em segundo lugar, temos de nos lembrar de que eles terão de prestar contas ao seu senhor — e nós não somos o seu senhor, Deus é que o é. Por fim, será que devíamos ter estabelecido essas expectativas desde o início? Em vez de nos limitarmos a «reagir» às nossas emoções de desilusão, «respondam» de forma adequada, tendo em conta o que é melhor nesta situação. Se uma resposta estiver claramente a não funcionar, talvez seja melhor parar e responder de uma forma diferente. Por fim, lembre-se de Tiago 1:20: «pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.»
P: Em Mateus 18:1-6, quando alguém, especialmente um cristão, se concentra em fazer a pergunta errada, como redireciona essa questão?
R: Com paciência e tacto. A repreensão pode não ser útil neste caso, porque o raciocínio dessa pessoa pode estar demasiado confuso para que ela perceba. Neste caso, não era que a pergunta fosse ilógica ou sem sentido, mas sim que as suas prioridades estavam erradas. Limitar-se a dizer a alguém que as suas prioridades estão erradas não é, por si só, muito útil; deve dizer-lhe, ou melhor ainda, mostrar-lhe quais devem ser as suas prioridades.
P: Em Mt 18,1-6, o que deve fazer quando detetar rivalidade entre os crentes?
R: Existem sete passos que podemos seguir.
1) Ore por eles, ou por ambas as partes, para que vejam a sua situação da forma como Deus a vê e tenham o coração e a coragem para mudar de rumo e seguir a orientação de Deus.
2) Tente compreender a sua mentalidade, por que razão pensam que devem sentir isso.
3) Repare que Jesus não os condenou por fazerem a pergunta, e nem o senhor deve desprezá-los. Mas, como disse João Crisóstomo (falecido em 407 d.C.): «Não somos capazes de compreender nem mesmo as falhas dos Doze; não perguntamos quem é o maior no Reino dos Céus, mas sim quem é o maior no Reino da Terra: quanto mais rico, mais poderoso». (Homilias sobre Mateus, homilia 58, NPNF1, p. 360)
4) Certifique-se de dar o exemplo e cultivar um coração de servo, considerando os outros mais importantes do que a si próprio (Filipenses 2:3).
5) Tente ajudá-los a ver a sua rivalidade como um pecado que precisam de corrigir.
6) Incentive-os a trabalharem em conjunto.
7) Todos devemos ser como crianças (no bom sentido), pois somos todos filhos de Deus.
P: Em Mt 18,5 e Mc 9,35-37, em que medida acolher uma criança em nome de Jesus é semelhante a acolher Jesus?
R: Jesus estava a enfatizar a ausência de distinção entre recebê-Lo calorosamente na carne e receber os outros em nome de Jesus. Nos tempos antigos, um emissário de um rei era tratado com honras reais, na qualidade de representante do rei.
P: Em Mt 18,8 e Mc 9,43.47, devemos cortar a nossa mão ou arrancar o nosso olho se isso nos levar a pecar?
R: Não, pela simples razão de que as nossas mãos e os nossos olhos não nos levam a pecar. Jesus está a dizer que o pecado é tão grave que seria melhor tomar uma medida tão drástica como ficar sem esses membros do que pecar. É melhor cortar um membro do que morrer de gangrena. De vez em quando, todos precisamos de fazer uma «avaliação realista» de nós próprios. Perguntemo-nos: será que a nossa relação com Cristo está a melhorar, ou será que nos estamos a afastar?
P: Em Mt 18,9 e Mc 9,43-44,48, as referências ao fogo inextinguível provam aqui a existência de um castigo eterno?
R: Implicam a verdade da punição eterna, mas não a provam, pois pode ser que o fogo fosse eterno, mas as pessoas que nele sobrevivessem não o fossem. É claro que, nesse caso, o fogo teria algum outro combustível ou meio de se manter aceso.
P: Em Mt 18,10, Deus Pai tem um rosto?
R: Não. Não seria de esperar que Jesus aqui apresentasse um ensinamento detalhado sobre a proximidade e a perceção angelical nas dimensões do Céu. Em vez disso, Jesus limitou-se a utilizar uma metáfora para dizer que os anjos que velavam por estes pequeninos tinham acesso direto ao Pai. No entanto, nada indica que outros anjos também não tenham acesso direto ao Pai.
P: Em Mt 18,14, uma vez que Deus não deseja que nenhum destes pequeninos pereça, por que razão as pessoas perecem?
R: Trata-se de duas perguntas numa só: por que razão os bebés morrem e por que razão as pessoas vão para o Inferno.
Os bebés morrem, tal como todos nós acabamos por morrer, em consequência de fazermos parte de uma raça caída. Vivemos num mundo com muita maldade e injustiça, e Deus irá corrigir tudo no Dia do Juízo Final.
Os bebés e os fetos têm uma natureza pecaminosa, mas o facto de um feto morrer não prova que este seja culpado de pecado, tal como a morte de um gatinho não prova que este fosse culpado de pecado.
As pessoas vão para o Inferno, de acordo com 2 Tessalonicenses 1:8, que afirma que aqueles que não obedecem ao evangelho do Senhor Jesus Cristo serão condenados; por isso, o evangelho é algo que todos temos a responsabilidade de obedecer. A morte de Jesus na cruz foi suficiente para todos. No entanto, Deus continua a permitir que as pessoas que rejeitam o Único Deus Verdadeiro suportem as consequências das escolhas pelas quais foram responsáveis.
P: Mateus 18:15-18 significa que nunca devemos criticar a doutrina de um líder cristão?
R: De modo algum. Embora Mateus 18:15 se refira ao tratamento de crentes, e não de incrédulos, Mateus 18:15-18 trata do comportamento e não da pregação pública de falsidades ou heresias. Embora seja bom contactar uma pessoa em privado, para tentar convencê-la antes de tornar o assunto público, se a falsidade tiver sido pregada publicamente, então essa falsidade precisa de ser corrigida publicamente. Se for corrigida pela própria pessoa que proferiu e anteriormente acreditava nas afirmações falsas, tanto melhor. Mas, caso contrário, terá de ser corrigida por outra pessoa. No entanto, isto não deve ser feito com um espírito de animosidade ou ódio para com a pessoa que proferiu o erro, mas com amor e com o desejo de revelar a verdade.
P: Em Mt 18,17, o que significa «tratar como a um pagão ou a um cobrador de impostos»?
R: A palavra «você» aqui está no singular, pelo que significa que o indivíduo deve afastar-se da pessoa que comete o erro. Um pagão ou um cobrador de impostos — presumivelmente ganancioso e desonesto — encontrava-se, obviamente, fora da esfera do Reino de Deus e da igreja. Não dê a ninguém a impressão de que tem a mesma salvação ou fé que essa pessoa. Mesmo que a pessoa seja, de facto, um crente que comete erros, não sabemos se é realmente um santo que peca ou se, pelo contrário, nunca foi verdadeiramente salvo.
P: Em Mt 18,18, o que significam «ligar» e «desligar»?
R: «Ligar» significa impedir, restringir ou proibir, e «desligar» significa permitir que se prossiga. Alguns afirmam que «ligar» e «desligar» eram expressões idiomáticas judaicas para indicar que o que é anunciado na terra já tinha sido predeterminado de antemão no céu. Este poder de ligar e desligar foi concedido a todos os apóstolos.
P: Em Mt 18, 21-22, como se compara a generosidade de Jesus, ao dizer às pessoas para perdoarem os outros setenta vezes sete, com outros ensinamentos?
R: Os saduceus e muitos rabinos ensinavam que bastava perdoar o irmão três vezes. No entanto, não é de todo generoso que alguém como Jesus diga a outra pessoa para perdoar. O que foi extremamente generoso foi Jesus ter-nos perdoado, a nós que O pregámos na cruz (Lucas 23:34), e ter morrido pelos nossos pecados.
P: Em Mt 18, 28-31, de quanto correspondiam as quantias em dinheiro aqui referidas?
R: Dez mil talentos era uma quantia avultada. David doou três mil talentos de ouro e sete mil talentos de prata para construir o templo em Jerusalém. Os príncipes doaram cinco mil talentos de ouro e dez mil talentos de prata, de acordo com 1 Crónicas 29:4,7. Alguns estimaram este valor em 12 milhões de dólares, mas um valor mais adequado poderá situar-se um pouco abaixo de mil milhões. Em Mateus 18:28, 100 denários correspondiam a cerca de 100 dias de salário de um trabalhador comum ou de um soldado de infantaria. Um escravo realmente bom podia valer um talento, mas a maioria dos escravos valia um décimo de um talento. Era também contra a lei que um homem fosse vendido como escravo por um valor superior à dívida que tinha.
P: Em Mt 18, 32-35, será que Deus alguma vez revoga o perdão ou deixa de perdoar os pecados?
R: Não. A dívida não foi renovada; pelo contrário, o perdão não foi aplicado. O senhor perdoou a dívida do servo, mas quando o servo mau agarrou outro servo pelo pescoço para cobrar a sua dívida, o senhor ficou indignado com esta injustiça e voltou a aplicar a dívida. Deus perdoou livre e graciosamente os nossos pecados, embora não o merecêssemos, mas o facto de o perdão ser ou não aplicado depende da nossa resposta. Hebreus 4:2 afirma que o evangelho não foi proveitoso para alguns porque não o combinaram com a fé. Romanos 11:29 afirma que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis.
P: Em Mateus 18:32-35, poderá esta parábola significar que o senhor enviou o servo mau para a prisão por dívidas subsequentes, em vez de lhe perdoar a dívida anterior?
R: Não, não é essa a questão, pois a parábola indica que o senhor entregou o servo mau aos carcereiros devido à falta de misericórdia deste.
P: Em Mateus 18:35, serão algumas obras, tais como perdoar os nossos irmãos, necessárias para a salvação?
R: Nem o perdão aos outros nem qualquer outra obra ajudará uma pessoa a alcançar a salvação. Pelo contrário, se uma pessoa tem a salvação, será capaz de perdoar aos outros, independentemente do que estes tenham feito. Se experimentámos a grande misericórdia de Deus, perdoar aos outros é algo muito mais fácil para nós.
P: Em Mt 19,3-9 e Mc 10,11-12, em que circunstâncias é permitido o divórcio?
R: Nos tempos do Antigo Testamento (Dt 24, 1-4, etc.), o divórcio era permitido por quase qualquer motivo, porque o coração das pessoas era duro, mas Jesus eliminou esse motivo. O divórcio não é admissível, exceto nas seguintes circunstâncias:
1. O cônjuge não crente deseja separar-se (1 Coríntios 7:12-15).
2. É permitido quando um dos cônjuges cometeu adultério (Mateus 5:31-32).
3. Muitos cristãos consideram o divórcio inevitável em caso de abandono, porque um dos cônjuges, na prática, já se «divorciou».
4. É claro que devemos seguir também o resto da Palavra de Deus, e muitos cristãos consideram que o divórcio se justifica se a vida de um cônjuge ou de um filho estiver em perigo por parte do outro cônjuge.
Chuck Swindoll, no seu panfleto «Divórcio», identifica apenas três circunstâncias em que é aceitável que um cristão volte a casar após o divórcio:
4a. Casamento e divórcio anteriores à salvação
4b. Um cônjuge imoral e impenitente
4c. Abandono/divórcio por parte de um não crente
Note-se que a morte de um cônjuge não constitui divórcio, e Romanos 7:3 ensina que o novo casamento é admissível após a morte de um cônjuge.
Estes versículos dizem para não se divorciar, exceto por estas razões, mas e se não o fizer e for o cônjuge a divorciar-se de si? Tal como no caso da morte de um cônjuge, nada impede o novo casamento quando foi o cônjuge que se divorciou.
Na época de Jesus, os mestres judeus tinham várias opiniões sobre o divórcio. A escola de Hillel afirmava que um homem podia divorciar-se da sua esposa por qualquer motivo, incluindo o facto de ela ter queimado a refeição! Josefo seguia Hillel e estava divorciado. Mais tarde, o rabino Akiba, da escola de Hillel, afirmou que uma esposa podia divorciar-se do marido por ele «olhar para outras mulheres» mais bonitas (M Gittin 9:10). A escola de Shammai afirmava que um homem não podia divorciar-se da sua esposa por qualquer motivo, exceto por «indecência». No entanto, se o divórcio ocorresse por um motivo errado, de acordo com a escola de Shammai, o novo casamento continuava a ser permitido (Mishná Eduyoth 4:7-10). Ou, como algumas pessoas dizem hoje em dia, «não se pode desfazer o que já está feito». O pequeno grupo de Qumran afirmava que o divórcio não era permitido por motivo algum (11QTemple 57:17-19). Os comentadores judeus não consideravam o caso de uma mulher se divorciar do marido. Talvez esta pergunta tenha sido feita a Jesus para ver com que grupo ele concordava e, talvez, para afastar de Jesus os seguidores da outra escola. Uma segunda razão para perguntar a Jesus é que (segundo Josefo) Herodias se divorciou do marido, Herodes II, para se casar com Herodes Antipas, e a resposta de Jesus, fosse qual fosse, não o faria ficar bem visto pelas autoridades.
P: Em Mt 19,8-9, o facto de Jesus alterar as leis sobre o divórcio implica que Deus inspirou escrituras com as quais Ele não concordava?
R: No âmbito da Antiga Aliança, Jesus disse que o divórcio era permitido porque os corações das pessoas eram duros. Isto demonstra que Deus permite, durante um determinado período, coisas que não deseja. No entanto, no âmbito da Nova Aliança, um homem não deve divorciar-se da sua esposa, a não ser em caso de adultério. Mas hoje em dia não devemos ter corações duros. Devemos certificar-nos de que o nosso casamento não está apenas colado com cola barata, mas sim com cimento divino.
A título de curiosidade, a palavra «esclerose» deriva da palavra grega «skleros», que significa «duro». A palavra completa é «sklerokardian».
P: Em Mt 19,9, por que razão um homem que se divorcia da sua esposa e se casa com outra comete adultério, uma vez que a poligamia era permitida?
R: Não, a poligamia não é adultério. O ensinamento de Jesus aqui é o mesmo, independentemente de se tratar de monogamia ou poligamia. Há cinco pontos a considerar na resposta.
A posição de Deus sobre o divórcio é claramente expressa em Malaquias 2:16: Deus detesta-o. Na época da Lei mosaica, Deus apenas o permitiu porque os corações das pessoas estavam endurecidos, de acordo com Mateus 19:8. No Novo Testamento, não é permitido divorciar-se do cônjuge, exceto em caso de adultério.
No entanto, se um cônjuge não crente insistir em divorciar-se de si, Deus ordena-nos que o permitamos, uma vez que Deus nos chamou para a paz, como diz 1 Coríntios 7:15. Obedecer à ordem de Deus de permitir [com relutância] que um cônjuge se divorcie de si é, do ponto de vista bíblico, diferente de desobedecer à ordem de Deus ao optar por se divorciar do seu cônjuge.
A visão de Deus sobre a poligamia. Adão e Eva constituíram um modelo de dois (e não múltiplos) que se tornaram uma só carne (1 Coríntios 6:16). A poligamia era permitida tanto no Antigo como no Novo Testamento. No entanto, no Novo Testamento, era mal vista, uma vez que os líderes da igreja não podem ser polígamos.
Mais importante do que o modelo de Deus para o casamento monogâmico é a ordem de Deus sobre o divórcio. Quando os missionários cristãos pregam entre povos primitivos, dizem aos homens polígamos para não se divorciarem das suas esposas, porque isso privaria as esposas de apoio financeiro; no entanto, desencorajam os maridos de casarem com mais mulheres.
Portanto, foi a escolha de quebrar o voto matrimonial que constituiu a causa do adultério, e não a poligamia. Independentemente de um homem ter mais do que uma esposa ou não, se um homem optar pecaminosamente por se divorciar — o que Deus detesta —, então Deus não deseja que ele volte a casar.
P: Em Mt 19,9, existem manuscritos que não incluem a expressão «exceto por causa de fornicação»?
R: Todos os manuscritos registados por Aland et al. (3.ª edição) dizem «exceto por causa de fornicação» ou «se não for por fornicação», com exceção do manuscrito 1574. O manuscrito 1574 foi escrito no século XIV, pouco antes do fim da Idade Média.
Além disso, Tertuliano, que escreveu entre 198 e 220 d.C., afirmou que o divórcio não é permitido, exceto por causa de fornicação, tanto na obra «A Sua Esposa», livro 2, capítulo 2, p. 45, como em «Sobre a Modéstia», capítulo 16, p. 92. Assim, esta cláusula não constituiu uma adição posterior à época de Tertuliano. Não há provas que permitam duvidar de que a frase estivesse originalmente presente.
P: Em Mt 19,12, ensina isto, resumidamente, que um homem poderia tornar-se eunuco pelo reino de Deus, tal como afirma um ateu (Capello)?
R: Não. Vamos examinar ambas as possibilidades. Uma vez que a castração cirúrgica implicaria também o celibato, a questão é saber se este versículo se refere apenas ao celibato, ou então ao celibato por meio da castração. Concorda?
Uma vez que a castração física contraria Deuteronómio 23:1, interpretá-la como celibato é muito semelhante a 1 Coríntios 7:2,7, e os primeiros cristãos compreenderam universalmente isto como celibato; devemos, portanto, interpretá-la de forma coerente com o Antigo Testamento, o Novo Testamento e a forma como os cristãos a têm interpretado uniformemente. Consulte a próxima pergunta para uma resposta mais extensa.
P: Em Mt 19:12, Jesus afirma: «... e há eunucos que se tornaram eunucos por causa do reino dos céus. Quem puder compreender isto, compreenda.» Aqui temos [supostamente] o apoio de Cristo à autocastração. Pergunto-me quantos homens cristãos provariam a sua lealdade a Deus fazendo isto? Curiosamente, este apoio à castração contradiz Dt 23,1.
R: Isto refere-se ao celibato, não à castração. Mas vamos examinar ambas as possibilidades.
Celibato: Jesus sentia-se à vontade para usar hipérboles no seu discurso (quer dizer que eu arranquei o meu olho e cortei a minha mão para nada!), e aparentemente não se preocupava com a possibilidade de estes judeus, que conheciam a lei, interpretarem mal as suas palavras. Os saduceus e os fariseus criticaram Jesus por muitas coisas, mas Jesus não foi criticado por isto, uma vez que a hipérbole foi compreendida.
Castração física: Se este versículo se referir também à castração física, iria contra o Antigo Testamento, em Deuteronómio 23:1, e nada nas Escrituras ou nos escritos da Igreja primitiva indica que Jesus tenha ensinado algo contrário à Lei do Antigo Testamento, exceto no que diz respeito à alimentação — onde Ele era menos restritivo — e ao divórcio e ao amor, onde Jesus tinha um padrão mais elevado.
Se Jesus realmente se referisse à castração, então não haveria diferença neste versículo entre aqueles que são tornados eunucos pelos homens e aqueles que optaram pelo celibato/castração pelo reino de Deus.
Além disso, este ensinamento de Jesus é muito semelhante ao ensinamento de Paulo em 1 Coríntios 7:2,7, onde Paulo se refere claramente ao celibato (tanto para homens como para mulheres) pelo reino de Deus.
Por fim, devemos perguntar-nos não como as pessoas, 2 000 anos mais tarde, poderiam interpretar este versículo na cultura moderna, mas como os primeiros cristãos o interpretariam. Justino Mártir, na sua Primeira Apologia, capítulo 14, cita este versículo e fala daqueles que se casaram duas vezes. Embora seja discutível se Justino se refere à poligamia, ao novo casamento após o divórcio ou ao novo casamento após a morte de um cônjuge, independentemente disso, Justino está a falar de celibato, não de castração. Tertuliano, em «Sobre a Ressurreição da Carne», capítulo 27, utiliza este versículo e fala da «beleza resplandecente da carne não casada» (ou seja, o celibato em geral).
Em resumo, aqueles que se orientam pela Bíblia para guiar as suas vidas, quer vivam no século II ou no século XXI, podem compreender o que isto significa.
P: Em Mt 19,14, de que forma o Reino dos Céus pertence às criancinhas?
R: Isto pode ser verdade de várias formas.
a) Temos de reconhecer a nossa dependência infantil de Deus para sermos salvos. Deus ajuda aqueles que Lhe reconhecem a sua impotência.
b) Deus cuida das crianças que morrem antes da idade da responsabilidade. A Bíblia sugere que elas estão no Céu, embora sem quaisquer recompensas.
Tanto os tolos como as crianças desconhecem muitas coisas, mas, pelo menos, as crianças sabem que desconhecem muitas coisas.
A título de nota, era comum, nos dias de Jesus, levar as crianças para serem abençoadas por rabinos e anciãos. Isso também é mencionado a título de exemplo em Génesis 48:14; Números 27:18; Atos 6:6; 13:3; Mateus 9:18, 20; Marcos 10:16.
P: Em Mt 19,14, o calvinismo, para ser coerente, ensina que todos os que morrem ainda bebés vão para o Inferno?
R: Não, trata-se de uma acusação falsa de que já ouvi falar. Embora Ambrósio de Milão, Agostinho, Próspero da Aquitânia e alguns outros ensinassem que todos os bebés não batizados que morrem vão para o Inferno, eles não eram calvinistas, mas sim, na sua maioria, agostinianos.
Os calvinistas acreditam na visão bíblica de que, em última instância, é Deus quem tem o poder de salvar; não é o batismo, as nossas obras nem a nossa fé. Deus pode escolher salvar por meio de Cristo da forma que Lhe aprouver. Eis o que dizem os próprios calvinistas.
«Todos aqueles que morrem na infância estão entre os eleitos», segundo Lorraine Boettner em *The Reformed Doctrine of Predestination*, pp. 148, 149. A Segunda Confissão Escocesa (1580 d.C.) afirma: «Abominamos e detestamos o seu [do papa] julgamento cruel contra os bebés que morrem sem batismo.» C.H. Spurgeon, apelando (incorretamente) a Ezequiel 16:21, acreditava que as crianças que morrem vão para o Céu. Outros calvinistas que concordavam com isto incluem Charles Hodge, W.G.T. Shedd e B.B. Warfield. O calvinista Curt Daniel, na sua dissertação *The History and Theology of Calvinism* (p. 336-339), tem uma secção intitulada «As crianças que morrem são salvas».
Eis o que o próprio Calvino afirmou em *Instituições da Religião Cristã*, livro 4, capítulo 16, p. 2:541: «Mas como, perguntam eles, é que as crianças são regeneradas, se não possuem conhecimento nem do bem nem do mal? Respondemos que a obra de Deus, embora esteja além do alcance da nossa compreensão, não é, por isso, nula. Além disso, as crianças que serão salvas (e é certo que algumas são salvas nessa idade) devem, sem dúvida, ter sido previamente regeneradas pelo Senhor. Pois, se trazem consigo a corrupção inata desde o ventre materno, têm de ser purificados antes de poderem ser admitidos no reino de Deus… Mas, para silenciar esta classe de opositores [críticos], Deus deu, no caso de João Batista, … uma prova do que poderia fazer noutros.»
P: Em Mt 19, 16-17, estará Jesus a negar que era bom, ou que era Deus?
R: Não, Jesus não está a abordar essa questão aqui. Consulte a discussão nos evangelhos sobre Mt 19, 16-17 para obter a resposta.
P: Em Mt 19,17, o que é o bem?
R: Em Génesis 1 e 2, Deus declarou que toda a criação era boa antes da Queda da humanidade. Jesus disse em Marcos 10, 18 e Lucas 18, 19 que ninguém é bom, a não ser somente Deus. Deus é a fonte da bondade, mas, como salientou Tomás de Aquino, definir Deus como bom apenas porque Deus é a fonte do bem não é mais válido do que definir Deus como um corpo físico porque Deus é a fonte de todos os corpos físicos.
Para nós, a bondade é aquilo que corresponde ao caráter e à vontade desejada de Deus. É-nos ordenado que pratiquemos o bem em 1 Timóteo 6:18, pelo que podemos ser bons num sentido limitado. Deus é bom de uma forma superior, porque 1) Ele é a fonte de toda a bondade, que Ele nos concede; 2) Ele é o padrão pelo qual a bondade é avaliada; 3) e nada é totalmente bom, exceto Ele (Marcos 10:18; Lucas 18:19).
P: Em Mateus 19:23, é verdade que as pessoas ricas não podem ir para o céu?
R: Não, caso contrário, Abraão estaria em apuros, e Paulo, Tiago e o autor da Epístola aos Hebreus, para não falar de Jesus, estariam errados ao apresentar Abraão como um herói da fé. Jó, depois de Deus o ter abençoado com riquezas, também estaria em apuros. Pelo contrário, é o amor às riquezas e a confiança nelas que tornam difícil a uma pessoa ir para o Céu. Uma pessoa poderia ter grande riqueza, como Abraão, e não amar nem confiar na sua riqueza. A palavra grega aqui utilizada para «triste», lypoumenos, significa angustiado ou muito triste.
P: Em Mt 19,24; Mc 10,25 e Lc 18,25, o que quis Jesus dizer com «um camelo passar pelo buraco de uma agulha»?
R: Alguns pensam que «o buraco da agulha» era uma alcunha para uma porta estreita em Jerusalém. No entanto, embora Jerusalém e outras cidades tivessem algumas portas muito estreitas, não nos é conhecida nenhuma porta chamada «o buraco da agulha». A palavra grega aqui utilizada, rhaphidos, só pode significar uma agulha de costura ou cirúrgica, e não algum tipo de porta dentro de outra porta.
É mais provável que Jesus esteja a utilizar aqui uma hipérbole. É totalmente impossível que um camelo, especialmente um camelo carregado, passe pelo buraco de uma agulha. Jesus utilizou esta analogia cómica para expressar isso mesmo. Os escritores judeus do Talmude Babilónico (Berakoth babilónico 55b) utilizam uma hipérbole semelhante: «um elefante a passar pelo buraco de uma agulha». (Os elefantes eram mais comuns na Babilónia, e a sua utilização na Babilónia demonstra que não se tratava de um portão em Jerusalém.)
a) é naturalmente impossível que um homem que se considera rico alguma vez vá para o Céu, e
b) todas as coisas, até mesmo um homem rico ir para o Céu, são possíveis com Deus (Mateus 19:26; Marcos 10:27; Lucas 18:27).
P: Em Mt 19, 27 e 30, qual é a questão fundamental neste versículo e neste capítulo?
R: Primeiro, o que não é. Não se trata de saber se a sua mente acredita na palavra de Jesus — todos acreditavam, até mesmo o jovem rico. Também não se trata de saber se decidiram que queriam seguir Jesus. Já o fazem, e Jesus chegou mesmo a afastar alguns que diziam querer segui-Lo. Trata-se, antes, do seu coração. Está disposto a deixar tudo o resto para seguir Jesus? Talvez seja a escolha de permanecer numa situação conjugal (seja celibatário ou casado), quando uma opção que Deus não lhe deixou em aberto parece mais atraente neste momento. Talvez seja a escolha de uma situação financeira menos vantajosa, quando tem quase a certeza de que poderia ir contra Deus e ganhar significativamente (ou mesmo apenas um pouco) mais dinheiro. Se Deus tem a sua mente e a sua vontade, isso é ótimo. Mas será que Deus também tem o seu coração?
P: Em Mt 19, 27.30, de que formas pode perceber se algo ocupa mais a devoção do seu coração do que Deus?
R: Muitas vezes, é possível descobrir a quem ou a que se dedica a sua devoção observando o seu tempo, o seu dinheiro e o seu coração.
Tempo: Se o tempo que dedica a algo for superior ao tempo que dedica a adorar, orar e servir a Deus, então algo está desequilibrado. Certa vez, conheci um homem que tirou toda a primavera e o verão de folga para assistir a todos os jogos de basebol, em casa e fora, da sua equipa favorita. À primeira vista, poderá pensar que a sua dedicação era louvável. Mas, pensando melhor, não é de todo louvável. Será que ele achava que não tinha nada melhor para fazer na vida do que passar o tempo todo a ver basebol? Não havia nada melhor que pudesse fazer?
Dinheiro: Analise o seu extrato bancário todos os meses. Há despesas essenciais que tem de pagar, como a renda ou a hipoteca, alimentos básicos e outras despesas. Mas e quanto ao resto do dinheiro? Em que categoria gasta mais do que doa a Deus? Existem coisas, como férias frequentes, refeições requintadas ou roupa de luxo, que consomem uma parte excessiva do seu orçamento?
Coração: O título de um filme diz tudo: «O Céu pode esperar». Se ainda não quer ir para o Céu, porque algo lhe parece mais atraente aqui na Terra, é provável que a sua dedicação a isso seja maior do que a sua dedicação a Deus. Se há algo claramente afirmado nas Escrituras que afirma não conseguir seguir, isso pode ter um domínio mais forte sobre o seu coração do que Deus. Mesmo que racionalize dizendo que «Deus compreende» ou que «afinal, somos todos pecadores, por isso não importa», está apenas a enganar-se a si próprio.
P: Em Mt 19,28 e Lc 22,28-30, uma vez que os discípulos se sentarão em doze tronos, será que Judas Iscariotes também se sentará?
R: Não. Em primeiro lugar, Lucas 22:28-30 não menciona doze tronos, mas apenas doze tribos. Na verdade, Mateus 19:28 NÃO diz que os doze discípulos se sentarão em doze tronos. Em vez disso, diz: «… vós que Me seguistes, também vos sentareis em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» Portanto, diz que haverá doze tronos, mas não diz que os doze discípulos se sentarão neles. Pelo contrário, Jesus prometeu isto apenas a «vós que Me seguistes». Judas não continuou a seguir Jesus e abandonou o seu lugar como discípulo depois de O ter traído, tal como diz Atos 1:20. Em Mateus 19:28, Jesus prometeu isto apenas a «vós que Me seguistes».
P: Em Mt 19,29, como é que as pessoas terão 100 vezes mais pais, mães, etc., nesta vida?
R: Este versículo aplica-se tanto a esta vida como à vida futura. Imagine ter lares por todo o mundo que estão abertos para o acolher, e pessoas de todas as raças do mundo que são os seus queridos irmãos e irmãs. É isto que temos, ou devemos ter, na comunidade cristã a que chamamos igreja. Além disso, no Céu teremos, de forma aperfeiçoada, aquilo que temos de forma imperfeita na Terra.
P: Em Mt 19,30, Mc 10,31 e Lc 13,30, de que forma é que aqueles que são os primeiros serão os últimos e vice-versa?
R: No final, poderemos muito bem ficar surpreendidos com quem estará em primeiro lugar e quem estará em último. As coisas serão diferentes, pelo menos, de quatro formas:
Orgulho: Aqueles que foram orgulhosos nesta vida serão humilhados, e os humildes serão exaltados (Tiago 4:6; Lucas 1:51-52).
Riqueza: De um modo geral, muitas pessoas com muito dinheiro não vêem grande necessidade de se aproximarem de Deus, como sugere Provérbios 30:8-9, e como ilustra o exemplo de Lucas 16:19-21. Paulo afirma em 1 Coríntios 1:26-31 que poucos membros da igreja de Corinto eram sábios segundo os padrões do mundo, ou influentes. Tiago 2:5 mostra que isto era verdade na maioria das igrejas primitivas. Ver também Lucas 1:53 e Tiago 5:1-6.
Recompensas: Deus julgará os crentes com base no que lhes foi dado. A quem muito foi dado, muito será exigido.
Serviço: Os maiores crentes, aos olhos de Deus, são os servos dos outros, como demonstram Marcos 9:35-37, Lucas 9:46-48 e Mateus 18:1-4.
Tenha cuidado ao tentar negociar a sua entrada no céu ou a obtenção de recompensas. Pois, como Deus conhece as motivações, aqueles que exteriormente parecem ser os primeiros podem vir a ser os últimos.
P: Em Mateus 20:1-16, o Mestre é justo nesta parábola?
R: O Senhor representa Deus, e Deus é justo segundo os Seus padrões. Não posso responder se Ele é injusto segundo os vossos padrões, pois algumas pessoas têm conceitos muito estranhos de justiça. Deus está a ensinar-nos que o Seu padrão de justiça ainda permite uma generosidade especial.
