Novo Testamento
Pergunta bíblica sobre o Novo Testamento
P: Se Jesus é o único caminho para o céu, então por que razão foi crucificado tanto tempo depois do início da história? Se Ele é o único caminho, por que razão não foi enviado à Terra após o primeiro pecado para ser crucificado pelos pecados do mundo?
R: A sua pergunta é importante, mas permita-me alargá-la um pouco mais. Por que razão foi Jesus enviado precisamente naquele momento, e não antes nem depois? Romanos 5:6 diz: «Pois, no momento certo, [...] Cristo morreu pelos ímpios.» Mas, embora a Bíblia não explique por que razão esse foi o melhor momento, podemos especular.
Não demasiado cedo: Certa vez, alguém perguntou-me: «Porque é que Deus não desce simplesmente e se revela a toda a gente?» Respondi que, se Deus descesse em toda a Sua glória, seríamos destruídos. Mas Deus é Todo-Poderoso e poderia descer velando suficientemente a Sua glória para que a Sua presença direta não nos destruísse. Se Ele descesse de uma forma que nos obrigasse a acreditar, então como teríamos fé, ou livre arbítrio para tomar uma decisão que não fosse sob coação? Mas se Deus descesse de uma forma em que parte da Sua glória estivesse velada, e Ele desse provas de quem era, mas não de tal forma que fosse tão óbvio que todos tivessem de acreditar, quer quisessem quer não, quantas vezes teria Deus de fazer isso? E se Ele o tivesse feito apenas uma vez, há 2 000 anos?
90% da população posterior: Estimamos que tenham vivido na Terra cerca de 32 mil milhões (+/- 6 mil milhões) de pessoas. Mais de 90% delas viveram após a época de Cristo.
Justiça para com os que vieram antes: Deus julga as pessoas com base na verdade de que dispõem; o pecado não é imputado onde não há lei (Romanos 4:15; 5:13). Assim, as pessoas que viveram antes de Cristo, tais como Abraão, David, etc., podiam ser salvas por meio de Cristo, mesmo que Cristo ainda não tivesse vindo.
Período mais pacífico: A época de Cristo foi um período de relativa paz, em comparação com os tempos anteriores, marcados pelas conquistas romanas, e com os tempos posteriores, caracterizados pelas guerras entre romanos e partos e pela invasão do Império Romano pelos bárbaros europeus. Consulte www.BibleQuery.org/History/Calamities/Wars.html para obter mais informações sobre as guerras daqueles tempos, caso esteja interessado.
O momento ideal para a expansão: Os romanos construíram uma extensa rede de estradas e, se Jesus tivesse vindo antes desta época, teria sido muito mais difícil difundir o evangelho por diferentes terras.
Preservação dos materiais: Se tivesse sido muito mais cedo, poderíamos ter muito menos manuscritos que comprovassem a fiabilidade do Novo Testamento. Se tivesse sido séculos mais tarde, poderíamos ter mais, mas, mesmo assim, dispomos de mais de 10 000 manuscritos e fragmentos gregos do Novo Testamento. O mais antigo, a propósito, é o papiro John Rylands, datado de 110-138 d.C. Aqui estão outros manuscritos de que dispomos.
110/117-125/138 d.C. | p52 (= papiro John Rylands) | João 18:31-33, verso 18:37-38 -4 versículos |
100-150 d.C. | p. 104 | Mateus 21:34-37, 43, 45(?) -5,5 versículos |
100-150 d.C. | p. 46 (=Chester Beatty II) | 70% de Paulo e Hebreus -1 680 versículos |
c. 125 d.C. | p. 87 — caligrafia semelhante à do p. 46. | Filemão 13-15, 24 (parte), 25b com lacunas — 4 versículos |
século II | Papiros de Magdalen | Mt 26:7-8, 10, 14-15, 22-23, 31-33 — 10 versículos |
100/125-150/175 d.C. | p66 (= Bodmer II) p14/15, p75 | 92% do Evangelho de João -808,5 versículos |
125-150 d.C. | p. 64, p. 67 (mesmo manuscrito) | (p. 67) Mt 3,9,15; 5,20-22,25-28 -19 versículos (p. 64) Mt 26,7-8, 10, 14-15, 22-23, 31-33 |
Início a meados do século II | p. 4 — caligrafia semelhante à de p. 64 e p. 67 | Lucas 1:58-59; 1:62-2:1,6-7, etc. -95 versículos |
c. 170 d.C. | Uncial 0212 | Fragmentos do Diatessaron: Mt 27; Mc 15; Lc 23; Jo 19 |
c. 175 d.C. | p. 90 | João 18:36-19:7 - 12 versículos |
177 d.C. – 97% (855/878) do Evangelho de João, 70% das Epístolas de Paulo e da Epístola aos Hebreus (perseguição de Aurélio) | ||
Apenas com os manuscritos que ainda possuímos, escritos antes da perseguição de Marco Aurélio em 177 d.C., dispomos de 97% do Evangelho de João (855/878 versículos) e de 70% das Epístolas de Paulo e da Epístola aos Hebreus.
A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 1, cap. 2, p. 84, dá uma resposta diferente, mas complementar. Ele afirma simplesmente que o Evangelho não foi pregado antes porque a humanidade pecadora ainda não estava preparada para tal. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 84
Uma questão relacionada é a seguinte: mesmo para as pessoas que viveram depois de Jesus, se morreram antes de ouvir o Evangelho, então, para elas, é o mesmo que se tivessem vivido antes de Jesus. E quanto a elas? Consulte www.BibleQuery.org/Doctrine/NeverHeardTheGospel/WhatAboutThoseWhoDiedBeforeHearingTheGospel.html para mais informações sobre este assunto.
P: Como é que Deus poderia morrer?
R: Jesus era plenamente humano e plenamente divino. Jesus assumiu a humanidade para cumprir a Sua missão de morrer pelos nossos pecados. A humanidade de Jesus foi condenada à morte na cruz. Muitas coisas podem ser explicadas por analogias com a natureza, mas não existe qualquer analogia natural para a encarnação, quando Deus veio à Terra para viver como homem.
Historicamente, esta objeção, levantada pelos pagãos, foi respondida por Arnóbio na obra «Contra os Pagãos» (297-303 d.C.), livro 1, capítulo 60, páginas 430-431.
P: Dei uma vista de olhos ao seu artigo sobre «Jesus é Deus». Reconheço que não encontrei nada que contradissesse o ensinamento messiânico e apostólico, claro, repetido e formal, de que Jesus é ontologicamente um homem –
João 8:40 mas agora procuram matar-me, a mim, um homem [ἄνθρωπος], que vos disse a verdade que ouvi de Deus.
Atos 2:22, 23 «Homens [Aνδρες] de Israel, ouçam estas palavras: Jesus de Nazaré, um homem [ἄνδρα], a quem Deus confirmou perante vós com obras poderosas, maravilhas e sinais que Deus realizou por meio dele no meio de vós, como vós mesmos sabeis — 23 este Jesus, entregue segundo o plano definido e a presciência de Deus, vós crucificastes e matastes pelas mãos de homens sem lei»
1 Cor 15:21 Pois, assim como por [δι’] um homem [ἄνθρωπος] veio a morte, por [δι’] um homem [ἄνθρωπος] veio também a ressurreição dos mortos.
1 Tim 2:5 Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem [ἄνθρωπος] Cristo Jesus,
Tenho uma pergunta que penso que pode ir ao cerne da questão —
Será que Jesus pode funcionar plenamente e de forma independente SEM uma divindade encarnada (tal como o senhor, eu e todos os homens fazemos)?
R: A Bíblia não o afirma explicitamente, mas existem alguns conceitos teológicos gerais que orientam o nosso raciocínio.
Jesus não era metade homem e metade Deus. Pelo contrário, era 100% Deus e 100% homem. Colossenses 1:19 indica que Jesus possuía a «plenitude» da divindade. Hebreus 4:15 ensina que Jesus era um homem que podia ser tentado em todos os aspetos e que possuía tudo o que nós possuímos, exceto que era sem pecado.
Por outro lado, não existem dois Jesus: um humano e outro divino. Existe apenas um Jesus.
Quanto a todos os pormenores de como isto se concretizou, Deus não nos revelou; isso faz parte do mistério da Encarnação.
P: Quem, exatamente, matou Jesus?
R: Quanto a quem matou Jesus, há duas respostas.
1. Alguns soldados romanos sob o comando de Pôncio Pilatos mataram Jesus. Ora, há pessoas boas e más em todos os grupos étnicos, e o simples facto de um governador italiano ter ordenado a morte de Jesus não é desculpa para odiar quaisquer italianos. Além disso, um sumo sacerdote judeu maléfico (nomeado pelos romanos) mandou prender Jesus e levá-lo perante o Sinédrio. Eles entregaram-no aos romanos. A propósito, Paulo, Pedro, João, Mateus, Judas e Tiago eram todos judeus. Afirmar que um determinado pequeno grupo de judeus era maléfico não é mais anti-semita do que dizer que Hitler e os seus capangas eram maléficos e que isso é anti-alemão. (Serei o primeiro a afirmar que todo o nazismo foi uma ferramenta extremamente maléfica de Satanás, e sou parcialmente alemão. No entanto, gostaria também de salientar que muitos alemães-americanos se tornaram soldados e lutaram contra Hitler.) Da mesma forma, alguns judeus eram maus, mas outros, como Pedro e Paulo, eram bons. Até mesmo alguns judeus que não se tornaram cristãos, como Josefo, continuavam a ter respeito por Jesus e pelo seu meio-irmão Tiago.
2. A outra resposta, igualmente importante, é que o senhor, eu e todos os outros matámos Jesus. Jesus sabia o que estava a acontecer e poderia ter fugido rapidamente do Jardim do Getsêmani. Ninguém teria matado Jesus, porque Ele poderia facilmente ter escapado e desaparecido. Mas Jesus escolheu deliberadamente ficar e morrer de forma horrível naquela cruz como sacrifício pelos nossos pecados. Portanto, se quiser culpar alguém pela morte cruel e injusta que nos deu o maravilhoso dom da vida eterna, culpe Jesus!
«Fixemos os nossos olhos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé, que, pela alegria que lhe estava reservada, suportou a cruz, desprezando a sua vergonha, e se sentou à direita do trono de Deus.» (Hebreus 12:2 BSB)
P: Quando é que as pessoas começaram a datar os acontecimentos com base no ano em que Jesus supostamente nasceu?
R: Antes disso, as pessoas datavam geralmente os acontecimentos com base no ano do reinado de um rei. Outras pessoas datavam os acontecimentos a partir do suposto ano da criação de Adão, 1 de setembro de 5509 a.C.
O cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na p. 786, afirma que, no tempo de Jesus, os romanos contavam os anos em termos de «A.U.C.» ou anos desde a fundação da cidade [de Roma]. Roma foi fundada em 753 a.C. Na p. 787, Asimov afirma que se pensava erroneamente que Cristo tinha nascido no ano 1 d.C., uma crença atribuída ao monge-astrónomo cita Dionísio Exíguo de Roma, que faleceu por volta de 544 d.C. O livro «Manuscritos da Bíblia Grega», na página 49, refere que a datação a partir do nascimento de Cristo foi introduzida por Hipólito no século III. Esta prática não foi universalmente aceite, uma vez que alguns escribas bizantinos só a adotaram no século XIV. Além disso, a «Primeira Apologia» de Justino Mártir, cap. 46, p. 178, embora não constitua um sistema oficial de datação, menciona que Jesus nasceu há 150 anos.
P: No Novo Testamento, de que forma surgiram os termos «Antigo e Novo Testamentos»?
R: Tertuliano foi, aparentemente, o primeiro a cunhar estas palavras, em latim, em 207 d.C., na sua obra «Contra Marcião», livro 4, capítulo 6.
P: Como posso defender esta afirmação: Os Evangelhos contêm alguma verdade; no entanto, os escribas do século II acrescentaram inserções para criar um Jesus que os cristãos do século I nunca conheceram. Por outras palavras, a Ressurreição física e Jesus como o «Filho de Deus» foram acrescentados posteriormente, muito depois dos acontecimentos que tiveram lugar.
R: Deixe-me, em primeiro lugar, reformular a sua pergunta e, em seguida, respondê-la. Os céticos afirmam frequentemente que os autores não escreveram o que escreveram, mesmo quando não há qualquer fundamento para tal afirmação. Assim, como poderia uma pessoa objetiva saber se a expressão «Filho de Deus» era ou não conhecida pelos cristãos do século I?
a) Em primeiro lugar, é preciso compreender que o ónus da prova recai sobre aqueles que questionam a veracidade do texto. Se não conseguirem apresentar quaisquer provas, então podemos parar por aqui.
b) Em segundo lugar, teriam de acrescentar a expressão «Filho de Deus» em muitos locais, pois é comum no Novo Testamento. Para além de Mc 1,1, encontra-se nestes locais, apenas nos evangelhos, no Apocalipse e nas cartas não-paulinas.
Mt 3,17; 17,5; Mc 1,11; Lc 9,35; 2 Pedro 1,17 (O Pai diz: «Este é o meu Filho amado»)
Mt 4,3, 6; 8,29; 14,33; 16,16; 26,63; 27,40, 43, 54
Mc 3,11; 5,7; 15,39
Lc 1:32, 35; 4:3, 9, 41; 8:28; 22:70
Jo 1:18, 34, 49; 3:16, 17, 18, 35; 5:23 (implícito); 5:25; 6:69; 9:35; 10:36; 11:4, 27; 17:1 (implícito); 19:7; 20:31; 1 Jo 1:3,7; 2:22,23 (implícito); 3:8,23; 4:9,10,14,15; 5:5,9,10 (2 vezes), 11,12,13 (2 vezes), 20; 2 Jo 3,9; Ap 2:18.
c) No entanto, não temos de nos deter aqui. Que provas poderíamos ter de que os cristãos acreditavam que Jesus era o Filho de Deus, uma vez que só dispomos de cópias da Bíblia a partir de 117 d.C.? Temos os escritores da Igreja primitiva.
«Mas, a respeito do Seu Filho, o Senhor disse assim: “Tu és o meu Filho, hoje Eu te gerei.”» 1 Clemente, cap. 36, p. 15. Clemente de Roma escreveu entre 96 e 98 d.C.; temos plena certeza da data. O primeiro século terminou no final do ano 100 d.C., pelo que isto refuta a alegação.
