P: Qual é o ponto principal do livro?
R: Rute é um dos cinco livros do Antigo Testamento denominados «Megilloth», que eram lidos durante as festas. O livro de Rute era lido durante a Festa das Semanas, ou Pentecostes. O Livro de Rute cumpre alguns objetivos fundamentais na Bíblia.
Historicamente, Rute mostra-nos a ascendência de David. Este é explicitamente um dos objetivos, de acordo com Rute 4:18-22. Rute faz parte da genealogia de José em Mateus 1:5.
Conceitualmente, as palavras «redimir» ou «redenção» (ga’al) aparecem 23 vezes no livro, e este conceito viria a ser útil mais tarde, quando o Messias viesse.
O livro «735 Perguntas Bíblicas Desconcertantes Respondidas», na página 98, salienta que a perspetiva de Rute também serve como contrapeso às imagens trágicas do livro de Juízes.
P: Em Rute, qual é o valor literário do livro?
R: Para além do valor espiritual, Rute é também um excelente exemplo de literatura. O «The Believer’s Bible Commentary», pp. 287-288, relata o seguinte.
Certa vez, quando Benjamin Franklin se encontrava na corte francesa, ouviu alguns aristocratas franceses a menosprezarem a Bíblia. Embora Benjamin Franklin não fosse cristão, valorizava a Bíblia como obra literária, pelo que fez o seguinte. Franklin escreveu à mão a história de Rute, substituindo todos os nomes por nomes franceses. Depois, leu a história aos aristocratas. Estes perguntaram-lhe: «Mas onde encontrou esta joia da literatura, Monsieur Franklin?» Franklin respondeu: «Vem daquele livro que tanto desprezam, a Sainte [Sagrada] Bíblia!»
P: Qual é o resumo do Livro de Rute?
R: Rute 1:1-5 O regresso, após ter fugido para Moabe
Rute 1:6-22 Volte para trás, a menos que deseje verdadeiramente a bênção
Rute 2: Rute espiga e vê Boaz
Rute 3: A visita à eira
Rute 4:1-12/17 A redenção de Rute e como Deus pode guiar
Planear, reivindicar, comprometer-se e antecipar a redenção
Rute 4:13/18-22 O nascimento alegre de um filho e uma linhagem real
P: Em Rute e em Dt 23:3, Rute não seria excluída da assembleia do Senhor?
R: Primeiro, alguns antecedentes e, em seguida, duas respostas possíveis.
Contexto: Uma das razões para esta restrição era evitar que as crianças meio-israelitas crescessem a adorar outros deuses. O marido israelita de Rute desobedeceu à lei quando se casou com Rute, a moabita. No entanto, Deus pode utilizar até mesmo a desobediência no Seu plano. Para além disso, os cristãos dividem-se entre duas respostas.
Sim, Rute seria excluída da assembleia, mas mesmo que alguém tivesse este estatuto inferior e fosse excluída da assembleia, poderia ainda assim adorar a Deus e segui-Lo. Por vezes, os cristãos são excluídos de algumas oportunidades de ministério devido ao pecado (divórcio do cônjuge, etc.), ou simplesmente porque as pessoas a quem se dirigem têm preconceitos contra a sua nacionalidade. Mas podem ainda assim servir a Deus numa nova função que Ele lhes tenha agora atribuído.
Não: «O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus» (Rute1:16 ). Se uma pessoa fosse classificada como uma das «pessoas estrangeiras que se unem ao SENHOR» (Isaías 56:6), tal como Rute, então seria israelita por adoção. De facto, o rei David era bisneto de Rute (três gerações), de acordo com Rute4:21 -22, Mateus 1:5-6 e Lucas 3:31-32. Da mesma forma, Isaías 56:3 afirma que os estrangeiros que se uniram ao Senhor não serão excluídos do Seu povo.
Um último ponto é que, nestes tempos sombrios em Israel, tanto Rute como os aldeões poderiam não ter conhecimento desta restrição. Por vezes, Deus até se serve da nossa ignorância. Por exemplo, os israelitas celebraram um tratado com os gibeonitas em Josué 9.
P: Em Rute 1, terá este livro sido escrito no século V para tentar contrariar a proibição de Neemias de casar com não-judeus, como afirma o «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 265?
R: Não, Asimov está a fazer uma afirmação sem qualquer prova. Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. O facto de Boaz ser um antepassado de David, cujo reinado teve início por volta de 1010 a.C., foi também registado posteriormente numa narrativa histórica: 1 Crónicas 2:11-12.
2. Embora não saibamos exatamente quando o livro de Rute foi escrito, é muito provável que tenha sido redigido antes da morte de David, uma vez que não faz qualquer menção ao seu famoso filho, Salomão.
3. Além disso, o facto de Rute ser moabita explica o que, de outra forma, seria um mistério: quando a situação se tornou difícil, David levou os seus pais para Moabe em busca de refúgio, conforme 1 Samuel 22:3-4.
4. Por fim, o autor não parece inclinado a inserir factos próprios. Em Rute 1:7, teria sido fácil referir simplesmente o nome de uma cidade em Moabe. No entanto, o autor limitou-se a dizer que Noemi «deixou o lugar onde vivia». O autor não pretendia indicar-nos onde Noemi vivia em Moabe, uma vez que, aparentemente, ele próprio não o sabia.
Poder-se-ia argumentar que não temos quaisquer provas, exceto o que as pessoas escreveram em Rute e em 1 Crónicas. Embora isso seja verdade, não temos provas de nada na história para além dos artefactos e do que as pessoas escreveram. Por exemplo, não temos provas de que Júlio César tivesse sequer uma mãe (terá ele nascido de um ovo?) para além do que as pessoas escreveram. Da mesma forma, não temos provas de que David tivesse uma bisavó, para além do que as pessoas escreveram.
P: Em Rute 1:1, será que Elimeleque era pobre por causa da fome, ou será que Noemi estava «abastada», como diz Rute1:21 ?