Deus é justo e pagou corretamente a cada trabalhador o que lhes tinha prometido.
O primeiro grupo negociou o seu salário. Os outros grupos simplesmente deixaram que o proprietário lhes pagasse o que Ele decidisse. Preferimos ter a graça de Deus do que tentar negociar com Ele. Quando se pode escolher entre justiça e graça, opta-se pela graça.
P: Em Mateus 20:1-16, todos recebem as mesmas recompensas no Céu?
R: Não. Embora Mateus 20:1-16 possa parecer indicar que sim, 1 Coríntios 3:12-15 ensina explicitamente que não devemos pensar que todos recebem as mesmas recompensas no Céu.
P: Em Mt 20,1-16, por que razão esta é uma excelente parábola para estudar com os mórmons (SUD)?
R: Esta religião falsa dá ênfase às obras, e a salvação baseia-se no que cada um merece. O mormonismo ensina que existem três céus: o mais elevado para os bons mórmons; o intermédio, ligeiramente melhor do que a Terra, para os mórmons maus e os bons cristãos; e o céu mais baixo, ligeiramente pior do que a Terra, para a maior parte do resto da humanidade. Embora o Livro de Mórmon afirme: «Sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer» (2 Néfi 25:23), isso é apenas um pretexto para «tudo o que puderem fazer». Deixando de lado as questões de saber se realmente fizeram tudo o que podiam, ou o que significa «depois», isto, no mínimo, sugere que a salvação combina obras e graça. Esta parábola faz pouco sentido no âmbito do mormonismo, ou, na verdade, na maioria das religiões baseadas nas obras.
P: Em Mt 20:17-19, como é que Deus Todo-Poderoso pode permitir que o Seu profeta Jesus seja entregue aos gentios para ser ridicularizado e morto?
R: Por vezes, é necessário estar disposto a parecer inicialmente derrotado para alcançar a vitória final.
P: Em Mt 20, 20-28, uma vez que os grandes cristãos são servos, e não governantes sobre os outros, por que razão alguns líderes cristãos parecem esquecer-se disto?
R: O poder pode corromper, e muitos homens ímpios autodenominavam-se crentes. Pode ler sobre alguns dos tristes exemplos que Deus nos ensinou nos livros de Reis e Crónicas.
P: Em Mt 20,22, o que é que Jesus salienta como sendo ignorante no pedido deles?
R: Eles apenas perguntaram sobre a recompensa. Tal como algumas pessoas hoje em dia, conforme afirma o «Believer’s Bible Commentary», p. 1280, : «Eles queriam uma coroa sem cruz, um trono sem o altar do sacrifício, a glória sem o sofrimento que a precede.» Jesus não repreendeu o desejo deles. Não há problema em desejar grandes recompensas no céu, mas não se não estiver disposto e não for capaz de fazer o que conduz a essas recompensas. Todos os apóstolos morreram como mártires, exceto João, que teve uma morte natural. Como disse Robert Little: «Tiago teve uma morte de mártir, João viveu uma vida de mártir.»
Jesus não se limitou a exigir sacrifício; Ele também o demonstrou. No entanto, há quem pense que, embora Jesus tenha escolhido o serviço sacrificial, de alguma forma sentem que eles próprios deveriam estar isentos.
Os outros dez discípulos ficaram indignados com estes dois. Não se tratava tanto de orgulho por eles se estarem a colocar em destaque, mas sim de inveja por estes os terem ultrapassado com um simples pedido.
P: Em Mt 20,28, o que podemos aprender com o exemplo de Jesus aqui?
R: Jesus, que existe eternamente como Filho de Deus na glória, veio à Terra não para ser servido, mas para servir. Como seguidores de Jesus, temos de nos questionar sobre o quão sérios estamos. Sentimos que estamos aqui para «receber» e ser servidos, ou estamos nesta Terra principalmente para «dar» e servir a Deus e aos outros?
P: Em Mt 20,30, tratava-se de dois cegos ou de um único cego chamado Bartimeu, tal como diz Marcos 10,46-52?
R: Podem ter sido dois acontecimentos, uma vez que todos os cegos de Jericó desejariam ver Jesus. No entanto, uma vez que em ambos os evangelhos foram gritadas as palavras «Filho de David, tem misericórdia de mim/de nós», é mais provável que se tenha tratado de um único acontecimento. Bartimeu seria, então, o nome de um dos dois cegos. Marcos, que muito provavelmente ouviu isto de Pedro, só tinha conhecimento de um cego, mas sabia o seu nome. Mateus, que estava presente, viu os dois cegos.
P: Em Mt 20,32, por que razão Jesus perguntou ao homem, que era obviamente cego, o que ele queria que Jesus fizesse?
R: Podem existir duas razões distintas.
Em primeiro lugar, Jesus queria que o homem pedisse verbalmente antes de lhe ser concedido o dom da visão, e Jesus estava a dar-lhe a oportunidade de o fazer.
Em segundo lugar, nem todas as pessoas com deficiência desejam ser curadas. Já houve casos de pessoas em colónias de leprosos que infetavam deliberadamente os seus filhos para que estes pudessem ser sustentados para o resto da vida.
Quando tiver uma necessidade, precisar de um milagre ou chorar de tristeza perante a maldade que vê no seu próprio coração, não deixe que ninguém nem nada o distraia de clamar a Jesus.
P: Em Mt 21,1-3; Mc 11,2-3; Lc 19,30-31, por que razão Jesus disse aos seus discípulos para levarem um jumento?
R: Quando um rei entrava numa cidade, fazia-o montado num cavalo, um animal de batalha, para simbolizar que era um conquistador. Quando um rei ou juiz entrava montado num jumento, isso simbolizava que vinha em paz, sem o seu exército. Isto também cumpriu Zacarias 9:9-10.
Um ponto fundamental desta passagem é que Jesus proclamou, de forma muito evidente, que era o Messias. Se as autoridades judaicas decidissem matá-Lo, não seria por ignorarem que Jesus afirmava ser o Messias.
Além disso, a aceitação do proprietário e a ausência de surpresa perante o facto de os discípulos terem levado o jumento indicam que o proprietário já não se importava que Jesus o utilizasse. Quando Jesus parou brevemente em Betânia, nos arredores de Jerusalém, isso terá dado tempo para que a notícia se espalhasse e se formassem multidões.
P: Em Mt 21,1-46, como reagem hoje em dia as várias pessoas quando Jesus e o Seu ensinamento cruzam os seus caminhos?
R: Alguns acolhem a oportunidade de o ver mais de perto e caminham com Jesus. Outros tentam ignorá-lo. Outros ainda demonstram hostilidade, perguntando: «Quem é que Ele pensa que é, para vir dizer-nos o que devemos fazer?» Tenha cuidado com as pessoas com quem se dá. Se conviver ou se associar muito com o último grupo, tenha cuidado para não se tornar cada vez mais parecido com eles.
P: Em Mt 21, 12-13; Mc 11, 12-19 e Lc 19, 43-48, por que razão Jesus se zangou com os cambistas?
R: Estas pessoas encontravam-se na Casa de Deus sem qualquer intenção de adorar a Deus. Constituíam tanto uma distração como um desânimo para aqueles que vinham adorar a Deus. Deus leva a nossa adoração muito a sério.
As Mishnás judaicas registam incidentes de especulação nos preços dos animais. (As primeiras Mishnás foram escritas por volta de 200 d.C.) Se uma pessoa tivesse de levar um animal para sacrificar no Templo e os preços fossem injustamente elevados para a compra de um animal, os pobres seriam impedidos de adorar a Deus devidamente.
É bastante curioso que alguns, que pareciam tão insistentes quanto à religião correta, criticassem Jesus por permitir que as crianças dissessem «Hosana», mas não tivessem qualquer problema com o facto de os cambistas obterem lucros exorbitantes à custa dos fiéis.
É interessante que, para as oferendas, insistissem em trocar a moeda romana por moedas de Tiro. Alguns pensavam que isso se devia ao facto de as moedas romanas ostentarem imagens de deuses e imperadores que se proclamavam deuses. No entanto, as moedas de Tiro também tinham imagens de deuses.
P: Em Mt 21, 14-15, o que há de significativo no facto de os cegos e os coxos se dirigirem a Jesus para que os curasse?
R: Era muito difícil ser cego, coxo ou, de outra forma, incapaz de trabalhar na sociedade antiga. Não havia qualquer expectativa de que o governo o ajudasse. Embora as congregações judaicas e a família ajudassem os pobres, era ainda assim irregular conseguir a ajuda financeira necessária. Embora isto não seja ordenado no Antigo Testamento, a maioria das autoridades judaicas proibia os cegos ou coxos de oferecerem sacrifícios, embora ainda lhes fosse permitido entrar no Templo. Jesus ajudou-os curando-os.
Em contraste com a prática judaica habitual de prestar alguma ajuda e permitir que mendigassem no Templo para o resto do seu sustento, a comunidade de Qumran (1QSa 2:5-22; 1 QM 7:4-5) acreditava que todas as pessoas com deficiência estavam excluídas da congregação judaica ou do banquete messiânico do fim dos tempos.
P: Em Mt 21,16-17, uma vez que se supõe que devemos adorar apenas a Deus, por que razão Jesus aceitou louvores?
R: Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Jesus não só aceitou elogios e louvores, como também aceitou adoração em João 9:38. (A palavra grega proskuneo, neste contexto, implica muito mais do que apenas agradecimento ou respeito.)
2. É bom prestar honra e louvor a líderes piedosos (mas não adoração), como mostra Filipenses 2:29. No entanto, adore apenas a Deus (Mateus 4:9-10; Lucas 4:7-8; Apocalipse 19:10; 22:8-9)
3. Não só os homens (Mateus 2:2), mas também os anjos adoram Jesus como Deus em Hebreus 1:6.
4. Jesus é Deus (João 1:1; Hebreus 1:8,9), e Jesus é o nosso Senhor e o nosso Deus (João 20:28-29).
P: Em Mt 21:18-19, Mc 11:14,20-21, por que razão Jesus pareceu ser tão severo ao ponto de fazer murchar uma figueira, que não tem capacidade de raciocínio?
R: Isto é quase como perguntar quantas plantas de trigo foram cruelmente mortas para que o senhor pudesse comer a sua fatia de pão. A resposta é nenhuma, porque as plantas, que não pensam, não podem ser cruelmente mortas. Além disso, se uma árvore não apresenta botões nem frutos na altura em que isso seria esperado do ponto de vista botânico, isso é um indício de que está doente, o que constitui uma descrição adequada do establishment religioso judaico.
Jesus não estava preocupado com os sentimentos inexistentes da planta. Em vez disso, em Marcos 13:28-29, Jesus diz-nos para observarmos a parábola da figueira. Quando os ramos e as folhas brotam, então o verão está próximo. Da mesma forma, quando o Messias vier a Jerusalém, a redenção do homem estará próxima. No entanto, estes líderes davam a impressão de serem espiritualmente frutíferos, mas na realidade eram estéreis.
As figueiras dão folhas mesmo antes de darem figos verdes. As folhas de figueira sem os figos são uma espécie de «publicidade enganosa». Mas se não houver figos precoces agora, não haverá figos maduros mais tarde. Nas margens do Mar da Galileia, os figos estavam disponíveis dez meses por ano, embora esse período fosse mais curto nos arredores de Jerusalém.
Depois de ter feito isto, Jesus utilizou a ilustração de uma figueira em Mateus 24:32.
O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 441-442, com base em informações retiradas de um artigo intitulado «The Barren Fig Tree», de W.M. Christie, fornece mais pormenores. Afirma que, no final do mês de março, começam a surgir folhas nas figueiras e crescem pequenos botões, chamados «taqsh» em árabe palestiniano, do tamanho de amêndoas verdes. Estes caem, uma vez que não são figos verdadeiros, mas os camponeses comem-nos quando têm fome, embora não tenham um sabor muito agradável. No entanto, se as folhas de figueira surgirem sem «taqsh», então não haverá figos.
P: Em Mt 21,21-22 e Mc 11,24, uma vez que podemos pedir qualquer coisa em oração, por que razão os cristãos não pedem — e conseguem — que todos se tornem cristãos? Além disso, tenho uma longa lista de desejos...
R: Deus pode fazer tudo (exceto mentir, ser tentado pelo mal, negar-Se a Si próprio ou jurar por alguém superior a Si), mas uma impossibilidade lógica não existe. Deus não pode criar pessoas que escolham livremente amá-Lo e obedecer-Lhe sem que elas sejam capazes de escolher livremente amá-Lo e obedecer-Lhe.
Até o próprio Jesus chorou pela rejeição de Jerusalém em Mateus 23:37-39. Até aos fariseus foi permitido «rejeitar o desígnio de Deus para si próprios» em Lucas 7:30.
Quanto às longas listas de desejos, consulte a discussão sobre Mateus 7:7-11 para saber como Deus, tal como um Pai sábio, nos concede apenas as coisas boas que pedimos da forma correta. Louvado seja Deus por não nos dizer sempre «Sim»!
P: Em Mt 21,21-22 e Mc 11,24, quando reza e acredita, tem a garantia de que irá sempre receber aquilo por que reza?
R: Não, este versículo diz que tem de acreditar verdadeiramente naquilo que pede. Se acalenta o pecado no seu coração (Salmo 66:18), faz ouvidos moucos aos pobres (Provérbios 21:13), é ímpio (Provérbios 15:29; Isaías 59:1-3), se recusar a ouvir Deus (Zacarias 7:11-14 e implícito em Provérbios 28:9), ou se orar para satisfazer os seus desejos egoístas (Tiago 4:3), Deus, como um Pai sábio, não lho concederá.
P: Em Mt 21:23, qual era a dimensão do pátio do templo?
R: Antes do ministério de Jesus, Herodes, o Grande, tinha ampliado o pátio do Templo para cerca de 330 jardas por 500 jardas (300 metros por 460 metros). Era aí que Jesus se encontrava quando expulsou os cambistas e pregou.
P: Em Mt 21, 23-24, por que razão Jesus não respondeu simplesmente à pergunta sobre se Ele era o Messias?
R: A resposta era óbvia para aqueles que queriam saber. No entanto, mesmo depois de todos os milagres, não era possível dar uma resposta que eles aceitassem, uma vez que se recusavam obstinadamente a acreditar. Assim, Jesus falou de tal forma que, se eles respondessem honestamente à Sua pergunta, estariam também a responder à sua própria. Infelizmente, quando os próprios questionadores foram questionados, procuraram a resposta mais conveniente, e não a verdadeira.
P: Em Mt 21, 24-27, Mc 11, 33 e Lc 20, 7-8, por que razão Jesus se recusou a dizer-lhes com que autoridade fazia estas coisas?
R: Há dois pontos a considerar na resposta.
1. Jesus não tinha qualquer obrigação de responder à pergunta de alguém, especialmente a perguntas feitas não para descobrir a verdade, mas para O apanhar em armadilha.
2. Eles já sabiam a resposta. Jesus já tinha afirmado ser enviado por Deus ao fazer estas coisas. Eles apenas queriam uma declaração clara, naquele momento, nas Suas próprias palavras.
Uma vez que partilhamos a verdade, não devemos mentir, mas é aceitável recusar-nos a responder por vezes, especialmente se quem questiona não quiser saber a verdade, mas apenas tentar apanhar-vos em armadilha.
P: Em Mt 21, 33-41, uma vez que Deus é simbolizado pelo senhorio, será que, por vezes, Ele não sabe o que se está a passar?
R: O senhor da vinha simboliza, de facto, Deus, mas Ele sabe o que está a acontecer, como fica provado pelo facto de Jesus ter contado esta parábola. Deus é muuuito paciente e longânimo; esta parábola mostra-nos que Ele está até disposto a permitir a desobediência e a injustiça contínuas, e até mesmo a morte do Seu Filho, pelo bem dos perdidos. Isto para que eles possam vir até Ele. A tolerância de Deus tem, no entanto, um fim: no Dia do Juízo Final, quando tudo será posto em ordem.
Nesta parábola, o senhorio é tão gentil e, ao mesmo tempo, tão severo. É tão gentil que chega quase à insensatez. Mas, no final, os arrendatários recebem a ira severa que merecem.
Deus é o senhorio, os mensageiros eram os profetas do Antigo Testamento e o Filho é Jesus.
P: Em Mt 21,43, de que forma é que alguns interpretaram isto de forma grosseiramente errada no que diz respeito aos britânicos?
R: Quando se diz que o Reino de Deus vos será tirado (plural) [ou seja, aos judeus] e dado a outra nação (singular, ethnei em grego), alguns criaram um erro estranho chamado «british-israelismo». Na principal variante desta visão, afirma-se que as dez tribos perdidas, em vez de se terem assimilado aos outros povos do Médio Oriente, migraram todas em conjunto para as Ilhas Britânicas, pelo que o povo britânico descende dos judeus bíblicos (apesar das provas genéticas que indicam o contrário). Aparentemente, os anglos, os saxões, os jutos, os dinamarqueses e, mais tarde, os normandos, que se estabeleceram na Grã-Bretanha, não devem ter tido quaisquer descendentes! Mas sabia que existem marcadores genéticos que indicam que alguém tem ascendência anglo-saxónica? Cerca de 25 a 40 % dos genes dos britânicos são anglo-saxónicos. Consulte https://www.nature.com/articles/ncomms10408 (10 de dezembro de 2022) para obter mais informações científicas.
De qualquer forma, esta visão foi popularizada num livro intitulado «A View of the Hebrews», escrito pouco antes de Joseph Smith, Jr., o fundador do mormonismo. O britânico-israelismo é defendido pelos mórmons e pela Igreja de Deus Mundial, de Herbert W. Armstrong.
A nação/povo aqui referida é a igreja, e os cristãos de todas as origens étnicas e países fazem igualmente parte dela.
P: Em Mt 21,46, Jesus era realmente um profeta ou as pessoas apenas O consideravam um profeta?
R: O facto de «o considerarem um profeta» não indica se Ele era realmente um ou não. Ele vinha de Deus, proferia as Palavras de Deus e predizia o futuro; por isso, era um profeta, e muitos consideravam-no como tal.
P: Em Mt 22,13-14, como é que Deus, sendo todo-amor, pode expulsar alguém e lançá-lo nas trevas?
R: Quem disse que Deus é todo-amoroso? A Bíblia não o diz. Como afirma Romanos 11:22, considere tanto a bondade como a severidade de Deus. Deus é o ser mais amoroso do universo. No entanto, Ele não é amoroso tal como alguns definem o amor, se a definição deles contradizer os Seus outros atributos de santidade, justiça e ira.
P: Em Mateus 22:14, a frase «muitos são chamados, poucos são escolhidos» refere-se a variações e graus de fé e certeza, tal como ensinam os bahá’ís em «Algumas Perguntas Respondidas», pp. 129-131?
R: Não. Se ler toda a parábola em Mateus 22:1-14, verá que esta divide as pessoas em duas categorias: aqueles que entram no banquete nupcial real e aqueles que não entram. «Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos» refere-se àqueles que foram convidados a entrar, mas que recusaram, e a um homem que queria entrar com roupas inadequadas. É possível que, depois de ter sido convidado, ele tenha seguido com as suas afazendas sem se preparar para o casamento e, quando a hora se aproximou, não tivesse tido tempo de ir a casa trocar de roupa. Isto é semelhante ao que acontece com algumas pessoas que querem seguir Cristo, mas não fazem qualquer alteração na sua rotina para o fazer. Precisamos de «trocar de roupa» por Cristo.
A propósito, esta é uma parábola diferente da de Lucas 14:16-24, que trata de um banquete privado, com um ensinamento distinto.
Há aqui uma lição para todos. Não se pode limitar-se a ler um único versículo da Bíblia, ignorando o que está escrito antes ou depois, e esperar interpretar corretamente o significado.
P: Em Mateus 22:21, o que está Jesus a dizer sobre os impostos e o governo?
R: Primeiro, um pouco de contexto; depois, a resposta.
Muitos judeus ressentiam-se por terem de pagar impostos aos romanos gentios, idólatras e opressores. Na verdade, alguns zelotes afirmavam que um judeu desonrava Deus quando pagava o imposto aos romanos. Uma moeda romana tinha a inscrição «Tibério César Augusto, filho do Divino Augusto». Os fariseus pagavam o imposto porque eram obrigados a fazê-lo, mas não ficavam contentes por isso. Assim, se apoias o pagamento de impostos, perdes o apoio deles. É claro que, se apoias a não pagamento de impostos, aqueles que interrogavam Jesus podem correr diretamente para os romanos e informá-los. Por isso, tentaram colocar Jesus entre a espada e a parede.
Jesus não se pronunciou sobre a sua disputa política quanto à legitimidade ou não do poder romano. Mas Jesus disse para dar às autoridades civis no poder, justas ou não, o que lhes era devido, e dar a Deus o que Lhe era devido. Romanos 13:1-6 também afirma que devemos pagar impostos e submeter-nos às autoridades governantes.
Jesus também transmitiu aqui uma segunda mensagem. Jesus indicou, através da Sua resposta, que a liberdade, a independência nacional e o patriotismo não eram o fim primordial para um cristão; segui-Lo a Deus é que o é. Uma terceira mensagem que Jesus sugeriu aqui é que podemos ser cidadãos do Reino de Deus e, ao mesmo tempo, submeter-nos aos governos civis seculares. Os romanos, especialmente mais tarde sob o reinado de Nero, eram governantes horríveis que tornaram a corrupção algo normal. E, no entanto, não há qualquer registo de Paulo ou de qualquer outro apóstolo a tentar iniciar uma rebelião ou um movimento de independência.
P: Em Mt 22,29, por que razão Jesus disse aos saduceus, que obviamente tinham estudado as Escrituras, que estavam em erro porque não conheciam as Escrituras nem o poder de Deus?
R: Os saduceus acreditavam que apenas os primeiros cinco livros do Antigo Testamento (de Génesis a Deuteronómio) constituíam as Escrituras, e não o resto da Bíblia, de acordo com os primeiros escritores cristãos. Josefo também afirmou que eles apenas observavam o que estava na Torá. Atos 23:8 afirma que os saduceus negavam a ressurreição, os anjos e os espíritos. Ainda hoje, as pessoas podem ler e estudar a Bíblia, mas continuam a optar por ignorar o poder de Deus e o que significa acreditar nas Escrituras.
P: Mateus 22:30 significa que não teremos corpos físicos no céu, uma vez que seremos como os anjos e os anjos são espíritos (Hebreus 1:14)?
R: Não. A comparação é com o casamento. Não significa que seremos como os anjos em todos os aspetos, mas apenas neste aspeto.
P: Em Mt 22,30, Mc 12,25 e Lc 20,34-35, isto significa que não há casamentos no Céu, ou apenas que não há novas cerimónias de casamento, mas que alguns casamentos terrenos permanecem no Céu?
R: Sabemos que não há casamentos no céu ao lermos Romanos 7:2. Uma mulher não pode estar casada com mais do que um homem. No entanto, se o homem falecer, ela fica livre do casamento e pode casar-se novamente. Assim, ela já não se encontra casada no céu.
Como nota à parte, a falsa religião do mormonismo acredita que alguns «casamentos no templo» são eternos. No entanto, se o marido falecer, a esposa pode casar-se novamente. Apenas não pode ter dois casamentos no templo para este tempo e para toda a eternidade. Do ponto de vista mórmon, o que estaria o homem no céu mórmon a pensar enquanto a sua esposa «se divertia» com um casamento normal após a sua morte?
P: Em Mt 22,30, será que isto de alguma forma apoia o sexo fora do casamento, como defende a seita denominada «Família do Amor» (anteriormente «Filhos de Deus»)?
R: De modo algum. Afirmar que não teremos uma relação matrimonial no céu significa simplesmente o que Jesus disse que significa: que não haverá necessidade de casamento no céu. Não significa que, na Terra, devamos ser sexualmente promíscuos ou totalmente celibatários sem casamento. É interessante observar este tipo de afirmação para perceber até onde alguns podem ir na tentativa de interpretar a Bíblia à luz das suas próprias opiniões, que não constam na Bíblia.
P: Em Mt 22,30; Mc 12,25 e Lc 20,34-35, Olá. O meu pai faleceu recentemente. A minha mãe está a passar por um momento muito difícil e quer saber se continuará casada com ele no Céu. Não sei como responder à sua pergunta. Sei que Mateus 16:19 diz que o que for atado na Terra será atado no Céu e o que for desatado na Terra será desatado no Céu. No entanto, ouvi dizer que «não há casamento no Céu». Não tenho um versículo que sustente isto, mas ouvi-o dizer. Pode ajudar-me a compreender?
R: As minhas condolências a si e à sua família pelo falecimento do seu pai. Não creio que Mateus 16:19 se destinasse a referir-se ao casamento, mas sim à liberdade de ir para o Céu. Mateus 22:23-32, porém, está relacionado com o assunto. Os saduceus, que negavam a ressurreição, pensaram em desacreditar tanto Jesus como os fariseus, argumentando que, se os casamentos no Céu fossem como na Terra, o que aconteceria a uma mulher que ficasse viúva várias vezes?
Em Mateus 22:30, Jesus respondeu que as pessoas não se casam nem são dadas em casamento no céu, mas são como os anjos de Deus, e os anjos, presumivelmente, são sempre solteiros. Alguns tentaram interpretar isto como significando que não há casamentos no céu, mas que as pessoas que eram casadas permanecem casadas. No entanto, esta não é uma interpretação válida deste versículo, porque, se fosse apenas isso que Jesus quisesse dizer, o argumento dos saduceus não seria refutado. Em termos modernos, se uma viúva voltasse a casar, então:
1) O seu primeiro marido no céu acabaria de perder uma esposa, ou
2) Ela teria dois maridos no céu, ou
3) Se ela não tivesse a certeza quanto à salvação do seu marido, não saberia se continuava casada ou solteira até à sua morte, uma vez que, presumivelmente, alguém no céu não estaria casado com alguém no inferno.
Não, tal como dizem normalmente os votos matrimoniais: «até que a morte nos separe». Se a sua mãe mais tarde decidisse casar-se novamente, não há nada de errado nisso, tal como Paulo ensina em Romanos 7:1-3. Pode até parecer-lhe estranho, a princípio, vê-la com outro homem, mas teria de se habituar a isso; o que Deus declarou especificamente como aceitável, não devemos dizer que está errado.
Dito isto, isso não significa que ela não possa passar milhares e milhares de anos com o seu ex-marido, como amigos queridos no céu. Espero que, no céu, quando formos perfeitos, o marido dela a ame ainda mais do que a amava na Terra, e ela a ele também. É claro que ambos amarão a Deus ainda mais.
P: Em Mt 22, 31-32 e Mc 12, 26, Jesus está justificado ao defender este ponto com base no tempo verbal do verbo «ser»?
R: Aparentemente sim, porque os saduceus não contestaram Jesus quanto ao tempo verbal da palavra hebraica.
Além disso, não faria sentido mencionar Abraão, Isaac e Jacob se estes não existissem e se Deus fosse abandonar os outros quando morressem. Os saduceus só poderiam dizer: «Deus já não é o Deus deles, porque estão mortos.» Mas Jesus, tal como os fariseus, afirmou que Deus continua a ser o Deus deles.
P: Em Mt 22, 35-36 e Mc 12, 28-29, por que razão Jesus não repreendeu esta pergunta, tal como fez com a pergunta anterior sobre o casamento?
R: A pergunta anterior sobre a mulher que teve sete maridos não tinha como objetivo descobrir a verdade, mas sim armar uma armadilha a Jesus. Esta pergunta surgiu porque quem a fez desejava genuinamente ouvir o que Jesus tinha a dizer. É legítimo fazer qualquer pergunta a Deus de forma respeitosa, desde que o façamos com o intuito de conhecer a verdade e segui-la.
Jesus não foi o único a quem foi feita esta pergunta; os rabinos debatiam este assunto entre si. A «regra de ouro negativa» de Hillel foi formulada quando os gentios lhe pediram que lhes explicasse toda a lei enquanto ele conseguisse permanecer em pé sobre uma perna. Ele disse que o resumo era: «Não faça aos outros o que não quer que lhe façam a si», e que o resto da lei é um comentário. Por outro lado, a Mekilta Êxodo 6 e o Sifre Deuteronómio 12:8; 19:11 afirmam que todos os mandamentos da lei são igualmente importantes.
P: Em Mt 22,37-40 e Mc 12,30, será que Jesus acrescentou realmente algo a Deuteronómio 6,4, ou será que o parafraseou sem lhe acrescentar nada?
R: Os evangelhos parafraseiam frequentemente o que Jesus disse e não apresentam necessariamente as palavras exatas. Mateus 22:37-40 refere «coração, alma e mente». Marcos 12:30 refere «coração, alma, mente e força». O texto massorético do Antigo Testamento refere «coração, alma e força», mas, de acordo com a Bíblia de Estudo NIV, p. 1475, alguns manuscritos da Septuaginta acrescentam a palavra «mente», pelo que Jesus não foi o primeiro a acrescentar «mente». (Os escritos de Filo, o Judeu, que se conservaram, não fazem referência a Deuteronómio 6:4. O Manuscrito do Mar Morto 4Q43 (=4QDt(p)) contém Dt 6:4-11, mas ainda não vi a sua tradução.)
Além disso, no pensamento judaico, coração, alma e mente não são categorias separadas, mas sim sobrepostas.
P: Em Mt 22,37, no que diz respeito ao maior mandamento, trata-se apenas de «coração, alma e mente», ou inclui também a força, tal como afirma Mc 12,29-30?
R: Existem duas respostas possíveis.
1. Jesus poderia ter-se expressado de diferentes formas, pelo que poderia ser ambas as coisas.
2. Os relatos evangélicos registam o que Deus fez com que os evangelistas recordassem. Não há qualquer problema em adotar uma interpretação conservadora das Escrituras e afirmar que a memória de Mateus foi imprecisa neste ponto, porque ele se esqueceu da «força».
Qual das duas respostas é a verdadeira? Na verdade, isso não importa, como demonstra a resposta à próxima pergunta.
P: Em Mt 22,37, por que razão um Deus soberano permitiu que o «maior mandamento» fosse preservado de forma imprecisa, de duas maneiras diferentes: como «coração, alma e mente» em Mt 22,37 e como «coração, alma, mente e força» em Mc 12,29-30?
R: A razão pela qual Deus permitiu deliberadamente isto pode estar indicada em 2 Timóteo 2:14. É muito fácil as pessoas ficarem presas às palavras exatas e negligenciarem a crença e a prática do ponto principal.
A Bíblia é totalmente exata e verdadeira, mas não foi escrita nem preservada da forma mais precisa possível. Tendo em conta que a Bíblia foi escrita e transmitida com toda a precisão que Deus exigiu (e é extremamente precisa em algumas partes), as imprecisões que observamos na Bíblia assumem maior importância aos olhos de algumas pessoas do que têm para Deus.
Deus poderia ter preservado este mandamento e outras partes da Bíblia com maior precisão, mas é provável que as imprecisões tenham sido deliberadas da parte de Deus. Deus enfatizou a seriedade com que devemos obedecer às Escrituras, mas quando começamos a discutir sobre as imprecisões, estamos a deixar de obedecer às Escrituras, conforme 1 Timóteo 6:4 e 2 Timóteo 2:14.
P: Em Mateus 22:40, de que forma toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos?
R: Toda a Lei dizia respeito à forma como agradamos a Deus e nos relacionamos com Ele, e à forma como amamos e nos relacionamos com as outras pessoas. É claro que a Lei tinha outros efeitos benéficos, tais como a redução de doenças, um acampamento mais higiénico, famílias mais fortes, etc., mas os israelitas não teriam necessariamente conhecimento de todos esses efeitos benéficos.
P: Em Mt 22,41-45, estará Mateus a refutar que Jesus fosse o filho de David ao referir-se ao Salmo 110?