Menção a «o Seu Filho, de acordo com a relação/economia que subsiste entre eles». Mathetes a Diogneto, cap. 8, p. 28 (c. 130-200 d.C.)
«Deu o seu próprio Filho como resgate por nós…» Mathetes a Diogneto, cap. 8, p. 28 (c. 130-200 d.C.)
«Aquele que, sendo desde toda a eternidade, é hoje chamado/considerado o Filho» — Mathetes a Diogneto, cap. 11, p. 29
«por meio do Seu Filho unigénito, Jesus Cristo» O Martírio de Policarpo, cap. 20, p. 43
«Jesus Cristo… sendo simultaneamente o Filho do Homem e o Filho de Deus» Carta de Inácio aos Efésios, cap. 20, p. 58 (Não sabemos quando Inácio, discípulo do apóstolo João, escreveu isto, mas faleceu em 107 ou 116 d.C.)
Jesus declarou-Se a Si próprio como o Filho de Deus. Epístola de Barnabé, cap. 7, p. 141 (c. 70-130 d.C.). Ver também cap. 5, p. 139, 140; cap. 12, p. 145
«Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, e o próprio Jesus Cristo, que é o Filho de Deus, …» Carta de Policarpo aos Filipenses, capítulo 12, p. 35. Não sabemos quando Policarpo escreveu isto, mas foi martirizado em 155 d.C. Irineu, que escreveu entre 182 e 188 d.C., menciona a Carta de Policarpo aos Filipenses na sua obra Contra as Heresias, livro 3, cap. 3.4, p. 416.
«Cristo, que foi chamado Filho de Deus antes dos séculos, … para que Ele nos purificasse através do Seu sangue, … apresentando-nos como filhos puros ao Seu Pai.» Irineu de Lyon (182-188 d.C.) no Fragmento 39, p. 575
Acreditavam eles que Jesus era Deus?
A verdadeira questão aqui é se os primeiros cristãos viam ou não Jesus como Deus. Eis provas de que sim:
Inácio (falecido em 107 ou 116 d.C.) referia-se frequentemente a Cristo como Deus. Por exemplo, escreveu sobre «o sangue de Deus» no capítulo 1 da sua carta aos Efésios.
Mathetes a Diogneto (c. 130-200 d.C.), um discípulo dos apóstolos, no capítulo 7 da sua obra «Mathetes a Diogneto», escreveu sobre Cristo enviado como Rei, Deus, homem e salvador.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.)
«A Palavra da Sabedoria, que é Ele próprio este Deus gerado pelo Pai de todas as coisas, …» Diálogo com Trifão, cap. 61. Ver caps. 55, 56, 59, 62-64, 66, 74-78.
Melito de Sardes (falecido em 180 d.C.) afirmou, a respeito da crucificação, que «Deus foi assassinado».
Teófilo, bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.): «Pois a própria Escritura divina ensina-nos que Adão disse ter ouvido a voz. Mas o que mais é esta voz senão a Palavra de Deus, que é também o Seu Filho?» Carta a Autólico, livro 2, cap. 22.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) escreveu em «Irineu Contra as Heresias», livro 3, cap. 19.2, p. 449: «Jesus é, por si mesmo e por direito próprio, [...] Deus e Senhor, [...]»
Até mesmo os inimigos do cristianismo testemunham que os cristãos adoravam Jesus como Deus.
Plinio, o Jovem (governador e perseguidor dos cristãos em 112 d.C., escrevendo ao imperador Trajano): «Eles [os cristãos] tinham o hábito de se reunir num determinado dia fixo, antes do amanhecer, quando entoavam, em versos alternados, um hino a Cristo, como a um deus, e se comprometiam, por um juramento solene, a não cometer quaisquer atos perversos…»
Luciano (satirista do século II): «Os cristãos, como sabe, adoram um homem até aos dias de hoje — a ilustre personalidade que introduziu os seus novos ritos e foi crucificado por esse motivo… Como vê, estas criaturas desorientadas…» (A Morte de Peregrino, 11)
Isto é significativo, porque um inquérito oficial romano afirma que os cristãos adoravam Cristo como Deus já em 112 d.C.
P: «Em suma, com o passar do tempo, a noção apocalíptica da ressurreição do corpo transforma-se na doutrina da imortalidade da alma. O que surge é a crença no céu e no inferno, uma crença que não se encontra nos ensinamentos de Jesus ou de Paulo, mas que foi inventada em épocas posteriores por cristãos que perceberam que o reino de Deus nunca viria a esta terra. Esta crença tornou-se um ensinamento cristão padrão, para todo o sempre.» Jesus, Interrupted, p. 266
R: Reli as partes em torno desta citação para me certificar de que tinha compreendido corretamente que Ehrman acredita que os primeiros cristãos não acreditavam no céu nem no inferno. Não fica totalmente claro se Ehrman está também a afirmar que os cristãos posteriores inventaram igualmente a imortalidade da alma, mas, independentemente disso, ele afirma que tais conceitos eram desconhecidos de Jesus, de Paulo ou, presumivelmente, dos primeiros cristãos.
Talvez não devesse ter ficado, mas fiquei chocado com a aparente ignorância do que este suposto especialista no Novo Testamento afirmou. Vamos falar primeiro sobre a imortalidade da alma. Muito antes da época de Moisés, os egípcios embalsamavam os seus cadáveres como múmias, porque acreditavam na imortalidade da alma. Os antigos sumérios, no seu mito de Inanna e Dumuzi, demonstravam uma crença generalizada na imortalidade da alma. Também o poema sumério de Dilmun, datado de 2400 a.C., menciona um lugar onde se encontravam os deuses, chamado Dilmun, onde viviam os deuses e Ziusudra, um humano que tinha alcançado a imortalidade. Muitos escritos judaicos anteriores a Jesus, incluindo 2 Macabeus 12:44 e 1 Enoque, referem que os mortos estão conscientes. No Antigo Testamento, em Isaías 53:8-9, o servo sofredor foi separado dos vivos e «recebeu uma sepultura junto aos ímpios», mas em 53:10 «Ele verá a sua descendência, prolongará os seus dias». Até mesmo 1 Coríntios, um livro que Ehrman aceita como tendo sido escrito por Paulo, contém um capítulo inteiro sobre a ressurreição dos mortos (capítulo 15). Ele também aborda a nossa imortalidade em 2 Coríntios 5:1-8. Até mesmo os gnósticos, tão apreciados por Ehrman, acreditavam numa vida após a morte transcendente e imaterial para as pessoas espirituais.
Quanto ao céu e ao inferno, os gregos e os romanos tinham os Campos Elísios para os abençoados e o Tártaro para os amaldiçoados. Escritos judaicos anteriores a Cristo, como 1 Enoque, falam de duas partes do Sheol (a sepultura): a prisão para os ímpios e o paraíso para os justos. Jesus, nos evangelhos, falou, na verdade, mais sobre o Inferno do que sobre o Céu. É interessante que Jesus utilize o termo conhecido «paraíso» ao falar com o ladrão na cruz. 1 Pedro 3:19 menciona os espíritos na prisão.
Em resumo, muitos pagãos acreditavam na imortalidade da alma e numa forma de Céu e Inferno. Os judeus anteriores a Cristo acreditavam numa prisão e num paraíso. As primeiras cartas de Paulo ensinavam a imortalidade, o Céu e o Inferno. Até os gnósticos acreditavam numa vida após a morte não material para si próprios. No entanto, por incrível que pareça, Ehrman afirma que a imortalidade da alma e um Céu e um Inferno sem corpo são «invenções posteriores» dos cristãos.
P: Para além dos manuscritos bíblicos, que provas existem de que os primeiros cristãos acreditavam que Jesus morreu como resgate pelos nossos pecados?
R: Embora o ónus da prova recaia sobre aqueles que alegam corrupção, cabendo-lhes apresentar provas da sua alegação, eis aqui evidências de escritores cristãos primitivos de que os primeiros cristãos acreditavam que Jesus morreu como resgate para expiar os nossos pecados.
«Quão precioso é para Deus aquele sangue [de Jesus], que, tendo sido derramado para a nossa salvação, colocou a graça do arrependimento perante o mundo inteiro.» 1 Clemente, cap. 7, p. 7 (96-98 d.C.)
«Deu o seu próprio Filho como resgate por nós…» Mathetes a Diogneto, cap. 8, p. 28 (c. 130-200 d.C.)
«…Senhor Jesus Cristo, que pelos nossos pecados sofreu até à morte, [mas] “a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, tendo desatado as amarras da morte.”» Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 1, p. 33 (Policarpo foi martirizado c. 155 d.C.)
Consulte www.BibleQuery.org/History/ChurchHistory/WhatEarlyChristiansTaughtOnDoctrine.html (ou .docx) para citares anteriores a 325 d.C. de Melito de Sardes (170-180 d.C.), Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), Tertuliano (198-220 d.C.), Hipólito (225-235/6 d.C.), Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) e Atanásio (318 d.C.). Existem também outras citações sobre Jesus ter sofrido por nós e ter morrido por nós.
P: Para além dos manuscritos bíblicos, que provas existem de que os primeiros cristãos acreditavam que Jesus ressuscitou dos mortos?
R: O ónus da prova recai sobre aqueles que consideram que estes textos foram adições à Bíblia, cabendo-lhes apresentar provas de que foram acrescentados posteriormente. No entanto, eis aqui provas, provenientes de escritores cristãos primitivos, de que os primeiros cristãos acreditavam que Jesus ressuscitou dos mortos.
«Consideremos, amados, como o Senhor nos prova continuamente que haverá uma ressurreição futura, da qual Ele fez do Senhor Jesus Cristo as primícias, ressuscitando-O dos mortos.» 1 Clemente, cap. 24, p. 11 (96-98 d.C.)
Jesus ressuscitou dos mortos. Epístola de Barnabé, cap. 15, p. 147 (c. 70-130 d.C.)
«…Senhor Jesus Cristo, que pelos nossos pecados sofreu até à morte, [mas] “a quem Deus ressuscitou dos mortos, tendo desatado as amarras do túmulo.”» Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 1, p. 33 (Policarpo foi martirizado c. 155 d.C.)
«Jesus Cristo, … no Seu sofrimento e na Sua ressurreição.» Carta de Inácio aos Efésios, cap. 20, p. 57
O nascimento, a paixão e a ressurreição de Jesus. Carta de Inácio aos Magnesianos, cap. 11, p. 64
Irineu, Contra as Heresias 5:7:1. (182-188 d.C.) «Da mesma forma, portanto, tal como Cristo ressuscitou na substância da carne e mostrou aos Seus discípulos as marcas dos cravos e a ferida no Seu lado (ora, estes são os sinais daquela carne que ressuscitou dos mortos), assim “também Ele”, diz-se, “nos ressuscitará pelo Seu próprio poder”.»
P: Alguns críticos liberais consideram que, embora sete das cartas de Paulo tenham sido escritas pelo mesmo autor (Rom, 1 e 2 Cor, Gal, Fil, 1 Tess, Fm), afirmam que outras sete cartas foram escritas por autores diferentes (Ef, Col, 2 Tess, 1 e 2 Tim, Tt e Hb). É claro que a carta aos Hebreus não afirma ter sido escrita por Paulo.
R: Apresentam quatro razões para sustentar estas alegações. No entanto, nenhuma destas razões se sustenta.
Comprimento das frases longas (Efésios e Colossenses): O grego original do Novo Testamento não possuía pontuação, pelo que é problemático estimar o comprimento. Mas, partindo do princípio de que os estudiosos não têm dúvidas, Efésios 1:3-6, 1:7-10, 1:11-12 e 13-14 não constituem uma, mas sim quatro frases, de acordo com a obra *The Greek New Testament*, de Aland et al., 4.ª edição revista (1998). O *Novum Testamentum Graece* de Nestle-Aland (1993) afirma o mesmo. Ehrman nunca indicou a fonte que o levou a afirmar com certeza que se tratava de apenas uma frase. No entanto, 23 anos antes, a 3.ª edição de 1975 de *The Greek New Testament*, de Aland et al., apresentava-as como uma única frase, pelo que presumo que Ehrman estivesse a utilizar a versão muito mais antiga e desatualizada. Mais uma vez, porém, o grego original não possuía pontuação, pelo que construir um argumento com base na forma como as pessoas do final do século XX pensavam que os pontos deviam ser colocados — antes de terem mudado de opinião — constitui, na melhor das hipóteses, um argumento pouco sólido.
Comprimento médio das frases (Efésios e Colossenses): Da forma como os estudiosos modernos tentam dividir as frases, o comprimento médio das frases em Efésios e Colossenses (37,3 e 35,2 palavras, respetivamente) é superior ao comprimento médio das frases noutros livros (25,8, 23,4, 26,0, 21,7, 26,7, 29, 31,7, 22,7, 23,2, 24,2 e 25,8) das outras cartas de Paulo, por ordem. No entanto, o comprimento médio das frases é de 35,8, 35,6 e 32 palavras em Romanos 1-5, 1 Coríntios 1 e 2 Coríntios 6-10, respetivamente. Assim, há pouca diferença entre os livros mais curtos, mas profundos, de Efésios e Colossenses, e Romanos 1-5, 1 Coríntios 1 e 2 Coríntios 6-10.
Palavras diferentes (2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito): Poderia analisar-se os meus escritos sobre manuscritos do Novo Testamento, cultos e a relação com Deus, e utilizar o mesmo método para concluir que eu era três pessoas diferentes. As pessoas utilizam palavras diferentes quando discutem temas diferentes. Só quando existem várias opções de palavras para a mesma coisa, e são preferidas escolhas de palavras diferentes, é que isto pode ser significativo. Por exemplo, nas cartas anteriores dirigidas a igrejas inteiras, são mencionados mais nomes. Assim, deverão os nomes ser excluídos da contagem? Nas cartas pastorais, Paulo fala da mãe e da avó de Timóteo, e de Timóteo e Tito a nomearem anciãos e diáconos; deverão, então, estas discussões ser excluídas? Depois de a perseguição se ter prolongado por algum tempo, Paulo fala mais sobre o cuidado das viúvas nas cartas pastorais do que nas cartas anteriores. Deverá, então, isto ser excluído? – e assim por diante.