R: Não é necessário ter muito dinheiro para ter uma vida familiar rica. Eles partiram de Judá devido à fome. O facto de Noemi partir «plena» em Rute 1:21 refere-se ao facto de ela ter o marido e dois filhos, que mais tarde faleceram. As pessoas podem ser economicamente pobres, mas ainda assim ter uma vida plena. Consulte «Dificuldades na Bíblia», pp. 335-336, para obter essencialmente a mesma resposta.
P: Em Rute 1:1, por que razão as pessoas abandonam o que Deus lhes deu em troca de algo melhor?
R: Como diz o ditado, «a relva é mais verde do outro lado da cerca». Moabe, a leste do Jordão, possuía terras férteis a leste do Mar Morto. Mais tarde na história, Mesha, rei de Moabe, poderia ser chamado de «rei das ovelhas», uma vez que a terra era tão propícia à criação de ovelhas.
Deus disse tanto a Moisés como a Josué que tinha dado a terra de Canaã aos israelitas. Embora muitas pessoas em Belém não vissem necessidade de partir devido à fome, Elimeleque decidiu que se sairia melhor por conta própria, indo para pastagens mais ricas que não eram aquilo que Deus lhes tinha dado.
Por vezes, as pessoas têm tantas distrações — quer se trate de entretenimento, de coisas sobre as quais nada podem fazer ou de pormenores insignificantes — que não têm tempo para refletir se estão realmente a viver da forma que desejam.
Hoje em dia, os crentes que afirmam acreditar em Deus têm de se colocar uma segunda questão: acreditam realmente que o caminho de Deus é o melhor caminho? Acreditam realmente que, no fim de contas, serão mais felizes se se mantiverem dentro do que Deus lhes reservou, ou caem na tentação de pensar que podem ser mais felizes se procurarem algo «extra», para além do que Deus lhes destinou?
P: Em Rute 1:2, por que razão os habitantes de Belém eram chamados de efrateus?
R: Isto deve-se ao facto de existirem duas cidades chamadas Belém, e de terem nascido na cidade do sul. A cidade do sul chamava-se Belém-Efrata, como mostram Génesis 35:19, 1 Samuel 17:12 e Miqueias 5:2.
P: Em Rute 1:2, Belém, e não Moabe, era o lugar onde Deus os abençoaria. De que formas é que podemos não estar hoje no lugar da bênção de Deus?
R: Por vezes, colocamos outra coisa à frente do lugar onde Deus quer que estejamos. Além disso, por vezes fazemos isso em nome do serviço a Deus. Já ouvi falar de vários casos em que homens, quer estejam no exército quer não, se alistam ou aceitam um emprego sabendo que ficarão separados das suas esposas durante alguns anos, com apenas visitas ocasionais. Isto coloca uma grande pressão sobre o casamento, o que frequentemente leva ao seu fracasso. Estar longe de casa constantemente, ou pelo menos todos os dias úteis, também pode prejudicar a sua capacidade de criar bem os seus filhos. Antes de decidir fazer isso — seja para ganhar mais dinheiro para sustentar a sua família, para pagar os estudos universitários dos seus filhos ou para oferecer mais ao Senhor —, certifique-se de perguntar: «Deus, quer realmente que eu faça isso?»
Uma segunda possibilidade é que possamos amar a Deus e querer servi-Lo, mas tenhamos algum vício que amamos tanto que simplesmente não queremos abdicar dele. Queremos servir a Deus e, ao mesmo tempo, manter um vício. Mas isso não funciona assim.
Uma terceira forma consiste em comprometer-se, fazendo algo que não é ético ou legal para ganhar mais dinheiro. Mesmo que doemos parte dos nossos ganhos ilícitos à igreja, Deus não quer que se ofereça dinheiro proveniente dessas fontes.
Uma quarta forma, que pode arruinar os casamentos dos pastores, é dedicar tanto tempo a ministrar aos outros que se negligencia o tempo e o carinho que Deus deseja que dedique ao seu cônjuge e aos seus filhos.
P: Em Rute 1:2, os nomes Mahlon (que significa «doença») e Chilion (que significa «consumir») são mais adequados para a ficção, como afirma o «Guia de Asimov para a Bíblia», pp. 263-264?
R: Poder-se-ia conjecturar que estes não teriam sido necessariamente os seus nomes originais, mas sim os nomes pelos quais vieram a ser chamados posteriormente, após a sua morte.
No entanto, uma resposta mais provável encontra-se ao estudar culturas não ocidentais. Os israelitas, tal como muitos africanos ainda no século XX, davam nomes cujo significado se baseava em acontecimentos atuais, fossem eles bons ou maus. Assim, se os filhos tivessem nascido em tempos difíceis, seria natural que os israelitas lhes dessem nomes adequados.
Como prova disso, Raquel deu ao seu filho o nome de Ben-Oni (filho da minha dor) quando estava a morrer, em Génesis 35:18, e a esposa de Fineias deu ao seu filho o nome de Ichabod (sem glória, ou a glória partiu) quando estava a morrer, em 1 Samuel4:19 -20. Deus ordenou a Oséias que batizasse o seu primeiro filho Jezreel, em referência ao massacre de Jezreel, a sua filha Lo-Ruhama (não amada) e o seu segundo filho Lo-Ammi (não é o meu povo). Deus ordenou a Isaías que batizasse o seu filho Maher-Shalal-Hash-Baz (rápido para a pilhagem, veloz para o saque) em Isaías 8:1-4.
Em conclusão, não era invulgar que as pessoas recebessem nomes inspirados na época em que viviam, mesmo em tempos difíceis. No que diz respeito aos meus filhos, porém, penso que me vou cingir a nomes mais simples.
P: Em Rute 1:4, terão eles agido corretamente ao casarem-se com mulheres moabitas?
R: Independentemente de terem agido corretamente, a Bíblia limita-se a registar o que estas pessoas comuns fizeram. Tal não seria sensato, uma vez que os filhos dos moabitas seriam excluídos da congregação religiosa.
P: Em Rute 1:1-5, Deus concede-nos bênçãos quando O esperamos e fazemos a Sua vontade. Como aconselharia um crente que está a pensar contornar isso, procurando prover o seu próprio sustento à margem de Deus?