R: De modo algum, uma vez que Mateus se referiu especificamente a Jesus como o Filho de Deus em Mateus 4:3,6; 8:29; 14:33; 16:16; 26:63; 27:40,43,54. Além disso, Jesus é implicitamente referido como o Filho de Deus em Mateus 2:15; 3:17; 17:5; 22:45. Jesus foi chamado de filho de David em Mateus 1:1; 9:27; 15:22; 20:30,31; 21:9,15; 22:42. Jesus estava a apresentar aos fariseus um enigma, para o qual estes não teriam resposta até que O aceitassem. O facto de Jesus concordar com o Salmo 110 e o citar para mostrar que essa pessoa é o Senhor de David não nega o facto de Jesus também concordar com o Salmo 110 e o citar para afirmar que essa pessoa era um filho de David.
A propósito, quando Jesus, que nunca tinha frequentado nenhuma escola rabínica, colocou uma questão à qual todos aqueles que tinham frequentado escolas rabínicas não conseguiram responder, isso ficou um pouco mal para eles e para as suas escolas.
Adamantius (c. 300 d.C.) respondeu a esta objeção de Bardesano apresentando outros exemplos em que foram levantadas questões. «O “como” não é uma negação, mas sim uma indagação. De facto, esta palavra ocorre nas Escrituras, não uma vez, mas frequentemente, para expressar não uma negação, mas sim uma indagação. Por exemplo: “Como pode um perseguir mil?” [Dt 32, 30 LXX]. Mais uma vez: «Como é que a cidade fiel, Sião, se tornou uma prostituta?» [Isaías 1:21 LXX]. E: «Como é que Lúcifer, que costumava nascer de manhã, caiu do céu?» [Isaías 14:12]. Cristo não disse «como» para negar, mas para fazer uma pergunta.» Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Quinta Parte, F13, p. 164.
P: Será que Mt 22,42 prova a reencarnação, ao mostrar que Jesus, filho de David, era a reencarnação de David, como afirma a (falsamente denominada) Unity School of Christianity?
R: Não. O termo «filho de» pode significar tanto «filho direto» como «descendente de». Jesus era um descendente de David. Não há provas de reencarnação nas Escrituras, mas há ensinamentos contra a reencarnação. Hebreus 9:27 afirma que está determinado que o homem morra uma vez e, em seguida, enfrente o juízo. Além disso, a ideia de que tentamos repetidamente, talvez até conseguirmos fazer «o certo», contraria totalmente a doutrina de que as pessoas morrem e depois vão para o Céu ou para o Inferno.
O escritor cristão primitivo Minucius Felix (210 d.C.) resume bem esta questão. Ele afirma que a ideia de as almas dos homens regressarem na forma de animais é uma «obscenidade de palhaços». *O Octávio*, de Minucius Felix, cap. 34, p. 194
P: Em Mt 23, Jesus teve razão em ser tão argumentativo?
R: Embora debater seja aceitável (como Paulo fez), Jesus não está a debater neste capítulo. Ele está simplesmente a dizer as coisas como elas são e a repreender veementemente os fariseus. Se a ideia de Jesus repreender veementemente alguém lhe é estranha na sua teologia, talvez a sua teologia precise de mudar para corresponder ao que Jesus faria. Como afirma o «Believer’s Bible Commentary», p. 1288, Jesus estava a «advertir contra as palavras altivas e a conduta mesquinha».
P: Em Mt 23,5-7, em que medida algumas pessoas hoje em dia se assemelham aos fariseus, expressando o seu orgulho e, ao mesmo tempo, mascarando-o?
R: Os fariseus preocupavam-se apenas com «fazer figura»; destacavam-se por deixarem que os outros soubessem o quão religiosos eram. Mas os seus grandes filactérios, para cumprir literalmente Deuteronómio 6:8, eram apenas uma forma de mostrar a todos o quão religiosos eram, um pouco como usar uma cruz extremamente grande. Hoje em dia, as pessoas podem fazer coisas para mostrar aos outros quanto dinheiro têm, quão instruídas são ou quão populares são. Tenha cuidado com a tentação de definir a sua autoestima com base nessas coisas.
Imagine ir fazer voluntariado para ajudar pessoas famintas e usar uma grande cruz de ouro de 14 quilates incrustada de diamantes enquanto as ajuda. Há algo de errado nessa imagem? Imagine doar muito dinheiro a uma instituição e esta não lhe pedir para dar o seu nome a um edifício em sua honra, mas você insistir para que o edifício receba o seu nome.
P: Em Mt 23,9, resumidamente, uma vez que não devemos chamar «pai» a ninguém, podemos chamar assim ao nosso pai terreno?
R: Sim. Jesus não se opunha a referir-se à relação física e ancestral direta de um pai, uma vez que o próprio Jesus utilizou essa palavra neste contexto em Lucas 11:47; João 6:58. Jesus opunha-se ao uso dos títulos religiosos de pai, mestre, professor, rabino, tal como os judeus faziam.
Estes podem ser interpretados de três formas diferentes, e todas elas estão corretas. Não chame a ninguém de «Pai», como se essa pessoa pudesse sustentar a sua vida espiritual. Não chame a ninguém de mestre infalível. E ninguém deve ser o seu «diretor espiritual»; a sua relação com Deus é tão próxima quanto a de qualquer outra pessoa.
Havia rabinos, pelo menos desde o tempo de Hillel, uma geração antes de Jesus. Após a compilação da Mishná, por volta de 217 d.C., uma pessoa tinha de obedecer ao seu rabino sem questionar, não podia caminhar ao lado nem à frente do seu rabino e não podia saudá-lo até que este a saudasse primeiro.
P: Em Mt 23,9, o que quer Jesus dizer quando afirma: «Não chameis a ninguém “pai”?» Obviamente, podemos chamar «pai» aos nossos pais biológicos. Além disso, podemos chamar «pai» aos nossos líderes espirituais — os pastores. O próprio Paulo se referiu aos líderes espirituais como «pai». 1 Coríntios 4:15 Mesmo que tenham dez mil tutores em Cristo, não têm muitos pais; pois em Cristo Jesus tornei-me o vosso PAI por meio do evangelho. Atos 7:2 E Estêvão disse: «Irmãos e PAIS, ouçam-me! O Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão enquanto este ainda estava na Mesopotâmia, antes de se estabelecer em Harã». À luz destas passagens bíblicas, será que os católicos romanos têm razão em chamar «pai» aos seus sacerdotes?
R: Não, os católicos entram em contradição com este versículo ao chamarem os sacerdotes de «pais». No entanto, se a Igreja Católica se limitasse a renomear «pai» para «pena», isso, por si só, não resolveria nada. Penso que existem formas mais fundamentais em que não seguem este versículo.
Esta é uma boa pergunta que aborda um tema muito importante no cristianismo: de que forma é que Deus é o nosso Pai, de uma forma que nenhum ser humano jamais poderia ser? Primeiro, vejamos o que não é a resposta e, depois, a resposta.
Mateus 23:9 NÃO significa três coisas
A relação biológica ou de adoção não deve ser negada. A Bíblia afirma que fulano era o pai de fulano, utilizando o termo «pai» tanto para designar um pai direto como um antepassado, tal como em Isaías 38:5. Jesus referiu-se à relação biológica quando falou especificamente do pai e da mãe terrenos das pessoas em Mateus 10:37.
As responsabilidades familiares não podem ser eludidas. 1 Timóteo 5:8 afirma que, se alguém não sustentar os seus familiares, especialmente a sua família mais próxima, negou a fé e é pior do que um incrédulo. Em Marcos 7:11, Jesus confirmou isto ao referir-se ao pecado de designar como «corban» — ou seja, dedicado a Deus — a ajuda que, de outra forma, se prestaria à família.
Alguém que o trouxe a Cristo. É provável que Paulo não tenha adotado Timóteo; pelo contrário, é muito mais provável que Paulo tenha chamado Timóteo de seu filho por tê-lo trazido a Cristo (1 Timóteo 1:2, 18; 2 Timóteo 1:2; 2:2; Filipenses 2:22). Este é também o sentido de 1 Coríntios 4:15-17. Há aqui um ponto que alguns cristãos podem ter esquecido. Tal como não deixaria cair um bebé literal, também não «deixe cair» espiritualmente os novos bebés em Cristo. Na medida do possível, certifique-se de que se integram numa igreja que acredita na Bíblia. Ajude-os teologicamente e, se necessário, materialmente, e certifique-se de que são bem alimentados com o leite da Palavra de Deus.
Mateus 23:9 aplica-se a quatro aspetos:
No que diz respeito à autoridade e ao papel, não atribuam a nenhum homem na terra o papel de Deus Pai. Ele é, em última instância, a nossa fonte de salvação, a nossa fonte de verdade e a nossa fonte suprema de autoridade. Embora alguns judeus pensassem que tinha sido Moisés a fornecer o maná, o pão do céu, Jesus teve de lhes lembrar que NÃO foi Moisés, mas sim Deus, quem lhes deu o alimento celestial, em João 6:32. O livro «When Critics Ask», na página 356, acrescenta que não devemos considerar nenhum mero ser humano como o nosso mestre espiritual infalível, mas que não há problema em ter mentores humanos que reconhecemos como falíveis.
Nesta relação, Deus é a fonte da salvação, e não qualquer homem mortal. O facto de nos tornarmos filhos de Deus não se deve à descendência natural nem a meios humanos, mas nascemos de Deus, em João 1:13. Um cristão afirmou: «Deus não tem netos. Ou é um filho direto de Deus ou não o é (1 João 3:1-2), mas não pode ser meramente um neto de Deus.» Se pudesse ter dois santos poderosos a interceder por si perante Deus, isso salvá-lo-ia? Jeremias 15:1 diz que, mesmo que os profetas Moisés e Samuel intercedessem perante Deus pelo povo judeu, isso não os salvaria. Ninguém pode levar uma pessoa ao Céu, a não ser Deus, e não há outra forma de ir para o Céu senão conhecendo a Deus.
Em contrapartida, observe a elevada consideração que os discípulos judeus tinham pelos seus rabinos, e não encare os seus mestres religiosos humanos com tanta admiração. Os judeus depositavam as suas esperanças em Moisés (João 5:45-46). Ora, Moisés era um homem grandioso e piedoso, mas, mesmo assim, a nossa esperança deve residir apenas em Deus.
Em termos de nome, o facto de podermos chamar a Deus «Pai» é um privilégio precioso, conforme se refere em Efésios 3:14. Alguns versículos a considerar, entre os muitos que chamam a Deus de nosso Pai, são Malaquias 1:6; 2:10 e Isaías 63:16. Os judeus autodenominavam-se filhos de Abraão em João 8:39a. Jesus não negou os factos genealógicos em João 8:39b-40, mas, na verdade, negou que as relações ancestrais garantissem relações espirituais. João Batista disse aos fariseus e saduceus: «E não vos atrevam a dizer para vós mesmos: “Temos Abraão como nosso pai.” Pois digo-vos que, destas pedras, Deus pode suscitar filhos para Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda a árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo.» (Mt 3:9-10 BSB)
O livro «When Critics Ask», na página 356, resume bem a questão ao afirmar que, para além de Deus e da Sua Palavra, não temos mestres espirituais mortais infalíveis, mas reconhecemos mentores espirituais falíveis.
Mas e quanto a…
Jó 29:16 diz: «Eu era um pai para os necessitados.» Isto não implica apenas que Jó os ajudasse necessariamente de forma espiritual, mas sim que ele interveio para cumprir as obrigações financeiras da família, mesmo para aqueles com quem não tinha laços de parentesco. Da mesma forma, o Salmo 68:5 mostra que devemos ser um pai para os órfãos.
Isaías 51:2 diz para olharem para Abraão, o vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz. Abraão e Sara, em conjunto, mostram que isto se refere a uma relação ancestral. Deus está a dizer para olharem para trás, para estes antepassados, a quem admiram, e imitarem a sua fé, e verem como foram abençoados. No entanto, nada em Isaías 51 sugere que Abraão (ou Sara) pudesse fazer algo por eles agora; é Deus quem nos salva.
2 Reis 2:12 Eliseu chamou por Elias, dizendo: «Meu pai, meu pai». Isto provavelmente não indica apenas uma relação próxima de discipulado. Embora muitos (incluindo o «Bible Knowledge Commentary: Old Testament», p. 540) considerem que Eliseu via Elias como seu pai espiritual, Jesus, em Mateus 23:9, diz que não devemos ver as pessoas dessa forma hoje em dia.
1 Coríntios 4:15-17 «Mesmo que tenhais dez mil tutores em Cristo, não tendes muitos pais; pois em Cristo Jesus tornei-me vosso pai por meio do evangelho.» (16) Por isso vos exorto a imitar-me. (17) É por isso que vos enviei Timóteo, o meu filho amado e fiel no Senhor.» Isto refere-se ao facto de Paulo os ter conduzido a Cristo, não a um cargo. Paulo era um apóstolo na igreja; não existia na igreja o cargo de «pai». Quanto aos cargos na igreja, consulte 1 Coríntios 12:28-29; Atos 6:1-4; 1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9.
Em Atos 7:2, quando Estêvão se dirigiu a eles como irmãos e pais, há duas possibilidades. Uma é que Estêvão estivesse simplesmente a respeitar os mais velhos daquela sociedade, sem subscrever as suas crenças. Uma segunda interpretação é que Estêvão agiu incorretamente ao dirigir-se a eles desta forma nesta ocasião.
Em 1 João 2:12, 13, 18, João dirige-se aos seus leitores como «filhos» e «meus queridos filhos» em 1 João 2:1. João era um homem idoso para se dirigir a eles como filhos. Hebreus 13:17 afirma que os líderes da igreja têm autoridade e que terão de prestar contas a Deus pela sua supervisão. Assim, embora nada em 1 João indique que alguém chamasse João de «pai», João considerava as pessoas a quem ministrava como seus filhos.
1 João 2:13,14 refere-se a «pais» em conjunto com jovens e crianças. Embora esta passagem poética possa também referir-se a relações no contexto de levar pessoas a Cristo, esta passagem não sustenta a existência de um papel de «pai» na igreja, a menos que exista também um papel de «jovem» e de «criança» na igreja.
Em conclusão, os católicos estão errados ao chamar os padres de «pai», mas não nos deixemos levar por sutilezas de palavras. A verdadeira questão é confiar em padres falíveis em detrimento da Palavra infalível de Deus e submeter-se à autoridade de papas e concílios eclesiásticos — por vezes muito perversos — em detrimento do próprio Deus na Sua Palavra.
Advertência: Por fim, não pensem que o facto de verem uma verdade da Bíblia significa que podem deixar de procurar outras verdades na Bíblia. Toda a passagem de Mateus 23:5-13 mostra como os líderes da Igreja devem praticar a liderança de serviço, em contraste com os fariseus e outros que se impunham sobre os demais.
P: Em Mt 23, 13-39, por que razão Jesus proferiu estas maldições?
R: Não se trata de maldições, mas de expressões de grande tristeza. São advertências de repreensão, algo como o oposto das bem-aventuranças em Mateus 5:3-11. Tentemos compreender os sentimentos de Jesus aqui, que culminam em Mateus 23:37-39. Jesus estava de coração partido por ver que as pessoas que desejavam seguir Deus se deparavam com estas pessoas, que, à primeira vista, pareciam ser exatamente o tipo de pessoas que deviam procurar. No entanto, estas pessoas iriam conduzi-las apenas a um conjunto de regras e afastá-las ainda mais do amor de Deus. Não se tratava apenas de estes mestres estarem a falhar o essencial, mas sim de serem as piores pessoas a quem se poderiam dirigir, impedindo os outros de alcançarem a salvação.
P: Em Mt 23, 13-39, qual é o padrão destas maldições e existem 7 ou 8 maldições?
R: Os manuscritos antigos contêm apenas sete, porque não incluem Mateus 23:14. (Trata-se do Sinaítico, do Vaticano, do Bezae Cantabrigiensis, de alguns itálicos, da Vulgata, do siríaco sinaítico, do copta sahídico, do arménio e do georgiano). Outros manuscritos colocam Mateus 23:14 antes do versículo 13 (Evangelhos de Freer) ou depois do versículo 13 (família f13, alguns itálicos, Vulgata Clementina e, aparentemente, o copta boairico). Se houver apenas sete «ai», formam um bom quiasmo.
23:13 Primeiro «ai» – fecham o reino dos céus (ao não reconhecerem o Messias
- 23:15 Segundo «ai» – aparentar-se justo, mas causar mais mal do que bem
- - 23:16-22 Terceiro «ai» – uso errado das Escrituras
- - - 23:23-24 Quarto «ai» – ignorar completamente o sentido das Escrituras
- - 23:25-26 Quinto ai – uso errado das Escrituras
- 23:27-28 Sexto ai – aparentar-se justo, mas causar mais mal do que bem
23:29-32 Sétimo ai – herdeiros daqueles que não reconheceram os profetas, mas os mataram.
P: Em Mt 23:13-33; 21:45; 16:4, por que razão Jesus dirigiu palavras de repreensão aos anciãos do Seu povo? (Esta questão foi levantada pelo muçulmano Ahmad Deedat)
R: Antes de responder a esta pergunta, vamos torná-la mais complexa. Jesus não só repreendeu os fariseus, os especialistas na lei e outros líderes religiosos que O rejeitaram, como também os advertiu de que iriam para o Inferno. No entanto, Jesus não se limitou apenas a palavras. Chegou mesmo a usar um chicote e a virar duas vezes as mesas dos cambistas no templo. É óbvio que rejeitou publicamente a autoridade daqueles que, para começar, permitiram a presença das mesas dos cambistas no recinto do templo.
A resposta tem três partes.
1) Jesus possuía uma autoridade superior à deles. Mesmo que estivessem a seguir Deus obedientemente (o que não era o caso), Jesus, como Messias e Deus Filho, podia dizer-lhes o que queria que fosse feito. Deus tem o direito de alterar e contrariar os nossos planos sempre que e da forma que quiser. Por que razão Deus repreendia, por vezes, os líderes religiosos? — Deus tem o direito de o fazer. Jesus afirmou que também tinha o direito de o fazer, e fê-lo — se fosse Deus.
2) Em Mateus 23:15, Jesus rejeitou especificamente a autoridade daqueles que não só iriam para o inferno, como também conduziam outros para o inferno. Em contraste com isto, embora Jesus fosse superior a Abraão, Moisés e ao Antigo Testamento, Ele defendeu especificamente a autoridade e o respeito devidos a eles.
3) Hoje, é-nos ordenado que não prestemos atenção àqueles que detêm autoridade e rejeitam a verdade (Tito 1:14). Devemos rejeitar aqueles que semeiam a discórdia, conforme Tito 3:9-10. Na verdade, um problema ao longo da história tem sido o facto de muitos se mostrarem demasiado dispostos a seguir alguém que é ímpio, apenas por se tratar de um líder religioso. Mas, em contraste com isto, a Bíblia também nos diz para obedecermos e nos submetermos à autoridade de líderes piedosos (1 Tessalonicenses 5:12-23; 1 Pedro 5:2-5; Hebreus 13:17)
P: Em Mateus 23:14 e Marcos 12:40, de que forma os escribas devoravam as casas das viúvas?
R: Talvez de forma semelhante à que os falsos mestres agem hoje em dia. Quando dizem às pessoas para contribuírem para o seu ministério, por motivos egoístas de receberem algo em troca nesta vida, podem estar a incitar as pessoas a contribuírem para um ministério para o qual Deus talvez não queira que contribuam.
P: Em Mt 23:16-22, em que circunstâncias, se é que alguma vez, deve dizer algo que dê a entender que está a celebrar um acordo vinculativo, quando na realidade não é esse o caso?
R: Quando insinua intencionalmente que se trata de um acordo vinculativo, embora a sua intenção seja que não o seja, está a recorrer ao engano para iludir a pessoa que percebe o que está a insinuar. Deve abandonar os «juramentos evasivos» e ser «claro e direto», e que o seu «sim» seja «sim» e o seu «não» seja «não», como disse Jesus em Mateus 5:37.
P: Em Mt 23,17, por que razão Jesus chamou as pessoas de tolas, uma vez que nos disse para não o fazermos em Mt 5,22?
R: Há dois pontos a considerar na resposta, embora o segundo seja mais importante.
A palavra para «tolo» em Mateus 5:22, raca, é uma gíria depreciativa que significa literalmente «cabeça oca». A expressão em inglês «airhead» é muito semelhante. Jesus não ridicularizou as pessoas de forma depreciativa ao usar esta palavra em Mateus 23:17 e não devemos chamar as pessoas assim. Jesus utilizou uma palavra para designar um tolo que era descritiva, mas não uma gíria: «meroi». Além disso, devemos considerar as pessoas como seres de grande valor, criadas à imagem de Deus, e não como seres sem valor.
P: Em Mt 23, 23-28, em que medida estes «ai de vós» diferem dos outros?
R: Os outros «ai de vós» criticavam o que os fariseus ensinavam e diziam. Estes «ai de vós» criticam quem eles são no seu íntimo e o exemplo que dão. O seu exemplo não é bom, mas também não é 100% perverso. É aparentemente bom por fora, mas cheio de perversidade por dentro; e as pessoas conseguem ver além das aparências. Jesus apresenta uma sequência recomendada de progressão em Mateus 23:26. Ele diz para se preocuparem primeiro com o interior, e então o exterior também ficará limpo. Não faz muito sentido limpar o exterior se a imundície interior continua a transbordar para fora. O ritual sem realidade é pior do que a ausência de ritual e de realidade.
P: Em Mt 23,24, de que forma é que as pessoas coam um mosquito e engolam um camelo nos dias de hoje?
R: Em primeiro lugar, as pessoas costumam fazer isso sem intenção. Na verdade, em aramaico, trata-se de uma espécie de trocadilho, uma vez que a palavra para «mosquito», «qamla’», é muito semelhante à palavra para «camelo», «gamla’». A expressão mais próxima que poderíamos encontrar em inglês seria «coar um mosquito e engolir um morcego».
As pessoas fazem isto ou porque não fazem ideia do que é importante e do que não é, ou porque optam deliberadamente por se concentrar em coisas pequenas e sem importância, cujo resultado não tem grande relevância, em detrimento de coisas importantes nas quais preferem não se concentrar. Algumas pessoas querem simplesmente ignorar os problemas em que não estão a ter bons resultados e concentrar-se naquilo em que estão a ter bons resultados. Outras vezes, querem procurar falhas até nos problemas mais insignificantes dos outros e ignorar aquilo que os outros fazem bem.
Uma pergunta simples que deve fazer a si próprio é: se houver duas questões, que critérios utilizaria para afirmar que uma é mais importante do que a outra, para além do seu sentimento emocional naquele momento?
P: Em Mt 23,25, qual é o significado do cálice limpo?
R: Em consonância com o versículo anterior sobre coar um mosquito, os fariseus estavam em desacordo precisamente sobre esta questão. Os adeptos da escola de Hillel (mais dominante após o ano 70 d.C.) consideravam que um copo estava limpo se se limpassem apenas o interior. Os adeptos da escola de Shammai (mais dominante antes do ano 70 d.C.) consideravam que o copo não estava limpo até que se limpassem tanto o interior como o exterior. Jesus afirmou que, na prática, eles estavam a limpar o exterior, mas não o interior.
Ver Jacob Neusner, «First Cleanse the Inside», em NTS 22 [1976], pp. 486-496, Mishna Kelim 2:1; 25:1, 7-9, e Berakoth 8:2.
P: Em Mt 23, 27-29, qual é a mensagem de Jesus sobre os túmulos caiados?
R: A cal é uma tinta branca que tem bom aspeto, mas que começa a descascar com a próxima chuva. Durante o mês de Adar, em março, quando a estação seca se iniciava, os judeus aplicavam cal nos túmulos para melhorar o seu aspeto. O que serve para um túmulo repleto de morte não é adequado para um crente que deve estar cheio de vida.
Na época de Jesus, Herodes dedicava-se intensamente à construção e renovação de sepulturas, embora também tivesse mandado saquear algumas; e os ouvintes de Jesus poderiam perceber que essas referências também se aplicavam a Herodes.
P: Em Mt 23,35 e Lc 11,51, quem era, resumidamente, Zacarias (ou Zechariah)?
R: Não se tratava do profeta Zacarias. Tratava-se, sim, do sacerdote Zacarias, que Joás matou em 2 Crónicas 24:20-21. 2 Crónicas era o último livro do Antigo Testamento na ordem das Bíblias hebraicas; assim, quando Jesus se referiu aos mártires, desde Abel até Zacarias, estava a mencionar o primeiro mártir até ao último no Antigo Testamento.
P: Em Mt 23,35, o Zacarias que morreu era o filho de Berequias, ou o filho de Jeoada, que foi morto entre o templo e o altar em 2 Cr 24,20-21?
R: Em primeiro lugar, apresentamos quatro pontos de vista defendidos pelos cristãos e, em seguida, os factos que sustentam cada um deles.
1. Zacarias, filho de Jeoada
Esta interpretação é coerente com tudo o resto, partindo do princípio de que a expressão «filho de Berequias» é uma adição do escriba
2. Zacarias, filho de Berequias
Esta perspetiva é coerente com tudo, partindo do princípio de que Cristo nos está a dar novas informações sobre a forma como o profeta Zacarias morreu.
3. Jeoada tinha dois nomes: Berequias poderia ser uma alcunha que significa «abençoado por Deus». Esta interpretação remonta a Jerónimo (373-420 d.C.).
4. Antepassado: Talvez o Zacarias, filho de Jeoada, fosse o avô/antepassado de Zacarias e ambos fossem a mesma pessoa.
Factos que sustentam as várias visões:
Zacarias, filho de Berequias, exerceu o seu ministério entre 520 e 480 a.C. Foi um dos últimos escritores do Antigo Testamento, em termos cronológicos, e o Antigo Testamento não regista como morreu.
Zacarias, filho de Jeoada, o sacerdote, foi morto por volta de 800 a.C., antes do exílio. O seu pai, Jeoada, viveu 130 anos e foi sepultado junto dos reis em Jerusalém, de acordo com 2 Crónicas 24:15-16. Devido às datas, não há qualquer possibilidade de estes dois Zacarias serem a mesma pessoa.
A Septuaginta refere-se ao filho de Jeoada como «Azarias, filho de Jodae, o sacerdote», e ao autor do livro como «Zacarias, filho de Barachias, filho de Addo, o profeta». Assim, a Septuaginta não apresenta qualquer diferença neste ponto, exceto na pronúncia dos nomes.
O Targum de Lamentações 2:20 e [aparentemente] João Crisóstomo afirmam que o profeta Zacarias, filho de Berequias, foi morto entre o templo e o altar. (No entanto, não consegui confirmar de forma independente o que João Crisóstomo afirmou a este respeito.)
O túmulo de Zacarias era um marco proeminente em Jerusalém na época de Cristo.
Zacarias era um nome comum. Na verdade, existem 32 pessoas diferentes na Bíblia com o nome de Zacarias.
Fora da Bíblia, um Zacarias, filho de Baruch/Baris/Bariscaeus, foi morto por dois zelotes, segundo Josefo em «A Guerra Judaica», 4:334-344. Foi morto na área do templo, mas provavelmente não entre o templo e o altar, pelo que esta é uma pista falsa, especialmente porque «A Guerra Judaica» ocorreu após a época de Cristo.
2 Crónicas era o último livro na ordem do Antigo Testamento judaico. Embora o filho de Jeoada não fosse o último mártir cronologicamente, mencionar Abel até Zacarias, filho de Jeoada, era algo semelhante a um cristão dizer «desde o Génesis até ao Apocalipse».
Lucas 11:51 não contém a expressão «filho de Berequias».
Irineu (182-188 d.C.), em «Contra as Heresias», livro 5, cap. 14.1, p. 541, cita Mateus 23:35, dizendo «Zacarias, filho de Barachias». Assim, se se tratasse de uma adição de um escriba, esta já se encontrava presente antes da obra de Irineu. O «Diatessaron» de Tatiano (c. 172 d.C.) também menciona Zacarias, filho de Berequias (secção 41). Aparentemente, existe um manuscrito grego anterior ao Sinaítico e ao Vaticano que contém Mateus 23:35. Trata-se do p77 (meados a finais do século II) e também menciona «filho de Barachias». Assim, se «filho de Berechias» fosse uma adição, teria de ter sido acrescentado muito cedo, antes de cerca de 170 d.C.
Orígenes (225-254 d.C.) também se refere a este versículo e menciona Zacarias, filho de Barachias, em «Orígenes a Africano», cap. 9, p. 389.
P: Em Mt 23,35, será correto que os fariseus sejam castigados pelos pecados dos seus pais, uma vez que Ezequiel 18 e Deuteronómio 24,16 afirmam que as pessoas não serão culpadas pelos pecados dos seus pais?
R: As pessoas não são consideradas culpadas pelo que os seus pais fizeram. No entanto, se a) não reprovarem os pecados dos seus pais e b) cometerem os mesmos pecados, então serão punidas devido à sua própria culpa por cometerem os mesmos pecados que os seus pais.
P: Em Mateus 23:37-40, uma vez que Jesus desejava reunir Jerusalém, por que razão isso não aconteceu, se Deus é Todo-Poderoso, Onisciente e [supostamente] Todo-Amor?
R: Nas últimas palavras públicas de Jesus registadas, dirigidas ao povo judeu, é possível perceber tanto a dor como o julgamento. Deus não é todo-amoroso. O facto de Deus ser amoroso não significa que Deus seja apenas amor, ou que Deus seja todo-amoroso, tal como o facto de Deus ser irado não significa que Deus seja apenas ira, ou que Deus seja todo-irado. O mesmo se aplica a «mildade» ou «ciúme». Deus é o ser mais amoroso do universo, mas o amor de Deus não exclui os Seus outros atributos.
Deus escolheu criar-nos com livre arbítrio e, quando rejeitaram Cristo, com as suas consequências eternas, Deus optou por não os coagir a aceitar Cristo, mas por respeitar a sua decisão, embora isso tenha sido acompanhado pelas lágrimas de Jesus.
P: Mateus 24:3-44 demonstra que Jesus regressou de forma invisível em 1914, tal como as Testemunhas de Jeová têm ensinado?
R: Não. A palavra grega aqui, «parousia», pode significar «vinda» ou «presença», e a «Tradução do Novo Mundo» das Testemunhas de Jeová interpreta-a como «presença». Se Cristo tivesse regressado em 1914, ninguém O teria visto, isso não teria tido qualquer impacto e estaria em contradição tanto com Apocalipse 1:7 — onde se diz que todos os olhos O verão — como com Atos 1:11. Antes de Jesus regressar de facto, haverá muitas falsas alegações de que Cristo já regressou, de acordo com Mateus 24:5. Embora as Testemunhas de Jeová não tenham realmente afirmado «serem Cristo», as alegações de pessoas que afirmavam ser Cristo, tais como o Rev. Moon, o Guru Maharaj Ji, Jim Jones, etc., ocorreram todas após esse período.
P: Em Mt 24, 19-20, por que razão isto será especialmente terrível para as mulheres grávidas e as mães que amamentam?
R: Uma razão pode ser observada no filme cristão «A Distant Thunder». Aqueles que não tiverem recebido a marca da besta passarão por momentos difíceis.
No fim dos tempos, haverá pessoas que não são crentes e, antes de receberem a marca da besta, terão de fazer uma escolha.
P: Em Mt 24,20, que diferença faz se esta fuga ocorrer no sábado?
R: Repare em quando isto irá acontecer. Nos tempos finais, muitos judeus virão a Cristo, tal como dizem Zacarias 12:10-12 e Romanos 11. Os judeus continuarão a obedecer às leis do Antigo Testamento e a observar o sábado.
P: Em Mt 24,20, devemos, portanto, guardar o sábado (do pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de sábado) hoje em dia?
R: Os cristãos têm duas respostas.
1. Há um pequeno número de cristãos genuínos, como os Batistas do Sétimo Dia, por exemplo, que dizem que sim.
2. Uma segunda resposta é «não», porque este versículo se refere aos judeus que procuram a Deus. O arrebatamento poderá já ter ocorrido nessa altura.
P: Em Mt 24,22, como é que Deus pode «encurtar» os dias futuros?
R: Isto não significa que os dias terão menos de 24 horas, mas sim períodos de tempo mais curtos, ou menos dias, para este tempo de perseguição severa.
P: Em Mt 24,23-27, por que razão Deus permitiria que as pessoas que procuram Cristo fossem enganadas por um falso Cristo?