Descrição da fé: Tem-se afirmado que «fé» significa a aceitação confiante da morte de Cristo nas cartas anteriores de Paulo e um conjunto de crenças e ideias dogmáticas nas cartas posteriores. Na verdade, significa ambas as coisas em ambos os conjuntos de cartas. Significa um conjunto de crenças e ideias em Gl 1,23; Ef 4,5; Ef 4,13
Significa a aceitação da morte de Cristo em 2 Tim 1:5; 2 Tim 3:15; Tt 3:15
A fé, no sentido de crenças doutrinárias, nas cartas mais antigas de Paulo
Gálatas 1:23 «Eles apenas ouviram dizer: “O homem que antes nos perseguia está agora a pregar a fé que outrora tentou destruir.”»
Ef 4,5 «um só Senhor, uma só fé, um só batismo»
Ef 4,13 «até que todos cheguemos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, à medida que amadurecemos até à plena estatura de Cristo.»
A fé como aceitação confiante nas cartas posteriores de Paulo
2 Tim 1:5 «Lembro-me da vossa fé sincera, que habitou primeiro na vossa avó Loide e na vossa mãe Eunice, e estou convencido de que também habita em vós.»
2 Timóteo 3:15 «que têm o poder de vos tornar sábios para a salvação, pela fé em Cristo Jesus.»
Tt 3:15 «Saúdem aqueles que nos amam na fé.»
A fé pode ser entendida de uma ou de ambas as formas
1 Cor 15:1-2, 14, 17 «Agora, irmãos, quero recordar-vos o evangelho que vos preguei, o qual recebestes e no qual permanecestes firmes. Por este evangelho sois salvos, se vos mantiverdes firmes na palavra que vos preguei. Caso contrário, teríeis acreditado em vão. (14) E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã, e também a vossa fé. Nesse caso, somos também desmascarados como falsas testemunhas de Deus. Pois testemunhámos a respeito de Deus que Ele ressuscitou Cristo dentre os mortos. … (17) E, se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é vã...» (Isto enfatiza as doutrinas da ressurreição de Cristo, bem como da morte de Cristo.)
Gálatas 3:7 «os que são da fé»
Gálatas 3:12 «a lei não é da fé»
Gálatas 3:23 «antes da vinda da fé»
Ef 1:15 «ao ouvir falar da vossa fé no Senhor Jesus»
Ef 2:8 «pela graça fostes salvos, por meio da fé»
2 Tim 2:18 «desviaram-se da verdade. … minam a fé de alguns»
Tt 1:4 «filho na nossa fé comum»
Assim, o autor não tentou apresentar qualquer fundamento para separar as cartas de Paulo, a não ser apelar aos estudiosos críticos, que não conseguiram demonstrar com sucesso qualquer base para tal distinção. No entanto, não bastaria demonstrar que existem diferenças; seria necessário demonstrar que essas diferenças são superiores ao que seria de esperar, tendo em conta um público diferente, temas distintos e uma fase posterior da vida de Paulo.
P: Em que consiste a crítica bíblica aos Evangelhos? Qual é o significado da crítica textual? Qual é a diferença entre a crítica elevada e a crítica inferior? Quais destes tipos são atualmente aceites?
R: Existem duas formas de crítica textual: a chamada «baixa» e a «alta». Veremos, em primeiro lugar, como estas se relacionam com o cristianismo e a Bíblia e, em seguida, aplicaremos esses mesmos conceitos ao Islão e ao Alcorão.
A crítica textual «baixa» da Bíblia reconhece que existem variantes manuscritas nas Escrituras e procura encontrar a versão mais precisa, uma vez que não dispomos dos originais. Temos bastante certeza quanto a 97% de cada palavra do Novo Testamento, e a maior parte do restante consiste em diferenças triviais de uma ou duas palavras que não alteram o significado. Pode consultar as incertezas entre os manuscritos do Novo Testamento em www.biblequery.org. Procure as «Perguntas e Respostas» sobre cada livro; na parte inferior encontrará uma ligação para as variações dos manuscritos. Por exemplo, as variantes em Mateus encontram-se em www.biblequery.org/Matthew Manuscripts.html (ou .doc).
A crítica textual superior da Bíblia destina-se aos céticos que questionam quais os livros ou partes que devem constar nas Escrituras. Os cristãos abordam as variantes das Escrituras de forma diferente dos muçulmanos, porque, para os cristãos, o que importa é o significado e não as palavras individuais. Já para os muçulmanos, são as palavras individuais e as consoantes que se revelam importantes.
O mundo muçulmano também possui crítica textual inferior e superior.
A crítica textual inferior do Alcorão consiste em determinar se as versões de Warsh ou de Hafs são as que mais se aproximam do árabe originalmente falado. Eis como se apresenta a «crítica textual inferior» no caso do Alcorão. Foram descobertas mais de 15 000 páginas de texto antigo do Alcorão no Iémen. De acordo com um artigo publicado na edição de janeiro de 1999 da revista *Atlantic Monthly* (p. 43-56): «Algumas das páginas de pergaminho do tesouro iemenita pareciam remontar aos séculos VII e VIII d.C., ou seja, aos dois primeiros séculos do Islão — eram, por outras palavras, fragmentos daqueles que talvez sejam os Alcorões mais antigos que existem. Além disso, alguns destes fragmentos revelaram pequenas, mas intrigantes, divergências em relação ao texto corânico padrão. Tais divergências, embora não sejam surpreendentes para os historiadores textuais, estão em contradição preocupante com a crença muçulmana ortodoxa de que o Alcorão, tal como chegou até nós hoje, é simplesmente a Palavra de Deus perfeita, intemporal e imutável.» Pode consultar algumas destas diferenças em www.QuranText.org
Crítica textual superior do Alcorão: eis dois exemplos comuns, além de um exemplo predominante.
‘Ubai bin Ka’b, um dos secretários de Maomé, possui suras adicionais e omite cerca de 12 suras do Alcorão atual (The Fihrist, p. 61, notas de rodapé 43-48). Abu Musa, de Basra, também possuía um texto idêntico ao de ‘Ubai. (Suyuti, Itqan I, p. 65; Ibn Abi Dawud, Masahif, pp. 180-181; ver também Noeldeke, Geschichte des Quran’s, pp. 33-38.)
A sura 114 está ausente na versão de Ibn Mas’ud (The Fihrist, p. 57). Ibn Mas’ud era secretário pessoal de Maomé. Maomé disse a outras pessoas para aprenderem o Alcorão com Ibn Mas’ud e com outros três. (Bukhari, vol. 6, n.º 521). A omissão das suras 113 e 114 não foi acidental. Relata-se que Ibn Mas’ud afirmou: «As duas suras amuletos [113, 114] não pertencem ao Livro de Deus!» [www.answering-islam.org/Quran/Text/distortion.html]
O que os muçulmanos designam por «versículos satânicos» encontra-se na Sura 53. De acordo com as fontes a seguir indicadas, Maomé recitou originalmente a Sura 53:19-20 da seguinte forma: «Vistes Lat, e ‘Uzza, e outra, a terceira (deusa), Manat? Estas são as grous exaltadas (intermediárias) cuja intercessão se espera.» (original) vs. «Já vistes Lat, e ‘Uzza, e outra, a terceira (deusa), Manat? O quê! Para vós, o sexo masculino, e para ele, o feminino? Eis que tal seria, de facto, uma divisão extremamente injusta.»
Eis alguns escritores muçulmanos antigos que documentaram isto.
Al-Wahidi/Wakidi (falecido em 207/823 d.C.) escreveu *Asbab al-Nozul*.
Ibn Sa’ad/Sa’d (falecido em 230/845 d.C.) tinha conhecimento da obra de al-Wahidi, mas era ele próprio um biógrafo que escreveu o Kitab al Tabaqat al Kabir, uma obra de 15 volumes.
Ibn Isaq/Ishaq (falecido em 145/767 ou 151/773 d.C.) era um sunita shafiita que mais tarde fundou a sua própria escola, de curta duração. Escreveu o «Sirat Rasullallah» (A Vida do Profeta de Alá)
Ibn Jarir al-Tabari (falecido em 923 d.C.) foi um sunita shafiita que escreveu uma «História Islâmica do Mundo» em 38 volumes, abrangendo o período até 915 d.C. Foi-lhe atribuído o título de «o xeque dos comentadores». Escreve no volume 6, pp. 108-110,
Abu Ma’shar, de Corassão (787-885 d.C.)
Ibn Abi Hatim
Ibn al-Mundhir
Ibn Hajar, de Asqalaan (773-852 A.H.)
Ibn Mardauyah
Musa ibn ‘Uqba
O famoso comentário de Zamakhshari sobre a Sura 22:52. (1070-1143 d.C.)
Os primeiros seis referem-se ao livro «The Book of the Major Classes», traduzido por S. Moinul ‘Haq.
P: Por que razão a crítica bíblica [supostamente] estava ausente na Igreja primitiva? Ou será que existiam questões e problemas críticos, como aqueles que encontramos na era moderna, mas que, na altura, tinham uma importância marginal?
R: Não era assim. Isto irá tanto responder a essa pergunta como compará-la com a situação no Islão. Para responder à pergunta, há três partes: a preocupação dos primeiros cristãos com o conteúdo das Escrituras, a sua preocupação com a exatidão das Escrituras e quais eram algumas questões críticas de importância diferentes das que temos hoje?
1. Conteúdo das Escrituras: Os cristãos tornaram-se profundamente conscientes da importância do conteúdo das Escrituras quando o herege Marcião começou a ter a sua própria Bíblia. Marcião faleceu por volta de 170 d.C. Eis o que Tertuliano pensava sobre o assunto. Note-se que se utilizava uma «esponja», semelhante à nossa borracha moderna, para remover a tinta.
Tertuliano (205 d.C.) «Pois, através da figura da permanência de uma aliança humana, ele defendia o testamento divino. “A Abraão foram feitas as promessas, e à sua descendência. Ele não disse: “às descendências”, como se fossem muitas; mas, como se fosse uma só: “à tua descendência”, que é Cristo.” Que vergonha para a esponja de Marcião! Mas, na verdade, é supérfluo insistir no que ele apagou.» Cinco Livros Contra Marcião, livro 5, cap. 4, p. 435
2. Transmissão das Escrituras. Os cristãos também se preocupavam com a exatidão das Escrituras. E tinham motivos para tal, pois os não crentes podiam (e de facto o faziam) falsificar certos trechos. Eis alguns exemplos.
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) afirma que os judeus citaram incorretamente o Salmo 96 porque omitiram a frase «da floresta». Na verdade, é Justino quem está em erro aqui, e o texto massorético hebraico não contém «da floresta». «Diálogo com Trifão, um judeu», cap. 73, p. 235
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) «Meus amigos, refiro-me agora às Escrituras tal como os Setenta as interpretaram; pois quando as citei anteriormente tal como as possuíam, estava a testá-los [para averiguar] qual era a vossa disposição.» Diálogo com Trifão, um judeu, cap. 87, p. 268
Irineu de Lyon (182-188 d.C.): «Esta interpretação [dos setenta] destas Escrituras foi feita antes da descida do nosso Senhor [à Terra] e surgiu antes do aparecimento dos cristãos — pois o nosso Senhor nasceu por volta do quadragésimo primeiro ano do reinado de Augusto; mas Ptolomeu viveu muito antes, sob cujo reinado as Escrituras foram interpretadas; —[uma vez que as coisas são assim, digo eu,] comprova-se, de facto, que esses homens são insolentes e presunçosos, que agora manifestam o desejo de fazer traduções diferentes, quando os refutamos com base nestas Escrituras e os obrigamos a acreditar no advento do Filho de Deus.» Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 21.3, p. 452
Caius (190-217 d.C.) afirma que os hereges falsificaram descaradamente as Escrituras. Cap. 3, p. 602 «Mas quanto àqueles homens que abusam das artes dos incrédulos para estabelecer a sua própria doutrina herética e, pela astúcia dos ímpios, adulteram a fé simples das Escrituras divinas, que necessidade há de dizer que estes não estão próximos da fé? É por esta razão que se atreveram a interferir nas Escrituras divinas, alegando que as corrigiram. E para que não se pense que afirmo isto falsamente contra eles, quem quiser pode verificar. Pois se alguém decidisse reunir e comparar todas as suas cópias, encontraria muitas discrepâncias entre elas. As cópias de Asclepiades, pelo menos, revelar-se-ão em desacordo com as de Teodoto. E existem muitas cópias desse tipo, porque os seus discípulos se empenharam ardentemente em inserir as correções, como lhes chamam, ou seja, as alterações introduzidas por cada um deles. Além disso, as cópias de Hermófilo não concordam com estas; e, quanto às de Apolónio, não são consistentes nem mesmo entre si. Pois pode-se comparar aquelas que foram anteriormente preparadas por eles com as que foram posteriormente corrompidas com um objetivo específico, e encontrar-se-ão muitas discrepâncias. E quanto à grande audácia implícita nesta ofensa, não é provável que nem mesmo eles próprios possam ignorar isso. Pois ou não acreditam que as Escrituras divinas foram ditadas pelo Espírito Santo, sendo assim infiéis; ou consideram-se mais sábios do que o Espírito Santo, e o que são então senão endemoninhados? Nem podem negar que o crime lhes pertence, uma vez que as cópias foram escritas pela sua própria mão; nem receberam tais cópias das Escrituras daqueles por quem foram inicialmente instruídos na fé, e não podem apresentar cópias a partir das quais estas tenham sido transcritas. E alguns deles nem sequer consideraram que valesse a pena corrompê-las; mas, limitando-se a negar a Lei e os Profetas em nome da sua doutrina sem lei e ímpia, sob pretextos de graça, afundaram-se no abismo mais profundo da perdição.»
Tertuliano (198-220 d.C.) afirma que os hereges corromperam as Escrituras. Em «Prescrição contra os hereges», cap. 17, p. 251.
Orígenes (235-245 d.C.) discute variantes manuscritas em «Homilias sobre Jeremias», homilia 14, cap. 3.1, p. 137, e homilia 16, cap. 10.1, p. 177
Orígenes (235-245 d.C.) discute uma variante na Septuaginta em Jeremias 16:17. «Homilias sobre Jeremias», homilia 16, cap. 5.2, p. 172
Orígenes (c. 227-240 d.C.) cita Ester 4:22 (Septuaginta) como «na Ester da Septuaginta», no seu «Comentário de Orígenes sobre João», livro 2, cap. 7, p. 330.