R: Acha mesmo que sabe melhor do que Deus o que lhe trará felicidade, sem que isso resulte em maior arrependimento e tristeza? A maioria das pessoas vive felizmente alheia a toda a angústia, miséria, tristeza, luto (e tempo na prisão) de que se poupou ao evitar praticar o mal. Quer mesmo passar por essas coisas horríveis? O caminho de Deus é o melhor caminho, e pode aprender isso da maneira mais fácil ou da maneira mais difícil.
P: Em Rute 1:6, o que significa que «o Senhor tinha cuidado do Seu povo, providenciando-lhes alimento»?
R: À primeira vista, a resposta é simples: a fome tinha terminado. No entanto, não é claro se
a) a fome foi causada pela falta de chuva, ou
b) a fome foi causada por pilhagens e guerra, e Deus os tinha libertado dos seus opressores.
Seja como for, o que importa é que a fome tinha acabado.
P: Em Rute 1:6-18, por que razão Noemi tentou persuadir as suas duas noras a não regressarem com ela?
R: Em Rute 1:6, ambas as noras tinham inicialmente a intenção de acompanhar Noemi. Podemos supor que ela provavelmente considerou que isso não seria o melhor por duas razões.
Do ponto de vista financeiro, ela não tinha meios para sustentar as suas duas noras. Parecia que estas teriam mais hipóteses de casar, ou pelo menos de encontrar apoio entre os seus parentes de sangue em Moabe. A fome e a inanição eram realidades muito graves.
Espiritualmente, não fazia sentido elas virem para Israel, se não fossem adorar o Único Deus Verdadeiro.
Rute renunciou voluntariamente à perspetiva de segurança e felicidade com um novo marido moabita em troca da incerteza de ficar com uma mulher idosa. Sem filhos, Noemi não teria meios de sustento financeiro. Que promessa tinha Rute? Noemi deixou claro a Rute que não havia qualquer promessa, garantia ou qualquer outra coisa. Noemi queria ter a certeza de que Rute sabia o que estava a decidir.
Este é, pelo menos, o quarto exemplo na Bíblia de alguém que faz parte do povo de Deus por sua própria escolha ativa, em vez de simplesmente por nascimento. Consulte também a discussão sobre Rute 1:15 para mais informações.
P: Em Rute 1:6-18, quando é que se diz a alguém para «voltar para os seus deuses»?
R: Se essa pessoa nunca abandonou os seus deuses, pode-se salientar qual é a sua decisão atual. Um verdadeiro cristão «não pode voltar para os seus deuses» (no plural), porque, independentemente do seu passado pré-cristão, esses ídolos já não são os seus deuses.
P: Em Rute 1:7, o que diria a um crente que cometeu um grave erro e agora deseja arrepender-se e voltar para Deus?
R: Veja a história do filho pródigo. Quando ele decidiu regressar (sem dúvida ajudado pelo facto de estar sem dinheiro e com fome), o seu pai idoso correu imediatamente, cheio de alegria, ao seu encontro. É assim que Deus nos acolhe de volta. Quando se arrepende e regressa, não é uma espécie de «cristão de segunda classe», mas sim um servo de Deus tal como qualquer outra pessoa. Embora possa haver algumas funções para as quais já não esteja qualificado, como ser ancião ou diácono, continuam a existir muitas formas de servir a Deus. Não perca a alegria e as oportunidades por adiar o seu regresso!
P: Em Rute 1:10, as duas jovens queriam ficar com Noemi depois de esta lhes ter dito inicialmente para regressarem. Como podemos cultivar uma atitude cativante, para que as pessoas queiram estar connosco?
R: Nesta altura, Rute relacionou-se com o Deus de Noemi por intermédio desta. Através de Noemi, Rute ansiava por conhecer o Deus de Israel. Em geral, demonstre um interesse genuíno pela outra pessoa e pelo seu bem-estar. Preocupe-se com ela e expresse isso. Dedique-lhe tempo, regozije-se com as suas vitórias e solidárize-se com ela nas suas derrotas.
P: Em Rute 1:11, em que circunstâncias faria sentido recusar a bênção de Deus?
R: Para alguém que não deseja receber a bênção de Deus, não adianta tentar sem convicção, nem aproximar-se de Deus impondo condições que Ele tenha de cumprir.
Se não tenciona obedecer a Deus, é melhor não saber qual seria a vontade e a bênção de Deus do que saber e virar-Lhe as costas. Leia sobre o grave erro que o povo cometeu ao pedir a Jeremias que solicitasse a Deus que respondesse à sua pergunta, em Jeremias 42:19-22.
Para um cristão obediente, pode haver um lugar feliz e agradável que Deus deseja que deixemos para pregar àqueles que mais precisam de ouvir a mensagem. Isto não significa afastar-se da bênção de Deus (isso seria afastar-se para ficar), mas, por vezes, pode parecer assim naquele momento.
P: Em Rute 1:12-13, a própria Noemi estava a lidar com algumas dificuldades, referindo-se a si própria como amarga. Por que razão Noemi pensou que a mão de Deus estava contra ela?
R: Noemi continuava a seguir Deus, mas com a fome e a morte do marido e dos dois filhos, e sem esperança de descendentes, tinha definitivamente vivido circunstâncias melhores. No entanto, apesar de Noemi estar errada ao sentir-se amarga e ao dizer às pessoas que se sentia assim, continuava, de qualquer forma, a ter esperança em Deus e a servi-Lo.
Consulte também a análise sobre Rute 1:20 para saber mais sobre a sua reação.
P: Em Rute 1:13 e 1:20, as palavras aramaicas presentes no livro de Rute indicam que este foi escrito no século V?
R: Não. O cético «Asimov’s Guide to the Bible», na página 262, chegou mesmo a afirmar que foi escrito no século V a.C. A seguir, iremos discutir, em primeiro lugar, por que razão as supostas palavras aramaicas não são relevantes e, em segundo lugar, por que razão é provável que tenha sido escrito mais cedo.