R: Por vezes, as pessoas afirmam estar à procura de uma resposta, mas só aceitam uma das respostas pré-determinadas que já tinham decidido.
Esta questão seria difícil de responder se Deus nunca tivesse fornecido qualquer forma possível de distinguir o verdadeiro Cristo dos falsos Cristos. Deus forneceu pelo menos sete formas de discernir se um grupo religioso é uma falsificação espiritual ou não.
1. Aceitam e ensinam o que Deus diz na Bíblia, ou vão contra isso? Ora, se um grupo não estiver correto em todos os pormenores, isso não significa que seja uma falsificação espiritual, como provam Romanos 14 e 1 Coríntios 8:9-11. Mas, se estiverem errados naquilo a que Paulo chamou de «coisas principais», em 1 Coríntios 15:1-5, ou se negarem que Jesus, o Messias, tenha vindo em carne (1 João 4:1-3), ou se pregarem um Jesus diferente (2 Coríntios 11:1-15), ou tiver um Evangelho diferente (Gálatas 1:6-10), então mantenha-se a si e à sua família afastados deles.
2. A este respeito, será que não negam tanto a Bíblia, mas recusam-se a afirmar as coisas importantes que ela ensina? 2 Timóteo 3:5-7 diz que não devemos ter nada a ver com aqueles que têm a aparência da piedade, mas negam o seu poder.
3. A experiência religiosa dessas pessoas é inexistente ou estranha? Passam tempo em oração e na leitura da Palavra de Deus? Têm práticas religiosas estranhas que não se encontram na Bíblia?
4. Vivem as suas vidas de acordo com o que a Bíblia ensina? Se alguém afirma ser cristão, mas vive a sua vida de forma contrária a Deus em algumas áreas fundamentais, 1 Coríntios 5:9-13 e 2 Tessalonicenses 3:10,14 dizem que não devemos estar com eles.
5. Juntar-se a eles em termos religiosos seria um caso claro de «adorar com demónios» ou de se unir a incrédulos? 1 Coríntios 10:20 e 2 Coríntios 6:14-17 alertam-nos contra isso e dizem-nos para nos afastarmos dessa situação.
6. Se alguém afirmar ser o Cristo que regressou, terá essa pessoa realmente vindo do Céu nas nuvens, arrebatado os cristãos e cumprido as profecias dos Evangelhos e do Apocalipse?
7. Os crentes também podem orar ao verdadeiro Deus, e Ele ajudar-nos-á a ver o que é certo. Um amigo cristão meu contou-me que, logo após ter-se convertido, alguns missionários mórmons vieram falar com ele. Ele reconheceu que, dado o seu conhecimento bíblico limitado naquela altura, não fazia ideia se os mórmons estavam certos ou errados. Por isso, orou a Deus para que o ajudasse e, em seguida, abriu a Bíblia para ler. Na primeira página que abriu, leu Mateus 7:15! Diz: «Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.»
P: Em Mateus 24:23-27, se alguém seguisse um falso Cristo ou outra falsificação espiritual e, por inocente ignorância, não soubesse distinguir se era falso, por que razão Deus permitiria isso?
R: Há duas respostas complementares.
Deus está ativo: Ele pode ordenar os acontecimentos de modo a que um cristão possa entrar em contacto com essa pessoa para lhe mostrar a verdade. Depois, a pessoa tem de decidir se ama mais a sua organização ou se ama mais a verdade. Qualquer deus que não seja o Deus da verdade não merece ser servido. Já ouvi falar de missionários em África e na Ásia a quem se dirigiram pessoas dizendo que Deus lhes falara e lhes dissera que o missionário era enviado por Deus. Não precisamos de nos preocupar com a possibilidade de Deus não se importar ou de Deus não estar ativo. Precisamos, no entanto, de encorajar os cristãos a serem atenciosos e ativos.
Deus é justo: Deus julga as pessoas com base no que elas sabem (Romanos 4:15; 5:13), e o pecado não é imputado onde não há lei. Qualquer pessoa hoje que genuinamente não tenha tido oportunidade de ouvir o Evangelho poderá encontrar-se numa situação semelhante à de um gentio antes de Cristo que nunca ouviu o Evangelho, ou à de um bebé que morreu.
P: Mateus 24:23-24 ensina que cada um de nós tem um «Cristo cósmico» dentro de si, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?
R: De modo algum. Este versículo ensina que haverá muitos que afirmam falsamente ser Cristo. Jesus é o Cristo e, embora devamos esforçar-nos por viver mais à semelhança de Cristo, nada neste versículo, nem em qualquer outra parte da Bíblia, diz que devemos tentar apropriar-nos da glória e da honra que pertencem a Cristo e reivindicá-las para nós próprios. Os cristãos habitarão com Deus para sempre na glória, mas não nos tornaremos Deus, nem sequer pequenos deuses.
P: Em Mt 24,24, como é que os eleitos (as pessoas destinadas ao Céu) poderiam ser enganados?
R: Com bastante facilidade. «Eleitos» significa tanto aqueles que estão salvos, como aqueles que ainda não estão salvos, mas que virão a ser salvos. Vários cristãos são ex-mórmons, ex-Testemunhas de Jeová e antigos membros de outras falsas seitas.
P: Em Mt 24,27, será que o relâmpago que brilha de leste a oeste tem a ver com o Messias bahá’í, chamado Bahá’u’lláh, e com o surgimento do telégrafo no mesmo ano (1863)?
R: Não. Embora os bahá’ís me tenham dito que o telégrafo cumpre esta profecia em Mateus, isso está errado por, pelo menos, cinco razões.
1. Um telégrafo não seria sequer um cumprimento tão próximo quanto um trovão, a eletricidade, uma explosão nuclear ou algo visível. Note-se que Mateus 24:27 diz: «Pois, assim como o relâmpago vem do Oriente e brilha até ao Ocidente…»
2. O verdadeiro Cristo regressará visivelmente nas nuvens (Atos 1:11; Apocalipse 1:7), e Bahá’u’lláh não se ergueu nem veio sobre quaisquer nuvens, a menos que se considere o pensamento nebuloso. ;-)
3. Além disso, Bahá’u’lláh não é o Cristo que regressou, porque o seu ensinamento classifica o ensinamento de Cristo como uma mentira. O verdadeiro Cristo afirmou que não havia outro caminho para o Pai senão através Dele.
4. Além disso, as profecias relativas ao regresso de Cristo, incluindo o Arrebatamento dos cristãos, a morte de um quarto da população mundial pela espada, pela fome e pela peste, bem como os restantes acontecimentos do Livro do Apocalipse, ainda não se cumpriram.
5. Mateus 24 também diz que, antes de o verdadeiro Cristo voltar, surgirão primeiro muitos falsos Cristos.
P: Em Mt 24,28 e Lc 17,37, o que significa a afirmação de que, onde houver um cadáver, os abutres se reunirão?
R: Para ser mais claro, tal como os abutres conseguem encontrar carcaças, independentemente do local onde estas se encontrem, a vingança de Deus alcançará aqueles que O rejeitam e que estão espiritualmente mortos. É interessante que Jesus recorra aqui à analogia das aves; as aves são também mencionadas em Apocalipse 19:17-21.
P: Em Mt 24,29, como é que o sol pode escurecer e as estrelas cair do céu?
R: Embora Deus tenha o poder de alterar a luz emitida pelo sol e de fazer com que as estrelas se movam ou sejam destruídas, isto poderá, em vez disso, referir-se ao facto de o sol ficar escurecido e as estrelas se tornarem invisíveis para os observadores na Terra. Muitas coisas podem causar isto, tais como a poluição, os vulcões, os poços de petróleo em chamas e as explosões nucleares.
P: Em Mt 24,30, as nuvens são coisas contrárias aos caminhos e desejos dos homens, tal como ensinam os bahá’ís em «Bahá’u’lláh e a Nova Era», pp. 280-281?
R: Não. Não só todos verão Jesus, quando Ele regressar nas nuvens, e os povos da Terra chorarão por causa d’Ele (Apocalipse 1:7), como o mesmo Jesus regressará nas nuvens exatamente da mesma forma que partiu, de acordo com Atos 1:9-11.
P: Em Mateus 24:31, qual é a sua opinião pessoal sobre o Arrebatamento? (um cristão perguntou-me isto)
R: Sou a favor. ;-) A sério, deixe-me apresentar-lhe as posições comuns que os cristãos têm sobre o momento do Arrebatamento e, no final, a minha posição.
Pré-ira: O arrebatamento ocorre durante a tribulação, mas imediatamente antes de a ira de Deus ser derramada. O principal argumento a favor desta visão é uma inferência: os crentes obedientes têm frequentemente de sofrer a ira do homem, mas nunca têm de sofrer a ira de Deus. Marvin Rosenthal escreveu um livro defendendo esta visão. Ele era um antigo defensor da visão pré-tribulação.
Pré-tribulação: O Arrebatamento ocorre imediatamente antes do início da tribulação. Para além do argumento a favor da visão anterior, a igreja não é mencionada no livro do Apocalipse após as cartas às sete igrejas. Os defensores da visão pré-tribulacional acreditam que o Arrebatamento ocorre em Apocalipse 4:1, quando Deus diz a João «sobe para cá». O «Bible Knowledge Commentary: New Testament» (Comentário Dispensacionalista do Conhecimento Bíblico: Novo Testamento), p. 79, embora seja pré-tribulacional, não acredita que Mateus 24 se refira ao Arrebatamento. O «Tony Evans Bible Commentary» (Comentário Bíblico de Tony Evans), p. 910, também dispensacionalista, afirma que isto se refere ao período da Tribulação após o Arrebatamento e, por conseguinte, não envolve a igreja arrebatada.
Uma vez que ninguém saberá a hora em Mateus 24, e se as pessoas soubessem quando a tribulação começaria, então os crentes poderiam deduzir quando o Arrebatamento ocorreria, caso a posição pós-tribulacional fosse verdadeira.
Uma frase favorita dos defensores da pré-tribulação é: «O próximo acontecimento no calendário profético é o Arrebatamento da igreja.» O seu principal argumento é que 1 Tessalonicenses 5:2 afirma que o Senhor virá como um «ladrão na noite». No entanto, contrariando esta visão, 2 Tessalonicenses 2:1-3 afirma que a «reunião» não ocorrerá até que a rebelião tenha lugar e o homem da iniquidade seja revelado. Assim, os dois próximos eventos no calendário profético são a rebelião e a revelação do homem da iniquidade, NÃO o Arrebatamento. (É claro que os defensores da pré-tribulação podem argumentar que o Arrebatamento poderia ocorrer imediatamente após estas coisas acontecerem, e que a tribulação só terá início nessa altura.)
A corrente «a meio da tribulação» acredita que o Arrebatamento ocorre talvez um pouco antes da «pré-ira», com fundamentos semelhantes.
Os defensores da teoria pós-tribulação acreditam que o Arrebatamento ocorre no final da tribulação. O seu principal argumento é 1 Coríntios 15:52, onde se afirma que seremos transformados «ao último toque de trombeta». No entanto, outras interpretações sustentam que se trata do último toque de trombeta que os crentes ouvem, e não da última trombeta que soará.
Sem tribulação: Muitos preteristas acreditam que não haverá qualquer tribulação. Têm de interpretar Mateus 24:31 e a maior parte do Apocalipse de forma muito simbólica. Mas tenha muito cuidado com este tipo de interpretação que torna as passagens da Bíblia sem sentido ou que afirma que uma pessoa comum que leia uma passagem bíblica será, em geral, induzida em erro pelo que lê.
Pan-trib: Deus pode fazer com que o Arrebatamento ocorra sempre que desejar, e não indica claramente nas Escrituras quando isso acontecerá. Uma pessoa pode dizer que é «pan-trib» se, no final, tudo se resolver.
Inclino-me para a teoria da «pré-ira», mas continuo a ser pan-tribulacionalista. Para conhecer diferentes perspetivas, poderá ler «O Arrebatamento: Pré-, Meio ou Pós-Tribulacional» e «O Arrebatamento da Igreja antes da Ira».
P: Em Mt 24,31, 1 Ts 4,16 e 1 Cor 15,52, qual é o som da trombeta que corresponde à última trombeta?
R: 1 Tessalonicenses 4:16 fala de uma trombeta sonora, mas 1 Coríntios 15:52 equipara-a à «última trombeta» de Deus. Sete trombetas soam em Apocalipse 8:6-9:21; 11:15, mas, tal como se afirma em «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 270-271, não há necessidade de exigir que a «última trombeta» seja uma das sete trombetas; poderá ser outra.
P: Em Mateus 24:32, o que representa a figueira?
R: Trata-se de uma analogia do juízo, em que a figueira que não dá fruto representa Israel, que murcharia.
É claro que não se pode analisar cada pormenor de uma parábola e atribuir-lhe um significado distinto e isolado. O significado da parábola da figueira é vigiar e estar atento ao futuro, e Jesus «utiliza a propensão da figueira para florescer e dar fruto como um indício positivo para olhar para o futuro».
P: Em Mt 24,34 e Mc 13,30, uma vez que «esta geração» não passará até que Jesus venha, como é que isto pode ser? (O humanitário liberal Albert Schweitzer levantou esta objeção)
R: Os cristãos têm três respostas diferentes.
a) A própria palavra grega para «geração», genea, pode implicar «raça». De acordo com o Léxico Grego do Novo Testamento de Thayer (p. 112), genea significava:
a1) homens da mesma linhagem, ou uma família: Josefo, «Antiguidades dos Judeus» 4.8.7 (escrito por volta de 93-94 d.C.), Septuaginta, Génesis 31:3, etc.
a2) descendentes sucessivos: Filo
a3) uma era: Heródoto 2,132, Heráclito em Plutarco, Atos 14:16. Em 1 Qp (Pesher), Habacuque 2:7; 7:3, o termo «última geração» pode significar várias vidas.
b) Existe apenas uma diferença de uma letra entre esta palavra e uma palavra grega semelhante que só pode significar «raça», «gonea», pelo que isto poderá ser um erro tipográfico. No entanto, todos os manuscritos do Novo Testamento de que dispomos atualmente referem «genea».
c) A palavra grega para todas estas coisas, «panta tauta», significa que esta geração foi a geração que testemunhou os sinais que a precederam. («Dificuldades na Bíblia», pp. 173-174; «Isso Sim É uma Boa Pergunta», pp. 495-496)
P: Será que Mt 24:34 e Mc 13:30 significam que todas estas coisas acontecerão no espaço de uma geração a partir de 1914, tal como ensinava a revista «A Torre de Vigia» das Testemunhas de Jeová, vol. 15, fevereiro de 1986, p. 5?
R: Não. As Testemunhas de Jeová têm ensinado que Jesus Cristo regressou de forma invisível em 1914 e que os acontecimentos descritos em Mateus 24 ocorreriam no espaço de uma geração a partir dessa data. No entanto, se o pressuposto básico — de que Jesus regressou em 1914 — estiver errado, então o seu argumento também está errado. Este é um exemplo do que se denomina «eisegese», ou seja, atribuir às Escrituras o significado que se deseja, em vez da «exegese», que consiste em extrair das Escrituras o que nelas está escrito.
P: Em Mt 24:36 e Mc 13:32, uma vez que Deus é onisciente, por que razão Jesus não tinha conhecimento do além, como afirma Ahmad Deedat?
R: Deedat não está a ser sincero nesta questão. Enquanto Jesus esteve na Terra, este versículo afirma que Jesus não conhecia o dia do Seu regresso. É uma mentira afirmar que este versículo diz que Jesus não tinha conhecimento do além. Será que Deedat acreditava realmente que Jesus, nos evangelhos, não tinha conhecimento do céu, do inferno e absolutamente «nenhum conhecimento do além»? Duvido que o próprio Deedat acreditasse realmente nas suas próprias palavras neste contexto.
P: Em Mt 24,36 e Mc 13,32, uma vez que Deus é onisciente e Jesus é Deus, como é que Jesus não conhecia o dia do Seu regresso?
R: Jesus despojou-Se de muitos dos atributos de Deus enquanto esteve na Terra, tal como demonstram Filipenses 2:6-8 e João 17:5. Assim, mesmo que esta frase não constasse de Mateus, seria razoável que Jesus não soubesse tudo enquanto esteve na Terra. No entanto, no Céu, como parte da Trindade, Jesus é onisciente.
Atanásio (331 d.C.) afirma que Jesus, enquanto Deus, conhecia todas as coisas, mas, na Sua humanidade, Jesus suportou a ignorância e não sabia segundo a carne. À medida que Jesus crescia em conhecimento segundo a carne, Jesus, na Sua humanidade, ainda não sabia isto. Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 3, cap. 28.42-58, p. 416-425.
Atanásio escreve também: «E Ele [Jesus] sabia onde Lázaro jazia, e, no entanto, perguntou; pois o Verbo Santíssimo de Deus, que tudo suportou por nossa causa, fez isto para que, ao assumir a nossa ignorância, nos concedesse o conhecimento do Seu único e verdadeiro Pai, e de Si mesmo…» Quatro Discursos Contra os Arianos, Discurso 3, cap. 27.38, p. 414.
Eis o que escreveu o bispo cristão Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.): «As obras de Deus estão, portanto, além da compreensão da nossa natureza humana e não se enquadram no nosso processo racional de pensamento, porque a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende da nossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo através da Sua morte.» Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44
P: Em Mt 24,36, muito resumidamente, o Espírito Santo sabia quando Jesus regressaria?
R: Embora os cristãos concordem que Jesus, enquanto esteve na terra, não tinha conhecimento desta informação, existem duas perspetivas sobre o conhecimento do Espírito Santo a este respeito. Considero que a segunda perspetiva é a correta.
1) O Espírito Santo não sabia/não sabe
Deus na Trindade sabe tudo, e o próprio Espírito Santo sabe tudo, exceto este único facto. A data predestinada do regresso é conhecida apenas pelo Pai neste momento.
2) O Espírito Santo não está aqui em causa.
Palavras como «todos» (em Romanos 3, etc.) e «ninguém» na Bíblia referem-se às pessoas, salvo quando o contexto indique o contrário. Assim, se os anjos não fossem mencionados, não se saberia se os anjos sabiam ou não. Jesus ainda não tinha ensinado sobre o Espírito Santo e, por isso, o Espírito Santo não é mencionado aqui. Assim, este versículo não menciona o Espírito Santo como sabendo ou não sabendo. Para uma situação semelhante, consulte Mateus 11:27. Diz-se ali que ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho. O Espírito Santo conhece o Pai e o Filho, mas o Espírito Santo não está em causa aqui.
P: Em Mt 24:36, o Espírito Santo sabia, naquela altura, a hora do regresso de Jesus ou não? (Esta pergunta foi feita por um cristão.)
R: Primeiro, vamos compreender a pergunta. Existe uma variação manuscrita nesta frase, mas as evidências indicam que a leitura padrão, que contém «nem o Filho», é a correta. Jesus, que se esvaziou a si mesmo (Filipenses 2:7) e renunciou à Sua glória (João 17:5), não sabia enquanto esteve na terra. Este versículo não aborda se Jesus e o Espírito Santo sabem agora. Mas a questão é, especificamente, se o Espírito Santo sabia na altura em que Jesus proferiu esta declaração.
Analisemos as três possibilidades.
Sim, o Espírito Santo sabia:
Y1: Portanto: «ninguém… nem o Filho» refere-se a todas as criaturas e a Jesus, mas não ao Espírito Santo, sobre quem Jesus ainda não tinha ensinado, e que eles não compreendiam como distinto do Pai.
Y2: O Espírito Santo sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus, como diz 1 Coríntios 2:10.
Y3: O facto de Deus saber tudo significa que cada membro da Trindade, no Céu, sabe tudo.
Não, o Espírito Santo não sabia:
N1: «Ninguém, a não ser o Pai» inclui também o Espírito Santo.
N2: Portanto, o facto de Deus saber tudo significa apenas que, pelo menos, um membro da Trindade sabe tudo. Esta perspetiva teria de reconhecer que é possível que o Pai saiba algo e que os outros só o venham a saber mais tarde.
N3: O Espírito Santo sonda todas as coisas, mas sonda em vez de saber tudo de uma só vez. Não concluiu a sondagem deste facto neste momento.
Não diz:
D1: Jesus estava a falar das criaturas, do Pai e de Si próprio; o Espírito Santo não estava aqui em causa.
D2: De qualquer forma, isto poderia ser apenas uma variação errada do manuscrito.
D3: Portanto, poderia ser «sim» ou «não».
Conclusão: Ninguém que andava na terra sabia quando Jesus regressaria. Não se deve basear uma doutrina sobre o Espírito Santo numa simples ausência num único versículo. Esta é uma daquelas coisas que poderemos descobrir quando chegarmos ao céu.
P: Em Mt 24,42, por que razão Jesus disse: «em que dia o vosso Senhor virá», em vez de «em que dia eu virei»?
R: Não conhecemos as palavras exatas de Jesus, porque os evangelistas parafrasearam o que Ele disse. Marcos 13:34-36 apresenta estas palavras no contexto de uma breve parábola e, por isso, é natural que estejam na terceira pessoa. Em Lucas 21:36, Jesus utilizou o termo «Filho do Homem», que costumava empregar para se referir a Si mesmo, novamente na terceira pessoa.
A palavra aqui utilizada para «vigiar» também pode ser traduzida por «estarem atentos» e é a mesma palavra utilizada em 1 Tessalonicenses 5:6.
P: Em Mateus 24:42, uma vez que não sabemos quando Jesus regressará, por que razão procuramos os sinais da Sua vinda?
R: Por duas razões.
1. Infelizmente, muitas pessoas pensam erroneamente que conseguem determinar com precisão quando Jesus regressará.
2. A Bíblia indica que podemos observar sinais para conhecer a «época» do regresso de Jesus. Perceber como as coisas não se encaixam é uma forma de reconhecer os falsos cristos. Muitos consideram que, a partir desta parte, Mateus 24 se refere ao Arrebatamento, que acreditam preceder a Tribulação. Consulte também a discussão sobre Apocalipse 22:6, 7, 10, 12, 20.
P: Em Mt 24:45-47, o servo fiel e discreto refere-se à Organização Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, tal como afirma o seu livro «Raciocínio a partir das Escrituras», p. 205 (1989)?
R: Não. O servo fiel e discreto refere-se a todos os cristãos genuínos, que seguem Cristo com obediência e aguardam o Seu regresso. Certamente não se referiria a uma organização que fez muitas profecias falsas.
P: Em Mt 24:51, será que um Deus amoroso realmente «corta as pessoas em pedaços»?
R: Deus é ainda mais severo do que esta metáfora; Ele lança as pessoas no Inferno. Para mais informações, consulte a página «A Ira Justa de Deus» www.BibleQuery.org/Doctrine/WrathOfGod/TheJustWrathOfGod.html.
P: Em Mt 25,1, uma vez que se espera que os cristãos partilhem, as cinco virgens prudentes agiram corretamente ao não partilharem com as cinco insensatas?
R: Os cristãos devem partilhar, mas não nas seguintes situações:
1. Coisas que não somos capazes de partilhar, tais como a justiça e a santidade.
2. Bens materiais com aqueles que se recusam a trabalhar (2 Tessalonicenses 3:10).
3. Acolher ou receber em nossa casa um falso mestre que não tem Deus.
4. Ensinar com pessoas que pisariam a verdade como porcos (Mateus 7:6).
Se as virgens prudentes tivessem partilhado com as insensatas, talvez ninguém tivesse óleo suficiente. É claro que as virgens insensatas poderiam ter apagado as suas tochas e reacendido-as mais tarde, se tivessem pensado com antecedência. No entanto, não se pode atribuir um significado específico a cada pormenor de uma parábola; mas, neste caso, as virgens insensatas pediram o que as sábias não podiam dar, em sentido alegórico. O anfitrião não deixou as insensatas entrarem, porque não queria intrusos na festa.
P: Em Mt 25, 1-13, as cinco virgens insensatas são cristãs que não foram obedientes e, por isso, perderam o Arrebatamento?
R: Não. Todos os crentes participarão no Arrebatamento. No entanto, as cinco podem ser pessoas que se consideravam cristãs.
P: Em Mt 25, 24-26, em que sentido é Deus um «homem severo» que colhe onde não semeou?
R: O senhor da parábola não está a concordar com o servo de que é um homem severo. Pelo contrário, está a dizer que, se pensava que Ele era um homem severo, por que razão não fez, pelo menos, algo fácil e simples? Deus está a ser comparado ao senhor desta parábola. Algumas pessoas podem pensar que Deus é uma pessoa severa porque:
1. Deus concede às pessoas quantidades diferentes de «talentos»
2. Deus espera que trabalhemos com o que Ele nos deu, e o Seu reino colherá os frutos do nosso trabalho árduo. (É claro que tudo o que de bom podemos fazer, fazemo-lo porque Deus nos capacitou. No entanto, isto seria ignorado por alguém que perguntasse por que razão Deus beneficia do nosso trabalho.)
3. Deus não tem qualquer remorso em retirar aos crentes, ou a outros, aquilo que estes não utilizam, utilizam indevidamente ou utilizam de forma egoísta.
Se alguém quiser definir um ser que faz estas coisas como «um homem severo» na parábola, então Deus é como um homem severo.
P: Em Mt 25, 24-30, já observou hoje como, por alguém temer que algo de mau pudesse acontecer, tomou decisões insensatas que garantiram que isso acontecesse?
R: Certa vez, quando uma empresa estava a proceder a muitas demissões, um jovem funcionário ficou tão stressado que simplesmente se demitiu sem ter outro emprego garantido. Chamou-lhe um «ataque preventivo».
Como diz o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 754: «A trágica ironia é que ele [o servo infiel] experimentou exatamente aquilo que temia — a ira do senhor. Mesmo uma obediência parcial teria sido melhor do que a desobediência total (v. 27). Tendo negligenciado a oportunidade, ele está agora privado dela.»
P: Em Mt 25, 26-27 e Lc 19, 23, por que razão foi dito ao homem com um talento para o depositar no banco e cobrar juros, uma vez que aos israelitas foi ordenado que não cobrassem juros uns aos outros (Êx 22, 25; Lv 25, 35-37; Dt 23, 19; Sl 15, 5)?
R: Três pontos na resposta.
a) Tratava-se apenas de uma parábola, e Jesus não nos estava a ordenar que fôssemos nem como o servo preguiçoso nem como o senhor.
b) A parábola nunca referiu que o senhor ou o servo fossem judeus. Na Palestina, havia muitos gentios no tempo de Jesus.
c) Os israelitas não deviam cobrar juros ao seu povo, mas podiam emprestar com juros a outros, tal como diz Deuteronómio 23:20.
P: Em Mt 25,26-27, se se desperdiçarem demasiadas oportunidades, os talentos e os dons podem desaparecer. Como acha que a «atrofia espiritual» se pode manifestar hoje em dia?
R: Uma coisa que o servo preguiçoso tinha era «uma abundância de cautela». Mas a verdade é que ele simplesmente não queria usar o que lhe tinha sido dado. Um atleta forte, que deixa de treinar e de se exercitar, deixa de ser um atleta forte. Da mesma forma, uma pessoa que é forte num talento ou num dom espiritual, se deixar de o exercer, pode deixar de ser tão forte nisso, ou pode vê-lo ser-lhe retirado por completo.
Há uma segunda forma de encarar isto: o dom das oportunidades que nos são concedidas. Se tivermos a oportunidade de partilhar o evangelho com alguém, ou de contribuir para a vida de alguém, essa oportunidade pode desaparecer mais cedo do que poderíamos esperar.
P: Em Mt 25, 28-29, será justo que Deus retire o talento do servo que possuía um talento e o entregue àquele que possui o maior número?
R: Esta é uma pergunta capciosa! Os servos nunca foram donos de nenhum dos talentos; eram apenas administradores do senhor.
Claro que Deus é justo neste caso — a menos que nos tenhamos esquecido de que os talentos nunca foram realmente nossos, para começar! Um administrador é alguém que protege e multiplica fielmente os bens alheios em nome dos outros, mesmo quando ninguém está a observá-lo. Foi Deus quem lhes emprestou os talentos, para começar. Ainda hoje, um gestor de investimentos retiraria dinheiro de investimentos pouco rentáveis e colocá-lo-ia em outros com melhor desempenho. Por vezes, esquecemo-nos de que Deus «nos emprestou talentos». Não são nossa posse permanente e não temos o direito de os utilizar como bem entendermos.
Quando Deus nos concedeu talentos naturais, dons espirituais e oportunidades, é muito fácil considerá-los como nossos. Não o são. Pertencem a Deus e Ele apenas mos concedeu «em empréstimo».
P: Em Mt 25, 31-46, parece que a única distinção entre as ovelhas e os bodes é o que fizeram e o que não fizeram. Será isto verdade?
R: Não. Não ignore o facto de que as ovelhas eram ovelhas e os bodes eram bodes. Jesus destacou as ações «típicas das ovelhas» que as ovelhas realizaram e que os bodes não realizaram, demonstrando que as ovelhas eram ovelhas. No juízo, não foram transformadas em ovelhas e bodes, mas reconhecidas como ovelhas e bodes.
A título de nota, as ovelhas têm normalmente mais lã do que as cabras e, por isso, precisam de menos abrigo. Assim, separá-las à noite e deixar as cabras ficarem numa caverna, num celeiro ou num local abrigado seria comum em certas alturas do ano.
P: Em Mt 25, 31-46, uma vez que o essencial [supostamente] era ajudar os outros, não irão todos os que ajudam os outros para o Céu?
R: Não. Foram atos de compaixão praticados por Jesus ao ajudar os outros. Se não tivessem sido feitos por Jesus, então não são por Jesus. Por exemplo, «até os pecadores amam aqueles que os amam», em Lucas 6:32-34. 1 Coríntios 13:3 diz que, mesmo que déssemos tudo o que tínhamos aos pobres, mas não tivéssemos amor, isso não nos traria qualquer benefício.
P: Mateus 25:46 demonstra que não há castigo consciente para os ímpios, tal como as Testemunhas de Jeová têm ensinado?
R: De modo algum. As Testemunhas de Jeová ensinaram isto na secção 111 da publicação «O Maior Homem que Já Viveu» (1991). Acreditam que a expressão «castigo eterno» é melhor traduzida por «exclusão». Há dois pontos a destacar na resposta.
A palavra grega significa «castigo». Os nossos corpos mortais são apenas uma concha, e o facto de algo acontecer ao nosso corpo após a morte não constitui um castigo. As Testemunhas de Jeová acreditam que as pessoas más são aniquiladas, e não há mais castigo para algo que não existe.
A interpretação das Testemunhas de Jeová contraria totalmente o ensinamento de Jesus sobre a existência consciente tanto dos justos como dos ímpios, em Lucas 16:22-28. As pessoas estariam a chorar e a ranger os dentes em Mateus 8:12; 22:13; 24:51; e 25:30; então, por que razão se preocupariam com o momento em que já não existissem?
Uma vez que a Besta e o Falso Profeta são lançados «vivos» no Lago de Fogo no início dos mil anos, em Apocalipse 19:20, e uma vez que ainda existiam e continuavam lá após o fim dos mil anos (Apocalipse 20:10), então, pelo menos alguns seres continuam a existir enquanto se encontram no Lago de Fogo. Concorda? E se se provar que existem alguns seres no Lago de Fogo, e não houver nenhuma passagem bíblica que afirme que os seres no Lago de Fogo já não existem, então não há necessidade de que as pessoas no Lago de Fogo já não existam.
Acrescenta-se também: qual seria o sentido de haver fogo eterno e inextinguível em Marcos 9:43-48 e noutros passos, onde os corpos dos ímpios não morrerão (Lucas 12:4-5) sem que haja almas ali?
P: Em Mt 25,46, o que têm em comum as três partes de Mt 25?
R: Não se trata apenas de advertências; todas as três apresentam uma crise de separação causada por um servo insensato, seja devido à vinda inesperada do senhor, seja por ter ignorado o que o Senhor desejava. No final do Seu ministério terreno, Jesus está aqui a enfatizar não uma nova doutrina, mas a urgência de estar preparado e de tomar as decisões certas antes que seja tarde demais para si. Quando partilhamos o evangelho com os outros, não partilhamos apenas a verdade (ou seja, factos reais), mas também precisamos de partilhar a urgência de que decidam seguir a verdade.