Metódio (270-311/312 d.C.) «Uma vez que, portanto, é claro, e todos atestam, que aqueles que nascem do adultério chegam à perfeição, não devemos imaginar que o Espírito estivesse a ensinar a respeito de conceções e nascimentos, mas sim, talvez, a respeito daqueles que adulteram a verdade, os quais, corrompendo as Escrituras com falsas doutrinas, geram uma sabedoria imperfeita e imatura, misturando o seu erro com a piedade.» «O Banquete das Dez Virgens», discurso 2, cap. 3, p. 314
3. Questões críticas: A Igreja primitiva enfrentava algumas questões diferentes das da Igreja moderna. Para ela, os aspetos fundamentais eram: como proteger o rebanho da perseguição severa, responder aos argumentos dos vários tipos de filosofia grega, responder a pelo menos trinta grupos gnósticos diferentes e demonstrar que o paganismo greco-romano e outros tipos de paganismo eram falsos.
A situação no Islão
No mundo muçulmano, analisemos a crítica ao Alcorão desde os tempos mais remotos, passando pelos estudiosos subsequentes, até aos dias de hoje.
Desde o início, ‘Aisha, uma das esposas de Maomé, mostrou-se preocupada com a exatidão. Sura 2:238: Abu Yunus, o escravo libertado de ‘Aisha, transcreveu uma cópia do Alcorão para ‘Aisha. Havia uma ligeira diferença na Sura 2:238. «Abu Yunus, o escravo libertado de ‘Aisha, disse: ‘Aisha (que Alá esteja satisfeito com ela) ordenou-me que transcrevesse uma cópia do Alcorão para ela e disse: Quando chegar a este versículo: «Cumpra as orações e a oração do meio» (2:238), informe-me; assim, quando cheguei a esse ponto, informei-a e ela ditou-me (da seguinte forma): Cumpra a oração, a oração do meio e a oração da tarde, e levante-se verdadeiramente obediente a Alá. ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: «Foi assim que ouvi do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele)» Sunan Nasa’i, vol. 1, n.º 475, p. 340
Bukhari, vol. 6, livro 60, cap. 9, n.º 8, p. 10: «‘Umar disse: “O nosso melhor recitador do Alcorão é Ubai e o nosso melhor juiz é ‘Ali; e, apesar disso, ignoramos algumas das declarações de Ubai porque ele afirma: “Não omito nada do que ouvi do Apóstolo de Alá”, enquanto Alá disse: “Qualquer versículo (Revelação) que abrogarmos ou fizermos esquecer, traremos outro melhor ou semelhante a ele” … (2:106)’”
O compêndio de literatura islâmica do século X, intitulado «O Fihrist» (p. 62), afirma: «De acordo com a declaração de Ubayy ibn Ka’b, o número total de versículos do Alcorão é de 6 210. O total de suras do Alcorão, de acordo com a declaração de ‘Ata ibn Yasar, é de 114; os seus versículos são 6 170, as suas palavras 77 439 e as suas letras 323 015. De acordo com a declaração de ‘Asim al-Jahdari, existem 113 suras. O número total de versículos do Alcorão, conforme indicado por Yahya ibn al-Harith al-Dhamari, é de 6 226, enquanto as suas letras ascendem a 321 530.» [A citação original apresentava os números por extenso.]
Atualmente, o Alcorão tem aproximadamente 78 090 palavras em árabe; consulte www.isos.org para mais detalhes. Em comparação com 77 439 palavras, isso representa uma diferença de, pelo menos, 651 palavras.
‘Ubai bin Ka’b, um dos secretários de Maomé, possui suras adicionais e omite cerca de 12 suras do Alcorão atual (The Fihrist, p. 61, notas de rodapé 43-48). Abu Musa, de Basra, também possuía um texto idêntico ao de ‘Ubai. (Suyuti, Itqan I, p. 65; Ibn Abi Dawud, Masahif, pp. 180-181; ver também Noeldeke, Geschichte des Quran's, pp. 33-38.)
Atualmente, existem dois textos árabes padrão, denominados Warsh e Hafs, e hoje em dia não parece haver grande preocupação com as pequenas diferenças. No entanto, historicamente, os muçulmanos manifestavam maior preocupação com alterações mais significativas no texto.
Eis alguns exemplos de diferenças entre Warsh e Hafs.
Sura 2:119 «e não pergunte!» (Narração de Warsh. Aprovada pelo Ministério dos Assuntos Religiosos e Doações da Argélia) vs. «e não lhe é perguntado» (Narração de Hafs. Complexo do Rei Fahd... Arábia Saudita) (www.QuranText.org/qiraat.html)
Sura 3:83 «são devolvidos» (narração de Warsh. Aprovada pelo Ministério dos Assuntos Religiosos e Dotações da Argélia) vs. «são devolvidos» (narração de Hafs. Complexo Rei Fahd... Arábia Saudita) (www.QuranText.org/qiraat.html)
Mas, para os cristãos, o que importa é a mensagem, não as palavras exatas. Assim, por exemplo, se um exército capturar uma cidade e tiver muitas mulheres cativas, devem perguntar-se: «Como é que Deus quer que eu seja santo e Lhe agrade?», e não: «Existe alguma incerteza quanto às consoantes?».
P: No Novo Testamento, por que razão devemos acreditar na Trindade, uma vez que a palavra não se encontra na Bíblia?
R: As palavras «Antigo Testamento», «Novo Testamento», «expiação» e «Ceia do Senhor» também não se encontram na Bíblia, mas acreditamos nesses conceitos igualmente. É melhor não discutir sobre palavras, mas sim analisar o que é ensinado. Se o conceito da Trindade for ensinado na Bíblia, devemos acreditar nele. Se o conceito da Trindade for contrário à Bíblia, não devemos acreditar nele. Concorda?
Para saber o que o conceito da Trindade implica, consulte a discussão sobre Mateus 28:19.
A título de nota adicional para os mórmons, o termo «progressão eterna» não consta do Livro de Mórmon.
Como nota à parte para os muçulmanos, embora o Alcorão contenha termos para designar o «um» (wahed, wihdanea, ahd, fard, wahdo), a palavra Tawheed (unicidade), um princípio teológico central no Islão, também não consta do próprio Alcorão. No entanto, tal como não se pode utilizar esse facto para provar ou refutar o Tawheed perante os muçulmanos, também não se pode utilizar a ausência de um termo teológico específico na Bíblia como prova ou refutação da Trindade. Outros conceitos muçulmanos que não constam do Alcorão são:
O Alcorão nunca afirma que Ismael esteve prestes a ser sacrificado por Abraão. Em vez disso, menciona um filho sem nome.
A ideia muçulmana moderna de que Maomé era isento de pecado não consta do Alcorão.
Para os muçulmanos sunitas, todo o conceito da Sunna e o seguimento dos hadiths aceites — alguns dos quais são reconhecidos pelos muçulmanos como contraditórios — não consta do Alcorão.
A ideia de que os não-muçulmanos devem ser mortos se vierem a Meca não consta do Alcorão.
A ideia de que os judeus devem ser expulsos de Meca/Arábia Saudita não consta do Alcorão.
Para os muçulmanos xiitas, todo o conceito de imãs — e a ideia de que basta, basicamente, obedecer ao imã para obedecer a Deus — está ausente do Alcorão. É claro que os martírios de ‘Ali e Husain não constam do Alcorão.
Nem a Bíblia nem o Alcorão contêm o termo «monoteísmo», mas o facto de não utilizarem essa palavra não prova, de forma alguma, que o monoteísmo esteja errado.
P: No Novo Testamento, de onde provém o termo «Trindade»?
R: A primeira pessoa de que temos conhecimento a utilizar o termo Trindade (Trias em grego) foi o bispo Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) na sua «Carta a Autólico», livro 2, cap. 15, p. 101.
Clemente de Alexandria também se referiu à «Santíssima Trindade» em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 5, capítulo 14, p. 468
Tertuliano (c. 213 d.C.) foi a segunda pessoa de que temos registo a utilizar o termo «Trindade» (Trinitas em latim), na sua carta Contra Praxeas.
Hipólito (225-235/6 d.C.), na obra Contra a Heresia de um certo Noeto, afirma: «E com isto Ele mostrou que quem quer que omitisse qualquer um destes, falhava em glorificar Deus perfeitamente. Pois é através desta Trindade que o Pai é glorificado.»
Orígenes (225-254 d.C.) menciona a Trindade no «Comentário sobre João», livro 6, cap. 17, p. 366.
Novatiano (250/254-256/7 d.C.), de Roma, escreveu um livro de 32 capítulos intitulado «Tratado sobre a Trindade».
Cipriano de Cartago (256 d.C.), após citar as palavras de Jesus em Mateus 28:18-19, afirma: «Ele [Jesus] sugere a Trindade, no cujo sacramento as nações deveriam ser batizadas.» «Cartas de Cipriano», Carta 72, cap. 5, p. 380.
Firmiliano de Cesareia da Capadócia, numa carta a Cipriano de Cartago (256 d.C.), menciona a Trindade. Epístolas de Cipriano, Carta 74, cap. 11, p. 393
O bispo Munnulus de Girba menciona a Trindade e cita Mateus 28:19: «… em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 567
Eucrácio, bispo de Tenae, cita Mateus 28:19: «… em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Sétimo Concílio de Cartago (258 d.C.), p. 568
Gregório Taumaturgo (240-265 d.C.), na obra «Declaração de Fé», p. 7, menciona o Pai e o Filho, e refere a «Trindade» três vezes.
Uma «Declaração de Fé por Secções» (c. 240-265 d.C.) (provavelmente da autoria de Gregório Taumaturgo, embora isso não seja especificado) menciona a Trindade no cap. 5, p. 41; cap. 7, p. 42; cap. 18, p. 45; cap. 20, p. 45
Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona a Trindade pelo nome duas vezes na «Carta 4», cap. 8, p. 93.
Dionísio, bispo de Roma (259-269 d.C.): «Pois estes [verdadeiros discípulos] sabem, de facto, com razão que a Trindade é proclamada na Escritura divina, mas que a doutrina de que existem três deuses não é ensinada nem no Antigo nem no Novo Testamento.» Dionísio de Roma, Contra os Sabelianos (ANF, vol. 7), cap. 1, p. 365
Metódio (270-311/312 d.C.) «Pois o reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo é um só, assim como a sua substância é uma só e o seu domínio é um só. Daí também que, com uma única e mesma adoração, adoremos a única Divindade em três Pessoas, subsistindo sem princípio, incriada, sem fim, e à qual não há sucessor. Pois nem o Pai deixará jamais de ser o Pai, nem o Filho deixará de ser o Filho e Rei, nem o Espírito Santo deixará de ser o que, em substância e personalidade, Ele é. Pois nada da Trindade sofrerá diminuição, seja no que diz respeito à eternidade, seja à comunhão, seja à soberania.» Oração sobre os Salmos, cap. 5, p. 397. (Ver também O Banquete das Dez Virgens, discurso 8, cap. 10, p. 338 e cap. 11, p. 339)
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) afirma que, ao terceiro dia após a Sua morte, Jesus ressuscitou, trazendo-nos o conhecimento da Trindade. Epístolas sobre a Heresia Ariana, Epístola 5, p. 302
Referência indireta em Justino Mártir (sua Primeira Apologia, 147-151 d.C.): «… e nós adoramo-Lo [Jesus] com razão, tendo aprendido que Ele é o próprio Filho do Deus verdadeiro, e colocando-O em segundo lugar, e o Espírito profético em terceiro, e iremos prová-lo.» Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 13, p. 166-167
Referência semelhante em Atenágoras (177 d.C.) «Quem, então, não ficaria surpreendido ao ouvir homens que falam de Deus Pai, de Deus Filho e do Espírito Santo, e que declaram tanto o seu poder em união como a sua distinção na ordem, serem chamados de ateus? Nem se limita o nosso ensinamento, no que diz respeito à natureza divina, a estes pontos; reconhecemos também uma multidão de anjos e ministros,…” Defesa dos Cristãos, cap. 10, p. 133
Referência quase completa em Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) (parcial) «o Criador e Senhor de todas as criaturas visíveis e invisíveis, o Filho unigénito e o Verbo coeterno com o Pai e o Espírito Santo, e da mesma substância que eles, segundo a Sua natureza divina, o nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, …» fragmento 5, p. 282
Conclusão: Estas referências, provenientes de Antioquia, Roma, Alexandria e outros locais, demonstram que o termo «Trindade» já era amplamente difundido mais de cem anos antes do Concílio de Nicéia, em 325 d.C.
Como nota à parte, um «quase acerto» é o facto de Inácio (falecido em 107 ou 116 d.C.), discípulo do apóstolo João, embora não utilize o termo «Trindade», referir-se frequentemente a Jesus como Deus. Na Segunda Carta de Inácio aos Efésios, capítulo 9, ele afirma: «E vós estais preparados para a edificação de Deus Pai, e sois elevados às alturas pelo instrumento de Jesus Cristo, que é a cruz; e sois puxados pela corda, que é o Espírito Santo; e a vossa roldana é a vossa fé, e o vosso amor é o caminho que conduz às alturas, até Deus» (Ante-Nicene Fathers, p. 101)
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), no seu «Diálogo com Trifão, o Judeu», capítulos 57-65, também apresenta uma explicação muito boa sobre a Trindade e sobre a razão pela qual devemos adorar Jesus, sem, na verdade, utilizar a palavra «Trindade».
P: O cético Bart Ehrman afirma: «Nos tempos de Jesus, havia muitos homens santos, tais como Hanina ben Dosa e Honi, o desenhador de círculos. Havia homens santos pagãos, como Apolónio de Tiana, um filósofo que, alegadamente, conseguia curar os doentes, expulsar demónios e ressuscitar os mortos. Alegadamente, teve um nascimento sobrenatural e, no fim da sua vida, ascendeu ao céu. Soa-lhe familiar? Havia semideuses pagãos, como Hércules, que também podiam ressuscitar os mortos.» (Jesus, Interrupted, p. 172)
R: Não conheço nenhuma referência antiga que afirme que Hércules pudesse ressuscitar os mortos. Não havia «muitos homens santos», apenas Hanina, Honi e Apolónio de Tiana. Maomé surgiu 600 anos mais tarde, e não seria adequado para a maioria dos muçulmanos que Jesus realizasse milagres e Maomé não realizasse nenhum. Assim, isto deixa apenas Hanina, Honi e Apolónio.