1. «Lahen», em Rute1:13 , significa efetivamente «portanto» em aramaico, mas também significa «a eles» em hebraico. «Mara», em Rute 1:20, está escrita à maneira aramaica, mas o hebraico tem um som idêntico e difere apenas ligeiramente na grafia. É claro que, à medida que o livro foi sendo copiado ao longo dos anos, os escribas que conheciam aramaico poderiam facilmente ter introduzido essa segunda alteração.
2. O autor Gleason Archer também salienta que o livro foi provavelmente redigido entre a época de David e a de Salomão. Embora David não faça parte da história, foi especificamente mencionado. Salomão provavelmente também teria sido mencionado, se estivesse a reinar na altura em que o livro foi redigido. Além disso, o livro de Rute mostra claramente um período anterior ao em que os moabitas passaram a odiar os israelitas devido à sua constante subjugação.
P: Em Rute 1:15, por que razão Noemi disse a Rute para regressar aos seus deuses [moabitas], tal como a sua cunhada fez?
R: Nesta situação, Noemi poderia ter sabido o que estava a fazer. Noemi pressionou Rute para que esta se mantivesse firme na sua decisão. Noemi não queria que Rute a acompanhasse por razões financeiras ou emocionais. Fazer com que Rute afirmasse querer servir o Deus Vivo também não serviria de nada, se isso fosse apenas um pretexto. Esta conversa mostra que não se tratava de um pretexto e que foi definitivamente Rute, e não Noemi, quem quis seguir o Deus de Noemi.
Por vezes, no evangelismo atual, precisamos de dar às pessoas espaço para tomarem a sua decisão e de lhes permitir perceber que a decisão é, de facto, delas. Para um segundo exemplo que apresenta algumas semelhanças com este, consulte Josué 24:14-25.
P: Em Rute 1:20, Noemi estava certa em querer ser chamada de Mara, que significa «amarga»?
R: Noemi passou por uma estadia trágica, um vazio deprimente e um regresso agridoce. Com três mortes na sua família, Noemi não tinha qualquer esperança razoável de ter descendentes, o que era importante naquela cultura. Ela continuou a seguir Deus, mas o seu desejo de ser conhecida como «amarga» é compreensível. Compreensível não significa, contudo, que fosse bom. Os crentes podem falhar de diferentes formas, e ela estava a ficar muito desanimada. Deus, na Sua misericórdia, tirou-a do seu desespero e deu-lhe uma grande esperança.
Hoje, poderá sentir-se muito desanimado por vezes; Paulo sentiu-se assim em 2 Coríntios 1:8-10. Poderá sentir que «más notícias» ou «amarga» também deveriam ser o seu nome. Deus pode resgatá-lo dessa situação e mostrar-lhe uma esperança verdadeira. 1 Pedro 1:3-12 fala-nos da nossa grande esperança, tal como Paulo em Romanos 8:18. Hebreus 12:1-3 fala da perseverança e da esperança de Jesus e de outros perante o sofrimento, e de como precisamos de ter a mesma esperança. Não uma esperança fraca e tímida, mas uma esperança que nos dá força para resistir a qualquer provação.
P: Em Rute 2:4 (duas vezes), 2:12, 2:19, 2:20, qual deve ser o papel da bênção nas nossas vidas?
R: A primeira coisa que pode vir à mente de uma pessoa é como podemos estar na bênção de Deus. Mas sugere-se que há duas coisas mais importantes do que isso. Primeiro, como podemos abençoar a Deus nas nossas vidas? A segunda é: como podemos abençoar os outros?
Naomi honrou e abençoou Rute ao referir-se a ela como «minha filha» oito vezes no livro de Rute.
No livro de Rute, todas as orações são orações de bênção, e todas as orações são atendidas.
Boaz falava a linguagem da fé, abençoando os outros. O que sai da nossa boca?
P: Em Rute 2:4 (duas vezes), por que razão devemos prestar atenção às nossas saudações (e despedidas)?
R: As nossas saudações e despedidas não devem ser banais, mas sim ter significado. Queremos que tenham um bom significado e, porque não, torná-las num pedido a Deus para abençoar os outros?
P: Em Rute 2:6-7, por que razão o servo-chefe permitiu que Rute colhesse as espigas deixadas pelos ceifeiros sem informar Boaz antecipadamente?
R: As Escrituras não o dizem, mas podem existir duas razões.
Legal: Na lei israelita (Levítico19:10 ;23:22 ; e Deuteronómio 24:21), os agricultores eram ordenados a não passar pelos campos uma segunda vez, mas a deixar as espigas para os estrangeiros e os pobres.
Relacional: Aparentemente, a relação entre Boaz e o servo-chefe era tal que este podia tomar a iniciativa, antes de informar Boaz, sem qualquer dúvida de que Boaz quisesse ser mesquinho e desobedecer à lei. Numa relação chefe/subordinado, uma das características mais valorizadas num subordinado é a confiança de que ele fará o que o chefe deseja que seja feito.
Como nota à parte, hoje em dia, nas relações empresariais, uma das partes numa relação beneficia frequentemente mais se «deixar algum dinheiro na mesa» para a outra parte. Quando ambas as partes se encontram numa situação em que todas saem a ganhar, ambas têm incentivo para continuar a relação benéfica.
P: Em Rute 2:12, de que forma Rute ficou «sob as asas de Deus», e será que alguns cristãos estão sob as asas de Deus e outros talvez não?
R: A palavra hebraica para a ponta de uma vestimenta é «kanap». Também pode significar «asa».
Num sentido judicial, todo o crente genuíno está sob as asas de Deus, na medida em que o sangue de Jesus o salva das penas pelo pecado. Mas, no dia-a-dia, um cristão não deve pensar que pode contar com as asas protetoras de Deus quando trilha um caminho que Deus lhe disse para não trilhar e corre atrás de coisas que Deus lhe disse para não perseguir. No entanto, mesmo quando vivemos em obediência a Deus, sob as Suas asas, podem ainda assim acontecer-nos doenças, acidentes e outras situações dolorosas, mas nada além do que Deus permite e do que Ele estará presente connosco para nos ajudar a superar.