P: Em Mt 26,3-4, quais são outros exemplos de líderes que fazem o oposto daquilo para que foram designados, e porquê?
R: Um segundo exemplo surge logo a seguir, precisamente com os discípulos, em Mateus 26:6-7. O nosso objetivo principal na vida é amar, adorar, obedecer e glorificar a Deus e, em seguida, amar os outros. Ungir Jesus está em consonância com o nosso objetivo. O nosso objetivo principal não é obter e acumular dinheiro (a menos que seja o Judas).
Pareceria natural que os líderes religiosos judeus, numa posição originalmente estabelecida pelo próprio Deus, fossem os primeiros a reconhecer Jesus. Em vez disso, foram os primeiros a querer matá-Lo. Mas por que razão as pessoas fariam isto?
Esqueceram-se do seu propósito, da razão pela qual ali se encontravam. Não estavam ali para aumentar o seu poder, nem para manter a sua posição, nem para preservar os seus bens. Estavam ali para guiar o povo a seguir e adorar a Deus. Pensavam que o seu propósito girava em torno deles próprios, e não do povo ou de Deus.
Hoje em dia, é demasiado fácil para os líderes esquecerem também a razão pela qual estão lá. Alguns podem não levar a sua posição suficientemente a sério. Outros podem pensar que a sua posição diz respeito a si próprios, e não ao povo, nem ao que Deus gostaria que fizessem nessa posição.
Como disse o Xá do Irão: «Nasci para governar.» Mas será que todo o povo iraniano pensava que tinha nascido para ser governado por ele? Uma pessoa afirmou que Hillary Clinton deveria ser a nossa presidente, porque «ela merece-o». Independentemente dos seus méritos, será que o cargo de presidente se reduz, aos olhos de algumas pessoas, a um mero cargo político cobiçado, a uma simples recompensa, e não ao que é melhor para o povo americano?
Como contra-exemplo, se alguém pudesse ter nascido «com uma colher de prata na boca», esse alguém seria o milionário William Borden (1887-1913), da família extremamente abastada responsável pelo leite Borden. Mas os seus pais deram-lhe uma sólida educação cristã, e ele aceitou Cristo quando tinha sete anos de idade. Frequentou a licenciatura em Yale, onde, na altura, não havia grande influência espiritual. No entanto, no seu último ano lá, havia 1 000 pessoas em grupos de oração e estudos bíblicos que ele organizava. Ele também estendeu a mão a alcoólicos das zonas desfavorecidas da cidade e a outras pessoas; quando foi necessária uma nova instalação missionária, ele pôde simplesmente pagar em dinheiro e comprá-la. Juntou-se à China Inland Mission, especificamente para ser missionário junto dos milhões de muçulmanos na China. Foi para o Egito estudar árabe e, enquanto lá esteve, contraiu meningite cerebral e faleceu, aos 25 anos. Escreveu na sua Bíblia: «Sem reservas, sem recuos, sem arrependimentos.» No entanto, os líderes da Igreja Presbiteriana dos EUA, em 1969, redigiram uma declaração oficial da sua denominação negando a inerrância da Bíblia. Esta denominação, enquanto membro do Conselho Mundial de Igrejas, concedeu fundos a Robert Mugabe, ditador do Zimbábue, que assassinou missionários cristãos.
P: Em Mt 26,7; Mc 14,3 e Lc 7,37, o que sabemos sobre o alabastro?
R: Na antiguidade, dois minerais diferentes eram designados por alabastro.
O alabastro em si é macio (dureza = 2) e pode ser riscado com a unha do polegar. É adequado para escultura e constitui uma forma de gesso. É de cor clara, mas pode apresentar manchas de várias cores. Forma-se normalmente em cavernas. O alabastro era um material comum para armazenar unguentos, segundo o livro «História Natural», de Plínio, o Velho, livro 13, capítulo 3.
O mármore também era chamado de alabastro. É um pouco mais difícil de esculpir (dureza = 3) e é, na verdade, calcite ou aragonite. Trata-se de calcário recristalizado.
P: Em Mt 26, 7-11, quando a mulher derramou o perfume caro sobre a cabeça de Jesus, estará Jesus a ser demasiado egocêntrico? (Esta questão foi levantada pelo muçulmano Ahmad Deedat)
R: Antes de responder à pergunta de Deedat, vamos tornar a questão ainda mais complexa. Não só Jesus elogiou as ações dela nesta ocasião, como também aceitou a adoração como Deus por parte dos anjos e das pessoas no céu (Hebreus 1:6; Apocalipse 5:12). Jesus também aceitou a adoração como Deus por parte das pessoas (Mateus 21:15-16; 28:9; João 9:38).
Poderá surpreendê-lo saber que, neste ponto, concordamos parcialmente com Deedat. Podemos ver que a visão de Deedat sobre a importância de Jesus e a visão de Jesus sobre a Sua própria importância são muito diferentes. Aceitar que lhe derramassem o caro frasco de perfume sobre a cabeça, um ato de adoração, bem como aceitar a adoração, quando todos os judeus sabiam que apenas Deus deveria ser adorado, seria ir longe demais — A MENOS QUE JESUS FOSSE DEUS.
P: Em Mt 26,11, Jesus não iria estar sempre com eles, ou estará Jesus sempre com eles, até ao fim dos tempos, como diz Mt 28,20?
R: Ambas as coisas. Eles não teriam a presença física de Jesus entre eles, e foi por isso que se justificou que a mulher ungisse Jesus enquanto Ele ainda estava fisicamente com eles. Mas Jesus estaria com eles espiritualmente, mesmo depois de ter ascendido ao Céu. Consulte «When Critics Ask», p. 359, para mais informações.
P: Em Mt 26, 21-22, o que acha que Judas sentiu quando Jesus disse que sabia que um deles O iria trair?
R: Provavelmente, o coração de Judas sentiu como se tivesse parado. Talvez se tenha repreendido silenciosamente, pensando que não tinha disfarçado bem os seus rastos. Ou talvez tivesse tido um vislumbre de esperança, pensando que, uma vez que Jesus não tinha mencionado publicamente um nome, talvez Ele não soubesse ao certo que seria ele. Mas mesmo que Judas tivesse tido esse último pensamento, não o teria mantido por muito tempo, pois Jesus, ao molhar o pão no prato, indicou quem era. Assim, Judas percebeu, com toda a certeza, que as intenções do seu coração secretamente sombrio eram tão claras como a luz do dia para Jesus.
E, no entanto, ao tomar conhecimento disso, em João 13:30, Judas dirigiu-se aos sumos sacerdotes e traiu Jesus na mesma. Por vezes, as pessoas estão tão presas a um caminho pecaminoso que pensam: «já não há volta a dar». Mas se estiver a caminhar em direção a um vulcão ativo, pode sempre voltar para trás, enquanto ainda consegue andar. Se estiver a seguir um caminho pecaminoso, «agora mesmo» é sempre o melhor momento para voltar para trás. Deixe que Deus trate das consequências; basta que se preocupe em obedecer-Lhe.
Alguma vez viu alguém que estivesse tão certo e confiante no que queria fazer, que nada, absolutamente nada, o fizesse mudar de ideias? É quase como se dissessem: «Não me confunda com os factos.»
P: Em Mt 26,27; Mc 14,23; Lc 22,17.20; e 1 Cor 11,25, todos têm de usar o mesmo cálice da comunhão?
R: Todos estavam reclinados (não sentados) à mesma mesa, num grupo de doze mais Jesus, com um traidor no meio deles. Tal como não precisamos de fazer estas coisas hoje em dia, também não precisamos de utilizar o mesmo cálice.
Conheço um pastor, que acredito ser um cristão genuíno, que pensa que todos devem usar o mesmo cálice na comunhão. No entanto, é preciso distinguir entre a cerimónia que devemos seguir e os aspetos secundários praticados naquela ocasião, tais como o facto de todos se reclinarem à mesma mesa.
P: Em Mt 26,28 e Mc 14,24, a palavra «aliança/testamento» deveria ser precedida do adjetivo «nova»?
R: Provavelmente não.
Em Mateus 26:28
«Nova» está presente no Alexandrinus (c. 450 d.C.), no Rescrito de Efraem (século V), no Bezae Cantabrigiensis, nos Evangelhos de Freer, no copta sahídico (séculos III/IV), no copta boairico (séculos III/IV), no Lecionário Bizantino, na família f1, na família f13, no arménio, no etíope, etc.
A palavra «Novo» está ausente no p37 (meados do século III), no Sinaítico (340-350 d.C.), no Vaticano (325-350 d.C.), etc.
Em Marcos 14:24
A palavra «novo» está presente no Alexandrinus, no copta sahídico, no Diatessaron, no Lecionário Bizantino, na família f1, na família f13, no arménio, no etíope, etc.
A palavra «Novo» está ausente no Sinaítico, no Vaticano, no Ephraemi Rescriptus, no Bezae Cantabrigiensis, nos Evangelhos de Freer, no copta boairico, etc.
Em geral, estas duas variantes são interessantes para ilustrar duas tendências na correlação entre variantes.
1. Os manuscritos alexandrinos, incluindo o Sinaítico, o Vaticano, o copta, etc., são, em geral, mais curtos do que as variantes bizantinas.
2. Não existe grande correlação que indique tendências teológicas. Por exemplo, o Bezae Cantabrigiensis, os Evangelhos de Freer, o Ephraemi Rescriptus e o copta boairico não se correlacionam com estas variantes, ao passo que os restantes o fazem.
P: Em Mt 26,30, que hino poderão ter entoado?
R: As Escrituras não especificam, pelo que poderia ter sido qualquer hino, incluindo um recém-escrito. No entanto, era costume, após a refeição da Páscoa, cantar as palavras dos Salmos 113-118, 114-118 ou 115-118.
P: Em Mt 26, 31-35, 69-72, como aconselharia um cristão que assumiu grandes compromissos para servir a Deus e que, posteriormente, falhou redondamente?
R: Pedro não disse isto porque não fosse sincero ou porque não conhecesse Jesus; Pedro disse isto porque não conhecia o seu próprio coração.
Jesus advertiu Pedro com antecedência, embora não haja qualquer indício de que Pedro tenha aceitado as palavras de Jesus naquele momento. Mas mais tarde, quando Pedro tropeçou, conseguiu recordar o que Jesus lhe tinha dito anteriormente. Mais tarde, após a ressurreição de Jesus, este dirigiu-se especificamente a Pedro, na presença dos outros, para o restaurar pessoalmente, em João 21:15-18. Jesus proferiu palavras gentis de restauração e propósito, não palavras de condenação do tipo «estás acabado». Pedro nunca poderia desfazer as suas três negações, mas podia levantar-se e seguir em frente a partir daí.
P: Em Mateus 26:39, 42, uma vez que Jesus é Deus e tem a mente de Deus, como é que Ele pôde orar: «Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice»?
R: Filipenses 2:6-7 mostra que Jesus voluntariamente se esvaziou de muitos dos Seus poderes e atributos divinos quando veio à Terra. Por exemplo, Jesus sentiu-se cansado (João 4:6) e aprendeu a obediência (Hebreus 5:8), algo que, presumivelmente, não tinha motivos para conhecer no Céu. Além disso, na Terra, Jesus não sabia tudo, pois não conhecia o dia nem a hora do Seu regresso, conforme se lê em Mateus 24:36 e Marcos 13:32.
Neste caso, Jesus não está a dizer que conhece outro caminho. Pelo contrário, Jesus está a perceber que o caminho que tem pela frente será extremamente doloroso e está a perguntar a Deus Pai se o Pai vê algum outro caminho.
Esta questão foi respondida por volta de 246-265 d.C., quando Dionísio, bispo de Alexandria, deu essencialmente a mesma resposta no Fragmento Exegético 3, em «Os Padres Ante-Nicenos», vol. 6, p. 108
P: Em Mt 26, 52, Jesus opõe-se a toda a guerra e à pena capital (execução)?
R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.
O que não é a resposta: Quando Jesus regressar, Ele ensinou que matará aqueles que se opuseram a Ele em Mateus 24:5-7, 31; Marcos 13:7-8; e Apocalipse 19:15, 17-21. No entanto, isto não responde à pergunta, porque o que Deus faz e aquilo a que somos ordenados a obedecer não têm de ser necessariamente a mesma coisa.
A resposta: Não, por quatro razões.
1) Jesus não poderia estar a sugerir que os crentes nunca devessem portar uma espada; caso contrário, por que razão, apenas algumas horas antes disto, Jesus disse que aqueles que não tivessem espada deveriam ir comprar uma, em Lucas 22:36-38? Além disso, depois de os apóstolos terem dito que tinham duas espadas, Jesus não lhes disse para se livrarem delas, mas disse: «Isso basta.»
2) Jesus estava a falar com Pedro nesta situação, logo após este ter ferido o servo do sumo sacerdote, para que não ferisse mais ninguém com a sua espada.
3) Jesus referiu-se àqueles que «vivem pela espada», não a todos os que possuem espadas. Isto pode referir-se tanto àqueles que ganham a vida matando pessoas, como àqueles que encaram o ato de matar como a solução para os seus problemas.
4) A segunda parte do versículo é uma observação, não uma ordem.
Outros versículos que mostram que as espadas são aceitáveis são Romanos 13:1-4; Lucas 14:31; 19:27; 20:14-16; Atos 25:11; 1 Coríntios 9:7. Quando os soldados perguntaram a João Batista o que deveriam fazer, em Lucas 3:14, João teve a oportunidade perfeita para lhes dizer que abandonassem o exército, mas não o fez. Da mesma forma, em Atos 10, o centurião Cornélio era um homem devoto. A execução de assassinos não só era permitida como ordenada nos tempos do Antigo Testamento, em Números 35:31, 33, e antes da Lei mosaica, em Génesis 9:6.
Outros versículos que afirmam ou sugerem que não devemos viver pela espada são: 2 Coríntios 10:4-5; Mateus 5:25; João 18:36; e Romanos 12:17.
Embora Jesus, em Lucas 22:36, e o Novo Testamento em geral ensinem o uso defensivo da espada, bem como o uso da espada pelo Estado em Romanos 13:1-4, nunca defendem o uso agressivo da espada, nem o uso da espada pelo Estado contra hereges. Nenhum cristão primitivo defendeu o uso da espada pelo Estado contra os incrédulos. Historicamente, esta doutrina não bíblica foi ensinada pela primeira vez por Firmicus Maternus em 346/348 d.C. e, mais tarde, por volta de 386 d.C., por Agostinho de Hipona.
P: Em Mateus 26:52, quando (se é que alguma vez) devemos recorrer a meios físicos ao serviço do reino de Cristo?
R: Ao longo da história, vimos que isso foi tentado várias vezes, e os resultados foram desastrosos. Não é que todas tenham sido um fracasso militar; lembre-se de que as Cruzadas foram um sucesso no Médio Oriente durante alguns séculos e que foram bem-sucedidas no saque de Constantinopla. Pelo contrário, foram todas catástrofes espirituais, no sentido de que se revelaram muito úteis a Satanás para os seus desígnios. Poder-se-ia argumentar, no entanto, que as lutas defensivas, como a Batalha de Tours e a derrota do ataque turco a Viena, foram sucessos.
Assim, do ponto de vista defensivo, poderá ser aceitável ter um segurança numa igreja ou recorrer à proteção policial. Mas a ação violenta ofensiva abafa a mensagem do Evangelho. Se já não tem qualquer mensagem para transmitir, então por que razão partir para a ofensiva, para começar?
P: Em Mt 26,53, a que número correspondem doze legiões de anjos?
R: Uma legião romana, em força total, era composta por 6 000 homens, pelo que isso corresponderia a 72 000 anjos. Uma vez que 185 000 soldados assírios foram mortos numa única noite por um único anjo, em 2 Reis 19:35, 72 000 anjos seriam suficientes — para os sistemas solares vizinhos!
P: Em Mateus 26:64, como é que Jesus pôde falar perante o Sinédrio, uma vez que Isaías 53:7 diz que o Messias não abriria a boca?
R: Isto não significa que Jesus nasceria incapaz de falar durante toda a sua vida. Pelo contrário, Isaías 53 matiza esta afirmação dizendo «como uma ovelha que permanece em silêncio perante os seus tosquiadores». Jesus falou naquele dia, mas quando os seus acusadores se pronunciaram contra ele perante Pôncio Pilatos, este ficou admirado e surpreendido por Jesus não ter falado naquele momento nem ter respondido a uma única acusação, tal como referem Mateus 27:14 e Marcos 15:4-5.
P: Em Mt 26,64, como é que Caifás veria o Filho do Homem sentado à direita do poder e vindo sobre as nuvens do céu?
R: Apocalipse 1:7 diz que todos os olhos verão Cristo regressar nas nuvens, incluindo aqueles que O traspassaram. Assim, mesmo aqueles que já tivessem falecido poderão testemunhar este acontecimento. Além disso, Jesus dirigiu estas palavras a Caifás oficialmente, na sua qualidade de sumo sacerdote em representação da nação de Israel, e não apenas a título individual. Por isso, todo o Israel também testemunhará isto.
P: Em Mateus 26:65, por que razão o sumo sacerdote rasgou as suas vestes nesta ocasião?
R: Rasgar as vestes era um ato grave; estas não podiam voltar a ser usadas, e as vestes eram relativamente caras naquela época. Isso só era feito quando alguém ouvia blasfémia contra Deus (Mishná Sanhedrin 7:5), ou então em caso de grande indignação ou pesar (2 Reis 18:37; Judite 14:19; 1 Macabeus 11:71; Atos 14:14). Era uma forma de testemunhar que não tinham qualquer participação na blasfémia contra Deus e que a desaprovavam. Assim, o sumo sacerdote queria demonstrar que, como bom judeu, não podia tolerar aquilo que declarava ser blasfémia. No entanto, um momento de reflexão. Levítico 21:10 e seguintes dizem que era proibido ao sumo sacerdote rasgar as suas vestes. Assim, o sumo sacerdote, no seu zelo por tentar demonstrar o quão certo ele estava e o quão errado Jesus estava, violou ele próprio a Lei do Antigo Testamento neste caso.
P: Em Mateus 26:69-75, como é que Pedro, apóstolo de Jesus, pôde mentir por medo?
R: Pedro pecou aqui, como ele próprio percebeu com amargura em Mateus 26:75; Marcos 14:72; e Lucas 22:62. Pedro depositava a sua esperança em Jesus e, apesar de Jesus os ter avisado previamente, os apóstolos fugiram com medo quando Jesus foi preso. Jesus perdoou especificamente a Pedro por o ter negado três vezes em João 21:15-19.
P: Em Mt 26,73 e Mc 14,70, quais eram as características do sotaque galileu?
R: Embora não tenhamos a certeza, muitos gregos e judeus de língua grega viviam na Galileia e na vizinha Decápolis, e talvez se tratasse de características herdadas da língua grega. Para além da pronúncia das palavras, isso poderia incluir também expressões idiomáticas e a escolha de palavras.
P: Em Mateus 26:74 e Marcos 14:71, por que razão Pedro praguejou aqui?
R: Embora as Escrituras não o digam, pode ter sido por duas razões.
Medo: Pode ter sido porque Pedro estava com medo.
Por uma questão de efeito: pode ter sido para tentar «provar» aos judeus que ele não era discípulo de Jesus.
Seja como for, a maldição de Pedro, tal como a sua negação, não constitui um exemplo a seguir hoje em dia. Não devemos usar linguagem obscena, de acordo com Efésios 5:4, e seremos julgados por cada palavra ociosa, de acordo com Mateus 12:36.
P: Em Mt 27,1, por que razão se reuniram novamente durante o dia?
R: Talvez não se tenha tratado propriamente de uma reunião separada, mas precisavam que parecesse uma reunião separada. De qualquer forma, as reuniões do Sinédrio deviam realizar-se durante o dia. Não era possível proferir um veredicto de culpabilidade após uma única reunião. De acordo com a lei judaica, só podiam proferir uma sentença de pena capital durante o dia, e tinham de se reunir duas vezes para se certificarem. Além disso, a reunião noturna pode ter sido apenas um subgrupo do Sinédrio, enquanto a reunião diurna pode ter contado com a presença de todo o conselho.
No entanto, o Sinédrio judeu não podia executar ninguém sob o domínio romano (exceto por profanar os terrenos do Templo), pelo que é interessante que tenham recorrido aos romanos, a quem odiavam, para executar alguém que odiavam ainda mais. É claro que também ficaria melhor, para o Sinédrio, que fossem os romanos a condenar Jesus e não apenas os judeus.
P: Em Mt 27,2, o que sabemos sobre Pôncio Pilatos?
R: Pôncio Pilatos era um governador romano; mais concretamente, era um «prefeito». Os prefeitos governavam regiões pequenas e problemáticas. Não eram muito poderosos, tendo menos autoridade do que os legados imperiais e os procônsules; mas detinham o mesmo poder que estes nas decisões judiciais na sua área. Detinham o poder de aplicar a pena capital, que só podia ser contestada recorrendo a César, caso o prisioneiro fosse cidadão romano.
Antes de outubro de 31 d.C., Pilatos carecia de justiça ou do temor de Deus, era injusto, não gostava dos judeus e não os compreendia verdadeiramente, segundo Josefo (Antiguidades dos Judeus, livro 18, caps. 3-4, pp. 379-381, e Guerras dos Judeus, livro 2, pp. 169-177, fig. 2-4). Isto também está de acordo com Filão de Alexandria, em «Sobre a Embaixada a Caio», capítulos 38-40, pp. 784-786. Pilatos levou deliberadamente os estandartes romanos, com imagens do Imperador, para Jerusalém. Ele saqueou o tesouro do Templo para construir um aqueduto. Lucas 13:1 afirma que Pilatos matou galileus e misturou o seu sangue com os seus sacrifícios. Em seguida, o povo de Jerusalém revoltou-se, e ele mandou os seus soldados matar muitos deles. Pilatos colocou escudos de bronze, com a imagem do Imperador, no Templo de Jerusalém apenas para irritar os judeus. O povo causou tal alvoroço que o próprio Imperador romano anulou a decisão de Pilatos, ordenando que os escudos fossem removidos. Pilatos obteve este cargo graças ao seu mentor em Roma, Sejano, um amigo íntimo e confidente do Imperador Tibério. Segundo Filo, o objetivo de Sejano era exterminar os judeus. No entanto, em outubro de 31 d.C., Sejano foi executado por suspeita de traição contra Tibério e, depois disso, Tibério promulgou leis contra o antissemitismo.
Após outubro de 31 d.C., Pilatos provavelmente sentiu que se encontrava numa «situação delicada» perante o imperador Tibério. As relações com ele e com os judeus pioraram ainda mais a partir de cerca de 33 d.C., e Pilatos foi destituído em 36 d.C. depois de ter matado um grupo de samaritanos que se tinha reunido para ver alguns vasos sagrados. Os samaritanos recorreram a Vitélio, o legado da Síria, que ordenou a Pilatos que prestasse contas das suas ações ao Imperador.
Durante o julgamento de Jesus, Pilatos parece um pouco mais favorável a Jesus do que os líderes judeus. Provavelmente, Pilatos não se importava minimamente com o próprio Jesus; antes, estava apenas a opor-se ao Sinédrio. Mas quando os sacerdotes judeus jogaram o seu «trunfo» — ameaçando ir dizer ao Imperador que ele tolerava alguém que se autodenominava Rei dos Judeus —, Pilatos, um homem pragmático, cedeu ao que o Sinédrio queria. De certa forma, as costas de Jesus foram laceradas pelo chicote porque Pilatos foi covarde.
P: Em Mt 27, 3-5, o que podemos aprender sobre as pessoas a partir de Judas?
R: Tal como Judas mais tarde se arrependeu profundamente do que fez, algumas pessoas más sentem-se profundamente arrependidas, por vezes ao ponto de ficarem desanimadas, pelo que fizeram. Judas poderia ter pensado em como se sentiria em relação às suas ações antes de as cometer, mas não o fez. Da mesma forma, algumas pessoas más, atualmente muito arrependidas das suas ações, poderiam ter pensado nisso antes de as cometer, mas não o fizeram.
Judas estava escravizado ao dinheiro, e o próprio Judas sentiu horror pelo que essa escravidão o levou a fazer.
P: Em Mt 27,5, Judas enforcou-se ou o seu corpo rebentou, como diz Atos 1,18-19?
R: Atos 1:18-19 diz que Judas caiu de cabeça num campo, o que implicaria uma queda de, pelo menos, alguma altura. Ao analisar estes versículos em conjunto, surgem duas possibilidades. Em ambos os cenários, Judas enforcou-se, muito provavelmente numa árvore, possivelmente à beira de um penhasco.
O enforcamento falhou: enquanto Judas ainda estava vivo, a corda partiu-se e ele caiu de cabeça num campo, tendo o seu corpo se partido ao meio.
O enforcamento foi bem-sucedido e Judas morreu por ter sido enforcado. No entanto, se ninguém subisse para o retirar, mais cedo ou mais tarde o corpo acabaria por cair, de uma forma ou de outra.
De qualquer forma, houve um enforcamento, uma corda que se partiu e um corpo que se abriu ao meio.
P: Em Mt 27,7 e Atos 1,18, foram os sacerdotes ou Judas Iscariotes que compraram o campo?
R: Os sacerdotes eram «demasiado espirituais» para desagradar a Deus ao utilizarem dinheiro manchado de sangue. Além disso, uma vez que Judas atirou o dinheiro para uma parte do templo onde apenas os sacerdotes podiam entrar, o dinheiro, por estranho que pareça, poderia ser considerado por eles como «sagrado», uma vez que tocou num local sagrado. Judas já estava morto, pelo que os sacerdotes realizaram esta transação na qualidade de representantes de Judas, utilizando as «suas» 30 moedas. De uma forma macabra, Judas tomou pessoalmente posse do campo. Em Mateus 27:6, os sacerdotes não queriam que as 30 moedas de dinheiro manchado de sangue voltassem para o tesouro do templo.
P: Em Mt 27,9-10, de que forma isto constitui um cumprimento de Jeremias, uma vez que Jeremias referiu apenas parte disto e Zacarias referiu outra parte?
R: Os cristãos têm seis respostas.
Erro do copista, nenhum profeta especificado – Agostinho de Hipona afirmou que muitos manuscritos não contêm o nome de um profeta, embora considerasse que os melhores manuscritos indicavam «Jeremias». (Harmonia dos Evangelhos, de Agostinho, livro 3, cap. 7.30-31, p. 191-192
Erro do copista relativamente a Zacarias – Alguns manuscritos gregos referem, de facto, Zacarias em vez de Jeremias.
Erro de tradução: Papias, um discípulo do apóstolo João, regista que Mateus escreveu originalmente o seu evangelho em hebraico. Se isto for verdade e tiver sido traduzido para grego, este pormenor poderá ter sido alterado nessa altura.
Uma profecia não registada de Jeremias. O próprio Zacarias 1:4 cita Jeremias 18:11. Zacarias 7:7 menciona que ele está a proferir palavras de profetas anteriores.
Uma cadeia de testemunhos (também chamada de catena): Uma prática midráshica consistia em citar diferentes profecias e relacioná-las entre si naquilo a que chamamos de «cadeia de testemunhos». Marcos 1:2-3 é provavelmente também uma cadeia de testemunhos. Assim, alguns diriam que, se uma obra tem dois autores e há apenas uma breve alusão ao segundo autor, é comum mencionar apenas o primeiro autor. As cadeias de testemunhos (também chamadas de catenas) eram comuns, não só na Bíblia, mas também nos primeiros escritos cristãos. É comum mencionar apenas o autor mais famoso, e devemos analisar a literatura antiga de acordo com as suas práticas, e não com as nossas.
Apenas o profeta mais proeminente numa cadeia de testemunhos, tal como também acontece em Marcos 1:2-3. Jeremias foi colocado à cabeça desta secção do Antigo Testamento, de acordo com o Talmude Babilónico (Baba Bathra 14b).
P: Em Mt 27,15 e Mc 15,6, por que razão Pilatos libertou um prisioneiro durante a festa?
R: Aparentemente, era esse o seu costume. Ao que parece, ele pensava que os judeus o considerariam mais justo ou humano se assim o fizesse. A obra judaica posterior, a Mishná Pesahim 8:6, também sugere a amnistia de um prisioneiro durante a Páscoa. Obviamente, as suas noções de justiça e misericórdia diferem das nossas hoje em dia, e a Bíblia não aprova as suas ideias.
P: Em Mt 27,19, que mais sabemos sobre a esposa de Pôncio Pilatos?
R: A Bíblia não diz mais nada. De acordo com a tradição da Igreja, dizia-se que o seu nome era Cláudia Prócula, que mais tarde se tornou cristã secreta e que a Igreja Ortodoxa Grega a considera uma santa.
P: Em Mt 27,22; Mc 15,14; Lc 23,23; e Jo 19,14, terá Jesus tido de morrer de uma morte lenta e dolorosa na cruz, ou poderia ter morrido de forma menos dolorosa pela espada ou por doença? (A minha esposa questionou-se sobre isto)
R: As Escrituras limitam-se a relatar o que aconteceu, e não toda a gama de possibilidades do que poderia ter acontecido. Quando Satanás levou o povo a matar Jesus, aparentemente Satanás infligiu a Jesus a morte mais dolorosa que os homens sabiam infligir naquela época. Jesus suportou o pior castigo possível, para nos trazer o melhor presente possível.
P: Em Mt 27,24, de que forma é que as pessoas hoje em dia tentam, por vezes, «lavar as mãos» para convencer os outros de que não tiveram qualquer participação em algo, quando, na realidade, tiveram?
R: Os políticos podem parecer ansiosos e hábeis a distanciar-se de resultados desastrosos ou de políticas erradas ou agora impopulares que eles próprios votaram. Quando ouve um político dizer que «herdou» um problema, isso pode ser verdade, mas ainda assim pode perguntar-lhe o que fez para resolver o problema durante o seu mandato.
Pilatos foi quase ridículo ao tentar seguir um «caminho do meio», mantendo-se neutro em relação a Jesus. Hoje em dia, muitos também tentam seguir um caminho do meio, mas não conseguem fazê-lo verdadeiramente. Ou Jesus era um impostor mentiroso, um louco iludido ou o Senhor. Não há meio-termo aqui.
Já tinham sido preparadas três cruzes, pelo que Pilatos já tinha decidido, antes disso, executar três prisioneiros. Mas Jesus ocupou o lugar de Barrabás na cruz do meio.
P: Em Mt 27,25, por que razão queriam que o sangue de Jesus recai-se sobre eles e sobre os seus filhos?
R: Há quatro pontos a ter em conta na resposta.
1. Pilatos, pelo menos aparentemente, mostrou-se muito relutante em assumir a responsabilidade, e a multidão pode ter pensado que Pilatos não iria proferir a sentença de morte contra Jesus se não se tivessem mostrado dispostos a assumir a responsabilidade.
2. Além disso, embora a esposa de Pilatos o tivesse advertido para não se envolver na morte deste homem, Pilatos já se tinha mostrado disposto a derramar sangue noutras ocasiões fora da Bíblia. De qualquer forma, Pilatos desejaria que a multidão se comprometesse a assumir a responsabilidade, aliviando-o assim, de certa forma, da responsabilidade exclusiva pela morte de Jesus. Pilatos pode simplesmente ter estado a provocar a multidão para se proteger, de modo a que as palavras da multidão justificassem a sua decisão caso judeus ou romanos a questionassem mais tarde.
3. Os pais não podem escolher se querem ou não atribuir a sua culpa pessoal aos seus filhos ou descendentes. Infelizmente, Hitler e outros nazis chamavam aos judeus da sua época «assassinos de Cristo» e usavam essa expressão para tentar justificar os seus crimes horríveis. O próprio Hitler ordenou o desaparecimento de muitos padres católicos e outros cristãos. É claro que os romanos eram italianos e que Hitler se aliou à Itália. Sim, os pecados dos romanos e dos judeus colocaram Jesus na cruz, mas foram os pecados de todos nós que realmente colocaram Jesus na cruz.