A única coisa que Honi fez foi rezar por chuva, traçar um círculo e dizer a Deus que não sairia do círculo até que chovesse. Por fim, choveu.
Eis uma lista dos milagres de Hanina. Embora estes milagres não possam ser verificados, mesmo que fossem verdadeiros, não se comparariam de forma alguma aos milagres de Jesus.
1) Hanina rezou por duas pessoas doentes, uma das quais tinha febre, e ambas recuperaram.
2) Certa vez, Hanina rezou para que a chuva parasse e esta parou imediatamente. Quando regressou a casa, rezou para que a chuva voltasse, e começou a chover novamente.
3) Hanina e a sua esposa não tinham pão, por isso ligaram o forno na mesma para que os vizinhos não soubessem. Quando um vizinho se aproximou, havia, milagrosamente, pão no forno.
4) A esposa de Hanina convenceu-o a pedir uma parte da sua recompensa eterna já, pelo que Deus fez descer uma perna de mesa dourada. A sua esposa teve então um sonho em que, no céu, as pessoas comiam em mesas de três pernas, mas a de Hanina tinha apenas duas; por isso, rezou para que Deus retirasse a perna, e Deus fez com que esta desaparecesse.
5) Uma mesa afastou-se de Hanina até que ele pagasse o dízimo das especiarias da comida.
6) O burro de Hanina nem sequer comia comida da qual não tivesse sido pago o dízimo.
7) Hanina queria levar uma pedra grande e polida para Jerusalém. Cinco trabalhadores apareceram misteriosamente para a transportar com ele por cinco moedas. Transportaram-na instantaneamente para Jerusalém e depois desapareceram.
O que é revelador em relação a Hanina é que estes milagres terão ocorrido durante o século I d.C. Estas histórias podem ter sido inventadas pelo povo judeu para contrariar os milagres de Jesus.
Não sabemos praticamente nada sobre Apolónio de Tiana, exceto o que o seu biógrafo, Flávio Filóstrato, escreveu por volta de 170 a 247 d.C. Foi encarregado de escrever esta biografia pela esposa de um imperador que tentava erradicar o cristianismo. Eis uma breve sinopse dos supostos milagres de Apolónio.
Apolónio vê as correntes de Prometeu e afugenta um duende. Mais tarde, em Éfeso, irrompe uma peste. Apolónio identifica um velho mendigo como o demónio da peste e diz aos habitantes da cidade para o apedrejarem até à morte. Ele conversa com o fantasma de Aquiles, exorciza um demónio, prevê acontecimentos futuros e salva um homem de uma vampira. Durante o reinado de Nero, um pergaminho que enumerava as acusações contra Apolónio é misteriosamente apagado. Mais tarde, ele leva a melhor sobre um sátiro etíope. Cura um homem do seu amor por uma estátua de Afrodite. Mais tarde, na prisão sob o reinado de Domiciano, Apolónio livra-se milagrosamente das suas algemas. Após ser absolvido, Apolónio viaja para a Ásia Menor, onde testemunha milagrosamente o assassinato de Domiciano. Ele deixa esta terra ascendendo a partir de um templo em Creta. Posteriormente, aparece a um homem num sonho, demonstrando que as almas são imortais.
Os cristãos foram perseguidos sob o reinado do imperador Septímio Severo em 202 d.C. Os primeiros mártires cristãos britânicos de que se tem conhecimento foram mortos em 209 d.C. Filóstrato foi membro da corte imperial romana de Septímio Severo a partir de 202 d.C. e acompanhou o imperador e a sua esposa até à Grã-Bretanha, onde o imperador combateu os pictos até à sua morte em 211 d.C. A esposa de Sétimo Severo, Júlia Domna, foi sua patrona até à sua morte, em 217 d.C. Ela encarregou especificamente Filóstrato de escrever uma biografia de Apolónio de Tiana, que viveu 150 anos antes. É muito provável que a obra tenha sido escrita para contrariar o crescimento do cristianismo. A história é toda contada através do caderno de Damis, discípulo e companheiro constante de Apolónio. Todos concordam que este «Damis» era inteiramente fictício. Portanto, uma biografia inventada para contrariar o cristianismo, contada através de um discípulo reconhecidamente fictício; estes factos foram irresponsavelmente ignorados por Ehrman ao tentar levantar dúvidas sobre os milagres de Jesus.
Quanto às provas manuscritas deste relato fictício, existem apenas 25 manuscritos conservados. O mais antigo data do século XI, o seguinte do século XII e os restantes dos séculos XIV a XVI, de acordo com o livro *A Ressurreição de Jesus*, p. 178.
P: Existiram escritos que se pensa serem do próprio Jesus? Penso ter ouvido falar de alguns que a Igreja condenou.
R: O Livro do Apocalipse é a «Revelação de Jesus Cristo», pelo que alguns consideram que é atribuído (verbalmente) a Jesus, embora, evidentemente, tenha sido o apóstolo João quem o escreveu. Temos de concordar com Efésios 2:20, que afirma que a Igreja está «edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo o próprio Cristo Jesus como pedra angular». O cristianismo «baseia-se no ensinamento de Jesus» através dos profetas e dos apóstolos (incluindo Paulo) que Jesus escolheu.
Para além do Apocalipse, nos meus estudos, não tenho conhecimento de quaisquer escritos antigos que afirmassem ter sido da autoria do próprio Jesus. Existem alguns escritos modernos que alegavam ser obras perdidas de Jesus, mas, evidentemente, a Igreja primitiva nunca os denunciou, uma vez que ainda não tinham sido escritos.
O que poderá estar a ter em mente é um conjunto de obras que alegavam ter sido escritas por vários apóstolos e outras que eram falsificações. Os gnósticos, em particular, utilizavam o Evangelho de Tomé, embora tivessem diferentes versões do mesmo. Além disso, eis uma lista parcial de outros livros que eram falsificações e que a Igreja rejeitou:
O Evangelho do Pseudo-Mateus (o seu nome moderno)
A História de José, o Carpinteiro
O Evangelho Árabe da Infância do Salvador
O Evangelho de Nicodemos
O Evangelho de Tomé (gnóstico) (140-200 d.C.)
O Relatório de Pôncio Pilatos
A Entrega de Pôncio Pilatos
Atos dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo
Atos de Paulo e Tecla
A Carta de Pôncio Pilatos relativa ao nosso Senhor Jesus Cristo = Os Atos de Pôncio Pilatos (que hoje já não existem, mas são mencionados por Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) e Tertuliano (198-220 d.C.))
Os Atos de Barnabé (diferentes da falsificação medieval conhecida como o Evangelho de Barnabé)
Os Atos de Filipe
Atos de André e Matias
Atos de Pedro e André
O Livro de João sobre o Falecimento de Maria
A Passagem de Maria
Um dos meus «favoritos» são os Atos de Pedro. Se bem me lembro, Pedro foi a uma estalagem e o seu quarto estava cheio de percevejos, o que o impedia de dormir, e ele tinha de pregar no dia seguinte. Assim, ordenou aos percevejos que saíssem do quarto, e estes obedeceram. Na manhã seguinte, abriu a porta e havia uma fila de percevejos à espera para voltar para o quarto. Pedro ordenou-lhes que voltassem para a cama, e assim o fizeram.
Uma das razões pelas quais podemos ter a certeza da autenticidade dos escritos, bem como dos ensinamentos e do caráter de Jesus, para além da Bíblia, são os primeiros cristãos.
Clemente de Roma escreveu uma carta aos Coríntios entre os anos 96 e 98 d.C. A sua mensagem fundamental era: «por que razão não estão a fazer o que Paulo vos disse para fazerem há 50 anos?» A carta de Clemente é muito perspicaz e é tão boa que alguns cristãos pensaram, erradamente, que deveria fazer parte das Escrituras. Não encontrei nada de falso na carta, exceto num ponto. Clemente parece acreditar que a lenda da fénix árabe — que vive mil anos, depois se incinera até à morte e renasce das cinzas — é verdadeira. Inácio também escreveu extensivamente e foi discípulo do apóstolo João. Papias foi outro discípulo do apóstolo João que escreveu muitos volumes; infelizmente, todos se perderam. Dispomos apenas de alguns excertos preservados por Eusébio de Cesareia (fl. 325 d.C.). O mártir Policarpo, bispo de Esmirna, foi outro discípulo do apóstolo João, e teve um discípulo, Irineu de Lyon (182-188 d.C.), que escreveu a obra «Contra as Heresias», documentando as mais de 30 escolas diferentes de gnósticos. Ele fez cerca de 1 800 citações e referências a todos os livros do Novo Testamento (exceto Filemom e 3 João) e os seus escritos demonstram que os livros do seu Novo Testamento eram os mesmos que os nossos hoje em dia.
Temos uma terceira categoria de literatura, que consiste em obras mais recentes que conseguiram ser consideradas genuínas aos olhos de alguns. Uma dessas coleções de obras denomina-se «As Falsas Decretais». Estas foram escritas no século IX, provavelmente com origem no reino franco. Afirmavam coisas como, por exemplo, que Pedro transmitiu as chaves do Céu a um «Papa» que lhe sucedeu. Outra obra é o Evangelho de Barnabé, que foi escrito por alguém que se pensa ter sido um monge descontente que se converteu ao Islão. Esta obra não reconhece que a cultura da época de Jesus não era a cultura da Itália na Idade Média, com cavaleiros, atacadores de sapatos e coisas do género. Além disso, embora contenha ensinamentos que os cristãos consideram heresia, contém também ensinamentos que o Islão ortodoxo consideraria igualmente heréticos. No entanto, uma vez que nele Jesus profetiza a vinda de Maomé após ele, ouvi dizer que é o livro religioso mais vendido em alguns países muçulmanos.
Embora a Igreja pós-apostólica primitiva não tenha «escrito» as Escrituras, estamos em dívida para com ela por nos ter ajudado a reconhecer o que constituía as Escrituras. Todos os livros do Novo Testamento foram referidos pelos escritores da Igreja primitiva, antes de 150 d.C., com a possível exceção de dois livros muito curtos: Filemom e 3.ª Carta de João.
Irineu, em *Contra as Heresias*, p. 428, capítulo 11, v. 8 (escrito entre 182 e 188 d.C.), afirma que, tal como as quatro regiões do mundo e os quatro ventos principais, não há nem menos nem mais do que quatro evangelhos. Noutro local, refere-os como Mateus, Marcos, Lucas e João.
P: O cético Bart Ehrman faz a afirmação infundada de que «Se Mateus, que escreveu cerca de vinte e cinco ou trinta anos depois de Paulo, alguma vez leu alguma das cartas de Paulo, certamente não as considerou inspiradoras, muito menos inspiradas.» Jesus, Interrupted, p. 89 «Paulo considerava que os seguidores de Jesus que tentavam cumprir a lei corriam o risco de perder a sua salvação. Mateus considerava que os seguidores de Jesus que não cumpriam a lei — e o faziam ainda melhor do que os judeus mais religiosos — nunca alcançariam a salvação.» Jesus, Interrupted, p. 90
R: Mateus, no seu Evangelho de Jesus Cristo, não escreveu sobre Paulo porque o seu tema era Jesus Cristo. Também se poderia apresentar um argumento igualmente ineficaz sobre o facto de Lucas, no seu evangelho, também não saber nada sobre Paulo — mas apenas se não soubéssemos nada sobre o livro dos Atos.
P: O cético Bart Ehrman escreve: «É uma surpresa para alguns leitores saber que este tipo de antijudaísmo não existia no mundo romano, grego ou em qualquer outro antes do advento do cristianismo e que, por conseguinte, se trata de uma invenção cristã. É certo que alguns autores romanos e gregos difamavam os judeus por causa de costumes que lhes pareciam bizarros… Mas os autores romanos e gregos difamavam todos aqueles que não fossem gregos ou romanos, e os judeus não eram alvo de discriminação. Até ao surgimento do cristianismo.» (Jesus, Interrupted, p. 244)
R: Esta afirmação, proferida por alguém reconhecido como um estudioso, é de facto bastante surpreendente. Isto seria certamente uma surpresa para os judeus mortos pelo selêucida Antíoco IV Epifânio, os judeus que viram o romano Pompeu profanar o Santo dos Santos em 63 a.C. Foram apenas os judeus que foram expulsos de Roma sob o reinado de Cláudio.
Ehrman está errado aqui de tantas formas que fico perplexo quanto ao motivo pelo qual comete um erro tão grave e ainda assim é considerado alguém com um domínio académico da história judaica antiga.
a) Os cristãos não eram mais anti-semitas do que eram «anti-italianos» ou «anti-gregos». Afirmar que uma religião não está correta não significa estar contra o povo. Por exemplo, houve 17 escritores cristãos pré-nicenos que escreveram que o judaísmo estava errado. (Isto sem contar com Clemente de Alexandria, que advertiu apenas contra os fariseus.) Mas houve 19 escritores cristãos pré-nicenos que escreveram que os deuses greco-romanos estavam errados. Dizer que algumas pessoas acreditam em algo que está errado não significa que as odeie ou que tenha preconceitos contra elas. Ehrman afirma que os cristãos conservadores estão errados. Mas será que a crítica aos cristãos conservadores significa automaticamente que alguém nos deve odiar? Se ele negasse isso, então não se poderia usar o argumento de que os judeus acreditavam no que estava errado para classificar isso como preconceito.
b) Não há casos de perseguição aos judeus por parte dos cristãos pré-nicenos. O primeiro caso de perseguição aos judeus por cristãos foi o do imperador Constantino, que encerrou de forma não violenta as sinagogas judaicas, bem como os templos pagãos, para incentivar os seus súbditos a frequentarem as igrejas em vez disso. Aparentemente, isso surtiu efeito em grande medida, e há quem afirme que o cristianismo ainda não se recuperou totalmente desde então.
c) Paulo e os outros amavam os judeus. Paulo afirma, em Romanos 10:1: «Irmãos, o desejo do meu coração e a minha oração a Deus pelos israelitas é a sua salvação.» Ele é ainda mais enfático, porém, em Romanos 9:1-4a: «Falo a verdade em Cristo; não minto, como o confirma a minha consciência no Espírito Santo. Tenho profunda tristeza e angústia incessante no meu coração. Pois desejaria eu próprio ser amaldiçoado e separado de Cristo pelo bem dos meus irmãos, a minha própria carne e sangue, o povo de Israel.» Através do seu exemplo, Paulo mostra-nos o amor que devemos ter pelo povo judeu. Quanto a qualquer alegado «estatuto de segunda classe» do povo judeu, Paulo opõe-se a isso em Gálatas 3:28: «Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.»
d) Já existia anti-semitismo antes dos romanos.