P: Em Rute 2:15-16, por que razão acha que Boaz disse isto sobre Rute aos ceifeiros, ou acha que ele disse isto para todos?
R: Embora ele pudesse sentir isso em relação a todos no seu campo, é mais provável que tenha dito isto especificamente aos seus ceifeiros sobre Rute. Ele gostava de Rute e admirava o facto de ela ter ficado para cuidar da sua sogra. Hoje em dia, quando uma pessoa procura um cônjuge, pode ponderar aspetos como «será que é agradável estar na sua companhia?», «quão atraente é?» ou «quão abastada é?». Mas as questões mais importantes são: «Será um crente maduro?», «Qual é o seu caráter?» e «Será o tipo de pessoa que permanecerá ao meu lado, mesmo que as minhas circunstâncias venham a piorar?». O marido ou a esposa mais rico(a), mais atraente e mais divertido(a) do mundo não lhe proporcionará qualquer felicidade depois de o(a) abandonar.
P: Em Rute 2:19, por que razão Noemi disse isto?
R: Quando Noemi viu que a quantidade era um efa inteiro, percebeu o que se passava. Alguém tinha reparado em Rute e estava a ser especialmente generoso para com ela.
P: Em Rute 3:1, como encontramos «um lugar de descanso» (um lar)?
R: A palavra hebraica para «descanso», menuhah, é quase semelhante à palavra para «lar», manoah. Como crentes, nunca devemos contentar-nos, mas sim esforçar-nos sempre por estar mais perto de Deus e por fazer mais para O glorificar. Mas, ao mesmo tempo, devemos estar satisfeitos e sentir-nos «em casa», descansando na vontade de Deus.
P: Em Rute 3:7-9, o que é que Rute e Boaz fizeram aqui?
R: Embora alguns tentem interpretar esta passagem como se eles tivessem tido relações sexuais, o livro de Rute não diz especificamente isso. Na Bíblia, a expressão «deitar-se com alguém» significa ter relações sexuais com alguém, mas Rute não fez isso. O facto de Rute se ter deitado significa apenas que ela se deitou para dormir.
Tal como se refere em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 199-200, Boaz ficou «assustado» a meio da noite quando os seus pés ficaram descobertos e Rute estava ali. Portanto, obviamente, antes disso, Boaz não tinha qualquer tipo de envolvimento com Rute, caso contrário não teria ficado surpreendido. Tanto este texto como o livro «735 Baffling Bible Questions Answered», p. 98, explicam que o facto de Boaz ter estendido a ponta da sua vestimenta sobre ela era um costume que indicava que ele iria casar-se com ela. O livro «Hard Sayings of the Bible», p. 200, também menciona que ainda hoje é prática entre alguns árabes um homem lançar uma vestimenta sobre a mulher com quem se vai casar.
O facto de Rute ter vindo à noite não exerceria pressão pública sobre Boaz para que a aceitasse. De acordo com o livro *When Critics Ask*, p. 153, o gesto de Rute de descobrir os pés de Boaz era uma prática habitual para demonstrar a sua submissão a Boaz.
P: Em Rute 3:7-9, o pedido ousado de Rute foi, na verdade, um pedido de casamento a Boaz, e isso foi correto?
R: De uma forma indireta e respeitosa, Rute foi, na verdade, muito ousada. Nas nossas vidas, há momentos em que devemos ser ousados e há momentos em que não devemos. Mas mesmo quando devemos ser ousados, podemos sê-lo com humildade, respeitando os outros.
P: Em Rute 3:11, por que razão Boaz chamou a Rute de «uma mulher de caráter nobre»?
R: Porque Boaz percebeu que a lealdade de Rute para com ele era maior do que o seu desejo de casar com um homem mais jovem.
P: Em Rute 3:12-13, por que razão Boaz não aceitou então a proposta de Rute?
R: Boaz aparentemente gostava de Rute e sentia-se feliz e lisonjeado por ela querer casar-se com ele. Mas era correto perguntar primeiro ao parente mais próximo. Assim, apesar do seu prazer, Boaz valorizou o que era certo e adequado mais do que valorizou casar-se com uma rapariga em particular. Por um lado, aparentemente Boaz não teria tido qualquer problema se o parente mais próximo tivesse decidido casar-se com Rute. Mas, por outro lado, Boaz já sabia quem era o parente mais próximo.
P: Em Rute 3:14, por que razão Boaz não quis que se soubesse que uma mulher tinha ido à eira?
R: Boaz provavelmente receava a aparência do mal (2 Coríntios8:21 ; 1 Tessalonicenses5:22 ). Além disso, se se soubesse que Boaz tinha permitido que Rute viesse, outras mulheres, tais como as suas esposas, poderiam querer vir visitar os homens mais jovens. Há momentos em que precisamos de salvaguardar a nossa reputação, mesmo quando não fizemos nada de errado.
P: Em Rute 3:18, por que razão tanto Noemi como Rute pareciam estar tão tranquilas, quando se estava a decidir uma mudança dramática no futuro de Rute?
R: Graças ao conselho de Noemi e às ações de Rute, ambas tinham feito tudo o que podiam. Não havia mais nada que pudessem fazer agora. Estava nas mãos de Deus. Deus, que tinha providenciado para que Rute colhesse espigas, aparentemente por acaso, no campo de Boaz, poderia continuar a cuidar delas. Quando nos encontramos numa situação semelhante, sem mais nada que possamos fazer, precisamos de aprender a descansar tranquilos nas mãos de Deus, por mais importante que seja o resultado.
P: Em Rute 4:1-9, terá Boaz utilizado aqui uma estratégia bem ponderada?
R: Talvez sim. Se o parente mais próximo vivesse fora da cidade e trabalhasse na cidade, Boaz saberia que ele entraria pelo portão em algum momento.