4. Em última análise, aqueles que estão cobertos pelo sangue de Jesus têm os seus pecados lavados, mas, evidentemente, não era isso que a multidão queria dizer aqui.
P: Em Mt 27, 28-29, o manto de Jesus era escarlate ou era púrpura, como em Jo 19, 2-3?
R: Existem duas respostas diferentes, e ambas podem ser verdadeiras.
Púrpura-avermelhada: Em inglês, «púrpura-avermelhada» pode ser considerada um tipo de púrpura ou escarlate. No grego antigo, existe maior incerteza quanto à gama exata do espectro de luz de cada cor. Quando o hebraico/aramaico é traduzido para o grego — como Papias indica que foi o caso de Mateus —, a incerteza é ainda maior.
Multicolorido: Seria, de facto, estranho se um manto real de valor elevado fosse de apenas uma cor. Desenhos antigos a cores de pessoas no Egito mostram múltiplas cores. Mantos de várias cores estavam ao alcance das pessoas comuns, pelo menos desde o tempo de José, 1900 anos antes de Jesus.
P: Em Mt 27,29, por que razão colocaram uma coroa de espinhos na cabeça de Jesus e Lhe deram um junco?
R: Fizeram-no como uma coroa falsa para zombar Dele, e a cana serviria como um cetro de escárnio. Os espinhos podem ter sido virados para dentro para ferir Jesus, ou para fora para se assemelharem a uma coroa, com alguns espinhos em cada sentido. Algumas pessoas têm grande prazer em ridicularizar os outros. Mas Jesus usou uma coroa de espinhos, para que nós possamos usar uma coroa de glória. Exemplos de soldados romanos que se divertiam a ridicularizar prisioneiros encontram-se na «História» de Dió Cassio 15.20-21 e em «In Flaccum» de Filo 6.36-39.
Além disso, o objetivo pode não ter sido apenas ridicularizar Jesus, mas, por meio de Jesus, ridicularizar também a nação judaica
P: Em Mt 27,32 e Mc 15,21, por que razão Simão de Cirene teve de carregar a cruz de Jesus?
R: Jesus estava demasiado fraco para carregar a trave transversal e, evidentemente, os romanos não tinham vontade de a carregar eles próprios. Os romanos não fingiram ser justos nesta situação. A título de nota, mais tarde os rabinos proibiram a crucificação por considerá-la demasiado horrível, e os romanos só a permitiam mediante uma ordem direta do imperador.
Os arqueólogos encontraram um ossuário, ou depósito de ossos, pertencente a judeus de Cirene. Um dos ossuários é dedicado a «Alexandre, filho de Simão», mas Alexandre e Simão eram nomes comuns, pelo que provavelmente não se tratava do mesmo Simão. Esta informação consta em N. Avigad, «A Depository of Inscribed Ossuaries in the Kidron Valley», em IEJ 12 [1962], pp. 1-12.
P: Em Mt 27,32, será que Simão de Cirene, que carregou a cruz, era o mesmo Simão, o leproso, mencionado em Mt 26,6?
R: É possível, mas altamente improvável. Simão era um nome muito comum.
P: Em Mt 27,34,48 e Mc 15,36, por que razão alguém colocou vinagre misturado com fel/mirra numa esponja para dar a Jesus?
R: Jesus disse que tinha sede, e os soldados romanos costumavam beber uma bebida chamada «posca», feita de vinagre diluído. Havia uma tradição segundo a qual as mulheres de Jerusalém colocavam fel, um narcótico analgésico, no vinagre diluído. Mas Jesus recusou o fel, porque sabia que precisava de suportar plenamente a dor por nós. Dois ladrões foram colocados ao lado de Jesus, cumprindo, sem o saberem, a profecia de Isaías 53:12, segundo a qual Jesus seria contado entre os transgressores.
P: Em Mateus 27:40-42, por que razão estavam a encorajar Jesus a descer da cruz?
R: Jesus não podia descer por si próprio, uma vez que estava pregado ali em cima. Eles não acreditavam em Jesus e estavam a zombar Dele mais uma vez. Afirmavam que acreditariam em Jesus se Ele descesse da cruz.
Em primeiro lugar, não eram sinceros, uma vez que não acreditaram nem mesmo quando Jesus ressuscitou Lázaro dos mortos, nem quando o próprio Jesus ressuscitou dos mortos mais tarde. Não será esse um milagre maior do que descer da cruz?
Em segundo lugar, uma pessoa que morresse numa árvore era amaldiçoada, de acordo com Deuteronómio 21:23, e seria ofensivo acreditar em alguém a quem Deus permitiu que fosse amaldiçoado por morrer na cruz. Os líderes judeus não queriam desqualificar Jesus de ser o Messias, uma vez que já consideravam que Ele não era o Messias. Em vez disso, os líderes judeus queriam deixar bem claro ao mundo que Jesus estava desqualificado para ser o Messias.
Satanás estava a usar isto como uma tentação. Jesus poderia ter posto fim a isto a qualquer momento, invocando as Suas doze legiões de anjos. Mas, se o tivesse feito, a Sua expiação por nós não teria ocorrido.
Muitos muçulmanos consideram que Jesus não poderia ter morrido na cruz porque Alá não teria permitido que tal acontecesse a um profeta. No entanto, estão a olhar apenas para este mundo e não sabem que Jesus é muito mais do que um profeta.
Como disse William Booth: «Eles afirmavam que teriam acreditado se Ele tivesse descido; nós acreditamos porque Ele permaneceu lá em cima.»
P: Em Mt 27, 46-47 e Mc 15, 36, por que razão alguém disse que Jesus estava a invocar Elias?
R: As pessoas na multidão falavam latim, grego, aramaico/hebraico e, provavelmente, algumas outras línguas. Quando Jesus dizia «Eli, Eli», alguns pensaram que Ele poderia estar a dizer «Elias». Recorde-se que tanto o hebraico como o latim romano não possuíam o som «j». Além disso, à medida que o líquido era retirado do Seu corpo para encher o pericárdio à volta do Seu coração, Jesus sentiria muita sede, o que poderia tornar mais difícil falar com clareza.
Por outro lado, alguns podem ter ouvido corretamente o que Jesus estava a dizer, mas terão distorcido deliberadamente as Suas palavras para-O ridicularizar.
P: Em Mt 27,46 e Mc 15,34, o que quis Jesus dizer com «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste»?
R: A dor física era apenas uma parte da expiação de Jesus. A maior parte da dor consistiu no próprio Deus Pai ter abandonado Jesus, quando os pecados do mundo foram colocados sobre Ele. Não se tratava de uma questão teológica serena; tratava-se, antes, de um grito de agonia. Era um grito de dor emocional, não apenas física. De uma forma que talvez não possamos compreender plenamente, o Pai virou as costas a Jesus, que carregava o peso de todos os nossos pecados sobre os ombros.
P: Em Mt 27,46 e Mc 15,34, isto demonstra que Jesus não é Deus, tal como ensina o falso líder religioso, o Rev. Moon?
R: Não. Primeiro, eis o que o falso Messias, o Rev. Moon, afirmou, e depois a refutação.
Princípio Divino (5.ª edição, 1977), pp. 210-212: «… Jesus, como homem que cumpriu o propósito da criação, é um só corpo com Deus. … No entanto, não pode, de forma alguma, ser o próprio Deus. … Jesus, sendo um só corpo com Deus, pode ser chamado de segundo Deus (imagem de Deus), mas não pode, de forma alguma, ser o próprio Deus. … Jesus foi um homem que aperfeiçoou o propósito da criação, o que não significa que fosse o próprio Criador. … Além disso, quando constatamos que Jesus disse na cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?», torna-se claro que Jesus não é o próprio Deus.»
No entanto, Jesus é Deus de acordo com Hebreus 1:8, 10 e Tito 2:13; Ele possui a plenitude da divindade em Colossenses 1:19. Outros versículos que demonstram que Jesus é Deus são Romanos 9:5, João 5:23 e 1 João 5:20. O discípulo Tomé dirigiu-se a Jesus como «meu Deus» em João 20:28. João 1:3, 10, 11, 14 e Colossenses 1:16 mostram que Jesus não era apenas um homem aperfeiçoado, pois todas as coisas nos céus e na terra foram criadas por meio de Jesus e para Jesus.
A confusão pode surgir do facto de o termo «Deus» ser utilizado em mais do que um sentido na Bíblia. Certamente, pelo menos na Terra, o Pai desempenhou o papel de Deus de Jesus, uma vez que Jesus, enquanto esteve na Terra, aprendeu a obediência (Hebreus 5:8).
P: Em Mateus 27:51 e Marcos 15:38, qual foi o significado do rasgar-se em dois do véu do Templo?
R: O véu separava o Lugar Santíssimo de Deus do resto do Templo. O rasgo significava a obsolescência do ritual do templo e da lei que o regia. O rasgo revelou que, graças ao sacrifício expiatório de Jesus, a barreira foi quebrada e passámos a poder ter uma relação íntima com Deus. Se o véu do Templo tivesse sido corroído por insetos e se tivesse enfraquecido gradualmente até não conseguir suportar o seu próprio peso, teria-se rasgado de lado a lado. Mas, em vez disso, o véu rasgou-se de cima para baixo, o que não teria qualquer explicação natural.
O véu do Templo simbolizava o corpo de Jesus, e o facto de este se ter rasgado representa a nossa capacidade de entrarmos nós próprios no Santo dos Santos, de acordo com Hebreus 10:19-20
Além disso, uma vez que as autoridades judaicas e os líderes religiosos rejeitaram Jesus, aquele templo deixaria de ser visitado por Deus.
P: Em Mateus 27:51, existe alguma evidência extra-bíblica de que o véu do Templo se rasgou?
R: Existe algo semelhante em b Yoma 39b. (p. 580). Diz-se que as portas do templo se abriram por si próprias, 40 anos antes de o Templo ter sido destruído em 70 d.C.
P: Em Mt 27,51, é verdade que não há provas deste terramoto fora do Evangelho de Mateus?
R: Não, isso é falso. Ou os céticos têm razão e Mateus inventou uma história com um objetivo inspirador, na qual a Igreja primitiva foi levada a acreditar que se tratava de um facto, ou então houve realmente um terramoto, os túmulos foram abertos, alguns mortos ressuscitaram e, presumivelmente, subiram ao Céu após a ressurreição de Jesus. Além disso, o Monte do Templo situa-se sobre uma falha geológica, pelo que seria de esperar que ocorressem alguns terramotos.
A afirmação de que ninguém jamais mencionou isto fora do Evangelho de Mateus está incorreta. Dispomos de estudos geológicos modernos, duas fontes extra-bíblicas não cristãs e cinco fontes extra-bíblicas cristãs que mencionam estes acontecimentos.
Geologia moderna: Foram estudadas amostras de sedimentos com vinte pés de profundidade, recolhidas em três locais em torno do Mar Morto. Observaram-se camadas sísmicas que foram associadas a terramotos históricos. Existe registo de um terramoto desconhecido do século I. Os investigadores contaram as camadas anuais a partir do terramoto documentado de 31 a.C. e chegaram a uma data para o terramoto do século I de 31 d.C., com uma margem de erro de +/- 5%. O terramoto está registado como «33 d.C.» em vários artigos de investigação técnica. Para mais informações, consulte: «Registo geológico de alta resolução de terramotos históricos na bacia do Mar Morto» (Instituto de Ciências da Terra, Universidade Hebraica de Jerusalém; Departamento de Geofísica, Universidade de Tel Aviv): Journal of Geophysical Research, vol. 106, n.º B2, pp. 2221-2234, 2001. «Tabela 3… 33 d.C. Os relatos provêm da região da Judeia. O Templo de Jerusalém ficou danificado.»
«Um sismo no início do século I no Mar Morto», International Geology Review, DOI:10.1080/00206814.2011.639996.
Visível não só em amostras de testemunho, mas também nas ravinas perto do Mar Morto. Para ver uma imagem da camada deixada pelo terramoto de 33 d.C., consulte http://logosresearchassociates.org/Documents/Austin_33%20AD%20Seismite%20Ze'elim.pdf, figura 13. (14 de junho de 2013)
Flegão foi um escritor grego da Cária (na Ásia Menor), que escreveu pouco depois de 137 d.C. que, no quarto ano da 202.ª Olimpíada [33 d.C.], ocorreu «o maior eclipse solar» e que «fez noite na sexta hora do dia [12h00 do meio-dia], de tal forma que nem sequer uma estrela apareceu nos céus». Houve um grande terramoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.» (The Case for Christ, p. 111.) Orígenes, Contra Celso, livro 2, cap. 14, p. 437; livro 2, cap. 33, p. 445; livro 2, cap. 59, p. 455.
Tales (ou Thallus) foi um historiador palestiniano referido por Júlio Africano (que escreveu entre 232 e 245 d.C.). Júlio afirma: «Esta escuridão, Thallus, no terceiro livro da sua História, denomina-a — como me parece sem razão — um eclipse solar.» (Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, p. 136.) O contexto é Júlio a discutir como o período entre o decreto de Artaxerxes e a crucificação de Cristo cumpriu Daniel 9. (No entanto, não dispomos de quaisquer provas de que Tales tenha mencionado um terramoto.)
Irineu (182-188 d.C.), em «Fragmentos dos Escritos Perdidos», cap. 28, p. 573 (nos «Pais Ante-Nicenos»), menciona que «quando Jesus desceu, muitas almas ascenderam e foram vistas nos seus corpos». Escreve também, em «Contra as Heresias», livro 4, cap. 34, p. 512: «E os acontecimentos relacionados com a Paixão do Senhor, que foram preditos, não se concretizaram em nenhum outro caso. Pois nem na morte de qualquer homem entre os antigos aconteceu que o sol se pusesse ao meio-dia, nem o véu do templo se rasgou, nem a terra tremeu, nem as rochas se fenderam, nem os mortos ressuscitaram, nem qualquer um desses homens [da antiguidade] ressuscitou ao terceiro dia, nem foi recebido no céu… Por isso, os profetas não falaram de mais ninguém senão do Senhor, em quem todos estes sinais acima referidos se concretizaram.»
Inácio (antes de 116 d.C.), discípulo do apóstolo João, na sua Carta aos Magnesianos, capítulo 9, menciona aqueles que Jesus ressuscitou.
Clemente de Alexandria, em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 6, cap. 6, p. 491, afirma: «“Mas aqueles que adormeceram, desceram mortos, mas ascenderam vivos.” O Evangelho diz: “que muitos corpos daqueles que adormeceram ressuscitaram” — claramente como tendo sido transportados para um estado melhor. Tem-se verificado, portanto, um movimento e uma translação universais por meio da economia do Salvador.»
Estes primeiros escritores foram «enganados e iludidos» a pensar que isto ocorreu, de acordo com o raciocínio de alguns céticos. Da mesma forma, no que diz respeito a outros milagres, incluindo a ressurreição, ou os primeiros cristãos foram enganados e iludidos a pensar que isto realmente aconteceu, ou não foram. Não dispomos de testemunhas oculares adicionais, pelo que ou confiamos no que os autores dos Evangelhos afirmaram, ou não confiamos. O mesmo se aplica a Paulo, que afirmou em 1 Coríntios 15:13-19 que, se a ressurreição não tivesse ocorrido, a sua pregação seria inútil, ele seria uma falsa testemunha, a nossa fé seria vã e os cristãos deveriam ser mais dignos de piedade do que todos os homens. Tal como o apóstolo Paulo, não vejo qualquer meio-termo.
Orígenes (225-254 d.C.) menciona a escuridão que se abateu sobre a terra e os túmulos que se abriram em *Contra Celso*, livro 2, capítulo 33, p. 445.
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona o terramoto em Mateus. «Carta ao Bispo Basilides», cânone 1, p. 94.
Em resumo, temos motivos para aceitar o relato da ressurreição de indivíduos selecionados porque:
1. A nossa confiança nos autores dos Evangelhos e nos relatos que estes fazem de outros acontecimentos.
2. Os escritores da Igreja primitiva mencionaram este facto
3. De qualquer forma, seria impossível para alguém que não conhecesse a pessoa falecida verificar este facto, pelo que os escritores judeus e romanos não teriam conhecimento disso.
4. Os escritores judeus não teriam qualquer motivo para mencionar este facto,
5. O acontecimento da ressurreição de pessoas seria ofuscado pela ressurreição de Jesus.
Concordo parcialmente com o que disse sobre os terramotos. Mas, em vez de afirmar que os autores dos Evangelhos utilizam estes acontecimentos cataclísmicos para simbolizar a enorme importância e as consequências da intervenção de Deus, acredito que foi Deus quem utilizou esses acontecimentos cataclísmicos. Para além dos Evangelhos, não se esqueça dos terramotos no Apocalipse, nem da morte de Uzias em Isaías 6. Além disso, na história da Igreja, quando João Crisóstomo foi exilado de Constantinopla em 403 d.C., ocorreu um terramoto nessa altura. Não seria de esperar que os primeiros escritores registassem terramotos de menor magnitude. Quanto aos terramotos de menor magnitude que ocorreram nesta região, só disponho de dados relativos à Grécia e à Turquia. A Enciclopédia Britânica refere, relativamente à Grécia e à Turquia, que:
Entre 1902 e 1946, ocorreram 58 sismos
Entre 1947 e 1966, ocorreram 82 sismos
Entre 1967 e 1976, ocorreram 45 sismos
Entre 1977 e 1981, ocorreram 9 sismos
Outra observação a referir é que as escavações arqueológicas em Qumran revelam que ocorreu um terramoto devastador em 31 a.C. (antes de Cristo) e, no entanto, nenhum escritor antigo, com exceção de Josefo, faz menção a este acontecimento.
Conclusão: Parecem existir duas opções (e nenhum meio-termo)
1. Não houve terramoto: Os autores dos Evangelhos podem estar certos nos seus excelentes ensinamentos morais, mas relataram terramotos que não ocorreram. Não podemos confiar no que dizem, pelo menos no que diz respeito a acontecimentos do mundo real.
2. Terramoto: Pode confiar-se no que dizem os autores dos Evangelhos, e estes relataram terramotos que realmente ocorreram.
P: Em Mt 27, 52-53, como é que os mortos puderam sair dos seus túmulos?
R: Deus Todo-Poderoso tem o poder de fazer tudo o que Lhe apraz, incluindo ressuscitar os mortos. Alguns céticos afirmam que isso violaria as leis da natureza; ora, foi Deus quem criou as leis da natureza.
Os anjos no Céu devem encarar as palavras dos céticos de forma semelhante àquela com que nós encaramos as palavras de muitos céticos na época dos irmãos Wright, que afirmavam que «o homem nunca poderá voar». A sustentação aerodinâmica pode superar a lei da gravidade; quanto mais, então, o Criador é capaz de superar as leis da Sua criação!
P: Em Mt 27, 52-53, quando as pessoas saíram dos seus túmulos aquando da ressurreição de Jesus, será que isto demonstra a probabilidade de Maria ter sido elevada corporalmente ao Céu, tal como ensina um escritor católico?
R: Não. Ludwig Ott apresentou isto, não como uma prova, mas como um argumento de apoio em Fundamentals of Catholic Dogma (1960), p. 209. Isto nem sequer sustenta a ideia de que Maria tenha sido elevada corporalmente ao Céu, por duas razões:
a) Não é claro se as pessoas que saíram dos seus túmulos foram ressuscitadas em corpos mortais (como aconteceu com Lázaro) ou se ressuscitaram.
b) Maria ainda estava viva (João 19, 27; Atos 1, 14) quando Jesus morreu e ressuscitou dos mortos, pelo que não estaria incluída neste grupo.
P: Em Mt 27,54, o centurião romano disse «um Filho de Deus» ou «o Filho de Deus»?
R: Os soldados estariam presentes para o caso de alguém tentar entrar e resgatar os condenados. O grego possui o artigo definido (o, em português), e este não foi utilizado aqui. No entanto, a ordem das palavras indica que se trata do artigo definido, ou seja, «o Filho de Deus», de acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 1310. Por outro lado, o «Evangelical Commentary on the Bible», p. 758, indica que poderia ser de ambas as formas.
P: Em Mt 27, 57-59, José de Arimatéia foi corajoso ao pedir o corpo de Jesus?
R: Tecnicamente, o corpo de um criminoso executado seria propriedade de Roma. Frequentemente, os romanos deixavam os corpos na cruz a apodrecer e a servir de alimento para as aves. No entanto, segundo a lei judaica, não era permitido que o corpo permanecesse na cruz durante a noite na Páscoa. Assim, se um funcionário romano estivesse de acordo, seria razoável pedir permissão aos romanos para levar o corpo e enterrá-lo. Por vezes, o funcionário romano concedia essa autorização em troca de dinheiro, embora não haja indícios de que Pilatos o tenha feito neste caso. Normalmente, não era considerado invulgar que alguém, talvez um parente, pedisse o corpo para o enterrar. No entanto, quando José, que não era parente, pediu especificamente o corpo, depois de não ter consentido na sentença de morte de Jesus, revelou que já não era apenas um seguidor secreto de Jesus. Como afirma o «Believer’s Bible Commentary», na página 1310: «Num sentido real, José enterrou-se a si próprio, economicamente, socialmente e religiosamente, quando enterrou o corpo de Jesus. Este ato separou-o para sempre do establishment que matou o Senhor Jesus.» Normalmente, o corpo de um criminoso condenado seria atirado para o Vale de Hinom, uma espécie de lixeira da cidade, onde seria consumido pelo fogo ou por animais selvagens. Mas José desejava um enterro digno. José provavelmente não sabia que estava a cumprir Isaías 53:9, segundo o qual Jesus estaria com os ricos na Sua morte.
P: Em Mt 27,65, como sabemos que «colocar uma guarda» significa 4 a 16 soldados romanos, em vez de soldados do Templo?
R: O grego pode ser interpretado de ambas as formas.
Indicativo: já têm uma guarda
Imperativo: tomem esta guarda romana que eu vos concedo Aqui estão as três interpretações possíveis, bem como os prós e os contras de cada uma.
Já dispõem da vossa própria guarda do Templo: A favor desta interpretação está o facto de terem sido os guardas do Templo que prenderam Jesus. Uma vez que o corpo do criminoso crucificado era agora propriedade romana, tiveram de pedir autorização a Pilatos para guardar o corpo. Contra esta visão está o facto de que o selo dos sacerdotes judeus teria pouco significado, ao passo que o selo do Império Romano, feito de cordão e cera, seria difícil de violar. Significaria a morte para quem o quebrasse.
Já lhes tinha sido designado um guarda romano: talvez já tivesse sido designado um guarda romano aos sacerdotes.
Tomem um guarda romano: contra esta interpretação, não existe nenhum exemplo claro do uso de «echein» no sentido de «tomar» nem no grego clássico nem no helenístico.
Por outro lado, estes poderiam ser guardas judeus, como demonstra o facto de se terem apresentado mais tarde aos sumos sacerdotes, e não a Pilatos. Mas mesmo os guardas romanos estariam relutantes em regressar a Pilatos sem aliados judeus, uma vez que isso poderia significar a sua própria sentença de morte.
P: Em Mt 28,9, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena ou primeiro a Pedro (Cefas), como Paulo sugere em 1 Cor 15,5?
R: Maria Madalena foi a primeira pessoa a ver Jesus, mas Pedro foi o primeiro apóstolo a vê-Lo. Na verdade, Paulo não afirmou que Pedro foi a primeira pessoa a quem Jesus apareceu. Entre as pessoas que Paulo enumerou, Pedro foi o primeiro da sua lista a ver Jesus ressuscitado, seguido pelos outros discípulos e, depois, por mais de 500 pessoas. Por um lado, talvez Paulo tenha deliberadamente omitido as mulheres porque, num tribunal da época, o testemunho de uma mulher não era tido em conta, tal como se refere em *When Critics Ask*, pp. 365-367. Por outro lado, talvez Paulo tenha simplesmente esquecido que as mulheres estiveram presentes antes de Pedro. Seja como for, não há qualquer contradição, uma vez que Paulo nunca afirmou que ninguém tivesse visto Jesus antes de Pedro.
P: Em Mt 28, 11-15, os sumos sacerdotes precisaram de subornar os guardas e de onde veio o dinheiro?
R: Os sumos sacerdotes provavelmente não precisaram de subornar os guardas, porque estes temiam que o assunto viesse a público. Mas os sumos sacerdotes provavelmente estavam em pânico e concluíram que subornar os guardas e oferecer-se para «apaziguar» Pilatos, em Mateus 28:14, seria a linha de ação mais segura. Aparentemente, sentiam-se muito experientes em subornar pessoas. O dinheiro para os subornos provinha das ofertas que os judeus pagavam ao Templo através do Imposto do Templo.
P: Em Mt 28, 12-15, quais são outros exemplos de pessoas a quem foi pago muito dinheiro para espalhar uma mentira, e por que razão as pessoas fazem isso?
R: As pessoas espalham uma mentira por dinheiro por várias razões. Neste caso, os soldados fizeram-no por medo de perderem a vida. Outras pessoas fazem-no porque valorizam o dinheiro mais do que a sua integridade. Uma terceira razão é o desejo de substituir um acontecimento sobrenatural por uma explicação naturalista. Mas «preparem-se», porque eis alguns exemplos de mentiras muito influentes contadas ao longo da história.
As Falsas Decretais consistem em cerca de 100 cartas que «provavam» que Pedro afirmou ter recebido autoridade para liderar a Igreja de Cristo e que poderia transmitir essa autoridade ao próximo papa, etc. Também provavam que os bispos não estavam subordinados ao governo local nem a outros líderes da Igreja, mas apenas ao Papa. Alegavam ter sido escritas por autores entre os anos 78 e 731 d.C., mas foram, na verdade, redigidas por volta dos anos 847-859 d.C., na sua maioria por Isidoro Mercator, em França. Embora nunca tenham sido aceites na Igreja Ortodoxa Oriental, na Igreja Católica Romana foram utilizadas para estabelecer o direito canónico nos Sínodos de Worms (868), Colónia (887), Metz (893) e Tribur (895). Quase todos concordavam que se tratava de fraudes já por volta de 900-1100 d.C. Por exemplo, por que razão os papas citavam pessoas nascidas após a sua morte? Mas, quando se confirmou que eram fraudes, já tinham cumprido o seu papel de consolidar o poder e a riqueza da Igreja Católica Romana.
Os Protocolos dos Anciãos de Sião: trata-se de um texto falso, alegadamente escrito por anciãos judeus, sobre como levar à falência empresários não judeus e, em última instância, usurpar o poder. Na realidade, foi escrito por um russo não judeu e anti-semita, provavelmente Sergei Nilus, entre 1901 e 1903. Mesmo depois de um jornal britânico o ter desmascarado como falso, continuou a ser utilizado para tentar provar a existência de uma conspiração judaica mundial, e, após a sua publicação, tiveram início pogroms russos destinados a matar judeus e a confiscar os seus bens. Tornou-se leitura obrigatória para os alunos alemães após a chegada dos nazis ao poder em 1933.
Tabagismo: No início da década de 1950, estudos médicos demonstraram uma relação causal entre o tabagismo e o cancro do pulmão. No entanto, as empresas tabaqueiras lançaram vigorosamente dúvidas sobre essas alegações. Ainda em 2005, no processo McTear contra a Imperial Tobacco, na Escócia, argumentou-se que não era possível provar que o tabagismo de uma pessoa causasse cancro do pulmão. A título de curiosidade, os Estados Unidos recebem cerca de 32 mil milhões de dólares por ano provenientes dos impostos sobre o tabaco.
Vacinas MMR: Em 1998, Andrew Wakefield publicou um artigo na revista médica britânica *Lancet* que associava a vacinação ao autismo. As taxas de vacinação contra o MMR diminuíram drasticamente na Grã-Bretanha a partir de então. Outros estudos tentaram replicar as conclusões de Wakefield, mas não conseguiram encontrar qualquer correlação. Wakefield omitiu ter recebido financiamento de advogados que estavam a processar fabricantes de vacinas, os quais poderiam utilizar o seu estudo para fundamentar a sua causa. Wakefield alega que não houve motivação lucrativa, mas também iria ganhar 43 milhões de dólares com a venda de kits de teste. Depois de isto ter vindo a lume, o artigo de Wakefield foi formalmente retirado pela «Lancet» e foi-lhe proibido exercer medicina na Grã-Bretanha. Assim, mudou-se para os Estados Unidos para exercer medicina e, em 2016, realizou o filme: «Vaxxed: From Cover-Up to Catastrophe».
Contra os católicos em Odisha: Um líder hindu popular, Lakshmanananda Saraswati, foi assassinado por maoístas, facto que estes admitiram posteriormente. Cinco católicos, um funcionário da World Vision e dois maoístas acabaram por ser detidos. Ocorreram motins contra os católicos e cinco hindus foram detidos por terem incendiado uma casa de católicos. No entanto, todos foram absolvidos pelo tribunal. Consulte https://en.wikipedia.org/wiki/Murder_of_Lakshmanananda_Saraswati para mais informações.
Contra os cristãos na Índia: A propósito, por volta de 10 de fevereiro de 2022, em Frisco, no Texas, sabia que a Global Hindu Heritage Foundation (GHHF) organizou uma angariação de fundos que, entre outras coisas, se destinava a financiar a demolição de igrejas na Índia que, segundo a fundação, teriam sido «construídas ilegalmente»?
A divulgação de mentiras por dinheiro não cessou.
Consulte o seguinte para mais informações. (18 de março de 2023)
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Protocols_of_the_Elders_of_Zion, https://en.wikipedia.org/wiki/Vaccine_hesitancy
https://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_Wakefield
https://en.wikipedia.org/wiki/Tobacco_politics
P: Em Mt 28,19, como é que fazemos «discípulos» de todas as nações, em vez de meros ouvintes ou convertidos?
R: Em primeiro lugar, reze e pregue o evangelho, mas isso é apenas o primeiro passo. Quando alguém deposita a sua fé em Cristo, o seu trabalho não termina; pelo contrário, o discipulado está apenas a começar. É necessário dedicar tempo, talvez todas as semanas, a essa pessoa, seja individualmente ou em grupo, ensinando-lhe os fundamentos da fé e como deve viver para Cristo no seu ambiente. Limitar-se a pregar, ou apenas pregar e ver as pessoas a serem salvas, é mais fácil do que aquilo que Jesus nos pede para fazer aqui. Numa profissão como a de canalizador, eletricista, etc., existem normalmente três níveis: aprendiz, oficial e mestre. Um mestre — ou, mais provavelmente, um oficial — formaria um aprendiz, e um mestre poderia formar um oficial. Na igreja, temos necessidade de formação básica para os cristãos mais recém-convertidos e de formação mais avançada para os cristãos «oficiais». Mas, em qualquer dos casos, quando foi a última vez que o senhor discipulou alguém?
P: Em Mt 28,19, uma vez que existe apenas um Deus, como pode Jesus ser Deus e como pode a Trindade ser verdadeira?
R: Pode haver uma «pluralidade» no Único Deus sem que existam deuses separados. Mesmo no Alcorão, quando Alá fala, são utilizadas as palavras «nós» (Nahnu) e «eu».
Deus não está sujeito às limitações do homem e pode revelar-Se a nós da forma que Lhe aprouver.
Existe uma trindade nas Escrituras: Mateus 28:19; 1 Pedro 1:2; Efésios 2:18; Apocalipse 4:8; 2 Coríntios 13:14; João 15:26.
Existe apenas um Deus inseparável. Deuteronómio 4:35-39; 6:4; Isaías 43:10-12; 44:6,8; 45:5-6,14,21; 46:9; 1 Timóteo 1:17; 6:15-16.
Três pessoas distintas: Mateus 3:16-17; Lucas 3:21-22; João 1:1; 6:38; 14:31; 15:26; 16:28; 17:5; Atos 5:31-32; Marcos 10:38-40
Jesus é Deus. João 1:3; Colossenses 1:16-17; Hebreus 1:6-9; João 9:38; 2 Coríntios 11:3; João 20:28-29; Apocalipse 5:8-9; 22:20
O Espírito é Deus. Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12-16; 1 Coríntios 3:16 vs. 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4
São iguais em natureza, glória e honra. João 5:18; 5:23; Colossenses 2:9-10; (Isaías 44:6; Apocalipse 1:8 vs. Apocalipse 1:17-18; 22:13)
Diferem em função e hierarquia. 1 Coríntios 11:3; 1 Coríntios 15:25-28; Mateus 12:18; Efésios 1:3, 17; João 1:33; 14:16, 26, 28; Romanos 8:26-27.