Não sei se Bart Ehrman conhece um imperador selêucida chamado Antíoco Epifânio. Antíoco tentou erradicar violentamente o judaísmo, e a revolta dos Macabeus foi a reação judaica a isso. O livro de Ester fala do anti-semita Hamã e do povo persa que concordou em matar os judeus.
e) Já existia anti-semitismo antes do cristianismo. Pôncio Pilatos foi nomeado para o seu cargo graças à influência do seu mentor, o anti-semita Sejano. Sejano foi executado por Tibério a 9 de outubro de 31 d.C. Pilatos, que governou entre 26 e 36 d.C., foi o quinto governador romano da Judeia desde 6 d.C., de acordo com o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 874.
f) Existia anti-semitismo por parte de não-cristãos. Um grego chamado Apion escreveu um livro intitulado «Contra os Judeus», e a «História» de Josefo foi, em parte, uma resposta ao livro de Apion.
P: Ehrman escreve: «Para Paulo, fé significava aceitar com confiança a morte de Cristo, a fim de ser colocado numa posição correta perante Deus. Trata-se de um termo relacional, que significa algo como “confiança”. Nas Epístolas Pastorais, a palavra tem outro significado: o conjunto de crenças e ideias que constituem a religião cristã (Tito 1:13). Não se trata de um termo relacional, mas sim de um termo que especifica um conjunto de ensinamentos cristãos, o conteúdo daquilo em que se deve acreditar — e é assim que o termo passa a ser utilizado em contextos cristãos posteriores. Assim, este é um exemplo de como as Epístolas Pastorais parecem ter origem num contexto posterior, não paulino.» (Jesus, Interrupted, p. 130).
R: Gálatas 1:23; Efésios 4:13 e outros versículos provam que Ehrman não sabe do que está a falar, por um lado, e 2 Timóteo 1:5; 2 Timóteo 3:15 e Tito 3:15 provam que Ehrman está errado, por outro lado. Paulo demonstra ambos os aspetos da fé tanto nas suas cartas (epístolas) mais antigas como nas suas cartas pastorais posteriores.
A. Fé no sentido de crenças doutrinárias:
A1. As epístolas mais antigas de Paulo (contrariamente ao que afirma Ehrman)
Gálatas 1:23 «Eles apenas ouviram dizer: “O homem que antes nos perseguia está agora a pregar a fé que outrora tentou destruir.”»
Ef 4:5 «um só Senhor, uma só fé, um só batismo»
(Ehrman concorda que os livros abaixo ensinam que a fé é um conjunto de crenças doutrinárias)
Ef 4:13 «até que todos cheguemos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, à medida que amadurecemos até à plena estatura de Cristo.»
A2. As epístolas pastorais de Paulo (Ehrman concordaria)
1 Tim 4:6 «…palavras de fé»
Tt 1:13 «Por isso, repreenda-os severamente, para que sejam sólidos na fé e não prestem atenção aos mitos judaicos nem aos mandamentos de homens que rejeitaram a verdade.»
Tt 2:2 «sólidos na fé»
Conclusão: Existem versículos em que «fé» significa «verdade» ou «doutrina», tanto nas primeiras cartas de Paulo como nas epístolas pastorais.
B. A fé no sentido de confiança em geral
B1. As epístolas mais antigas de Paulo (Ehrman concordaria)
Rom 1:17 «viverá pela fé»
Rom 3:25 «fé no Seu [de Jesus] sangue»
Rom 4: Abraão justificado pela fé
Gálatas 2:16 «justificados pela fé em Cristo»
Gálatas 3:2b «a pregação da fé»
Gálatas 3:8 «justificar as nações pela fé»
Gálatas 3:9 «os que têm fé»
Gálatas 3:11 «o justo viverá pela fé»
Gálatas 3:22 «promessa pela fé em Jesus Cristo»
Gálatas 3:24 «justificados pela fé»
Gálatas 3:25 «mas a fé que há de vir»
Gálatas 3:26 «pela fé em Cristo Jesus»
Gálatas 5:5 «esperança da justiça que provém da fé»
Ef 1:1 «fiéis em Cristo Jesus»
Ef 1:15 «a vossa fé no Senhor Jesus»
Ef 3:17 «para que, pela fé, Cristo habite nos vossos corações»
B2. As epístolas pastorais de Paulo (contrariamente ao que defende Ehrman)
2 Tim 1:5 «Lembro-me da vossa fé sincera, que habitou primeiro na vossa avó Loide e na vossa mãe Eunice, e estou convencido de que também habita em vós.»
2 Tim 3:15 «que são capazes de vos tornar sábios para a salvação, por meio da fé em Cristo Jesus.»
Tt 3:15 «Saudai aqueles que nos amam na fé.»
C. A fé pode ser interpretada de uma ou de ambas as formas
C1. As epístolas anteriores de Paulo
1 Coríntios 15:1-2, 14, 17 «Agora, irmãos, quero recordar-vos o evangelho que vos preguei, o qual recebestes e no qual permanecestes firmes. Por este evangelho sois salvos, se vos mantiverdes firmes na palavra que vos preguei. Caso contrário, teríeis acreditado em vão. (14) E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã, e a vossa fé também o é. Nesse caso, somos também desmascarados como falsas testemunhas de Deus. Pois testemunhámos a respeito de Deus que Ele ressuscitou Cristo dentre os mortos. … (17) E, se Cristo não ressuscitou, a vossa fé é vã...» (Isto enfatiza as doutrinas da ressurreição de Cristo, bem como da morte de Cristo.)
Gálatas 3:7 «os que são da fé»
Gálatas 3:12 «a lei não é da fé»
Gálatas 3:23 «antes da vinda da fé»
Ef 1:15 «ao ouvir falar da vossa fé no Senhor Jesus»
Ef 2:8 «pela graça fostes salvos, por meio da fé»
C2. As epístolas pastorais de Paulo (estas podem ser interpretadas de ambas as formas)
2 Tim 2:18 «desviaram-se da verdade. … minam a fé de alguns»
Tt 1:4 «filho na nossa fé comum»
P: Uma vez que Deus não possui um corpo físico, como pode Jesus ser o Filho de Deus? Os muçulmanos têm afirmado que este é um erro fundamental do cristianismo.
R: Os cristãos NÃO acreditam que Jesus fosse o Filho de Deus num sentido físico ou sexual grosseiro. Pelo contrário, este termo é uma expressão de um significado profundo sobre a forma como Jesus é diferente de todos os seres criados. Os muçulmanos xiitas têm um conceito ligeiramente semelhante. Quando dizem que ‘Ali é o dedo de Deus, não acreditam que Deus tenha dez dedos como as pessoas. Trata-se, antes, de uma expressão com um significado mais profundo para eles.
P: Sinto-me incomodado com uma resposta que deu na sua secção «Perguntas sobre a Bíblia», na qual afirma que Jesus é Deus, o que simplesmente não é verdade. Jesus nunca afirmou ser Deus. Ele é o Filho de Deus, o Messias. É errado induzir os outros em erro, pois está a comprometer a salvação deles. Por favor, leia estas passagens bíblicas e altere a sua resposta.
João 14:1-4 mostra uma diferença entre o Pai e o Filho.
Em Lc 18,19, o próprio Jesus afirma que ninguém é bom, a não ser Deus, quando alguém O chama de bom. Ele voltou a distinguir-Se.
Em Mc 13, 32 e Mt 24, 36, o próprio Cristo afirma que ninguém sabe quando chegará o fim, a não ser Deus, e nem mesmo Ele.
Em Mt 23, 8-10, o próprio Cristo estabelece uma distinção clara entre um mestre, um líder e o Pai.
Mateus 5:16 afirma que o Pai está no Céu.
Atos 4:12 afirma que a salvação é por meio de Cristo, mas foi Deus quem nos deu Cristo.
Hb 13,21; 1 Pe 2,19-25; 1 Jo 2,2-6 e 1 Jo 2,23 distinguem todos Deus e Cristo. Deus é o Pai, o Doador, o Criador. Cristo é o Messias, o Sacrifício, o Filho.
Em Êxodo 20:3, Deuteronómio 6:4-5 e Deuteronómio 32:39, Deus afirma que não deveis ter outros deuses além d’Ele. É pecado fazer de Cristo um deus ou chamar-Lhe «Deus». Deus é o único Deus e Cristo é o Messias. Ele é o Cordeiro de Deus. É o Filho de Deus, que foi criado para dar o exemplo do que deve ser uma pessoa perfeita. A humanidade precisava de um exemplo encarnado de perfeição e amor. Jesus é esse exemplo. Era um ser humano perfeito, dotado de conhecimento divino, e Deus habitava nele. Quando afirmou que «o Pai e eu somos um», referia-se ao facto de Ele habitar em Deus e Deus habitar em nós. Ele estava em união perfeita com Deus e foi-nos enviado para nos dar a conhecer que também nós poderíamos estar em união perfeita com Deus. Ele nunca afirmou ser o Pai celestial e é um grande pecado induzir os outros a pensar o contrário. Existem muitas passagens bíblicas que estabelecem uma enorme distinção entre Deus e Cristo; no entanto, não me lembro de ter lido em lado nenhum uma passagem em que Cristo tenha afirmado ser Deus.
R: Agradeço a sua mensagem franca. Certamente não quero induzir os outros em erro quanto à sua salvação. Espero que sejamos «perturbados» onde estivermos na falsidade e encontremos descanso quando concordarmos na verdade. Apresentou tantos pontos na sua breve mensagem. Gostaria de abordar os seus 11 pontos um a um, para que possamos ver em que pontos concordamos ou discordamos um do outro.
1. Não devemos ter outros deuses, tal como mencionou, conforme ordenam Êxodo 20:3; Deuteronómio 6:4-5; 32:39. Romanos 1:23,25 afirma que um dos pecados das pessoas ímpias era o facto de adorarem e servirem coisas criadas em vez do Criador. Não devemos adorar nem servir como se fosse Deus qualquer anjo ou outro ser criado. Partindo do princípio de que Jesus não era Deus e de que alguém chamasse a Jesus de Deus, concorda que isso seria um pecado muito grave?
2. O discípulo Tomé chamou a Jesus de Deus em João 20:28. Tomé foi mesmo mais longe do que isso. João 20:28 diz, de facto, que Tomé disse a Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!» Jesus respondeu a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste; bem-aventurados aqueles que não viram e, no entanto, acreditaram.» Jesus não dá qualquer indício de repreensão a Tomé. Na verdade, a única coisa remotamente negativa que Jesus disse é que aqueles que não viram Jesus pessoalmente e acreditam (nisto a respeito de Jesus) são mais abençoados do que aqueles que viram Jesus e acreditam nisto. Ora, ou
a) Tomé estava errado e pecou ao chamar Jesus de Deus, e talvez Jesus tenha pecado ao aceitar isso e não repreender Tomé, ou
b) Tomé estava certo, e Jesus estava certo ao confirmar o que Tomé disse.
Concorda que Tomé deve ter tido razão neste caso?
3. Distintos, mas não separados: Algumas coisas podem estar separadas, sem qualquer ponto em comum. Outras podem ser distintas, com algumas características diferentes e outras em comum. Por exemplo, as três folhas de um trevo são distintas, na medida em que constituem três lóbulos. No entanto, não estão separadas, porque estão unidas no meio. (Esta ilustração provém originalmente de Patrício da Irlanda, um crente verdadeiramente exemplar que viveu por volta do ano 400 d.C.) De qualquer forma, concordo que muitos dos versículos que o senhor menciona mostram, de facto, uma diferença entre o Pai e o Filho. Provar que o Pai e o Filho são duas pessoas distintas não significa que estejam totalmente separados. No mínimo, partilham um nome, pois somos batizados no nome (e não em nomes) do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme Mateus 28:19.
O escritor cristão Ambrósio de Milão (378-381 d.C.), na sua obra «Sobre o Espírito Santo», livro 1, capítulo 13, escreveu mais sobre a partilha dos nomes divinos. Consulte «Os Padres Nicenos e Pós-Nicenos», 2.ª Série, pp. 110-111, para mais informações.
a) Possuem a mesma natureza (Filipenses 2:6)
b) É-lhes devida a mesma honra (João 5:23)
c) O Pai e Jesus «possuem» tudo em comum. João 16:15; 17:10.
d) Na Terra, o Pai habitava em Jesus. João 10:38; 14:10-11.
e) Na Terra, Jesus estava no Pai. João 10:38; 14:11
f) Se realmente conhece Jesus, então conhece o Pai e já viu o Pai. João 14:7-9
g) Ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus. João 14:6; 6:45; ~8:24; Atos 4:12
h) Ambos são legitimamente adorados (Hebreus 1:6)
i) Ambos são legitimamente chamados de Deus (João 1:1; 20:28, Hebreus 1:8,9)
j) A ambos se dirigem orações (Atos 7:59-60)
k) Tudo no mundo foi criado por meio de ambos (João 1:3, 10; Colossenses 1:16)
l) A plenitude da divindade está em Jesus (Colossenses 1:19).
m) São um só em espírito, amor e propósito. Obedecer verdadeiramente a um é obedecer ao outro.
Assim, concorda que são distintos, mas que têm alguns pontos em comum em que não estão separados?
4. O pentecostalismo da Unidade está errado: O ponto anterior é importante, porque existe uma heresia chamada modalismo, da qual o pentecostalismo da Unidade é uma forma moderna, que ensina que o Pai, o Filho (Cristo) e o Espírito são idênticos em todos os aspetos. Os versículos sobre o batismo de Jesus, bem como os versículos que mencionou (João 14:1-4, Mateus 5:16, 1 João 2:23, etc.) provam que o pentecostalismo unitarista está errado. Penso que podemos concordar quanto a isso.