A saudação de Boaz não tem um paralelo exato em inglês. «Meu amigo» é como dizer «John Doe», ou uma saudação em que se conhece a pessoa, mas não se quer dizer formalmente o seu nome. Talvez Boaz quisesse facilitar ao homem a possibilidade de recuar sem que o seu nome fosse exposto a constrangimento.
Primeiro, Boaz apresentou o lado positivo: o terreno estava à venda e, se o homem tivesse dinheiro, talvez quisesse comprá-lo. Boaz disse que ele próprio queria comprá-lo, mas, graciosamente (na verdade, de acordo com a lei), permitiu que o homem o comprasse, uma vez que este tinha o direito como parente mais próximo.
Em seguida, Boaz mencionou Rute. Isto significa que a herança da terra seria contabilizada com Elimeleque e Malom, e não com a família do homem. Além disso, se o homem ainda não tivesse filhos, este filho nascido de Rute seria o primogénito e teria uma herança dupla.
Ele também lembrou ao homem que Rute era moabita, o que também poderia dissuadi-lo de casar com ela.
Por fim, ao mencionar tanto a Noemi como a Rute, é possível que, dado que a morte prematura se abateu sobre o marido da Noemi e sobre o marido de Rute, Malom, o homem pudesse recear que uma morte prematura também o atingisse.
No entanto, embora Boaz tivesse apresentado bem o caso, não havia garantia de que isto fosse resultar. Tudo o que Boaz podia fazer era deixar o resultado nas mãos do Senhor.
P: Em Rute 4:3-8, isto ia contra as leis relativas ao casamento de um homem com a esposa do seu irmão falecido, conforme Deuteronómio 25:5-10?
R: De modo algum. Seis pontos a considerar na resposta.
1. Não havia nenhum irmão sobrevivente. Em vez disso, recorriam ao parente masculino mais próximo.
2. Note-se que, em Rute 4:4, o parente mais próximo estava inicialmente disposto a comprar a propriedade, até descobrir que Rute se tornaria sua esposa na transação. O parente mais próximo, cujo nome agora se perdeu, estava mais preocupado com o facto de os seus descendentes levarem todos o seu nome do que com o bem-estar de Rute, ou mesmo com a propriedade.
3. Rute não era israelita, mas moabita, o que pode explicar a relutância do parente masculino mais próximo.
4. As disposições de Deuteronómio 25:5-10 não eram aplicáveis neste caso, porque o homem não era irmão do marido. No entanto, estavam a tentar seguir o princípio e o espírito de Deuteronómio 25:5-10.
5. Uma vez que Deuteronómio 25:5-10 não constituía um mandamento neste caso, também não seguiram rigorosamente a punição. O homem tirou a sua própria sandália; Rute não lhe cuspiu na cara. Archer salienta que Rute, aparentemente, não desejava envergonhar o homem.
6. Havia diferenças entre a lei de Deuteronómio 25:5-10 e o que fizeram no Livro de Rute. O Livro de Rute limita-se a registar o que estas pessoas fizeram.
P: Em Rute 4:3, quem era o proprietário da terra antes desta venda?
R: Elimeleque provavelmente a tinha hipotecado quando partiu para Moabe, tal como refere o «Believer’s Bible Commentary», p. 292. Por outras palavras, vendeu a terra a outra pessoa, mas, a menos que fosse recomprada, reverteria para o «herdeiro» de Elimeleque (fosse ele quem fosse), no quinquagésimo ano do Jubileu.
P: Em Rute 4:6, por que razão o parente mais próximo concordou inicialmente em comprar a terra e depois desistiu?
R: A razão que ele apresentou foi que não podia casar-se com Rute, pois isso poderia pôr em risco o seu próprio património. Uma vez que a poligamia era praticada naquela época, a verdadeira razão é que, se Rute desse à luz o seu filho primogénito, outros poderiam considerar que esse filho herdaria tanto o nome do marido de Rute como os bens daquele homem. Deuteronómio 25:5-10 especifica que um homem deve casar-se com a viúva do seu irmão, caso os irmãos vivessem juntos. No entanto, neste caso, não eram irmãos e não viviam juntos.
P: Em Rute 4:8, existe alguma outra evidência de testemunho de uma transação através da troca de sandálias?
R: Sim. Não só Deuteronómio 25:7-10 indica que deviam fazê-lo, como as tabuinhas de Nuzi (final do século XIV a.C., logo após a época de Moisés) também registam a renúncia aos direitos de propriedade através da transferência de uma sandália para o novo proprietário, de acordo com a «The NIV Study Bible» de 1985, p. 369.
A troca de sandálias também pode significar, metaforicamente, ter o direito de pisar na terra que está a ser vendida, de acordo com a «The Nelson Study Bible», p. 447. O «Comentário de Keil-Delitzsch sobre o Antigo Testamento», vol. 2, p. 490, refere que os povos da Alemanha e da Índia também tinham o costume de tomar posse de bens adquiridos pisando o solo.
P: Em Rute 4:12, por que razão foi Tamar aqui mencionada?
R: Provavelmente, as pessoas levantaram esta questão porque se tratava de outro exemplo de casamento levirato, embora imperfeito. Quando «Judá arranjou uma esposa para Er, o seu primogénito» (Génesis 38:6), as Escrituras não referem que ela fosse neta de Jacob. Assim, este seria outro exemplo de casamento levirato, embora tenha ocorrido antes de Deus ter dado a Lei por intermédio de Moisés. Quando Er morreu, Judá fez com que Onã e Tamar se casassem para dar continuidade à linhagem de Er. Quando Onã morreu, Judá prometeu a Tamar que ela poderia casar-se com Sela, embora tenha voltado atrás nessa promessa. Assim, a linhagem foi preservada através do próprio Judá.
Tamar agiu mal, prostituindo-se com Judá, o seu sogro. Mas o povo honrou o seu antepassado, recordando a sua fecundidade posterior e ignorando o seu pecado. Ela foi fiel a um homem, Judá, que tinha medo de casar com ela.
P: Em Rute 4:10, por que razão Rute é considerada uma esposa comprada? (Um muçulmano referiu que isto era algo muito grave.)