A propósito, o facto de Jesus fazer parte da Trindade não significa que Jesus seja um terço de Deus, tal como a altura de uma mesa não é um terço da mesa. Não é possível explicar Deus através da matemática, mas, se o tentasse, a Trindade não seria 1 + 1 + 1 = 1, mas sim 1 vezes 1 vezes 1 = 1.
P: Em Mt 28:19, Mt 24:36 e Mt 3:16-17, o que é o modalismo e por que razão está errado?
R: A Trindade ensina que existe um único Deus inseparável em três pessoas distintas. O modalismo ensina que existe um único Deus que é simultaneamente inseparável e uma única pessoa. Na verdade, existem dois tipos de modalismo. O patripassianismo afirma que o Pai é o Filho, que é o Espírito. O modalismo dinâmico afirma que o Pai se tornou o Filho, que se tornou o Espírito. Ambos os tipos de modalismo estão errados pelas seguintes razões.
1. Jesus disse: «O Pai é maior do que eu», em João 14:28. Embora Jesus se tivesse esvaziado da Sua glória na terra quando proferiu estas palavras, permanece o facto de que, se o Pai era maior do que Ele, então existe uma distinção entre o Pai e o Filho.
2. Se o modalismo fosse verdadeiro, Jesus teria de ter sido um ventríloquo, um mágico e, em última análise, um mentiroso no Seu batismo (Mateus 3:16-17; Marcos 1:10-12; Lucas 3:21-22). Enquanto esteve na Terra, Jesus estava sujeito ao Pai (Hebreus 5:7-8). Isto não teria qualquer sentido se não houvesse mais ninguém a quem Jesus estivesse sujeito.
3. Da mesma forma, Jesus fez o que o Pai ordenou (João 14:31). Jesus aprendeu a obediência ao Pai, conforme se refere em Hebreus 5:8.
4. Mateus 24:36 afirma que ninguém sabe o dia nem a hora em que Cristo regressaria, nem mesmo o Filho, mas apenas o Pai. Assim, pelo menos enquanto Jesus esteve na Terra, havia uma diferença entre o que o Pai sabia e o que Jesus sabia. Embora alguns manuscritos gregos não incluam a expressão «nem o Filho», os melhores manuscritos gregos, bem como a maioria dos manuscritos gregos, incluem essa expressão.
5. Jesus foi enviado por outra pessoa, se João 5:36-37; 6:29,38 tiverem algum significado. O céu não estava vazio quando Jesus veio.
6. Uma vez que o Pai concedeu algo ao Filho e deu autoridade ao Filho em João 5:22, 26, 27, isto demonstra que o Pai e o Filho são distintos.
7. Por que razão oraria Jesus ao Pai, ou pediria algo ao Pai, em João 17:5, João 14:16, 26, 28 e noutros passos, se Jesus estivesse apenas a falar consigo mesmo? Além disso, uma vez que as orações de Jesus foram retratadas como uma conversa com outra pessoa, a Bíblia seria enganosa se não houvesse mais ninguém com quem Jesus estivesse a falar.
8. Quem é Aquele por quem o Espírito intercede por nós em Romanos 8:26-27?
9. Se Jesus fosse um servo, de quem era Jesus servo em Mateus 12:18?
10. Quem foi que abandonou Jesus no Calvário, em Marcos 15:34 e Mateus 27:46?
11. Outros versículos que demonstram essa distinção são João 1:33; 1 Coríntios 11:3; 15:25-28; Efésios 1:3, 17; Hebreus 1:9
Eis algumas citações de Witness Lee, fundador da igreja local. A igreja local tem grupos de estudantes denominados «Cristãos no Campus». Normalmente, as suas igrejas são designadas por «A Igreja em [nome da cidade]».
«Assim, as três Pessoas da Trindade tornam-se os três passos sucessivos no processo da economia de Deus.» W. Lee. A Economia de Deus, Living Stream, 1968, p. 10.
«Da mesma forma, o Pai, o Filho e o Espírito não são três Deuses, mas três estágios de um único Deus para que possamos possuí-Lo e desfrutar Dele.» W. Lee. «A Respeito do Deus Trino», Living Stream, sem data, p. 31
«Nos céus, onde o homem não pode ver, Deus é o Pai; quando Se manifesta entre os homens, é o Filho; e quando entra nos homens, é o Espírito. O Pai manifestou-Se entre os homens no Filho, e o Filho tornou-Se o Espírito para entrar nos homens. O Pai está no Filho, e o Filho tornou-Se o Espírito — os três são apenas um único Deus.» W. Lee. Sobre o Deus Trino, «Living Stream», sem data, pp. 8-9
Após a morte e a ressurreição, Ele [o Filho] tornou-Se o Espírito soprado nos discípulos. W. Lee. «A respeito do Deus Trino», Living Stream, sem data, p. 8
«... o Filho tornou-Se o Espírito para que O bebêssemos como a água da vida...» W. Lee. «A respeito do Deus Trino», Living Stream, sem data, p. 8
«...Sabemos que o Senhor é o Filho e que também é chamado de Pai... Ora, lemos que Ele é o Espírito. Por isso, temos de ter bem claro que Cristo, o Senhor, é também o Espírito.» W. Lee. O Espírito de Cristo que tudo abrange, Living Stream, 1969, pp. 4, 6, 8
Note-se que isto é refutado pelos versículos apresentados no início desta resposta.
P: Em Mt 28,19, o que significa exatamente «em nome de»?
R: O Novo Testamento foi escrito em grego, com a exceção de que Papias afirmou que o Evangelho de Mateus foi escrito na língua dos hebreus. Assim, temos de perguntar o que este termo significava nessas línguas.
Na literatura grega, «em nome de» refere-se a uma entidade financeira ou contabilística, tal como «este dinheiro está depositado em nome do titular da conta».
Na literatura hebraica, a expressão tem um leque de significados muito mais vasto do que na grega, embora também inclua o significado grego. Em hebraico, estabelece uma relação com algo ou alguém. Por exemplo, quando um judeu comprava um escravo, este era por vezes batizado «em nome da escravidão». Se um judeu libertasse um escravo, este era batizado «em nome da liberdade». Para os judeus, qual seria a diferença entre simplesmente abater um animal e sacrificar um animal a Deus? Matavam o animal «em nome do holocausto» (ou da oferta pelo pecado, ou de outro tipo de oferta), «em nome das chamas do altar», «em nome do aroma agradável», «em nome de Deus» ou «em nome do bom agrado de Deus».
Assim, quando um crente era batizado, estas formulações eram equivalentes:
«em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mateus 28:19)
«em nome de Jesus Cristo» (Atos 2:38; 10:48),
«em nome do Senhor Jesus» (Atos 19:5)
«em Cristo» (Gálatas 3:27)
«em Cristo Jesus» (Romanos 6:3-4)
P: Em Mt 28,19, uma vez que o modalismo está errado, mas o Pai e o Filho são muito próximos, quão próximos são eles, afinal?
R: Embora as Escrituras não forneçam muitos detalhes, eis seis coisas que podemos afirmar.
1. Assim como Jesus está no Pai, nós estamos em Jesus e Jesus está em nós
Existe uma ligação entre estas relações: Pai-Jesus, Jesus-nós, nós-Jesus. João 14:20; 17:23; 6:57
No entanto, a Trindade vai além desta relação análoga. Mateus 28:19; João 1:1, 18; Filipenses 2:6-7; Colossenses 1:15
O Pai, Jesus e todos nós partilhamos algumas coisas, como a vida eterna. João 16:13-15
O Pai e Jesus «possuem» tudo em comum. João 16:15; 17:10. O Espírito Santo revela-nos isto. João 16:14-15
No entanto, o Pai não possui certas coisas que partilhamos com Jesus após o Seu nascimento humano. Hebreus 1:6-10; 2:14; 7:3
2. Assim como o Pai e Jesus são Um, devemos ser Um
Devemos ser um uns com os outros, de certa forma à semelhança do Pai e de Jesus. João 17:11, 21-22
No entanto, Eles são Um de formas que nós não podemos ser. João 5:23
3. O Pai habita em Jesus
Na Terra, o Pai habitava em Jesus. João 10:38; 14:10-11. Jesus estava cheio do Espírito. Lucas 4:1, 18
Se realmente conhecem Jesus, então conhecem o Pai e viram o Pai. João 14:7-9
No entanto, o Pai não se tornou, não evoluiu nem se transformou em Jesus. Hebreus 13:8; 1:9; João 14:10, 24, 26; 15:1; 16:27-28, 32; 17:5
4. Jesus vive no Pai
Na Terra, Jesus estava no Pai. João 10:38; 14:11
No entanto, são distintos; Jesus não era um ventríloquo. Mateus 3:16; João 8:18. Jesus foi abandonado no Calvário. Marcos 15:34; Mateus 27:46
Ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus. João 14:6; 6:45; Atos 4:12
No entanto, por mais próximos que fossem na Terra, Jesus continuaria a ir para junto do Pai. João 14:12; Marcos 16:19; João 20:17
Jesus é chamado de Pai Eterno, o que pode referir-se ao facto de ser a fonte da vida eterna. Isaías 9:6
No entanto, Jesus não se tornou, não evoluiu nem se transformou no Pai. Hebreus 13:8; João 20:17; 14:10, 24, 26; 15:1
5. Deus/Pai/Cristo/o Espírito está em nós
As pessoas vêem Deus através de nós e em nós.
No entanto, Deus não vive exclusivamente em nós, tal como as estrelas não existem exclusivamente nos telescópios. 1 Timóteo 6:16; Jeremias 23:24; Apocalipse 19:11
O Pai/Jesus/o Espírito também habita efetivamente/tem a Sua morada em cada crente. João 14:17,23; 17:26; Romanos 8:9-11; Gálatas 4:6; 1 Coríntios 6:19; 1 João 4:15-16; 2 Timóteo 1:14
No entanto, Deus/o Pai/Cristo/o Espírito não se tornaram nós, nem se transformaram em homens pecadores. Tiago 1:13; Hebreus 4:15; 1 Pedro 2:22; 1 João 3:5
Deus opera e age em nós e por nosso intermédio. Filipenses 2:13; exemplos: 1 Coríntios 15:10; Romanos 15:18-19
O povo de Deus, a igreja, constitui, no seu conjunto, o corpo de Cristo. 1 Coríntios 6:15; 10:17; 12:27; Efésios 4:12; Colossenses 1:24.
No entanto, não somos o corpo físico de Cristo. Colossenses 1:22. Deus não está limitado a agir através de nós. Génesis 1; Atos 9:1-6; Apocalipse.
Ajudar-nos ou não ajudar-nos é o mesmo que fazer a Jesus Cristo. Mateus 25:35-45; João 13:20; Atos 9:4-5; 22:7-8; 26:14-15.
No entanto, as pessoas podem louvar ou injuriar Deus diretamente, sem agir contra os crentes. Romanos 1:18-32; Apocalipse 9:20-21
6. Vivemos em Deus/Pai/Cristo/o Espírito
Estamos em Jesus e no Pai. João 17:21; Colossenses 2:6,12; 3:3-4; 1 João 4:12,15-16; 5:20.
Devemos permanecer em Jesus Cristo e no Seu amor. João 15:1-9; 1 João 2:27
No entanto, ainda não estamos plenamente com Deus neste momento; ainda precisamos de partir para estar com Deus. 2 Coríntios 5:8; 1 Coríntios 13:12; Filipenses 1:23
Porque Jesus vive, nós viveremos. João 14:19; Colossenses 3:4; 1 Coríntios 15:12-22
No entanto, não nos tornamos, não progredimos, não evoluímos nem nos transformamos em Deus ou em Cristo; pelo contrário, tornamo-nos piedosos e semelhantes a Cristo. Isaías 42:8; 43:10; Romanos 8:29; 1 João 3:2; Filipenses 3:21
Somos novas criaturas em Cristo. 2 Coríntios 5:17. Temos a mente de Cristo. 1 Coríntios 2:16.
No entanto, não nos tornamos zombies; continuamos a ter as nossas próprias mentes e personalidades (renovadas). 1 Coríntios 6:2-6; 11:13; 13:11+14:20; Romanos 14:5-6
P: Em Mt 28:19, terá este versículo sido alterado na época do Concílio de Nicéia, uma vez que Eusébio o cita 18 vezes antes de Nicéia sem mencionar a Trindade, e só o cita com a fórmula trinitária após Nicéia? Victor Paul Wierwille, fundador de «The Way», afirmou no seu livro *Jesus Christ is Not God* (1981), pp. 19-20.
R: Este argumento baseado no silêncio é falacioso por várias razões. Embora Eusébio de Cesareia fosse principalmente um historiador, e não tanto um teólogo, até mesmo Wierwille admite que Eusébio cita este versículo após Nicéia.
Em segundo lugar, e mais importante ainda, muitos escritores cristãos, séculos antes de Eusébio, citaram este versículo na íntegra.
A Didaché (c. 60-120 d.C.), cap. 7, p. 379, cita-o da seguinte forma: «Tendo primeiro dito todas estas coisas, batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. [ou seja, água corrente]. Mas se não tiver água viva, batize noutra água; e se não puder em água fria, em água morna. Mas, se não tiveres nenhuma das duas, derrama água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Irineu (182-188 d.C.) citou-o da seguinte forma: «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 17.1, p. 444)
Tertuliano (198-220 d.C.) parafraseia ligeiramente este versículo da seguinte forma: «Ele [Jesus] ordenou aos outros onze, ao partir para junto do Pai, que “fossem e ensinassem todas as nações, que deveriam ser batizadas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”». Em Prescrição Contra os Hereges, cap. 20, p. 252.
Tertuliano expressa-o de forma ligeiramente diferente em «Sobre o Batismo», cap. 13, p. 676: «Deus, diz Ele [Jesus], “ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”».
Hipólito (222-235/6 d.C.) cita-o da seguinte forma: «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228
«Tratado contra Novaciano» (254-256 d.C.), cap. 3, p. 658: «Ide e pregai o Evangelho às nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ou seja, essa mesma Trindade que atuou figurativamente nos dias de Noé por meio da pomba, agora atua na Igreja espiritualmente por meio dos discípulos.»
Tratado sobre o Rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 7, p. 671 «Ide, ensinai as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 567. Munnulus de Girba afirmou: «… especialmente na Trindade do batismo, como diz o nosso Senhor: “Ide e batizai as nações, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”»
Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 569. Vicente de Thibaris afirmou: «Ide e ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Victorinus de Petau (-307 d.C.) cita-o da seguinte forma: «Ele [Jesus] enviou os apóstolos, dizendo: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”» Comentário sobre o Apocalipse, a partir do primeiro capítulo, n.º 15, p. 345
Então, por que razão Wierwille tenta obscurecer a questão, discutindo minuciosamente as datas em que Eusébio citou quais partes, quando dispomos de todos estes outros escritores anteriores que foram muito claros?
Por fim, consulte a próxima pergunta para conhecer outras afirmações dos primeiros cristãos sobre a Trindade.
P: Em Mt 28,19, quais eram alguns dos ensinamentos da Igreja primitiva sobre a Trindade?
R: Aqui estão alguns deles.
Mathetes a Diogneto (c. 130-200 d.C.)
«Tal como um rei envia o seu filho, que também é rei, assim Ele enviou-O; como Deus (1) enviou-O; como homem enviou-O; como Salvador enviou-O, ...» cap. 7 A nota de rodapé (1) indica que «Deus» aqui se refere à pessoa enviada.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.)
«pois quando proferimos alguma palavra, geramos a palavra; contudo, não por cisão, de modo a diminuir a palavra [que permanece] em nós, quando a proferimos; e tal como vemos também acontecer no caso de um fogo, que não diminui quando acende [outro], mas permanece o mesmo;... A Palavra da Sabedoria, que é Ele próprio este Deus gerado pelo Pai de todas as coisas, e Palavra, e Sabedoria, e Poder, e a Glória do Gerador, dará testemunho a meu favor...” Diálogo com Trifão, cap. 61. Na verdade, todos os capítulos 57 a 63 abordam a divindade de Jesus.
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.)
«Da mesma forma, também os três dias que antecederam os astros [sol, lua e estrelas] são símbolos da Trindade (tríade grega), de Deus, da Sua Palavra e da Sua sabedoria.» A Autólico, livro 2, cap. 15, p. 101.
Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.)
«Pois a própria Escritura nos ensina que Adão disse ter ouvido a voz. Mas o que mais pode ser esta voz senão a Palavra de Deus, que é também o Seu Filho?» Teófilo a Autólico, livro 2, cap. 22, p. 103
Irineu (182-188 d.C.)
«Mas que Ele [Jesus] é, por si mesmo e por direito próprio, acima de todos os homens que alguma vez viveram, Deus, Senhor e Rei Eterno, e o Verbo Encarnado, proclamado por todos os profetas, pelos apóstolos e pelo próprio Espírito, pode ser visto por todos aqueles que alcançaram, ainda que seja apenas uma pequena parte, da verdade.» (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449).
«Saiba que todo o homem está vazio ou cheio. Pois, se não possui o Espírito Santo, não tem conhecimento do Criador; não recebeu Jesus Cristo, a vida; não conhece o Pai que está nos céus;...» (Irineu, Contra as Heresias 3:16)
«Ela [a Igreja] também acredita nestes pontos [da doutrina] como se tivesse uma única alma... Pois as Igrejas que foram fundadas na Alemanha não acreditam nem transmitem nada diferente, nem as da Espanha, nem as da Gália, nem as do Oriente, nem as do Egito, nem as da Líbia, nem...»
Clemente de Alexandria falou da «Santíssima Trindade» em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 5, cap. 14, p. 468.
Tertuliano (c. 213 d.C.)
«O Verbo, portanto, está sempre no Pai, como Ele diz: “Eu estou no Pai”; e está sempre com Deus, segundo o que está escrito: “E o Verbo estava com Deus”; e nunca está separado do Pai, nem é diferente do Pai, uma vez que “Eu e o Pai somos um”.» Contra Praxeas, capítulo 8.
Hipólito (170-235/6 d.C.), após citar parte de João 1:1
«Se, então, o Verbo estava com Deus e era também Deus, o que daí decorre? Dir-se-ia que Ele fala de dois Deuses? Na verdade, não falarei de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, contudo, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de facto, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e depois há a terceira, o Espírito Santo. O Pai decreta, o Verbo executa e o Filho manifesta-Se, por meio de quem se crê no Pai. A economia da harmonia remete para um único Deus; pois Deus é Um. É o Pai quem ordena, o Filho quem obedece e o Espírito Santo quem concede compreensão; o Pai está acima de tudo, o Filho está em tudo e o Espírito Santo está em todos. E não podemos conceber de outra forma um único Deus, senão acreditando verdadeiramente no Pai, no Filho e no Espírito Santo.» Contra a Heresia de Noeto, capítulo 14.
Atanásio (296-373 d.C.)
«Unidos sem confusão, distintos sem separação. Indivisíveis e sem graus.» Sermão sobre Lucas 10, 22 «Pois é apenas na cruz que um homem morre com as mãos estendidas. Por isso, convinha que o Senhor suportasse também isto e estendesse as Suas mãos, para que, com uma delas, pudesse atrair o povo antigo, e com a outra, os gentios, e unisse ambos em Si mesmo.» Encarnação 25:3
Basílio da Capadócia (329-379 d.C.)
«quando, ao mesmo tempo, deveriam confessar que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, tal como lhes foi ensinado pelas palavras divinas,...» Carta 8 aos Cesareanos (p. 116)
Hilário (355-367/368 d.C.)
«As obras de Deus estão, portanto, além da compreensão da nossa natureza humana e não se enquadram no nosso processo racional de pensamento, porque a ação de uma eternidade ilimitada exige uma compreensão infinita para avaliar as coisas. Assim, não se trata de uma conclusão da razão, mas de uma limitação de poder quando Deus se fez homem, quando o Imortal morre, quando o Eterno é sepultado. Por outro lado, não depende da vossa maneira de pensar, mas da onipotência, que Ele se manifeste como Deus a partir de um homem, como imortal a partir de alguém que está morto e como eterno a partir de alguém que está sepultado. Por isso, somos revividos por Deus em Cristo através da Sua morte.» Sobre a Trindade, livro 1, cap. 13, p. 44
«Pois, a menos que as coisas sejam da mesma natureza, nunca lhes é concedida igual honra, e a igualdade de honra não implica uma separação entre aqueles que são honrados. Mas o mistério do nascimento exige igualdade de honra.» (sobre João 5:23)
Gregório de Nissa (335-394 d.C.)
«Quando dizemos que a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma só, e, no entanto, proibimos que se diga “existem três Deuses”?» Sobre «Não Três Deuses»
Ambrósio de Milão (340-397 d.C.)
«Estas palavras, pois, estão escritas a respeito de Deus, cujo Nome tem dignidade e verdade comuns [tanto ao Pai como] ao Filho.» Da Fé Cristã 3:3:17.
Resumo
A Igreja não contava com não-trinitários. Os gnósticos, os arianos e outros hereges foram excluídos da Igreja. As doutrinas das Testemunhas de Jeová, dos mórmons e de outros são invenções modernas.
P: Em Mt 28,19, o que acreditava a Igreja primitiva sobre a Trindade?
R: Os seguintes líderes da Igreja primitiva e da Igreja pós-nicena ensinaram as doutrinas da Trindade. É interessante notar que a publicação da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, intitulada «Deve acreditar na Trindade?», cita a maioria destes escritores da Igreja primitiva para tentar demonstrar que estes não acreditavam na Trindade.
Líder | Referências | Declarações e Crenças |
Inácio: discípulo do apóstolo João, falecido em 107 ou 116 d.C. | 17 passagens: Carta a Policarpo, capítulo 3; Efésios 7 | «Jesus é Deus» «Deus Encarnado» |
Anónimo, c. 130 d.C. | A Diogneto, capítulo 7 | Cristo enviado como Rei, Deus, homem e salvador. |
Justino Mártir, c. 138-165 d.C. | Diálogo com Trifão, capítulos 55-56, 59, 61-64, 66, 74-78 | «Merecedor de ser adorado como Deus e Cristo.» Cometeu o erro de pensar que existiu um tempo anterior a Cristo. |
Teófilo de Antioquia, 168-181/188 d.C. | A Autólico, livro 2, cap. 22 | Que outra coisa é esta voz [no Jardim do Éden] senão a Palavra de Deus, que é também o Seu Filho? (Foi o primeiro de que temos conhecimento a utilizar o termo Trindade) |
Irineu: discípulo do apóstolo João. 182-188 d.C. | Contra as Heresias, livro 3, cap. 19.2, p. 449 | «Jesus é, por si mesmo e por direito próprio, … Deus e Senhor, …» |
Clemente de Alexandria escreveu entre 193 e 217/220 d.C. | *Stromata* (193-202 d.C.), livro 5, cap. 14, *O Instrutor* | «a Santíssima Trindade» Hino em louvor a Jesus: «Senhor de todo o tempo e espaço; Jesus, Salvador da nossa raça;» |
Tertuliano, c. 213 d.C. | Livro completo «Contra Praxeas» | Segundo autor conhecido por ter utilizado o termo «Trindade». |
Hipólito, discípulo de Irineu, 225-235/6 d.C. | Contra a heresia de um certo Noeto | «Filho de Deus que, sendo Deus, se fez homem.» Depois de citar João 1, 1-3, afirma: «Assim, vemos o Verbo encarnado, conhecemos o Pai por meio d’Ele, acreditamos no Filho e adoramos o Espírito Santo.» |
Orígenes de Alexandria escreveu entre 225 e 254 d.C. | De Principiis, livro 1, cap. 3.8 Orígenes foi uma figura muito controversa na sua época, mas as suas opiniões sobre a Trindade não foram postas em causa. | «O poder da Trindade é um e o mesmo.» Orígenes cometeu erros no que diz respeito à pré-existência das almas e ao universalismo humano final |
Novatiano, 210-280 d.C. | Tratado sobre a Trindade | Livro de 32 capítulos sobre a Trindade |
Atanásio, 296-373 | Sermão sobre Lucas 10:22 | Unidos sem confusão, distintos sem separação, indivisíveis sem graus |
Basílio da Capadócia, 357-379 d.C. | Carta 8 aos Cesareanos, Sobre o Espírito | O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito é Deus. Aborda a controvérsia ariana |
Gregório de Nissa, 335-394 d.C. | Sobre o facto de não existirem três deuses, contra Eunómio | a natureza do Pai e do Filho é a mesma |
Hilário, 355-367/368 d.C. | Escreveu um livro sobre «A Trindade» | Não é preciso dizer mais nada. |
Ambrósio de Milão, 340-397 d.C. | Sobre a Fé Cristã | «Santo, Santo, Santo», em Apocalipse 4:8, referia-se à Trindade. |
João Crisóstomo, 392-407 d.C. | Homilia 3 sobre João 1:1 | A eternidade do Verbo como pessoa; incriado |
Agostinho de Hipona, 354-430 d.C. | Livro: «Sobre a Trindade» | Não aceitou qualquer diferença de hierarquia |
Nestório: Concílio de Éfeso, 431 d.C. | Fundou o cristianismo nestoriano | A sua crença de que Jesus era Deus nunca foi criticada |
Cirilo de Alexandria, 431-444 d.C. | Principal opositor de Nestório no Concílio de Éfeso | Iniciou a ênfase em Maria, a Mãe de Deus. (infelizmente) |
Patrick da Irlanda, c. 389-461 d.C. | Não escreveu muito. Escreveu a «Carta a Corótico». | Famosa analogia da Trindade com a folha de trevo |
P: Em Mt 28,19, uma vez que a palavra «Trindade» não consta da Bíblia, como pode a Trindade ser bíblica e, portanto, verdadeira?
R: Nem as palavras «Antigo» e «Novo Testamento», «arrebatamento», «missões», «discipulado» ou «evangelismo» se encontram na Bíblia. O termo «Unidade», tawhid em árabe, também não se encontra no Alcorão. O simples facto de atribuir rótulos a conceitos bíblicos não os torna nem mais nem menos verdadeiros. Como se designam os Três que partilham o Nome comum no qual devemos ser batizados?
Para os muçulmanos, embora a palavra «Trindade» não conste da Bíblia, a palavra que significa unidade, tawhid, também não consta do Alcorão. Para os santos dos últimos dias (mórmons), as palavras «progressão eterna» também não constam do Livro de Mórmon.
P: Em Mt 28,19, por que razão não consigo imaginar a Trindade na minha mente?
R: Não se espera que o imagine. Também não consegue imaginar Deus como Todo-Poderoso, presente em todo o lado, nem a eternidade, mas as limitações da humanidade não restringem Deus. Esperaria compreender completamente tudo sobre o Deus Infinito? E, afinal, como é que a sua mente determina e limita o que Deus é? Podemos, no entanto, compreender o que Deus revelou sobre Si mesmo.
É certo que a Trindade pode ser confusa por três razões.
1. A verdade de Deus é frequentemente confusa para os não salvos.
2. Os falsos mestres contribuíram para a confusão. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová não aceitam a Trindade, mas muitas vezes deturpam a Trindade que rejeitam ou nem sequer sabem o que é a Trindade que rejeitam. Embora alguns mórmons afirmem rejeitar a Trindade, já conheci muitos mórmons que dizem aceitá-la. No entanto, aqueles com quem falei não sabiam o que ela é. A Trindade é muito mais do que os três serem simplesmente um em amor, espírito e propósito.
3. Não podemos culpar apenas as seitas. Muitos cristãos genuínos também não estão preparados para explicar claramente a Trindade.
P: Em Mt 28,19, a Trindade simplesmente não se coaduna com a minha imagem de Deus.
R: Deve optar por seguir Deus, independentemente das suas próprias ideias pré-concebidas, ou por não seguir nada além da sua própria imagem, ídolo ou deus.
P: Em Mt 28,19, se a Trindade for verdadeira, será que Jesus é 1/3 de Deus?
R: Não, esta interpretação errada da Trindade é fruto do raciocínio humano, e nem sequer é um raciocínio humano muito bom. A altura de uma secretária não é 1/3 de uma secretária.
Jesus possui a plenitude de Deus, de acordo com Colossenses 2:9. Tal como é ridículo afirmar que, uma vez que o sol dá luz, não pode dar calor, o facto de Jesus possuir a plenitude de Deus não significa que o Pai e o Espírito não possam também possuir a plenitude de Deus.
P: Em Mateus 28:19, o conceito da Trindade provém das religiões babilónicas e assírias, que tinham tríades de deuses?
R: Não. Quando Jesus disse para batizar em ____ do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Jesus disse «Nome», não «nomes». Uma tríade é politeísmo com três seres separados e três deuses distintos. A Trindade é um único Deus inseparável e três pessoas distintas.
Por outro lado, se fossem apenas três partes de um único ser, o grego poderia ter dito «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo», mas, na verdade, não é isso que acontece. Utiliza-se «nome» no singular, enfatizando a sua unidade, mas também se utiliza o artigo «o» antes de Pai, Filho e Espírito, enfatizando a sua distinção.
P: Em Mt 28,19, por que razão não devemos recusar-nos a adorar qualquer pai que tenha enviado o seu próprio filho para ser torturado e morrer em vez de si próprio, como afirmou um pregador pentecostal da Unidade?
R: É uma pena que se recuse a adorar a Deus, a não ser nos seus próprios termos. O Pai não só enviou Jesus para morrer voluntariamente por nós, como também perguntou a Abraão se este estaria disposto a sacrificar Isaac.
P: Em Mt 28,19, o Credo Niceno foi formulado pela primeira vez em Nicéia, em 325 d.C.?
R: Na verdade, foi antes disso. Muitas pessoas não têm conhecimento disto, mas, de acordo com o volume 7, p. 524, dos Padres Ante-Nicenos, o Credo Niceno em Nicéia foi uma ligeira emenda do antigo Credo de Jerusalém. É também muito semelhante ao Credo de Neocésarea, de 315 d.C.
P: Em Mt 28,19, houve alguma adição ao Credo de Nicéia?
R: Sim. Aqui está o Credo Niceno original de 325 d.C. (Tradução retirada de «Ante-Nicene Fathers», volume 7, p. 524.
O original, assinado em Nicéia por 318 bispos em 325 d.C.
Cremos num só Deus, o Pai Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis:
E num único Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigénito, isto é, da mesma substância do Pai,
por quem todas as coisas foram feitas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra:
Que, por nós, os homens, e para a nossa salvação, desceu, encarnou-se e tornou-se homem:
sofreu e ressuscitou ao terceiro dia:
E subiu aos céus:
E voltará para julgar os vivos e os mortos.
E no Espírito Santo.
[o anátema]
E aqueles que dizem que houve um tempo em que Ele não existia, ou que, antes de ter sido gerado, Ele não existia, ou que foi criado do nada; ou que dizem que o Filho de Deus é de qualquer outra substância, ou que é mutável ou instável — estes a Igreja Católica e Apostólica anatemiza.
Adendas autorizadas no Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., e ratificadas no Concílio de Éfeso (431 d.C.)
Do céu e da terra.
Gerado pelo Pai antes de todos os mundos.
Pelo Espírito Santo, da Virgem Maria.
Foi crucificado também por nós, sob Pôncio Pilatos,
E foi sepultado.
Está sentado à direita do Pai,
cujo reino não terá fim.
O Senhor, o Doador da vida,
Que procede do Pai;
Que, juntamente com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado;
Que falou por meio dos profetas:
Numa única Igreja Santa, Católica e Apostólica.
Reconhecemos um único batismo para a remissão dos pecados.
Esperamos a ressurreição dos mortos,
E a vida do mundo vindouro. Ámen.
[O anátema estava ausente]
De acordo com o volume 1, pp. 24-29, de *Creeds of Christendom*, algumas das frases foram encontradas nos dois credos de Epifânio e no credo de Cirilo de Jerusalém, em 350 d.C.