5. Cristo, o nosso Mestre, não refuta a Trindade: Discordo, em certa medida, da sua conclusão sobre Mateus 23:8-10, pois, uma vez que Cristo é o nosso Mestre, isso significa que devemos recusar-nos a aprender qualquer coisa do Espírito Santo ou do que Deus Pai revelou na natureza ou na Palavra de Deus? É claro que podemos concordar que não é esse o caso. No entanto, penso que estava a tentar reforçar o seu argumento de que existe uma diferença entre o Pai e o Filho, e eu já concordo com isso.
6. A salvação é uma obra de Deus! A propósito, com base em Atos 4:12 e 1 João 2:2-6, a nossa salvação é uma obra do homem ou uma obra de Deus? A nossa salvação é uma dádiva de Deus. Seria uma obra do homem, uma vez que Jesus era um homem, se Jesus fosse meramente um homem.
7. Jesus e Deus: Penso ter demonstrado suficientemente que, embora o Pai e Jesus sejam diferentes, isso não constitui um problema. No entanto, isto ainda não responde à distinção entre Jesus e Deus que Hebreus 13:20-21 e outros versículos revelam. (Não creio que 1 Pedro 2:19-25 demonstre isto, mas outros versículos sim, pelo que se trata de uma questão discutível.) Recorde-se que o termo elohim (Deus/deus) tem, pelo menos, quatro significados diferentes na Bíblia. Jesus reconheceu que havia mais do que um significado em João 10:34-39, onde cita o Salmo 82:6. Eis os significados na Bíblia:
Aqueles a quem se chama deuses, mesmo os ídolos. 1 Coríntios 8:5-6; Génesis 31:30,33
O Pai. Gálatas 1:1, Efésios 1:2-3, 17, Hebreus 1:9 (2.ª ocorrência), etc.
Jesus. Hebreus 1:9 (1.ª ocorrência); João 1:1, 18; Oséias 1:7; Isaías 7:14; 1 João 5:11, 12 vs. 21; Colossenses 2:9 e Mateus 1:23
O Espírito Santo. Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12, 13, 15-16; 1 Coríntios 3:16 em comparação com 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4
8. Versículos que demonstram que Jesus é Deus: O senhor afirma não se lembrar de nenhuma passagem bíblica em que Jesus tenha dito que era Deus. Além de Tomé o ter afirmado em João 20:28, o autor da Epístola aos Hebreus afirma-o em Hebreus 1:8,9, e o apóstolo João chama Jesus de Deus no final de João 1:1. O próprio Jesus afirmou ser Deus em João 8:58. Jesus respondeu: «Antes de Abraão ter nascido, Eu sou!». A expressão «Eu sou» era o nome divino de Deus. Ora, ou os judeus compreenderam corretamente a mensagem de Jesus quando pegaram em pedras para o apedrejar, ou então interpretaram mal a mensagem de Jesus. Concorda?
9. Só Deus é bom: Em Lucas 18:19, uma vez que o homem utilizou a palavra «bom» de forma tão casual e não reconheceu Jesus como Deus, Jesus questionou-o sobre o motivo pelo qual utilizava essa palavra «bom» com tanta liberdade. Jesus autodenominou-Se o Bom Pastor em João 10:11. O senhor próprio mencionou que Jesus era um exemplo de perfeição e amor, e um ser humano perfeito. Uma vez que Jesus era bom, e Lucas 18:19 não constituía uma negação de que Jesus fosse bom, Lucas 18:19 também não constituía uma negação de que Jesus fosse Deus. Concorda?
10. Jesus, enquanto esteve na Terra, não sabia quando regressaria. Em Marcos 13:32 e Mateus 24:36, observa-se que nem mesmo Jesus conhecia o momento em que regressaria. Isso é verdade no que diz respeito a Jesus — enquanto esteve na Terra. Filipenses 2:7-8 afirma que Jesus voluntariamente se esvaziou de si mesmo quando veio à Terra. Na Terra, Jesus não utilizou o seu próprio poder nem conhecimento, mas dependia de Deus Pai. Jesus chegou mesmo a orar para que a Sua glória Lhe fosse restaurada, em João 17:5.
11. Os primeiros cristãos ensinavam que Jesus também era Deus. É errado induzir os outros em erro quanto à verdade (ou falsidade) da divindade de Jesus. Seria de esperar que uma questão tão importante fosse esclarecida pelos apóstolos. O facto de Jesus ser Deus não é apenas «alguma novidade» inventada pelas pessoas modernas. Inácio, discípulo do apóstolo João, na sua carta a Policarpo (cap. 3), escreve sobre a segunda vinda do Senhor: «Procurem Aquele que está acima dos tempos, Aquele que não tem tempos, Aquele que é invisível, Aquele que, por nossa causa, se tornou visível, Aquele que é impalpável [além do toque], Aquele que é impassível [além da paixão], Aquele que, por nossa causa, sofreu, Aquele que tudo suportou, sob todas as formas, por nossa causa.» Assim, Inácio compreendeu que Deus, o Filho, era a manifestação visível e temporal do Deus Pai invisível e intemporal. Em Efésios 7, Inácio fala de Cristo como Deus Encarnado. Ele prossegue dizendo que Jesus «nasceu de Maria, bem como de Deus, primeiro sujeito ao sofrimento e depois além dele»
Da mesma forma, Hipólito (225-235/6 d.C.) também escreveu sobre isto. Eis o que afirmou em *Contra a Heresia de Noeto*, capítulo 14, p. 228. Diz-se: «Se, então, o Verbo estava com Deus e era também Deus, o que se segue? Não falarei, de facto, de dois Deuses, mas de um só; de duas Pessoas, contudo, e de uma terceira economia (disposição), a saber, a graça do Espírito Santo. Pois o Pai é, de facto, Um, mas há duas Pessoas, porque há também o Filho; e depois há a terceira, o Espírito Santo.»
Concorda que, para além da Bíblia, o ensinamento de que Jesus é Deus foi transmitido já na época dos discípulos dos apóstolos?
Por fim, se não me engano, penso ter respondido a todos os pontos que levantou. Por favor, informe-me se me escapou alguma coisa ou se considerou que a minha lógica estava errada em algum ponto. Concordo consigo que seria um pecado chamar a Cristo de Deus, se Cristo não fosse, de facto, Deus. No entanto, concorda que seria um pecado dizer que Cristo não é Deus, se, na realidade, Cristo fosse Deus?
P: Como é que o Pai, o Filho e o Espírito podem ser todos Deus, uma vez que o Antigo Testamento enfatizou tão veementemente que existe apenas um Deus?
R: Em primeiro lugar, a descrição completa da relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo não é apenas algo que Deus ainda não nos revelou, mas, mesmo que a tivesse revelado na íntegra, provavelmente estaria além da nossa compreensão. Imagine por um instante que existissem seres a viver num mundo bidimensional e que pudesse comunicar com eles. Como se descreveria? Para começar, poderia dizer que era algo que eles conseguiam compreender, mas não totalmente. Por exemplo, esticaria quatro dos seus dedos para dentro do mundo deles e diria que aqueles quatro círculos que viam estavam, na verdade, ligados. Os céticos desse mundo bidimensional poderiam percorrer cada um dos quatro círculos e, uma vez que os dedos não se ligavam de acordo com a compreensão deles, concluiriam que estava a mentir. No extremo oposto, outros poderiam dizer que, uma vez que estavam ligados, a distinção entre os quatro dedos era uma ilusão e que, na realidade, não tinha dedos distintos. Outros poderiam querer ter uma imagem de si, pelo que desenhariam imagens estranhas de quatro círculos, ou então quatro círculos ligados. Dir-lhes-ia para não se preocuparem com os desenhos, uma vez que estes não estariam nem de longe a representar-o adequadamente.
Podemos não ser capazes de compreender tudo sobre o Deus Trino, mas, felizmente, não temos de tentar. Apenas temos de aprender o que o Senhor revelou: existe apenas um Deus; devemos adorar, glorificar e orar apenas a Deus, e não a quaisquer criaturas que Deus tenha criado. No entanto, a Bíblia mostra tanto anjos como homens a adorar, glorificar e orar a Jesus, e que Jesus é adorado de forma adequada.
Eis um diagrama que poderá ajudar. Desenhe um círculo no centro, com a legenda «Deus». Desenhe três círculos à volta desse círculo, com as legendas «O Pai» no topo e «O Filho» e «O Espírito» em cada lado. Ligue cada um dos círculos exteriores ao círculo central utilizando três linhas. Identifique cada linha com «é». Ligue cada círculo exterior aos outros círculos exteriores e identifique as três linhas com «não é».
Tal como mencionei no meu e-mail anterior, por vezes, quando a palavra «Deus» é utilizada na Bíblia, refere-se a Deus Pai. Tal como o senhor salienta, quando Jesus orava a Deus, e no Jardim do Getsêmani, Jesus NÃO estava a orar a Si próprio. Acho um pouco curioso estar a ler a sua carta sobre este assunto neste preciso momento, porque há apenas dois dias estava a escrever um pequeno artigo em que mencionava o falso ensinamento do pentecostalismo da Unidade, no qual defendo exatamente o mesmo ponto de vista que o senhor. A palavra «Deus» significa, de facto, «Deus Pai» em muitos passagens da Bíblia, incluindo a expressão «o vosso Deus» em Hebreus 1:9, bem como a expressão «quando Deus» em Hebreus 1:6.
No entanto, a palavra «Deus» também significa «Deus, o Filho» em muitos passagens. Vejamos novamente Hebreus 1:8-9. Hebreus 1:8 diz: «Mas, a respeito do Filho, diz Ele: “O teu trono, ó Deus,…”».
Não creio que as pessoas tenham simplesmente começado a adorar Cristo por engano, pois os próprios anjos, que não têm pecado, adoraram o Cordeiro (Jesus) em Apocalipse 5:12, dizendo: «Digno é o Cordeiro, que foi imolado, de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e bênção!» Além disso, o apóstolo João tinha um discípulo, Inácio. Inácio deixou alguns escritos e, aparentemente, enfatizou o que lhe tinha sido ensinado: que Jesus era Deus.
Ora, na sua carta anterior, o senhor afirmou que Êxodo 20:3; Deuteronómio 6:4-5, 32:39 provam que não devemos adorar outros deuses. Na sua última carta, o senhor tem dificuldade em ultrapassar o ponto do Antigo Testamento em que se afirma que havia apenas um Deus. Bem, por favor, não ultrapasse isso. Agarre-se a essa verdade! No entanto, até o Antigo Testamento sugere que esta não é a conclusão da história. O Salmo 110:1 (o versículo do Antigo Testamento mais frequentemente citado no Novo Testamento) diz: «O SENHOR disse ao meu Senhor: “Senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um escabelo para os teus pés.”» (BSB) Quem é este «Filho», este «segundo» a quem também devemos chamar Senhor? É claro que se trata de Jesus.
Suspeito que o ponto em que se encontra confuso é o seguinte: quando as palavras «Deus» e «Senhor» são utilizadas na Bíblia, referindo-se ao Deus verdadeiro e ao verdadeiro Senhor, será que a Bíblia as utiliza sempre da mesma forma, ou serão estas palavras como «juiz» e «perfeito», que têm alguns significados diferentes dependendo do contexto? Enquanto pensar que «Deus» (quando não se refere a ídolos) tem sempre o mesmo significado, e que «Senhor» tem sempre o mesmo significado, ficará confuso ao ler certos versículos. Sugiro que «Deus» e «Senhor» tenham significados diferentes consoante o versículo.
Chegamos agora a um paradoxo. Uma vez que existe apenas um Deus a ser adorado, e os anjos e os homens adoraram devidamente a Jesus, como é que isso pode ser possível? A única resposta que aborda todos os «versículos que glorificam Jesus» é que Jesus é o Único Deus Verdadeiro digno de adoração.
Uma questão intimamente relacionada é o facto de a Bíblia afirmar que, para nós, existe apenas um Senhor (Efésios 4:5). No entanto, será que o nosso Senhor é Jesus Cristo (Romanos 10:9; 1 Coríntios 8:6; 12:3; João 20:25, 28), ou será que o nosso Senhor é o Espírito (2 Coríntios 3:17), ou será que o nosso Senhor é o Pai (Hebreus 7:21, 1 Pedro 1:25, etc.)?
1 Coríntios 7:35 diz que devemos ter uma devoção exclusiva ao Senhor. Significa isto que devemos dedicar-nos a Jesus e esquecer Deus Pai? — Claro que não. A única resposta é que Deus Pai é o nosso «Único Senhor», mas Jesus Cristo e o Espírito também fazem parte do nosso «Único Senhor».
Eis aqui outro paradoxo na Bíblia. Uma vez que Jesus é o Único Deus Verdadeiro, mas Jesus orou ao «Seu Deus», quem é o Deus digno da nossa adoração? Existem quatro possibilidades:
Apenas o Pai. Isto não pode estar correto, caso contrário, os anjos estariam errados ao glorificar Jesus, Estêvão estaria errado ao orar a Jesus, Tomé estaria errado ao chamar Jesus de «Meu Senhor e Meu Deus» e Jesus estaria errado ao não o corrigir.
Apenas Jesus. Isto não pode estar correto, caso contrário, Jesus orar a Deus [o Pai] e chamá-Lo de Deus estaria errado.
Ambos são Deus e existem, pelo menos, dois deuses. Isto não pode estar correto, pois Deus pretendia que o Antigo Testamento nos enfatizasse que existe apenas um único Deus verdadeiro.
Ambos são Deus e existe apenas um Deus Verdadeiro. Esta resposta é a mais difícil de aceitar, porque não existe uma analogia exata na Terra. A sua analogia entre si e os seus pais é válida até certo ponto, mas não me agrada, pois faz de «Deus» uma espécie de apelido de família, e acredito que os Três são Um de uma forma muito mais íntima do que isso. No entanto, o facto de não existir uma analogia perfeita para Deus na Terra não invalida esta resposta como sendo correta. Na verdade, nenhuma outra resposta que eu tenha visto faz mais do que «justificar todos os versículos bíblicos»; esta, pelo contrário, inclui todos os versículos bíblicos. O conceito da Trindade enfatiza a distinção entre os Três, enfatiza também a inseparabilidade dos Três e, ainda assim, enfatiza que existe apenas um Deus.