R: Boaz «comprou» Rute (ou seja, pagou um dote por ela) ao adquirir a terra a Noemi. Boaz cuidou de Rute e da sua sogra, a viúva Noemi, e não me é claro por que razão este muçulmano tem um problema com o ato amoroso de compaixão de Boaz. Espero que ele não tenha simplesmente escolhido qualquer versículo da Bíblia que lhe caísse bem.
Se este muçulmano tiver algum problema com os dotes das esposas, note-se que Maomé pagou 4 000 dirhams pela sua esposa Umm Habibah (Abu Dawud, vol. 2, n.º 2103, p. 565). Além disso, ‘Ali bin Abi Talib comprou a filha de Rab’iah para si próprio. Ela deu-lhe uma filha chamada Umm Ruqayyah (al-Tabari, vol. 11, p. 66).
P: Em Rute 4:13, por que razão Mahlon e Rute ainda não tinham um filho?
R: Mahlon e Rute estavam casados há cerca de dez anos e não tinham filhos. Tanto Mahlon como Rute poderiam ter sido inférteis. Rute 4:13 diz que «o Senhor permitiu que ela concebesse».
P: Em Rute 4:16-17, Noemi adotou o filho?
R: Provavelmente não. Mas Noemi ficou tão radiante com o seu neto que a sua alegria era idêntica à que uma mãe sentiria. Para uma outra perspetiva, o «The Bible Knowledge Commentary: Old Testament», p. 428, considera que isto pode ter sido uma adoção formal por parte de Noemi.
P: Em Rute 1-4, de que forma esta redenção é um tipo da redenção de Cristo para nós?
R: Vamos «desvendar» o livro de Rute e ver doze formas como isto se relaciona com Cristo e connosco.
1) A probabilidade, por mero acaso, de Rute ter um descendente que se tornasse rei de Israel era efetivamente nula. Isto não aconteceu a nenhuma outra moabita. A colheita nos campos de Boaz, o facto de Boaz a ter notado, o facto de Boaz ser um parente redentor, o parente mais próximo não querer envolver-se, etc., tudo teve de correr na perfeição.
2) Em Rute 1:1-2, a família de Noemi optou por deixar a Terra Prometida e viveu em Moabe durante dez anos. Podiam simplesmente ter sido esquecidos, tal como tantos outros israelitas que se integraram nas terras vizinhas. Da mesma forma, as pessoas têm optado por abandonar Deus e o Seu «guarda-chuva» de proteção e vontade, partindo para a sua própria terra estrangeira.
3) Em Rute 3:10, Rute poderia ter ignorado esta questão do parente redentor, já que, afinal, era moabita, e simplesmente encontrado um jovem, talvez próspero e com o mínimo de complicações em Moabe. Afinal, foi isso que Orfa fez. Rute conhecia o seu lugar como estrangeira em Rute 2:10, mas aceitou-o e acolheu a bondade de Boaz.
4) Em Rute 3:11-13, Boaz prometeu a Rute que resolveria o assunto, e tanto Rute como Noemi acreditaram plenamente na promessa de Boaz.
5) Rute não fazia parte do povo de Deus, mas era uma moabita estrangeira, e os moabitas estavam afastados dos israelitas. Outrora, estávamos alienados e éramos inimigos de Deus, segundo Colossenses 1:21. Mas, tal como Boaz trouxe Rute para o povo de Deus, Cristo trouxe-nos para o Seu povo especial.
6) No entanto, em Rute 4:17, Rute não se limitou a tornar-se israelita, membro do povo de Deus; tornou-se a antepassada da linhagem real de David. Da mesma forma, somos um sacerdócio real, reis e sacerdotes, em Cristo, segundo 1 Pedro 2:9-10.
7) Em Rute 3:1-9, Noemi sugeriu o que fazer, e Rute desempenhou o seu papel, mas Noemi e Rute não estavam em posição de comprar a terra nem de casar; tinha de ser Boaz.
8) Boaz, o parente redentor, era um tipo de Cristo. Cristo redimiu-nos da maldição da lei. Mas enquanto Boaz utilizou dinheiro para adquirir a terra e Rute, e dar continuidade à linhagem de Malom, Cristo utilizou o Seu próprio sangue para nos adquirir, o Seu povo santo.
9) Em Rute 4:3, o «parente mais próximo» pode simbolizar a lei. A lei tinha prioridade sobre nós, mas foi incapaz de nos redimir. Não sabemos ao certo por que razão Boaz queria dez testemunhas, mas isso lembra-nos os Dez Mandamentos.
10) Quando nos apresentamos como testemunhas do batismo de alguém, recorde-se de Rute. Em Rute 4:2, os anciãos e o povo de Belém foram testemunhas dessa redenção naquela época.
11) Em Rute 4:13-17, Rute e Boaz casaram-se «para serem fecundos», para gerarem descendência que perpetuasse a linhagem de Elimeleque e Malom. Da mesma forma, somos salvos para sermos fecundos, criados «para praticar boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nelas andássemos» (Efésios 2:10).
12) Deus recorre frequentemente a meios humildes e improváveis para manifestar a Sua glória. A providência de Deus pode atuar em circunstâncias invulgares, e qualquer pessoa pode tornar-se crente, ser redimida e receber as bênçãos de Deus. Deus utilizou Boaz e Rute não só para a linhagem de David, mas também para a linhagem de Cristo, tanto legalmente através de José como biologicamente através de Maria. Ainda hoje, Deus redime pecadores, pessoas improváveis, inadequadas para o céu, e traz-as para a Sua família e para o Seu povo, e, em última instância, para o Seu céu perfeito.
P: No que diz respeito a Rute, quem são os primeiros escritores cristãos que se referiram a este livro?
R: O único escritor cristão pré-niceno que se referiu a Rute é Melito/Meleto de Sardes (170-177/180 d.C.). Ele enumera todos os livros do Antigo Testamento e inclui todos os livros de que dispomos, com exceção de Neemias e Ester. Fragmento 4 do Livro dos Extractos, p. 759.