Uma segunda alteração ao Credo consistiu na inserção de «e o Filho», afirmando que o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho. Esta alteração surgiu pela primeira vez no Terceiro Concílio de Toledo, em 589 d.C. Foi formalmente acrescentada ao Credo pela Igreja Católica e constituiu o motivo de uma cisão formal com a Igreja Ortodoxa, sob o Patriarca Ortodoxo Fócio, por volta de 879 d.C.
P: Em Mt 28,19, uma vez que «eles» em «fazei discípulos de todas as nações, ensinando-as e batizando-as» se refere às nações, e as nações não podem ser imersas na água, significa isto que não se pode entender esta passagem como uma referência ao batismo com água?
R: Não. Uma «nação» também não pode ser discipulada/ensinada, mas «nações» refere-se aos povos das nações. Isto era evidente para os primeiros cristãos, uma vez que compreendiam que Mateus 28,19 se referia ao batismo com água. Eis a prova.
Didaché (c. 125 d.C.), cap. 7, p. 379: «batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. Mas, se não tiverdes água viva, batizai noutra água; e, se não puderdes em água fria, em água morna. Mas, se não tiveres nenhuma das duas, derrama água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Tertuliano (198-220 d.C.) tem uma obra inteira intitulada «Sobre o Batismo». Num determinado ponto, Tertuliano afirma: «Mas agora que a fé se ampliou e se tornou uma fé que acredita na Sua natividade, paixão e ressurreição, foi acrescentada uma ampliação ao sacramento, a saber, o ato selador do batismo; o revestimento, em certo sentido, da fé que antes estava nua e que agora não pode existir sem a sua lei própria. Pois a lei do batismo foi imposta e a fórmula prescrita: “Ide”, diz Ele, “ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Sobre o Batismo, cap. 13, p. 676
Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), afirma que se deve batizar em nome do «Pai, do Filho e do Espírito Santo». Menciona brevemente Cornélio. Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228
«Tratado Contra Novaciano» (254-257 d.C.), cap. 3, p. 658, afirma que se deve batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Tratado sobre o Rebatismo (254-257 d.C.), cap. 7, p. 671: «batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo».
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.): «Pois o Senhor, após a Sua ressurreição, ao enviar os Seus discípulos, instruiu-os e ensinou-lhes de que maneira deviam batizar, dizendo: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Ele sugere a Trindade, no cujo sacramento as nações deveriam ser batizadas. Será que Marcião defende, então, a Trindade? Será que ele afirma o mesmo Pai, o Criador, tal como nós? Será que ele conhece o mesmo Filho, Cristo nascido da Virgem Maria, que, como o Verbo, se fez carne, que levou os nossos pecados, que venceu a morte ao morrer, que, por Si mesmo, foi o primeiro a dar origem à ressurreição da carne e mostrou aos Seus discípulos que tinha ressuscitado na mesma carne? Muito diferente é a fé de Marcião e, além disso, a dos outros hereges; antes, entre eles não há senão perfídia, blasfémia e contenda, que são hostis à santidade e à verdade. Como pode, então, alguém que é batizado entre eles parecer ter obtido a remissão dos pecados e a graça da misericórdia divina, pela sua fé, quando não possui a verdade da própria fé?» Cartas de Cipriano, Carta 72, cap. 3, p. 380-381
P: Em Mt 28,19, dizia-se originalmente: «batizai em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo»?
R: Um site afirma que não. Apresenta como fundamento um manuscrito copta anónimo e o Evangelho de Mateus em hebraico (ebionita), do início do século VII. A versão ebionita é uma obra diferente, que constitui uma versão abreviada do Evangelho de Mateus.
Em contrapartida, eis as provas de que essa formulação constava do original.
A Didaché (c. 60-120 d.C.), vol. 7, cap. 7, p. 379, cita-o da seguinte forma: «Tendo primeiro dito todas estas coisas, batize em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em água viva. [ou seja, água corrente]. Mas, se não tiver água viva, batize noutra água; e, se não for possível com água fria, com água morna. Mas, se não tiver nenhuma das duas, derrame água três vezes sobre a cabeça em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» Não existia uma «fórmula» precisa, porque na Didaché aparecem tanto o batismo «em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (cap. 7, p. 379) como «em nome do Senhor» (cap. 9, p. 380).
Irineu (182-188 d.C.) «E, mais uma vez, concedendo aos discípulos o poder da regeneração para Deus, Ele [Jesus] disse-lhes: “Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”» Irineu, *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 17.1, p. 444.
Tertuliano (198-220 d.C.) parafraseia ligeiramente este versículo da seguinte forma: «Ele [Jesus] ordenou aos outros onze, ao partir para junto do Pai, que “fossem e ensinassem todas as nações, que deveriam ser batizadas no Pai, no Filho e no Espírito Santo”». Sobre a Prescrição Contra os Hereges, cap. 20, p. 252.
Tertuliano expressa-o de forma ligeiramente diferente em «Sobre o Batismo», cap. 13, p. 676: «Deus, diz Ele [Jesus], “ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”».
Hipólito (222-235/6 d.C.) cita-o da seguinte forma: «Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.» Contra a Heresia de Noeto, cap. 14, p. 228
«Tratado contra Novaciano» (254-256 d.C.), cap. 3, p. 658: «Ide e pregai o Evangelho às nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ou seja, essa mesma Trindade que atuou figurativamente nos dias de Noé por meio da pomba, agora atua na Igreja espiritualmente por meio dos discípulos.»
Tratado sobre o rebatismo (c. 250-258 d.C.), cap. 7, p. 671 «Ide, ensinai as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 567. Munnulus de Girba afirmou: «… especialmente na Trindade do batismo, como diz o nosso Senhor: “Ide e batizai as nações, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”»
Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 569. Vicente de Thibaris afirmou: «Ide e ensinai as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.»
Victorinus de Petau (-307 d.C.) cita-o da seguinte forma: «Ele [Jesus] enviou os apóstolos, dizendo: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”» Comentário ao Apocalipse, a partir do primeiro capítulo, n.º 15, p. 345
P: Que provas existem de que Mateus escreveu o Evangelho de Mateus?
R: A Igreja primitiva aceitou universalmente que o apóstolo Mateus escreveu o Evangelho de Mateus. Na verdade, existem muitas provas.
Papias (95-110 d.C.) refere-se nominalmente aos livros de Mateus e Marcos. Fragmento 6 da «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 3, cap. 39.
Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) menciona Mateus, os Evangelhos e a Lei. «Padres Ante-Nicenos», vol. 8, cap. 772
Irineu (182-188 d.C.) cita Mt 1,1 como sendo de Mateus. Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 16.2, p. 440
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.): «E no Evangelho segundo Mateus, a genealogia que começa com Abraão prossegue até Maria, a mãe do Senhor.» *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334
Tertuliano (198-220 d.C.) afirma: «Refiro-me aos Evangelhos de João e de Mateus — enquanto que o que Marcos publicou pode ser considerado como sendo de Pedro, de quem Marcos era intérprete. Pois até mesmo a versão do Evangelho de Lucas é habitualmente atribuída a Paulo. E pode muito bem parecer que as obras que os discípulos publicam pertencem aos seus mestres.» Tertuliano, Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 5, p. 350
Tertuliano escreveu: «… que o Testamento Evangélico tem os apóstolos como seus autores, … bem como homens apostólicos … Dos apóstolos, portanto, João e Mateus são os primeiros a incutir-nos a fé; enquanto que, entre os homens apostólicos, Lucas e Marcos a renovam posteriormente.» Cinco Livros Contra Marcião, livro 4, cap. 2, p. 347
Júlio Africano (232-245 d.C.) menciona «o evangelista Mateus» e «Lucas» ao comparar as duas genealogias de Jesus na sua «Carta a Aristides», cap. 3, p. 126
Orígenes (225-254 d.C.) menciona Mateus, Marcos, Lucas e João. Orígenes, Contra Celso, livro 5, cap. 56, p. 568.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona «O Evangelho segundo Mateus», citando Mateus 5:23,24 em «Tratados de Cipriano — Testemunhos», cap. 3, p. 533. Ver também «Os Tratados de Cipriano», Tratado 12, terceiro livro, 1.40.
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): «Foi “no fim do sábado”, como disse Mateus; foi “de manhã cedo, quando ainda estava escuro”, como escreve João; foi “muito cedo pela manhã”, como afirma Lucas; e foi “muito cedo pela manhã, ao nascer do sol”, como nos diz Marcos. Assim, ninguém nos mostrou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.» Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94
Adamantio (c. 300 d.C.) «Concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que estes não são invenções?» … «Foram os discípulos de Cristo que os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.» Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, «b 5», p. 41
Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona o Salmo, Mateus, Isaías e Daniel. Comentário sobre a Criação do Mundo, p. 342
Após 325 d.C.
Hegemónio (século IV) «O Espírito, no evangelista Mateus, também tem o cuidado de registar estas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Cuidado para que ninguém vos engane; pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou o Cristo’, e enganarão a muitos. Mas, se alguém vos disser: ‘Eis que o Cristo está aqui’ ou ‘está ali’, não acrediteis. Pois surgirão falsos Cristos, falsos apóstolos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; a tal ponto que, se fosse possível, enganariam até os próprios eleitos. Eis que já vo-lo disse de antemão. Se vos disserem: «Eis que está no deserto», não saiais; se disserem: «Eis que está nas câmaras secretas», não acrediteis.» Disputa com Manes, cap. 35, p. 209
P: Quando foi escrito o Evangelho de Mateus?
R: Tudo o que podemos afirmar é que o Evangelho de Mateus foi escrito após o ano 33 d.C. e, com elevada probabilidade, antes do ano 70 d.C. Alguns estudiosos liberais consideram que, uma vez que acreditam que Jesus não poderia prever acontecimentos futuros, a sua redação terá ocorrido entre os anos 70 e 100 d.C.
P: No Evangelho de Mateus, como sabemos que o que temos hoje é uma preservação fiável do que foi escrito originalmente?
R: Existem, pelo menos, três boas razões.
1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.
2. Testemunhos da Igreja primitiva. Muitos escritores citaram ou fizeram referência ao Evangelho de Mateus. Alguns dos mais antigos são os seguintes.
Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita Mateus 6:12-15; 7:2; 15:8. Embora Mateus 15:8 (cap. 5, p. 9) seja idêntico a Marcos 7:6 e Isaías 29:13.
Inácio, na sua Carta aos Esmirnenses 1:1 (90-116 d.C.) e na Carta a Policarpo, cap. 2, p. 94, cita Mateus 10:16b.
A Didaché (= O Ensinamento dos Doze Apóstolos) (120-150 d.C.), cap. 8, p. 379, cita a Oração do Senhor a partir de Mateus 6:5, 9-13. Trata-se, sem dúvida, de Mateus e não de Lucas, de acordo com a nota de rodapé 24.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 3, p. 252, cita Mateus 10:32 como sendo de Jesus e também faz alusão a Mateus 22:37.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 4, p. 252, parafraseia Mateus 7:21.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 5, p. 252, cita Mateus 5:28 como sendo de Jesus.
2 Clemente (120-140 d.C.), cap. 9, p. 253, parafraseia Mateus 12:50 como sendo de Jesus
A Epístola de Barnabé (c. 70-130 d.C.), capítulo 5, cita Mateus 20:16 (e também 22:14). A nota de rodapé dos Padres Ante-Nicenos, na p. 139, indica que esta é a primeira citação precedida pela fórmula autoritária «está escrito».
A Carta de Policarpo aos Filipenses, capítulo 2, p. 33 (110-155 d.C.), cita na íntegra Mateus 7:1: «mas tenham em mente o que o Senhor disse no Seu ensinamento: “Não julguem, para que não sejam julgados;”»
Policarpo cita Mateus 6:13a na Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35
Policarpo cita Mateus 26:41b na Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 7, p. 34-35
O «Mathetes a Diogneto», cap. 9, p. 28 (c. 130 d.C.), faz alusão a Mateus 6:25, afirmando que o Salvador nos ensinou a confiar em… para que não nos preocupemos com o vestuário e o alimento.
O «Mathetes a Diogneto», cap. 8, p. 28 (c. 130 d.C.), faz alusão a Mateus 19:17
Papias (95-110 d.C.) foi um dos primeiros escritores que falou pessoalmente com Pedro, Tiago, João, Mateus e outros (segundo o fragmento 1). No fragmento 6, afirmou que Mateus compilou os oráculos [de Jesus] na língua hebraica.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) baseia-se em referências a Mateus (quase 38 vezes), o que é mais do que as referências que faz aos outros evangelhos. Consulte os «Pais Ante-Nicenos», volume 1, p. 591, para comparar isto com as referências de Justino aos outros evangelhos. Tenha em conta que várias das referências em Lucas são comuns entre Lucas e Mateus. Ele cita ou parafraseia Mateus 1:21; 3:11-12, 17; 4:9, 10; 5:20, 28, 29, 32; 5:34, 37, 44, 45, 46; 6:1, 16, 19, 20, 21, 22, 25, 26, 33, 41; 7:15, 16, 19, 21, 22; 8:11; 9:13; 10:28; 11:12-15, 27; 12:38 e seguintes; 13:3, 42; 15:22-28; 16:21, 26; 17:12; 19:6, 12, 17, 26, 28; 21:13; 22:17, 19-21, 37; 23:15, 23, 24, 27; 24:11; 25:41; 26:39
O Cânone Muratoriano menciona o Evangelho de Mateus (c. 170 d.C.) juntamente com os outros três evangelhos.
O «Pastor de Hermas» (c. 160 d.C.), livro 1, Quarta Visão, cap. 2, p. 18, cita um quarto de Mateus 26:24: «melhor lhes teria sido não terem nascido».
O «Pastor de Hermas» (c. 160 d.C.), livro 2, capítulo 6, p. 30, alude a parte de Mateus 10:28: «Temei Aquele que tem todo o poder, tanto para salvar como para destruir»,
O herege Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos denominada «Diatessaron». Nela, refere-se a 839,12 versículos em Mateus, contando por frações de versículos. Isso corresponde a 78,4% de todo o evangelho.
Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) refere-se a Mateus, aos Evangelhos e à Lei. Padres Ante-Nicenos, vol. 8, cap. 772
Apolónio de Éfeso (c. 210 d.C.) cita Mateus 10, 9 como sendo do Senhor na obra «Sobre o Montanismo», cap. 4, p. 776. Cita também Mateus 12, 33 na mesma obra, cap. 4, p. 776
Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) cita Mateus 5:28 como «a voz do Evangelho» em «Teófilo a Autólico», livro 3, cap. 3, p. 115
Irineu (182-188 d.C.) recorre a numerosas referências aos quatro evangelhos, mas também é a Mateus que recorre com maior frequência. Ele cita, na íntegra ou parcialmente, 223 versículos de Mateus. Irineu afirma que este evangelho foi escrito por Mateus em *Contra as Heresias*, livro 3, cap. 16, p. 441. Segue-se uma lista dos versículos que ele cita ou parafraseia nos primeiros nove capítulos de Mateus: 1:1, 12-16, 18, 20, 23; 2:15, 16; 3:3, 7, 9-12, 16; 4:3, 7, 9, 10; 5:5, 8, 13a, 14a, 16, 18, 20-28, 33-35, 41, 44, 45; o último terço de 5:12 e o terço do meio de 7:7; 6:12a, 19, 24, 27; 7:1-2, 5; 8:9, 11-13; 9:2a, 6, 8, 29
Irineu também faz alusão a Mateus 2:16; 5:39; 7:15, 19, 25; 9:17; 11:9; 12:18, 31; 13:25, 38, 44; 17:3, 7, 27
Ainda não verifiquei todas as referências de Irineu aos capítulos 10 e seguintes do Evangelho de Mateus.
Clemente de Alexandria, em *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334 (193-202 d.C.): «E no Evangelho segundo Mateus, a genealogia que começa com Abraão prossegue até Maria, a mãe do Senhor.» Ele cita também muitos outros passagens de Mateus.
Tertuliano (198-220 d.C.) salienta a autoria de Mateus, Marcos, Lucas, João, do Apocalipse e de muitas das Epístolas de Paulo em *Cinco Livros Contra Marcião*, livro 4, cap. 5, p. 350. Ele cita muitos versículos de Mateus.
Hipólito (225-235/6 d.C.) cita Mateus 7:21 e Mateus 21:31 como sendo do Salvador. Em «Refutação de Todas as Heresias», livro 5, cap. 3, p. 54. Ele cita também muitos outros versículos de Mateus.
Teodoto, provavelmente montanista (c. 240 d.C.), cita Mateus 12:50 como sendo do Senhor. Excertos de Teodoto, cap. 20, p. 25
Júlio Africano (232-245 d.C.) menciona «o evangelista Mateus» e «Lucas» ao comparar as duas genealogias de Jesus na sua «Carta a Aristides», cap. 3, p. 126
Orígenes (225-254 d.C.) cita extensivamente Mateus, pois possui um comentário completo sobre o livro de Mateus. As citações de Orígenes incluem Mateus 24:23-27.
Novatiano (257 d.C.), na obra «Sobre a Trindade», cap. 8, p. 617, cita Mateus 10:29-30, afirmando que se trata de uma passagem de Jesus. No capítulo 12, cita também Mateus 27:20, afirmando que se trata de uma passagem de Jesus. Novatiano cita Mateus 1:23 (p. 635); 5:8 (p. 639-640); 10:28a (p. 636), 10:29, 30 (p. 617); 12:32b (p. 641); 16:16 (p. 637); 16:16 (p. 637); 28:20b (p. 621)
Um Tratado Contra Novaciano cita quatro versículos de Mateus: 7:2a (p. 661); 7:22, 23 (p. 659), 10:33 (p. 659), 23:12a (p. 661); possivelmente outros
O «Tratado sobre o Rebatismo» (c. 250-259 d.C.) cita Mateus 3:11b (cap. 2, p. 668) e 9:2b (cap. 18, p. 677); 10:32 (cap. 11, p. 673), 12:37 como «no Evangelho» (cap. 13, p. 675), 16:22, 23 (cap. 9, p. 672); 24:4, 23, 24 (cap. 12, p. 674), 26:70 (p. 672), 28:19 (cap. 7, p. 671)
Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.) «No Evangelho segundo Mateus: “A quem disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no mundo vindouro.”» Tratados de Cipriano, Tratado 3, cap. 28, p. 542
Cipriano, bispo de Cartago (c. 246-258 d.C.), cita Mateus 5, 43-45, referindo o que Jesus diz «no Seu Evangelho» em Tratados de Cipriano, Tratado 10, cap. 15, p. 495.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita Mateus 15:13 como tendo sido dito por «o Senhor no Seu Evangelho», Carta 48:4, p. 326
Moisés e outros, em carta a Cipriano (Carta 25), cap. 4, p. 303 (250-251 d.C.), citam Mateus 10:37-38 como sendo do «nosso Senhor, tal como pela trombeta do Seu Evangelho»
Cornélio a Cipriano (c. 246-256 d.C.) cita Mateus 5:8 como «a palavra evangélica» — Carta 45, cap. 2, p. 323
Firmiliano de Cesareia, em carta a Cipriano (256 d.C.), cita Mateus 16:9 como sendo de Jesus. (Carta 74, cap. 16, p. 394)
No Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), Lúcio de Castra Galbae afirmou: «Uma vez que o Senhor, no Seu Evangelho, disse: “Vós sois o sal da terra; mas, se o sal perder o seu sabor, com que se salgarão?”,» p. 566
Gregório Taumaturgo (240-265 d.C.) cita parte de Mateus 15:11 como tendo sido proferida pelo Salvador. Epístola Canónica, cânone 1, p. 18
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.): «Foi “no fim do sábado”, como disse Mateus; foi “de madrugada, quando ainda estava escuro”, como escreve João; foi “muito cedo pela manhã”, como afirma Lucas; e foi “muito cedo pela manhã, ao nascer do sol”, como nos diz Marcos. Assim, ninguém nos indicou claramente a hora exata em que Ele ressuscitou.» Carta 5 ao bispo Basilides, p. 94
Anatólio de Alexandria (270-280 d.C.) refere-se a Mateus 26:17; no seu Cânone Pascal, cap. 8, p. 148, e a Mateus 26:38 como sendo «do próprio Senhor» no cap. 10, p. 149
Adamantio (c. 300 d.C.) «Concordará se eu demonstrar, a partir dos Evangelhos, que estes não são invenções?» … «Foram os discípulos de Cristo que os escreveram: João e Mateus; Marcos e Lucas.» Diálogo sobre a Verdadeira Fé, Primeira Parte, «b 5», p. 41
Victorinus de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona o Salmo, Mateus, Isaías e Daniel em «Comentário sobre a Criação do Mundo», p. 342
Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) cita Mateus 21:6 e 6:24 como sendo do Senhor na «Epístola Canónica», cânone 12, p. 276-277. Faz também alusão a Mateus 2, 13-16 no Cânone 13, p. 277, e cita Mateus 2, 22-23 no Cânone 13, p. 277
Metódio (270-311/312 d.C.) «Ora, toda a mediação espiritual das Escrituras é-nos dada como sal que arde para beneficiar e que desinfeta, sem o qual é impossível que uma alma, por meio da razão, seja conduzida ao Todo-Poderoso; pois “vós sois o sal da terra”, disse o Senhor aos apóstolos.» [Mateus 5:13] O Banquete das Dez Virgens, livro 1, discurso 1, cap. 1, p. 311
A obra *O Martírio de Habib, o Diácono*, de Teófilo, cita Mateus 10:39 e Mateus 7:6, ambos como «Escritura», na p. 694.
Atanásio de Alexandria (c. 318 d.C.) não fez referência a Mateus na obra «Contra os Pagãos». No entanto, na obra «A Encarnação do Verbo», referiu-se a Mateus 19:4 (cap. 2.6, p. 37), Mateus 1:23 (também Isaías 7:14) (cap. 33.3, p. 54), a Mateus 11:13 (cap. 40.4, pp. 57-58) e a Mateus 26:64 (cap. 56.4, p. 66). Embora Atanásio não tenha feito referência a quaisquer outros versículos de Mateus antes de 325 d.C., referiu-se a muitos outros versículos de Mateus após essa data.
Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 11:27b como sendo do Salvador. Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 5, p. 293
Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 3:17 como «no Evangelho». Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 8, p. 294.
Alexandre de Alexandria (321 d.C.) cita Mateus 11:12 como «proferido por Cristo». Epístolas sobre a Heresia Ariana, cap. 12, p. 295
Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) faz alusão a Mateus 14:22-26 ao referir-se a Jesus a caminhar sobre as águas. «Instituições Divinas», livro 4, cap. 15, p. 116. Lactâncio também faz alusão a Mateus 5:44; 7:15; 18:7; e aos capítulos 14, 19 e 21. Ele cita Isaías 7:14 como sendo de Isaías, o que corresponde também a Mateus 1:23.
Eusébio de Cesareia (318-325 d.C.) cita na íntegra Mateus 5:38-40 na obra «Demonstração do Evangelho», livro 1, capítulo 6, p. 11
A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, discute os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 152
Consulte a próxima pergunta para saber quais versículos e partes de versículos foram citados e quais não foram.
Provas da existência de hereges e de livros espúrios
O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonização dos quatro evangelhos denominada Diatessaron, que significa «através dos quatro». Nela, refere-se a 839,12 versículos de Mateus. Isso corresponde a 78,4% de todo o Evangelho de Mateus.
O herege maniqueísta Fausto-Milevis (383-400 d.C.) cita Mateus 1:1 como sendo de autoria de Mateus. «Resposta de Agostinho a Fausto, o Maniqueísta», livro 23, cap. 1, «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Primeira Série, vol. 4, p. 313
3. Os manuscritos mais antigos de que dispomos de Mateus apresentam pequenas variações manuscritas, mas nenhum erro teologicamente significativo. Os manuscritos do Novo Testamento ainda existentes, copiados antes de 325 d.C., contêm 91,7% de Mateus, ou seja, 982,07 dos 1071 versículos. Consulte https://biblequery.org/Bible/BibleReliability/EarlyChristianNTQuotes.xlsx para obter mais detalhes sobre este assunto.
p1 (=Papiro de Oxirrinco 2) Mt 1:1-9,12,14-20; (não 2:14) (c. 200 d.C.) Texto alexandrino
Apresentam-se aqui as datas publicadas relativas a este manuscrito.
Século III - 1968 - «The Text of the New Testament»
Século III – 1975 – Aland, 3.ª edição
Século III – 1990 – Comfort, Manuscritos Antigos e Traduções Modernas do Novo Testamento
Século III – 1998 – Aland, 4.ª edição revista
Meados do século III, semelhante ao p. 69 — 1999 — Comfort, «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento»
Existe uma capa com uma inscrição. Embora O’Callaghan considere que possa tratar-se de Mateus 2:14, Philip Comfort, na obra «O Texto Completo dos Manuscritos Mais Antigos do Novo Testamento», p. 29, afirma que não é esse o caso, uma vez que a caligrafia é diferente e a margem acima das três linhas quebradas é maior do que no resto do evangelho de Mateus. Este texto poderá ter sido um subtítulo descritivo ou um título.
p. 19 (= Papiro de Oxirrinco 9) Mt 10, 32–11, 5
Texto predominantemente ocidental
Século IV ou V — 1968, *The Text of the New Testament*
p. 21 (= Papiro de Oxirrinco 10) Mt 12,24-26, 31-33 (concorda com o Bezae Cantabrigiensis e com o Sinaiticus corrigido)
p. 25 (=Papiro 16388, atualmente perdido. Encontrava-se em Berlim antes da Segunda Guerra Mundial) Mt 18, 32-34; 19, 1-3, 5-7, 9-10
Final do século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento. Texto Ocidental
p. 35 Mt 25:12-15, 20-23 (século III)
Possivelmente do século IV – 1968 – O Texto do Novo Testamento. Entre o texto alexandrino e o texto ocidental
p. 37 (=Ann Arbor 1570) Mt 26, 19-52 (meados do século III) A caligrafia é semelhante à das cartas de Heroninos (256 e 260 d.C.)
Século III/IV – 1969 –
p. 45 Chester Beatty I (os quatro evangelhos e os Atos dos Apóstolos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mt 20,24-32; 21:13-19; 25:41-26:39, partes de Marcos, Lucas e João) O rolo original tinha cerca de 220 folhas, das quais conservamos 30. Duas dessas 30 folhas pertencem a Mateus.
p53 (= Papiro Michigan Inv. 6652) Mt 26, 29-40 e Atos 9, 33-38; 3 letras das 124 letras em 9, 39; 9, 40-10, 1. (c. 260 d.C.) A data baseia-se em semelhanças com as letras de Heronino, datadas de c. 260 d.C. Trata-se de um texto misto.
p64 (Papiro de Magdalen), p67, c. 200 d.C. O papiro p64 preservou Mateus 26:7, menos de metade das letras do versículo 8; 26:10, 14-15, 22-23, 31-33 (em três fragmentos). O P64 foi adquirido no Egito em 1901, mas só foi disponibilizado aos estudiosos em 1953. O P67 preservou Mateus 3:9,15; 5:20-22,25-28.
O p70 (= Papiro de Oxirrinco 24) contém Mateus 2:13-16; 2:22-3:1; 11:26-27; 12:4-5; 24:3-6,12-15. (século III) O p70 apresenta um épsilon claramente diferente, e a caligrafia assemelha-se à do P. Medici 13 (de Eclesiastes), do século III.
Século III – 1968 O Texto do Novo Testamento.
O p. 71 (= Papiro de Oxirrinco 2385) contém Mt 19,10-11,17-18 (século IV)
Século IV - 1968 - O Texto do Novo Testamento. Corresponde ao Vaticanus
p. 77/p. 103 contém Mt 23, 30-39 (p. 77); 13, 55-57; 14, 3-5 (meados a finais do século II)
p. 83 contém Mt 20, 23-25, 30-31; 23, 39; 24, 1, 6 (século VI)
p. 86: Mt 5,13-16,22-25 (c. 300 d.C.)
p. 101 (= Papiro de Oxirrinco 4401), século III, contém Mt 3:10-12; 3:16-4:3
p. 102 (= Papiro de Oxirrinco 4402), c. 300 d.C., Mt 4:11-12, 22-23
p. 103 (= Papiro de Oxirrinco 4403) contém Mt 13, 55-57; 14, 3-5 (séculos II a III)
p. 104 (= Papiro de Oxirrinco 4404) (início a meados do século II) contém Mt 21:34-37, 43, 45?
p. 110 (=Papiro de Oxirrinco 4494) contém Mt 10, 13-14, 25-27 (século IV)
pAntinoópolis 2.54, do século III, contém a Oração do Senhor. Mt 6, 10-12. Parece que este manuscrito, originalmente, continha apenas a Oração do Senhor.
0171 (c. 300 d.C.) contém Mt 10, 17-23, 25-32
O Vaticanus [B] (325-350 d.C.) e o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de Mateus.
O Alexandrinus [A], de cerca de 450 d.C., preservou apenas Mateus 25:7 até ao fim.
Copta bohairico [Boh] Séculos III/IV
Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV
Siríaco Peshitta [Syr P] 400-450 d.C.
Efraemita Rescriptus [C] século V
Arménio [Arm] a partir do século V
Georgiano [Geo] a partir do século V
Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.
Gótico 493-555 d.C.
Consulte www.BibleQuery.org/Matthew Manuscripts.html para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos de Mateus.
P: No Evangelho de Mateus, que versículos e partes de versículos foram citados pelos escritores pré-nicenos (antes de 325 d.C.)?
R: Antes de 325 d.C., os escritores da Igreja citaram cerca de 87,5% dos versículos do Evangelho de Mateus. Isso corresponde a 937,31 versículos. Por outras palavras, todos os 1071 versículos do Evangelho de Mateus foram citados, com exceção de 133,69 versículos. Consulte https://biblequery.org/Bible/BibleReliability/EarlyChristianNTQuotes.xlsx para obter todos os detalhes. O «Diatessaron» de Tatiano refere-se a 839,12 dos 1071 versículos de Mateus.
P: Existem datas anteriores para manuscritos de Mateus que ainda hoje se conservam?
R: A datação do Manuscrito de Magdalen (p. 64 + p. 67) é contestada.
A maioria concorda que foi escrito antes do século III d.C., devido ao seu estilo de escrita em papiro, que já não era utilizado após o início do século III.
Data anterior (c. 50-64/65 d.C.) Esta é a opinião de Carsten Thiede, um papirólogo alemão. Existem três argumentos que sustentam esta opinião.
1) Uncial: O papiro de Magdalen era um papiro «uncial» (todo em maiúsculas), que foi utilizado até meados do século I d.C.
2) Comparação da caligrafia com textos de meados do século I d.C. encontrados em Pompeia e Herculano
3) A título de especulação, talvez os cristãos que desejavam preservar as suas escrituras tenham começado a utilizar códices mais cedo.
Esta informação foi publicada na revista *Time* (23 de janeiro de 1995). Consulte *The Real Jesus*, p. 78, para uma discussão sobre este assunto, mas não necessariamente um apoio à mesma.
Manuscrito do Novo Testamento de data posterior (século II d.C.). O «Expositor’s Bible Commentary», volume 8, p. 20, afirma que prevalece atualmente a opinião de que o Evangelho de Mateus foi escrito entre os anos 80 e 100 d.C.
Códice: Parece ter provindo de um códice (livro), tendo os escribas passado a utilizar livros em vez de pergaminhos durante o século II.
A título de especulação, talvez alguns unciais como este tenham sido produzidos mais tarde. O livro cético de Burton Mack, *Who Wrote the New Testament?* p. 9-10, embora seja muito crítico em relação à datação de Thiede, afirma que os escritos em uncial podem ter sido produzidos até 85 d.C. Esta afirmação é difícil de compreender, uma vez que a obra de Aland et al., *The Greek New Testament*, 4.ª edição revista, mostra que os manuscritos em uncial foram utilizados até ao século IX, muito mais tarde. Talvez Mack se referisse ao estilo específico de uncial em papiro.
Conclusão: Embora não saibamos quando os primeiros códices foram produzidos, mesmo os estudiosos mais conservadores defendem uma data em meados do século I.
Ver Milligan, *Selections from the Greek Papyri*, 1910, p. 35. 238.
↩