Há uma coisa que se pode dizer a favor dos deuses idólatras. Estes «pequeninos», pretensos deuses com caprichos mesquinhos e fraquezas bem humanas, são muito mais fáceis de compreender para o homem natural do que o Deus Santo e Todo-Poderoso que preenche os céus e a terra. Considero, de facto, que, ao longo do tempo, muitas pessoas se afastaram do que Deus revelou sobre Si mesmo na Bíblia. Eis outro diagrama para si. Desenhe um triângulo e identifique os três vértices como «Um Deus», «Três Pessoas» e «Natureza Igual». Agora, fora do triângulo, na linha oposta a «Um Deus», escreva a heresia oposta: «politeísmo». Da mesma forma, fora do triângulo, na linha oposta a «Três Pessoas», escreva «heresias da unicidade». Por fim, na linha oposta a «natureza igual», escreva «ebionitas». Os ebionitas foram uma heresia primitiva que tentou combinar os costumes judaicos com o cristianismo. Reconheciam Jesus como o Messias, mas não o reconheciam como Deus.
Agora, uma questão que precisa de ser levantada é a seguinte: dado que são inseparáveis em alguns aspetos e distintos noutros, em que medida são inseparáveis e em que medida são distintos?
São um no amor, no propósito e na obediência. Por outras palavras, não se pode obedecer a um enquanto se desobedece ao outro.
São um em nome, tal como já discutimos.
São um na natureza. Nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo são seres criados. À semelhança do facto de eu poder criar objetos, mas os meus filhos terem vindo de mim e da minha esposa, o Filho foi gerado pelo Pai, não criado por Ele.
Será o Pai maior do que o Filho? Temos de responder a essa pergunta em três contextos diferentes.
Natureza e Honra: O Pai e o Filho são co-iguais. Filipenses 2:6 mostra que têm a mesma natureza. João 5:23: «para que todos honrem o Filho, tal como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que O enviou.»
Na Terra, Jesus era inferior ao Pai. Jesus esvaziou-Se voluntariamente de grande parte da Sua glória (Filipenses 2:7; João 17:5). Jesus aprendeu a obediência (Hebreus 5:8), sentiu-Se cansado (João 4:6), não sabia tudo, como por exemplo a hora do Seu regresso (Mateus 24:36; Marcos 13:32), etc.
Mesmo no Céu, o Pai tem um papel mais importante do que o Filho. Por exemplo, no casamento, o marido e a mulher são iguais e têm o mesmo valor, mas têm papéis diferentes, e o marido tem o papel de líder a quem a mulher deve obedecer. Também numa família, os pais têm um papel diferente do dos filhos. Assim, mesmo no Céu, tal como um pai é a cabeça de um filho, Deus é a cabeça de Cristo. (Sim, Deus aqui refere-se a Deus Pai). (1 Coríntios 11:3) Deus Pai é também chamado de Deus de nosso Senhor Jesus Cristo em Efésios 1:17. Ainda não falámos muito sobre o Espírito até agora, mas o Espírito Santo tem o papel de interceder junto do Pai por nós (Romanos 8:26-27), e não o Pai a interceder junto do Espírito.
A propósito, alguém perguntou uma vez se a Trindade de Deus é apenas algo temporário. Depois de Satanás ser lançado no Lago de Fogo, a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito desaparecerá? A resposta é que as distinções dentro da Trindade são permanentes, porque Hebreus 13:8 diz: «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.» (BSB)
Agora sinto que o que Deus revelou sobre a Trindade me é claro, mas o importante é que seja claro para si. Uma coisa que poderá ajudar é certificar-se de que pratica a verdade que conhece. Uma vez que os anjos cantaram e louvaram Jesus em Apocalipse 5:9,10; 5:12; 7:10; 11:15, dedique algum tempo a cantar para Jesus, louvando-O. Uma vez que os anjos adoraram Jesus em Hebreus 1:6, os Magos adoraram Jesus em Mateus 2:11, os discípulos adoraram-No em Mateus 14:33, as mulheres adoraram Jesus em Mateus 28:9 e o cego adorou Jesus em João 9:38, também deve adorá-Lo. Por isso, adore Jesus tal como os anjos e outros o fazem, louve-O em cânticos, ore a Jesus (como Estêvão fez em Atos 7:59) e peça a Deus que o ajude a ver e a compreender tudo o que Deus revelou na Sua maravilhosa Palavra.
P: Quais são algumas das diferenças entre a cultura grega e a romana?
R: Os atletas gregos competiam sem roupa, eram muito tolerantes em relação ao comportamento homossexual e possuíam uma longa história cultural de Atenas e de outras cidades. Lutavam frequentemente entre si e nunca conseguiram realmente unir-se até que os macedónios (tecnicamente) não gregos os conquistassem a todos. Por outro lado, os romanos eram mais propensos a recorrer à tortura, menos preocupados com a justiça e admiravam a cultura grega, apesar de terem conquistado os gregos. Ambos tinham soldados corajosos, mas os romanos estavam mais inclinados a assimilar aqueles que os rodeavam e a criar um império unido.
P: Quantos versículos e palavras existem no Novo Testamento?
R: De acordo com Wick Allison, na obra «That’s In the Bible? — The Ultimate Learn-As-You-Play Bible Quiz Book» (Dell Trade, 1994), p. 18, o Novo Testamento da Versão King James contém 7 959 versículos e 198 000 palavras em inglês. Note-se que a Versão King James contém alguns versículos que não constam na maioria dos manuscritos gregos.
P: Quais são as evidências manuscritas do Novo Testamento?
R: Consulte a página sobre os manuscritos do Novo Testamento em http://www.BibleQuery.org/NewTestamentManuscripts.html para obter mais detalhes.
P: Quais foram os primeiros autores que se referiram ao Novo Testamento como «Novo Testamento»?
R: Aqui está a lista. Se um autor mencionar o Antigo Testamento, mas não o Novo, então está implícito que se trata do Novo Testamento. Se for apenas implícito, o nome não aparece em negrito e indica-se «Implícito».
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) menciona «como o Novo Testamento, que Deus anunciara anteriormente» em «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 51, p. 221.
Melito de Sardes (170-180 d.C.) (implícito) menciona o «Antigo Testamento». Isto implica a existência de um Novo Testamento. Fragmento 4 do Livro dos Extractos, vol. 8, p. 759
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) menciona o Novo Testamento e o Antigo Testamento em «Contra as Heresias», livro 5, cap. 34.1, p. 563. Também o menciona na p. 564.
O Cânone Muratoriano (c. 170 d.C.), cap. 3, p. 603, menciona o Antigo Testamento, o que implica a existência de um Novo Testamento.
Clemente de Alexandria (193-202 d.C.): «Pois Deus é a causa de todas as coisas boas; mas de algumas, principalmente, como do Antigo e do Novo Testamento»; *Os Estromata*, livro 1, cap. 5, p. 305
Tertuliano (c. 213 d.C.): «Ele é-nos claramente definido em todas as Escrituras — no Antigo Testamento como o Cristo de Deus, no Novo Testamento como o Filho de Deus.» Contra Praxeas, cap. 24, p. 620
Tertuliano (198-220 d.C.) menciona o Novo Testamento nos «Cinco Livros de Tertuliano Contra Marcião», livro 4, cap. 1, p. 346.
Hipólito (225-235/6 d.C.) refere-se ao Novo Testamento em «Fragmentos de Comentários», Comentário sobre Génesis 49:11, p. 165
Asterius Urbanus (c. 232 d.C.) «temendo que alguém possa pensar que estou a acrescentar alguma palavra ou preceito novo à doutrina do Evangelho do Novo Testamento», *O Exórdio*, vol. 7, cap. 1, p. 335
Commodiano (c. 240 d.C.) (implícito): «A primeira lei de Deus é o fundamento da lei subsequente. A vós, de facto, foi-vos designado acreditar na segunda lei. Nem as ameaças provenientes d’Ele próprio, mas sim dela, têm poder sobre vós. Agora, pasmados, jurem que acreditarão em Cristo; pois o Antigo Testamento proclama a seu respeito: Pois basta acreditar naquele que esteve morto, para poder ressuscitar e viver para sempre.» «Instruções de Comodiano», cap. 25, p. 207
Orígenes (225-254 d.C.) falou do Novo Testamento e afirmou que existiam apenas quatro evangelhos. Comentário de Orígenes sobre João (225-231 d.C.), livro 1, cap. 1, p. 299.
Orígenes (240 d.C.) refere-se ao Novo Testamento. Comentário sobre o Cântico dos Cânticos, prólogo, p. 56
Novaciano (250-257 d.C.) refere o Antigo Testamento e o Novo Testamento no seu «Tratado sobre a Trindade», cap. 7, p. 617. Refere igualmente a veracidade tanto do Antigo como do Novo Testamento no cap. 17, p. 627.
O «Tratado sobre o Rebatismo» (250/4-256/7 d.C.), capítulo 3, p. 668, menciona o Novo Testamento.
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona o Antigo Testamento, referindo-se a ele tal como o entenderíamos hoje, em muitos passagens. Ele afirma: «Que foi prometido outro Profeta como Moisés, a saber, alguém que daria um novo testamento e a quem se deveria dar ouvidos.» Em seguida, cita Deuteronómio 18:18,19 como «Deuteronómio». Tratados de Cipriano, Tratado 12, 18, p. 512
Dionísio de Roma (259-269 d.C.) afirma que a Trindade está presente nas Escrituras, mas que a doutrina de «três deuses não é ensinada nem no Antigo nem no Novo Testamento». Contra os Sabelianos, cap. 1, vol. 7, p. 365
Anatólio de Alexandria (270-280 d.C.) (implícitamente) refere-se ao «Antigo Testamento», o que implica a existência de um Novo. O Cânone Pascal de Anatólio de Alexandria, cap. 8, p. 148
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) menciona o Antigo e o Novo Testamento no seu «Comentário ao Apocalipse do Beato João», p. 345. Ele enumerou as cartas de Paulo como Romanos, Coríntios, Gálatas, Efésios, Tessalonicenses, Filipenses, Colossenses e Timóteo, e cita 1 Timóteo 3:15 no cap. 16, p. 345. Prossegue citando 1 Coríntios 15:53, na p. 346.
Metódio (270-311/312 d.C.) (implícito) «Apresentar-vos-ei, ó virgens, do Antigo Testamento, a profecia escrita no Livro dos Juízes, para mostrar que falo a verdade», «Banquete das Dez Virgens», Discurso 10, cap. 2, p. 348
Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) «E, para além da opinião piedosa relativa ao Pai e ao Filho, professamos um único Espírito Santo, tal como as Escrituras divinas nos ensinam; que inaugurou tanto os homens santos do Antigo Testamento como os mestres divinos daquilo a que se chama o Novo.» Epístolas sobre a Heresia Ariana, Carta 1, cap. 12, p. 296
Lactâncio (c. 303-325 d.C.) «e regulamentou todas as coisas relativas às instituições do Novo Testamento; e, tendo isto sido cumprido, uma nuvem e um redemoinho envolveram-No e levaram-No da vista dos homens para o céu.» A Maneira como Morreram os Perseguidores, cap. 2, p. 311
Eusébio (318-339/340 d.C.)
Após Nicéia
Hegemónio (século IV) refere que não existem nem dois Antigos Testamentos nem dois Novos Testamentos. (O cristão Diodoro está a falar) «Disputa com Manes», cap. 45, p. 220
Atanásio (367 d.C.) menciona o «Novo Testamento» na Carta Festiva 39 de Atanásio, cap. 5, p. 552
Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370 d.C.)
Efraim/Efrem (350-378 d.C.)
Basílio da Capadócia (357-379 d.C.) refere-se ao Novo Testamento na Carta 42, cap. 3, p. 144-145.
Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) menciona o Antigo e o Novo Testamento na Palestra 2.4, p. 8, e na 3.6, p. 15.
O Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 [ou 363] d.C.), no cânone 59, p. 158, menciona o Antigo e o Novo Testamento.
O Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), no cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, afirma que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.
Gregório de Nissa (382-383 d.C.) (implícito) menciona o Antigo Testamento na obra «Contra Eunómio», livro 11, cap. 5, p. 238.
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.) menciona o Antigo e o Novo Testamento na obra «Sobre a Fé Cristã», livro 1, capítulo 8.57, p. 210.
Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)
Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) menciona o Novo Testamento na obra «Sobre os Penitentes», cap. 4.1, p. 74
Dídimo, o Cego (398 d.C.), refere-se ao Antigo e ao Novo Testamento. «Comentário sobre Zacarias», capítulo 8, p. 201
Livro Siríaco dos Passos (Liber Graduum) (350-400 d.C.)
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona o Antigo e o Novo Testamento. «O Panarion», secção 3, escolios 1 e 5, p. 334
Comentário de Rufino sobre o Credo dos Apóstolos (374-406 d.C.)
João Crisóstomo (martirizado em 407 d.C.)
Sínodo de Cartago (393-419 d.C.)
Jerónimo (417-420 d.C.) menciona o Novo Testamento na carta 53.9 (394 d.C.), p. 101.
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona o Novo Testamento em «A Cidade de Deus», livro 17, cap. 4, p. 341; livro 17, cap. 6, p. 344
Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona o Novo Testamento no «Comentário aos Salmos», p. 405, 521, 531, 681
João Cassiano (419-430 d.C.) O Novo Testamento é referido pelo nome nas «Instituições» de João Cassiano, livro 1.1, p. 201, e na «Conferência do Abade Paphnutius», cap. 15, p. 327
Vicente de Lerins (c. 434 d.C.)
Sócrates (c. 400-439 d.C.) «História Eclesiástica» de Sócrates
Teodoreto de Cirro (423-458 d.C.)
Concílio de Calcedónia (451 d.C.)
Papa Leão I de Roma (440-461 d.C.)
Entre os hereges e os livros espúrios
Marino (c. 300 d.C.) (implícito), um bardesanita, ao debater com Adamantio, invocou o «Antigo Testamento» e referiu-se a David como profeta. Diálogo sobre a Verdadeira Fé, cap. 862a 20, p. 173
Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) refere-se nominalmente ao Novo Testamento, citando Mt 28, 2-3. Comentário sobre Zacarias, cap. 1, p. 331