Após Nicéia
Eusébio de Cesareia (318-339/340 d.C.)
«Synopsis Scripturae Sacrae» anónima (350-370 d.C.)
Atanásio (367, 325-373 d.C.)
Efraim/Efrem (350-378 d.C.)
Afraate, o Sírio (337-345 d.C.), faz alusão a Rute
Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.) enumerou todos os livros das Escrituras num poema, afirmando que quaisquer livros para além desses não constituem Escritura autêntica. A sua lista era a mesma que os protestantes utilizam hoje, com a exceção de que não incluiu Neemias, Ester nem o Apocalipse. Não mencionou Lamentações, mas poderá ter considerado que este livro estava incluído em Jeremias. Não mencionou as cartas de Paulo nem a Epístola aos Hebreus pelo nome, mas afirmou que Paulo escreveu catorze cartas. O poema de Gregório encontra-se (em grego) no volume 37 da Patrologia Graeca de Migne, colunas 471-474 (Carmina Dogmatica, Livro 1, secção 1, Carmen XII). Consulte http://www.bible-researcher.com/gregory.html para mais informações.
Epifânio de Salamina (360-403 d.C.)
Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)
Rufino (374-406 d.C.)
Jerónimo (373-420 d.C.) analisa os livros do Antigo Testamento. Aborda especificamente Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, o Pentateuco, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras, Neemias, Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
17.º Concílio de Cartago (393-419 d.C.) (218 bispos)
P: Em Ru, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda hoje existem?
R: Manuscritos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) 4 cópias distintas, de acordo com o livro *The Dead Sea Scrolls Today*, p. 30, e com o *Wycliffe Bible Dictionary*, pp. 436-438. São designados por 2Q16, 2Q17, 4Q104 e 4Q105. («The Dead Sea Scrolls in English», 4.ª ed., pp. xxix a xlii) O 2Q17 é, na verdade, composto por dois fragmentos; o 4Q104 é composto por três fragmentos, um dos quais corresponde ao início; o 4Q105 é composto por três fragmentos muito pequenos de outra cópia do Livro de Rute. («The Dead Sea Scrolls Translated: The Qumran Texts in English», 2.ª ed., pp. 471, 481)
4QRute(a) 1:1-12;2:13 -23; 3:1-8; 4:3-4
4QRuth(b) 1:1-6, 12-15;3:13 -18
No geral, os seguintes versículos do livro de Rute estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto: 1:1-12;2:13 -23; 3:1-8, 13-18; 4:3-4. Consulte «O Significado dos Manuscritos do Mar Morto» para obter mais detalhes.
Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo o livro de Rute.
O «Vaticanus» (325-350 d.C.) preservou todo o livro de Rute.
O Alexandrinus (c. 450 d.C.) preservou todo o livro de Rute.
Não dispomos de nenhuma parte deste livro proveniente do Sinaítico (340-350 d.C.).
P: Que autores antigos se referiram a Rute?
R: O único escritor pré-niceno que fez referência ou aludiu a versículos do livro de Rute foi Melito/Meleto de Sardes (170-177/180 d.C.), que se referiu a ele pelo nome.
Júlio Africano, na sua «Carta a Aristides», capítulo 5, menciona as genealogias de Achiór, o amonita, e de Rute, a moabita, mas não mencionou o livro de Rute pelo nome.
P: No livro de Rute, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: Aqui estão algumas das diferenças de tradução. Para obter uma amostra das variações entre o texto massorético hebraico (primeiro) e a tradução grega da Septuaginta (segundo), esta parte centra-se no capítulo 1.
Rute 1:1 «campos de Moabe» vs. «terra de Moabe»
Rute 1:2: os nomes são ligeiramente diferentes (Naomi, Mahlon, Chilion vs. Noemin, Maalon, Chelaion)
Rute 1:3 A cunhada de Rute «Orpa» vs. «Orfa»
Rute 1:6 «campos de Moabe» vs. «país de Moabe»
Rute1:13 : «É muito mais amargo para mim do que para si.» vs. «Estou triste por si»
Rute1:14 «beijou a sua sogra» vs. «beijou a sua sogra e regressou ao seu povo». (A implicação de que ela regressou ao seu povo é a mesma em ambos os casos.)
Rute1:18 «deixou de falar com ela» vs. «deixou de falar mais com ela» (Em ambos os casos, o contexto implica que ela não voltou a falar com ela sobre este assunto.)
Rute1:19 «comoveu-os» vs. «tocou-lhes o coração»
Rute1:20 «amargamente» vs. «muito amargamente»
Rute1:21 «voltou o [Seu] olhar contra mim, e o Todo-Poderoso fez-me mal?» vs. «humilhou-me, e o Poderoso afligiu-me?»
Rute1:22 «campos de Moabe» vs. «país de Moabe»
Rute3:15 «então ele voltou» (muitos textos hebraicos) vs. «então ela voltou» (muitos manuscritos hebraicos, Septuaginta, siríaco) (O Manuscrito do Mar Morto 2QRuth(b) [=2Q17] refere-se a Rute3:13 -18, mas não é certo o que lá está escrito.) Os escritores da Igreja pré-nicena não fazem referência a este versículo.
Rute 4:4 «mas se não quiseres» (a maioria dos textos massoréticos, Septuaginta) vs. «mas se ele não quiser» (muitos manuscritos hebraicos)
Rute 4:5 «De Noemi e de Rute, a moabita, adquire a viúva do falecido» (texto massorético) vs. «De Noemin e de Rute, a moabita, esposa do falecido, deve também comprá-la» (Septuaginta) vs. «De Noemi, adquire Rute, a moabita, a viúva do falecido» (Vulgata, siríaco)
Rute4:20 «Salma» (a maioria dos textos massoréticos) vs. «Salmon» (alguns manuscritos hebraicos, parte da Septuaginta, Vulgata)
Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é retirada da «Literal Translation», de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta provém da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de «The Septuagint: Greek and English». Foram igualmente utilizados o «Expositor’s Bible Commentary» e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV 1985, NKJV e NRSV.